quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Tv Paga

Estado de Minas: 24/10/2013 



Todo ligado


 (Cleones Ribeiro/Divulgação )

Na edição de hoje do programa Ensaio, às 23h30, na Cultura, o jornalista Fernando Faro recebe Os Mutantes, banda liderada pelo guitarrista Sérgio Dias (foto), único remanescente de sua formação original, que contava ainda com seu irmão, Arnaldo Baptista, e Rita Lee. No repertório, antigos sucessos como Tecnicolor, A minha menina, Balada do louco, Ando meio desligado e Panis et circenses, e músicas mais recentes, como Querida querida, Teclar e Mensageiro.

Muito balanço esta noite
na telinha do Canal Brasil


Ainda falando de música, Alexandre Moreira e Márcio Menescal, do coletivo Bossacucanova, são os convidados de Pauinho Moska no programa Zoombido, às 21h30, no Canal Brasil, e aí os destaques são as canções Bom dia Rio (Posto 6), Balança (Não pode parar!) e Rio de inspiração. No mesmo horário, o SescTV apresenta os folguedos náuticos de Alagoas em sua série Coleções, indo até Maceió e Coqueiro Seco para mostrar as tradições do fandango do Pontal e da Chegança, que trazem música e dança com enredo e personagens.

Dicas para quem não quer
saber apenas fritar um ovo


Quinta-feira é dia também de atualizar seu caderninho de receitas. No Bem Simples, às 18h30, o programa Cozinha caseira ensina como preparar pratos deliciosos de forma fácil e rápida, para a mulher moderna que trabalha fora. No canal GNT, a festa culinária continua com Rodrigo Hilbert em Tempero de família, às 20h, experimentando uma receita com pupunha. Às 20h30 tem Cozinheiros em ação, e às 21h30 o Que marravilha!, com o chef Claude Troisgros.

Jornalista conta o drama de
ser sequestrado pelo Talibã

O episódio de hoje da série I survived, às 22h, no canal Bio, vai contar a história do jornalista norte-americano Jere van Dyk, que em fevereiro de 2008 foi sequestrado nas montanhas do Paquistão por um grupo do Talibã e mantido prisioneiro por 45 dias. Na época ele era correspondente do jornal The New York Times.

Cultura exibe documentário
sobre o diretor Sergio Leone


Outro documentário em destaque hoje na programação está na tela do Nat Geo, às 19h, mostrando como funciona o Aeroporto de Dubai e seu projeto de ampliação do terminal 3, com 20 novos portões de embarque. Às 20h30, o canal Arte 1 apresenta Edifício Master, em que o diretor Eduardo Coutinho traça um painel com os moradores de um antigo e tradicional edifício de Copacabana, no Rio de Janeiro. Às 22h, a Cultura exibe Era uma vez um sonho americano, que faz um retrato do cineasta Sergio Leone, realizador de clássicos do faroeste como Três homens em conflito e Era uma vez no Oeste.

Os melhores filmes vão ao
ar sempre na faixa das 22h


E se o assunto é cinema, é preciso destacar a exibição hoje de Dia de preto, às 22h, no Canal Brasil, falando da lenda do primeiro escravo alforriado do país. Na mesma faixa das 22h, o assinante tem mais oito opções: De pernas pro ar 2, no Telecine Premium; Fim dos tempos, no Telecine Action; O fabuloso destino de Amélie Poulain, no Telecine Cult; Behind the candelabra, na HBO HD; Tiranossauro, no Max; O quarto poder, no Max Prime; Decisões extremas, no Sony Spin; e Olhos de serpente, no TCM. Outras atrações da programação: À procura da felicidade, às 20h, no Universal Channel; No limite da loucura, às 23h, no Comedy Central; e Em teu nome, às 23h, no AXN.

Caras & bocas Simone Castro

Estado de Minas: 24/10/2013 


Irene Ravache vai participar da edição 2013 do Teleton e homenagear apresentadora (Alexandre Campbell/Divulgação-27/3/13)
Irene Ravache vai participar da edição 2013 do Teleton e homenagear apresentadora
Lembranças de Hebe

A 16ª edição do Teleton, maratona televisiva promovida pelo SBT em prol da AACD – Associação de Assistência à Criança Deficiente, que será realizada amanhã e sábado, no SBT/Alterosa, prestará uma homenagem a Hebe Camargo, falecida há um ano, madrinha do evento beneficente. Para tanto, foi escalada a atriz Irene Ravache, que vai lembrar a dedicação da apresentadora à causa. Eliana foi escolhida a nova madrinha do Teleton. Entre atores, cantores e apresentadores, estarão no palco Michel Teló, Daniel, padrinho do evento, Sandy, Ronnie Von, Datena, Ratinho, Celso Portiolli, elenco de Carrossel e Chiquititas, Zezé di Camargo & Luciano, Ivete Sangalo. Uma expectativa é sobre a presença de Gugu Liberato, que pode estar de volta à emissora. Sílvio Santos fará o encerramento ao lado da filha Patrícia Abravanel e do neto Tiago Abravanel, atualmente na novela Joia rara (Globo).

CANAL BIO MOSTRA JOVENS
MARCADOS PELA VIOLÊNCIA


Estreia amanhã, às 22h, no canal Bio (TV paga), a série Jovens assassinos, que explora um mundo delicado: a revolta de adolescentes que toma proporções terríveis e irremediáveis. Assim, a nova série tenta desvendar, a partir da opinião de psicólogos, testemunhas e reconstrução de casos de grande repercussão, o que motiva esses jovens a matar a sangue-frio. Seria uma circunstância ou teria a centelha da destruição um quê genético? O programa é baseado em fatos registrados em arquivos policiais sobre assassinatos cometidos por crianças e adolescentes. O primeiro episódio traz os casos do rapaz que mata seus pais adotivos em um acesso de raiva e dos dois irmãos que abrem fogo contra um estacionamento de trailers, como vingança por uma transação de drogas malsucedida.

PARES DE SANGE BOM NÃO
FORAM DEFINIDOS AINDA


Os autores Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari guardam a sete chaves os principais desfechos de Sangue bom (Globo). Daí não se sabe ainda com quem vão terminar Malu (Fernanda Vasconcellos) e Amora (Sophie Charlotte). A expectativa é que as jovens tenham um final feliz com, respectivamente, Maurício (Jayme Matarazzo) e Bento (Marco Pigossi). Uma coisa é certa: até depois de Amora deixar a cadeia, o florista ainda se mostrará indiferente aos seus pedidos de retomada da relação. A pergunta é: até quando?. O único par consolidado é Giane (Isabelle Drummond) e Fabinho (Humberto Carrão).

FOTÓGRAFO DOCUMENTA
OS PARAÍSOS DA NATUREZA


Reinos budistas do Butão, montanhas e estepes da Mongólia, o Pantanal do Brasil, Ásia selvagem da Índia e do Nepal, deserto do Saara e muitos outros locais intocados pelo homem estão presentes na série Viajando aos extremos, do fotógrafo norte-americano Art Wolfe, que estreia domingo, às 17h, na Cultura. São 26 episódios, divididos em duas temporadas. O primeiro programa é Bolívia: o altiplano, que mostra as paisagens deslumbrantes do maior terreno de sal do mundo, a ilha de cactos dourados, lagos escarlate-matizados, vulcões gêmeos e céus surreais. “Natureza sempre me surpreende”, diz o fotógrafo, com mais de 30 anos de carreira.

RITUAL MACABRO

No Conexão repórter desta quinta-feira, à 0h15, no SBT/Alterosa, Roberto Cabrini entrevista um criminoso intrigante. A reportagem, intitulada Diário do mal, enfoca Jorge Beltrão Negromonte da Silveira, formado em educação física e faixa preta em caratê. Ele tinha tudo para se estabelecer como profissional respeitado, mas trilhou caminhos tortuosos. E criou uma seita que pregava a maldade para combater o próprio mal e, em nome da purificação da humanidade, cometeu, junto com duas mulheres, uma série de assassinatos brutais seguidos de atos de canibalismo. O apresentador se deparou, em três horas de conversa, em um presídio, com um homem frio, manipulador e de boa cultura, que usou seu rico vocabulário para escrever roteiros recheados de cenas macabras que protagonizou. Uma crueldade sem precedentes com detalhes que surpreenderam até a polícia.

VIVA - Mariana Ximenes como a afetada vedete Aurora Lincoln em Joia rara (Globo). A atriz chegou e roubou a cena.

VAIA - Núcleo de Eron (Marcello Antony), Niko (Thiago Fragoso) e Amarilys (Danielle Winits) em Amor à vida (Globo).

TEREZA CRUVINEL » Desatinos em série‏

O Congresso caminha para a aprovação de duas iniciativas que, combinadas, ampliam os riscos de corrupção e desmoralização da política


Tereza Cruvinel

Estado de Minas: 24/10/2013 



Dois assuntos conexos e danosos ao exercício da política, logo, à própria democracia, caminham para o desfecho no Congresso, na ausência de exame e debate mais acurados sobre suas consequências: a tal minirreforma eleitoral e o chamado orçamento impositivo. Por enganosas, as duas propostas merecem ressalvas no próprio nome. A combinação entre essas duas iniciativas não deixa dúvidas sobre o que virá. Com as campanhas cada vez mais caras, e os parlamentares transformados em donos de “fatias do orçamento”, a corrupção aumentará na esfera da política.

Na semana passada, em entrevista ao jornal O Globo, o diretor de combate ao crime organizado da Polícia Federal, Oslain Santana, afirmou que mais da metade dos escândalos de corrupção investigados estão relacionados com o financiamento de campanhas. E onde há doações de campanha, existem conexões com o orçamento federal. A Câmara aprovou anteontem, dependendo de confirmação de algumas mudanças pelo Senado, o projeto enganador da minirreforma eleitoral, que não mexe nas feridas do sistema eleitoral. Pelo contrário, fortalece a política movida a dinheiro, que impede a renovação e favorece o status quo. Ninguém sabe se poderá valer em 2014, pois foi aprovada a menos de um ano do pleito, mas isso não muda o fato de que se trata de uma farsa da reforma política necessária, sem a qual não haverá jamais a “nova política” pregada pela ex-senadora Marina Silva e desejada pelas legiões de frustrados com a política.

A eleição de 2002 teve um custo global de R$ 800 milhões, que saltou para R$ 4,8 bilhões em 2010. Neste ritmo, diz o deputado Henrique Fontana (PT-RS), a de 2014 poderá chegar aos R$ 8 bilhões. “Essa corrida do ouro é que estamos estimulando com este projeto que proíbe peças acessórias de campanha, mas não limita os gastos dos candidatos nem as doações dos financiadores”, lamenta o relator da finada reforma política. “Veja que coisa. Essa reforma proíbe que eu pendure uma faixa com meu nome, que custará R$ 10, na frente da minha própria casa. Mas poderei contratar cabos eleitorais, pagando o que quiser”, diz o deputado Garotinho (PR-RJ). Mas esse jogo está feito. O Senado referendará a proposta e veremos se a presidente vai sancioná-la sem reparos. E, depois, o TSE decidirá sobre a vigência, se em 2014 ou em 2016. A reforma farsesca prova a incapacidade dos congressistas de mudar as regras do jogo que jogam, recomendando ao vencedor da disputa presidencial, seja quem for, que destine um pouco da força inicial do mandato à reforma política.

Capitanias orçamentárias

O chamado orçamento impositivo não merece esse nome fantasia porque obriga o Executivo a executar apenas as emendas parlamentares. E nem são todas, apenas as individuais, lembra o líder do PSDB, Aloysio Nunes Ferreira, pois existem as emendas de bancadas estaduais, que supostamente expressam melhor as necessidades regionais, e as de comissões, que deveriam representar o compromisso com projetos setoriais estratégicos. As individuais é que farão de cada parlamentar um donatário de capitanias orçamentárias, como aqueles fidalgos portugueses que ganharam pedaços do Brasil para explorar.

Pouquíssimos congressistas ousam falar contra o que está sendo apontado como uma grande conquista, a alforria dos parlamentares em relação a um Executivo que usa as emendas como moeda de troca na busca de apoio, o que tem estigmatizado negativamente os dois lados do balcão. Essa doença existe, mas o remédio está errado.

No Senado, o vice-presidente Jorge Viana (PT-AC) também é visto como herético pela maioria de seus pares, porque vem apontando os perigos da iniciativa. “Ela fará cada deputado responsável pela execução de pelo menos R$ 50 milhões ao longo do mandato. O senador, em seu mandato de oito anos, por R$ 100 milhões. O resultado será obviamente uma combinação entre emendas, corrupção e financiamento de campanhas. Quantos escândalos serão necessários para admitirmos que isso é um erro? No fundo, estaremos legalizando as ações que, no passado, levaram à cassação os anões do Orçamento”, diz Viana.

Outro dos poucos críticos da bandeira do baixo clero, o senador Humberto Costa (PT-PE), como relator, propôs a destinação de pelo menos 50% dos recursos do valor global das emendas para ações na área de saúde. “Isso é bom, mas o escândalo dos sanguessugas e tantos outros ocorreram na área da saúde”, lembra Nunes Ferreira. O Executivo barganha liberações por apoios, mas a solução, para o líder tucano, é criar regras mais rígidas para a execução orçamentária. “Se aprovarmos a Lei de Responsabilidade Orçamentária, do ex-senador Tasso Jereissati, relatada pelo senador Francisco Dornelles, teremos uma nova disciplina, que porá freio na barganha e nos livrará dos riscos deste orçamento parcialmente impositivo”, diz ele.

Afora o risco de corrupção e aumento da desmoralização da política, a mudança terá consequências operacionais irracionais. O governo será obrigado a montar uma grande estrutura só para executar as emendas parlamentares. Se cada deputado, com sua verba de R$ 15 milhões, apresentar 25 emendas, serão 15 mil ações. O Executivo terá de liberar recursos para cada uma, o que exige convênios e outros procedimentos. A Comissão Mista de Orçamento, por sua vez, terá de acompanhar a execução de cada uma. Toda sua estrutura e uma enorme energia política, criadas para garantir a prerrogativa do Parlamento, de aprovar a LDO e a lei orçamentária anual, podendo emendá-la ou modificá-la, será consumida neste varejão. Ainda é tempo para alguma reflexão sobre o assunto.

Em paz com Portinari‏ - Ailton Magioli

O painel Civilização mineira, instalado no Palácio dos Despachos, é desmontado para ser restaurado e protegido dos cupins. Alvo de polêmicas em BH, seu autor conquista a cidade



Ailton Magioli


Estado de Minas: 24/10/2013 



Restauradores trabalham no Palácio dos Despachos (Maria Tereza Correia/EM/D. A PRESS)
Restauradores trabalham no Palácio dos Despachos


Principal atração da temporada cultural de BH – o Cine Theatro Brasil-Vallourec exibe sua monumental obra Guerra e paz –, Candido Portinari (1903 –1962) é um velho conhecido da cidade. Foi ele quem pintou painéis, passos da via-sacra e os azulejos da fachada da Igreja de São Francisco, na Pampulha. O paulista de Brodowski assinou também trabalhos instalados no Pampulha Iate Clube, no Iate Tênis Clube e no Palácio dos Despachos.

Pintado em 1959 para a sede carioca do Banco Agrícola Hipotecário de Minas Gerais, o painel Civilização mineira está sendo oportunamente restaurado. Nele, Portinari retrata a transferência da capital de Ouro Preto para Belo Horizonte. Formado por 12 chapas de madeira compensada (234cm x 814cm), o painel chegou a BH em 1967, mas ficou fechado na sede do Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge), na Praça 7, até ser transferido definitivamente para o Palácio dos Despachos, que vai abrigar a Casa Fiat de Cultura a partir de junho.

Depois de passar, há uma década, por restauro estético para conservação e limpeza, Civilização mineira foi desmontado pela primeira vez. Isso permite à equipe do Grupo Oficina de Restauro, responsável pelo trabalho, descobrir detalhes da técnica de montagem até então desconhecidos.

“A definição final da montagem ainda está em discussão”, explica Rosangela Reis Costa, que lidera a equipe técnica responsável pela restauração do painel. Um dos temas discutidos é a moldura em jacarandá baiano escuro (material usado nas escadas do Palácio dos Despachos, projetado por Luciano Amedée Peret). Ela tem três camadas de tinta em tom bege-esverdeado, mas Portinari não aprovava esse tipo de intervenção em seu trabalho. O pintor preferia a borda pintada de branco diretamente no painel.

“Na verdade, não há nada muito organizado em relação ao painel, o de maiores dimensões em Belo Horizonte. Como apenas pequenos documentos o citam, somente agora ele terá sua história devidamente escrita”, comemora Rosangela. Todo o projeto vem sendo documentado e exaustivamente debatido, reforça a especialista. Nada será apagado, obedecendo ao princípio de reversibilidade da restauração.

Equipe de quatro técnicos liderada por Rosangela comanda a desmontagem do painel. A escovação é etapa importante, pois permite remover resquícios deixados por cupins. “É uma verdadeira chuva de cupim”, comenta Rosangela, enquanto assiste ao escovamento da madeira da parede frontal da entrada do Palácio dos Despachos. Além dos restauradores, integram o grupo historiadores, artistas plásticos, químicos e fotógrafos especializados em luz.

“As técnicas são as mesmas empregadas no Guerra e paz, trabalho comandado pelos restauradores Cláudio Valério e Edson Mota Filho”, informa Rosangela, lembrando que Civilização mineira foi tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha/MG). Os estudos começaram no início de 2012, mas só em setembro os trabalhos de restauro foram iniciados. A conclusão está prevista para o ano que vem, quando a Casa Fiat de Cultura, atualmente instalada no Belvedere, funcionará no Palácio dos Despachos. A reabertura está prevista para junho.
Painel remete à mudança da capital de Ouro Preto para BH (Casa Fiat/divulgação)
Painel remete à mudança da capital de Ouro Preto para BH


Orgulho

Ana Vilela, gestora da Casa Fiat de Cultura, diz que é motivo de orgulho o governo mineiro ter confiado patrimônio de tal importância à instituição. “É o reconhecimento do trabalho de sete anos que desenvolvemos. Um de nossos objetivos é valorizar, preservar e difundir o patrimônio histórico, artístico e cultural”, garante.

De acordo com ela, a restauração de Civilização mineira, orçada em R$ 317 mil, foi viabilizada pela Lei Rouanet graças à parceria entre Ministério da Cultura, governo do estado e Iepha-MG. “Isso só vem reforçar a política cultural da empresa, trazendo a possibilidade de o público desfrutar da obra do grande mestre do modernismo brasileiro”, diz Ana.

A gestora lembra que o painel, além de remeter à transferência da capital de Ouro Preto para Belo Horizonte, traz a alegoria da Inconfidência Mineira, “referência da identidade dos brasileiros”.
São Francisco, padroeiro da polêmica igrejinha da Pampulha (Auremar de Castro/EM/D.A Press - 5/7/05)
São Francisco, padroeiro da polêmica igrejinha da Pampulha


Haja confusão

Olag, motivo de espanto em 1944 (Arquivo)
Olag, motivo de espanto em 1944


A onda modernista que atualmente contamina Belo Horizonte não se limita a resgatar a importância da cidade para o movimento artístico que tem o conjunto da Pampulha como um de seus símbolos. Ela também restaura – em boa hora – a relação da capital com Candido Portinari. Criadas para a Igreja de São Francisco, obras do pintor geraram uma batalha político-religiosa. Na época, o arcebispo de Belo Horizonte, dom Antônio dos Santos Cabral, rejeitou o conjunto modernista, condenando “fantasias de artistas” e “extravagâncias que podem muito bem ficar em salões de arte”.

Inaugurada em 1945, a igreja ficou fechada por 14 anos. Só foi aberta aos fiéis em 1959, três anos depois de Portinari pintar os painéis Guerra e paz para a sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Comunista assumido, o artista plástico brasileiro não conseguiu visto de entrada nos Estados Unidos.

Outra polêmica mineira envolvendo Portinari se deu em 1944. Seu quadro abstrato Cabeça de galo, exibido na Exposição de arte moderna de Belo Horizonte, provocou intensos debates na capital. Boa parte do público rejeitou a obra, ironicamente apelidada como Olag.