domingo, 27 de outubro de 2013

Quase indomável - Carolina Braga

Considerado um dos principais guitarristas da história da MPB, Lanny Gordin nunca foi à escola de música. O artista criou seu próprio estilo e assume o adjetivo de emblemático


Carolina Braga

Estado de Minas: 27/10/2013 



Lanny Gordin, músico (Túlio Santos/EM/D.A Press  )
Lanny Gordin, músico


A imagem do senhor introspectivo, aparentemente calmo, muito concentrado na guitarra não é o que poderia se imaginar de Lanny Gordin. Quando pensamos no nome ligado à Tropicália, instrumentista que teve acordes gravados por Jards Macalé, Gal Costa, Gilberto Gil – só para citar os mais veteranos –, poderíamos até esperar uma postura mais robusta, visceral. É o contrário.

Aos 61 anos, Gordin fala baixo e com dificuldade. Consequência dos problemas de saúde que enfrenta desde a década de 1970. As histórias dele envolvendo abuso de LSD e internações em sanatórios contribuem para reforçar a fama de gênio indomável. De perto não é bem assim.

 “Toquei, toquei, toquei não parei mais”, diz. Não à toa é considerado pela crítica especializada como um dos principais guitarristas da história da música brasileira. O adjetivo “emblemático” é facilmente empregado a ele. “Recebo com a maior honra. Fico muito feliz de ser o guitarrista emblemático da sociedade brasileira”, brinca.

 Filho de pai russo e mãe polonesa, Alexandre Gordin nasceu em Xangai, na China, em 28 de novembro de 1951. Viveu um período em Israel antes de se mudar para o Brasil com a família. O pai era dono da casa noturna paulistana Stardust, por onde começou a carreira. Um dos momentos marcantes do início foi a participação no show de Wanderleia, ainda na década de 1960.

“Como estava muito cru, comecei o show tocando no máximo volume. Toquei uma posição só, não sabia mais nada. No fim, um pessoal chegou para a Wanderleia e falou: ‘Você é maravilhosa, canta muito bem, é divina e tal, mas manda aquele rapazinho abaixar a guitarra um pouco que não estamos aguentando mais’. No outro dia, ela me despediu”, lembra.

Depois da breve experiência com a moça da Jovem Guarda, Lanny Gordin juntou-se ao Brazilian Octopus, de Hermeto Pascoal. “Aprendi muita coisa com ele e fui me entrosando. Comecei a ficar cada dia melhor”, diz. Foi pelo empenho e pela qualidade que já apresentava que um dia foi convidado para ir à casa de Gilberto Gil. Quem o chamou foi Tony Osanah, integrante argentino dos Beat Boys, surpreso com o som que Lanny conseguia tirar.

Daquele momento o guitarrista se lembra da imagem de Gilberto Gil abrindo a porta. “Ele nos atendeu com o cabelo blackpower, uma bata indiana, super-hippie. Toquei com ele uns 20 minutos e aí ele falou: ‘Você é o guitarrista que a gente estava procurando para entrar no nosso grupo’”, recorda. Daquela época, Lanny gravou as guitarras em pelo menos quatro álbuns de Gal Costa, entre eles o antológico Fatal – a todo vapor. Com Caetano Veloso esteve no famoso Álbum branco, além de outros dois de Gil: Gilberto Gil 1969 e Expresso 2222.

Fora da Tropicália, tocou com Jards Macalé, Erasmo Carlos, Antônio Carlos & Jocáfi, Elis Regina, Tom Zé e Jair Rodrigues. “Hoje, eu me sinto muito amadurecido. Passei por tudo isso e cheguei à conclusão de que o importante na vida é muito simples. Acredito na lei da evolução. Qualquer ser humano vai chegar a ponto de realização espiritual, que vai para onde quiser”, divaga. “Hoje, me considero um guitarrista que cumpriu a missão.”

Inspiração Lanny Gordin nunca frequentou escola de música. “Criei meu estilo com o talento que Deus me deu. Foi uma espécie de inspiração que tive a todo momento. Não copiei ninguém e isso me tornou um guitarrista muito original”, diz. Segundo ele, também nunca se permitiu acomodar na criação, mesmo nos períodos de surto.

“Todo dia toco lá em casa”, conta. A moda agora é praticar uma nova técnica com liberdade total para o braço. Detalhes dessa invenção ele prefere manter em segredo. “Estou inventando da minha cabeça. Vamos ver o que vai pintar por aí. Pretendo gravar mais alguns discos. Planejo fazer um novo trio de guitarras. Vamos fazer shows por aí”, anuncia. O disco mais recente foi Auto-hipnose (2010) do projeto Kaoll & Lanny Gordin, distribuído pelo selo Baratos e Afins.


Participação em outros discos

• Brazilian octopus (1968)
• Gilberto Gil (1969)
• Le Gal (Gal Costa) (1969)
• Erasmo Carlos (1971)
• Gal a todo vapor (Gal Costa) (1971)
Expresso 2222 (Gilberto Gil) (1972)
• Jards Macalé (1972)
• Araçá azul (Caetano Veloso) (1972)
• Build up (Rita Lee) (1972)
• Aguilar e a banda Performática (1982)
• Aos vivos (Chico César) (1995)
• Vange Milliet (1995)
• Cuscuz clã (Chico César) (1996)
• Catatau (1997)
• O Q faço é música (Jards Macalé) (1998)

Papo reto de Zuza - Carlos Herculano Lopes

Ex-menina de rua, Maria de Jesus da Silva lança Divã de papel, que expõe suas memórias sem espaço para lamentações. Livro já foi objeto de estudos universitários no Brasil e no Canadá



Carlos Herculano Lopes


Estado de Minas: 27/10/2013 



Hoje trabalhando como manicure, Zuza conta sem rodeios as dificuldades por que passou e sua luta para superar as adversidades sem perder o prazer de viver (Ângelo Pettinati/Esp. EM/D.A Press)
Hoje trabalhando como manicure, Zuza conta sem rodeios as dificuldades por que passou e sua luta para superar as adversidades sem perder o prazer de viver

No primeiro capítulo de Divã de papel, como porta de entrada para o que vem em seguida, Maria de Jesus da Silva, a Zuza, dá voz à irmã, Veva, que, numa sinceridade desconcertante vai narrando, passo a passo e sem cair na lamúria, como se deu a traumática vinda da família para Belo Horizonte. No fim dos anos 1950, depois de amargar a miséria em Guanhães, no Vale do Rio Doce, a mãe, abandonada pelo marido, partiu de jardineira para tentar a vida na capital com seus oito filhos.

O espaço aberto para a irmã, que era a mais velha dos filhos de um casal de lavradores, é explicado pelo fato de que, à época da mudança, Zuza tinha apenas 11 meses. Daquela fase, a mulher de olhar determinado diz não se lembrar de nada. “Nunca mais voltei a Guanhães, nem tenho vontade. Foi sofrimento demais para a minha família”, diz.

Toda a história de vida de Zuza, com tantos e inacreditáveis desdobramentos, nos quais vai sendo mostrada uma trajetória de pobreza que o Brasil, desde sempre, faz questão de ignorar ou jogar para debaixo do tapete, está contada em Divã de papel, que a escritora lança terça-feira em Belo Horizonte. Sem forçar comparações, é uma saga parecida com a de dois outros brasileiros vindos da pobreza e que conseguiram documentar suas vidas em palavras: a escritora Carolina Maria de Jesus, autora de Quarto de despejo, e o contador de histórias Roberto Carlos Ramos.

A história de Maria de Jesus, ex-menina de rua que aos 4 anos foi jogada num orfanato, para sair aos 14 e voltar para a dura realidade das ruas e favelas de Belo Horizonte,  começou a ser registrada quando, no seu trabalho como manicure, ficou conhecendo Vera Lúcia Felício Pereira. Impressionada com os relatos de Zuza, enquanto esta ia fazendo suas unhas, a professora de literatura da PUC Minas conta que um dia não resistiu e entregou a ela alguns cadernos e disse: “Exijo que escreva suas histórias”.

Qual não foi a sua surpresa quando, alguns meses depois, recebeu os cadernos recheados de textos escritos à mão e que, levados por ela para a universidade, logo chamaram a atenção de professores e alunos, a ponto de a professora Ivete Walty ter feito dos relatos de Zuza o tema do seu pós-doutorado. Apresentado na Universidade de Ottawa, no Canadá, com o título de Testemunha estomacal, fome e escrita, o texto vem em anexo no livro.

“As memórias de Zuza não são apenas suas confissões e reflexões pessoais, são o testemunho de alguém que resistiu à fome, com outra fome; não só a de ganhar dinheiro, como ela mesma diz, mas a fome de viver, ou mais do que isso, a de viver com o outro e para o outro”, escreveu. O livro foi também motivo de estudo feito pela professora Vera Felício Pereira e de dissertação de mestrado de Gislene Ferreira da Silva. O jornalista Rogério Zola Santiago auxiliou a escritora na montagem final do livro.

Cabeça de porco Reconhecimento acadêmico à parte, quem se lançar à inesquecível e triste aventura de ler o livro de Zuza – que se hoje não tem muita coisa além de casa própria, em Venda Nova, e uma disposição incrível para o trabalho – vai se encantar com a história de uma mulher rica em relação à realidade vivida na infância e adolescência. Algumas passagens são surpreendentes. Numa das mais terríveis de Divã de papel, que daria uma ótima minissérie ou documentário para TV, a autora volta ao Mercado Central de Belo Horizonte, no qual às vezes a família ia revirar lixo ou tentar encontrar algo para matar a fome.

É o seguinte o relato de Zuza: “Eu estava procurando algo para colocar na minha latinha, quando vi ou ouvi algo que me chamou a atenção. Sabe, estava acontecendo uma disputa entre minha mãe e outros pedintes. Nós todos corremos para ver de perto, estavam disputando uma cabeça de porco. Minha mãe puxava pra cá e a dona puxava pra lá, a disputa estava feia, minha mãe sozinha. Mas surgimos todos nós ao mesmo tempo e fomos ajudar a nossa mãe, a nossa turma era mais esperta e ganhamos a disputa. Ela guardou a cabeça do porco na sacola e saímos dali urgente, cada um por um caminho”.

Igualmente comoventes são as páginas que Veva, na abertura do livro, e Zuza, em outros capítulos, dedicam a uma de suas irmãs, Conceição. Alegre, despachada e líder da turma, também no primeiro momento internada no orfanato, no qual nunca conseguiu se adaptar, um dia ela simplesmente desapareceu, depois de ter ido à procura de um namorado. Nunca mais tiveram notícias dela, sendo esse, até hoje, um dos maiores traumas da família. No final do depoimento, Veva registra: “Conceição, eu não tenho mais o que falar, só tenho que chorar porque nada está ao meu alcance, pois só existe esperança enquanto há vida. Paro por aqui e deixo o resto para a minha irmã desabafar no seu divã”.

Além dos desabafos, que faz desse livro um documento impressionante, mas nem por isso amargurado, Zuza narra passagens alegres, como a sua ligação com a Escola de Samba Cidade Jardim e o seu amor pelo carnaval. Sem deixar de lado a política: ela foi candidata a vereadora de BH pelo Partido Verde, recebendo 300 votos. Em outros momentos, mesmo discretamente, fala ainda de alguns amores, afinal de contas ninguém é de ferro. Para concluir com as seguintes palavras: “Aqui não tem uma mentira, não tem ficção, é tudo realidade, pode botar fé em minha escrita terapêutica. Tenho 63 anos de janela e 106 de experiência”.
 (Anome Livros/Reprodução)

Divã de papel
• De Maria de Jesus da Silva, a Zuza
• Anome Livros, 418 páginas, R$ 40
• Lançamento terça-feira, a partir das 18h30, na Academia Mineira de Letras, Rua da Bahia, 1.466. Informações: (31) 3222-5764.


Outros tempos

Em 1960, um livro escrito em primeira pessoa por uma mulher que vivia numa favela de São Paulo sacudiu a literatura brasileira. Quarto de despejo – Diário de uma favelada, despertou grande interesse por sua autora, Carolina Maria de Jesus, mineira de Sacramento, nascida em 1914, que se mudou para São Paulo em 1947. Além de descrever com força e crueza o dia a dia de comunidades pobres da metrópole, Carolina foi considerada uma das pioneiras da escrita feminina no Brasil. Quarto de despejo foi traduzido para 13 idiomas e adaptado para o cinema, TV e teatro. Carolina Maria de Jesus morreu em 1977.



Três perguntas para...

Maria de Jesus da Silva
Escritora

O que ficou para você de toda essa história de vida?

Disso tudo me ficou um aprendizado muito grande, mas não ficou revolta, porque consegui, graças à minha luta, transformar o limão em limonada e o sofrimento em graça.

Você chegou a estudar?

É claro que no orfanato aprendi alguma coisa, apesar da grande discriminação que eu e minhas irmãs sofremos, pelo fato de sermos negras. No mais, fui me virando por mim mesma. Na vida, a gente aprende a caminhar no amor ou no sofrimento. No meu caso, foi na dor e nos tropeços.

No livro você contou tudo?
Digamos que quase tudo. Só algumas coisinhas que não. Afinal de contas, todos nós temos segredos, que são inconfessáveis, e que devem ser levados para o túmulo.

Varicocele mexe com a fertilidade masculina‏

Varicocele mexe com a fertilidade masculina Doença que atinge testículos é como as varizes nas pernas: há dilatação da veia na região e represamento do sangue 

Augusto Pio

Estado de Minas: 27/10/2013





Mais de 60 milhões de pessoas na faixa dos 18 aos 35 anos sofrem  algum problema de fertilidade, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). No Brasil, embora não usem métodos anticoncepcionais, 2 milhões de brasileiros não conseguem ter filhos depois de um ano de relações sexuais com o mesmo parceiro. Entre os homens, uma das principais causas da queda da fertilidade é a varicocele, doença que se caracteriza pela dilatação das veias dos testículos, processo semelhante ao das varizes. Isso ocorre porque o sangue fica represado ao redor dos testículos, ocasionado o aumento da temperatura no local e prejudicando o processo de formação dos espermatozoides. “Além disso, o sangue retido leva a um aumento de algumas substâncias tóxicas e, consequentemente, à diminuição da produção, movimentação e funcionamento dos espermatozoides”, explica o urologista Sílvio Pires, de São Paulo.

O que ocorre durante o processo da doença é uma insuficiência das veias de drenagem dos testículos, que leva a um represamento sanguíneo e à dilatação venosa. O especialista diz que estima-se que a doença atinja cerca de 20% dos homens no mundo inteiro. “Por isso, o diagnóstico precoce é importante, uma vez que o aparecimento da varicocele se dá entre os 14 e 15 anos de idade”, alerta.


O urologista mineiro Tácito Ferreira Guimarães acrescenta que há três tipos da varicocele. “A patologia é classificada em três graus: grau I (as veias ainda são pequenas e palpáveis com a manobra de aumento da pressão abdominal), grau II (moderadas e palpáveis facilmente sem esta manobra) e grau III (detectadas por visualização). Não existe uma causa bem definida. Acredita-se que a angulação da veia gonadal esquerda na artéria renal e ausência de válvulas sejam fatores facilitadores do surgimento da varicocele. A tendência da doença é de progredir para um grau mais acentuado. Ela é rara em crianças, e normalmente surge na adolescência”, acrescenta.


Sílvio Pires diz que no primeiro estágio a varicocele é pequena, sendo palpável apenas com o aumento da pressão abdominal. “No segundo, ela é facilmente palpável, e no terceiro estágio, se torna palpável e visível. Ela se forma quando as válvulas de dentro das veias do cordão espermático impedem que o sangue flua adequadamente. Isso faz com que o sangue retroceda, causando inchaço e alargamento das veias. A doença, apesar de não provocar queixa na maioria dos casos, pode trazer dor no escroto, atrofia dos testículos e diminuição da fertilidade”, explica. Vale ressaltar que nem todo homem infértil tem varicocele, e nem todo portador da doença é infértil.


Pires acrescenta que a varicocele é uma doença genética e ocorre devido à falência ou deficiência das válvulas da veia testicular. “Quando o sangue circula perfeitamente nessa área, ele passa pelas válvulas e elas se fecham para que o líquido não retorne. Mas quando está deficiente, gera acúmulo de sangue nos testículos, forçando de maneira acentuada as veias e provocando a dilatação”.


Por isso é importante que o homem faça o autoexame do saco escrotal. “Ele deve procurar observar a diminuição do tamanho de um dos testículos, sobretudo, o do lado esquerdo, que, por uma questão anatômica, é o mais acometido pela doença. Ficar atento ao surgimento de nódulos e dilatações anormais das veias dos testículos, assim como realizar visitas periódicas ao especialista, são hábitos preventivos.” Os exames que auxiliam o diagnóstico são a ultrassonografia, a ecografia testicular e a cintilografia dos testículos.


Sobre o tratamento, o urologista explica que o uso de um suspensório escrotal e medicamentos por via oral podem melhorar os sintomas, porém, se for comprovada a relação da doença com a infertilidade a cirurgia denominada varicectomia, é indicada. “Há a cirurgia aberta; a cirurgia laparoscópica, com anestésico local; e a embolização de varicocele, procedimento semelhante a um cateterismo.”
 
Infertilidade Tácito Guimarães esclarece que a varicocele não causa ejaculação precoce nem impotência sexual. “O tratamento é indicado quando a doença é de moderada a acentuada e há infertilidade por alteração do líquido seminal, dor crônica no testículo e redução do tamanho do testículo.”


Embora a varicocele não seja considerada uma doença grave, pode levar à infertilidade. Se for diagnosticada precocemente e tratada adequadamente, com acompanhamento médico, não oferece riscos graves ao paciente. A doença surge na maioria dos casos na adolescência, sendo que o pico de incidência é até os 25 anos. “A doença tem cura. É importante ressaltar que pacientes tratados cirurgicamente, mas que não tiveram melhora, devem ser referenciados para a reprodução assistida caso desejem ser pais”, diz Sílvio Pires.



Definição
Termo usado pelos médicos para descrever a dilatação das veias que drenam o sangue venoso dos testículos. Pode-se dizer que a varicocele é a formação de varizes dentro da bolsa testicular. O lado mais afetado é o testículo esquerdo, porém, frequentemente, é bilateral, ou seja, acomete ambos os testículos. 


Número
1/4 dos         adolescentes     tem varicocele


Sintomas
Como o processo é lento e gradual, geralmente não há sintomas, e como o adolescente dificilmente procura um urologista, o diagnóstico somente será feito na fase adulta, por volta dos 35 anos.


Como ocorre o processo

Todas as partes do corpo recebem sangue arterial, que vem direto do coração e é rico em oxigênio. Depois de esse sangue passar por determinada estrutura ou órgão, ele perde oxigênio e ganha gás carbônico, recebendo  o nome de sangue venoso, que precisa voltar ao coração para, em seguida, ser enviado aos pulmões, receber novo oxigênio e recomeçar o ciclo novamente.


Quando o sangue arterial sai do coração em direção ao testículo, ele percorre um trajeto de descida e tem a força da gravidade a seu favor. O sangue arterial atinge o testículo com facilidade e pouco esforço. Mas quando o sangue venoso deixa o testículo e procura chegar até o coração, esse é um trajeto longo, quase vertical e totalmente contra a força da gravidade. O organismo tem que lançar mão de vários mecanismos.


Além disso, à medida que nos desenvolvemos, a massa muscular aumenta, assim como a pressão sobre o abdômen, dificultando ainda mais o retorno do sangue venoso.


Para ocorrer a varicocele, basta apenas que as válvulas que existem nas veias se tornem insuficientes. O sangue venoso voltará para o testículo e será acumulado ao redor dele em forma de varizes.



Tratamento

Não há tratamento com medicamentos. O procedimento é cirúrgico e visa a ligadura dos vasos (amarração) via microscópio. É uma técnica minimamente invasiva, feita com anestesia geral, e leva em média duas horas. Deve ser feita por profissional habilitado em treinamento microscópico. 


SeqUelas

Diminuição da massa muscular     nos testículos (especialmente     do lado esquerdo)
Menor produção e qualidade inferior de espermatozoides
Infertilidade masculina

Cuidados ao fazer plástica‏

Operar por modismo ou para agradar os outros não é boa ideia



Alexandre Meira - Cirurgião plástico do Hospital Mater Dei, preceptor de residência médica do Hospital Universitário São José e Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig)


Estado de Minas: 27/10/2013 


Nos dias atuais, em que a exigência do bem-estar e do belo visual se tornam cada dia mais importantes em nossas vidas, a cirurgia plástica registra aumento de procedimentos significativo a cada ano. Difícil achar quem nunca fez e, se ainda não a fez, gostaria de fazer. Aí se iniciam as dúvidas de cada um: riscos, o que fazer, se vale ou não a pena, onde e com quem operar. Em primeiro lugar, deverá fazer uma cirurgia estética aquela pessoa que se sente realmente incomodada com algumas de suas características, o que não implica obrigatoriamente em ser um defeito. Saúde é o bem-estar físico, social e emocional. A “doença” a ser tratada dessa pessoa está em cuidar de seu bem-estar social e emocional. Não opere por modismo, não opere para agradar aos outros, não opere seu corpo para resolver outros problemas que não o desconforto com a parte do corpo que realmente incomoda.

Segundo: achar o médico para operar você. Sem dúvida, cirurgia estética deve ser realizada por um cirurgião plástico, que, obrigatoriamente, deverá estar ligado à Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (www.cirurgiaplastica.org.br). Esse profissional deverá ter feito dois anos de cirurgia geral e mais três de cirurgia plástica e ter sido submetido a uma prova para obter o título de especialista em cirurgia plástica. O profissional, além da formação técnica, deve ter formação nos aspectos psicossociais e humanos que envolvem a cirurgia estética e deverá ter capacidade suficiente para, junto ao paciente, avaliar suas queixas e analisar o que poderá e deverá ser feito. Isso é muito importante, pois observamos que muitas queixas no pós-operatório estão relacionadas à insatisfação com os resultados, que muitas vezes estão bons, mas insuficientes dentro daquilo que o paciente desejava e esperava. Isso somente poderá ser prevenido com uma orientação adequada e bem entendida pelo paciente no pré-operatório, orientando sobre o biótipo de cada pessoa, características da pele, cicatrizes, limitações das próprias técnicas cirúrgicas. Enfim, informações completas e verdadeiras para que o paciente não seja iludido com possibilidades e resultados milagrosos, o que realmente o deixará infeliz posteriormente caso esse “milagre” não seja alcançado. O cirurgião plástico, que deverá ser o avaliador e sabedor de tudo isso, será o responsável por todo esse esclarecimento, pois é normal e comum o paciente chegar ao consultório do cirurgião muitas vezes com sonhos fora da realidade. Isso deverá ser avaliado e ponderado antes da cirurgia. Depois de feita, não há volta. 

Enfim, onde operar. O ambiente deverá ser hospitalar, seja um hospital propriamente dito ou uma clínica que tenha centro cirúrgico com toda a estrutura hospitalar para atendimento de qualquer intercorrência. Jamais em um consultório médico ou clínica que não tenha a estrutura básica exigida pelos padrões do Conselho Federal de Medicina e Vigilância Sanitária. Muitíssimo importante também o acompanhamento sempre do anestesista, profissional que deverá fazer a avaliação pré-anestésica, acompanhar o paciente durante toda a cirurgia e nas primeiras horas do pós- operatório na sala de recuperação pós- anestésica. Cabe ao cirurgião assistente ponderar junto ao paciente em que ambiente deverá realizar a sua cirurgia, levando em consideração os fatores de riscos do próprio paciente, o tamanho da cirurgia, equipe disponível e também onde o paciente e seus familiares se sentirão mais seguros.