quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Frei Betto-Cultura do egoísmo‏

A solidariedade é uma tendência inata no ser humano. Porém, se não for cultivada em família e pela educação, não se desenvolve


Frei Betto

Estado de Minas: 30/10/2013 



É bem conhecida a parábola do bom samaritano (Lucas 10, 25-37), provavelmente baseada em uma história real. Um homem descia de Jerusalém a Jericó. No caminho, foi assaltado, espoliado, surrado e deixado à beira da estrada. Um sacerdote por ali passou e não o socorreu. A mesma atitude de indiferença teve o levita, um religioso. Porém, um samaritano – os habitantes da Samaria eram execrados pelos da Judeia –, ao avistar a vítima do assalto, interrompeu sua viagem e cobriu o homem de cuidados.

Jesus narrou a parábola a um doutor da lei, um teólogo judeu que nem sequer pronunciava o vocábulo samaritano para não contrair o pecado da língua. E levou o teólogo a admitir que, apesar da condição religiosa do sacerdote e do levita, foi o samaritano quem mais agiu com amor, conforme a vontade de Deus.

Na Itália, jovens universitários expuseram à beira da estrada cartaz advertindo que, próximo dali, um homem necessitava ser urgentemente transportado a um hospital. Todos os motoristas eram parados adiante pela Polícia Rodoviária para responderem por que passaram indiferentes. Os motivos, os de sempre: pressa, nada tenho a ver com desconhecidos, medo de doença contagiosa ou de sujar o carro.

Quem parou para acudir foi um verdureiro que, numa velha camionete, transportava seus produtos à feira. Comprovou-se que os pobres, assim como as mulheres, são mais solidários que os homens burgueses. Em uma escola teológica dos EUA, seminaristas foram incumbidos de fazer uma apresentação da parábola do bom samaritano. No caminho do auditório ficou estendido um homem, como se ali tivesse caído. Apenas 40% dos seminaristas pararam para socorrê-lo. Os que mais se mostraram indiferentes foram os estudantes advertidos de que não poderiam se atrasar para a apresentação. No entanto, se dirigiam a um palco no qual representariam a parábola considerada emblemática quando se trata de solidariedade.

A solidariedade é uma tendência inata no ser humano. Porém, se não for cultivada pelo exemplo familiar, pela educação, não se desenvolve. A psicóloga estadunidense Carolyn Zahn-Waxler verificou que crianças começam a consolar familiares aflitos desde a idade de 1 ano, muito antes de alcançarem o recurso da linguagem.

A forma mais comum de demonstrar afeto entre humanos é o abraço – dado em aniversários, velórios, situações de alegria, aflição ou carinho. Existe até a terapia do abraço. Segundo notícia da Associated Press (18/6/2007), uma escola de ensino médio da Virginia, EUA, incluiu no regulamento a proibição de qualquer contato físico entre alunos e entre alunos e professores. Hoje em dia, em creches e escolas dos EUA educadores devem manter distância física das crianças, sob pena de serem acusadas de pedofilia.

As crianças e os grandes primatas – nossos avós na escala evolutiva – são capazes de solidariedade a pessoas necessitadas. É o que comprovou a equipe do cientista Felix Warneken, do Instituto Max Planck, de Leipzig, Alemanha (2007). Chimpanzés de Uganda, que viviam soltos na selva, eram trazidos à noite ao interior de um edifício. Um animal por vez. Ele observava um homem tentando alcançar, sem sucesso, uma varinha de plástico através de uma grade. Apesar de seus esforços, o homem não conseguia pôr as mãos na varinha. Já o chimpanzé ficava em um local de fácil acesso à varinha. Espontaneamente o animal, solidário ao homem, apanhava a varinha e entregava a ele.

É bom lembrar que os chimpanzés não foram treinados a isso nem recompensados por assim procederem. Teste semelhante com crianças deu o mesmo resultado. Mesmo quando a prova foi dificultada, obrigando crianças e chimpanzés a escalar uma plataforma para alcançar a varinha, o resultado foi igualmente positivo. Em 16 de agosto de 1996, Binti Jua, gorila de 8 anos de idade, salvou um menino de 3 anos que caíra na jaula dos primatas no zoológico de Chicago. O gorila sentou em um tronco com o menino ao colo e o afagou com as costas da mão até que viessem buscar a criança. A revista Time elegeu Binti uma das “melhores pessoas” de 1996.

Frente a tais exemplos, é de se perguntar o que a nossa cultura, baseada na competitividade, e não na solidariedade, faz com as nossas crianças e engendra que tipo de adultos. Os pobres, os doentes, os idosos e os necessitados que o digam.

Tv Paga

Estado de Minas: 30/10/2013 



 (Juliana Coutinho/Divulgação)
Coisas de casal

Fábio Porchat e Miá Mello (foto) estão de volta ao Multishow com a serie de humor Meu passado me condena, hoje e toda quarta-feira, às 23h. Eles foram um casal apaixonado que acaba de voltar da lua de mel, como mostra o filme em cartaz nos cinemas. Mas a vida a dois acaba virando uma grande confusão quando recomeçam a discutir a relacão a partir das lembranças de seus antigos namoros. Marcelo Valle e Inez Viana continuam na trama como os amigos Wilson e Suzana, agora donos de um brechó pertinho da casa de Miá e Fábio.

Descobrindo o paÍs nos
canais Brasil e Futura


O Futura anuncia para hoje duas atrações especiais: a participação do poeta mineiro (de Araxá) Francisco Alvim no programa Umas palavras, às 21h30, falando sobre sua trajetória, influências literárias e suas obras; e Regina Casé em Um pé de quê?, às 22h30, resgatando as expedições de naturalistas europeus no Brasil no século 19. No Canal Brasil, mais duas dicas bacanas: o cantor e compositor Dominguinhos do Estácio na Enciclopédia do samba, às 18h45, e o fotógrafo Sebastião Salgado, que também é mineiro (de Aimorés), às 21h30, em Sangue latino.

Tem gosto pra tudo no
History, Bio e Nat Geo


O canal History estreia hoje, às 21h, a quarta temporada de Caçadores de relíquias, aquela série em que o professor de história Mike Wolfe e o arqueólogo Frank Fritz percorrem os Estados Unidos de costa a costa em busca de objetos de valor. No canal Bio, às 22h, os atores Bernie Kopell, Enrico Colantoni e Heather McDonald e a cantora Lisa Lisa, da banda Cult Jam, relatam suas experiências paranormais em Famosos e fantasmas, e às 23h, em Assombrações dos famosos, é a vez de Barry Bostwick, ator da série Spin city. Às 22h30, no Nat Geo, tem a série Tabu, com o episódio “Juventude eterna”, falando de gente que procura um elixir que impeça o envelhecimento.

Mortos-vivos invadem
a programação do Max


O canal Max estreia hoje, às 22h, a série francesa Les revenants, que já foi indicada ao Emmy Internacional. A trama se passa em uma cidadezinha montanhosa na França, onde vive uma comunidade cheia de dúvidas morais, existenciais e que tem que enfrentar um fenômeno fora do comum. Lá, os mortos retornam inesperadamente à cidade com a mesma forma humana de quando eram vivos. Além disso, não se lembram de sua morte e, sem noção de tempo e espaço, não sabem que aquele lugar não é mais o mesmo.

Semana do Halloween
inspira pacote de filmes


E você acha que acabou? Pois ainda tem a Semana do Halloween, com filmes temáticos em alguns canais, como o Studio Universal, que emenda Atividade paranormal (20h) e Vozes do além (21h45); o Space, com A hora do pesadelo; e o TCM, com A bruma assassina, ambos às 22h. Melhor faz o Telecine Cult, com a homenagem a Woody Allen na sessão Drive-in, hoje com o clássicos Bananas (20h25) e Dirigindo no escuro (22h). Na faixa das 22h, o assinante tem pelo menos outros oito bons filmes para ver: Madame Satã, no Canal Brasil; O último suspeito, no ID; Behind the candelabra, na HBO; Kick-ass – Quebrando tudo, no Universal; Sete dias com Marilyn, no Telecine Touch; O gângster, no Telecine Action; Busca implacável 2, no Telecine Premium; e A saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2, no Telecine Pipoca. Outras atrações da programação: Corisco e Dadá, às 21h30, no Arte 1; e Cidade de Deus, às 21h45, no Megapix
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Caras & bocas Simone Castro

Caras & bocas 

Simone Castro - simone.castro@uai.com.br

Estado de Minas: 30/10/2013



Marieta Severo conta, em especial, que quer voltar às novelas quando A grande família acabar (Ilse Rodrigues/Divulgação-8/8/13)
Marieta Severo conta, em especial, que quer voltar às novelas quando A grande família acabar

Depois da Nenê

No Damas da TV, hoje, às 21h, no canal Viva (TV paga), a convidada é a atriz Marieta Severo. Ela revela que no início da carreira tentou outro nome. E em uma reunião pediu ajuda aos amigos, artistas veteranos. “Eles puseram um quadro negro num escritório. Tinha Nathália Timberg, Yoná Magalhães, Sérgio Britto, Ítalo Rossi, Cecil Thiré. Todo mundo dando palpite! Falaram milhares de nomes, olhavam para mim e diziam que não combinava. Falei: ‘Desculpa, não tem jeito, é Marieta Severo’”. Segundo a atriz, há 13 anos interpretando a popular dona Nenê de A grande família, quando a atração terminar quer voltar aos folhetins. “Minha última novela foi Laços de família. Acabei de gravar e, dois dias depois, já estava fazendo a Nenê, uma mulher muito mais simples do que a Alma, que era metida pra caramba. Fatalmente, terminando A grande família vou voltar a fazer novelas. Vou achar bom quando tiver um novo personagem para desenvolver, isso me estimula”, afirma. Marieta também fala sobre a época da ditadura, em que chegou a sair do Brasil por dois anos, acompanhando o marido na época, o cantor e compositor Chico Buarque. E diz que se orgulha de tudo o que fez na televisão. “Durante muito tempo tive dúvidas se eu era realmente atriz, eu não sabia a extensão do meu talento. Hoje em dia sei que sou atriz. Posso errar e acertar, mas meu caminho é esse.”

LARISSA SE RECUPERA DE
CATAPORA E MENINGITE


Muita gente deve ter sentido a ausência da atriz mirim Larissa Manoela, uma das estrelas do SBT/Alterosa depois de viver Maria Joaquina no remake de Carrossel, no Teleton. Atualmente gravando a nova série da emissora, A patrulha salvadora, ela se apresentaria com as outras crianças. Mas Larissa, de 13 anos, está internada desde sexta-feira em São Paulo, com diagnóstico de catapora e meningite viral. De acordo com a assessoria do SBT, o quadro já está controlado.

ENFERMEIRA DECIDE VIVER
UMA PAIXÃO DO PASSADO


Nos próximos capítulos de Amor à vida (Globo), Ordália (Eliane Giardini) não vai resistir e se entregará à paixão com Herbert (José Wilker), com quem se envolveu no passado. A essa altura ela já terá descoberto que ele é o namorado de sua filha Gina (Carolina Kasting), reprovando o relacionamento. A enfermeira admite que não suporta o fato de ele ter se interessado por sua filha. O médico, então, pede que ela o ajude a esquecê-la. E Ordália não pensa duas vezes – e muito menos no marido, Denizard (Fúlvio Stefanini) – antes de cair nos braços do antigo amor.

DOCUMENTÁRIO TRAÇA O
PERFIL DO MINEIRO ZIRALDO


Com depoimentos do próprio Ziraldo, de familiares e companheiros de profissão, o documentário Ziraldo: o eterno menino maluquinho será exibido sexta-feira, às 21h, no canal Arte 1 (TV paga). A produção faz uma síntese dos 75 anos do escritor, desenhista e jornalista mineiro, além de releitura de suas obras para teatro, TV e cinema. A direção é de Sônia Garcia.

CONFIRA OS BASTIDORES DE
UMA GRANDE PRODUÇÃO

Fernando Bicudo, diretor cênico da ópera Um baile de máscaras, é o entrevistado do Agenda, hoje, às 22h, na Rede Minas. O espetáculo comemora o bicentenário do compositor italiano Giuseppe Verdi e estreia amanhã, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte.

CRÔNICAS AMOROSAS

Amor Veríssimo, série inspirada em crônicas sobre relacionamentos amorosos escritas por Luís Fernando Veríssimo, repletas de humor, tem estreia prevista para janeiro no canal GNT (TV paga). O elenco principal será revezado a cada episódio, incluindo Fernanda Paes Leme, Gabriela Duarte, Letícia Colin, Marcelo Faria, Paulo Tiefenthaler e Pedro Monteiro. Além disso, contará com participações especiais de Anna Sophia Folch, Diana Bouth, Luana Piovani e Vanessa Lóes.

VIVA - Em sua última semana, Sangue bom (Globo) mostra que é uma novela que deu certo.

VAIA - E afinal Gigi (Françoise Fourton) ressurgiu em Amor à vida. E na vidinha chata de sempre.

A face genética da bipolaridade‏ - Paloma Oliveto

Mutações no DNA aumentam suscetibilidade ao ciclo depressão-mania. Cientistas tentam entender esse processo para desenvolver drogas que ajam na origem biológica do transtorno


Paloma Oliveto

Estado de Minas: 30/10/2013 



 (Anderson Araújo/CB/D.A Press)
 Que feitiço era aquele que transformava o pranto em gargalhadas para depois sufocar o riso num mar de melancolia? Possuídos, endemoninhados, duas caras. Incompreendidos, primeiro foram chamados de bruxos, acorrentados, punidos com sangrias e condenados à morte. Quinhentos anos depois de Cristo, Arateu da Capadócia já relatava casos de pessoas que dançavam durante o dia e choravam por toda a noite. Mas não seria antes do século 20 que o transtorno bipolar entraria no rol das doenças psiquiátricas. Cem anos de pesquisa, porém, ainda são insuficientes para desvendar o mal, que continua desafiando a medicina.

Na Grécia antiga, recomendava-se banho de mar para equilibrar os humores. Durante a Idade Média, poções mágicas eram receitadas às escondidas. Também se recomendavam orações para expiação dos pecados: a culpa da insanidade pesava sobre o doente, que estaria pagando por suas transgressões. Mais recentemente, o tratamento passou por barbitúricos, sedativos e lobotomias. Nada surtiu efeito. Hoje, antidepressivos e estabilizadores de humor conseguem controlar e mesmo evitar o surgimento de crises, mas os médicos estão atrás de uma droga específica para o distúrbio. Para desenvolvê-la, cientistas têm buscado explicações na genética sobre o ciclo depressão-mania.

Casos de transtorno bipolar costumam ocorrer entre famílias, o que levou pesquisadores a suspeitar, na década de 1950, que a doença teria componentes hereditários. Desde então, alterações genéticas foram associadas à flutuação severa do humor. Principalmente depois do Projeto Genoma, descobriram-se diversas mutações em regiões do DNA que aumentam a suscetibilidade ao distúrbio. Considerado o maior especialista mundial em psiquiatria genética, Nick Craddock, diretor do Centro Nacional de Saúde Mental da Universidade de Cardiff, no Reino Unido, lembra que não há solução simples para o problema. “O ponto principal é que a maior parte dos casos de distúrbio bipolar envolve a interação de diversos genes ou mecanismos genéticos complexos, ao lado de questões ambientais e de um gatilho”, alerta.

Craddock rejeita teorias que se concentram em uma causa única. “O pensamento reducionista não tem lugar nessa discussão. Pensar em qualquer caso como só genético ou só ambiental ou falar sobre o ‘gene da bipolaridade’ não faz o menor sentido”, afirma. Autor de uma série de artigos sobre o tema publicados pela revista The Lancet, ele explica que, diferentemente do que é possível imaginar, não se pensa, ao menos por enquanto, em “consertar” os genes defeituosos. O aprofundamento do estudo sobre a predisposição orgânica ao distúrbio tem como objetivo conhecer os mecanismos biológicos da doença para, então, buscar uma frente de combate. É o que ocorre com a depressão, por exemplo. Como se sabe que, do ponto de vista fisiológico, esse mal resulta de uma falta de balanceamento dos neurotransmissores, os remédios não buscam reverter as imperfeições do DNA, mas tentam equilibrar a produção dessas substâncias no cérebro.

Euforia incomum Na linha de estudos que aliam psiquiatria e genética, pesquisadores do Baylor College of Medicine, em Houston, fizeram uma importante descoberta recentemente. Eles constataram que o comportamento maníaco, característico da fase eufórica do transtorno bipolar, pode estar relacionado a uma atividade anormal do gene Shank 3, que desempenha um papel crucial nas funções cerebrais. Anteriormente, outros cientistas já haviam encontrado associação entre mutações em genes dessa família e esquizofrenia, autismo e comprometimento intelectual.

Huda Zoghbi, médica que liderou a pesquisa, publicada na edição desta semana da revista Nature, conta que o Shank 3 decodifica uma proteína responsável pelo bom funcionamento das sinapses, as conexões feitas entre os neurônios. De acordo com a médica, ratos com defeito na produção do gene exibiram comportamento semelhante ao da mania, além de convulsões e alterações na atividade neuronal. A equipe de cientistas também constatou que dois pacientes humanos diagnosticados com distúrbio bipolar e transtorno do déficit de atenção com hiperatividade tinham duplicações na região do cromossomo que contém esse gene, mais uma pista de que o Shank 3 tem relação com o distúrbio.

Para a pesquisadora, a descoberta poderá ajudar a desenvolver um tratamento mais eficaz. Em laboratório, Huda testou o efeito de duas substâncias utilizadas em estabilizadores de humor nos ratinhos que demonstravam o comportamento maníaco. Uma delas, o lítio, não surtiu resultados significativos, mas a outra, o valproato de sódio, reverteu os sintomas. “Esse estudo claramente mostra o papel da duplicação do gene Shank 3 em sintomas neuropsiquiátricos, especialmente convulsões e mania. Esse comportamento pode ser corrigido por um tipo de droga estabilizadora de humor, mas não por outra. Então, esse tipo de análise farmacogênica será crucial para a seleção de terapias apropriadas para distúrbios neuropsiquátricos”, acredita.

Embora destaque que a alteração cíclica entre depressão e euforia seja muito complexa, Nick Craddock acredita que os avanços nas pesquisas, principalmente dos últimos cinco anos, são animadores. “Acho que não estamos muito longe de iniciarmos os primeiros testes clínicos (realizados com humanos), baseados em achados recentes”, afirma o neurocientista, que investiga como mutações nos genes responsáveis pela regulação de canais de sódio no cérebro contribuem para o transtorno bipolar. Mas Craddock também ressalta que, ao lado dos estudos genéticos, os cientistas têm de realizar mais pesquisas sobre os aspectos psicológicos e neurológicos da doença.

Há duas décadas investigando o transtorno, John Geddes, professor de psiquiatria da Universidade de Oxford, concorda com Nick Craddock. “Tratar de transtorno bipolar é difícil porque o mesmo medicamento que alivia a depressão pode causar mudanças de humor ou deflagrar a fase de mania, e tratamentos que reduzem a mania podem levar a episódios depressivos”, afirma. Para ele, ao lado de estudos genéticos que indiquem melhores medicamentos, é preciso intensificar as pesquisas sobre como as abordagens farmacológica e comportamental podem, juntas, trazer benefícios para os portadores do problema. “Combinar tratamentos psicossociais, como a psicoterapia, para o paciente e a família dele com drogas estabilizadoras de humor me parece a linha mais indicada, mas, nos últimos 20 anos, não tenho visto pesquisas que investiguem essa abordagem conjunta”, lamenta.