quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Novo remédio para tratar o diabetes pode ajudar a perder peso

Remédio trata o diabetes e ajuda a emagrecer Medicamento desenvolvido por grupo internacional de pesquisa consegue aumentar a produção de insulina e reduzir o peso de pacientes com diabetes tipo 2 

Vilhena Soares

Estado de Minas: 31/10/2013


Unir duas armas para aumentar o poder de fogo contra o inimigo. Assim pode ser descrita a estratégia de um grupo internacional de pesquisadores que resultou em um novo e promissor tratamento contra o diabetes. O novo remédio criado pelos especialistas, apresentado na edição de hoje da revista especializada Science Translational Medicine, já foi testado em humanos e não só conseguiu aumentar a produção de insulina em pacientes com o tipo 2 da doença como promoveu também a perda de peso.

Para alcançar esse resultado, os cientistas uniram propriedades de dois hormônios produzidos naturalmente pelo organismo humano, o GLP-1 e o GIP, de grande importância para a regulação do metabolismo. “A ação combinatória integrada desses dois hormônios fisiológicos oferece uma abordagem única e benéfica para o tratamento da síndrome metabólica”, declarou Brian Finan, um dos autores do estudo e membro do Instituto de Diabetes e Obesidade da Alemanha. “Ela representa um passo importante em nossa busca de opções terapêuticas mais eficazes”, complementou em um comunicado à imprensa.

Os pesquisadores justificam a escolha do GLP-1 e do GIP pela capacidade que eles têm de estimular a secreção de insulina e suprimir a liberação de glucagon, um contrarregulador que dificulta a produção da substância que falta aos diabéticos. Além dessas tarefas auxiliares, os dois hormônios usados na nova droga desaceleram o esvaziamento do estômago, fazendo com que o indivíduo se sinta saciado por mais tempo e ingira menos alimentos, o que contribui para a diminuição de peso.

“Os resultados demonstram que o GLP-1 e o GIP, quando incorporados numa única molécula, proporcionam uma atividade sinérgica para o controle da glicose e menor peso corporal”, declarou Richard DiMarch, do laboratório da Universidade de Indiana.

Com os resultados positivos obtidos no experimento, DiMarch acredita que o remédio poderá auxiliar tratamentos de diabetes, substituindo os medicamentos que não conseguem atender todas as necessidades no combate a doença. “As drogas atualmente aprovadas são bastante eficazes, mas não são suficientes para normalizar a glicose e certamente não provocam diminuição de peso corporal”, acrescentou.
Cautela Especialistas que não participaram do estudo consideram a droga promissora, mas lembram que os autores do artigo ainda têm um caminho a percorrer para provar que a novidade é mesmo eficaz e segura. “Essa molécula mostrou resultados bastantes positivos, porém outros testes precisam ser feitos. Os voluntários foram testados por apenas seis semanas, mas o controle de glicose precisa ser monitorado por meses, já que o tratamento do diabetes é algo constante.

Precisamos ter certeza do sucesso de um medicamento antes de colocá-lo no mercado”, diz Daniel Benchimol, endocrinologista do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O endocrinologista Mauro Schars indica outra questão importante: o número de pessoas que já experimentou o remédio. O teste com humanos, realizado depois do sucesso com animais, envolveu apenas seis pessoas.

“A busca por novos medicamentos é constante. Esse é um exemplo. No entanto, esses trabalhos precisam usar um número maior de pacientes para que possamos observar se sua eficácia é realmente comprovada. Esse é um caminho normal, que todos os medicamentos seguem. A estratégia de utilizar uma molécula com duas funções importantes, vindos desses hormônios, é algo interessante, mas que precisa de mais comprovações”, frisa.

Benchimol explica que o combate à obesidade caminha ao lado do tratamento do diabetes, já que a maioria dos pacientes acaba tendo problemas com aumento de peso. Isso tem feito com que muitos grupos de pesquisa busquem desenvolver drogas com duplo efeito, como a apresentada pelo grupo internacional. “Cerca de 80% de diabéticos adultos são obesos. É claro que existem estratégias para que eles consigam escapar desse problemas, como dietas saudáveis e a prática de exercícios, mas ainda assim é difícil para esses pacientes se manter em forma”, destaca.

Um cuidado que Mauro Schars acha fundamental é evitar que drogas desse tipo sejam usadas por quem deseja emagrecer, mas não sofre de diabetes. “O uso indiscriminado desse produto por quem não tem resistência a insulina poderia gerar outras complicações. É preciso tomar cuidado para evitar que outros problemas sejam provocados e prejudiquem a saúde”, alerta. 

Terapia freia câncer no cérebro de ratos‏

Estado de Minas: 31/10/2013 



Um novo tratamento traz esperanças no combate a um temido tipo de câncer no cérebro, o glioblastoma multiforme. Pesquisadores da Universidade de Northwestern desenvolveram uma terapia que, ao ser testada em ratos, desligou um gene crítico do tumor e, dessa forma, aumentou as chances de sobrevivência dos animais doentes. O trabalho, publicado pela Science Translational Medicine, deve em breve ser testado em humanos.

O tratamento usado pelos cientistas consiste em um pequeno RNA de interferência que envolve uma nanopartícula de ouro com ácidos nucleicos. O conjunto forma uma esfera invisível a olho nu capaz de atravessar a barreira hematoencefálica e chegar ao tumor cerebral. O medicamento aciona o interruptor do gene problemático e consegue silenciá-lo, derrubando as proteínas que mantêm as células cancerosas ativas.

Os ratos utilizados no experimento tiveram a taxa de sobrevivência ampliada em cerca de 20%, e o tamanho do tumor foi reduzido de três a quatro vezes, em comparação com o grupo de controle. “Esse é um belo casamento de uma nova tecnologia com os genes de uma doença terrível. Essa prova de conceito estabelece ainda uma grande plataforma para tratar uma ampla gama de doenças, incluindo a artrite reumatoide e a psoríase”, afirmou, em comunicado à imprensa, Chad Mirkin, especialista em nanomedicina e coautor do estudo.

Os pesquisadores adiantam que o próximo passo é testar a terapia em ensaios clínicos, utilizando o tratamento em humanos. “Meu grupo de pesquisa está trabalhando para descobrir os segredos do câncer e, mais importante, uma maneira de pará-lo”, declarou Alexander H. Stegh, professor da Universidade de Northwestern e coautor sênior do estudo. “O glioblastoma é um câncer muito difícil, e a maioria dos medicamentos quimioterapêuticos falham na clínica. A beleza do gene silenciado nesse estudo é que ele desempenha muitos papéis diferentes na resistência à terapia. Tirar o gene do quadro deve permitir que terapias convencionais sejam mais eficazes.”

Grande demais para quebrar

Grande demais para quebrar 

Em Minas, a produção do café envolve cerca de 4 milhões de pessoas - mais do que toda a população da Região Metropolitana de Belo Horizonte 

Roberto Simões
Presidente do Sistema Faemg Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais

Estado de Minas: 31/10/2013


A crise econômica mundial que eclodiu em 2008 consagrou uma frase, criada nos Estados Unidos, que tem uma sabedoria irrefutável: “Grande demais para quebrar”. Na prática, ela significa que, dentro da cadeia econômica de um país ou região, existem setores que, se quebrassem, arrastariam para o abismo milhares de empresas, acabariam com milhões de empregos e contaminariam outras atividades produtivas. O resultado seria recessão e caos. Por isso, são “grandes demais para quebrar” – ou seja, não podem quebrar.

Cientes disso, o governo americano e de vários países da Europa blindaram, com fluxo de crédito regular e juros baixos, setores inteiros da economia, principalmente os ligados a grandes instituições financeiras. Também no Brasil, o governo
agiu: cortou impostos de segmentos como o automotivo e linha branca e estimulou o consumo interno. A crise arrefeceu e o mundo percebeu que a frase estava certa. Tão certa que chegou a hora de ser aplicada a um dos mais importantes setores do agronegócio do país: o café.

Já não é segredo para ninguém que o setor cafeeiro do Brasil e do estado vive uma das mais graves crises de sua história recente. Falta crédito, sobram dívidas, os estoques estão altos e os preços permanecem baixos. O preço da saca de 60kg, que já chegou a R$ 530, está hoje na faixa de R$ 240 – o que não cobre sequer o custo de produção. Não é exagero dizer que o setor está à beira do colapso.

Como também não seria exagero dizer que, se tal colapso ocorresse, não seria bom para ninguém. Basta olhar os números. O estado é responsável por 51,4% da safra nacional de café. A safra mineira de 2013, de 25 milhões de sacas, se estende por mais de 600 municípios. Em 2012, as exportações mineiras de café somaram US$ 3,8 bilhões, contribuindo para o saldo positivo da balança comercial brasileira.

No estado, a cadeia de produção do café envolve, direta e indiretamente, cerca de 4 milhões de pessoas – mais do que toda a população da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Se o setor parasse, colocaria um ponto final no longo período de pleno emprego que, segundo dados do governo federal, o país vive hoje.

O governo de Minas está ciente da gravidade da crise e tem sido um aliado precioso para os produtores. Em abril, o governador Antonio Anastasia já havia solicitado ao governo federal o estabelecimento de preço mínimo para a saca. No fim de outubro, o governador voltou a apresentar à presidente Dilma Rousseff, em Belo Horizonte, uma nova pauta de reivindicações, classificando a situação como “dramática”.

O quadro é, de fato, dramático. As poucas medidas efetivamente liberadas até agora pelo governo federal só surtirão efeito em março de 2014. Até lá, é provável que muitos produtores já tenham encerrado suas atividades. Para evitar isso, o que precisamos agora é da interrupção imediata de todos os vencimentos das dívidas por um prazo de 90 dias e o lançamento de um programa para geração de renda para os produtores em curtíssimo prazo. São medidas de sobrevivência, que permitirão aos cafeicultores respirar e ter tranquilidade para buscar soluções sustentáveis para o setor – nossa meta principal.

A presidente Dilma Rousseff já demonstrou sensibilidade para auxiliar setores da economia – principalmente ligados à indústria e varejo – que enfrentavam dificuldades provocadas por turbulências externas. Acreditamos, portanto, que ela terá agora a mesma sensibilidade em relação ao setor cafeeiro. Presidente, acredite: o setor do café, no Brasil, é grande demais para quebrar. As consequências do agravamento da crise seriam dramáticas para o país. O governo federal tem recursos suficientes para evitar o colapso.

Recordista no número de dentistas, Brasil falha no acesso ao serviço‏

Recordista no número de dentistas, Brasil falha no acesso ao serviço


Rayssa Nunes Villafort
Cirurgiã bucomaxilofacial do Hospital São Francisco de Assis


Estado de Minas: 31/10/2013 




Não é de hoje que o sorriso é visto como o cartão de visitas do ser humano, ou para os mais românticos, a porta da alma. Por isso, o ofício de cuidar dos dentes existe desde muito antes da formalização da profissão de dentista. Os primeiros cursos de graduação de odontologia no Brasil foram criados no Rio de Janeiro e na Bahia, em 25 de outubro de 1884. Mais tarde, a data foi instituída como o Dia do Profissional de Odontologia. Se, atualmente, a atividade mostra sinais evidentes de melhora nas práticas e acompanha o avanço da tecnologia, houve um tempo em que os profissionais que cuidavam da saúde dentária eram chamados de dentistas práticos. O trabalho se resumia em fazer a extração dos dentes com problemas, em locais, muitas vezes, precários e sem a higiene necessária. É evidente que esse não é mais o quadro predominante. Contudo, a cultura de banalização da extração dentária se manteve até poucas décadas. O Brasil é o país com maior numero de profissionais de odontologia no mundo, com 219.575 dentistas cadastrados, o que representa 19% do total, de acordo com dados da Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas. O número recorde, entretanto, não reflete o acesso de boa parte da população ao serviço. Prova disso é que somente a metade dos adultos brasileiros tem pelo menos 20 dos 32 dentes funcionais.

A saúde oral do brasileiro apresentou melhoras nos últimos anos, mas ainda precisamos desenvolver iniciativas que ampliem o acesso ao tratamento dentário em todo o país, não apenas nos grandes centros urbanos. Quase 12% da população brasileira nunca pisou em um consultório odontológico, segundo dados do IBGE. É grave pensar, também, que boa parte da população que tem acesso a dentista não se preocupa com a saúde da boca como deveria. O desleixo com os cuidados da saúde dentária é parte de um conceito equivocado, que desassocia a boca do restante do corpo. A frequência recomendada de visitas ao dentista é de pelo menos uma vez a cada seis meses. Afinal, o dentista é um profissional capaz de cuidar não só da estética, mas de problemas da cavidade bucal como um todo —gengiva, língua, mucosa oral, dentes e ossos da face. Enfermidades que podem comprometer a saúde em geral, dependendo da gravidade. O contraste é evidente. Enquanto o Brasil é o país que mais forma cirurgiões-dentistas e o segundo na produção e colocação de implantes dentários, ainda há doentes por falta de cuidados com os dentes. Números da Associação Brasileira de Odontologia estimam que menos de 22% dos adultos e 8% dos idosos têm gengivas totalmente saudáveis. Os problemas da cavidade oral são muitos, entre eles: afta, cárie, gengivite, periodontite, maloclusão, abscesso, lesão cística, fratura de ossos da face e até mesmo câncer.

Engana-se quem pensa, também, que cuidar mal dos dentes traz problemas apenas para a região da boca. Diversas doenças sistêmicas, que podem afetar todo o organismo, têm origem em infecções orais. Um exemplo é a endocardite bacteriana, infecção grave das válvulas cardíacas, que pode ser causada pela falta de higiene oral. Pesquisas recentes associam infecções na gengiva à ocorrência até de descontrole da diabetes e partos prematuros. A principal arma de prevenção ainda continua sendo a boa e velha higiene bucal, associada à visita periódica ao dentista. Afinal, quando alguém perde um dente, perde, também, parte da saúde.