sábado, 2 de novembro de 2013

Tv Paga

Estado de Minas: 02/11/2013


 (Fox/Divulgação)

Noite de estreias


Telecine Premium e HBO jogam pesado para conquistar audiência nas noites de sábado. O duelo de hoje será respetivamente entre Daniel Day-Lewis e Tom Cruise. Ou melhor, entre os longas Lincoln e Rock of ages: o filme, ambos programados para as 22h. O primeiro leva vantagem por ter na direção ninguém menos que Steven Spielberg, além do próprio Daniel Day-Lewis (foto), ganhador do Oscar e do Globo de Ouro com sua interpretação mediúnica do presidente norte-americano Abraham Lincoln. Embora Tom Cruise também esteja muito bem como o roqueiro Stacee Jaxx.

Muitas alternativas na
programação de filmes


Outros dois atores de primeira estão no Telecine Action: Robert De Niro e Edward Norton, em Homens em fúria (20h) e A cartada final (22h) – este último conta ainda com Marlon Brando, em seu último trabalho para o cinema. No Universal Channel, o interminável Halloween continua com Luzes do além (20h), Atividade paranormal (22h) e Alma perdida (23h30). O A&E também aposta no terror, com Eu sei o que vocês fizeram no verão passado, igualmente às 22h. No mesmo horário, o assinante tem mais 10 opções: Cleópatra, no Canal Brasil; O homem que copiava, no Sony Spin; Em algum lugar esta noite, no Futura; Piaf – Um hino ao amor, no Telecine Cult; 007 – Operação Skyfal, no Telecine Pipoca; Jogos vorazes, na HBO HD; O corvo, no Max Prime; Guerra dos mundos, na MGM; Sex and the city – O filme, na Warner; e Amigas com dinheiro, no Comedy Central. Outras atrações: Meu nome não é Johnny, às 21h, no AXN, e O plano perfeito, às 22h30, no FX.

Brincar com jacarés na
Flórida não é saudável


No segmento dos documentários, o Nat Geo exibe duas produções inéditas em sequência, a partir das 20h30. O primeiro programa, Encontro animal, estreia o episódio “Ataque mortal”, relatando dois incidentes com jacarés, ocorridos na Flória (EUA), em julho de 2004 e em julho de 2012, em que as vítimas perderam um braço. Em Os mais perigosos, “Assassinos velozes” mostra como agem predadores que podem matar em um piscar de olhos, como leopardos e alguns peixes e serpentes.

Arte 1 mostra recital do
pianista Nelson Freire


Entre as atrações musicais, alguns destaques estão na tela da Cultura: o grupo Tosskera e a dupla Daniel Garnet e Peqnoh em Manos e minas, às 17h; a banda Cérebro Eletrônico, às 18h, em Cultura livre; o terceiro episódio da série Batuques, às 23h; e o segundo Ensaio especial em homenagem a Vinicius de Moraes, às 23h30. Às 21h30, o canal BIS exibe o especial Spectacle: Elvis Costello with... Lou Reed, em homenagem ao guitarrista e fundador da banda Velvet Underground. À meia-noite, no Arte 1, será apresentado um recital do pianista mineiro Nelson Freire no Festival Verbier, na Suíça, em 2007, tocando peças de Bach, Beethoven e Schumann.

Bem Simples promove
maratona do maracujá


Os chefs do canal Bem Simples vão fazer hoje maratona para ensinar receitas com maracujá, fruto que muitos acreditam ter efeito calmante. Em dois episódios de A confeitaria, Bruna Di Túllio e outros confeiteiros mostram como fazer infusão de maracujá e torta de chocolate branco com maracujá. Na sequência, os rapazes de Homens gourmet preparam uma mousse de maracujá. E para finalizar, em Cozinha caseira, Carola Crema dá a receita de carpaccio de goiaba com coulis de maracujá. No ar às 19h30.

CARAS & BOCAS » Sertanejo sensação
Simone Castro


O De frente com Gabi deste domingo, à meia-noite, no SBT/Alterosa, recebe o cantor e compositor Michel Teló. Nascido no Paraná, ele é um dos maiores fenômenos da nova música sertaneja brasileira. Antes de estourar com seu primeiro álbum solo, ele integrou o grupo Tradição. “Há 10 anos eu tocava em bailes no Mato Grosso do Sul. Fazer sucesso em um país continental como o Brasil já é absurdo”, comenta em relação ao sucesso internacional. Ano passado, ele foi para 18 países e realizou 240 shows. “Sou viciado na estrada”, admite. “Japão foi o país para onde eu mais gostei de ter viajado, tudo lá é muito diferente.” Para cuidar da voz, ele chega dos shows e fica uma hora no nebulizador, “fazendo exercícios para a garganta”. Já do corpinho, exercício só no palco, dançando. “Tento comer certinho e o certo seria fazer aeróbico, mas me falta tempo.” Sobre o sucesso internacional, Michel Teló tem os pés no chão: “Querer que isso aconteça de novo, uma música em português cantada no mundo inteiro, é muito difícil. Tem que ter consciência de que isso passa, essa ‘ressaca” é natural”, avalia sobre repetir o sucesso de Ai se eu te pego. A vida amorosa vai bem, obrigado. O cantor namora a atriz Thaís Fersoza. “Nós dois temos uma vontade imensa de ter uma família, mas não tem uma data (para casamento)”. Com tudo nos eixos, o cantor só tem a agradecer: “Não vou à igreja pela correria do dia a dia, mas rezo e agradeço a Deus todos os dias. Sou católico sim.”

‘FENÔMENOS DA INTERNET’
ESCOLHE VÍDEO NA FINAL

No programa Eliana, amanhã, às 15h, o quadro “Fenômenos do YouTube” conta com a presença da vocalista da banda Babado Novo, Mari Antunes. Ela vai ajudar os jurados Rodrigo Fernandes, Camilla Uckers, Dicésar e Tiago Barnabé a escolher qual vídeo vai para a final. Ainda na atração, um pedido de casamento. A namorada de Felipe está no programa achando que é para fazer número na plateia, mas acabou surpreendida. Eles participam do quadro “Quer casar comigo?”. O pedido mais emocionante e o casal mais entrosado ganham móveis para mobiliar a casa e uma viagem especial.

TRAJETÓRIA DE SUCESSO DOS
PROFISSIONAIS DA CULINÁRIA


O Programa especial deste sábado, às 10h30, na Rede Minas e na TV Brasil (canal 65 UHF), apresenta a rotina dos profissionais que atuam no ramo da culinária. A atração destaca a trajetória de sucesso das pessoas com deficiência que trabalham com alimentos e bebidas. No Projeto Ver o Vinho, a reportagem encontrou pessoas com deficiência visual que conhecem diferentes tipos de vinho e seus aromas. O sushiman João Akira ensina a fazer comida japonesa, enquanto Lucídio Siqueira, que é deficiente auditivo, sonha em se tornar chef.

DODGE DURANGO GARANTE
CONFORTO PARA A FAMÍLIA


Uma picape inédita no nosso mercado, a Strada cabine dupla de três portas, lançamento da Fiat, é um dos destaques do Vrum, amanhã, às 8h30, no SBT/Alterosa. Acompanhe, ainda, uma aula sobre os filtros do carro e a manutenção que merecem. Confira também os variados tipos de moto. E Emílio Camanzi testa o Dodge Durango, um espaçoso para levar a família com todo o conforto.

LEMBRANÇAS DO PRIMEIRO
PROGRAMA COM DON E JUAN


No Don & Juan e sua história, amanhã, às 9h30, na TV Alterosa, os cantores relembram seu primeiro programa. Com os pais, eles voltam à infância e entram no clima de recordações. A atriz Júlia Lemmertz pede a música Não aprendi dizer adeus. No roteiro, ainda, Porta-retrato, Minha pequena, Menino da porteira e Cadê você.

LIÇÕES DE ELKE

Neste sábado, o Estrelas (Globo) aceita o convite de Elke Maravilha que abre as portas de sua casa. O apartamento tem as paredes repletas de fotos da carreira e objetos trazidos de vários cantos do mundo. De origem russa, Elke relembra a vinda da família para Itabira, interior de Minas Gerais. “Em russo não existe o verbo ‘ser’, o que eu acho muito bom porque ninguém é. A gente está”, declara, fazendo referência à língua materna. Ela se casou oito vezes e considera o bom humor a melhor saída para as dificuldades: “Eu rio até de fratura exposta”, revela, com sua risada característica. Outras convidadas da atração são a cantora Roberta Miranda e a atriz Maria Casadevall, a Patrícia de Amor à vida (Globo).

VIVA
Tatiana Alvim, a Socorro, que praticamente se tornou uma protagonista nos últimos capítulos de Sangue bom (Globo) e deu conta do recado direitinho.

VAIA
Dramalhão de Gina (Carolina Kasting) e Hebert (José Wilker) em Amor à vida não tem nada de mais e é uma história boba que se repete à exaustão nas novelas. 

Pesquisa detalhada do agente infeccioso da Aids deve ajudar a criar vacina

Para entender o inimigo 

Pesquisadores apresentam na revista Science o modelo da proteína usada pelo HIV para invadir as células de defesa do corpo humano. A façanha permitirá o estudo detalhado do agente infeccioso e deve facilitar a criação de vacinas contra a Aids 

Isabela de Oliveira

Estado de Minas: 02/11/2013



A estrutura do conjunto de proteínas Env: chance de estudar a chave usada pelo HIV para invadir as células (AAAS/Divulgação)
A estrutura do conjunto de proteínas Env: chance de estudar a chave usada pelo HIV para invadir as células

Um dos princípios para ganhar uma guerra, segundo o general chinês Sun Tzu, a quem foi atribuída a autoria de A arte da guerra, é conhecer muito bem o inimigo. Talvez isso explique por que a luta contra o vírus da Aids ainda não foi vencida. Apesar de muitos avanços conquistados em anos de estudo, a estrutura e o comportamento do vírus que causa a doença ainda têm vários pontos obscuros. Dois estudos independentes publicados nesta semana na revista Science devem ajudar a mudar essa situação e fornecer um caminho para o desenvolvimento de vacinas contra o HIV.

O feito das equipes responsáveis pelas novas pesquisas foi reconstituir, em nível atômico, uma estrutura presente no envelope do vírus (a camada que recobre o micro-organismo) conhecida como Env. Essa combinação de proteínas é fundamental para que o HIV consiga invadir as células de defesa do corpo humano. Com isso, os cientistas passam a ter um modelo estável dessa importante parte do vírus e poderão estudá-la detalhadamente. Até agora, isso era impossível, porque o Env se mostrava muito frágil. “Ele tende a se desmanchar, mesmo na superfície do vírus. Por isso, tivemos que desenvolver um modelo mais estável”, explica Andrew Ward, autor de um dos estudos e pesquisador do The Scripps Research Institute, em La Jolla, Califórnia.

Para alcançar a façanha, o grupo de Ward utilizou uma técnica chamada de cristalografia, que consiste em criar um cristal com a estrutura estudada e, depois, atravessá-la com um feixe de raios X. Já o outro grupo, encabeçado por Dmitry Lyumkis, também do The Scripps Research Institute, optou pela microscopia crioeletrônica, na qual as amostras são observadas em temperaturas muito baixas e vistas com resoluções altíssimas. Os dados obtidos em ambos experimentos mostraram o complexo processo pelo qual o Env muda de formato para iniciar a infecção. 

As primeiras análises mostram que a estrutura se compara às proteínas do envelope de outros vírus perigosos, como as da gripe e do ebola. Os pesquisadores acreditam que os resultados ajudarão a projetar anticorpos a ser utilizados no desenvolvimento de vacinas. A professora da Universidade Católica de Brasília, Paula Andreia Silva, que não participou do estudo, concorda. “Esse trímero de proteínas do envelope viral têm sido alvo de estudos porque é o responsável pela entrada do vírus na célula hospedeira e é alvo da ação de anticorpos que neutralizam a partícula viral impedindo a infecção. O impacto desse trabalho está na possibilidade de desenhar novos imunógenos para serem usados como vacinas contra o HIV”, afirma Silva, pós-doutora em virologia pela Humboldt Universitat e Robert Koch Institute, em Berlim.

Avanço Segundo Lívia Vanessa R. Gomes, médica infectologista e chefe do Núcleo de Infectologia do Hospital de Base do Distrito Federal, existe um grande número de estudos relacionados à determinação estrutural do HIV, incluindo a estrutura de superfície e até as proteínas das próprias células infectadas, utilizadas para formar os novos vírus formados. “A novidade é que estamos cada vez mais próximos de compreender todos os mecanismos físico-químicos envolvidos na entrada do vírus nas células humanas. Esse é um importante avanço, uma vez que permite a descoberta de novas alternativas terapêuticas que possam potencializar as já existentes e, inclusive, colaborar para o desenvolvimento de uma provável vacina, pois delineia os principais sítios antigênicos reconhecidos pelo sistema imune”, acredita a médica.
Apesar, do grande passo que o estudo representa, Gomes lembra que isso, infelizmente, não significa que a cura esteja muito próxima. “Ainda não podemos afirmar que esse é um determinante de cura ou de que teremos uma vacina viável para administração em seres humanos de forma imediata. A guerra contra o HIV ainda está sobre os alicerces da prevenção e do uso de medicações antirretrovertais, que inibem a replicação do vírus.”

Presença do vírus reduzida em macacos

Um dos avanços mais expressivos da busca por uma vacina contra o HIV foi o isolamento e a caracterização de anticorpos que possuem uma grande capacidade de neutralizar a maioria das estirpes do vírus em circulação. As estratégias de ação desses potentes anticorpos humanos, chamados de monoclonais amplamente neutralizantes (mAb), envolvem o reconhecimento e o bloqueio de peças fundamentais do envelope viral. Por serem direcionados para atacar regiões muito específicas, esses anticorpos aparecem em menor quantidade no sistema imunológico, fazendo com que sua ação seja reduzida. O que tem tornado muito difícil a tarefa de gerar uma vacina ou terapia eficiente a partir dos mAbs. 

Isso não significa, contudo, que os benefícios trazidos por esses anticorpos está relegado a um futuro distante. Dois estudos publicados na edição desta semana da revista Nature demonstram como combinações de tais ferramentas do sistema imunológico são capazes de reduzir notavelmente os níveis do vírus em macacos rhesus cronicamente infectados com o HIV. Os resultados obtidos por dois grupos de pesquisa, formados por universidades norte-americanas e europeias, foram consistentes. 

A administração de coquetéis com dois ou mais tipos de mAbs conseguiu suprimir a presença do vírus no sangue (viremia), que chegou a ficar abaixo do nível de detecção. A redução da quantidade de vírus no organismo dos animais persistiu durante semanas. No entanto, os níveis de mAb permaneceram estáveis. A equipe de pesquisa liderada por Dan H. Barouch, da Escola de Medicina de Harvard, nos Estados Unidos, provou que um anticorpo chamado PGT 121 foi capaz de fornecer uma supressão viral prolongada mesmo quando administrado sozinho. 

“A viremia só conseguiu se restabelecer no organismo da maioria dos animais após uma média de 56 dias, quando a quantidade de mAbs no soro sanguíneo caiu para níveis indetectáveis. Esses dados demonstram um efeito terapêutico profundo dos mAbs em macacos infectados e um poderoso impacto nas respostas imunológicas do hospedeiro. Nossos resultados incentivam fortemente a investigação da terapia com esses anticorpos em seres humanos”, diz Barouch.

Combinação Louis Picker, pesquisador da Universidade de Saúde e Ciência do Oregon, também nos EUA, destaca que o trabalho deve ser analisado com cautela. Afinal, os testes ainda não foram realizados em humanos e a elevada mutabilidade do HIV dificulta o uso dos mAbs terapêuticos . No entanto, o especialista acredita que os resultados podem revolucionar os esforços para combater a Aids.
A junção da terapia convencional e da abordagem com mAbs poderia reduzir a replicação viral de forma mais eficiente. “No mínimo, esses resultados vão catalisar colaborações entre as equipes de especialistas que têm, por décadas, trabalhado com linhas diferentes de prevenção e tratamentos contra o HIV”, completa o pesquisador, que não participou dos estudos. (IO)

Programa Ciência sem Fronteiras-À espera de mais brasileiros‏

Estado tem o segundo maior número de bolsistas do programa Ciência sem Fronteiras. Mudança de regras fez alunos recorrerem à Justiça para garantir chance de estudar e viver em outro país



Flávia Ayer


Estado de Minas: 02/11/2013 



"É a realização de um sonho estudar no exterior, aprender um terceiro idioma e conhecer outra cultura", diz Arthur Belisário, que faz intercâmbio na Alemanha


A velha história de que os mineiros não conseguem transpor as montanhas e vivem enraizados na própria terra não faz sentido para 6.725 estudantes, que literalmente romperam barreiras. Minas Gerais é segundo estado com maior número de participantes do Ciência sem Fronteiras (CsF), programa do governo federal que financia bolsas de estudos em 27 países. Os mineiros representam 17,5% dos 38.272 estudantes que estão fora do Brasil ou já retornaram do intercâmbio, incluindo alunos de graduação e pós-graduação. E para garantir a oportunidade de aprender ou aperfeiçoar outro idioma em instituições de excelência, muitos apelam à Justiça. Pelo menos 30 do estado carimbaram o passaporte para o programa por meio de liminar. No Brasil, foramcerca de 300 bolsistas.

O impasse começou na abertura das chamadas para o intercâmbio, em junho, quando a nota mínima de 600 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) a partir de 2009 passou a ser cobrada como requisito obrigatório para participar do CsF, e não apenas como critério de desempate. Em outubro, quando o resultado foi publicado, estudantes sem o Enem não ganharam bolsas. “O governo mudou as regras três dias antes do fim do prazo de inscrição de o Enem e não deu ampla publicidade a esse critério. Há estudantes que entraram na universidade antes do Enem se tornar um requisito”, afirma o advogado Diego de Araújo Lima, que cuida de vários casos nessa situação.

Em decisão sobre um dos casos, o juiz Márcio Barbosa Maia, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, por exemplo, afirma que a alteração no regramento deveria levar em conta tempo suficiente para quem “ingressou no curso superior por outra via (que não o Enem), ou que se submeteram ao Enem anteriormente a 2009, pudessem se submeter ao exame, com tempo hábil para obter avaliação e assim participar do programa”, afirmou o magistrado.

Aluno de engenharia mecânica do Centro Universitário Newton Paiva, Arthur Campolina conseguiu na Justiça uma bolsa para a Austrália. “Eu só tinha o Enem de 2008 e, de repente, me vi prestes a perder a oportunidade. Havia me dedicado muito para conseguir o intercâmbio, mudei a minha grade na faculdade e fiquei o semestre inteiro estudando inglês”, contou o estudante. Mesmo com a liminar, ele fez o Enem deste ano, apesar de o resultado estar previsto apenas para o início de 2014. Com quase 90% do curso concluído, esta seria a última chance para Arthur participar do CsF. Ele embarca em fevereiro, quando começa o curso de inglês. Depois de cinco meses, fará teste de aptidão para a cursar um ano na Universidade do Sul da Austrália (Unisa), em Adelaide. “Jamais teria a oportunidade de estudar no exterior. Foi como ganhar na Mega-Sena”, disse.


Luís Felipe Simão considerou a estrutura e os laboratórios excelentes na Inglaterra, onde ficou um ano e aprimorou a fluência em inglês (CRISTINA HORTA/EM/D.A PRESS)
Luís Felipe Simão considerou a estrutura e os laboratórios excelentes na Inglaterra, onde ficou um ano e aprimorou a fluência em inglês


DEFESA “Estamos contestando todos os casos que entram na Justiça. Uns ganharam, outros perderam, mas ainda não houve julgamento decisório”, informou Glaucius Oliva, presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), instituição que gere o programa com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Segundo ele, o Enem é o critério nacional e republicano encontrado pelo governo para comparar estudantes.

Até o fim do ano, o programa chegará a 55 mil bolsas, com meta de mandar para o exterior até 2015 101 mil estudantes de graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado. Além da mensalidade em moeda local, são concedidos auxílio-instalação, seguro-saúde, passagens aéreas e auxílio-material didático, para compra de computador portátil ou tablet.

Com investimentos de R$ 5 bilhões, o CsF foi lançado em 2011 para fomentar o intercâmbio de universitários brasileiros em estudos e pesquisas nas áreas de tecnologia, inovação, ciências, saúde e meio ambiente. “Temos atingido média de interessados correspondente a três vezes o número de selecionados. Quem participou tem taxa de satisfação acima de 90%”, ressalta Glaucius, que destaca a participação dos mineiros. “As universidades têm motivado bastante o programa.”



Arthur Campolina recorreu à Justiça para conseguir estudar na Austrália, depois que o governo federal  mudou as regras na última hora (RAMON LISBOA/EM/D.A PRESS)
Arthur Campolina recorreu à Justiça para conseguir estudar na Austrália, depois que o governo federal mudou as regras na última hora

OPORTUNIDADE Direto de Berlim (Alemanha), Arthur Belisário, de 21, aluno de engenharia mecânica da UFMG, incentiva estudantes a participarem. Ele chegou em julho ao país e tem se dedicado ao curso de alemão para, em fevereiro, ingressar por um ano numa instituição de ensino superior local. “O processo para conquistar a vaga foi moroso e o candidato deve estar sempre atento às datas, e-mails, prazos e requisitos”, conta o estudante. Mas o esforço compensa: “É a realização de um sonho estudar no exterior, aprender um terceiro idioma, viver em um país como a Alemanha. A principal dificuldade é o idioma, mas é questão de tempo superar”. E Arthur ainda dá a receita: “Nada melhor para se adaptar do que estar de mente aberta para novos aprendizados e uma nova cultura”. Mesmo no início do intercâmbio, ele já alimenta ambições: “A maioria dos estudantes têm desejo de aprender como são os países desenvolvidos e  transformar o Brasil. Talvez seja um sonho, mas iremos tentar.”

O estudante do 5º período de engenharia elétrica da UFMG Luís Felipe Simão, de 23, está se adaptando à volta ao Brasil, depois de um ano na Universidade de Brigthon (Inglaterra). “Foi uma experiência sensacional. A estrutura é excelente, laboratórios ótimos e ainda tive a oportunidade de fazer estágio numa empresa que prestava serviços para o Ministério da Defesa britânico”, conta.  “O intercâmbio abrirá muitas portas”, imagina.

SANDUÍCHE Terminam no dia 29 as chamadas para graduação-sanduíche do Ciência sem Fronteiras no Reino Unido, Bélgica, Canadá, Holanda, Finlândia, Austrália, Nova Zelândia, Coreia do Sul, Espanha, EUA, Alemanha, França, Itália, Suécia, Noruega, Irlanda, China, Hungria, Japão e Áustria. A bolsa  custeará o aluno por até 12 meses em tempo integral. Na China, a permanência é de até 24 meses. Mais informações no www.cienciasemfronteiras.gov.br.


ESTUDOS NO EXTERIOR

São Paulo envia mais e EUA recebem mais bolsistas

EXIGÊNCIAS

» Ter nacionalidade brasileira

» Apresentar perfil de aluno de excelência, baseado em bom desempenho acadêmico

» Ter cumprido no mínimo 20% e no máximo 90% do currículo      previsto para seu curso no momento do início da viagem de estudos

» Nota do Enem igual ou acima de 600, emteste feito a partir de 2009

» A inscrição deve ser feita na instituição de ensino superior do aluno

PRINCIPAIS ORIGENS        PRINCIPAIS DESTINOS

São Paulo.............8.493        Estados Unidos.....8.863
Minas Gerais.........6.725        França.................4.320
Rio de Janeiro.......3.448        Canadá................3.795
Rio Grande do Sul....3.441     Reino Unido............3.702
Paraná..................2.496        Austrália..............3.028


À espera de mais brasileiros

No topo do índice de desenvolvimento humano, Suécia pretende abrir cerca de 2 mil vagas de graduação, mestrado e doutorado em 26 universidades até o ano que vem

Flávia Ayer*


Pernambucana Madyana Torres faz design gráfico na Umea University e considera o laboratório excelente (FOTOS: FLÁVIA AYER/EM/D.A PRESS)
Pernambucana Madyana Torres faz design gráfico na Umea University e considera o laboratório excelente


Estocolmo, Lund, Jönköping, Umeå – A Suécia quer encurtar a distância e estimular estudantes brasileiros a atravessarem o Atlântico até chegarem bem perto do Ártico. Um dos parceiros do Ciência sem Fronteiras (CsF), programa do governo federal, o país nórdico está de portas abertas para oferecer até o ano que vem cerca de 2 mil vagas em 26 universidades. E adianta: a língua está longe de ser um entrave. Apesar de não ser o idioma oficial da Suécia, quase 90% da população fala inglês fluentemente. O país é um dos  têm a maior oferta de cursos de graduação, mestrado e doutorado em inglês entre os de língua não inglesa.

Com 9 milhões de habitantes, a Suécia está no topo do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e pretende estreitar laços com os países em desenvolvimento. “O Brasil tem uma economia em crescimento e está se tornando cada vez mais importante. O intercâmbio é uma forma de cooperação”, avalia Niklas Tranaeus, gerente de marketing do Swedish Institute, agência pública que promove o país no exterior. Apesar dos esforços, apenas 147 estudantes brasileiros participantes do CsF foram para a Suécia, na 16ª posição no ranking de países mais procurados do programa.

“O país ainda não é um destino de educação conhecido. Aqui, os estudantes podem encontrar um ambiente de estímulo à criatividade, inovação, autonomia, num clima bastante informal”, afirma Tranaeus. Embora ainda desconhecidas pelos brasileiros, as universidades suecas estão entre as melhores do mundo e têm como meta aumentar o número de estrangeiros.

“É fundamental a interação com outros países. Queremos atrair bons estudantes e temos a responsabilidade de espalhar conhecimento pelo mundo”, ressalta Jan-Olov Höög, professor do Karolinska Institutet, em Estocolmo, uma das mais renomadas universidades na área de saúde do mundo, responsável pelo anúncio do Prêmio Nobel de Medicina. O intercâmbio pelo CsF inclui bolsa mensal de 870 euros, além de seguro-saúde, auxílio-instalação e material didático.

Há pouco mais de três meses a pernambucana Madyana Torres, de 22 anos, aluna de design gráfico da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), começou o intercâmbio na Universidade de Umeå, no Norte da Suécia, e nem o fato de ter quebrado a perna ao cair de bicicleta tirou o entusiasmo. A cada dia, ela se depara com  uma estrutura bem diferente das universidades brasileiras.

Na faculdade de design, Madyana compartilha escritório com outros estudantes, com tempo e espaço de sobra para desenvolver seus projetos: “Na universidade, trabalhamos em projetos com grandes companhias como BMW e Samsung. Também tenho excelente estrutura de laboratório disponível 24 horas por dia”, explica a estudante, para quem a língua não é uma dificuldade: “Aqui todo mundo fala inglês”.

OUTRA REALIDADE Aluna de engenharia mecatrônica da Escola de Engenharia Mauá, em São Caetano do Sul (SP), Estela Santana, de 21, também está em lua-de-mel com a Suécia. Ela estuda robótica na Universidade de Umeå e, além do conhecimento acadêmico, vive uma realidade bastante diferente. No Brasil, ela trabalhava num empresa sueca e não teve dúvida de que o país seria boa opção. “Aqui não tem trânsito ruim, os carros param para você na rua, os ônibus têm espaço e as bicicletas são opção de transporte”, afirma, animada.

A organização e a qualidade de vida que o país oferece, como educação gratuita universal, saúde e igualdade social, são impressionantes. Ainda no início de sua jornada na Suécia, Estela pretende aprender dentro e fora da sala de aula. “Quero experimentar ao máximo. Essa experiência vai fazer muita diferença no meu currículo”, disse.

O maior desafio é o inverno rigoroso do Norte, com pouca luz solar e temperaturas negativas. Para isso, ela está de equipando: “Aqui é uma cidade de alto custo e, por isso, recebemos 1.270 euros por mês de auxílio. Aproveitei e comprei um casaco reforçado”.

Incentivado pela irmã, que já morou na Suécia, Fernando Biberg, estudante de engenharia civil da Universidade Anhamguera-Uniderp, em Campo Grande (MS), elegeu a Universidade de Jönköping, como destino para fazer a graduação-sanduíche. Durante um ano, ele se dedicará ao curso de desenvolvimento de produtos e materiais e, além das aulas, pretende conseguir logo um estágio. Há três meses no país, ele está empenhado em aprender sueco. “As aulas são em inglês, mas acho que aprender um terceiro idioma será um diferencial”, disse. A estrutura da instituição de ensino não deixa dúvida de que ele realmente está num país desenvolvido. “A biblioteca disponibiliza quase todos os arquivos em versões virtuais. Tudo é muito organizado e eles valorizam muito a igualdade”, destacou o brasileiro.

*A repórter viajou a convite do Swedish Institute (Instituto Sueco)



Paulista Estela Santana estuda robótica e está impressionada com Umea e a qualidade de vida na Suécia (FOTOS: FLÁVIA AYER/EM/D.A PRESS)
Paulista Estela Santana estuda robótica e está impressionada com Umea e a qualidade de vida na Suécia
 
 

ENSINO DE EXCELÊNCIA

Principais universidades da Suécia

Stockholm University

Com 60 mil alunos, é uma das maiores do país e está entre as 100 melhores instituições de ensino superior do mundo, prezando pelo estímulo à criatividade e à inovação. Cercado de verde, o câmpus, em Estocolmo, tem ambiente agradável de estudo. A internacionalização está estampada nos acordos de intercâmbio com 500 universidades em 60 países e a presença de 1,5 mil  estudantes estrangeiros em 2012.

Karolinska Institutet

É a mais conceituada universidade sueca na área de saúde e realiza 40% das pesquisas médicas do país. Os vencedores do Prêmio Nobel de Medicina são escolhidos por assembleia composta por 54 professores da instituição. O instituto fica em Estocolmo e acaba de inaugurar nova sede, edifício modernista de última geração. Em 2017 pretende inaugurar o novo hospital reunindo todas as especialidades médicas.


Jönköping University

Dos 10 mil alunos, cerca de 1,5 mil são estrangeiros. Situada em Jönköping, no Sul do país, tem cursos de administração e negócios como carro-chefe, já que o estímulo ao empreendedorismo é uma de suas marcas. A atuação dos alunos no mercado de trabalho é estimulada por parceria com 800 empresas. É uma das poucas universidades privadas do país, o que, na prática, tem pouco impacto, já que o país arca com a educação de todos, mesmo em instituições particulares.

Lund University

Na charmosa cidade de Lund, no Sul, fica a universidade mais antiga do país, fundada em 1666. São 47 mil alunos (6 mil estrangeiros). Está entre as 100 melhores universidades do mundo, com mais de 100 programas de mestrado, cinco de graduação e 500 disciplinas isoladas, ministradas em inglês. A instituição investe R$ 1,5 bilhão por ano em pesquisas. Em Lund, foram feitas descobertas célebres, como  o sistema bluetooth e o exame de ultrassom. Uma vantagem da instituição é o clima: em Lund, o inverno não é tão rigoroso como no restante da Suécia. A temperatura vai de 5 graus negativos a  3 positivos.

Umeå University
Situada em Umeå, no Norte da Suécia, eleita a capital europeia da cultura em 2014, com 117 mil habitantes. Oferece cursos em áreas diversas, mas se destaca em design, arquitetura e meio ambiente. São 34 mil estudantes de 40 países e 19 centros de pesquisa. Em outubro, a faculdade de design conquistou pelo segundo ano consecutivo o primeiro lugar no ranking Red Dot Design, um dos mais prestigiados do setor. Mais de 500 disciplinas e 30 cursos são ministrados em inglês.


Finalistas de minas

Dois estudantes de instituições mineiras de ensino superior estão na final da disputa por duas bolsas de estudos e estágio remunerado nas universidades de Chalmers or Linköpings University, na Suécia. Rodrigo Barbosa Lima, do Centro Universitário de Itajubá, e Igor Assis, da UFMG, concorrem ao prêmio, que será anunciado no dia 11, em São Paulo. Eles passaram por maratona de testes de conhecimento, com ênfase em inovação. O desafio é promovido pela Student Competitions para estudantes do último ano de engenharia, arquitetura e ciências naturais ou jovens profissionais dessas áreas.

Paternidade responsável - Vivina do C. Rios Balbino

Nova lei dará à mulher autonomia para registrar seu filho, nomeando o pai caso ele não possa comparecer ao cartório


Vivina do C. Rios Balbino
Psicóloga, mestre em educação, professora da Universidade Federal do Ceará e autora do livro Psicologia e psicologia escolar no Brasil

Estado de Minas: 02/11/2013



Projeto de lei em andamento equipara mãe e pai no registro do filho. Dessa forma, a mulher agora terá autonomia plena para registrar o seu filho, nomeando o pai caso ele não possa comparecer ao cartório. O projeto segue para sanção da presidente Dilma Rousseff e certamente será aprovado. A lei colocará as mulheres em pé de igualdade com os homens na hora da declaração de nascimento da criança. O pai pode até contestar, mas terá que provar por DNA que não é o pai da criança. Uma conquista excepcional. A mulher deixará de ser dependente do homem, procurando muitas vezes por pais omissos e irresponsáveis que não querem assumir a paternidade. Agora, eles é que têm que correr para provar caso não sejam os pais. A mulher já tem o ônus da gestação, passar pelo parto e criar de perto o filho.

Cabe agora ao homem assumir também com responsabilidade o filho: registro, pensão alimentar, atenção e afetividade na educação da criança. O bom relacionamento entre os pais é fator importante na formação da personalidade saudável. Sobre a omissão do pai já temos jurisprudência – Justiça condenou um pai omisso por décadas a pagar indenização de R$ 200 mil à filha.

Que um futuro projeto criminalize também homens machistas e oportunistas que em pleno século 21 ainda chantageiam e/ou obrigam companheiras grávidas a abortar para se livrar da paternidade assumida. São atitudes criminosas e que violam o direito da mulher. Esses projetos de lei representam a democrática igualdade de direitos e de deveres entre mulheres e homens agora no sexo. A paternidade responsável será a solução para uma grande dívida social – milhões de crianças crescem sem saber quem é o pai, sofrendo abandono físico e afetivo e muitos preconceitos. Dados do Conselho Nacional de Justiça de 2011 apontam que há 5,5 milhões de crianças brasileiras sem o nome do pai na certidão de nascimento. Hoje, certamente, o número é maior. O estado do Rio de Janeiro lidera o ranking, com 677.676 crianças sem filiação completa, seguido por São Paulo, com 663.375 crianças com pai desconhecido. O estado que apresentou menos crianças sem o nome do pai na certidão foi Roraima, com 19.203 registros.

Iniciativas pela paternidade responsável no Brasil existem desde 2002. A ONG Brasil Sem Grades é uma organização não governamental que tem como missão despertar a consciência da população para o combate às causas da criminalidade. Além de outros projetos, a paternidade responsável busca reduzir o número de crianças sem identificação do pai. O direito à paternidade é garantido pela Constituição Federal de 1988. O projeto Pai presente, da Corregedoria Nacional de Justiça, criado em 2010, aproveita os 7.324 cartórios de registro civil do país para o reconhecimento de paternidade tardia. A partir da indicação do suposto pai, a Justiça o localiza e intima para que se manifeste, sendo feita a ação investigatória e a família obtém o novo documento. Esse programa possibilitou o reconhecimento voluntário de paternidade de pelo menos 9.851 pessoas, que não tinham o nome do pai na certidão de nascimento. Mais de 10 mil audiências foram realizadas em diferentes estados brasileiros para cumprir essa importante missão. Importante que esse projeto seja mais divulgado na grande mídia e não restrito apenas à busca de dados nas escolas.

A educação dos filhos é responsabilidade de pais e mães, devendo ter a participação dos dois na educação e na orientação dos seus filhos. Pesquisa da Universidade de San Diego (EUA) mostra que convivência e diálogo saudáveis de crianças e adolescentes com os pais diminui em até 80% os casos de evasão escolar, uso de drogas, delinquência juvenil, vandalismo, roubos e prostituição. Importante que o governo eduque também para o sexo responsável na mídia, atingindo o maior número possível de pessoas de todas as idades. O número de estupros e de pedofilia é assustador no Brasil. O Ministério da Saúde, o Ministério da Educação, a Unesco e o Unicef, em parceria, desenvolvem o programa Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE), mostrando a importância do uso do preservativo para evitar a gravidez não planejada e/ou precoce, infecção por doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e pelo HIV. É necessário que o governo avalie sempre a eficiência desses programas e o impacto deles nas graves questões sociais e de saúde envolvidas.