domingo, 3 de novembro de 2013

Tv Paga

Estado de Minas: 03/11/2013 



Desenho A  garotada tem espaço garantido na programação. Também pudera, com tantos canais exclusivos ara o público infantil… Hoje, o destaque é a estreia do longa de animação O rei da ferrovia (foto), às 10h, no Discovery Kids. A emissora já exibe a série com os mesmos personagens, Thomas e seus amigos, de segunda a sexta-feira, às 7h; sábados de domingos, às 7h30.

Criminal Para os grandinhos, o Investigação Discovery promove hoje a estreia de duas séries: De trás pra frente, às 21h; e À beira do desespero, às 22h. O primeiro programa retrocede no tempo para revelar o assassino, o motivo e a verdade por trás de cada crime. O segundo conta as histórias de pessoas que de tão desesperadas para salvar um casamento ou manter a custódia dos seus filhos, por exemplo, são capazes de cometer atos abomináveis.


Automóveis No Nat Geo, o destaque é o bloco Super máquinas, às 16h. Em S.O.S carros, o episódio “Os anjos do Ford Anglia”, que reúne motoristas apaixonados pelo modelo que foi produzido no Reino Unido entre 1940 e 1967. Já em Fanáticos por carros, “Lendas esportivas” coloca duas equipes numa competição para ver quem consegue fazer mais
dinheiro comprando, desmontando e vendendo partes de carros de sucata.


História Na Cultura, às 21h, vai ao ar o documentário Babelsberg – Do Leste ao Oeste, que reconstrói a história do icônico estúdio de cinema alemão, localizado em Postdam, onde nasceu o expressionismo de diretores como Fritz Lang, de Metropolis (1927), e Josef von Sternberg, de O anjo azul (1930). Muitas produções seguiram o contexto e obedeceram aos moldes políticos impostos aos artistas com a implantação do regime nazista, seguido de um comunista ao fim da 2ª Guerra Mundial., até a reunificação das Alemanha com a queda do Muro de Berlim.


 (Carlos Nunes/Divulgação)

Música O cantor paulistano Carlos Navas (foto) é o artista da vez na Faixa musical do Canal Brasil, hoje, às 17h. Gravado no Itaú Cultural, em São Paulo, no começo do ano, o show Ensaio conta com Alaíde Costa como convidada especial. O repertório inclui composições próprias e releituras de clássicos da MPB como Me deixa em paz, História de uma gata, Jura, Beatriz e Samba em prelúdio.

Talento para o humor

Michael J. Fox está de volta. Seu novo show estreia amanhã, às 20h, no Comedy Central


Betsy Brandt faz o papel de Annie, a mulher de Mike (Michael J. Fox)  (Comedy Central/Divulgação)
Betsy Brandt faz o papel de Annie, a mulher de Mike (Michael J. Fox)

Muita gente se comoveu com o drama pessoal de Michael J. Fox. Diagnosticado com o mal de Parkinson em 1991, ele conviveu em silêncio com a doença por cerca de sete anos, até revelar tudo à imprensa. Astro da trilogia De volta para o futuro, Fox chegou a se afastar da mídia, mas logo retomou a carreira com fôlego renovado, dando um exemplo de como é possível superar uma dificuldade tão grande. Pois a partir de amanhã o canal Comedy Central vai mostrar como o ator canadense, hoje com 52 anos, convive com essa condição, promovendo a estreia de O show de Michael J. Fox, na faixa das 20h.

Como não poderia ser diferente trata-se de uma comédia. Vencedor de quatro Globos de Ouro como melhor ator com as séries Caras e caretas e Spin city, Michael J. Fox teve raras experiências em outros gêneros. como no drama de guerra Pecados de guerra, de Brian De Palma, e no suspense Os espíritos, de Peter Jackson. Entre seus filmes mais populares estão O garoto do futuro, O segredo do meu sucesso, Dr. Hollywood – Uma receita de amor, Os puxa-sacos e Aprendiz de feiticeiro. Ou seja, comédias.

Na nova sitcom, Michael J. Fox mostra de forma aberta, divertida e realista como é lidar com a familia, o trabalho e também o Parkinson. Em sua estreia nos Estados Unidos a produção foi vista por mais de 7,5 milhões de pessoas. Na história, ele vive Mike Henry, um âncora de telejornal em Nova York. Mike interrompeu sua carreira para passar mais tempo com a mulher e os três filhos e cuidar de sua saúde, após ser diagnosticado com Parkinson. Cinco anos mais tarde, preocupado com a família e com as crianças, ele decide voltar a trabalhar.

Como se percebe, a trama é ligeiramente baseada na vida do ator. O elenco conta com Betsy Brandt (de Breaking bad), Conor Romero (de American gangster), Juliette Goglia (de Easy A – A mentira), Katie Finneran (de I hate my teenage daughter) e o estreante Jack Gore. A atriz brasileira Ana Nogueira, que já participou de Blue bloods, também faz parte da equipe, no papel de Kay Costa.

Brasil não mostra sua cara - Ana Clara Brant

Com alto custo de produção e restrições impostas pela lei, o mercado de biografias não deslancha no país. Editores preferem títulos e autores estrangeiros para evitar processos


Ana Clara Brant

Estado de Minas: 03/11/2013 


Biografias ocupam a quinta posição entre os gêneros preferidos pelo leitor brasileiro (Marcos Vieira/EM/D.A Press)
Biografias ocupam a quinta posição entre os gêneros preferidos pelo leitor brasileiro


Daqui a duas semanas, Fortaleza recebe o primeiro Festival de Biografias do Brasil, que já estava programado bem antes de  esquentar todo o debate envolvendo artistas, jornalistas, juristas, editores e biógrafos. A polêmica provavelmente fará parte da pauta, junto a outras questões como a reflexão sobre como se faz, por que se faz, como escolher um personagem e por que a procura pelas biografias. Certamente, se o assunto vem provocando tantas controvérsias, é porque existe interesse e um grande mercado por trás. Mas será que biografia é mesmo vendável e rentável como tem sido propagado?

Segundo a última pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo (Fipe/USP), realizada anualmente por encomenda do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) e da Câmara Brasileira do Livro (CBL), em 2012, o setor editorial brasileiro faturou R$ 4,9 bilhões e vendeu 434,9 milhões de livros. No ano anterior, o faturamento foi menor, R$ 4,8 bilhões, porém, mais obras foram comercializadas, 469,4 milhões.

Dentro deste contexto, no segmento das biografias foram produzidos 6,5 milhões de livros em 2011, e 4,1 milhões, em 2012, representando participação de 1,3% no mercado editorial. Uma redução significativa. No entanto, segundo pesquisa da GFK Brasil, uma das maiores empresas de pesquisa de mercado no mundo, o gênero ocupa atualmente a quinta posição em vendas no país e apresentou crescimento de 14% entre janeiro e setembro de 2013, comparando com o mesmo período do ano passado. Mas, sem dúvida, esses números poderiam melhorar ainda mais, como atestam os especialistas.

“As restrições impostas pela legislação e por parte de alguns herdeiros, além dos custos muito elevados, desencorajaram as editoras a seguir adiante com o mesmo ímpeto da década de 1990, quando começaram a pipocar os livros de biógrafos como Ruy Castro e Fernando Morais. Acredito que o auge mesmo ainda não chegou. Há uma carência de biografias muito evidente no mercado brasileiro. A população tem sido prejudicada em sua busca por conhecimento”, lamenta Bernardo Ajzenberg, diretor-executivo da Cosac Naify, editora que tem no catálogo as biografias de Clarice Lispector, Jayme Ovalle, Matisse e Cícero Dias.

Bernardo também lembra que o custo de produção de uma biografia é muito elevado (pesquisas, viagens, digitalização de arquivos, direitos para uso de imagens, entre outros gastos) e que só perde para os livros de arte. “A rentabilidade vem com muita lentidão e é relativamente baixa”, assegura.

Insegurança
Presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), Sônia Jardim é outra que acredita que a insegurança jurídica que ronda o mercado possa intimidar as editoras e os próprios autores a publicar e a escrever biografias. “É um trabalho que exige muitos anos de pesquisa e investimentos. Os escritores e os autores ficam amedrontados. Você não sabe o que vai acontecer. Gasta-se com o lançamento, com a feitura do livro e, de repente, se tiver algum problema, os custos para a retirada do mercado ainda são maiores. Fora que ainda é preciso contratar advogado”, explica.

Sônia revela o surgimento de um novo profissional no setor, o consultor jurídico, que avalia previamente se o livro terá ou não complicações com biografados, herdeiros ou representantes legais. Ela diz que, às vezes, se torna preferível publicar biografias estrangeiras, porque certamente provocam menos chateações.

“Quem sai prejudicada é a história do Brasil e isso também afeta na formação de futuros leitores. Não tenho estudos para comprovar, mas ouso dizer até que a maior parte das biografias que se encontram em nossas livrarias são de autores estrangeiros, porque é mais fácil e mais prático. Ainda não tivemos um boom de vendas neste gênero e toda essa polêmica pode até atrapalhar”, analisa Sônia Jardim.


Só a paixão explica 


Autores de biografias dizem que ofício, embora gratificante, não é compensador do ponto de vista financeiro. Autor do premiado Marighella, Mário Magalhães perdeu dinheiro com o livro



Ana Clara Brant

Mário Magalhães dedicou nove anos para pesquisar e escrever a vida de Marighella e precisou contar com a ajuda da família para completar a obra (Maria Tereza Correia/EM/D.A Press)
Mário Magalhães dedicou nove anos para pesquisar e escrever a vida de Marighella e precisou contar com a ajuda da família para completar a obra

O que pensam os escritores responsáveis por contar histórias de vida? Curador literário do Festival de Biografias do Brasil e autor de Marighella – O guerrilheiro que incendiou o mundo, obra premiada com o Jabuti, o jornalista Mário Magalhães largou o emprego de repórter especial para dedicar nove anos de sua vida ao projeto. Torrou todas as economias e chegou, inclusive, a fazer empréstimos. Só sobreviveu com a ajuda da esposa. “A Companhia das Letras (editora do livro) foi generosa, mas quase todos os gastos foram bancados por mim. Não existem apenas as despesas próprias do livro. Para se dedicar a ele é preciso abandonar outras atividades e o pé de meia vai sendo consumido também na subsistência da família”, informa.

Mário ainda afirma que, somando tudo o que ganhou com a venda de quase 30 mil exemplares e o que receberá com os direitos de cinema – ele negociou o livro para adaptação cinematográfica em um longa-metragem que será dirigido por Wagner Moura –, o valor chega a meros 15% do total de salários que receberia em seu antigo emprego no mesmo período. Foram 69 meses em que cuidou só do livro. “A biografia jornalística exige gastos com viagens, transporte, hospedagem, transcrição de gravações, cópias de documentos, contratação de pesquisadores no Brasil e no exterior, encomenda de cópias de documentos, adaptação de mídia antiga (microfilmes) para contemporâneas (digital) etc. Fazer uma biografia como deve ser é muito caro. Em suma, do ponto de vista financeiro, mergulhar em uma biografia equivale a suicídio”, frisa.

O jornalista, que assim como colegas e biógrafos teme as restrições impostas pela censura prévia, espera que, no fim das contas, reine o bom senso, pois segundo ele sempre houve mercado e interesse das pessoas pelo assunto. “Aprendi com um velho editor: gente gosta de gente. E quem faz a história, como protagonista, coadjuvante e figurante, é gente. O encanto das biografias é que elas narram a história por meio das pessoas. Podemos escrever que uma catástrofe provocou 1 milhão de mortes. Mas se contarmos a vida de uma só pessoa que se foi, seus triunfos e frustrações, suas superações, alegrias e tristezas, o que ela tinha para viver, o que se perdeu, os números ganharão rosto. De estatística, viram vida e morte. História não é estatística, mas gente. Por isso tantos leitores gostam desse tipo de livro”, defende.

Perfis Apesar de não se considerar um biógrafo, mas sim um jornalista fascinado por histórias e por personagens, Ignácio de Loyola Brandão tem cinco biografias no currículo (Fleming, descobridor da penicilina; Edison, o inventor da lâmpada; Ignácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, Ruth Cardoso – Fragmentos de uma vida e a mais recente, que deve sair em dezembro, Fabrizio Fasano – Colecionador de sonhos) e uma infinidade de perfis publicados, sobretudo sobre empresários. No entanto, garante que nunca ganhou nenhuma fortuna com este tipo de trabalho.

“Até gostaria de ganhar (risos). Mas não existe escritor que ficou rico dessa forma. E também não existe biografia no Brasil que tenha vendido 100 mil ou 200 mil exemplares, mesmo as mais famosas. Elas demandam muito investimento de tempo, recursos financeiros, viagens; tem que ter bolsas de estudo, patrocínio. Pelo dinheiro mesmo, ninguém faz. Mas sim pelo prazer e pela paixão que você tem por aquela figura e por sua história”, ressalta Loyola Brandão.


Ignácio de Loyola Brandão garante: biógrafo trabalha muito e não fica rico (Eduardo Trópia/Divulgação)
Ignácio de Loyola Brandão garante: biógrafo trabalha muito e não fica rico



• Vendas de livros por gêneros

» 1 – Literatura estrangeira – 33%
» 2 – Ficção infantojuvenil – 28%
» 3 – Religiões, crenças e esoterismo – 11%
» 4 – Autoajuda – 7%
» 5 – Biografias – 6%
» 6 – Literatura brasileira – 6%
» 7 – Turismo, lazer, culinária – 6%
» 8 – HQ e jogos – 3%

Biografias mais vendidas

» 1 – Nada a perder 2 – Meus desafios diante do impossível, de Edir Macedo, Editora Planeta Brasil
» 2 – Nada a perder – Momentos de convicção que mudaram a minha vida, de Edir Macedo, Planeta Brasil
» 3 – Uma prova do céu, de Eben Alexander, Sextante
» 4 – Casagrande e seus demônios, de Walter Casagrande Jr., Globo
» 5 – Um gato de rua chamado Bob, de James Bowen, Novo Conceito
» 6 – Diário de Anne Frank, de Anne Frank e Otto Frank, Record
» 7 – Dirceu – A biografia, de Otávio Cabral, Record
» 8 – Giane – Vida, arte e luta, de Guilherme Fiúza, Sextante
» 9 – Steve Jobs, de Walter Isaacson, Cia das Letras
» 10 – Uma vida sem limites, Nick Vujicic, Novo Conceito

Fonte: Painel de Livros da GFK Brasil (empresa de pesquisa de mercado). Referem-se às vendas no varejo, em livrarias, lojas on-line, hipermercados e lojas de departamento. Dados de janeiro a setembro de 2013.


Economista defende cobrança de biografado

Publicação: 03/11/2013 04:00
Na contramão do que dizem os biógrafos, o economista e escritor Luiz Guilherme Piva lembra que biografias, em geral, vendem mais e dão mais lucro do que a literatura. Ele explica que isso se deveria ao fato de os biografados serem figuras que despertam grande interesse, seja histórico, cultural ou artístico, “e porque a leitura é muito mais fácil para um grande número de pessoas”.

Mestre e doutor em ciência política pela Universidade de São Paulo (USP), ele explica que, na contabilidade literária, do preço de capa de um livro, 10% são do autor; 30% da livraria; 30% da distribuidora; e os 30% restantes da editora. “O lucro do autor, nesse caso, é bem menor do que o dos players da cadeia produtiva.” Número, obviamente, que só não é pequeno quando as vendas são muito grandes. “Se for um autor desconhecido, ele terá notoriedade, e isso poderá gerar outras fontes, como palestras, artigos, novos livros, adaptações etc. Mas é usual que as editoras, sabendo o potencial de vendas da biografia de alguém que desperte muito interesse, paguem mais de 10% de adiantamento a autores consagrados.”

Diretor da gestora de ativos Angra Partners, Luiz Guilherme Piva chama a atenção para outras questões econômicas na cadeia de produção de biografias. Em primeiro lugar, destaca o volume de ganhos gerados na indústria a partir da vida e da obra de uma determinada pessoa. Em seguida, destaca que “esses ganhos vão para livrarias, distribuidoras e editoras (além da parte menor do autor), cuja relação com a vida e a obra do biografado é nenhuma”.

Custo de entrada O economista ressalta que não é favorável à proibição ou leitura prévia das biografias – “o primeiro caso seria censura; o segundo poderá levar a processos pecuniários ou criminais”. Piva, no entanto, pondera acerca da cobrança por parte do biografado. “O que se depreende é que, economicamente, é justo que, se assim desejar, o biografado obtenha do setor produtor de biografias um acordo em que este último pague ao primeiro um custo inicial para produzir a biografia.”

Ele analisa que seria “como o capital inicial de quem vai abrir uma empresa ou obter uma franquia de um produto, ou construir um imóvel para alugar. É o chamado custo de entrada. Se esse custo for alto demais para o empreendedor, ou se não houver acordo, não haverá biografia, nem franquia, nem imóvel, nem empresa. Mas, ao contrário desses outros casos, pode ocorrer de o biografado não querer cobrar pela matéria-prima e autorizar que se produza a biografia sem tal custo inicial. Ótimo”, conclui. 

Fábrica de vida - Isabela de Oliveira

Relatório do WWF mostra que, nos últimos quatro anos, 441 espécies de plantas e animais foram descobertas na Amazônia, uma das maiores reservas mundiais de biodiversidade


Isabela de Oliveira

Estado de Minas: 03/11/2013 



Delicadeza cor-de-rosa Essa flor cor-de-rosa (Sobralia imavieirae) é uma das 45 novas espécies de orquídeas recém-descobertas na floresta, conhecida   por abrigar uma grande variedade de plantas, incluindo inúmeras espécies florísticas   (Andre Cardoso/WWF %u2013 UK)
Delicadeza cor-de-rosa Essa flor cor-de-rosa (Sobralia imavieirae) é uma das 45 novas espécies de orquídeas recém-descobertas na floresta, conhecida por abrigar uma grande variedade de plantas, incluindo inúmeras espécies florísticas


Brasília – Desde 2010, pelo menos 441 espécies foram descobertas na Amazônia. O número representa uma média de aproximadamente 110 ao ano. Números que somente a floresta com a maior variedade biológica do planeta pode proporcionar. Os dados estão em um relatório divulgado pela organização ambientalista World Wide Fund for Nature (WWF), que revela curiosidades como um macaco que ronrona como um gato, uma piranha vegetariana e uma rã do tamanho da unha de um polegar. “A Amazônia é a número um em biodiversidade no mundo. Mesmo com pouco investimento científico, descobrimos uma nova espécie a cada três ou quatro dias”, afirma Claudio Maretti, líder da Iniciativa Amazônia Viva, da Rede WWF, que compilou esses achados.

Segundo o documento, foram encontradas 258 novas espécies de plantas, 84 de peixes, 58 de anfíbios, 22 de répteis, 18 de aves e uma de mamífero. O relatório, no entanto, assegura que o número poderia ser ainda maior caso a lista incluísse uma enorme quantidade de insetos e outra de invertebrados.


Maretti, que é doutor em geografia pela Universidade de São Paulo (USP), explica que, embora as espécies tenham sido descobertas recentemente, muitas já estão em situação de risco. Isso porque elas foram encontradas em áreas restritas e, por isso, são consideradas endêmicas (só existem em porções exclusivas da floresta). “Algumas estão em regiões ameaçadas, o que permite que sejam consideradas espécies em risco. Mas essa classificação requer um processo mais longo e precisa da análise de vários especialistas”, explica.


Diante da ameaça, ele reforça a importância das unidades de conservação (UCs) para a preservação da biodiversidade. De acordo com um levantamento do instituto de pesquisa Imazon, em dezembro de 2010, as áreas protegidas na Amazônia Legal somavam 2.197.485 quilômetros quadrados, ou 43,9% da região – cerca de 25,8% do território brasileiro. Desse total, as UCs federais e estaduais correspondiam a 22,2% do território amazônico, enquanto as terras indígenas homologadas, declaradas e identificadas cobriam 21,7%.

Heterogênea “Essas áreas têm grande efetividade e são o melhor mecanismo de conservação, mas não devem ser entendidas de forma isolada. Um parque nacional não consegue resolver todo o problema de conservação, pois as espécies migram. Em especial, as porções de floresta localizadas no Norte de Mato Grosso e outras no Maranhão precisam de um olhar especial para o desmatamento. A Amazônia não é homogênea, tem 28 diferentes ecorregiões, com florestas tropicais e savanas mais ou menos abertas”, conta Maretti.


Segundo a doutora em genética Izeni Pires Farias, coordenadora da Rede de Biodiversidade de Peixes, Herpetofauna, Aves e Mamíferos da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), os números compilados pelo WWF confirmam dados colhidos pela rede.


“O que eles reportaram no trabalho faz sentido para o que a gente já encontrou aqui. O projeto não terminou, mas a busca é direcionada para essa biodiversidade, que não conhecemos ainda e tem características heterogêneas”, afirma.
Izeni reforça a opinião de Maretti sobre a importância das unidades de conservação. “Temos muitos rios com cachoeiras visados pelo ponto de vista da criação de hidrelétricas. Quase todos estão sendo estudados para esse fim. Sabemos que o país necessita dessa fonte de energia, mas há a necessidade de ver alternativas que causem menos impacto no ecossistema. Há ainda o problema da extração ilegal de madeira, a grilagem, o tráfico de animais e o dilema da usina de Belo Monte. Muitas espécies que nem conhecemos são exportadas como peixes ornamentais, porque estão no meio daqueles já conhecidos”, completa a pesquisadora.



proteção especial

As unidades de conservação são porções bem definidas de terra que têm recursos naturais de importância ecológica e ambiental. Essas frações do território nacional são especialmente protegidas por lei e contam com regime especial de administração. O Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Snuc) foi instituído no Brasil em 2000 pela Lei 9.985, que estabelece critérios e normas para a criação, implantação e gestão das UCs.
O SNUC as divide em dois grupos: as de proteção integral (admitem apenas o uso indireto dos recursos naturais) e as de uso sustentável (conciliam a conservação da natureza com o uso sustentável de parte
dos recursos). 

O BRASIL NAS RUAS » Sem rumo contra black blocs‏

O BRASIL NAS RUAS » Sem rumo contra black blocs
Especialistas criticam medidas anunciadas pelos governos federal, do Rio e de São Paulo para lidar com o vandalismo nos protestos. Monitoramento da internet é controverso



Renata Mariz

Estado de Minas: 03/11/2013 


Protesto no Rio: busca agora é por instrumentos legais mais eficientes para enquadrar grupos que promovem vandalismo e agridem policiais     (TASSO MARCELO/AFP - 25/7/2013)
Protesto no Rio: busca agora é por instrumentos legais mais eficientes para enquadrar grupos que promovem vandalismo e agridem policiais

Brasília – Mais de cinco meses depois que o primeiro protesto, no início da onda atual de manifestações, resultou em destruição, incêndios e prisões, as autoridades demonstram total falta de habilidade para lidar com a violência. Uma reunião com a cúpula da segurança pública federal, do Rio de Janeiro e de São Paulo, na semana passada, terminou com o anúncio de ações sobre as quais não existe sequer consenso. O velho discurso do trabalho integrado entre os órgãos envolvidos veio embalado em outra máxima típica de momentos de crise: a necessidade de mudanças na legislação. Integrantes do governo e especialistas divergem até em questões mínimas, como o uso de balas de borracha.

“De todas as bobagens que foram anunciadas pelo governo federal numa atitude de marketing, a única coisa que realmente se faz necessária é o trabalho coordenado entre as polícias, mas isso não é de agora. O sistema de informações desses órgãos foi sucateado ao longo dos anos”, critica o mestre em ciência política José Augusto Rodrigues, pesquisador do Laboratório de Análise da Violência da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). Segundo ele, a elaboração de um protocolo que uniformize a atuação das forças de segurança serve apenas para encobrir a incompetência. “Basta que a polícia filme a conduta criminosa e prenda. É só atuar. Ninguém precisa ensinar o pai-nosso ao vigário”, diz.

Ex-comandante da Polícia Militar de São Paulo e ex-secretário nacional de Segurança Pública, José Vicente da Silva considera importante a elaboração de um protocolo único, embora destaque que a proposta já vem atrasada. “Dizer que os protestos no Brasil são um fenômeno completamente novo e que, por isso, as polícias não estão preparadas não é desculpa. Só São Paulo registrou, ao longo de 2011, 2.056 manifestações. A falta de padronização leva a atuações equivocadas, como as que temos visto. Estamos a oito meses da Copa sem nenhum planejamento. É preciso cuidar dos mínimos detalhes”, diz.

Nem em detalhes aparentemente simples existe consenso. O uso de bala de borracha, por exemplo, é um dos pontos controversos. “Medidas legais, legítimas e difíceis de implementar são manter policiais regularmente nos locais, treiná-los e aparelhá-los com mecanismos legítimos de contenção, que não os gases e as balas de borracha. Por que não usar a mangueira de água?”, questiona Ivar Hartmann, professor de direito constitucional da FGV Direito Rio. O coronel Silva defende o uso de todos os equipamentos não letais. “Além das balas, é preciso garantir cassetetes, capacetes, escudos, sprays, bombas de efeito moral. E outros, como um sistema de rádio que interligue PM, Civil, bombeiros, mas nem isso existe”, defende.

RESISTÊNCIAS Um trabalho de acompanhamento das redes sociais para que a polícia se antecipe aos protestos poderia ajudar no planejamento e na atuação das forças de segurança, de acordo com Rodrigues, da Uerj. “Falta monitoramento, as informações são públicas. Se alguém pratica crime ou incita, com a devida ordem judicial, quebra-se o sigilo para rastrear, sem qualquer problema”, diz. Já Hartmann considera a estratégia ilegal. “Monitorar quem não cometeu crime? Quebra-se uma barreira muito perigosa para, de um modo fácil, achar bodes expiatórios e, ao mesmo tempo, retroceder em direitos conquistados a duras penas no Brasil”, diz o especialista da FGV, que dá aulas de direito de informática, além de constitucional.

As divergências nas questões aparentemente simples ampliam-se quando as propostas levantadas para combater a ação de grupos violentos, que usam a chamada técnica black bloc, chegam a uma seara delicada: a legislação penal vigente. Integrantes do governo – que está tentando agendar reuniões com o Conselho Nacional de Justiça, o Conselho Nacional do Ministério Público e o Supremo Tribunal Federal – apostam em um grande debate entre a liberdade de expressão e a necessidade de criar instrumentos mais eficientes para enquadrar manifestantes que fazem vandalismo e que agridem policiais. A tendência é não fazer modificações legais que possam ameaçar o direito de manifestação, consagrado na Constituição.

Setores do governo, sobretudo mais ligados aos direitos humanos, rejeitam endurecimento de penas, mas de forma reservada depois que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, se comprometeu a estudar o tema. Entre especialistas, a proposta também sofre resistência. “Nossa legislação atual dá conta perfeitamente de transgressões e abusos do direito de manifestação. É absolutamente inconstitucional tratar as pessoas de forma diferente. Se há pena maior para agressão a policial, como fica quando for o contrário, se o policial agredir?”, questiona Wadih Damous, conselheiro federal da Ordem dos Advogados do Brasil e presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da entidade.

De acordo com ele, outras perguntas são mais urgentes. “Desde junho, milhares de pessoas foram para as ruas cobrar transparência, saúde, transporte. Até agora o Estado não atendeu a essas reivindicações. As coisas não se resolverão com mais polícia, mais repressão, mais lei penal”, critica Damous. Integração entre governos estaduais e federal, como a anunciada na última semana por Cardozo, deveria ser praxe na condução de problemas graves na segurança do país, afirma o integrante da OAB. “Para combater a atividade criminosa complexa, não para lidar com meia dúzia de manifestantes.”