sábado, 22 de março de 2014

TeVê

TV PAGA » CINE MUSICAL


Estado de Minas: 22/03/2014



 (Europa Filmes/Divulgação)


Faroeste caboclo, filme inspirado em música homônima da Legião Urbana, será exibido às 22h, no Telecine Premium. Dirigida por René Sampaio, a produção, que fez sucesso nos cinemas em 2013, é estrelada por Fabrício Boliveira e Ísis Valverde (foto). João deixa Santo Cristo em busca de uma vida melhor em Brasília. Lá, conta com o apoio do primo e traficante Pablo, com quem passa a trabalhar. Já conhecido como João de Santo Cristo, o jovem se envolve com o tráfico de drogas, ao mesmo tempo em que mantém um emprego como carpinteiro. Em meio a tudo isso, conhece Maria Lúcia, filha de um senador, por quem se apaixona loucamente. Os dois começam uma relação marcada pela paixão e pelo romance, mas logo se verá em meio a uma guerra com o playboy e traficante Jeremias, que coloca tudo a perder.
CLIMA SOBRENATURAL
HOJE NA TELA DA HBO

Já na HBO estreia, também às 22h, o terror A aparição, com Ashley Greene. Casal é assombrado por forças sobrenaturais libertadas depois de um experimento na faculdade. São atormentados por um espírito maligno, alimentado pelo medo que sentem. Eles têm certeza de uma coisa: só morre quem de fato acredita na criatura.

DE OLHO NO SUCESSO DA
SEQUÊNCIA, TNT EXIBE 300

Aproveitando o sucesso que a sequência está fazendo nos cinemas, o TNT reprisa 300. O rei Leônidas e seus 300 guerreiros de Esparta lutam até a morte contra o numeroso exército do rei Xerxes. O sacrifício e a dedicação desses homens uniu a Grécia no combate contra o inimigo persa. No elenco, Gerard Butler, Rodrigo Santoro e Lena Headey. Às 22h30.

CURTAS QUE FORAM
FEITOS POR CRIANÇAS

O que a mente de uma criança é capaz de produzir para o cinema? Com essa pergunta na cabeça, a atriz e produtora Daniela Gracindo criou a Oficina do Pequeno Cineasta, que mostrará suas produções na tela do Canal Brasil. Com direção de Walter Lima Jr., o episódio do Pequeno cineasta, às 18h30, vai exibir os curtas Amizade acima de tudo, O irmão secreto e Nunca é tarde para sorrir.

UM CASAL DE SERIAL
KILLERS nO CANAL BIO

Gerald Gallego, filho de um assassino condenado, e Charlene, estudante brilhante e prodígio musical, tinham um casamento fora do comum. Eles tinham como alvo principal mulheres jovens que pudessem satisfazer seus desejos sexuais. Mas muitas vezes suas práticas fugiam do controle e eles estupraram e mataram 10 pessoas, em vários municípios, entre 1978 e 1980. A dupla, que ganhou o título infame de “primeiro casal assassino em série”, é destaque de Fúria assassina, às 22h30, no canal Bio.

ACIDENTES AÉREOS
NO CANAL NAT GEO

Como só se fala em acidentes aéreos, o Nat Geo exibe, a partir das 19h, a maratona MayDay!. Um dos programas leva o nome No olho do furacão: voo NOAA 42. Lockheed P-3 Orion. Uma equipe de caçadores de furacões está em uma situação desesperadora após um incêndio no motor mutilar sua aeronave durante um voo ousado no furacão Hugo. Eles escapam por pouco e seu avião aleijado consegue voar de volta no meio da tempestade. Agora, cabe aos investigadores descobrir por que um grupo de caçadores de furacões qualificado quase foi morto enquanto cumpria seu dever.

CARAS E BOCAS » PAPO É COM ELAS

Simone Castro
simone.castro@uai.com.br


Penélope Nova é uma das integrantes de novo quadro do programa Raul Gil, que estreia hoje (Kelly Fuzaro/MTV )
Penélope Nova é uma das integrantes de novo quadro do programa Raul Gil, que estreia hoje

“Esse quadro vai dar o que falar”, avisa Raul Gil. O apresentador estreia hoje, às 14h15, em seu programa, no SBT/Alterosa, o “Elas querem saber”, que reúne nomes tão diferentes quanto a apresentadora Penélope Nova, que foi VJ da extinta MTV, a atriz Thammy Miranda, a socialite Val Marchiori e a modelo Dani Bolina, todas cheias de personalidade. A cada sábado, elas confrontarão um convidado. O primeiro é o ex-jogador de futebol Vampeta. Ele, como elas, sem papas na língua, fala sobre homossexualismo no futebol, a polêmica sobre seu ensaio nu em uma revista e, claro, sobre a Copa do Mundo. Para ele, Neymar é o melhor jogador brasileiro da atualidade. Vampeta também comenta sobre a vida pessoal. Ele conta que paga em dia as pensões alimentícias dos três filhos.

TURMA VOLTA À CENA
COM A CORDA TODA

O elenco do seriado Tapas & beijos (Globo) recebeu a imprensa para falar sobre a temporada 2014. A atração retorna ao ar em 8 de abril. A boate La Conga, cenário do programa, também foi o local escolhido para o encontro. “Os personagens entram em um ciclo cuja ordem é viver mais a realidade deles. Eles já não têm mais aquelas fantasias do começo e vão tentar viver a parte prática da vida a dois”, contou Cláudio Paiva, que passa a dividir a redação final do programa com Cláudio Lisboa e Nilton Braga. Uma das novidades da temporada é que Fátima (Fernanda Torres) e Sueli (Andréa Beltrão) saem do subúrbio de volta para Copacabana. Elas iniciam um relacionamento sem rótulos com seus pares, Armane (Vladimir Brichta) e Jorge (Fábio Assunção), respectivamente. Mas, claro, dá tudo errado.

ESPORTIVOS ACELERAM
NA EDIÇÃO DO VRUM

Fã de um esportivo? Não perca o Vrum deste domingo, às 8h30, no SBT/Alterosa. Confira um passeio a bordo do novo Chevrolet Camaro. Já se o negócio é família grande, a pedida é acompanhar o lançamento do Toyotta Corola, que foi remodelado. No quesito popular, a atração é o novíssimo Volkswagen Up.

APRESENTADORA PÕE
FIM A MAIS UM CASÓRIO

Acabou o casamento de Eliana e João Marcelo Bôscoli. A assessoria da apresentadora do SBT/Alterosa confirmou. Eles estavam juntos há seis anos e são pais de Arthur, de 2 anos. Era o segundo casamento de Eliana, que
antes subiu ao altar com Eduardo Guedes.

VILÃO NÃO SE CANSA E
VAI APRONTAR OUTRA

Manfred (Carmo Dalla Vecchia), quando conseguir fugir do manicômio de novo, ameaçará sequestrar Pérola (Mel Maia) em Joia rara (Globo). Com isso, fará com que Ernest (José de Abreu) sofra um infarto. O pai de Franz (Bruno Gagliasso), que estará preso, escapou, recentemente, de morrer depois de um acidente de carro também provocado pelo vilão. 


TUDO DE BOM

A 25ª temporada de The Simpsons estreia, dia 27 de abril, às 21h30, na Fox (TV paga). E, de acordo com a assessoria de imprensa do canal, serão muitas as aventuras da família, que inclui Homer vendendo parte de seu corpo para comprar uma bola de boliche e Lisa se tornando líder de torcida da equipe de futebol americano local. Para entrar no clima, uma maratona vai exibir o primeiro episódio de cada uma das 24 temporadas anteriores de 1º a 24 de abril, às 22h. 

O diretor mexicano Alejandro Gonzáles Iñarritu critica os rumos do cinema comercial‏

Sem medo de mudar 
 
O diretor mexicano Alejandro Gonzáles Iñarritu critica os rumos do cinema comercial e fala de seu novo filme, a comédia Birdman, com Michael Keaton, que estreia no fim do ano 
 
Carolina Braga
Estado de Minas: 22/03/2014


Diretor de Amores brutos e Babel, Iñarritu foi a Cartagena defender os filmes de invenção contra o %u201Cvício%u201D do cinema industrial (Joaquín Sarmiento/AFP)



Cartagena de Índias (Colômbia) – Ele mexe muito a sobrancelha. Gesticula o tempo inteiro enquanto fala. Isso sem dizer no quanto faz caras e bocas. Com o cabelo para cima, sorri quando percebe que acertou na graça. É fã de afirmações bombásticas do tipo “a indústria do cinema está fazendo um genocídio cultural”. Se fosse um advogado, se daria muito bem no espetáculo dos tribunais, só pelo empenho com que defende suas ideias. Alejandro Gonzáles Iñarritu bem que pensou em seguir carreira nas leis, mas se deu muito bem com o cinema, passando com êxito pela publicidade e a locução radiofônica.

O diretor mexicano, responsável pelo reconhecimento internacional da produção recente de seu país, é um tipo que se diz avesso a lugares-comuns. É por isso que depois das narrativas fragmentadas de Amores brutos (2000), 21 gramas (2003), Babel (2006) e Biutiful (2010) ele passou pelo Festival Internacional de Cinema de Cartagena, na Colômbia, contando que decidiu mudar. “Cansei-me dos dramas. Não estava mais me divertindo, apenas fazendo um trabalho.” É dessa história, parecida com a de Pedro Almodóvar com Os amantes passageiros, que nasceu Birdman.
Na primeira comédia da carreira, Alejandro Gonzáles Iñarritu também deixa para trás a fragmentação das histórias. É de maneira linear que ele conta o drama de um ator que interpretou um super-herói e precisa redimensionar o ego. “Foi o personagem que mais me divertiu enquanto escrevia o roteiro”, revela. Michael Keaton foi especialmente convidado para o papel. Outro fato inédito na carreira do mexicano é que o longa foi rodado em Nova York, com uma equipe totalmente diferente da habitual. “É uma espécie de reset”, define o cineasta.

O abandono da estrutura narrativa que o caracterizou também se deve a uma certa estafa do formato. “Começou a ser uma coisa que as pessoas exigiam. Havia uma obviedade de que um filme de Iñarritu seria fragmentado”, comenta. O cineasta conta que em um dos festivais em que Amores brutos foi apresentado o projecionista trocou a ordem das latas e ninguém notou. O diretor ficou traumatizado e quando Babel foi selecionado para o Festival de Cannes, cuidou de conversar pessoalmente com o profissional da cabine. “Ele me disse que não havia a menor possibilidade disso acontecer, mas ocorreu novamente. A plateia demorou 10 minutos para perceber que houve um erro, porque era um filme meu”, diverte-se.
Birdman foi rodado de uma maneira linear, em torno de apenas um personagem. O trabalho está finalizado, mas a estratégia do estúdio é lançá-lo no fim do ano, em outubro ou novembro. Alejandro Iñarritu não é tão favorável a essa ideia, inclusive porque em maio tem o Festival de Cannes e não seria nada mal se Birdman começasse a carreira por ali. “São questões que ainda precisam ser vistas”, contemporiza, sem esconder insatisfação.

O diretor que saiu do México para desenvolver carreira em Hollywood anda bem espantado com a forma como as coisas têm funcionado na indústria do cinema. Como conta, as redes sociais ganham a cada dia mais importância nas estratégias de marketing dos estúdios, havendo casos em que pesquisas de opinião são feitas até mesmo antes do início das filmagens. “Cerca de 90% das salas estão ocupadas pelo cinema industrial. É um entretenimento confortável para o público, uma satisfação rápida. O que é produção mais complexa, um pouco diferente, o público não quer. É como um vício”, constata.
Descontando o exagero como Iñarritu apresenta suas ideias, para ele Hollywood está à procura de roteiros sobre gatos mimosos que sabem dançar. “Porque é isso que as pessoas querem”, alfineta. Ele, no entanto, não detalha o quanto procurou ser diferente em Birdman. Concentra-se em dizer como se surpreendeu com Michael Keaton como o protagonista. “Ofereci o papel porque é muito parecido com a vida dele. Fiquei impressionado com a facilidade com que se comportou diante de coisas que nenhum de nós dois tínhamos feito antes. Tem uma quantidade de recursos e uma segurança incrível”, elogia.

Entrega Alejandro Gonzáles Iñarritu é um diretor conhecido por conseguir interpretações memoráveis. Foi depois de Amores brutos, por exemplo, que Gael García Bernal iniciou carreira internacional. Em 21 gramas, Naomi Watts e Benício Del Toro receberam indicações ao Oscar, assim como Adriana Barraza e Rinko Kikuchi em Babel e Javier Bardem em Biutiful. “Cada caso é diferente, porque cada ator é como se fosse um paciente psicológico distinto. O papel do diretor também é passar de psiquiatra a padre, a ditador, inimigo. É bem complexo”, comenta. Iñarritu entende que seus intérpretes trazem consigo seus métodos. O cuidado dele é tentar ser prático.

“Trabalho para que exista um objetivo emocional muito claro para a ação. As possibilidades de alcançá-lo são infinitas. Preocupo-me em ajudá-los a chegar a esse lugar.” O cineasta assume que é um perfeccionista. Fica ligado até mesmo na forma como pegam um copo ou atravessam a rua. Se o ator não consegue naturalidade, repete quantas vezes forem necessárias. “Faço pegar o copo umas 70 vezes”, conta em tom de brincadeira. Tomando a devida distância, Alejandro diz que não trabalharia com ele mesmo.

“Sou uma pessoa que exige o que dá. Entrego-me muito intensamente, porque desfruto muito, sou passional nesse sentido”, revela. Para ele, há uma espécie de contrato tácito. O diretor cobra silêncio no set e concentração absoluta. “Se vai trabalhar comigo tem que ter entrega. Acho que fazer um filme é uma responsabilidade enorme. As pessoas compram ingresso, pagam estacionamento, me dão quatro horas da suas vidas. Levo isso muito a sério”, afirma.


Mano Caetano

Graças ao trânsito do Rio de Janeiro, Alejandro Gonzáles Iñarritu se aproximou de Caetano Veloso. Há cerca de oito meses, os dois dividiram um mesmo táxi para ir a uma festa com Andrucha Waddington. “Ficamos tipo uma hora parados e Caetano me contando sobre tudo o que conhece do México. Ele sabe muito”, elogiou. Segundo o diretor, o que mais surpreendeu o brasileiro foi o fato de a imagem do mexicano na ficção ser muito diferente da realidade. “Diante dele tentei ser um mexicano de personalidade forte”, brincou. 


Mineiro premiado

O curta Pouco mais de um mês, dirigido pelo mineiro André Novais, faturou no Festival Internacional de Cartagena o 15º prêmio da carreira, desta vez como escolha especial do júri. “Estava ali tranquilo com a minha namorada e não esperava que fosse ganhar”, comentou o diretor, surpreso, no palco, quando recebeu o troféu Índia Catalina. Entre os longas, o vencedor na categoria ficção foi Tierra en la lengua, do colombiano Rubén Mendoza; na documentário, Marmato, de Mark Grieco, coprodução Colômbia-EUA.  

Reciclagem agrega valor - Juliana Ferreira

Reciclagem agrega valor
 
Menos poluição para o meio ambiente e mais economia para as indústrias em relação ao destino do resto do couro é o que promete processo inovador e barato criado por pesquisador mineiro


Juliana Ferreira
Estado de Minas: 22/03/2014



"Criamos um método empregando um catalisador, que permitiu recuperar a pele onde estava o couro. Sua aplicação é diversa e já foi testada como fertilizante de liberação controlada" , Luiz Carlos de Oliveira, professor do Departamento de Química da UFMG

Objetos de couro são supervalorizados pelos consumidores. Nada mais chique do que uma bolsa, um sapato ou um banco de carro feitos puramente com o material. O mercado está aquecido, como mostra o último relatório da Secretaria de Comércio Exterior. Somente no primeiro mês deste ano, as exportações de couro de peles renderam um total de US$ 201,955 milhões,  crescimento de 22,5% em relação a janeiro de 2013. Mas essa indústria é mais complexa do que parece aos olhos do comprador, gerando 200 mil toneladas por ano de um resíduo totalmente sem função. Os detritos deveriam ser encaminhados a aterros especiais, mas, devido ao alto custo, a maioria das empresas acaba descartando-os em locais inadequados. Apresentando esse problema há 10 anos, quando dava aulas em uma universidade do Rio Grande do Sul, o professor do Departamento de Química da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Luiz Carlos Alves de Oliveira se debruçou em trabalhos à procura de uma solução, o que lhe rendeu, no ano passado, o prêmio Finep de Inovação 2013.

A descoberta pode reduzir os riscos de contaminação do meio ambiente, além de acabar com o prejuízo da indústria, que perde 10% da pele bovina usada para fazer o couro. Durante a produção, há o processo de rebaixamento da pele, quando é necessário nivelar a espessura do couro, que é curtido com o cromo. O líquido é um metal pesado, que gruda na pele, conferindo maciez, elasticidade e durabilidade ao produto. “Desenvolvemos uma patente que descreve um método diferente, inovador e barato para retirar o cromo do couro. É um problema ambiental seriíssimo, e ele é cancerígeno”, conta Luiz, que criou um catalisador capaz de dissolver o resíduo em dois produtos, que voltam para a indústria e podem gerar mais lucro.

Ele só não revela a substância usada, alegando ser “segredo”. O fato é que esse catalisador atrai o cromo, mantendo a proteína da pele bovina intacta. No fim do processo, há o cromo limpo, que pode ser usado novamente na produção do couro, e o colágeno, aplicável em comésticos e fertilizantes. “Fazer o catalisador foi rápido, de dois a três meses. O que demorou foi realizar o processo em escalas maiores, porque precisamos de recurso, já que o governo não financia. Precisei de investimento privado e demorou um pouco porque o mercado tem mais dificuldade de investir em tecnologia”, diz. Segundo o professor, como a tecnologia é nova, os produtores não acreditaram facilmente na sua eficácia. “É um setor muito conservador”, conta.

A mudança ocorreu quando sua equipe ganhou o prêmio Santander Ciência e Tecnologia, em 2008, o que deu visibilidade ao trabalho. Uma empresa do Sul do país, a Vancouros Paraná, enviou funcionários ao laboratório de Luiz para vários testes. Eles aprovaram o método e financiaram um reator de uma tonelada. Hoje, já há um estudo de mercado pronto. O investimento inicial é de R$ 2 milhões para extração de uma tonelada por dia. “Não atenderia todo o mercado, mas seria o início para o produto se expandir”, defende o pesquisador, que investiga também outros usos para o cromo resultante do resíduo. Em parceria com a Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais (Cetec), ele testa sua aplicação na fabricação de aço especial. Conquistar o prêmio Finep de Inovação 2013, um dos mais importantes para empreendedores no país, foi mais uma porta de entrada para o mercado, segundo Luiz. “Todo empresário está de olho. Como fazem divulgação, aparece gente querendo investir”, comemora. A premiação reconhece patentes que já sejam comercializadas e gerem nota fiscal.

LUCRO O Sul, especialmente o Rio Grande do Sul, tem as maiores indústrias de couro do Brasil. As exportações não param de crescer. Dados do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB) mostram que, em janeiro, foram embarcadas 2,7 milhões de unidades de couro bovino, 2,4% a mais que no mesmo mês de 2013. Com a geração de uma grande quantidade de resíduo, impossível de estocar, o interesse pela descoberta do catalisador surgiu, segundo o engenheiro-agrônomo da Vancouros Paraná Alexandre Martin Martines. “Tenho que levar para um aterro licenciado e colocar em uma vala, o que tem custo altíssimo para a indústria e forma um passivo ambiental. Não temos ainda como não gerar o resíduo. Estamos buscando uma destinação ambientalmente mais correta”, explica.

A ideia, ao patrocinar a pesquisa, é realizar uma reciclagem que agregue valor ao resíduo. “Para que seja viável, ele tem que ser economicamente viável também. Tem que, no mínimo, empatar com o gasto para colocar no aterro”, diz Alexandre, que já estuda os usos dos produtos. O colágeno tem grande importância na agricultura como bioestimulante, devido à grande presença de nutrientes, além de ser utilizado também na fabricação de comésticos. Já o cromo pode voltar para a cadeia de produção do couro sem degradação à natureza. “Essa tecnologia é muito legal nesse ponto. Existem outras no meio, só que transferem o problema de uma matriz para outra. O Luiz transforma o resíduo em produtos com aplicações distintas”, conclui.

Eduardo Almeida Reis-Reminiscências‏

Reminiscências 
 
A guru foi um fenômeno difícil de explicar. Nunca teve estudos na área psi e se transformou em conselheira psi da mais alta sociedade do Rio 
 
Eduardo Almeida Reis
Estado de Minas: 22/03/2014


No Rio da minha juventude havia senhora muito divertida, casada com um médico que cheirava mal, uma professora de francês que se transformou em guia, orientadora, aconselhadora psi dos filhos dos milionários. Não a conheci nessa condição e sim porque meu pai, médico, era colega de turma do marido que cheirava mal. Como soubemos dessa catinga? Fácil, porque a conselheira contava tudo e dizia lavar o paletó do pijama do marido todos os dias para tirar a catinga.

Assim como falava do mau cheiro do deus do lar, contava todos os problemas dos rapazes ricos que orientava. Rapaziada que chegava de carro com chofer, coisa incomum naquele tempo. Não guardei os nomes dos orientandos, mas anotei a lista de pais que todos vocês conheceram de ouvir falar ou pessoalmente, como conheci alguns.

A guru (acabo de aprender que é substantivo de dois gêneros) foi um fenômeno difícil de explicar. Nunca teve estudos na área psi e se transformou em conselheira psi da mais alta sociedade do Rio, talvez por modismo: atendeu o primeiro menino rico, o pai contou para o amigo rico, que espalhou a notícia pelos ricaços da cidade. E o mais divertido, ou estranho, é que a guru contava os nomes e os problemas dos pacientes.

Melhorou de vida com o marido que cheirava mal: trocaram a casa de vila em Copacabana por belo apartamento na Praia do Flamengo. Um dos filhos deles casou-se com moça rica, sexófoba, que lhe dava um banho quente, de banheira, todos os dias quando voltava do trabalho – e se recusava a manter relações sexuais. Resultado: o conhecidíssimo patrício, que ainda é vivo, teve um filho com a cozinheira. Depois, foi acusado de manter relações sexuais com assassino dos mais famosos, executado no centro da cidade. A vida é muito mais complicada do que a gente possa imaginar. Vou parando por aqui e só conto os nomes dos envolvidos em off offíssimo, porque sou cavalheiro muito discreto.

Boas
Mesmo sem os nomes dos autores, que não constam do e-mail que recebi, aqui vão algumas ruminanças boas. Status – é comprar uma coisa que você não quer, com o dinheiro que você não tem, para mostrar para gente que você não gosta uma pessoa que você não é. Sexo – é aquilo que quando é bom é ótimo, e mesmo quando é ruim ainda é muito bom. Chefe – é aquele que vem cedo quando você vem tarde e vem tarde quando você vem cedo. Homem – é aquele que sonha ser tão bonito quanto a mãe acha que ele é; ter tanto dinheiro quanto o filho acha que ele tem; ter tantas mulheres quantas a mulher acha que ele tem e ser tão bom de cama como ele acha que é. Casamento – é uma tragédia em dois atos, civil e religioso (acho que essa é do Barão de Itararé). Uísque – é o melhor amigo do homem. É o cachorro engarrafado (essa é do Vinícius de Moraes). Mulheres – são umas chatas, os homens as levam para passear, dançar, ao cinema e mesmo assim vivem reclamando que eles nunca as levam a esse tal de orgasmo. Distraído – é o sujeito que na hora de dormir beija o relógio, dá corda no gato e enxota a mulher pela janela. Amor – é aquilo que começa com um príncipe beijando um anjo e acaba com um careca olhando para uma gorda. Indigestão – é uma criação de Deus para impor certa moralidade ao estômago. Advogado – é o sujeito que salva os vossos bens dos inimigos e os guarda para ele. Beijo – pode ser uma vírgula, um ponto de interrogação ou um ponto de exclamação. Idoso – é aquele que quando jovem costumava ter quatro membros flexíveis e um duro, e passou a ter quatro duros e um flexível. Amigo – é aquele que o coração escolhe.

O mundo é uma bola
22 de março de 1888: formação da Football League, notícia da maior relevância neste ano da Copa das Copas, que a equipe do Felipão promete ganhar apesar das ressalvas do craque Jaeci Carvalho. Realmente, cinco gols a zero na África do Sul até o Cabofriense faz. Na condição de cronista-Fifa aposentado informo ao distinto público que a seleção favorita é a alemã.

Em 1895, Auguste e Louis Lumière exibem filmes pela primeira vez numa tela particular. Portanto, hoje deve ser o dia no nascimento do cinema. Em 1903, os Estados Unidos instalam uma base militar em Guantánamo, Cuba. Em 1933, dia de glória para os pinguços: o presidente Franklin D. Roosevelt assina uma lei autorizando a produção e o consumo de bebidas alcoólicas nos Estados Unidos, acabando com a burrice da Lei Seca.

Em 1935, transmissão do primeiro programa regular de televisão através de uma antena instalada no alto da torre de rádio de Berlim. Em termos históricos foi outro dia.
Hoje é o Dia Mundial da Água.

Ruminanças
“A televisão foi um meio inventado pelo homem medíocre para ser utilizado pela mediocridade. Deveria chamar-se mediovisão” (Millôr Fernandes, 1924-2012).