Zero Hora - 23/03/2014
Sempre fiquei intrigada com mulheres que posam para fotos virando-se de
costas, dando apenas uma espiadinha para a câmera por cima do ombro. Que
as Mulheres Melões e Melancias façam isso, é compreensível: estão
oferecendo às lentes o produto que as tornou famosas. Porém, no
sofisticado tapete vermelho, acontece o mesmo. Divas em seus vestidos
longos de grife oferecem ao mundo uma visão frente e verso, e não só a
bem torneada Jennifer Lopez, mas também sílfides como Anne Hathaway,
Cate Blanchett e Naomi Watts. Provavelmente para mostrarem suas
escápulas em um exclusivo decote Dior, para exibirem o colar da Tiffany
que pende pelas costas, para que reparem no corte de cabelo batidinho na
nuca, ou em alguma tatuagem, vá saber. Mas gosto de pensar que elas dão
essa viradinha por um motivo mais divertido: para provar que não há
fita crepe ajustando a roupa ao corpo.
Nem sempre as roupas que a gente vê nas revistas caem feito uma luva
no corpo das modelos. Aliás, quase nunca. Metros e metros de fita crepe
ajustam camisas, grudam vestidos na cintura, afunilam a perna da calça –
quando não esticam o pescoço da criatura ou puxam sua barriga, numa
espécie de cirurgia plástica instantânea. Acontece não só dentro dos
estúdios. Já escutei casos hilários de mulheres que foram flagradas em
festas com uma fita crepe escondida atrás da orelha, a fim de estender
uma pelezinha saliente que não deu tempo de remover com bisturi.
Estou exagerando, claro, mas nem tanto. Há uma frase célebre de
bastidor: não haveria cinema sem a fita crepe. E também não haveria a
fotografia, a televisão, as mostras de decoração e arquitetura. Todos os
expositores sabem que sem fita crepe não é possível construir uma
ilusão.
Sem desprestígio aos alfinetes, às joaninhas, aos pregadores de
roupa, aos clipes e demais acessórios de primeiros socorros de uma
produção, mas é inegável que fita crepe é o quebra-galho soberano:
funciona para tudo. Prende, cola, ajeita, segura, amarra. É o salvador
dos cenários, o braço direito dos iluminadores, e, como já se disse, a
melhor amiga dos figurinistas. Você não precisa ser atriz de Hollywood
para testar: basta conferir o efeito de uma camiseta exposta no manequim
da vitrine de uma loja e depois experimentar o efeito vestindo-a em
você mesma, dentro do provador. Pois é, alguns vitrinistas também
recorrem a essa espécie de “photoshop” artesanal.
Não pretendo ser estraga-prazer, ao contrário, espero estar salvando
seu dia: quando você for às compras e a roupa não cair tão bem no seu
corpo como cai no da Alessandra Ambrósio, não excomungue os deuses nem a
si mesma. Até as mais perfeitas das beldades, aquelas que ganham
milhões de dólares para fotografar com lingeries divinas, já contaram
com a ajuda bem terrena de uma fita crepe que custa menos de 10 reais.
domingo, 23 de março de 2014
AFFONSO ROMANO DE SANT'ANNA » Essas máquinas que nos amam "
AFFONSO ROMANO DE SANT'ANNA »
Essas máquinas que nos amam
Estado de Minas: 23/03/2014
Algumas pessoas viram aquele filme Ela e me convenceram a assisti-lo. Fui. Era sobre um homem que se apaixona por uma voz. Quando me contaram isto até disse: conheço uma estória parecida. O Afonso Borges, do Sempre um papo, me contou de um amigo que se apaixonou pela voz de uma portuguesa no GPS que ele usou lá na Europa. Ficou tão ligado nela que comprou a voz, levou-a para sua casa no Brasil para amá-la sonoramente.
De alguma maneira somos seduzidos por vozes. Dizem que Joana d’Arc ouvia vozes que lhe davam ordens. Não eram dessas que nos atormentam hoje. Eram mensagens celestes.
Por exemplo: ligo para um desses serviços telefônicos para reclamar sobre a TV. E a máquina me atende com tanta intimidade que não sei se me apaixono ou se rio de mim mesmo. A moça na máquina é impecável, minha amiga de infância, diz aquelas expressões que os linguistas chamam de linguagem fática: interjeições, expressões que não dizem nada, mas servem para dar naturalidade à fala e para pontuar o discurso: “Ah! que bom, então, né, pois bem…”.
A pessoa que fez o texto dessa gravação é um craque em diálogos. Muito natural. Mas não estou querendo conversar com essa moça ou máquina simpática. Quero é resolver o problema. Estou há 45 minutos ouvindo gravações de publicidade de toda ordem e ela dizendo coisas amáveis.
Mas voltemos aos filme Ela. Aí a coisa chega ao paroxismo. Mostra um tempo futuro em que não se escreviam mais cartas. No entanto, um cidadão vivia de escrever cartas para as pessoas. Ele as ditava, o texto saía manuscrito e era enviado para indivíduos solitários, que se comoviam. Como se vê, ele era o personagem ideal para se apaixonar por uma voz.
Ele aceita o convite para entrar num programa ultramoderno e se relacionar com uma voz que passa a ser seu segundo ego. Uma espécie de secretária ultraeficiente, que lê os e-mails dele e vai ficando tão íntima que acaba se apaixonando por ele. Ele também por ela, é claro. Mas como amar uma abstração, uma voz sem corpo? Bem que o roteirista tenta introduzir algo picante: o homem tendo relações eróticas com a voz. E como não bastasse, resolve meter lá um amor a três. Creio que os roteiristas se divertiram muito com isso. Havia uma cliente disposta a ser o corpo da voz e aparece para o ménage à trois. Que não dá certo.
O problema piora porque o rapaz fica sabendo que a voz é “íntima” de uma centenas de pessoas. Ou seja, não era monógama, era uma voz de utilidade pública (e às vezes, púbica).
Vocês já perceberam que que achei o filme fraco, quase ruim. Longo demais. Mas teve gente que amou. E muitos sabem até o nome da atriz dona daquela voz: Scarlett Johansson. Um amigo foi assistir a uma peça de teatro em Nova York com aquela atriz só para ver a incorporação da voz na pessoa propriamente dita.
A película pretende retratar um mundo futuro em que a virtualidade nos deixará atônitos. Coisas que estavam em Blade Runner e em Matrix.
Outra forma de entender o filme é concebê-lo como um tratado da solidão na sociedade futura. O cenário é meio indicativo disso, e tudo termina com a “morte” (ou desaparecimento) da voz. No fim, mostram um homem e uma mulher desamparadamente solitários.
Matar a voz foi uma solução fácil dos roteiristas. Não é de hoje que o autor liquida o personagem quando não sabe o que fazer dele. Oswald de Andrade expulsou um personagem de seu romance.
Mas voltando à vida real, deparo-me com uma voz intransponível que não me dá afetos, mas só aborrecimentos. Ligo milhões de vezes para o Decolar.com e não me atendem, ou quando atendem, como uma máquina pouco amorosa, não conseguem dar solução aos equívocos de uma passagem que comprei para Bolonha.
Era melhor quando eu ia pessoalmente a uma agência de viagem. Como dizem os italianos: “Estávamos melhor quando estávamos pior”.
Estado de Minas: 23/03/2014
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Algumas pessoas viram aquele filme Ela e me convenceram a assisti-lo. Fui. Era sobre um homem que se apaixona por uma voz. Quando me contaram isto até disse: conheço uma estória parecida. O Afonso Borges, do Sempre um papo, me contou de um amigo que se apaixonou pela voz de uma portuguesa no GPS que ele usou lá na Europa. Ficou tão ligado nela que comprou a voz, levou-a para sua casa no Brasil para amá-la sonoramente.
De alguma maneira somos seduzidos por vozes. Dizem que Joana d’Arc ouvia vozes que lhe davam ordens. Não eram dessas que nos atormentam hoje. Eram mensagens celestes.
Por exemplo: ligo para um desses serviços telefônicos para reclamar sobre a TV. E a máquina me atende com tanta intimidade que não sei se me apaixono ou se rio de mim mesmo. A moça na máquina é impecável, minha amiga de infância, diz aquelas expressões que os linguistas chamam de linguagem fática: interjeições, expressões que não dizem nada, mas servem para dar naturalidade à fala e para pontuar o discurso: “Ah! que bom, então, né, pois bem…”.
A pessoa que fez o texto dessa gravação é um craque em diálogos. Muito natural. Mas não estou querendo conversar com essa moça ou máquina simpática. Quero é resolver o problema. Estou há 45 minutos ouvindo gravações de publicidade de toda ordem e ela dizendo coisas amáveis.
Mas voltemos aos filme Ela. Aí a coisa chega ao paroxismo. Mostra um tempo futuro em que não se escreviam mais cartas. No entanto, um cidadão vivia de escrever cartas para as pessoas. Ele as ditava, o texto saía manuscrito e era enviado para indivíduos solitários, que se comoviam. Como se vê, ele era o personagem ideal para se apaixonar por uma voz.
Ele aceita o convite para entrar num programa ultramoderno e se relacionar com uma voz que passa a ser seu segundo ego. Uma espécie de secretária ultraeficiente, que lê os e-mails dele e vai ficando tão íntima que acaba se apaixonando por ele. Ele também por ela, é claro. Mas como amar uma abstração, uma voz sem corpo? Bem que o roteirista tenta introduzir algo picante: o homem tendo relações eróticas com a voz. E como não bastasse, resolve meter lá um amor a três. Creio que os roteiristas se divertiram muito com isso. Havia uma cliente disposta a ser o corpo da voz e aparece para o ménage à trois. Que não dá certo.
O problema piora porque o rapaz fica sabendo que a voz é “íntima” de uma centenas de pessoas. Ou seja, não era monógama, era uma voz de utilidade pública (e às vezes, púbica).
Vocês já perceberam que que achei o filme fraco, quase ruim. Longo demais. Mas teve gente que amou. E muitos sabem até o nome da atriz dona daquela voz: Scarlett Johansson. Um amigo foi assistir a uma peça de teatro em Nova York com aquela atriz só para ver a incorporação da voz na pessoa propriamente dita.
A película pretende retratar um mundo futuro em que a virtualidade nos deixará atônitos. Coisas que estavam em Blade Runner e em Matrix.
Outra forma de entender o filme é concebê-lo como um tratado da solidão na sociedade futura. O cenário é meio indicativo disso, e tudo termina com a “morte” (ou desaparecimento) da voz. No fim, mostram um homem e uma mulher desamparadamente solitários.
Matar a voz foi uma solução fácil dos roteiristas. Não é de hoje que o autor liquida o personagem quando não sabe o que fazer dele. Oswald de Andrade expulsou um personagem de seu romance.
Mas voltando à vida real, deparo-me com uma voz intransponível que não me dá afetos, mas só aborrecimentos. Ligo milhões de vezes para o Decolar.com e não me atendem, ou quando atendem, como uma máquina pouco amorosa, não conseguem dar solução aos equívocos de uma passagem que comprei para Bolonha.
Era melhor quando eu ia pessoalmente a uma agência de viagem. Como dizem os italianos: “Estávamos melhor quando estávamos pior”.
TeVê
TV paga
Estado de Minas: 23/03/2014
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AÇÃO Nicolas Cage já
teve prestígio. Ganhou o Oscar por Despedida em Las Vegas (1996), por
exemplo. Trabalhou com diretores como David Lynch, em Coração selvagem
(1990). Mas o ator começou a aceitar todo tipo de papel, inclusive o de
protagonista de filmes de ação mais comerciais, como Perigo em Bangkok
(foto), atração do A&E às 22h. Dirigido pelos irmãos Pang, o filme
conta a história de Joe (Cage), um criminoso que está na Tailândia para
realizar quatro assassinatos sob encomenda.
SISTEMA Códigos secretos movem o mundo. O DNA, o código da vida, é o sistema operacional de todos os organismos, gerou vida inteligente e eventualmente criou os códigos de nossa própria linguagem e o alfabeto. Há ainda todo um universo digital criado por códigos binários que alimenta a maquinaria da idade moderna. É possível que o próprio universo também se movimente por meio de um código. A grande história se debruça sobre o assunto em episódio inédito, às 22h, no History.
SISTEMA Códigos secretos movem o mundo. O DNA, o código da vida, é o sistema operacional de todos os organismos, gerou vida inteligente e eventualmente criou os códigos de nossa própria linguagem e o alfabeto. Há ainda todo um universo digital criado por códigos binários que alimenta a maquinaria da idade moderna. É possível que o próprio universo também se movimente por meio de um código. A grande história se debruça sobre o assunto em episódio inédito, às 22h, no History.
Meu marido ama o seu
Depois de uma participação como a todo-poderosa do canal a cabo ACN em The Newsroom, Jane Fonda parece ter tomado gosto pelas séries. A Netflix anunciou, na última semana, que a veterana atriz vai protagonizar sua nova incursão em seriados, ao lado de Lily Tomlin. A comédia Grace and Frankie, que será lançada em 2015, conta a história de duas velhas rivais que se deparam, já na maturidade, com uma situação complicada. Os respectivos maridos anunciam que estão apaixonados um pelo outro e que pretendem se casar. Com o tempo, elas descobrem que podem contar uma com a outra. A assinatura é de Marta Kauffman, nome indiscutível quando se trata de fazer rir: é uma das criadoras de Friends.
Divã – Numa semana de poucas estreias, o destaque fica para a produção nacional Psi, que a HBO lança hoje, às 21h. Em 13 episódios, a série dramática conta as aventuras de Carlo Antonini (Emilio de Melo), psiquiatra e psicanalista cheio de neuroses. Sempre envolvido com casos pouco convencionais, ele vai atravessar maus pedaços na vida pessoal. “A série não só dramatiza a solução clínica dos casos, mas coloca em questão temas existenciais do mundo contemporâneo”, diz o material de divulgação. Ah, tá, então não é uma cópia de Sessão de terapia...
Depois de uma participação como a todo-poderosa do canal a cabo ACN em The Newsroom, Jane Fonda parece ter tomado gosto pelas séries. A Netflix anunciou, na última semana, que a veterana atriz vai protagonizar sua nova incursão em seriados, ao lado de Lily Tomlin. A comédia Grace and Frankie, que será lançada em 2015, conta a história de duas velhas rivais que se deparam, já na maturidade, com uma situação complicada. Os respectivos maridos anunciam que estão apaixonados um pelo outro e que pretendem se casar. Com o tempo, elas descobrem que podem contar uma com a outra. A assinatura é de Marta Kauffman, nome indiscutível quando se trata de fazer rir: é uma das criadoras de Friends.
Divã – Numa semana de poucas estreias, o destaque fica para a produção nacional Psi, que a HBO lança hoje, às 21h. Em 13 episódios, a série dramática conta as aventuras de Carlo Antonini (Emilio de Melo), psiquiatra e psicanalista cheio de neuroses. Sempre envolvido com casos pouco convencionais, ele vai atravessar maus pedaços na vida pessoal. “A série não só dramatiza a solução clínica dos casos, mas coloca em questão temas existenciais do mundo contemporâneo”, diz o material de divulgação. Ah, tá, então não é uma cópia de Sessão de terapia...
Trono – Nas próximas duas semanas, não haverá outro assunto, ainda mais depois que True detective, a grande surpresa de 2014, acabou. Todos à espera do retorno de Game of thrones, agora em sua quarta temporada, em 6 de abril, na HBO. Espertamente, estão sendo lançados, também agora, boxes com a terceira temporada e um outro, mais completo, com os três primeiros anos da série, inspirada nos livros de George R. R. Martin. Tanto em DVD quanto em blu-ray. Vamos ver quem vai se dispor a pagar até R$ 400 pela coleção, pois não custa lembrar que nos dois últimos anos, GoT bateu todos os recordes de downloads ilegais.
Cidade de bonecos
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Quem já reparou nas chamadas da
novela Meu pedacinho de chão, substituta de Joia rara (Globo) a partir
de 7 de abril, percebeu que vem aí uma espécie de conto de fadas. Com
base no original de 1971, de Benedito Ruy Barbosa, o remake, escrito
pelo próprio autor, ganhou concepção bem ao estilo do diretor Luís
Fernando Carvalho, que criou a obra-prima Hoje é dia de Maria. Agora, em
sua nova fábula, a cidade é um imenso brinquedo de lata, em que cavalos
articulados se movem, e pessoas, como bonecos, em seus figurinos
coloridos, circulam e conduzem a narrativa. É a Vila Santa Fé, vilarejo
que é a representação do mundo lúdico que povoa a imaginação das
crianças Serelepe (Tomás Sampaio) e Pituca (Geytsa Garcia). “É como um
jogo de armar peças”, define o diretor. No universo rural criado pelo
autor, estarão lá, como no original, os coronéis, os capangas, a
professorinha. Uma luta será travada entre a prepotência e a justiça; o
egoísmo e a solidariedade. Tudo estilizado e com boa dose de humor.
Entre os personagens estão Antônio Fagundes, Rodrigo Lombardi, Bruna
Linzmeyer (fotos). Esqueça o realismo da primeira versão e embarque
neste mundo encantado. Era uma vez...
DESCUBRA UM POUCO MAIS DE LAVRAS NOVAS
O Viação Cipó, hoje, às 9h, na TV Alterosa, retorna até Lavras Novas para mostrar outros cantos da linda região de Minas. Confira as cachoeiras, o mirante, o restaurante com ares medievais. Mais: a receita de um delicioso filé ao
molho de pimenta rosa e o artesanato do cipó.
CHAPADA DIAMANTINA É CENÁRIO DE NOVELA
Falso brilhante, novela de Aguinaldo Silva que vai substituir Em família (Globo), terá cenas gravadas na Chapada Diamantina (BA). O local poderá substituir o Monte Roraima, localizado na tríplice fronteira da América do Sul, por onde alguns personagens da trama, como o de Alexandre Nero, deverão passar.
DESCUBRA UM POUCO MAIS DE LAVRAS NOVAS
O Viação Cipó, hoje, às 9h, na TV Alterosa, retorna até Lavras Novas para mostrar outros cantos da linda região de Minas. Confira as cachoeiras, o mirante, o restaurante com ares medievais. Mais: a receita de um delicioso filé ao
molho de pimenta rosa e o artesanato do cipó.
CHAPADA DIAMANTINA É CENÁRIO DE NOVELA
Falso brilhante, novela de Aguinaldo Silva que vai substituir Em família (Globo), terá cenas gravadas na Chapada Diamantina (BA). O local poderá substituir o Monte Roraima, localizado na tríplice fronteira da América do Sul, por onde alguns personagens da trama, como o de Alexandre Nero, deverão passar.
GLÓRIA PIRES JÁ ESTÁ CERTA EM NOVA TRAMA
Sucessora de Falso brilhante, a trama de Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga, com o título provisório de Três mulheres e que deverá entrar no ar em 2015, já tem protagonista definida. Trata-se de Glória Pires, que volta a trabalhar com os autores depois de Insensato coração, em que viveu a presidiária Norma.
MUNDO VIRTUAL VIRA TEMA DE COMÉDIA
A TV Cultura deve lançar, ainda neste ano, a comédia Quero ter um milhão de amigos. Trata-se da trama de Érico, uma celebridade que manda muito bem no mundo virtual, mas é uma negação na vida real.
GABI RECEBE ATIVISTA, QUE FALA DA PRISÃO
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Ana Paula Maciel, ativista do Greenpeace, é a convidada de Marília Gabriela (foto), no De frente com Gabi deste domingo, à meia-noite, no SBT/Alterosa. Ela passou dois meses presa na Rússia, acusada de vandalismo e pirataria por fazer uma campanha contra a exploração de petróleo no mar Ártico. Gaúcha, Ana é formada em biologia e defensora ferrenha do meio ambiente. No bate-papo, ela fala do período na prisão – “a comida era comida. Como eu ia reclamar com tanta gente no mundo morrendo de fome?” –, de suas lutas, da vida pessoal e sobre o convite para posar nua na Playboy. “Vou fazer o ensaio para a revista de abril”, revelou. O dinheiro do cachê tem destino certo. “Estou aproveitando essa oportunidade para poder realizar o sonho de ter uma reserva ambiental.” Em tempo: no GNT (TV paga), às 22h, o Marília Gabriela entrevista recebe Mateus Solano, que fala, entre outras coisas, sobre o Félix de Amor à vida.
Poeta da canção Paulo César Pinheiro, autor de mais de 2 mil canções, vai ser tema de documentário
Poeta da canção
Paulo César Pinheiro, autor de mais de 2
mil canções, vai ser tema de documentário.
Compositor teve 120 parceiros, entre eles Pixinguinha, Tom Jobim e Baden Powell
Ana Clara Brant
Estado de Minas: 23/03/2014
Um século separa o parceiro mais antigo, Pixinguinha – que se estivesse vivo teria 117 anos – e o mais novo, Joaquim Carrilho, de 17, do compositor, poeta e romancista carioca Paulo César Pinheiro. Um “arco do tempo”, como ele próprio define. A trajetória de quem atravessou cinco gerações e tem mais de 2 mil músicas compostas ao lado de Tom Jobim, Baden Powell, João Nogueira, Francis Hime, Edu Lobo, Joyce, Lenine, Toquinho e Maurício Tapajós, vai virar filme. Com o nome provisório de Paulo César Pinheiro – De letra e alma, da produtora Terra Firme, o documentário está em fase de captação de recursos.
“Até hoje ninguém se atreveu a fazer um filme ou algo do gênero comigo, porque quando se deparam com a quantidade de coisas que já fiz na vida se assustam e acabam desistindo. É muita coisa para falar em pouco espaço de tempo”, brinca o artista, de 64 anos, nascido no Bairro de Ramos, no Rio de Janeiro. Entretanto, Paulo César se mostrou bastante aberto à proposta dos documentaristas Cleisson Vidal e Andrea Prates. A ideia é focar no compositor e o colocar contando suas próprias histórias. “Vamos mostrar a visão de mundo dele, entrar no universo do Paulo César como compositor, dramaturgo, poeta e escritor. É todo focado nele, tanto que não teremos outras entrevistas. Queremos apresentar suas impressões do mundo e do Brasil e vamos filmar em diversas regiões do país que têm a ver com sua obra, como o Rio, o interior do Nordeste, a região Amazônica, a Bahia e Minas. Queremos fazer um filme lindo que faça não só uma homenagem ao Paulo, mas à própria música e à cultura brasileira”, ressalta Cleisson.
Andrea, que deu a sugestão para o documentário, destaca que mesmo que todo mundo já tenha ouvido falar no nome do compositor ou saiba alguma de suas músicas, seu rosto e sua pessoa são muito pouco divulgados para o grande público. “A maioria conhece as canções, o intérprete, mas não quem está por trás. Brinco que o Paulo César Pinheiro se parece com Deus. Ele está em todo lugar, é onipresente, abrangente, mas ninguém o vê. Ele está presente no cancioneiro do país inteiro, recorrente em toda parte e é esse outro lado que queremos mostrar. Até porque o Paulo é uma figura muito introspectiva, discreta.”
Lapinha O começo de tudo se deu há 50 anos, quando Paulo tinha 14 e compôs com João de Aquino a primeira obra, Viagem. Mas o início oficial foi aos 18, com o samba Lapinha, parceria com Baden Powell e gravado por Elis Regina. “De lá pra cá não parei mais. Se bobear, devo ser a pessoa com mais obras na música mundial. Estou sempre produzindo”, reforça. E o que mais impressiona, segundo o cantor e compositor mineiro Sérgio Santos, seu parceiro há duas décadas, é o fato de Paulo César ter atravessado cinco gerações e ter conseguido manter uma linha e a mesma qualidade. “Ele cortou a música brasileira desde Pixinguinha e hoje já está compondo com os filhos dos parceiros. Isso é muito bacana. Se você quiser falar da poética da música brasileira, tem que considerar Paulo César Pinheiro”, frisa.
Em suas mais de 2 mil canções, Paulo exaltou o Brasil como poucos. De Norte a Sul. O samba, o carnaval, a cultura afro, os terreiros de candomblé, as festas populares, os congados, as marujadas, o boi-bumbá, os reizados, o maracatu, a capoeira e as romarias. “Falo da cultura brasileira. Sou apaixonado pelo meu país e me especializei em Brasil. A minha música é absolutamente brasileira e foi isso que me conduziu durante todo esse tempo. Esses meninos que tocam o Brasil é que me procuram. Gente de todos os cantos. Tenho parceiros em quase todos os estados. E é isso que me mantém vivo e me estimula”, reconhece.
Paulo César, que também é escritor e poeta, está preparando o lançamento de um livro de sonetos para violões e orquestra ainda para o primeiro semestre, e diz que literatura, poesia e música sempre conviveram em harmonia. “Nunca parei de escrever letras, livros e poemas. São muitos os caminhos literários. Quando um começa a se esgotar, passo para outro. Isso funciona naturalmente. Quando estou escrevendo um romance e me acho repetitivo, parto para a música; se me canso, vou para o teatro. As coisas vão se substituindo com naturalidade”, diz.
Mapa musical do Brasil
Dos cerca de 120 parceiros musicais, foi com o mineiro Sérgio Santos que Paulo César Pinheiro criou o maior número de canções, aproximadamente 200. “Ele empata comigo, porque é obsessivo como eu”, brinca. Sérgio fica lisonjeado com o título, mas de cara justifica. “Maior parceiro numérico, viu. Imagina concorrer com nomes como Radamés Gnattali, Pixinguinha, Tom Jobim, Edu Lobo. É covardia”, diverte-se.
Para o compositor mineiro, um dos aspectos que mais impressionam na obra do colega carioca é a capacidade de falar e entender tão bem as Gerais, como se fosse um legítimo conterrâneo. “Essa ligação com o nosso estado surpreende. Mas Paulinho consegue falar muito bem do Nordeste, do Amazonas, do Pará, do Rio Grande do Sul. Isso é maravilhoso. Ele tem essa coisa camaleônica, vai se transformando à medida em que a música pede”, diz.
Além de Sérgio Santos, outro parceiro garimpado por aqui foi Sirlan. É de impressionar como o carioca – que inclusive foi casado com uma mineira, a cantora Clara Nunes – descreve o universo do estado em canções como As catedrais, Cantador das Gerais, Desafio de violas, As festas populares, Mineiro-pau e Galanga Chico-Rei. Sem falar nas belíssimas Desenredo, com Dori Caymmi, e Sagarana, inspirada na obra do grande ídolo de Paulo César, o escritor Guimarães Rosa. Paulo conta que descobriu Rosa quando começou a ler literatura brasileira e desde então se apaixonou. “Foi uma paixão imediata. Antes mesmo de conhecer Minas, conheci o Rosa. Ele foi o escritor que mais me encantou na vida e passei a entender tão bem sua linguagem que, num determinado momento, passei a escrever de um jeito similar. Fazia letra de música com o jeito característico do Guimarães Rosa. Tenho várias composições com esse estilo rosiano. Até hoje é assim. O encanto por sua obra continua”, revela o compositor.
Desenredo (“Ê Minas, ê Minas, é hora de partir”) deu a Paulo César a Medalha da Inconfidência e obteve o segundo lugar em concurso popular que escolheu as músicas que melhor representavam o estado. “O povo elegeu Peixe vivo e aí não dava mesmo para concorrer (risos). Mas fiquei extremamente lisonjeado. Querendo ou não, é obra que tem a cara de Minas. Fiquei muito feliz”, recorda.
Dori Caymmi, que compôs ao lado de Paulo César aproximadamente 70 canções, também exalta o trabalho do artista e amigo. Aliás, o filho de Dorival está lançando Setenta anos, segundo disco com a parceria dos dois. “Paulinho começou tão cedo, aos 14 anos. Depois vieram os afrossambas com o Baden Powell e, a partir de então, ninguém segurou mais. Trata-se de um trabalho extraordinário e fascinante, tanto em termos de música quanto de letra. Agora ele faz letras para todos. Costumo dizer que se Dilma (Rousseff) pedir, ele faz uma letra para ela. Para mim, Paulinho é essencial. Descobri isso no disco anterior (Poesia musicada) que fizemos. A poesia dele me alimenta. Com ela eu faço a minha música”, resume Dori Caymmi. (Colaborou Ailton Magioli)
Compositor teve 120 parceiros, entre eles Pixinguinha, Tom Jobim e Baden Powell
Ana Clara Brant
Estado de Minas: 23/03/2014
| Paulo César Pinheiro cantou todas as regiões do país, com destaque para Minas, terra de seu parceiro mais constante, Sérgio Santos |
Um século separa o parceiro mais antigo, Pixinguinha – que se estivesse vivo teria 117 anos – e o mais novo, Joaquim Carrilho, de 17, do compositor, poeta e romancista carioca Paulo César Pinheiro. Um “arco do tempo”, como ele próprio define. A trajetória de quem atravessou cinco gerações e tem mais de 2 mil músicas compostas ao lado de Tom Jobim, Baden Powell, João Nogueira, Francis Hime, Edu Lobo, Joyce, Lenine, Toquinho e Maurício Tapajós, vai virar filme. Com o nome provisório de Paulo César Pinheiro – De letra e alma, da produtora Terra Firme, o documentário está em fase de captação de recursos.
“Até hoje ninguém se atreveu a fazer um filme ou algo do gênero comigo, porque quando se deparam com a quantidade de coisas que já fiz na vida se assustam e acabam desistindo. É muita coisa para falar em pouco espaço de tempo”, brinca o artista, de 64 anos, nascido no Bairro de Ramos, no Rio de Janeiro. Entretanto, Paulo César se mostrou bastante aberto à proposta dos documentaristas Cleisson Vidal e Andrea Prates. A ideia é focar no compositor e o colocar contando suas próprias histórias. “Vamos mostrar a visão de mundo dele, entrar no universo do Paulo César como compositor, dramaturgo, poeta e escritor. É todo focado nele, tanto que não teremos outras entrevistas. Queremos apresentar suas impressões do mundo e do Brasil e vamos filmar em diversas regiões do país que têm a ver com sua obra, como o Rio, o interior do Nordeste, a região Amazônica, a Bahia e Minas. Queremos fazer um filme lindo que faça não só uma homenagem ao Paulo, mas à própria música e à cultura brasileira”, ressalta Cleisson.
Andrea, que deu a sugestão para o documentário, destaca que mesmo que todo mundo já tenha ouvido falar no nome do compositor ou saiba alguma de suas músicas, seu rosto e sua pessoa são muito pouco divulgados para o grande público. “A maioria conhece as canções, o intérprete, mas não quem está por trás. Brinco que o Paulo César Pinheiro se parece com Deus. Ele está em todo lugar, é onipresente, abrangente, mas ninguém o vê. Ele está presente no cancioneiro do país inteiro, recorrente em toda parte e é esse outro lado que queremos mostrar. Até porque o Paulo é uma figura muito introspectiva, discreta.”
Lapinha O começo de tudo se deu há 50 anos, quando Paulo tinha 14 e compôs com João de Aquino a primeira obra, Viagem. Mas o início oficial foi aos 18, com o samba Lapinha, parceria com Baden Powell e gravado por Elis Regina. “De lá pra cá não parei mais. Se bobear, devo ser a pessoa com mais obras na música mundial. Estou sempre produzindo”, reforça. E o que mais impressiona, segundo o cantor e compositor mineiro Sérgio Santos, seu parceiro há duas décadas, é o fato de Paulo César ter atravessado cinco gerações e ter conseguido manter uma linha e a mesma qualidade. “Ele cortou a música brasileira desde Pixinguinha e hoje já está compondo com os filhos dos parceiros. Isso é muito bacana. Se você quiser falar da poética da música brasileira, tem que considerar Paulo César Pinheiro”, frisa.
Em suas mais de 2 mil canções, Paulo exaltou o Brasil como poucos. De Norte a Sul. O samba, o carnaval, a cultura afro, os terreiros de candomblé, as festas populares, os congados, as marujadas, o boi-bumbá, os reizados, o maracatu, a capoeira e as romarias. “Falo da cultura brasileira. Sou apaixonado pelo meu país e me especializei em Brasil. A minha música é absolutamente brasileira e foi isso que me conduziu durante todo esse tempo. Esses meninos que tocam o Brasil é que me procuram. Gente de todos os cantos. Tenho parceiros em quase todos os estados. E é isso que me mantém vivo e me estimula”, reconhece.
Paulo César, que também é escritor e poeta, está preparando o lançamento de um livro de sonetos para violões e orquestra ainda para o primeiro semestre, e diz que literatura, poesia e música sempre conviveram em harmonia. “Nunca parei de escrever letras, livros e poemas. São muitos os caminhos literários. Quando um começa a se esgotar, passo para outro. Isso funciona naturalmente. Quando estou escrevendo um romance e me acho repetitivo, parto para a música; se me canso, vou para o teatro. As coisas vão se substituindo com naturalidade”, diz.
Mapa musical do Brasil
Dos cerca de 120 parceiros musicais, foi com o mineiro Sérgio Santos que Paulo César Pinheiro criou o maior número de canções, aproximadamente 200. “Ele empata comigo, porque é obsessivo como eu”, brinca. Sérgio fica lisonjeado com o título, mas de cara justifica. “Maior parceiro numérico, viu. Imagina concorrer com nomes como Radamés Gnattali, Pixinguinha, Tom Jobim, Edu Lobo. É covardia”, diverte-se.
Para o compositor mineiro, um dos aspectos que mais impressionam na obra do colega carioca é a capacidade de falar e entender tão bem as Gerais, como se fosse um legítimo conterrâneo. “Essa ligação com o nosso estado surpreende. Mas Paulinho consegue falar muito bem do Nordeste, do Amazonas, do Pará, do Rio Grande do Sul. Isso é maravilhoso. Ele tem essa coisa camaleônica, vai se transformando à medida em que a música pede”, diz.
Além de Sérgio Santos, outro parceiro garimpado por aqui foi Sirlan. É de impressionar como o carioca – que inclusive foi casado com uma mineira, a cantora Clara Nunes – descreve o universo do estado em canções como As catedrais, Cantador das Gerais, Desafio de violas, As festas populares, Mineiro-pau e Galanga Chico-Rei. Sem falar nas belíssimas Desenredo, com Dori Caymmi, e Sagarana, inspirada na obra do grande ídolo de Paulo César, o escritor Guimarães Rosa. Paulo conta que descobriu Rosa quando começou a ler literatura brasileira e desde então se apaixonou. “Foi uma paixão imediata. Antes mesmo de conhecer Minas, conheci o Rosa. Ele foi o escritor que mais me encantou na vida e passei a entender tão bem sua linguagem que, num determinado momento, passei a escrever de um jeito similar. Fazia letra de música com o jeito característico do Guimarães Rosa. Tenho várias composições com esse estilo rosiano. Até hoje é assim. O encanto por sua obra continua”, revela o compositor.
Desenredo (“Ê Minas, ê Minas, é hora de partir”) deu a Paulo César a Medalha da Inconfidência e obteve o segundo lugar em concurso popular que escolheu as músicas que melhor representavam o estado. “O povo elegeu Peixe vivo e aí não dava mesmo para concorrer (risos). Mas fiquei extremamente lisonjeado. Querendo ou não, é obra que tem a cara de Minas. Fiquei muito feliz”, recorda.
Dori Caymmi, que compôs ao lado de Paulo César aproximadamente 70 canções, também exalta o trabalho do artista e amigo. Aliás, o filho de Dorival está lançando Setenta anos, segundo disco com a parceria dos dois. “Paulinho começou tão cedo, aos 14 anos. Depois vieram os afrossambas com o Baden Powell e, a partir de então, ninguém segurou mais. Trata-se de um trabalho extraordinário e fascinante, tanto em termos de música quanto de letra. Agora ele faz letras para todos. Costumo dizer que se Dilma (Rousseff) pedir, ele faz uma letra para ela. Para mim, Paulinho é essencial. Descobri isso no disco anterior (Poesia musicada) que fizemos. A poesia dele me alimenta. Com ela eu faço a minha música”, resume Dori Caymmi. (Colaborou Ailton Magioli)
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