terça-feira, 25 de março de 2014

Pessoas com mais chances de se tornarem diabéticas devem ficar atenta

Vigilância antes mesmo do pré-diabetes 
 
Israelenses sugerem que pessoas com mais chances de se tornarem diabéticas, como obesas e hipertensas, verifiquem regularmente se estão chegando ao limiar da desordem metabólica. 
 
Bruna Sensêve
Estado de Minas: 25/03/2014


Se fosse possível prever condições de saúde crônicas em um estágio em que ainda pudessem ser revertidas ou mesmo prevenidas, essa seria, definitivamente, a opção de muitos pacientes. É o caso do pré-diabetes, uma condição preocupante que já apresenta sintomas em decorrência da desordem metabólica. A proposta de pesquisadores da Faculdade de Medicina Sackler, da Universidade de Tel Aviv, em Israel, é ainda mais ousada: descobrir o risco de ter o pré-diabetes. E a estratégia está baseada em um simples exame de sangue que não necessita nem mesmo de jejum prévio para a realização. As descobertas podem ajudar os médicos a fornecer tratamento e diagnóstico mais precoces na tentativa de frear a epidemia que, junto à obesidade, adoece milhões de pessoas por ano no mundo.

Em indivíduos saudáveis, a glicose jogada no sangue pela absorção de alimentos tem a entrada nas células garantida por um hormônio produzido no pâncreas, a insulina. A glicose será usada em inúmeros tecidos e órgãos para, principalmente, a produção de energia. Ao desenvolver o diabetes tipo 2, a pessoa se torna resistente à ação desse hormônio, e o açúcar passa a se acumular no sangue. Essa condição é irreversível e, muitas vezes, além do controle da alimentação, da prática de exercícios e de medicação, é preciso doses extras injetáveis de insulina para manter o organismo sob equilíbrio. Antes disso, no entanto, a grande maioria dos diabéticos desenvolveu o pré-diabetes, que anuncia a doença crônica e pode ser revertido sem medicação para a condição normal anterior.

Os resultados do estudo israelense conduzido por Lerner Nataly foram publicados no European Journal of General Practice. “Nosso estudo apoia a ideia de que o teste de A1c – usado hoje para diagnosticar o diabetes tipo 2 – também pode ser usado em um estágio inicial para rastrear a doença na população de alto risco, como pacientes com excesso de peso”, discorre o autor principal do trabalho. O teste de níveis de hemoglobina glicada (A1c) surgiu da necessidade de obter uma imagem dos níveis de glicose no sangue ao longo do tempo. Quando os níveis são altos, mais A1c é formado. Assim, o A1c serve como um biomarcador, indicando níveis médios de glicose no sangue ao longo de um período de dois a três meses, e tem sido muito utilizado para controlar o diabetes tipo 2.

Para avaliar a capacidade do teste de A1c para triagem de diabetes em pacientes de alto risco, os pesquisadores analisaram o histórico médico de 10.201 pessoas que receberam o teste na universidade entre 2002 e 2005. Eles descobriram que, em geral, 22,5% dos pacientes desenvolveram diabetes de cinco a oito anos. Pacientes com níveis de A1c próximos a 5,5% – abaixo do limite oficial para o diagnóstico de diabetes – foram significativamente mais propensos a desenvolver o diabetes do que aqueles com níveis abaixo de 5,5%. Cada 0,5% de aumento nos níveis de A1c duplica o risco de desenvolvimento da doença metabólica.

Chance de reversão Ainda existe uma dificuldade em caracterizar quando o diabetes começa ou qual nível de glicose no sangue é capaz de provocar problemas ao organismo. Nos estágios iniciais, a doença não causa sintomas e são necessários alguns anos para surgirem complicações. Até 50% desses pacientes vão evoluir da condição de pré-diabetes para a doença em si. Por esse motivo há a preocupação em criar o maior número possível de ferramentas capazes de identificar quem está em risco. O estágio de pré-diabetes é especialmente importante por ser a única etapa da doença que ainda pode ser revertida ou mesmo retardar a evolução para a doença crônica e suas complicações.

Hoje, o diagnóstico do diabetes é dado se o indivíduo apresenta dois testes de glicemia em jejum iguais ou acima de 126mg/dl ou se, duas horas após a ingestão de um concentrado de glicose, o nível glicêmico estiver superior a 200 mg/dl. Já o pré-diabetes é caracterizado se a glicemia em jejum fica entre 100 e 126mg/dl ou se, no teste de duas horas, ficar entre 140 e 200mg/dl. Obesos, hipertensos e pessoas com alterações nos lipídios são vistos como pacientes de alto risco.

Segundo a endocrinologista Rosane Kupfer, membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a pesquisa não traz uma novidade, mas é mais uma evidência científica do caminho a ser seguido. “Ter uma hemoglobina glicada no nível entre 5,5% e 6,4% comparado a quem tem menor que 4,5% traz uma chance de 2,5 a 7,5 vezes maior de evoluir para diabetes.” Ela explica que a hemoglobina glicada é um exame que traduz a média da glicemia dos últimos dois ou três meses. Seu uso é comum para avaliar o controle glicêmico durante o tratamento, mas, há cerca de três anos, passou a ser usado também para o diagnóstico.

Rosane avalia que a proposta dos pesquisadores israelenses de dosar a hemoglobina glicada em quem tem fatores de risco para desenvolver diabetes é viável, mas ainda distante da realidade brasileira. “Apesar de não ser um exame caro, nem todos os laboratórios têm a metodologia correta e são confiáveis para dosar a hemoglobina glicada, pois realizam apenas o exame de glicemia”, explica. Segundo ela, laboratórios teriam que ser reequipados. “O que não se divulga é que, para dosar a glicemia, também se requer certa estrutura. Apesar do frasco onde é colhido a glicose conter uma substância conservante, não se pode demorar a dosá-la para o resultado ser confiável”, complementa.

Sem jejum Outra vantagem da hemoglobina glicada apontada pela endocrinologista é não ser necessário o jejum, podendo ser colhida a qualquer horário. Uma desvantagem estaria na coexistência de outras doenças, como a anemia falciforme, que podem alterar o resultado. Esse distúrbio tem alta prevalência principalmente no Nordeste do Brasil. “Não há dúvidas de que estamos vivendo uma epidemia de obesidade e diabetes.”

De acordo com a International Diabetes Federation, entidade ligada à ONU, existem no mundo mais de 380 milhões de diabéticos, a maioria deles com a doença associada a condições como obesidade e sedentarismo. “Essa pesquisa israelense mostra que, depois da hemoglobina glicada, o peso foi o maior preditor de diabetes.” Kupfer reforça que, mesmo sem a dosagem da hemoglobina glicada, deveriam haver mais políticas públicas voltadas para reverter esse quadro. “Não estamos no estágio dos Estados Unidos, mas a obesidade infantil e de adolescentes já é um problema em nosso meio.”


Critérios internacionais

Nos últimos anos, a Associação Americana de Diabetes (ADA, em inglês) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) adicionaram o teste às suas diretrizes como um critério para o diagnóstico do diabetes tipo 2. De acordo com a ADA, ter um nível de A1c de 6,5% ou mais é um indicador da doença e, entre 5,7 e 6,4%, é um indicador de pré-diabetes.

Palavra de especialista
Hélio Magarinos Torres Filho,
patologista clínico 

Sondagem mais apurada
“Esse é realmente um ótimo teste para o diagnóstico de diabetes. A grande diferença é que a glicose reflete os níveis da ocasião em que o sangue foi colhido, e esse teste está relacionado aos níveis médios do açúcar no sangue dos últimos 45, 60 dias, pois é a ela que está ligada a molécula de hemoglobina. Essa molécula permanece na circulação e está vinculada à glicose de forma irreversível pelo tempo de vida da hemácia na circulação. A única limitação é em relação a certos estados em que o tempo de vida das hemácias pode estar alterado, como anemias e algumas formas de variações genéticas da hemoglobina. Mas essas condições podem ser detectadas na realização do exame. Há alguns anos, a Associação Americana de Diabetes e a Asssociação Americana de Clínica Química estipularam a utilização da dosagem de A1c tanto para o diagnóstico quanto para o acompanhamento e também como estabelecimento de risco. Este estudo é interessante porque estratifica melhor o risco por meio dos níveis de A1c.” 

segunda-feira, 24 de março de 2014

Entre a festa e a violência - Renato Janine Ribeiro

Valor Econômico - 24/03/2014

As esperanças frustradas dos protestos de 2013 desembocam nos rolezinhos e black blocs - festa e violência


Será por acaso que o ano começou com os rolezinhos de janeiro e prosseguiu com os black blocs em fevereiro? Antes do carnaval, reza uma frase mais espirituosa do que verdadeira, nada acontece no Brasil. Pois aconteceu, sim. Primeiro, a festa dos pobres entrando, em multidões, nos shopping centers, não envergonhados, mas orgulhosos de ocuparem esses templos do consumo, dos quais eram barrados por seguranças da mesma classe social que eles. E depois as manifestações violentas de minorias, provavelmente de classe média, contra "tudo o que está aí". Essa expressão nem foi usada, mas não precisava.

Minha tese é que o Brasil está reclamando, ainda que de maneira confusa, porque as exigências inéditas levadas às ruas de maio a julho de 2013 não foram atendidas, ou não deram os frutos esperados. Sim, não se melhora do dia para a noite o ônibus, o metrô, o trem de subúrbio, o hospital, a escola, a polícia. Mas as pessoas sequer sentem as mudanças começando. Tudo isso dá uma sensação de déjà vu, de repetição. Um ano atrás, era o pedreiro Amarildo, que sumia, hoje é Cláudia da Silva Ferreira, assassinada de maneira cruel. Leiam notícias sobre esses temas: não saberemos dizer quais são do ano passado, quais deste ano. Entre os políticos, o mesmo presidente do Senado que, em pleno período de protestos, usava a FAB para ir a um compromisso de prazer, agora utiliza um jatinho para implantar cabelos.

Seria injusto culpar um único ator político - tão injusto quanto culpar, indiscriminadamente, a todos - pelas promessas não cumpridas de 2013. Em São Paulo, o prefeito Fernando Haddad tentou aumentar o IPTU dos mais ricos, o mesmo que fez o democrata ACM Neto em Salvador, só que o paulistano foi barrado no seu intento pela Fiesp. Por isso, para melhorar o transporte público, a única medida importante que ele pôde adotar foram as faixas exclusivas para ônibus, que de fato reduzem o tempo de viagem de quem usa os coletivos. Mas seria preciso muito mais.

Políticos ignoram protestos de rua do ano passado

E aí está o problema. Em junho de 2013, a sociedade brasileira passou por um minicurso intensivo de politização dos problemas do cotidiano, que eu e vários analistas comparamos ao maio de 1968 francês. O Brasil tem uma sociedade despolitizada, o que se expressa sobretudo pela constante redução dos problemas políticos a questões morais - como se ser ético fosse "a" qualidade de um homem público, quando não é mais do que sua obrigação. Ser ético é necessário, não é suficiente. Mas nosso debate público foi e é pobre - facilmente descamba para o insulto, a gritaria. E no entanto vivemos um inverno de descontentamento, sim, mas de muita esperança. Foi bonito.
Só que, quando os frutos não vêm, o Brasil retorna a seu funcionamento padrão, ao modo de segurança, como um computador que falha na inicialização e fica na operação básica. Estou cada vez mais convencido de que nosso país oscila entre dois polos do consumo - a festa e a violência. Os rolezinhos são a festa, os black blocs, a violência.

No consumo, literalmente consumimos o objeto, e isso vale tanto para o prazer quanto para o ódio. Consumimos comida, bebida, sexo. Uns consomem pessoas - são os violentos, predadores ou criminosos. O consumo exige sempre mais. Lembro o professor Antonio Candido, anos atrás, comparando já não lembro o quê àqueles dragões de história em quadrinhos, vorazes, que precisam comer toneladas de pão de ló... Pois o consumo é assim: nada o satisfaz, nada dura muito tempo. Por mais que a gente coma, daí a umas horas deseja ou precisa de mais. Idem com o predador. Ele necessita sempre de novas presas. O problema é que o consumo não basta para construir. Ele é fundamental na economia, mas precisa de seu irmão inimigo, a poupança, e também da produção. Na vida social, se não houver educação, o consumo se torna cada vez mais predatório, destrói a natureza, até as relações humanas.

Mas é claro que uma coisa é a festa, a alegria, outra a violência. O que me faz aproximá-las é que ambas, no Brasil, passam ao largo da política. E além disso, este ano, parece que elas vão convergir na Copa do Mundo. Esta era para ser a grande festa nacional. O Brasil é o país do mundo que mais se identifica com o futebol. Seleções europeias podem derrotar a nossa, mas sentimos um misto de obrigação e direito, a cada quatro anos, de disputar, não uma classificação honrosa, mas a vitória. Somos o único país que esteve em todas as Copas, o primeiro a levar a Taça Jules Rimet para sua posse definitiva e, mesmo assim, até hoje sediamos apenas um evento, menos do que o México. Um ano atrás, passaria por louco quem dissesse que a Copa não seria uma enorme festa. Hoje, pode vir a ser o palco de muita violência - neste vaivém constante entre ela e a alegria.
Jorge Amado, jovem, escreveu o romance "O país do futebol". O título era depreciativo. Os protestos atuais contra a Copa podem ser entendidos assim: cansamos de ser o país do futebol. O circo não vai mais preencher a falta de pão. A exigência de padrão Fifa para escolas e hospitais é corretíssima. Mas não endosso a violência nem a sabotagem de um compromisso assumido pelo Brasil. Em outras palavras, me recuso a apoiar a violência contra a festa. Posso, porém, ver a violência nas manifestações deste ano como um sintoma importante: a paciência está acabando. É um risco bastante elevado ignorar essa advertência e continuar o "business" político "as usual". O que me choca mais é a relativa indiferença de tantos políticos a esse esgotamento das expectativas. Enxergam a advertência escrita na parede e nada veem.


Renato Janine Ribeiro é professor titular de ética e filosofia política na Universidade de São Paulo. 
E-mail: rjanine@usp.br


TeVê

TV paga

Estado de Minas: 24/03/2014


 (TV5MONDE/DIVULGAÇÃO)

BELO PATRIMÔNIO


A superprodução Raízes e asas traz reportagens e entrevistas que contam a história de um país, de um período ou de personagens emblemáticos da humanidade. No primeiro episódio, que tal conhecer duas estradas lendárias: a Rota Jacques Coeur e a Rodovia Nationale 7? A Coeur é o primeiro caminho turístico francês, criado com o objetivo de valorizar o patrimônio da região do Berry, província histórica da França monárquica. Primeira etapa da viagem: Bourges e o excepcional palácio de Jacques Coeur (foto), edificação gótica do século 15 construída durante o reinado de Carlos VII. Já a Nationale 7 está entre as mais longas estradas nacionais francesas, com 996 quilômetros. A atração vai ao ar às 20h40, no TV5 Monde.

PREPARADORA DE
ELENCO NO ESPELHO


Fátima Toledo, a preparadora de elenco mais famosa do Brasil, é a convidada de hoje do ator e apresentador Lázaro Ramos no programa Espelho. Os longas-metragens Cidade de Deus, Tropa de elite e Cidade Baixa são apenas alguns dos sucessos do currículo de Fátima, que reúne mais de 40 produções. No episódio que vai ao ar às 21h30, no Canal Brasil, ela explica seu método de trabalho.

YAMANDU É ATRAÇÃO
DO CANAL BRASIL


Também no Canal Brasil, o músico, arranjador e produtor Zé Nogueira abre as portas do Estúdio 66 para um dos mais respeitados violonistas do mundo: Yamandu Costa. A dupla interpreta Oblivion (Astor Piazzolla), Conversa de botequim (Noel Rosa) e Peguei a reta (Porfírio Costa). O programa, que chegou à oitava temporada, será exibido às 18h45.

TLC: O INFERNO COM
GORDON RAMSAY


Mais uma temporada do reality gastronômico Hells’s kitchen vai começar. O chef escocês Gordon Ramsay se apresenta para os 16 novos competidores. Ele divide as equipes em homens versus mulheres e pede que todos preparem pratos-assinatura. Vários chefs impressionaram Ramsay, alguns passaram em branco e outros o deixaram chocado. A partir das 19h50, no TLC Brasil.

SÉRIE COMPROVA: COMER
É O MELHOR REMÉDIO


Eczema, epilepsia, acne e déficit de atenção estão entre os casos cujo tratamento pouco convencional é registrado na série Comer é o melhor remédio (Food hospital), no Discovery Home & Health, às 20h40. Os médicos Lucy Jones, Gio Miletto e Shaw Somers desvendam métodos pioneiros, indicados para curar e amenizar sintomas desses problemas. Em vez de medicamentos, o trio receita alimentos.

SONY EXIBE EPISÓDIO
INÉDITO DE SCANDAL


Scandal vai ao ar hoje, às 22h, no Canal Sony. Na terceira temporada da série produzida pela ABC, Olivia Pope (Kerry Washington), respeitada consultora de mídia que trabalhou com o presidente dos Estados Unidos, vai enfrentar conflitos que não se resumem às articulações políticas. Vêm à tona problemas relacionados à intimidade e ao profissionalismo de sua equipe.



CARAS & BOCAS » Gravidez psicológica
Simone Castro

Priscila (Laila Zaid) descobre que não espera neném (João Cotta/TV Globo)
Priscila (Laila Zaid) descobre que não espera neném

No capítulo de hoje de Além do horizonte (Globo), Priscila (Laila Zaid) descobre que não espera um filho de Marcelo (Igor Angelkorte). A gravidez era psicológica. Ao perceber o atraso da menstruação, ela fez um teste de farmácia, que dá positivo. Desesperada e temendo a reação do namorado, a jovem não se preocupou em confirmar a gravidez com o exame de sangue. Surpreso a princípio, o rapaz acabou curtindo a novidade. Ele atendeu aos desejos mais malucos da “futura mamãe”, como comer biscoitinhos de filhotes de cachorro. O casal se decepciona ao constatar o rebate falso. Inês (Maria Luísa Mendonça), mãe do advogado, vai ficar eufórica ao descobrir que não será avó. Mas ela que se prepare: passado o choque, Marcelo proporá a Priscila encomendar um bebê. E ela, claro, vai adorar a ideia.

CLIMA QUENTE NOS
BASTIDORES GLOBAIS


O ator Gabriel Braga Nunes estaria criando estresse nos bastidores de Em família. Comenta-se que há problemas entre ele e as atrizes Helena Ranaldi (Verônica) e Ana Beatriz Nogueira (Selma), intérpretes das mulheres com quem seu personagem, Laerte, mais se relaciona. O ator teria se estranhado também com Humberto Martins, que faz o papel de Virgílio, rival de Laerte. Humberto negou. “Gabriel não tem nada de grosseiro”, afirmou ele, segundo o site Purepeople. Gabriel tem fama de mal-humorado. Recentemente, na coletiva de lançamento do filme Alemão, no Rio de Janeiro, ele mal respondeu a perguntas dos jornalistas. Chegou atrasado e de cara fechada.

MOVIMENTO CONTRA A
VIOLÊNCIA VIRA DEBATE


Um grupo de mulheres se reuniu em Belo Horizonte para criar o movimento Mães Mudando o Brasil. Algumas perderam filhos, vítimas da violência. Outras não dão conta de conviver com o medo que se alastra nas metrópoles. Assassinatos, assaltos e agressões viraram rotina. Ninguém aguenta mais. Há luz no fim do túnel? A violência tem solução? A fundadora do movimento, Elaine Barra, participa do Brasil das Gerais de hoje, às 20h, na Rede Minas.

COMPANHIA DE TEATRO
É DESTAQUE NO AGENDA


A Cia. Dupla de Teatro, com seu espetáculo Sombras – Toda vaca tem nome próprio, é a atração do Agenda de hoje, às 19h30, na Rede Minas. O diretor Marcelo do Vale fala sobre a pesquisa realizada para a peça, que fica em cartaz na Sala Juvenal Dias até domingo.

RETRATO DAS PRISÕES
NO BRASIL EM SÉRIE


Presídios superlotados, violência e falta de perspectivas de ressocialização para os detentos são alguns dos problemas do sistema carcerário brasileiro que vieram à tona no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, no Maranhão, onde mais de 60 presos foram assassinados desde o ano passado. Por outro lado, ataques à população são ordenados por facções criminosas de dentro da cadeia. O caos do sistema penitenciário, que está longe de ser problema exclusivo do Maranhão, é tema do Repórter Brasil, que estreia hoje, às 21h, na TV Brasil. Confira a série de reportagens Prisões brasileiras: um retrato sem retoques.

ASTRO RECLAMA

Russell Crowe criticou o caótico trânsito que encontrou no Rio de Janeiro. “Sempre tento andar de bike em todos os lugares onde vou. Aqui, as pessoas se comunicam muito mais umas com as outras. Parece ter uma surpresa a cada esquina. Preciso muito voltar!”, elogiou o ator, durante o lançamento do longa-metragem Noé no Brasil. Logo depois, disparou: “Estou torcendo muito pela Copa, vocês jogando em casa, muito entusiasmados. Mas eu melhoraria essa m... de trânsito, antes de tudo. É horroroso! Estou falando de coração, como amigo”, declarou o australiano. Crowe falou também sobre seu encontro com o papa Francisco, no Vaticano, e torce para que o pontífice assista a Noé, inspirado na saga do personagem bíblico. “Foi uma das experiências mais extraordinárias que tive”, revelou.

VIVA
O humorista Canarinho, que partiu recentemente, vai deixar saudades. Com seu humor simples e certeiro, ele fará falta em A praça é nossa

VAIA
Ainda repercute o “Melhores do ano” do Domingão do Faustão. Por que Carmo Dalla Vecchia não foi indicado pelo Manfred, de Joia rara?

SEMPRE UM PAPO » Decadência e glória[ Sérgio Rodrigues] - Carlos Herculano Lopes

SEMPRE UM PAPO » Decadência e glória
Carlos Herculano Lopes
Estado de Minas: 24/03/2014
O jornalista mineiro Sérgio Rodrigues faz romance com os gols de craques dos anos 1960 (Bel Pedrosa/divulgação)
O jornalista mineiro Sérgio Rodrigues faz romance com os gols de craques dos anos 1960

No livro de ensaios O espelho enterrado, o mexicano Carlos Fuentes (1928-2012) defende a tese de que tourada e futebol, por despertarem intensas paixões coletivas, costumam não render bons livros de ficção. Pelo menos no Brasil, o argumento de Fuentes perdeu a força com o lançamento de O drible, que o jornalista e escritor Sérgio Rodrigues autografa hoje à noite, em Belo Horizonte.

Com muitos elogios da crítica, o romance traz a história do oitentão Murilo Filho, cronista esportivo dos “bons tempos” do futebol brasileiro, lá pelos idos dos anos 1960. Sofrendo de grave doença e desenganado pelos médicos, ele tenta se reaproximar do neto, revisor de livros de autoajuda. Os dois costumam se encontrar aos domingos, quando o avô conta histórias do futebol ao rapaz.

Mineiro de Muriaé e radicado no Rio de Janeiro, Sérgio Rodrigues explica que, de certa forma, esse é o livro de sua vida. Entre idas e vindas, além de outros títulos lançados, ele passou cerca de 20 anos para concluir O drible.

“Na realidade, a história nasceu do conto ‘Peralvo’, que seria publicado no meu primeiro livro dedicado a esse gênero, O homem que matou o escritor, lançado pela Objetiva em 2000. No último momento, resolvi tirá-lo, pois achava que poderia render uma história maior, o que acabou ocorrendo”, conta Rodrigues. “Foi também minha intenção fazer uma viagem pela história do futebol brasileiro, sobretudo na década de 1960. O personagem Peralvo, que chegou a jogar contra Pelé, tinha poderes sobrenaturais”, revela o autor.

Repórter esportivo durante muitos anos, Sérgio Rodrigues publicou sete livros – entre eles o romance Elza, a garota (Nova Fronteira). Ele mantém o blog literário Todoprosa (todoprosa.com.br).

O DRIBLE
. De Sérgio Rodrigues
. Companhia das Letras, 222 páginas, R$ 38
• Hoje, às 19h30, bate-papo com o autor, na Sala Juvenal Dias (Avenida Afonso Pena, 1537, Centro).  Entrada franca.    Informações: (31) 3261-1501


TRECHO

“Nunca duvidei que, caso a vida seguisse seu curso normal, Peralvo teria sido maior que Pelé. Continuo a não duvidar. Isso significa dizer que ele foi mesmo, e é, como potência, maior que Pelé. Significa também que o fim prematuro da sua carreira não representou só mais uma promessa não cumprida entre tantas que adubam o solo do Brasil, mais um feto abortado que se possa lançar no livro-caixa da cultura como valor negativo e esquecer. Não vai ser tão fácil. Um evento dessa magnitude impacta mundos, como uma estrela que morre”
O drible, de Sérgio Rodrigues