quarta-feira, 2 de abril de 2014

Operação na artéria do rim mostra resultados no controle da hipertensão

Hipertensão severa sob controle
 
Denervação renal com cateter, que tem o objetivo de bloquear estímulos do sistema nervoso simpático sobre o rim para controlar a pressão arterial, tem resultados positivos. Mas estudo divulgado recentemente põe em xeque o procedimento


Paula Takahashi
Estado de Minas: 02/04/2014



Silenciosa e com consequências profundas para o organismo, a hipertensão acomete mais de 30 milhões de brasileiros, número que pode superar os 40 milhões se considerados aqueles que têm a enfermidade, mas não sabem disso. Desses, entre 10% e 15% se enquadram na forma mais grave da doença, a chamada hipertensão severa. "São casos em que a pessoa precisa tomar três ou mais medicamentos", explica Marcus Bolivar Malachias, coordenador da campanha Eu sou 12 por 8, da Sociedade Brasileira de Cardiologia, e professor da Faculdade de Ciências Médicas de Belo Horizonte. Mesmo com a associação de diferentes fármacos, inclusive diuréticos, a pressão ainda permanece em patamares elevados, o que coloca em risco o bem-estar e a saúde do paciente.



Lourdes precisa tomar cinco medicamentos diariamente para manter a pressão sob controle (Euler Júnior/EM/D.A Press)
Lourdes precisa tomar cinco medicamentos diariamente para manter a pressão sob controle

Desde 2011, a indústria de equipamentos médicos e a comunidade científica mundial se debruçam sobre um novo tratamento que promete trazer alívio para a parcela da população mais penalizada pela hipertensão. A denervação renal com cateter dedicado (veja procedimento completo no quadro ao lado), é um procedimento minimamente invasivo que tem como meta bloquear os estímulos do sistema nervoso simpático sobre o rim, um dos responsáveis pela regulação dos níveis de pressão arterial.

De forma equivocada, o cérebro avalia que a pressão está baixa e manda comandos para que o rim comece a atuar. "Um dos mecanismos utilizados pelo órgão para aumentar a pressão é a retenção de sal e água. Outro seria a produção de uma substância que causa vaso constrição, ou seja, o estreitamento das artérias", explica Alexandre do Canto Zago, médico cardiologista do Hospital Mãe de Deus e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O erro de comunicação justifica a alta descontrolada dos índices pressóricos.

Interromper essa troca de informações é, portanto, o principal objetivo da denervação renal, tratamento já realizado no Brasil desde novembro, quando a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou a comercialização do cateter no país. A maior parte dos procedimentos realizados por hospitais detentores de tecnologia de ponta ainda ocorre em protocolo de pesquisa. No Hospital Mãe de Deus, no Rio Grande do Sul, porém, a denervação renal já faz parte da rotina clínica. "Fizemos três procedimentos, todos com resultados positivos", afirma Zago, coordenador da equipe responsável.

MODESTA, MAS DECISIVA Em um homem de 71 anos, houve redução de 20mm/Hg na pressão sistólica e 10mm/Hg na diastólica, o equivalente a sair de 17/11 para 15/10. "Os resultados são compatíveis com os estudos. Os números podem parecer baixos, mas, no longo prazo, cifras dessa ordem podem ter efeitos sobre órgãos alvo, como coração e rins", observa Zago. Ao contrário do que se espera, a denervação renal não vai eliminar a necessidade de uso dos medicamentos, mas promete melhorar a qualidade de vida do paciente. "Conseguimos reduzir a quantidade desses remédios, principalmente aqueles com efeitos colaterais que não são tolerados", observa o cardiologista do Rio Grande do Sul. Segundo Luiz Bortolotto, membro da Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH) e diretor da unidade de hipertensão do Instituto do Coração (Incor), a média de sete remédios consumidos antes da intervenção pode cair para quatro.

O primeiro estudo realizado para comprovação da eficácia da denervação renal ocorreu em 2011 e revelou redução de cerca de 30mm/Hg da pressão sistólica e de 12mm/Hg a 15mm/Hg da diastólica. A grande surpresa para a comunidade médica mundial foi divulgada em janeiro, quando uma nova pesquisa colocou em cheque os reais benefícios do procedimento. "Surpreendentemente, não houve diferença entre os resultados dos dois grupos estudados, um que realmente fez a denervação e outro que fez uma intervenção com caráter de placebo", explica o cardiologista Marcus Bolivar Malachias. O detalhamento completo da pesquisa ainda não foi publicado e, por isso, há grande apreensão no meio sobre as circunstâncias que justificam o resultado.

A expectativa agora gira em torno dos próximos estudos, previstos para serem divulgados nos congressos internacionais ao longo do ano. "Apesar do desânimo da última pesquisa, estamos com expectativa de que os novos estudos venham mostrar resultados importantes. Ainda há otimismo", garante Malachias. A principal dúvida a ser respondida é qual tipo de cateter alcançará maior eficácia. "Pode ser que o mecanismo de radiofrequência não seja o melhor. Já há possibilidades com ultrassom", antecipa o especialista.

NORMATIZAÇÃO Para Luiz Bortolotto, também é crítica a necessidade de estabelecer um protocolo exato de aplicação clínica do procedimento para que não seja realizado sem necessidade. "É preciso reforçar que os casos devem ser muito bem selecionados e deixar claro qual será o paciente realmente beneficiado", pondera. Isso porque, diante da novidade da intervenção e das dúvidas que ainda pairam sobre sua eficácia, não há previsão de quando será coberta pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Nos planos de saúde, tratamentos como esses podem demorar até dois anos para entrar no rol de cobertura. "Quando há um estudo não favorável, como o publicado recentemente, dificulta -se ainda mais esse processo. A eficácia deve ser incontestável", pondera o cardiologista Alexandre do Canto Zago.

Enquanto o paciente não tem qualquer amparo público ou privado para arcar com o tratamento, o custo gira em torno de R$ 25 mil, dos quais R$ 20 mil apenas para a aquisição do cateter.

A doméstica Lourdes Ferreira, de 47 anos, trata da hipertensão há 14 anos e é uma entre os milhares de brasileiros que poderiam se beneficiar do tratamento, no caso de ser incorporado à cobertura médica. "Tomo cinco medicamentos e minha pressão ainda fica em torno de 14 por 8 quando estou tranquila", conta. Episódios críticos em que a pressão sistólica passa de 15 obrigam-na a recorrer ao atendimento hospitalar e não são evitados pelos vários fármacos. "Sinto muita dor de cabeça e mal-estar. Quando a pressão sobe muito, ainda tenho náuseas", descreve.

indícios de benefícios

Há indícios de que a denervação renal também traga efeitos positivos na redução dos índices glicêmicos e de colesterol. "Poderia melhorar a insuficiência cardíaca, arritmias e até tendência de melhora metabólica, como a redução do nível de glicose", afirma o cardiologista Marcus Bolivar Malachias. Pesquisas dedicadas a comprovar os demais benefícios do procedimento começam a ser realizadas nos principais centros hospitalares do país. 

Mais apoio à assistência às grávidas‏ -

Mais apoio à assistência às grávidas 
 
Maria Inês de Miranda Lima
Presidente da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (Sogimig)
Estado de Minas: 02/04/2014


Cerca de 40 milhões de mulheres no mundo não receberam nenhum tipo de assistência profissional ao dar à luz, conforme dados de 2012 da fundação internacional Save The Children. A maioria delas é pobre, faz parte de minorias étnicas, tem poucos anos de estudo ou vive em áreas rurais, sendo grande parte localizada no continente africano. O relatório ainda aponta que a presença de um profissional de saúde no momento do parto poderia ter evitado a morte de 950 mil bebês por ano. A Save The Children estima que faltam cerca de 7,2 milhões de profissionais de saúde para suprirem o atendimento a gestantes e recém-nascidos no mundo. Além de garantir os cuidados necessários, durante e após o nascimento, os profissionais são essenciais para cerca de 10% de casos em que os recém-nascidos precisam de ajuda apenas para respirar.

O Brasil está na 4ª posição, entre os 75 países analisados no relatório, com 98,9% dos partos assistidos por um profissional. É o melhor índice entre os seis países da América Latina e do Caribe, analisados pelo estudo, revelando que o governo está ampliando sua oferta de atendimento a grávidas, mesmo em locais de difícil acesso.

O cenário também é positivo em Minas, uma vez que dados do Ministério da Saúde revelam uma redução na Razão de Mortalidade Materna (RMM), sendo que, em 2011, foram 32,09 óbitos para cada grupo de 100 mil nascidos vivos, número 29% menor que os 44,69 para cada 100 mil nascidos vivos, apurados em 2010. Os índices demonstram que as ações desenvolvidas para a promoção da saúde da mulher e da criança estão atingindo respostas positivas. Entretanto, ainda assim, é preciso reduzir os números da mortalidade materna com mais e novas ações e estratégias.

Recentemente, a Secretaria Estadual de Saúde lançou o Programa de Qualificação da Assistência Perinatal, em parceria com a Fundação Educacional Lucas Machado, a Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais e a Sociedade Mineira de Pediatria, entre outras entidades ligadas à saúde da mulher. O projeto é uma ação da Rede Viva Vida/Mães de Minas para garantir maior atenção e acompanhamento, melhorando e qualificando o acolhimento no serviço público. O programa capacitará e treinará mais de 6 mil profissionais da saúde, como médicos, gestores, enfermeiros e técnicos de enfermagem, visando aprimorar, cada vez mais, as condições de atendimento.

Os cursos e a capacitação serão focados nas doenças e morbidades que mais matam em Minas, como enfermidades hipertensivas, infecções e hemorragias. A prematuridade, más-formações, infecções e asfixia são os grandes causadores de óbitos no período neonatal, que poderiam ser evitados com uma prevenção e abordagem interdisciplinar no pré-natal, parto, puerpério e período neonatal.

As ações, como as do Programa de Assistência, reforçam a atenção e o cuidado que governo, entidades públicas, universidades e sociedade devem ter com a saúde das mães, e estimulam a contínua manutenção de parcerias público-privadas para a qualificação dos profissionais ligados à ginecologia e obstetrícia.

Reinserção da pessoa presa‏

Reinserção da pessoa presa
Reincidência de crimes pode ser reduzida com oferta de emprego
Zé Silva
Secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento

Mônica Coelho
Ouvidora-geral adjunta do Estado de Minas Gerais
Estado de Minas: 02/04/2014


As parcerias podem mitigar grandes entraves nas políticas públicas. No sistema prisional, elas podem ser utilizadas para a criação de empregos, visando evitar a reincidência de crimes. Acreditando nessa premissa e no poder transformador que advém da união de esforços, a Ouvidoria-Geral do Estado de Minas Gerais (OGE), por meio da Ouvidoria do Sistema Penitenciário, tem se empenhado em articular parcerias que transformem a realidade das unidades prisionais, tendo como foco a capacitação da pessoa presa, com o objetivo de oferecimento de mão de obra especializada ao mercado de trabalho. As oportunidades de trabalho e estudo oferecidas à população carcerária é um dos fatores que mais contribuem para o sucesso da reinserção dos presos na sociedade. Estudos comprovam que a reincidência de crimes pode ser drasticamente reduzida ao se investir na qualificação técnica das pessoas privadas de liberdade. Entre os que trabalham e estudam, segundo especialistas, a taxa de reincidência cai, em média, de 70% para 20%.

A cooperação entre órgãos do governo, entidades da sociedade civil e empresarial vai ao encontro do princípio da dignidade da pessoa humana no âmbito da execução penal, uma vez que possibilita o engajamento dos envolvidos nas atividades de execução da pena. Vale lembrar os benefícios que advêm dessa cooperação: os presos são capacitados e ganham uma profissão e, como trabalham dentro da unidade prisional, existe uma redução significativa de custos para os empresários – não há despesas com aluguel, IPTU, luz, água e com os encargos trabalhistas. Para concretizar esse objetivo, ante a função precípua e as competências legais da OGE, que é o canal de comunicação entre cidadão e governo, mobilizamos as secretarias estaduais de Agricultura, Pecuária e Abastecimento; de Defesa Social; de Desenvolvimento Econômico; de Desenvolvimento Social, por meio da Subsecretaria do Trabalho e Emprego, além das empresas de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater), e de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig). Celebraremos termos de cooperação técnica, com metas e prazos definidos para viabilizar os planos de trabalho e com o objetivo de profissionalizar e ressocializar os presos do Sistema Prisional, por meio da captação de empresas para oferecer vagas de trabalho. Essa medida também tem o condão de solucionar o problema da escassez de mão de obra existente em segmentos da indústria e do comércio. A importância do fomento a novas parcerias encontra respaldo no atual quadro de ociosidade existente na população carcerária.

Mudar essa realidade exige esforço e coragem para reconhecer que os atuais arcabouços legal, burocrático, de infraestrutura e logística devem ser reconsiderados. Com as parcerias, a atração de novos investidores deve passar por esferas referentes aos aspectos contratuais; de infraestrutura das unidades prisionais e disponibilidade de servidores; e de divulgação dos benefícios das parcerias em unidades prisionais para empresas. Acreditamos que os empresários mineiros irão se sensibilizar para oferecer novas vagas de emprego. As parcerias nas unidades prisionais e a inclusão de seus presos ao mercado de trabalho representam um elo entre a oportunidade de sanarmos o déficit de mão de obra qualificada e a necessidade social.

GOLPE DE 64 » Forças Armadas vão investigar tortura‏

GOLPE DE 64 » Forças Armadas vão investigar tortura
 
Sete instalações do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, apontadas pela Comissão da Verdade como locais onde foram violados os direitos humanos na ditadura, vão ser alvo de sindicância


Daniel Camargos
Estado de Minas: 02/04/2014


Quartel do 12º RI em Belo Horizonte. De acordo com o dossiê Brasil Nunca Mais, 74 pessoas foram torturadas no local durante o regime militar     (Marcos Michelin/EM/D.A PRESS)
Quartel do 12º RI em Belo Horizonte. De acordo com o dossiê Brasil Nunca Mais, 74 pessoas foram torturadas no local durante o regime militar
Pressionadas pela Comissão Nacional da Verdade (CNV), as Forças Armadas instauraram comissões de sindicância para investigar o uso das instalações militares para a prática de violações de direitos humanos, como tortura e assassinatos de presos políticos durante a ditadura militar (1964-1985). Serão apuradas as violações em sete unidades, sendo uma delas o Quartel do antigo 12º Regimento de Infantaria do Exército (12º RI), no Barro Preto, em Belo Horizonte, hoje 12º Batalhão de Infantaria. A investigação foi requisitada pela CNV no dia 18 de fevereiro. A resposta veio ontem – data do aniversário de 50 anos do golpe –, em um telefonema do ministro da Defesa, Celso Amorim, para o coordenador da comissão, Pedro Dallari.

A CNV também recebeu um ofício do ministro com as respostas enviadas ao ministério pelos comandantes da Marinha, Exército e Aeronáutica, em que os militares informam quais serão as providências tomadas. “Em atenção ao requerido, considerando a importância e urgência que o assunto requer, informo a V. Exa que este comando determinou a abertura da respectiva sindicância”, escreveu o comandante do Exército, general Enzo Martins Peri.

O quartel do 12º RI é apontado no dossiê Brasil Nunca Mais, elaborado em 1985, como palco de tortura de 74 pessoas. Dois torturadores denunciados por dezenas de vítimas davam expediente no quartel. Um deles, Octávio de Aguiar Medeiros, depois de barbarizar nos porões chegou a ser chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI) e postulou uma candidatura a presidente. Medeiros, como ficou conhecido pelas vítimas, foi o responsável pelo inquérito do Comando de Libertação Nacional (Colina), um dos grupos em que a presidente Dilma Rousseff (PT) militou. O outro torturador é o capitão Hilton Paulo Cunha Portella, que veio do Rio de Janeiro e atou no 12ºRI em 1969 e 1970. Era conhecido pelo codinome de Doutor Joaquim e pelo menos 18 vítimas apontam que ele atuava com requintes de crueldade e sadismo.

A assistente social Gilse Cosenza lembra que quando foi presa, em 17 de junho de 1969, foi levada debaixo de uma série de bofetões para o 12º RI. Gilse militava na Ação Popular e quando chegou ao local se deparou com uma sala repleta de militantes. “Lembro de militares com armas apontadas para nós e as cadeiras cheias de gente que eu conhecia”, recorda Gilse. A militante não foi torturada nas dependências do 12ºRI, mas foi brutalmente agredida em um lugar ermo, que ela não sabe precisar. “Era um posto policial na beira de uma estrada”, recorda Gilse.

Um estudo, ainda em andamento, coordenado pela professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e assessora da CNV Heloísa Starling, confirma a existência, até agora, de 36 locais de tortura – incluindo áreas militares, delegacias e casas – em sete estados brasileiros. No entanto, outra pesquisa, feita pelo historiador Rubim Aquino, já falecido, e lançada em 2010, aponta 212 endereços onde os presos políticos sofreram todo tipo de violência.

A partir dos depoimentos dos presos foram listados ainda 6.016 tipos de tortura de toda a sorte, incluindo violência física e sexual, uso de aparelhos elétricos e mecânicos e até animais, como ratos, baratas, cobras e cachorros, com a intenção de obter informações e confissões dos detidos. Os anos 1969 e 1970 foram o auge da violência contra presos políticos. Nesse período, durante o governo do general Emílio Garrastazu Médici, foram colhidas 2.233 denúncias de sevícias de todos os tipos. A maioria das vítimas eram homens entre 22 e 35 anos.

Gesto Para o coordenador da CNV, Pedro Dallari, a resposta das forças armadas "é um gesto muito importante, que pode representar um grande avanço para a apuração das graves violações de direitos humanos ocorridas durante o regime militar". No requerimento, a CNV ressalta que é "imperioso o esclarecimento de todas as circunstâncias administrativas que conduziram ao desvirtuamento do fim público estabelecido para aquelas instalações”. Para Gilse Cosenza, a elucidação das torturas e dos torturadores é essencial. “Continuamos reivindicando, pois a democracia não pode ser construída com segurança se não desvendarmos o que foi a tortura. É fundamental para que a sociedade possa definir isso como algo que não pode ser aceito nunca mais”, acredita ela.

Após ser acionado pela CNV, o Ministério da Defesa encaminhou o requerimento às três Forças. O Exército informou em 25 de março ter aberto a sindicância e, na véspera, já havia comunicado que buscará as informações disponíveis sobre o tema nos "órgãos de direção setorial" e junto aos comandos militares de área e que conduzirá as diligências necessárias solicitadas pela CNV. A Marinha e a Aeronáutica responderam ao requerimento ontem. O comandante da Aeronáutica, Brigadeiro Juniti Saito, designou por portaria o major-brigadeiro do ar Raul Botelho, comandante do Terceiro Comando Aéreo Regional (III Comar, Rio de Janeiro), como o encarregado da sindicância.

UNIDADES DO XÉRCITO QUE SERÃO INVESTIGADAS
  
Em Belo Horizonte
» Quartel do 12º Regimento de Infantaria do Exército - hoje 12º BI

No Rio de Janeiro
» Destacamento de Operações de Informações do I Exército (DOI/I Ex)
» 1ª Companhia de Polícia do Exército da Vila Militar
» Base Naval da Ilha das Flores
» Base Aérea do Galeão
  
Em São Paulo
» Destacamento de Operações de Informações do II Exército (DOI/II Ex)
  
No Recife
» Destacamento de Operações de Informações do IV Exército (DOI/IV Ex)