terça-feira, 8 de abril de 2014

ADEUS » Despedida do eterno garoto‏

ADEUS » Despedida do eterno garoto


Estado de Minas: 08/04/2014


O ator Mickey Rooney tinha 93 anos e foi casado oito vezes       (Gus Ruelas/Reuters)
O ator Mickey Rooney tinha 93 anos e foi casado oito vezes


Ele dançou com Judy Garland, casou-se com Ava Gardner e participou de mais de 250 filmes. O ator norte-americano Mickey Rooney morreu no domingo, aos 93 anos, e permanecerá para sempre como um dos principais astros mirins de Hollywood. “É com tristeza que informo que meu pai faleceu hoje”, escreveu o coreógrafo Michael Rooney no Twitter.

Ele gostava de dizer “somos os dois Mickeys mais famosos do mundo” sobre o rato que é símbolo da Disney. Também afirmava que Walt Disney deu o nome ao personagem em sua homenagem. Baixinho – tinha apenas 1,57m –, ruivo, com o rosto redondo e sempre sorridente, Mickey Rooney nasceu no Brooklyn, Nova York, em 23 de setembro de 1920, com o nome de Joseph Yule.

Em 1926, estreou no cinema mudo e um ano depois se tornou uma estrela com um personagem que ficou muito popular: Mickey McGuire, cujo nome acabou por adotar. Mas foi com os filmes nos quais interpretou Andy Hardy (foram 14 produções entre 1937 e 1944) que virou ídolo nos Estados Unidos.

Depois de conhecer Judy Garland em um curso de interpretação, dividiu as telas com a popular estrela em vários filmes de sucesso, incluindo a série de Andy Hardy. Também teve papéis memoráveis como Puck em Sonho de uma noite de verão (1935) e em A mocidade é assim mesmo (1944), com Elizabeth Taylor. Rooney foi indicado ao Oscar quatro vezes, mas suas únicas estatuetas foram honoríficas. Em 1939, a Academia de Hollywood lhe concedeu um prêmio por sua contribuição como ator juvenil e, em 1983, recebeu um segundo prêmio, em reconhecimento a seus 50 anos de carreira.

Depois de ter sido o campeão de bilheteria entre 1939 e 1941, Rooney teve dificuldades de retomar a carreira ao retornar a Holywood após ser enviado à Segunda Guerra Mundial. Ele se reinventou com papéis pequenos e chegou a ter um programa de televisão, The Mickey Rooney show, em 1954.

Na década de 1960, fez apresentações em boates e no circuito teatral, ao mesmo tempo em que interpretava papéis de coadjuvante nos filmes Bonequinha de luxo (1961) e Deu a louca no mundo (1963). Nos anos 1980 e 1990, participou das séries de televisão The love boat (1982), Murder, she wrote (1993) e ER – Plantão médico (1998), e nos filmes como Babe: O porquinho atrapalhado na cidade (1998). Recentemente, participou da comédia Uma noite no museu, ao lado de Ben Stiller.

Casamento
Rooney se casou oito vezes. “Tive azar no casamento”, disse em entrevista de 2003, “mas sou agradecido que tenham me deixado sete filhos, quatro filhas e sete netos”. Sua última esposa, Jan Chamberlin Rooney, disse na ocasião ao mesmo jornal: “Não queria me casar com ele, por seu histórico, mas realmente me apaixonei por ele. Estamos casados há 30 anos e são as coisas boas que contam”. Em 2012, o casal anunciou a separação.

Em março de 2011, Rooney viajou a Washington, onde testemunhou em um comitê do Senado sobre o abuso contra as pessoas mais velhas. Poucos meses depois, apresentou acusações por abuso de idosos e fraude contra seu enteado Christopher Aber – filho de sua última esposa – e sua mulher. Um tribunal emitiu uma ordem de restrição contra os Aber e o caso foi decidido a favor de Rooney em 2013.

Coração enfraquecido‏

Coração enfraquecido
 
Miocardiopatia dilatada dificulta o bombeamento natural do sangue para o organismo. No Brasil, pesquisadores investem na busca de terapias para garantir melhor qualidade de vida aos pacientes


Bruna Sensêve
Estado de Minas: 08/04/2014



A cena da atriz Carolina Dieckmann raspando os cabelos na novela Laços de família, exibida em 2000, tornou-se histórica e chamou a atenção de todo o Brasil para o drama das pessoas que sofrem com a leucemia. Nove anos depois, as extensas sessões de fisioterapia da personagem de Alinne Moraes em Viver a vida contaram a recuperação de uma modelo que ficou tetraplégica depois de um acidente automobilístico. Ao que tudo indica, os próximos capítulos do novo folhetim de Manoel Carlos deixarão os telespectadores bastante preocupados com a saúde de Cadu, personagem de Reynaldo Gianecchini. Cansaço, falta de ar e um edema no tornozelo surgem como os primeiros sinais clínicos de uma doença, muitas vezes, silenciosa: a miocardiopatia dilatada.

Clique na imagem para vê-la ampliada (Anderson Araújo/CB/D.A Press)


O problema tem alta incidência em todo o mundo, e instituições de pesquisa brasileiras investem em novas estratégias para aumentar a qualidade de vida e prolongar a expectativa de pacientes, que, em alguns casos, têm como única esperança a longa espera por um transplante. A doença afeta diretamente o coração, fazendo com que ele “inche”. Essa dilatação dificulta o bombeamento normal do sangue para o todo o organismo e, consequentemente, leva à insuficiência cardíaca.

Essa é a forma mais comum das miocardiopatias, com incidência anual de dois a oito casos por 100 mil habitantes nos Estados Unidos e na Europa, além de uma prevalência estimada de 36 indivíduos por 100 mil, considerando todas as faixas etárias. O mal pode ter como causa uma série de fatores, inclusive uma predisposição genética, mas também pode não ter uma motivação explícita, como é o caso do tipo idiopático da doença. Cadu, por exemplo, é jovem, pratica exercícios, segue uma dieta balanceada e, pelo que foi retratado até agora no folhetim, não tem qualquer histórico familiar de doença cardíaca ou infarto do miocárdio. A doença do personagem se manifestará devido a uma infecção viral.

De acordo com o cardiologista do comitê de miocardiopatias da Sociedade Mineira de Cardiologia Estêvão Lanna Figueiredo, os micro-organismos que podem provocar a dilatação cardíaca são vírus respiratórios comuns, como o adenovírus, que causa conjuntivite, faringite, gastroenterites ou mesmo infecções assintomáticas ou leves, mas com multiplicação e dispersão do patógeno. “O próprio vírus da gripe pode afetar o músculo cardíaco. A pessoa pode ou não manifestar sintomas durante o quadro gripal. Às vezes tem uma frequência aumentada, falta de ar, mas nem nota.”

Quando o vírus ataca o miocárdio, o organismo começa a produzir anticorpos contra ele, como se interpretasse que o coração é um órgão estranho. Esse quadro inflamatório pode levar à dilatação cardíaca. “É uma das causas frequentes para a miocardiopatia dilatada. Uma vez dilatado, o coração perde a capacidade de contração, uma de suas principais funções.”

Segundo o cardiologista e diretor de promoção da saúde cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Carlos Costa Magalhães, a doença pode ser parcialmente controlada com remédios, mas alguns casos evoluem para uma complicação progressiva e podem necessitar de transplante. “Muitas pessoas que têm a miocardiopatia dilatada conseguem manter uma vida saudável com medicamentos, que são tratamentos fáceis e ajudam muito. No entanto, durante todo o processo a qualidade de vida tende a cair bastante.” Magalhães detalha que o paciente não tem uma atividade física adequada. Ações rotineiras, como caminhar, subir escadas e manter relações sexuais, tendem a ser um grande problema.

Novas estratégias A doença não tem cura, mas a busca pelo aumento da expectativa de vida do paciente é incessante. O Instituto Nacional de Cardiologia, no Rio de Janeiro, conduz uma pesquisa que avalia os efeitos da terapia celular no infarto agudo do miocárdio, na doença coronariana crônica, na doença de Chagas e também na miocardiopatia dilatada. O Estudo Multicêntrico Randomizado de Terapia Celular em Cardiopatias envolve 1.200 pacientes.

Os participantes foram divididos em quatro grupos, de acordo com a doença cardíaca. Em cada um deles a metade é submetida ao tratamento tradicional, com medicamentos. Os demais recebem injeções de células-tronco retiradas de suas próprias medulas ósseas. A expectativa é de que, se a pesquisa demonstrar a eficiência da terapia celular, o Sistema Único de Saúde (SUS) passe a usar essa modalidade terapêutica. Espera-se que os resultados possam ser observados no prazo de um a três anos.

Uma nova técnica cirúrgica desenvolvida por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo também promete aumentar a expectativa de vida de pessoas que têm o coração enfraquecido por conta da miocardiopatia dilatada. A intervenção foi idealizada pelo professor Luiz Boro Puig. Com sua equipe, Puig analisou 20 pacientes, com idades entre 27 e 72 anos, na maioria homens portadores de miocardiopatia dilatada em estágio avançado.

Os cirurgiões observaram que o ventrículo esquerdo, originalmente em formato de cone, passa a ficar arredondado devido ao inchaço do miocárdio, levando também à insuficiência mitral. O anel dessa válvula aumenta de tamanho e deixa de funcionar corretamente. Assim, uma parte do sangue volta para os pulmões em vez de seguir pela artéria para o restante do organismo. A cirurgia substitui a válvula doente por uma prótese rígida e resistente feita com o pericárdio do boi, uma membrana cardíaca espessa. Com o procedimento, o paciente pode ter sua expectativa de vida aumentada em até cinco anos.

Sintoma comum

O edema no tornozelo, que será o sinal clínico mais claro da doença no personagem do ator Reinaldo Gianechini, é um conhecido sintoma da insuficiência cardíaca, consequência da miocardiopatia dilatada. A insuficiência cardíaca é uma síndrome clínica frequente e grave, que mata 10% de seus portadores ao ano. Dados do Ministério da Saúde mostram que no Brasil existem mais de 2 milhões portadores de insuficiência cardíaca. São registrados cerca de 250 mil novos casos por ano. 

Teste da dengue em 20 minutos‏

Teste da dengue em 20 minutos 
 
Pesquisadores da USP criam sensor que dá rapidamente diagnóstico da doença. Método foi patenteado e aguarda avaliação da Anvisa 

Vilhena Soares
Estado de Minas: 08/04/2014


Brasília – Todos os anos, a dengue põe em alerta as autoridades de saúde de todo o país. A doença, no entanto, ainda não conta com um teste eficaz que confirme a infecção rapidamente, o que, muitas vezes, adia o início do tratamento adequado do paciente. Uma tecnologia criada por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) pode tornar a confirmação quase instantânea. Um biossensor desenvolvido no Instituto de Física de São Carlos (IFSC) se mostrou capaz de detectar a enfermidade em apensas 20 minutos. O teste, além de rápido, pode ser barato, com custo calculado em R$ 100.

“Acreditamos que a dengue é uma das muitas doenças negligenciadas e que precisa de métodos que auxiliem o diagnóstico, pois, quanto mais rapidamente obtivermos esse resultado, mais armas poderão ser usadas para tratá-la”, diz Alessandra Figueiredo, pesquisadora envolvida no projeto. “Temos casos mais graves que ocorrem quando a pessoa contrai a enfermidade pela segunda vez, o que exige mais cuidado ainda”, completa.

Alessandra explica que a grande inovação do biossensor está no tipo de anticorpo utilizado para reagir com o vírus presente no sangue do paciente. Diferentemente dos testes já existentes, a equipe optou por usar uma estrutura encontrada nas galinhas – os outros usam anticorpos de mamíferos. “Optamos pelo gene da galinha, pois ele tem muito menos semelhanças com o humano. Os de mamíferos, por serem mais parecidos, podem proporcionar altas chances de erro”, afirma. Segundo ela, a diferença torna o teste mais veloz, tornando desnecessárias várias etapas de teste. “Outra vantagem do método diz respeito ao ponto de vista ético. Não precisamos matar o animal. Retiramos esse gene da gema do ovo”, esclarece a cientista.

Além do anticorpo da ave, os pesquisadores produziram em laboratório uma molécula anti-NS1, que, como o nome indica, reage à proteína NS1, que se prolifera no sangue dos pacientes infectados com o vírus da dengue, transmitido pela picada do mosquito Aedes aegypti. A combinação das duas microestruturas funciona como uma sinalização da presença do organismo causador da doença. Caso o plasma sanguíneo testado contenha o agente infeccioso, haverá uma reação que confirmará a doença.

O exame ocorre em um equipamento supersensível munido com um fio de ouro, capaz de detectar uma carga de energia mesmo muito pequena. “Nosso suporte é feito de um material condutor que, após a reação entre a amostra de sangue e o anticorpo de reconhecimento, emite o sinal elétrico caso o vírus da dengue esteja presente”, explica Nirton Cristi Silva, pós-doutorando do IFSC e coautor do projeto.

A tecnologia já foi patenteada e aguarda a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Testes com amostras humanas estão sendo executadas. “O próximo passo é miniaturizar o biossensor para que ele possa ser vendido em escala industrial. Nossa ideia é que ele possa ser usado em lugares mais distantes, o que facilitaria muito a vida das pessoas que moram em regiões rurais, por exemplo”, destaca Alessandra Figueiredo. “Ainda não temos o valor total de custo do projeto, mas estabelecemos como média R$ 100. Provavelmente, esse valor ainda será reduzido”, acrescenta Nirton Silva.

Inovação necessária Para Wagner Rodrigues, professor de física do Instituto de Ciências Exatas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o trabalho dos pesquisadores da USP é louvável, principalmente por favorecer o tratamento de uma doença que não é priorizada por especialistas na área de tecnologia no exterior. “Esse tipo de solução para enfermidades que consideramos negligenciadas é essencial para países tropicais como o Brasil, onde a incidência é maior. Precisamos que inovações tecnológicas como essa surjam para minimizar os problemas que a dengue pode causar, que, já sabemos, são muitos”, avalia.

O especialista também acredita que o novo biossensor possa beneficiar locais com maior incidência da doença, já que a praticidade servirá como maior aliada do diagnóstico precoce. “Uma tecnologia que seja de fácil manuseamento, além de ser pequena e de transporte fácil, pode ser levada a locais mais distantes. Um resultado em 20 minutos é uma grande evolução”, frisa.

Palavra de especialista
Alberto Chebabo, infectologista

Rapidez fundamental

“Parece ser uma metodologia interessante, por ser rápida e de baixo custo. Claro que precisa ser validada e também necessita de mais informações sobre a sensibilidade e a especificidade do teste para utilização na prática clínica. Quanto mais precoce o resultado, melhor o cuidado prestado no atendimento ao paciente. Com o diagnóstico confirmado, medidas como hidratação oral ou venosa, a depender da gravidade, podem ser realizadas com mais segurança. Como o diagnóstico de dengue pode ser confundido com outras doenças nas suas fases iniciais, a confirmação cedo possibilita um tratamento mais específico. Metodologias de diagnóstico de baixo custo e de resultados rápidos são uma das demandas mais importantes na
medicina atual.” 

O valor da informação - Desprezar esse fator é colocar o emprego em risco

O valor da informação 
 
Desprezar esse fator é colocar o emprego em risco
Gilson E. Fonseca

Sócio e diretor da Soluções em Engenharia Geotécnica Ltda. (Soegeo)
Estado de Minas: 08/04/2014


A informação sempre foi preciosa para o homem. As inscrições rupestres são uma prova da necessidade do homem comunicar-se, desde a pré-história. No antigo Egito, as folhas de papiro, do Rio Nilo, permitiram a confecção de livros e, daí, as informações passaram a ser escritas e registradas para as gerações seguintes. Sem esses recursos, os índios também se utilizavam de sons com seus tambores e fumaça para mandar avisos e mensagens. Ainda em um passado mais recente, foram utilizados correio a cavalo, pombo correio etc. Na Segunda Guerra Mundial, os serviços de espionagem e contra-espionagem tiveram, na maioria dos países, envergadura de ministérios, ou seja, diretamente ligados aos governantes. Hitler construiu uma máquina denominada Enigma para enviar informações secretas por meio de códigos. Em seguida, os ingleses construíram uma máquina capaz de decifrar os códigos dos alemães. Tais equipamentos foram os embriões dos computadores, aumentando exponencialmente a percepção de que a eletrônica teria extraordinário avanço, como de fato ocorreu.

Neste século, a informação assumiu importância jamais imaginada. Hoje, com a surpreendente velocidade da informação que a tecnologia proporciona, as necessidades também aumentaram: tudo é urgente ou importante. Fotos, textos, filmes e áudios viajam na velocidade da luz com equipamentos portáteis e cada vez menores. Pela internet, exames e radiografias são enviados, onde médicos podem orientar cirurgias em tempo real, salvando vidas. Dessa forma, é inegável o valor da informação, sobretudo de qualidade e veloz. Os pais, com tempo hábil, sabendo onde andam seus filhos menores, influências negativas e outros problemas seriam evitados. Também, com o conhecimento das coisas boas, temores deixam de existir. Nas empresas, uma grande dificuldade é ter o pessoal inteiramente afinado com o valor da informação. Muitos negócios deixam de ser realizados porque as pessoas de decisão não dispõem da informação que deixou de ser repassada para efetivar negócios. Prejuízos empresariais também ocorrem por informações incompletas ou erradas, mesmo entre profissionais que ocupam chefias. A gestão corporativa depende muito de informações verossímeis. Esse assunto é tão importante que a Sociedade Mineira de Engenheiros (SME) promoveu curso de pós-graduação em engenharia da informação.

Exemplos da importância da informação, temos muitos. No Brasil, já na época dos governantes militares, a informação ficou tão importante que o Serviço Nacional de Informação (SNI) fez um presidente da República do seu ex-chefe, o general João Batista de Figueiredo. Fernando Collor de Mello foi deposto pelas constantes informações da imprensa e, agora, os escândalos da Petrobras, outrora símbolo de eficiência e riqueza nacionais, só vieram à tona graças ao poder da mídia. Se há dificuldade de expressão, ou inibição, recorra ao e-mail ou outra ferramenta. Informar é obrigação de todos na cadeia corporativa. Quem não der sua devida importância põe seu emprego em risco.