segunda-feira, 14 de abril de 2014

Eduardo Almeida Reis - Futebol e samba .‏

Hoje, tudo que acontece de errado no Brasil é culpa da Fifa, antes era dos EUA e já foi de Portugal
 

Eduardo Almeida Reis
Estado de Minas: 14/04/2014





Para começar a semana, nada melhor do que transcrever parte de um texto que circula na internet como tradução de matéria da revista France Football. Descontados alguns exageros, há muitas verdades no texto traduzido, problemas que os brasileiros não queremos ver ou já nos acostumamos e achamos normais. São 12 páginas da revista, por isso, faço um resumo.

A Fifa não pediu ao Brasil que sediasse a Copa: a iniciativa foi brasileira. A corrupção no Brasil é endêmica, do povo ao governo. A burocracia é cultural: tudo precisa ser carimbado, gerando milhões para os cartórios. Tudo se desenvolve à base de propinas. O alto escalão do governo Lula está preso por corrupção, mas os artistas e grande parte da população acham que eles são honestos e fazem campanhas para recolher dinheiro para eles. Hoje, tudo que acontece de errado no Brasil é culpa da Fifa, antes era dos EUA e já foi de Portugal: o brasileiro não tem culpa de nada.

Os brasileiros se identificam com analfabetos. A carga tributária do Brasil é altíssima, maior que a da França, e os serviços públicos são comparáveis aos do Congo. O brasileiro médio pensa que mora na Suíça. Quem está lá, na verdade, é a Fifa. Há um ditado que diz que “Deus é brasileiro”. A presidente brasileira parece alienada da realidade e diz que será o melhor mundial de todos os tempos, isto é, melhor que o do Japão, dos EUA, da França e da Alemanha. Se ela pensa assim, na Fifa se fala em maior erro estratégico da história da instituição.

Confrontos
Ano passado, os brasileiros saíram às ruas para se manifestar. Pela primeira vez se viu um movimento assim num país acostumado à inércia, mas o governo disse que eles eram baderneiros e reprimiu o movimento com violência. Ninguém foi responsabilizado. Há um movimento chamado Black Blocs que ameaça revidar a violência do governo.

Há um #hashtag que já foi repetido mais de 500.000.000 de vezes nas redes sociais e ameaça: #naovaitercopa. Os próprios brasileiros pedem para os estrangeiros não virem para o Brasil. Há milhares de vídeos feitos por brasileiros neste sentido. O governo brasileiro acaba de gastar 400 milhões de euros com compras de armas para a polícia e disse estar disposto a colocar o Exército na rua para proteger a Copa dos... brasileiros. Isso mesmo, o governo está ameaçando seu próprio povo.

Há um movimento de alguns jogadores de futebol chamado “Bom Senso”, liderado pelo ídolo do Lyon, Juninho Pernambucano, pedindo a conscientização dos jogadores. Analisando os países-sede desde 1970, o número de mortes em estádios nos 16 anos anteriores de cada edição da Copa: México (1970) 6 mortes; Alemanha (1974) 0 mortes; Argentina (1978) 4 mortes; Espanha (1982) 0 mortes; México (1986) 12 mortes; Itália (1990) 0 mortes; EUA (1994) 0 mortes; França (1998) 0 mortes; Japão (2002) 0 mortes; Coreia do Sul (2002) 0 mortes; Alemanha (2006) 0 mortes; África do Sul (2010) 17 mortes; Brasil (2014) 234 mortes.

Obras. Na história dos mundiais, o Brasil foi o país que teve mais tempo para preparar a Copa: sete anos, mas é o país mais atrasado. A França teve apenas três anos e finalizou as obras um ano e dois meses antes do prazo. A África do Sul teve cinco anos e terminou com antecedência de cinco meses. Faltando três meses para a Copa, o Brasil ainda precisa fazer 15% do previsto.

E a diatribe vai por aí falando dos custos dos estádios, dos salários de fome dos operários, tudo financiado com recursos públicos, enquanto na França tudo foi financiado com recursos privados. As verdades continuam nas 12 páginas, mas o meu espaço, felizmente, zé fini.

O mundo é uma bola

14 de abril de 193: Lúcio Septímio Severo é coroado imperador de Roma. Foi o primeiro cidadão oriundo de província, sem ascendentes romanos, a atingir o trono. Quando morreu, foi proclamado Divus pelo Senado Romano. E aqui vai uma explicação: escrevi Senado Romano, que no texto só poderia ser o Senado de Roma, porque tenho um amigo, revisor profissional, que insiste na tese de que Senado, sozinho, só pode ser o brasileiro, instituição presidida pelo admirável alagoano Renan Calheiros, que vê nascendo em sua calva alguns dos mais de 10 mil fios de cabelo que implantou.

Lúcio Septímio Severo foi casado com Júlia Domna, de família síria, mãe dos futuros imperadores Geta e Caracala. Publius Septimius Geta foi morto por ordem do irmão Marco Aurélio Antonino, conhecido como Caracala.

Em 1028, Conrado II, o Navegante, imperador alemão, coroa rei seu filho Henrique III. Em 1191, na flor dos seus 85 aninhos, Giacinto Borboni-Orsini se torna o papa Celestino III. Morreu com 92 anos. Em 1611, o príncipe Federico Cesi usa pela primeira vez a palavra telescópio. Em 1629, Inglaterra e França assinam a Paz de Susa. Vivem assinando a paz e fazendo a guerra. Coisa curiosa: a Wikipédia é omissa quando à Paz de Susa e à biografia do príncipe Federico Cesi. Hoje é o Dia do Técnico em Serviço de Saúde.

Ruminanças

“Não podemos suportar nem os nossos vícios, nem os seus remédios” (Tito Lívio, 64 a.C.-17 d.C.).

Inteligência em quatro rodas

Pesquisadores da Federal de Ouro Preto desenvolvem recurso para carros, no sistema Android, com menor tempo de inicialização. No futuro, novidade deve ter integração com Twitter para indicar melhor trajeto para fugir do trânsito


Shirley Pacelli
Estado de Minas: 14/04/2014



Equipe no Laboratório iMobilis:  testes de metodologia para integrar cada vez mais recursos como mapas, rotas e informações para quem está guiando um automóvel (Eduardo Maia/Divulgação )
Equipe no Laboratório iMobilis: testes de metodologia para integrar cada vez mais recursos como mapas, rotas e informações para quem está guiando um automóvel
Já pensou se o computador de bordo do carro, por reconhecimento facial, identificasse um padrão de sono ou que a pessoa ingeriu excesso de álcool e emitisse alertas para avisar o motorista? Essa possibilidade não está longe de se tornar real. Por meio do projeto Nexus, pesquisadores do laboratório iMobilis da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) têm estudado o recurso num sistema Android, do Google, adaptado para carros. Até o momento, eles já desenvolveram uma metodologia para fazer com que o sistema se inicie mais rapidamente – a média de 40 segundos caiu para cinco segundos. Assim, as informações chegam de forma mais ágil, dando segurança aos motoristas.

O laboratório fechou parceria com a Seva Engenharia Eletrônica, empresa de desenvolvimento de tecnologias para o mercado automobilístico, para fazer os testes. A companhia forneceu o hardware, enquanto os membros do laboratório personalizaram o software e propuseram a metodologia. Os resultados foram publicados no 3º Simpósio Brasileiro de Engenharia de Sistemas Computacionais, realizado em novembro do ano passado, por Ricardo Augusto Oliveira, coordenador do iMobilis, e o professor Vicente Amorim.

Segundo Ricardo, doutor em ciências da computação e professor da Ufop, as pesquisas na área são realizadas desde 2011, quando o sistema Android, plataforma aberta que ficou famosa em smartphones, ainda não era tão popular quanto hoje. A equipe é formada por quatro professores, cinco mestrandos e 12 graduandos das áreas de engenharia e ciências da computação.

O professor conta que os pesquisadores adaptaram o sistema para as condições de trabalho necessárias a um carro. O item mais básico de mudança foi a inicialização do sistema: no automóvel, ela deve ser quase imediata. Foram implementados níveis de prioridade no carregamento das tarefas, além da remoção de aplicações desnecessárias. “A primeira fase é a interação com o motorista. As regras são diferentes. O sistema não pode ter jogos que distraiam a atenção do condutor. É um utilitário do veículo”, esclarece Ricardo.

O coordenador explica que o computador de bordo em desenvolvimento tem sistema de comunicação, sensores do motor e da temperatura, além de todos as outras funcionalidades que os carros mais modernos trazem. “Por exemplo, a pessoa tem um celular com o aplicativo Waze, para ver o trânsito, mais o GPS e o rádio. A tendência é a integração dos três em uma só plataforma. Nossa proposta é nesse sentido, mas vai além, porque o sistema comunica com o carro”, explica. Supondo que o dispositivo já estivesse funcionando, ao entrar no carro, o motorista acionaria o sistema e teria em tempo real os locais com engarrafamento ou alagamento e opções de desvio para chegar ao seu destino final.

Aplicações futuras O maior desafio, segundo Ricardo Oliveira, foi adaptar o sistema Android aos carros, já que ele não foi criado para isso. “Dentro de veículos há regras em relação ao consumo de bateria, à atenção do motorista... A forma de uso é diferenciada”, diz. Leitura de texto automática, comando de voz, bloqueio de determinados aplicativos com o carro em movimento e envio de dados para uma central são algumas das aplicações em desenvolvimento pelo laboratório da federal de Ouro Preto.

Oliveira conta que o sistema desenvolvido pelo Google já oferece certas funcionalidades, como suporte a ruídos e reconhecimento facial. “Seria possível cruzar os dados de uma freada brusca durante um acidente com a identificação de um padrão facial de alteração de humor, de agressividade. As aplicações são infinitas”, destaca. A equipe está avaliando esse recurso por meio de simuladores. Há uma normatização específica que deve ser levada em consideração: o computador não pode afetar a direção, no máximo emitir alertas.

Outra ferramenta pesquisada pela equipe mineira é a integração com um sistema de cidade inteligente. “Supondo que todas as linhas de ônibus tenham o Android e sensores de chuva, poderíamos fazer uma previsão meteorológica exata”, explica. Um interessante recurso que poderia ser implantado seria a capacidade do computador de bordo consultar postagens no Twitter sobre o trânsito, cruzar com informações da velocidade de deslocamento de outros carros com o sistema que estiverem passando no local, processar os dados e recomendar os melhores trajetos.

De acordo com Ricardo Oliveira, o Google já tem investido nessa área automotiva, a Apple finalizou um sistema integrado com o iPhone e grandes fabricantes de veículos anunciaram produtos próprios. A Ford, segundo ele, tem a proposta mais interessante entre as empresas, porque seu projeto é aberto aos desenvolvedores. Todo o mercado tem estudado quais são as melhores plataformas. “O sistema mais popular, no momento, é o Android, mas as criações ainda são incipientes. Não existe um padrão”, ressalva. Os veículos que poderão receber esse tipo de tecnologia fazem parte da frota de luxo, é claro.

SERVIÇO
Confira o projeto em desenvolvimento na Universidade Federal de Ouro Preto pelo site www.decom.ufop.br/imobilis

Estudiosos criam técnica para acabar com o desconforto do fuso-horário

Matemática contra o jet lag 
 
Pesquisadores americanos criam técnica para acabar com o desconforto causado pela mudança brusca de fuso-horário e desenvolvem aplicativo gratuito para orientar quem costuma sofrer com o problema 
 
Vilhena Soares
Estado de Minas: 14/04/2014



Ir para outro país com fuso horário muito diferente costuma gerar dificuldades de adaptação na rotina e desconfortos como insônia, cansaço e estresse. O quadro, muito bem conhecido por quem costuma fazer longas viagens, é chamado de jet lag. Um grupo de pesquisadores da Universidade de Michigan (EUA) recorreu à matemática para combater o problema e ajudar as pessoas a se adaptarem mais rapidamente aos novos horários. Publicado esta semana na revista Plos One, o estudo apresenta uma série de equações que permitiram aos autores elaborarem um regime de exposição à luz, que, ao ser seguido, ajudará as pessoas a sentirem o mal-estar por menos tempo.

O jet lag é resultado de um desajuste entre o relógio interno da pessoa — os chamados ritmos circadianos — e o ambiente externo. O maior regulador desse relógio biológico é a luz, afirmam os especialistas. Quando está dia, a claridade dispara uma série de processos no organismo. A chegada da noite, e a consequente diminuição da luminosidade, causa outros efeitos, incluindo a sensação de sono. Quando alguém viaja para um ponto distante, há um descompasso. O corpo está em um ritmo, mas o ambiente envia sinais discordantes.

Diferentes estudos já propuseram estratégias de exposição alternada a ambientes claros e escuros para promover a adaptação. Os autores da nova pesquisa, contudo, acreditam ter encontrado uma maneira de fazer isso em um período mais curto. “Muitos têm tentado reduzir o jet lag, e outras programações de iluminação foram propostas no passado para ajudar o corpo a se adaptar. Nossos horários se destacam por trazer a adaptação de forma mais rápida”, diz Olivia Walch, coautora do trabalho.

Com base em dois modelos matemáticos, os cientistas mediram com precisão os ritmos circadianos humanos, analisando vários marcadores biológicos, como a temperatura corporal — reduzida quando o corpo necessita dormir. Os vários cálculos resultaram em tabelas que permitem programar horários aos quais o viajante deve se expor ou não à luz para reajustar sua rotina.

Em determinado momento, por exemplo, é preciso ficar em uma claridade fraca sem, no entanto, dormir. Isso é possível saindo na rua com óculos escuros. Se o horário pedir luz forte, mas for noite, pode-se recorrer à luz artificial intensa. “Nossos horários mostram quando as pessoas devem ‘estar’ na luz e quando devem evitá-la, de modo que elas se movam sempre em direção ao alvo (a equiparação entre os ritmos biológicos e o ambiente)”, completa Walch. “É tudo uma questão de tempo. Se você recebe a luz em um ponto do seu ritmo diário, ela pode empurrar o relógio para a frente ou para trás.”

De acordo com Fabio Maraschin, diretor médico do Centro de Distúrbios do Sono de Porto Alegre (Pneumosono), ao manipular a exposição da luz, a temperatura corporal pode mudar e, desse modo, induzir ou não as pessoas a sentirem sono, graças  à produção de um hormônio específico. “A exposição de luz pela retina inibe a produção da melatonina, que é produzida pelo cérebro e nos deixa sonolento e com a temperatura corporal mais baixa. É fácil notar isso quando passamos à noite em frente a um computador ou vendo televisão. Somos estimulados a manter-nos alertas pela luminosidade. Com base nesses mecanismos, os pesquisadores chegaram a esses horários”, destaca o pesquisador, que não participou do estudo.

Para Maraschin, o agendamento pode mesmo ajudar a lidar com o jet lag e até com outros problemas. “Além da mudança de fusos, temos também casos de pacientes que possuem dificuldades como o distúrbio de fases do sono, que ocorre quando as pessoas só conseguem dormir em horários incomuns, como de madrugada. Já sabíamos que essa manipulação à exposição da luz poderia ajudar, porém não tínhamos como saber em que horários e em que quantidades. Com essa novidade, acredito que muito poderá ser feito.”

Alarmes automáticos  Os cientistas de Michigan realizaram testes com voluntários e atestaram a utilidade do método. Mas como cada indivíduo necessita de uma programação personalizada, afinal cada viajante tem um destino e uma quantidade de horas a compensar, seria inviável publicar uma tabela a ser seguida por todos os interessados.

Assim, a solução encontrada pelos autores do estudo para colocar o conhecimento adquirido em prática foi desenvolver um aplicativo de celular com mais de mil opções de viagens. Batizado de Entrain (arrastar, em inglês), o programa permite que o usuário insira dados como local de partida, destino, hora de chegada, previsão do tempo (ensolarado, chuvoso etc.) e, assim, receba um agendamento personalizado, com lembretes anunciados pelo smartphone.

Walch explica que o aplicativo, já disponibilizado gratuitamente na AppStore (mais informações em www.entrain.org) também poderá fornecer mais dados para a continuidade do estudo. Para colaborar, basta o usuário aceitar que suas informações sejam automaticamente enviadas para a equipe de pesquisadores. “Queremos ver se as pessoas podem seguir os horários ou se eles são muito difíceis de serem obedecidos. Também desejamos confirmar (com mais pessoas) se os sintomas do jet lag são reduzidos como esperamos.”

Felipe Henning, endocrinologista e diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo (SBEM-SP), conta que a proposta dos americanos já é usada em consultórios para pessoas que se queixam de problemas como o jet lag, mas pode facilitar a vida de quem não consegue mudar sua rotina facilmente. "A restrição do sono em busca de horas extras de trabalho, por exemplo, tem provocado danos graves à saúde do brasileiro, como a hipertensão e a obesidade, por exemplo. É essencial frisar para as pessoas a necessidade de dormirem quando devem, para evitar problemas mais graves que podem ser muito prejudiciais para o organismo”, completa.

Palavra de especialista
Adaptação difícil
Ronaldo Maciel Dias,
neurologista do Hospital Santa Luzia


“O que os pesquisadores buscaram foi encontrar formas de, artificialmente, confundir nosso relógio biológico, para que o ciclo de sono-vigília não se modifique, por meio da manutenção do ritmo circadiano. Essa estratégia já é conhecida e sabidamente eficaz. Eles pretendem facilitar e otimizar a aplicação dessa tática através de um aplicativo. Acho válido, mas, muitas vezes, não é possível seguir as recomendações de exposição solar. O aplicativo parece ser bom, mas depende da natureza. Em locais com baixa exposição solar, possivelmente não se conseguirá a quantidade necessária de exposição aos raios luminosos. Isso, porém, não torna o aplicativo inútil, muito pelo contrário, ele certamente auxiliará.”

Perigos do câncer de boca Luciano Eloi Santos

Perigos do câncer de boca
Luciano Eloi Santos
Presidente do Conselho Regional de Odontologia (CRO-MG)

Ana Paula Silva
Assistente técnica do Conselho Regional de Odontologia (CRO-MG)
Estado de Minas: 14/04/2014


Mais de 15 mil pessoas devem desenvolver câncer de boca em 2014. Desse número, 11.280 casos serão detectados em homens e 4.010 em mulheres. A estimativa é do Instituto Nacional do Câncer (Inca), que alerta para a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do tratamento. Considerado um problema de saúde pública em todo o mundo, o câncer de boca tem sido motivo de preocupação do Conselho Federal de Odontologia, que, juntamente às suas regionais, vem trabalhando para conscientizar os cirurgiões-dentistas brasileiros para a necessidade de uma política mais abrangente de combate à doença.

O câncer de boca afeta os lábios e o interior da cavidade bucal. Pode acometer regiões como língua, céu da boca, gengivas e bochechas. Representa grande causa de morte na atualidade, atingindo principalmente pessoas do sexo masculino. As estatísticas demonstram que a maioria dos casos é detectada em fase mais avançada, sendo que, nessa etapa, o tratamento quase sempre é muito agressivo e mutilador.

As causas do câncer são variadas, porém, diversos estudos comprovaram que o consumo de bebida alcoólica e de cigarro está diretamente relacionado ao desenvolvimento da doença. Além disso, a predisposição genética também é um fator causador do câncer bucal, embora os casos associados apenas a fatores hereditários sejam raros.

Para prevenir o câncer é necessário adotar hábitos saudáveis, como: não fumar (ao fumar, são liberadas no ambiente mais de 4,7 mil substâncias tóxicas e cancerígenas inaladas por fumantes e por pessoas próximas atingidas pela fumaça); evitar o excesso de peso; manter dieta rica em frutas e vegetais; e praticar atividade física diária.

Outra prevenção fundamental é visitar o cirurgião-dentista periodicamente para avaliação de toda a boca, pois ele é o profissional responsável pelo diagnóstico do câncer bucal e pelo encaminhamento do paciente para tratamento médico. Se diagnosticado na fase inicial e tratado de maneira adequada, cerca de 80% dos casos têm cura. O maior problema é que a maioria dos casos não é diagnosticada na fase precoce e os tratamentos podem não ser eficazes.

Na fase inicial, o câncer pode se apresentar sob diversas formas, como: lesão esbranquiçada ou avermelhada ou ambas; caroço em qualquer região da boca ou no pescoço; ferida que não cicatriza após 20 dias e, geralmente, ausência de dor. Na fase avançada, as lesões geralmente se apresentam na forma de feridas endurecidas e doloridas. Importante destacar que nem todas as lesões que surgem na boca com essas características são diagnosticadas como câncer. Daí o acompanhamento periódico pelo cirurgião-dentista ser fundamental para o diagnóstico da lesão.

 A população deve estar atenta a qualquer alteração na mucosa bucal e lingual, sendo importante o autoexame, pois, se ocorrerem feridas e lesões que não cicatrizam, pode ser um indicativo de câncer de boca. Além da realização do diagnóstico, o dentista deve prevenir e tratar as alterações bucais decorrentes do tratamento oncológico e acompanhar o paciente para promover a sua saúde bucal, com melhor qualidade de vida.

Uma das iniciativas para que a doença não seja esquecida e fique em evidência é o Projeto de Lei 3.939/12, em tramitação no Congresso Nacional, que visa fixar, na primeira semana de novembro, a celebração anual de combate ao câncer de boca. Para estudar essa e outras iniciativas, o Conselho Regional de Odontologia de Minas Gerais (CRO-MG) instituiu o mês de abril como marco dessas discussões, que vão desde a visita a cidades do interior até diversas atividades em Belo Horizonte, entre elas, a conscientização da população pelas explicações sobre o autoexame e a distribuição de cartilhas em diversos pontos da cidade.