Opsigamia
O mundo está cheio de opsígamos ricos, homens e mulheres
Eduardo Almeida Reis
Estado de Minas: 03/08/2014
A internet, que
me serve mal e porcamente, deve divertir-se com o seu entra-e-sai
irritante. Quando sai, a tela do computador avisa: “Ops! parece que
houve um problema”. Do tanto que vejo “ops!” aqui e alhures resolvi
consultar o Dicionário de Gíria, de J. B. Serra e Gurgel, onde
encontrei: Ops! interj. espanto. “Ops! Vacilei.”
Curioso, fui ao
Houaiss eletrônico que não tem ops!, mas tem opsigamia: casamento
contraído por pessoa de idade avançada. Homessa! Quer dizer que fui
opsígamo e não sabia? Adjetivo e substantivo masculino, opsígamo é “que
ou aquele que se casa em idade avançada”.
O mundo está cheio de
opsígamos ricos, homens e mulheres. Quase escrevi “de ambos os sexos”,
mas os sexos deixaram de ser dois e andam próximos dos 70 (setenta),
como vimos numa listagem do Facebook. Foi do Facebook? Sei lá, mas me
lembro de que eram quase 70.
Na opsigamia, um dos cônjuges,
marido ou mulher, pretende mostrar que ainda vale alguma coisa, enquanto
o cônjuge mais novo, marido ou mulher, faz o seu pé-de-meia, no que
obra muitíssimo bem. Opsígamos são o Blatter, da Fifa, o Ecclestone, da
Fórmula 1, e Maria del Rosario Cayetana Paloma Alfonsa Victoria Eugenia
Fernanda Teresa Francisca de Paula Lourdes Antonia Josefa Fausta Rita
Castor Dorotea Santa Esperanza Fitz-James Stuart y de Silva Falcó, a
duquesa de Alba, nascida dia 28 de março de 1926, uma das mulheres mais
ricas da Espanha, que se casou em 2011 com Alfonso Díez Carabante,
funcionário público de 60 aninhos.
Em defesa do philosopho
opsígamo seja dito que não tinha fortuna e vivia exclusivamente do
salário. Mas que é bom apaixonar-se depois de certa idade, lá isto é.
Tragédias
Ao
vivo e em cores, uma tragédia como aquela das mortes sob o viaduto
despencado em Belo Horizonte sempre se transforma em duas: a tragédia
propriamente dita e o improviso do apresentador da tevê. Pensei anotar
num bloquinho o monte de asneiras do rapaz, cujo nome não vem a pelo,
coitado, porque fez o que todos fazem: perguntas e comentários de uma
idiotice espantosa. É inacreditável que o canal de tevê não tenha um
editor para segurar o besteirol do apresentador por meio do ponto
eletrônico de ouvido.
Há coisas que não deveriam acontecer, como a
queda de imenso viaduto, mas acontecem, tanto assim que o Guararapes
caiu. O solo de Belo Horizonte é complicadíssimo. No badalado Bairro
Belvedere, por exemplo, o construtor de uma porção de prédios me disse
que nunca encontrou dois solos iguais. Lotes vizinhos têm solos
diferentes. No Alto Santa Lúcia, lá perto do Belvedere, o maldito filito
exige estacas tão compridas que um dia alcançam o Japão.
Penso
que os senhores apresentadores de tevê não precisam comentar a tragédia
como se estivessem narrando uma partida de futebol. O telespectador tem o
impacto da filmagem ao vivo e deve ser poupado da loquacidade burra e
repetitiva.
Endez
Como sabe o leitor,
endez vem do latim indicii (sc. ovum) 'ovo de chamariz', genitivo
singular de indicìum,ìi 'sinal, indicação, denúncia, acusação'. Em
português tem vários significados, mas me limito ao endez que se deixa
no ninho como chamariz para outras galinhas virem fazer postura no local
(diz-se de ovo). Alfim e ao cabo, fui criador de galinhas.
O
certo é que de repente, sem aviso prévio, baixou nos leitores do grande
jornal dos mineiros deliciosa onda distribuidora de charutos cubanos,
puros de Havana que têm como destinatário um philosopho amigo nosso.
Enviados pelo Sedex merecem vivório e foguetório e servem de endez para
as próximas remessas, bem como para as encomendas que o referido
cavalheiro faz, sempre que possível, aos seus habituais fornecedores.
O mundo é uma bola
3
de agosto de 1492: zarpa de Palos de La Fronteira, Espanha, a frota
comandada por Cristóvão Colombo, que descobriria a América no dia 12 de
outubro daquele ano. Frota é maneira de dizer: três caravelas
minúsculas, casquinhas de nozes, comandadas e tripuladas por
aventureiros malucos. Salvador de Madariaga (1886-1978) escreveu livro
lindíssimo sobre Colombo, Vida del muy magnífico señor don Cristóbal
Colón (1940), das melhores coisas que já li.
Em 1500, assassinato
de Afonso de Biscegli, marido de Lucrécia Bórgia. Nunca ouvi falar
dele, mas li alguma coisa sobre a familia Bórgia. Se foi ela quem mandou
matar Afonso, fez muito bem. São raros os maridos que não merecem
morrer. Uxoricídio é o assassínio de mulher por quem era seu marido,
crime comum num país grande e bobo. Não sei como é o assassínio de
marido por quem era sua mulher, nem tenho tempo de procurar porque deu a
louca aqui no Windows 7, que passou a sublinhar em vermelho as palavras
escritas em português. Espanholou-se depois que escrevi em espanhol o
título do livro de Salvador de Madariaga.
Ruminanças
“Não é louco o homem que perdeu a razão. Louco é o homem que perdeu tudo menos a razão” (Chesterton, 1874-1936).
domingo, 3 de agosto de 2014
PAIXÃO VIRTUAL, PERIGO REAL
PAIXÃO VIRTUAL, PERIGO REAL
Crescem os casos de mulheres que se tornam vítimas de estupro e golpes ao buscar relacionamento pela internet. Especialistas apontam carência afetiva como maior problema
Valquiria Lopes
Estado de Minas: 03/08/2014
Eles se apresentam como militares condecorados, advogados de prestígio ou engenheiros bem-sucedidos e em viagem pelo exterior. Com boa retórica e palavras românticas, geralmente são viúvos ou divorciados, pais de belas crianças, e encantam mulheres pela internet com a promessa de relacionamento sério e em busca de uma nova família. Alguns chegam a ficar noivos e até mesmo se casam em cerimônias virtuais. Contada dessa forma, é uma história sedutora. Os namoros virtuais se multiplicam na internet com a mesma velocidade das novas ferramentas, sites de relacionamento e aplicativos de smartphones. Mas cuidado! Muitos casos de paquera virtual terminam em ocorrências policiais, como furto e extorsão. Em outras situações, mulheres que marcam encontros com estranhos nos “radares” de namoro ou por redes sociais se tornam vítimas de estupro ou crime contra a honra.
Apesar da falta de estatísticas específicas de ocorrências que resultam dos encontros virtuais, a percepção diária é de que elas aumentam paralelamente ao crescimento em geral dos delitos cometidos na rede. Dados da Delegacia Especializada de Investigação de Crimes Cibernéticos de Belo Horizonte mostram que os crimes praticados pela internet aumentaram 63,6% entre 2012 e o ano passado, passando de 762 para 1.247.
Neste ano, até o fim de julho, já foram mais de 1 mil, ou seja, 80% de todo o ano passado. “Todos os crimes cibernéticos têm aumentado muito. Entre as denúncias, também crescem as de caráter amoroso”, explica a delegada titular da 1ª Delegacia de Crimes Cibernéticos, Paloma Boson Kairala. Ela diz que, de modo geral, as vítimas têm o mesmo perfil: mulheres maduras, separadas ou viúvas, em busca de um novo amor para suprir a carência afetiva.
Em outras situações, são as mais jovens que caem nas mãos de homens que as estupram depois de encontros marcados pela internet. A conversa nos aplicativos de namoro segue para troca de telefones e o bate-papo. Quem usa as redes sociais para fins afetivos afirma que a ferramenta é útil e divertida. Mas casos reais mostram que é preciso cautela antes de revelar telefone, endereço e dados pessoais. “Mulheres que marcam encontros sem saber a procedência do candidato têm relatado casos de estupro ou exposição de intimidade na internet”, alerta a delegada-adjunta da Delegacia de Mulheres de Belo Horizonte, Cristiane Ferreira Lopes.
Festas marcadas pela internet que reúnem centenas de pessoas que não se conhecem também são terreno fértil para crimes. “As pessoas confirmam presença sem saber quem são os organizadores, ficam embriagadas, aceitam carona ou convite para dormir na casa de rapazes e acabam estupradas”, alerta a delegada. Segundo ela, são frequentes os casos em que jovens procuram a polícia relatando não se lembrar do que aconteceu, que acordam na casa de pessoas que nunca viram, nuas ou com sêmen em suas partes íntimas. Em um dos casos, uma garota nem sabia se havia sido estuprada, depois de participar de festa marcada pela internet. “Por isso, é muito importante preservar a prova técnica. A mulher não deve tomar banho e sim procurar a polícia imediatamente para prestar queixa e fazer exames”, orienta a delegada.
Príncipe vira monstro Criminosos virtuais adotam artimanhas diversas, como promessa de casamento, para conseguir dinheiro e outros bens de mulheres por meio de relacionamento pela internet
Valquiria Lopes
O medo de descobrir que
as doces palavras do Don Juan virtual podem ser uma farsa também faz com
que as mulheres resistam antes de procurar a polícia. “O número de
vítimas pode ser maior do que os casos que recebemos, porque elas se
sentem envergonhadas. Algumas não contam nem mesmo para a família”,
explica a delegada titular da 1ª Delegacia de Crimes Cibernéticos,
Paloma Kairala. Vítima de um golpe no ano passado, quando perdeu R$ 56,5
mil, a dona de casa S., de 52 anos, diz não acreditar que caiu na
história contada pelo falso engenheiro civil norte-americano James, com o
qual chegou a se casar pela internet em menos de dois meses de
relacionamento. A dívida, que hoje chega a R$ 90 mil, perturba o sono e
ela se viu obrigada a pôr o apartamento à venda para pagar o débito.
“Ele me enviou um convite pelo Skype, começamos a conversar e a namorar. Ele dizia que queria um novo amor, uma companheira para dividir um lar e que viria morar no Brasil. Eu só queria ser amada, queria ter alguém”, conta, ressentida. Nos momentos íntimos do casal, mantidos sempre pelo meio virtual, James prometia amor e afirmava que o que mais queria era estar ao lado dela. Ele chegou a apresentar a S. uma filha, Emily, de 20 anos, da qual ela ficou amiga.
Os problemas começaram com os primeiros pedidos de transferência bancária. Segundo a mulher, James disse que participaria de uma concorrência para construir 60 prédios no Peru, para onde viajou. De lá, recorri a S. para pagar a emissão e o envio de um documento muito importante para o processo. Foi o primeiro dos muitos depósitos feitos por ela. Em seguida, o golpista e a falsa filha inventaram dramas envolvendo doença, acidentes de carro, coma, falta de dinheiro para pagar diárias de hotel e alimentação.
“Ele me disse que estava passando fome no Peru e que não tinha como voltar para os EUA. Me pedia para salvar a vida da filha, que tinha ido para um safari na África e se acidentou. Um médico de Gana começou a entrar em contato comigo e pedir dinheiro para o tratamento da garota. Eu a tinha como filha e fiz de tudo para salvá-la”, lembra. Todas as despesas seriam pagas com dinheiro de uma herança de James, como ele lhe informou. “Mas a mala, enviada por um diplomata da Inglaterra, havia ficado presa na alfândega no Brasil. Tive que pagar várias taxas para liberá-la. Era tudo uma farsa”, conta.
DOR A partir das histórias mirabolantes, S. começou a entrar numa roda viva de prejuízo e dor. “Peguei dinheiro emprestado onde pude para ajudá-lo. No banco, nas lojas de departamento onde eu tinha crédito, com agiotas, vizinhos e parentes. Minha irmã e meu afilhado me alertaram que era golpe, mas eu não acreditava. Estava me sentindo amada. Não fazia aquilo pelo dinheiro, mas pelo sonho de se sentir querida, ter alguém para me perguntar como foi meu dia, para dormir abraçada, e ele se aproveitou disso”.
S. conta que o golpista não roubou apenas o dinheiro. “Ele roubou meus sonhos. Hoje vivo um pesadelo. Envelheci. Minha pele está envelhecida, meus cabelos ficaram brancos. Engordei e não estou me arrumando.” Um dos maiores dramas que S. ainda vive é a rejeição do pai. “Peguei R$ 7 mil com meu pai e depois o ouvi me chamar de pilantra, parou de me atender ao telefone. Todos acreditaram em mim e eu decepcionei todos”, afirma, aos prantos. Para ela., fica a certeza de que antes de se relacionar com alguém na internet é preciso ter cuidado: “Fiquei cega, não fiz nenhuma busca na internet, nada. Hoje sei que não se pode acreditar em alguém assim”. O desespero chegou ao extremo quando S., sem dinheiro e com as todas as contas atrasadas, começou a passar fome. Orientada pela família, ela procurou a polícia.
SEM SOLUÇÃO O caso é investigado pela Polícia Civil. Um morador de BH chegou a ser rastreado, mas nem ele nem os comparsas estrangeiros foram presos. Em todo o estado, são apenas duas delegacias especializadas em crimes cibernéticos, ambas na capital. Os crimes no interior são apurados nas delegacias de área.
Em BH, os processos se acumulam em pilhas nas salas de dois delegados.
Especialista em direito virtual, o advogado Alexandre Atheniense diz que a legislação evoluiu para punir crimes na rede, depois da aprovação do Marco Civil, que prevê, entre outras medidas, que a vítima solicite diretamente ao provedor a retirada de conteúdo difamatório.
Um falso militar sedutor
Foi por pouco que L., de 51, não caiu no conto do vigário virtual. O falso militar norte-americano Jefferey Willian, como se apresentou, surgiu na vida dela há dois meses, tempo suficiente para tentar lesá-la com pedido de depósitos em contas bancárias no exterior. A aproximação surgiu em um site de conversas. “Ele se mostrou um homem carinhoso, honesto e bem formado. Disse que era viúvo e que tinha um filho de 5 anos, que estava indo servir na guerra da Síria, mas que quando voltasse queria vir ao Brasil para ficar comigo”, lembra.
O golpe começou a tomar forma quando Jefferey perguntou sobre o patrimônio de L., divorciada há 17 anos, que mora com os dois filhos no Bairro São Marcos, na Região Nordeste de BH: “Ele passou a perguntar se eu morava em casa ou apartamento, se era meu ou alugado, quanto valia”. Ela, então, estranhou. O homem chegou a enviar uma foto falsa dele e do filho. Dizia o tempo todo pelas mensagens na internet que precisava de L. para ajudar a criar o menino.
“Há três semanas, resolvi pesquisar o nome dele na internet e tudo foi desvendado. Foi um grande susto, porque descobri que aquele homem romântico fazia parte de uma máfia nigeriana que aplica golpes em mulheres no mundo inteiro”, conta, decepcionada. Contra os scrammers, como são chamados, já haviam denúncias de transferências vultosas e de muito prejuízo. “Para mim, foi um alívio, mas confesso que o processo é muito sedutor. Graças a Deus, descobri tudo antes.”
PALAVRA DE ESPECIALISTA:
Roberto Chateaubriand domingues, Psicólogo e presidente do Conselho regional de psicologia
Dependência emocional
O que diz se uma mulher será ou não vítima é a fragilidade dela, o quanto ela se entrega e acredita em histórias fantasiosas para se sentir desejada. As questões de gênero no Brasil estabelecem uma hierarquia que coloca a mulher em um papel emocionalmente dependente do homem, algo que precisa ser enfrentado. Outro motivo é a construção subjetiva da mulher que, quando madura, passa a acreditar que está fora do mercado, que não é desejada, que está fora dos padrões de beleza. Essa mulher cria uma fantasia de que a vida se encerrou e fica cada vez mais susceptível a cair em meia dúzia de palavras românticas. É como se esse homem a trouxesse de volta à juventude e ela faz tudo para manter essa situação, inclusive se desfaz de seu patrimônio e se endivida. E se já era uma mulher fragilizada, ao descobrir o golpe ela vai ao ‘subsolo’. Muitas caem em depressão. Apesar dos casos individuais, a solução para esse tipo de comportamento é coletiva e passa pela valorização pessoal.
CUIDADO
Dicas para evitar ser vítima de crimes na internet
Pesquise sobre a pessoa com que está mantendo contato. Uma simples busca no Google pode revelar se ela está envolvida em crimes
Nunca revele dados pessoais a alguém que você não conheça nem confie, como endereço e dados bancários
Não se deixe levar por histórias dramáticas que resultem em pedidos de depósitos bancários
Compartilhe com um familiar ou amigo que está se relacionando com alguém na internet
Se for marcar encontros, prefira sempre locais públicos e, de preferência, leve um acompanhante
Não aceite que a pessoa vá te buscar em casa, nem dê carona na volta
Não envie fotos íntimas a pessoas desconhecidas, porque o material pode ser publicado na rede e causar sérios danos
Se for a festas marcadas por desconhecidos pela internet, leve acompanhantes e não aceite caronas na volta pra casa
Fonte: Polícia Civil de Minas Gerais
Crescem os casos de mulheres que se tornam vítimas de estupro e golpes ao buscar relacionamento pela internet. Especialistas apontam carência afetiva como maior problema
Valquiria Lopes
Estado de Minas: 03/08/2014
Eles se apresentam como militares condecorados, advogados de prestígio ou engenheiros bem-sucedidos e em viagem pelo exterior. Com boa retórica e palavras românticas, geralmente são viúvos ou divorciados, pais de belas crianças, e encantam mulheres pela internet com a promessa de relacionamento sério e em busca de uma nova família. Alguns chegam a ficar noivos e até mesmo se casam em cerimônias virtuais. Contada dessa forma, é uma história sedutora. Os namoros virtuais se multiplicam na internet com a mesma velocidade das novas ferramentas, sites de relacionamento e aplicativos de smartphones. Mas cuidado! Muitos casos de paquera virtual terminam em ocorrências policiais, como furto e extorsão. Em outras situações, mulheres que marcam encontros com estranhos nos “radares” de namoro ou por redes sociais se tornam vítimas de estupro ou crime contra a honra.
Apesar da falta de estatísticas específicas de ocorrências que resultam dos encontros virtuais, a percepção diária é de que elas aumentam paralelamente ao crescimento em geral dos delitos cometidos na rede. Dados da Delegacia Especializada de Investigação de Crimes Cibernéticos de Belo Horizonte mostram que os crimes praticados pela internet aumentaram 63,6% entre 2012 e o ano passado, passando de 762 para 1.247.
Neste ano, até o fim de julho, já foram mais de 1 mil, ou seja, 80% de todo o ano passado. “Todos os crimes cibernéticos têm aumentado muito. Entre as denúncias, também crescem as de caráter amoroso”, explica a delegada titular da 1ª Delegacia de Crimes Cibernéticos, Paloma Boson Kairala. Ela diz que, de modo geral, as vítimas têm o mesmo perfil: mulheres maduras, separadas ou viúvas, em busca de um novo amor para suprir a carência afetiva.
Em outras situações, são as mais jovens que caem nas mãos de homens que as estupram depois de encontros marcados pela internet. A conversa nos aplicativos de namoro segue para troca de telefones e o bate-papo. Quem usa as redes sociais para fins afetivos afirma que a ferramenta é útil e divertida. Mas casos reais mostram que é preciso cautela antes de revelar telefone, endereço e dados pessoais. “Mulheres que marcam encontros sem saber a procedência do candidato têm relatado casos de estupro ou exposição de intimidade na internet”, alerta a delegada-adjunta da Delegacia de Mulheres de Belo Horizonte, Cristiane Ferreira Lopes.
Festas marcadas pela internet que reúnem centenas de pessoas que não se conhecem também são terreno fértil para crimes. “As pessoas confirmam presença sem saber quem são os organizadores, ficam embriagadas, aceitam carona ou convite para dormir na casa de rapazes e acabam estupradas”, alerta a delegada. Segundo ela, são frequentes os casos em que jovens procuram a polícia relatando não se lembrar do que aconteceu, que acordam na casa de pessoas que nunca viram, nuas ou com sêmen em suas partes íntimas. Em um dos casos, uma garota nem sabia se havia sido estuprada, depois de participar de festa marcada pela internet. “Por isso, é muito importante preservar a prova técnica. A mulher não deve tomar banho e sim procurar a polícia imediatamente para prestar queixa e fazer exames”, orienta a delegada.
Príncipe vira monstro Criminosos virtuais adotam artimanhas diversas, como promessa de casamento, para conseguir dinheiro e outros bens de mulheres por meio de relacionamento pela internet
Valquiria Lopes
![]() | |
| "Foi um grande susto, porque descobri que aquele homem romântico fazia parte de uma máfia que aplica golpes em mulheres no mundo inteiro" - L., de 51 anos, que chegou a acreditar no criminoso |
“Ele me enviou um convite pelo Skype, começamos a conversar e a namorar. Ele dizia que queria um novo amor, uma companheira para dividir um lar e que viria morar no Brasil. Eu só queria ser amada, queria ter alguém”, conta, ressentida. Nos momentos íntimos do casal, mantidos sempre pelo meio virtual, James prometia amor e afirmava que o que mais queria era estar ao lado dela. Ele chegou a apresentar a S. uma filha, Emily, de 20 anos, da qual ela ficou amiga.
Os problemas começaram com os primeiros pedidos de transferência bancária. Segundo a mulher, James disse que participaria de uma concorrência para construir 60 prédios no Peru, para onde viajou. De lá, recorri a S. para pagar a emissão e o envio de um documento muito importante para o processo. Foi o primeiro dos muitos depósitos feitos por ela. Em seguida, o golpista e a falsa filha inventaram dramas envolvendo doença, acidentes de carro, coma, falta de dinheiro para pagar diárias de hotel e alimentação.
“Ele me disse que estava passando fome no Peru e que não tinha como voltar para os EUA. Me pedia para salvar a vida da filha, que tinha ido para um safari na África e se acidentou. Um médico de Gana começou a entrar em contato comigo e pedir dinheiro para o tratamento da garota. Eu a tinha como filha e fiz de tudo para salvá-la”, lembra. Todas as despesas seriam pagas com dinheiro de uma herança de James, como ele lhe informou. “Mas a mala, enviada por um diplomata da Inglaterra, havia ficado presa na alfândega no Brasil. Tive que pagar várias taxas para liberá-la. Era tudo uma farsa”, conta.
DOR A partir das histórias mirabolantes, S. começou a entrar numa roda viva de prejuízo e dor. “Peguei dinheiro emprestado onde pude para ajudá-lo. No banco, nas lojas de departamento onde eu tinha crédito, com agiotas, vizinhos e parentes. Minha irmã e meu afilhado me alertaram que era golpe, mas eu não acreditava. Estava me sentindo amada. Não fazia aquilo pelo dinheiro, mas pelo sonho de se sentir querida, ter alguém para me perguntar como foi meu dia, para dormir abraçada, e ele se aproveitou disso”.
S. conta que o golpista não roubou apenas o dinheiro. “Ele roubou meus sonhos. Hoje vivo um pesadelo. Envelheci. Minha pele está envelhecida, meus cabelos ficaram brancos. Engordei e não estou me arrumando.” Um dos maiores dramas que S. ainda vive é a rejeição do pai. “Peguei R$ 7 mil com meu pai e depois o ouvi me chamar de pilantra, parou de me atender ao telefone. Todos acreditaram em mim e eu decepcionei todos”, afirma, aos prantos. Para ela., fica a certeza de que antes de se relacionar com alguém na internet é preciso ter cuidado: “Fiquei cega, não fiz nenhuma busca na internet, nada. Hoje sei que não se pode acreditar em alguém assim”. O desespero chegou ao extremo quando S., sem dinheiro e com as todas as contas atrasadas, começou a passar fome. Orientada pela família, ela procurou a polícia.
SEM SOLUÇÃO O caso é investigado pela Polícia Civil. Um morador de BH chegou a ser rastreado, mas nem ele nem os comparsas estrangeiros foram presos. Em todo o estado, são apenas duas delegacias especializadas em crimes cibernéticos, ambas na capital. Os crimes no interior são apurados nas delegacias de área.
Em BH, os processos se acumulam em pilhas nas salas de dois delegados.
Especialista em direito virtual, o advogado Alexandre Atheniense diz que a legislação evoluiu para punir crimes na rede, depois da aprovação do Marco Civil, que prevê, entre outras medidas, que a vítima solicite diretamente ao provedor a retirada de conteúdo difamatório.
Um falso militar sedutor
Foi por pouco que L., de 51, não caiu no conto do vigário virtual. O falso militar norte-americano Jefferey Willian, como se apresentou, surgiu na vida dela há dois meses, tempo suficiente para tentar lesá-la com pedido de depósitos em contas bancárias no exterior. A aproximação surgiu em um site de conversas. “Ele se mostrou um homem carinhoso, honesto e bem formado. Disse que era viúvo e que tinha um filho de 5 anos, que estava indo servir na guerra da Síria, mas que quando voltasse queria vir ao Brasil para ficar comigo”, lembra.
O golpe começou a tomar forma quando Jefferey perguntou sobre o patrimônio de L., divorciada há 17 anos, que mora com os dois filhos no Bairro São Marcos, na Região Nordeste de BH: “Ele passou a perguntar se eu morava em casa ou apartamento, se era meu ou alugado, quanto valia”. Ela, então, estranhou. O homem chegou a enviar uma foto falsa dele e do filho. Dizia o tempo todo pelas mensagens na internet que precisava de L. para ajudar a criar o menino.
“Há três semanas, resolvi pesquisar o nome dele na internet e tudo foi desvendado. Foi um grande susto, porque descobri que aquele homem romântico fazia parte de uma máfia nigeriana que aplica golpes em mulheres no mundo inteiro”, conta, decepcionada. Contra os scrammers, como são chamados, já haviam denúncias de transferências vultosas e de muito prejuízo. “Para mim, foi um alívio, mas confesso que o processo é muito sedutor. Graças a Deus, descobri tudo antes.”
PALAVRA DE ESPECIALISTA:
Roberto Chateaubriand domingues, Psicólogo e presidente do Conselho regional de psicologia
Dependência emocional
O que diz se uma mulher será ou não vítima é a fragilidade dela, o quanto ela se entrega e acredita em histórias fantasiosas para se sentir desejada. As questões de gênero no Brasil estabelecem uma hierarquia que coloca a mulher em um papel emocionalmente dependente do homem, algo que precisa ser enfrentado. Outro motivo é a construção subjetiva da mulher que, quando madura, passa a acreditar que está fora do mercado, que não é desejada, que está fora dos padrões de beleza. Essa mulher cria uma fantasia de que a vida se encerrou e fica cada vez mais susceptível a cair em meia dúzia de palavras românticas. É como se esse homem a trouxesse de volta à juventude e ela faz tudo para manter essa situação, inclusive se desfaz de seu patrimônio e se endivida. E se já era uma mulher fragilizada, ao descobrir o golpe ela vai ao ‘subsolo’. Muitas caem em depressão. Apesar dos casos individuais, a solução para esse tipo de comportamento é coletiva e passa pela valorização pessoal.
CUIDADO
Dicas para evitar ser vítima de crimes na internet
Pesquise sobre a pessoa com que está mantendo contato. Uma simples busca no Google pode revelar se ela está envolvida em crimes
Nunca revele dados pessoais a alguém que você não conheça nem confie, como endereço e dados bancários
Não se deixe levar por histórias dramáticas que resultem em pedidos de depósitos bancários
Compartilhe com um familiar ou amigo que está se relacionando com alguém na internet
Se for marcar encontros, prefira sempre locais públicos e, de preferência, leve um acompanhante
Não aceite que a pessoa vá te buscar em casa, nem dê carona na volta
Não envie fotos íntimas a pessoas desconhecidas, porque o material pode ser publicado na rede e causar sérios danos
Se for a festas marcadas por desconhecidos pela internet, leve acompanhantes e não aceite caronas na volta pra casa
Fonte: Polícia Civil de Minas Gerais
É osso - Falta de cálcio pode levar organismo a atacar reservas do esqueleto
Falta de cálcio pode levar organismo a
atacar reservas do esqueleto, causando fraturas e deixando as pessoas
dependentes de cuidadores. Necessidade diária é de 1.000 mg ao dia
Zulmira Furbino
Estado de Minas: 03/08/2014
A preocupação com a saúde, o bem-estar e a aparência já levou milhões de brasileiros a mudarem radicalmente o seu modo de vida, incluindo na rotina uma alimentação mais saudável e exercícios físicos. Estão na mira dessas pessoas as dietas saudáveis, os exercícios aeróbicos, a musculação e as inúmeras variações sobre o mesmo tema. A ideia principal é fortalecer os músculos e o coração e, com isso, viver mais, melhor e de preferência sair cada vez mais mais bonito na foto. O que a maioria das pessoas esquece, porém, é que a saúde dos ossos é fundamental para alcançar esses objetivos.
Com base no crescimento demográfico, a International Osteoporosis Foundation (OIF) estima que, no Brasil, o número de fraturas por osteoporose – doença que se caracteriza pela diminuição progressiva da densidade óssea e pelo aumento da fragilidade dos ossos – seja multiplicado em mais de cinco vezes, saltando de 124 mil no Brasil para 639 mil ao ano até 2050. “Até 25% dos fraturados morrem no primeiro ano em que sofreram a fratura. Além disso, de cada 100 pessoas que tiveram o fêmur fraturado, 25 vão enfrentar problemas como embolia, pneumonia e infecções decorrentes da própria fratura”, informa Bruno Muzzi Camargos, ginecologista e especialista em densitometria óssea e osteometabolismo. De acordo com ele, entre os que sobrevivem, 50% passam a depender de um cuidador de forma permanente e apenas 20% voltam às atividades normais.
Para evitar esse problema, o melhor caminho é a prevenção. O ortopedista Ildeu Almeida, presidente da regional mineira da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, explica que é importante fazer uma “reserva óssea” desde a infância. “A prática de esportes, aliada a uma vida saudável e à boa alimentação vão determinar a formação de um bom estoque ósseo”, explica. Aqueles que acreditam que não possuem essa “poupança”, devem adotar uma dieta mais rica em cálcio e fazer exercícios físicos porque, do contrário, as perdas de massa óssea serão maiores, o que muito cedo pode levar à osteoporose.
Além dessa mudança de hábitos, o sol ocupa um papel fundamental na prevenção da doença. “As pessoas só se lembram da saúde óssea quando começam a perdê-la. Mas a osteoporose é um mal geriátrico que tem prevenção pediátrica”, explica Camargos. Segundo o especialista, a criança que cresce em frente ao videogame, comendo fast-food e tomando refrigerante é uma forte candidata a sofrer de osteoporose depois da idade adulta. “Exercício físico, cálcio e vitamina D são as coisas mais importantes para a manutenção da saúde óssea”, define. Para garantir o estoque de vitamina D no corpo por uma semana, basta tomar sol em cerca de um terço do corpo (as duas pernas ou os dois braços, por exemplo) por 20 minutos, sem protetor solar. No caso de contra-indicações, como risco de câncer de pele, é possível ingerir a vitamina em gotas.
Junto com o cálcio e os exercícios físicos, a vitamina D forma o tripé essencial para que se possa ter ossos saudáveis. “Não adianta cálcio sem vitamina D. É um casamento. O cálcio é o ator principal e a vitamina D possibilita a entrada dele na corrente sanguínea”, explica Bruno Camargos. Com a vitamina D, o intestino aproveita melhor o cálcio ingerido por uma pessoa. Além de fortalecer os ossos, o cálcio também é responsável pelo bom funcionamento dos músculos, inclusive o coração e o diafragma, e até pelos impulsos nervosos do cérebro. Na falta dele, o organismo tira o cálcio das reservas que se encontram no esqueleto. “O esqueleto é a nossa poupança de cálcio e a alimentação é a nossa conta corrente”, compara o médico.
A necessidade de ingestão diária de cálcio é de 1.000 miligramas ao dia, mas conseguir atingir a meta não é nada fácil. Um copo de leite contém 250 miligramas (mg) de cálcio, meio prato de couve 80 mg e uma fatia de queijo Minas do tamanho de uma caixa de fósforos 250 mg. Ou seja: não é simples suprir nas necessidades diárias desse elemento num só dia. Para facilitar a vida de quem precisa ingerir mais cálcio, a indústria de laticínios já lançou produtos fortificados como iogurtes, que concentram 500 mg de cálcio numa só porção. “Nenhum preparador físico ou nutricionista recomenda uma dieta pobre em cálcio porque a falta dele dificulta a queima da gordura. O cálcio é importante para todas as funções bioquímicas do corpo”, resume.
Segundo o Ministério da Saúde, entre 2008 e 2013 houve um aumento de quase 30% nas fraturas de fragilidade em idosos. Foram 67.664 em 2008 e 85.939 em 2013. Hoje, o Brasil possui cerca de 14,9 milhões de pessoas idosas, o equivalente a 7,4% do total da população. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de idosos no país deve atingir a marca de 58,4 milhões em 2060. Neste período, a expectativa de vida também deve aumentar dos atuais 75 anos para 81 anos.
Dependendo do grau de saúde do osso, é importante a avaliação médica especializada. “De acordo com o grau de perda óssea, existem medicamentos de uso oral, nasal, venoso ou subcutâneo. As medicações avançaram muito. Antes o paciente tinha que tomar um comprimido diário, hoje pode ser um por semana, um por mês ou uma dose venosa anual”, diz. Na questão ortopédica, o avanço do tratamento das fraturas conta com instrumentais específicos para ossos frágeis, como é o caso da placa de ângulo fixo desenvolvida especificamente para ossos osteoporóticos. “Trata-se de uma placa com parafuso, que envolve não só o osso, mas a própria placa”, explica Ildeu Almeida.
ENQUANTO ISSO...
Congresso em tiradentes
Ortopedistas de todo o país reúnem-se de 14 a 16 de agosto, no 19º Congresso Mineiro de Ortopedia e Traumatologia, em Tiradentes, na região Central de Minas. O evento, organizado pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia/Regional Minas Gerais, tem o objetivo de debater, entre outros temas, a atualização no tratamento da osteoartrose, inovações na abordagem das infecções osteoarticulares e os avanços recentes no trauma ortopédico. Serão 70 palestras de 12 subespecialidades ortopédicas (trauma, coluna, ombro, mão, quadril, joelho, pé/tornozelo, pediátrica, oncologia, osteometabólica, alongamento/ reconstrução e medicina esportiva) e 21 mesas redondas com discussão de casos reais de maior complexidade e de alta relevância no treinamento dos especialistas.
Cálcio
O que é
Importante mineral que o organismo precisa para realizar grande número de funções
para que serve
n formação e manutenção de ossos e dentes
n coagulação do sangue
n transmissão de impulsos nervosos
n regulação do ritmo cardíaco
Como acontece a absorção pelo organismo
Cerca de 99% do cálcio presente no corpo humano está armazenado nos ossos e dentes, enquanto apenas 1% circula pelo sangue e em outros tecidos. O organismo realiza suas funções vitais obtendo cálcio de duas maneiras: pela alimentação ou retirando-o dos ossos
Diariamente, ocorre pequena perda de cálcio pela urina. É importante repor essa perda por meio da alimentação
O cálcio presente em diversos alimentos é absorvido pela parede do intestino delgado
Para que ocorra uma adequada absorção, é necessária a presença da vitamina D3, que só se faz presente no organismo com a exposição do indivíduo aos raios solares ou com a adoção de uma alimentação rica em fontes dessa vitamina
Os campeões
Amêndoas: 1/3 de xícara contém 50 miligramas
Melado escuro: 1 colher de sopa contém 137 miligramas
Alga hijiki seca: 1/4 de xícara contém 162 miligramas
Hummus (pasta árabe de grão de bico): 1/2 xícara contém 81 miligramas
Quinua (cereal andino): 1 xícara contém 50 miligramas
Tahine (pasta de gergelim): 2 colheres de sopa contêm 128 miligramas
Tofu: 1/4 de xícara contém 430 miligramas
Alga wakame seca: 1/4 de xícara contém 104 miligramas
Zulmira Furbino
Estado de Minas: 03/08/2014
A preocupação com a saúde, o bem-estar e a aparência já levou milhões de brasileiros a mudarem radicalmente o seu modo de vida, incluindo na rotina uma alimentação mais saudável e exercícios físicos. Estão na mira dessas pessoas as dietas saudáveis, os exercícios aeróbicos, a musculação e as inúmeras variações sobre o mesmo tema. A ideia principal é fortalecer os músculos e o coração e, com isso, viver mais, melhor e de preferência sair cada vez mais mais bonito na foto. O que a maioria das pessoas esquece, porém, é que a saúde dos ossos é fundamental para alcançar esses objetivos.
Com base no crescimento demográfico, a International Osteoporosis Foundation (OIF) estima que, no Brasil, o número de fraturas por osteoporose – doença que se caracteriza pela diminuição progressiva da densidade óssea e pelo aumento da fragilidade dos ossos – seja multiplicado em mais de cinco vezes, saltando de 124 mil no Brasil para 639 mil ao ano até 2050. “Até 25% dos fraturados morrem no primeiro ano em que sofreram a fratura. Além disso, de cada 100 pessoas que tiveram o fêmur fraturado, 25 vão enfrentar problemas como embolia, pneumonia e infecções decorrentes da própria fratura”, informa Bruno Muzzi Camargos, ginecologista e especialista em densitometria óssea e osteometabolismo. De acordo com ele, entre os que sobrevivem, 50% passam a depender de um cuidador de forma permanente e apenas 20% voltam às atividades normais.
Para evitar esse problema, o melhor caminho é a prevenção. O ortopedista Ildeu Almeida, presidente da regional mineira da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, explica que é importante fazer uma “reserva óssea” desde a infância. “A prática de esportes, aliada a uma vida saudável e à boa alimentação vão determinar a formação de um bom estoque ósseo”, explica. Aqueles que acreditam que não possuem essa “poupança”, devem adotar uma dieta mais rica em cálcio e fazer exercícios físicos porque, do contrário, as perdas de massa óssea serão maiores, o que muito cedo pode levar à osteoporose.
Além dessa mudança de hábitos, o sol ocupa um papel fundamental na prevenção da doença. “As pessoas só se lembram da saúde óssea quando começam a perdê-la. Mas a osteoporose é um mal geriátrico que tem prevenção pediátrica”, explica Camargos. Segundo o especialista, a criança que cresce em frente ao videogame, comendo fast-food e tomando refrigerante é uma forte candidata a sofrer de osteoporose depois da idade adulta. “Exercício físico, cálcio e vitamina D são as coisas mais importantes para a manutenção da saúde óssea”, define. Para garantir o estoque de vitamina D no corpo por uma semana, basta tomar sol em cerca de um terço do corpo (as duas pernas ou os dois braços, por exemplo) por 20 minutos, sem protetor solar. No caso de contra-indicações, como risco de câncer de pele, é possível ingerir a vitamina em gotas.
Junto com o cálcio e os exercícios físicos, a vitamina D forma o tripé essencial para que se possa ter ossos saudáveis. “Não adianta cálcio sem vitamina D. É um casamento. O cálcio é o ator principal e a vitamina D possibilita a entrada dele na corrente sanguínea”, explica Bruno Camargos. Com a vitamina D, o intestino aproveita melhor o cálcio ingerido por uma pessoa. Além de fortalecer os ossos, o cálcio também é responsável pelo bom funcionamento dos músculos, inclusive o coração e o diafragma, e até pelos impulsos nervosos do cérebro. Na falta dele, o organismo tira o cálcio das reservas que se encontram no esqueleto. “O esqueleto é a nossa poupança de cálcio e a alimentação é a nossa conta corrente”, compara o médico.
A necessidade de ingestão diária de cálcio é de 1.000 miligramas ao dia, mas conseguir atingir a meta não é nada fácil. Um copo de leite contém 250 miligramas (mg) de cálcio, meio prato de couve 80 mg e uma fatia de queijo Minas do tamanho de uma caixa de fósforos 250 mg. Ou seja: não é simples suprir nas necessidades diárias desse elemento num só dia. Para facilitar a vida de quem precisa ingerir mais cálcio, a indústria de laticínios já lançou produtos fortificados como iogurtes, que concentram 500 mg de cálcio numa só porção. “Nenhum preparador físico ou nutricionista recomenda uma dieta pobre em cálcio porque a falta dele dificulta a queima da gordura. O cálcio é importante para todas as funções bioquímicas do corpo”, resume.
Segundo o Ministério da Saúde, entre 2008 e 2013 houve um aumento de quase 30% nas fraturas de fragilidade em idosos. Foram 67.664 em 2008 e 85.939 em 2013. Hoje, o Brasil possui cerca de 14,9 milhões de pessoas idosas, o equivalente a 7,4% do total da população. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de idosos no país deve atingir a marca de 58,4 milhões em 2060. Neste período, a expectativa de vida também deve aumentar dos atuais 75 anos para 81 anos.
Dependendo do grau de saúde do osso, é importante a avaliação médica especializada. “De acordo com o grau de perda óssea, existem medicamentos de uso oral, nasal, venoso ou subcutâneo. As medicações avançaram muito. Antes o paciente tinha que tomar um comprimido diário, hoje pode ser um por semana, um por mês ou uma dose venosa anual”, diz. Na questão ortopédica, o avanço do tratamento das fraturas conta com instrumentais específicos para ossos frágeis, como é o caso da placa de ângulo fixo desenvolvida especificamente para ossos osteoporóticos. “Trata-se de uma placa com parafuso, que envolve não só o osso, mas a própria placa”, explica Ildeu Almeida.
ENQUANTO ISSO...
Congresso em tiradentes
Ortopedistas de todo o país reúnem-se de 14 a 16 de agosto, no 19º Congresso Mineiro de Ortopedia e Traumatologia, em Tiradentes, na região Central de Minas. O evento, organizado pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia/Regional Minas Gerais, tem o objetivo de debater, entre outros temas, a atualização no tratamento da osteoartrose, inovações na abordagem das infecções osteoarticulares e os avanços recentes no trauma ortopédico. Serão 70 palestras de 12 subespecialidades ortopédicas (trauma, coluna, ombro, mão, quadril, joelho, pé/tornozelo, pediátrica, oncologia, osteometabólica, alongamento/ reconstrução e medicina esportiva) e 21 mesas redondas com discussão de casos reais de maior complexidade e de alta relevância no treinamento dos especialistas.
Cálcio
O que é
Importante mineral que o organismo precisa para realizar grande número de funções
para que serve
n formação e manutenção de ossos e dentes
n coagulação do sangue
n transmissão de impulsos nervosos
n regulação do ritmo cardíaco
Como acontece a absorção pelo organismo
Cerca de 99% do cálcio presente no corpo humano está armazenado nos ossos e dentes, enquanto apenas 1% circula pelo sangue e em outros tecidos. O organismo realiza suas funções vitais obtendo cálcio de duas maneiras: pela alimentação ou retirando-o dos ossos
Diariamente, ocorre pequena perda de cálcio pela urina. É importante repor essa perda por meio da alimentação
O cálcio presente em diversos alimentos é absorvido pela parede do intestino delgado
Para que ocorra uma adequada absorção, é necessária a presença da vitamina D3, que só se faz presente no organismo com a exposição do indivíduo aos raios solares ou com a adoção de uma alimentação rica em fontes dessa vitamina
Os campeões
Amêndoas: 1/3 de xícara contém 50 miligramas
Melado escuro: 1 colher de sopa contém 137 miligramas
Alga hijiki seca: 1/4 de xícara contém 162 miligramas
Hummus (pasta árabe de grão de bico): 1/2 xícara contém 81 miligramas
Quinua (cereal andino): 1 xícara contém 50 miligramas
Tahine (pasta de gergelim): 2 colheres de sopa contêm 128 miligramas
Tofu: 1/4 de xícara contém 430 miligramas
Alga wakame seca: 1/4 de xícara contém 104 miligramas
Pluralidade da cozinha de MG
Descoberta do ouro atraiu gente de todo o país e de Portugal
Ilmar de Jesus
Estado de Minas: 03/08/2014
Ilmar de Jesus
Estado de Minas: 03/08/2014
A culinária
mineira é sinônimo de tradição e pluralidade. As receitas passadas de
geração em geração contam com rico cenário típico. Além das montanhas do
estado, o fogão a lenha e as linguiças ou carnes penduradas sobre o
fogão fazem parte da paisagem. Os quitutes e quitandas, presentes nos
853 municípios mineiros, rendem boas histórias, resgatando as lembranças
da época remota do Ciclo do Ouro, que estimulou o encontro de
diferentes culturas. A diversidade da cozinha mineira é reconhecida
nacional e internacionalmente, com a realização de eventos ligados ao
setor.
Conforme pesquisa realizada em 2012 pela Secretaria de Estado de Turismo (Setur), 22% dos entrevistados responderam que, quando pensam em Minas Gerais, logo associam o estado à gastronomia. Em segundo lugar, ficaram as montanhas, 18%, seguidas por paisagens, 9%. A simplicidade e o sabor da culinária deram espaço para que a cozinha se tornasse mais que um ambiente para servir refeições, sendo considerada como um espaço propício para as conversas e a integração das pessoas. Nesse cenário, broas, pão de queijo, tutu, doce de leite e frango com quiabo, entre outros pratos, se tornaram ainda mais apreciados. A riqueza da gastronomia se tornou uma atração estadual para o turista nacional e internacional. Durante todo o ano, são promovidos diversos eventos gastronômicos e festivais com pratos típicos de cada região. A culinária mineira já recebeu convites para representar o Brasil em eventos internacionais, participando de encontros como o 11º Congresso Internacional Gastronômico Madri Fusion, principal evento da gastronomia mundial, e a Feira de Livros de Frankfurt. A tradição da cozinha mineira teve início durante o século 18, quando o Brasil viveu o Ciclo do Ouro. A descoberta de ouro e diamantes em Minas Gerais atraiu pessoas de diferentes regiões brasileiras e do exterior, como portugueses, interessados em ganhar dinheiro com o garimpo. O aumento do fluxo de residentes em Minas, que ainda era habitado por índios e escravos, estimulou a criação de pequenas hortas e pomares com alimentos de fácil cultivo, como mandioca, couve, milho, taioba, feijão, inhame e abóbora. Os animais de pequeno porte e com baixo custo para criação, como o porco e a galinha, também eram criados para alimentação.
A união dessas diferentes culturas deu origem a novas receitas, que, hoje, são reconhecidas internacionalmente. Das tribos indígenas, por exemplo, surgiram receitas de escaldado, pirão, farofas, pratos à base de mandioca e de milho, ingredientes básicos para as canjicas, mingaus e papas. Os portugueses ensinaram a utilizar o ovo de galinha e a servir sobremesas, com a criação de doces com elementos típicos do Brasil, como amendoins e castanhas nativas, bananas, cajus, araçás e ananases. Já dos escravos, foi herdada a rapadura com farinha, entre outros. Por meio dos sabores presentes nos pratos típicos de cada município de Minas é possível conhecer e resgatar a história de cada região. O reconhecimento dessas receitas é primordial para valorizar e perpetuar a cultura do estado.
Conforme pesquisa realizada em 2012 pela Secretaria de Estado de Turismo (Setur), 22% dos entrevistados responderam que, quando pensam em Minas Gerais, logo associam o estado à gastronomia. Em segundo lugar, ficaram as montanhas, 18%, seguidas por paisagens, 9%. A simplicidade e o sabor da culinária deram espaço para que a cozinha se tornasse mais que um ambiente para servir refeições, sendo considerada como um espaço propício para as conversas e a integração das pessoas. Nesse cenário, broas, pão de queijo, tutu, doce de leite e frango com quiabo, entre outros pratos, se tornaram ainda mais apreciados. A riqueza da gastronomia se tornou uma atração estadual para o turista nacional e internacional. Durante todo o ano, são promovidos diversos eventos gastronômicos e festivais com pratos típicos de cada região. A culinária mineira já recebeu convites para representar o Brasil em eventos internacionais, participando de encontros como o 11º Congresso Internacional Gastronômico Madri Fusion, principal evento da gastronomia mundial, e a Feira de Livros de Frankfurt. A tradição da cozinha mineira teve início durante o século 18, quando o Brasil viveu o Ciclo do Ouro. A descoberta de ouro e diamantes em Minas Gerais atraiu pessoas de diferentes regiões brasileiras e do exterior, como portugueses, interessados em ganhar dinheiro com o garimpo. O aumento do fluxo de residentes em Minas, que ainda era habitado por índios e escravos, estimulou a criação de pequenas hortas e pomares com alimentos de fácil cultivo, como mandioca, couve, milho, taioba, feijão, inhame e abóbora. Os animais de pequeno porte e com baixo custo para criação, como o porco e a galinha, também eram criados para alimentação.
A união dessas diferentes culturas deu origem a novas receitas, que, hoje, são reconhecidas internacionalmente. Das tribos indígenas, por exemplo, surgiram receitas de escaldado, pirão, farofas, pratos à base de mandioca e de milho, ingredientes básicos para as canjicas, mingaus e papas. Os portugueses ensinaram a utilizar o ovo de galinha e a servir sobremesas, com a criação de doces com elementos típicos do Brasil, como amendoins e castanhas nativas, bananas, cajus, araçás e ananases. Já dos escravos, foi herdada a rapadura com farinha, entre outros. Por meio dos sabores presentes nos pratos típicos de cada município de Minas é possível conhecer e resgatar a história de cada região. O reconhecimento dessas receitas é primordial para valorizar e perpetuar a cultura do estado.
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