Zero Hora 03/08/2014
Meu fascínio pelo M começou muito cedo, praticamente no dia em que registraram meu nascimento. Meu nome completo é Martha Mattos de Medeiros, o que tornou inevitável o protagonismo que a 13ª letra do alfabeto (incluindo o K) passou a exercer sobre mim. E não parou por aí. Passei a desenvolver simpatia também pelas portadoras de duplo M, como Marilyn Monroe, Malu Mader, Marisa Monte, Monica Martelli, Mallu Magalhães. E Madonna, lógico, com seu M único, mas que potência.
Não demorou até eu expandir a atenção que dava aos nomes próprios: um dia percebi que o mundo feminino era quase todo regido pela mesma letra. Me acompanhe: mulher, moça, menina, mãe, maternidade, menstruação, menopausa, miss, modelo, manequim, musa, madrasta, madame, madre, mama, mana, matriarca, meretriz, mina. Sem falar em Maria, nossa Senhora. Ou a Maria que trabalha em nossa casa, santa também.
Foi quando, na virada dos anos 2000, resolvi escrever um livro salientando todos os emes (e por que não, as emes) que norteavam minha vida, porém comecei o trabalho de um jeito e terminei de outro: virou um romance chamado Divã, que escapou da minha intenção inicial e acabou virando uma história de ficção, ainda que com forte interferência da maneira como vejo o mundo. Agora você sabe: o fato de a protagonista se chamar Mercedes e a melhor amiga dela, Monica, não veio do nada.
Foi só um descaminho, não uma desistência. Continuei com a ideia fixa de colocar meus emes para trabalhar, e hoje não tenho dúvida de que a internet é o canal mais adequado. O mundo se virtualizou de uma forma que não tem volta, e mesmo pouco familiarizada com todos os recursos tecnológicos disponíveis, está mais do que na hora de me aventurar. Então, é essa a novidade que trago: estou lançando meu primeiro site oficial.
Ele não apresentará nada de extravagante: apenas minha agenda de compromissos profissionais, meu currículo até aqui, algumas opiniões que não merecem mais do que três linhas, compartilhamentos de músicas, livros e demais preferências particulares. E os emes que me fizeram ser quem sou. M de Mochila, M de Movimento, M de Monareta, M de Marrocos, M de Maverick, M de Medo, M de Máquina de Escrever e tantos outros. Uma biografia em cápsulas. Não vai faltar assunto, espero.
Tudo curto e rápido, mas certamente M de Meu.
Como já disse, não sou a melhor representante desse mundo dinâmico, então não haverá atualizações num piscar de olhos e o conteúdo será M de Modesto, mas se ainda assim você achar que vale a pena dar uma olhada, gratíssima. Anote aí: martha-medeiros.com
A partir de amanhã. Misericórdia.
domingo, 3 de agosto de 2014
EM DIA COM A PSICANáLISE » Viagem vertical
EM DIA COM A PSICANáLISE »
Viagem vertical
Estado de Minas: 03/08/201
Estado de Minas: 03/08/201
“A descida seduz/
como seduziu a subida./ Nunca a derrota é só derrota, pois/ o mundo que
ela abre é sempre uma parada/ antes/ insuspeitada”
Carlos William Carlos, A descida
Mais uma vez, insisto. Existe a possibilidade de passarmos a vida sem saber nossos porquês. É possível sobreviver com referências externas, em função do desejo e da demanda do outro, numa servidão voluntária, ignorando essa alienação radical.
Num relato romanceado dessa experiência humana nada incomum, Enrique Vila-Matas, catalão de Barcelona (1948), jornalista com livros de contos e romances publicados em vários países, nos apresenta Mayol. Personagem do livro A viagem vertical (2001, Cosacnaify), ganhador do prêmio Rómulo Gallegos (2001) de melhor romance de língua espanhola.
Alguns livros nos levam a pensar como pudemos viver sem conhecê-los mais cedo. Dá vontade de decorá-los, de nunca deixá-los cair no esquecimento. Um romance comovente sobre Frederico Mayol, que, um dia, depois de suas bodas de ouro, é mandado embora da vida da esposa.
Júlia alega que não se conhece. Passou toda a vida servindo ao esposo; precisava agora, na reta final, saber pelo menos do que gostava ou não. Precisava descobrir quem é realmente essa pessoa, ela própria, que se desconhece.
Abalado, Frederico achou que talvez ela estivesse ficando louca ou brincando, depois viu a seriedade das palavras e um sorriso de nenhuma graça. Levou dias para processar a informação. Como foi difícil deixar sua cadeira de toda a vida vazia.
Dos três filhos do casal, nenhum pôde ajudá-lo. O caçula, artista medíocre e arrogante, apontava a falta de cultura e inferioridade do pai, atingindo Frederico em sua ferida mais doída. Tinha interrompido seus estudos aos 13 anos e jamais pudera retomá-los, já que, no pós-guerra, tornou-se arrimo de família. Ofendido, Frederico Mayol elege o filho alvo de todo o seu ódio.
Ele parte para uma viagem vertical e concorda em se afundar nela até o fim, o desaparecimento. Viaja para a cidade do Porto, Lisboa, e dali para a Ilha da Madeira, onde encontrou seu biógrafo.
Octogenário, é surpreendido pela falta de sentido de tudo aquilo que acreditava, e decide sumir desta vida o mais cedo possível. Buscava seu centro de gravidade, seu eixo. Um homem que resolve renascer diante da proximidade da morte, reinventar uma vida quando nada mais parece valer a pena. Buscar seu porto metafísico.
Na experiência analítica é assim. Buscamos nosso porto metafísico, como um ancoramento, uma referência situada no interior, que nos permite a estabilidade de saber mais um pouco sobre o desejo, sobre um ignorado nunca desvelado absolutamente, porque o inconsciente não se traduz todo. Permanece insabido. Parte do desejo pode-se saber, porém, nem mesmo é possível dizer se em grande ou pequena proporção.
E cada psicanálise é isto: uma viagem vertical em busca de um continente interior insuspeitado, que se revela a cada passo da escuta daquilo que dizemos muitas vezes sem suspeitar do que de fato falamos. Uma verdade oculta buscando se revelar por meio de ansiedade, angústia e sintomas insuportáveis, que foram se instalando no encontro com a dureza de um real imutável.
Sim, a cada vontade, a cada desejo o mundo nos contraria desmentindo nossa pretensa importância. A cada dia, hora, minuto somos obrigados a nos reconhecer um minúsculo grão de areia no universo. Essa desimportância fere mortalmente o narcisismo e, no entanto, admiti-la nos faz maiores e melhores.
Somos pó frente ao universo magnífico. No entanto, somos mais diante da consciência parcial da subjetividade, que nos permite fazer a viagem vertical e encontrar acordo com um desejo vital que abre a janela de algum sentido a ser construído durante nossa passagem pela vida.
Carlos William Carlos, A descida
Mais uma vez, insisto. Existe a possibilidade de passarmos a vida sem saber nossos porquês. É possível sobreviver com referências externas, em função do desejo e da demanda do outro, numa servidão voluntária, ignorando essa alienação radical.
Num relato romanceado dessa experiência humana nada incomum, Enrique Vila-Matas, catalão de Barcelona (1948), jornalista com livros de contos e romances publicados em vários países, nos apresenta Mayol. Personagem do livro A viagem vertical (2001, Cosacnaify), ganhador do prêmio Rómulo Gallegos (2001) de melhor romance de língua espanhola.
Alguns livros nos levam a pensar como pudemos viver sem conhecê-los mais cedo. Dá vontade de decorá-los, de nunca deixá-los cair no esquecimento. Um romance comovente sobre Frederico Mayol, que, um dia, depois de suas bodas de ouro, é mandado embora da vida da esposa.
Júlia alega que não se conhece. Passou toda a vida servindo ao esposo; precisava agora, na reta final, saber pelo menos do que gostava ou não. Precisava descobrir quem é realmente essa pessoa, ela própria, que se desconhece.
Abalado, Frederico achou que talvez ela estivesse ficando louca ou brincando, depois viu a seriedade das palavras e um sorriso de nenhuma graça. Levou dias para processar a informação. Como foi difícil deixar sua cadeira de toda a vida vazia.
Dos três filhos do casal, nenhum pôde ajudá-lo. O caçula, artista medíocre e arrogante, apontava a falta de cultura e inferioridade do pai, atingindo Frederico em sua ferida mais doída. Tinha interrompido seus estudos aos 13 anos e jamais pudera retomá-los, já que, no pós-guerra, tornou-se arrimo de família. Ofendido, Frederico Mayol elege o filho alvo de todo o seu ódio.
Ele parte para uma viagem vertical e concorda em se afundar nela até o fim, o desaparecimento. Viaja para a cidade do Porto, Lisboa, e dali para a Ilha da Madeira, onde encontrou seu biógrafo.
Octogenário, é surpreendido pela falta de sentido de tudo aquilo que acreditava, e decide sumir desta vida o mais cedo possível. Buscava seu centro de gravidade, seu eixo. Um homem que resolve renascer diante da proximidade da morte, reinventar uma vida quando nada mais parece valer a pena. Buscar seu porto metafísico.
Na experiência analítica é assim. Buscamos nosso porto metafísico, como um ancoramento, uma referência situada no interior, que nos permite a estabilidade de saber mais um pouco sobre o desejo, sobre um ignorado nunca desvelado absolutamente, porque o inconsciente não se traduz todo. Permanece insabido. Parte do desejo pode-se saber, porém, nem mesmo é possível dizer se em grande ou pequena proporção.
E cada psicanálise é isto: uma viagem vertical em busca de um continente interior insuspeitado, que se revela a cada passo da escuta daquilo que dizemos muitas vezes sem suspeitar do que de fato falamos. Uma verdade oculta buscando se revelar por meio de ansiedade, angústia e sintomas insuportáveis, que foram se instalando no encontro com a dureza de um real imutável.
Sim, a cada vontade, a cada desejo o mundo nos contraria desmentindo nossa pretensa importância. A cada dia, hora, minuto somos obrigados a nos reconhecer um minúsculo grão de areia no universo. Essa desimportância fere mortalmente o narcisismo e, no entanto, admiti-la nos faz maiores e melhores.
Somos pó frente ao universo magnífico. No entanto, somos mais diante da consciência parcial da subjetividade, que nos permite fazer a viagem vertical e encontrar acordo com um desejo vital que abre a janela de algum sentido a ser construído durante nossa passagem pela vida.
TeVê
Estado de Minas: 03/08/2014
TV paga
Na cozinha Domingo é dia de reunir a família para aquele almoço que é quase uma festa, não é mesmo? Então tem tudo a ver com Palmirinha Onofre (foto), a culinarista mais simpática da TV. Hoje, o canal Fox Life realiza uma maratona com quatro episódios de seu programa, a partir das 17h30. Os convidados são Luiz Thunderbird, Paloma Tocci, Evandro Santo e Negra Li.
Dança O Film&Arts estreia hoje, às 19h, o reality show Breaking Pointe, que revela os bastidores da companhia Ballet West, de Salt Lake City (EUA), mostrando a competitividade, a dedicação extrema, as intrigas e muitos outros acontecimentos comuns aos ensaios e aos grupos de dança. No primeiro dia é apresentado o diretor artístico Adam Sklute e os dois principais bailarinos, Christiana Benne e Christopher Rudd.
É lei Novidade também no Bio, que estreia, às 21h, a série Regras ocultas da Bíblia. A produção investiga não só a origem dos 10 mandamentos, mas também mais de 2 mil regras encontradas no livro sagrado. Essas normas abrangem praticamente todas as esferas da humanidade, do amor e da guerra à comida e à bebida, de como rezar ao que vestir.
Sério? Outro documentário em destaque na programação deste domingo é Apaixonada por Hitler, às 22h45, no NatGeo. O programa apresenta uma visão inédita da vida particular de Adolf Hitler e seus associados, vista pela lente da câmera de 16mm de sua amante, Eva Braun. Ou seja, tudo registrado na intimidade de sua casa na Baviera e nos bunkers.
Música A banda Lavoura (foto) é a atração de hoje do SescTV, a partir das 21h. Com sua mistura de jazz, MPB e música eletrônica, o grupo começa em Passagem de som e depois faz show na série Instrumental Sesc Brasil. Na Cultura, às 12h, estreia a nova temporada de Prelúdio, o show de calouros da música erudita – a cantora mineira (de Sete Lagoas) Luana Dourado está na primeira eliminatória.
De olho na telinha
Simone Castro
Perfeita sintonia
Quando uma novela começa levando o telespectador ao passado, uma das consequências pode ser o estranhamento em relação aos personagens de uma época e outra. Foi assim com Em família (Globo), em que na passagem da segunda para a terceira fase a troca de atores não correspondeu às expectativas. Por exemplo, Natália do Vale (Chica) não convenceu como mãe de Helena (Júlia Lemmertz). Não era para menos, já que as atrizes têm apenas dez anos de diferença de idade.
Há casos, porém, em que a transição entre um ator e outro, donos de um mesmo personagem, ocorre de forma perfeita. A vilã Cora, de Império, substituta de Em família, é o melhor exemplo. Na primeira fase da trama de Aguinaldo Silva foi interpretada por Marjorie Estiano. Depois, o bastão foi passado para Drica Moraes. Resultado: cada performance melhor do que a outra. Sem desviar um milímetro das características da personagem, as atrizes imprimiram seu estilo próprio.
Cora é ardilosa, manipuladora, má. Quando jovem, vivida por Marjorie Estiano, tanto fez que destruiu a chance de felicidade da irmã, Eliane, papel de Vanessa Giácomo. Invejosa e egoísta, não permitiu que ela vivesse o amor por José Alfredo (Chay Suede). Tudo para manter a segurança que pensava ter na casa do cunhado. Cora, de Marjorie, talvez fosse mais cínica e mais dissimulada.
Na mudança de fase – com um salto de mais de 20 anos –, para os dias atuais, Drica Moraes assumiu o papel. Com a maturidade, Cora ficou ainda mais dissimulada, sombria, obsessiva, desequilibrada. A cena em que gargalha diante da irmã em agonia no leito de morte foi de arrepiar. E depois da morte de Eliane, agora atormenta a sobrinha, Cristina (Leandra Leal), forçando-a a correr atrás da fortuna do pai, José Alfredo (Alexandre Nero), o homem que escorraçou da vida da família no passado.
O barato das duas grandes arizes é a sintonia que se percebe na composição da vilã. A maneira de se expressar, gestos, trejeitos, olhar, tudo que se via na Cora de Marjorie, repete-se com a de Drica. Elas não são exatamente parecidas fisicamente, mas lembram uma à outra. E encontraram uma marca para imprimir à personagem: feito cobra, sibilam. Como o réptil, mostram e escondem a língua, ávidas pela presa da vez. Haja veneno!
PLATEIA
VIVA - Depois do Lama Sonan, de Joia rara (Globo), Caio Blat, agora no lado escuro da força, arrasa como o ambicioso José Pedro, de Império.
VAIA - Para ajustar ao horário do Vale a pena ver de novo, Cobras & lagartos (Globo) tem sofrido cortes grosseiros. Melhor que não fosse reprisada.
Caras & Bocas
Simone Castro - simone.castro@uai.com.br
Roqueiro em cena
O cantor Dinho Ouro Preto vai dividir o palco com Sol, cantora interpretada por Jeniffer Nascimento (foto), em Malhação sonhos (Globo). A presença do roqueiro agitou as gravações na terça-feira e até quem não estava em cena ficou para curtir o som. Um dos mais empolgados era Léo Jaime, intérprete do músico Nando Rocha, que da coxia do palco fingia ter uma guitarra nas mãos. Totalmente envolvido, Dinho entrou nas brincadeiras enquanto não estava gravando e tirou selfies com a equipe de produção e elenco. “Confesso que estava com frio na barriga. Sou músico e não ator. Mas o fato de não precisar interpretar um personagem facilitou muito. E tudo fluiu com muita naturalidade”, revelou. “Tive o privilégio de participar de um episódio que aborda a banda de rock e eu dediquei minha vida a essa causa: integrar o estilo à cultura brasileira e promover o rock nacional”, completou Dinho. Na trama, o momento era o show de talentos da Ribalta. A escola de artes anuncia o evento e seu convidado para lá de especial: Dinho Ouro Preto. O frontman do Capital Inicial é uma grande inspiração para os alunos de Nando e, principalmente, para a banda formada por Sol, Pedro (Rafael Vitti), Rominho (Gabriel Rieff), Luiz Cláudio (Caio Lucas Leão) e Paula (Daniela Dillan). A apresentação da banda com o roqueiro é um sucesso. Mas, até subir ao palco, a vocalista Sol terá que enfrentar muitos contratempos. Até convencer a mãe, Bete (Edvana Carvalho), de deixá-la participar do show. As cenas estão previstas para ir ao ar no dia 15.
EMBARQUE NOS TRENS DE
MINAS E CURTA A PAISAGEM
O Viação Cipó deste domingo, às 10h, na Alterosa, levará o telespectador a embarcar nos trens de Minas! Conheça algumas das linhas férreas ainda em funcionamento no estado, os casos e histórias de quem viveu a época de ouro dos trens, as locomotivas e as novas gerações. Curta as lindas paisagens. Confira, ainda, uma saborosa receita.
CELEBRIDADES TERÃO QUE
PROVAR QUEM É O ARTISTA
Os preparativos para a estreia do programa Esse artista sou eu, no SBT/Alterosa, estão a todo vapor. Sob o comando de Márcio Ballas, a atração mostrará celebridades disputando o prêmio de melhor imitação de um artista famoso. Cyz Zamorano, Miranda e Thomas Roth, ex-jurados do Astros, também da emissora, são esperados para avaliar a turma. No páreo estarão: Christian Chávez (cantor mexicano famoso pelo grupo RBD e pela novela Rebeldes), Léo Maia, Rosemary, Vanessa Jackson, Syang, Li Martins e Marcelo Augusto. O vencedor levará para casa o prêmio de R$ 50 mil. A atração deve ser lançada dia 25 para substituir o Máquina da fama, durante a licença-maternidade da apresentadora Patrícia Abravanel.
LUANA PIOVANI E MARCELLO
NOVAES EM SÉRIE POLICIAL
Os atores Luana Piovani e Marcello Novaes já estão gravando as primeiras cenas da série Dupla identidade, trama de investigação e ação de Glória Perez, que tem lançamento marcado para a segunda quinzena de setembro. No roteiro, a personagem da atriz será uma psiquiatra forense, enquanto Marcelo vai interpretar um delegado.
PEÇA DE MÔNICA MARTELLI
VAI VIRAR PROGRAMA DE TV
Primeiro foi o teatro, depois o cinema. Agora, o badalado texto Os homens são de Marte ... e é pra lá que eu vou também será atração da TV. O programa, que ainda está em fase de planejamento, tem estreia prevista para setembro, no GNT (TV paga). Ao lado da protagonista e autora do texto, Mônica Martelli, que vive Fernanda, estará Júlia Rabello, sua fiel escudeira. Júlia é conhecida pelo canal de humor do YouTube Porta dos Fundos.
ANIVERSÁRIO DE HUMORISTA
MARCARÁ ÚLTIMO EPISÓDIO
O derradeiro episódio do humorístico Tudo pela audiência será em tempo real. A atração do Multishow (TV paga) chegará ao fim com uma transmissão ao vivo. E o “capítulo final” terá exibição em data especial: dia 11, dia do aniversário de Tatá Werneck, que divide a cena com Fábio Porchat. A ideia da produção é que o convidado no palco seja o grupo Roupa Nova, do qual Tatá é fã.
JOELMA DIZ NÃO SE IMPORTAR
COM A OPINIÃO DOS OUTROS
“Não dou a mínima para o que as pessoas falam ou deixam de falar de mim.” Essa foi uma das declarações da cantora Joelma, que participou, ao lado do marido, Chimbinha, com quem forma a Banda Calypso, do Programa Eliana (foto), que vai ao ar hoje, às 15h, no SBT/Alterosa. Joelma e Chimbinha marcaram presença no quadro “Rede da fama”. A cantora completou em relação às notícias que saem na mídia: “As pessoas colocam palavras na nossa boca”. E ainda destacou: “Todos os anos separam a gente. E até já mataram o Chimbinha”. O guitarrista, que afirmou sobre a mulher que “ela é mandona”, apontou o que poderia ser um motivo para mal-entendidos envolvendo a cantora: “Às vezes, ela não explica bem o que fala”. Joelma ficou mal na fita ao expor, há algum tempo, sua opinião sobre homossexuais. Já Chimbinha, que garante não malhar, não fazer plástica – “eu sou medroso. Tô gordinho, mas tô feliz” –, não deixa margem para dupla interpretação. “Adoro ser chamado de brega”, avisa.
TV paga
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Na cozinha Domingo é dia de reunir a família para aquele almoço que é quase uma festa, não é mesmo? Então tem tudo a ver com Palmirinha Onofre (foto), a culinarista mais simpática da TV. Hoje, o canal Fox Life realiza uma maratona com quatro episódios de seu programa, a partir das 17h30. Os convidados são Luiz Thunderbird, Paloma Tocci, Evandro Santo e Negra Li.
Dança O Film&Arts estreia hoje, às 19h, o reality show Breaking Pointe, que revela os bastidores da companhia Ballet West, de Salt Lake City (EUA), mostrando a competitividade, a dedicação extrema, as intrigas e muitos outros acontecimentos comuns aos ensaios e aos grupos de dança. No primeiro dia é apresentado o diretor artístico Adam Sklute e os dois principais bailarinos, Christiana Benne e Christopher Rudd.
É lei Novidade também no Bio, que estreia, às 21h, a série Regras ocultas da Bíblia. A produção investiga não só a origem dos 10 mandamentos, mas também mais de 2 mil regras encontradas no livro sagrado. Essas normas abrangem praticamente todas as esferas da humanidade, do amor e da guerra à comida e à bebida, de como rezar ao que vestir.
Sério? Outro documentário em destaque na programação deste domingo é Apaixonada por Hitler, às 22h45, no NatGeo. O programa apresenta uma visão inédita da vida particular de Adolf Hitler e seus associados, vista pela lente da câmera de 16mm de sua amante, Eva Braun. Ou seja, tudo registrado na intimidade de sua casa na Baviera e nos bunkers.
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Música A banda Lavoura (foto) é a atração de hoje do SescTV, a partir das 21h. Com sua mistura de jazz, MPB e música eletrônica, o grupo começa em Passagem de som e depois faz show na série Instrumental Sesc Brasil. Na Cultura, às 12h, estreia a nova temporada de Prelúdio, o show de calouros da música erudita – a cantora mineira (de Sete Lagoas) Luana Dourado está na primeira eliminatória.
De olho na telinha
Simone Castro
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| Drica Moraes e Marjorie Estiano: duas faces da vilã Cora |
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Quando uma novela começa levando o telespectador ao passado, uma das consequências pode ser o estranhamento em relação aos personagens de uma época e outra. Foi assim com Em família (Globo), em que na passagem da segunda para a terceira fase a troca de atores não correspondeu às expectativas. Por exemplo, Natália do Vale (Chica) não convenceu como mãe de Helena (Júlia Lemmertz). Não era para menos, já que as atrizes têm apenas dez anos de diferença de idade.
Há casos, porém, em que a transição entre um ator e outro, donos de um mesmo personagem, ocorre de forma perfeita. A vilã Cora, de Império, substituta de Em família, é o melhor exemplo. Na primeira fase da trama de Aguinaldo Silva foi interpretada por Marjorie Estiano. Depois, o bastão foi passado para Drica Moraes. Resultado: cada performance melhor do que a outra. Sem desviar um milímetro das características da personagem, as atrizes imprimiram seu estilo próprio.
Cora é ardilosa, manipuladora, má. Quando jovem, vivida por Marjorie Estiano, tanto fez que destruiu a chance de felicidade da irmã, Eliane, papel de Vanessa Giácomo. Invejosa e egoísta, não permitiu que ela vivesse o amor por José Alfredo (Chay Suede). Tudo para manter a segurança que pensava ter na casa do cunhado. Cora, de Marjorie, talvez fosse mais cínica e mais dissimulada.
Na mudança de fase – com um salto de mais de 20 anos –, para os dias atuais, Drica Moraes assumiu o papel. Com a maturidade, Cora ficou ainda mais dissimulada, sombria, obsessiva, desequilibrada. A cena em que gargalha diante da irmã em agonia no leito de morte foi de arrepiar. E depois da morte de Eliane, agora atormenta a sobrinha, Cristina (Leandra Leal), forçando-a a correr atrás da fortuna do pai, José Alfredo (Alexandre Nero), o homem que escorraçou da vida da família no passado.
O barato das duas grandes arizes é a sintonia que se percebe na composição da vilã. A maneira de se expressar, gestos, trejeitos, olhar, tudo que se via na Cora de Marjorie, repete-se com a de Drica. Elas não são exatamente parecidas fisicamente, mas lembram uma à outra. E encontraram uma marca para imprimir à personagem: feito cobra, sibilam. Como o réptil, mostram e escondem a língua, ávidas pela presa da vez. Haja veneno!
PLATEIA
VIVA - Depois do Lama Sonan, de Joia rara (Globo), Caio Blat, agora no lado escuro da força, arrasa como o ambicioso José Pedro, de Império.
VAIA - Para ajustar ao horário do Vale a pena ver de novo, Cobras & lagartos (Globo) tem sofrido cortes grosseiros. Melhor que não fosse reprisada.
Caras & Bocas
Simone Castro - simone.castro@uai.com.br
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O cantor Dinho Ouro Preto vai dividir o palco com Sol, cantora interpretada por Jeniffer Nascimento (foto), em Malhação sonhos (Globo). A presença do roqueiro agitou as gravações na terça-feira e até quem não estava em cena ficou para curtir o som. Um dos mais empolgados era Léo Jaime, intérprete do músico Nando Rocha, que da coxia do palco fingia ter uma guitarra nas mãos. Totalmente envolvido, Dinho entrou nas brincadeiras enquanto não estava gravando e tirou selfies com a equipe de produção e elenco. “Confesso que estava com frio na barriga. Sou músico e não ator. Mas o fato de não precisar interpretar um personagem facilitou muito. E tudo fluiu com muita naturalidade”, revelou. “Tive o privilégio de participar de um episódio que aborda a banda de rock e eu dediquei minha vida a essa causa: integrar o estilo à cultura brasileira e promover o rock nacional”, completou Dinho. Na trama, o momento era o show de talentos da Ribalta. A escola de artes anuncia o evento e seu convidado para lá de especial: Dinho Ouro Preto. O frontman do Capital Inicial é uma grande inspiração para os alunos de Nando e, principalmente, para a banda formada por Sol, Pedro (Rafael Vitti), Rominho (Gabriel Rieff), Luiz Cláudio (Caio Lucas Leão) e Paula (Daniela Dillan). A apresentação da banda com o roqueiro é um sucesso. Mas, até subir ao palco, a vocalista Sol terá que enfrentar muitos contratempos. Até convencer a mãe, Bete (Edvana Carvalho), de deixá-la participar do show. As cenas estão previstas para ir ao ar no dia 15.
EMBARQUE NOS TRENS DE
MINAS E CURTA A PAISAGEM
O Viação Cipó deste domingo, às 10h, na Alterosa, levará o telespectador a embarcar nos trens de Minas! Conheça algumas das linhas férreas ainda em funcionamento no estado, os casos e histórias de quem viveu a época de ouro dos trens, as locomotivas e as novas gerações. Curta as lindas paisagens. Confira, ainda, uma saborosa receita.
CELEBRIDADES TERÃO QUE
PROVAR QUEM É O ARTISTA
Os preparativos para a estreia do programa Esse artista sou eu, no SBT/Alterosa, estão a todo vapor. Sob o comando de Márcio Ballas, a atração mostrará celebridades disputando o prêmio de melhor imitação de um artista famoso. Cyz Zamorano, Miranda e Thomas Roth, ex-jurados do Astros, também da emissora, são esperados para avaliar a turma. No páreo estarão: Christian Chávez (cantor mexicano famoso pelo grupo RBD e pela novela Rebeldes), Léo Maia, Rosemary, Vanessa Jackson, Syang, Li Martins e Marcelo Augusto. O vencedor levará para casa o prêmio de R$ 50 mil. A atração deve ser lançada dia 25 para substituir o Máquina da fama, durante a licença-maternidade da apresentadora Patrícia Abravanel.
LUANA PIOVANI E MARCELLO
NOVAES EM SÉRIE POLICIAL
Os atores Luana Piovani e Marcello Novaes já estão gravando as primeiras cenas da série Dupla identidade, trama de investigação e ação de Glória Perez, que tem lançamento marcado para a segunda quinzena de setembro. No roteiro, a personagem da atriz será uma psiquiatra forense, enquanto Marcelo vai interpretar um delegado.
PEÇA DE MÔNICA MARTELLI
VAI VIRAR PROGRAMA DE TV
Primeiro foi o teatro, depois o cinema. Agora, o badalado texto Os homens são de Marte ... e é pra lá que eu vou também será atração da TV. O programa, que ainda está em fase de planejamento, tem estreia prevista para setembro, no GNT (TV paga). Ao lado da protagonista e autora do texto, Mônica Martelli, que vive Fernanda, estará Júlia Rabello, sua fiel escudeira. Júlia é conhecida pelo canal de humor do YouTube Porta dos Fundos.
ANIVERSÁRIO DE HUMORISTA
MARCARÁ ÚLTIMO EPISÓDIO
O derradeiro episódio do humorístico Tudo pela audiência será em tempo real. A atração do Multishow (TV paga) chegará ao fim com uma transmissão ao vivo. E o “capítulo final” terá exibição em data especial: dia 11, dia do aniversário de Tatá Werneck, que divide a cena com Fábio Porchat. A ideia da produção é que o convidado no palco seja o grupo Roupa Nova, do qual Tatá é fã.
JOELMA DIZ NÃO SE IMPORTAR
COM A OPINIÃO DOS OUTROS
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“Não dou a mínima para o que as pessoas falam ou deixam de falar de mim.” Essa foi uma das declarações da cantora Joelma, que participou, ao lado do marido, Chimbinha, com quem forma a Banda Calypso, do Programa Eliana (foto), que vai ao ar hoje, às 15h, no SBT/Alterosa. Joelma e Chimbinha marcaram presença no quadro “Rede da fama”. A cantora completou em relação às notícias que saem na mídia: “As pessoas colocam palavras na nossa boca”. E ainda destacou: “Todos os anos separam a gente. E até já mataram o Chimbinha”. O guitarrista, que afirmou sobre a mulher que “ela é mandona”, apontou o que poderia ser um motivo para mal-entendidos envolvendo a cantora: “Às vezes, ela não explica bem o que fala”. Joelma ficou mal na fita ao expor, há algum tempo, sua opinião sobre homossexuais. Já Chimbinha, que garante não malhar, não fazer plástica – “eu sou medroso. Tô gordinho, mas tô feliz” –, não deixa margem para dupla interpretação. “Adoro ser chamado de brega”, avisa.
Sem fronteiras
Sem fronteiras
Inhotim apresenta a partir de setembro obras de quatro criadores contemporâneos pouco conhecidos no Brasil. Mostra sinaliza tendência de ampliar o circuito de arte
Walter Sebastião
Estado de Minas: 03/08/2014
Inhotim nunca se distraiu da singularidade das obras que apresenta. Mas pela extensão do acervo, o conjunto de peças acabava chamando a atenção. Sem perder essa dimensão, a partir de 4 setembro, com obras da romena Geta Bratescu, do tcheco Dominik Lang, do norte-americano Caroll Dunham e do filipino David Medalla, o museu convida o público à consideração concentrada na obra e na história que os criadores instauram. O que se torna ainda mais interessante por destacar artistas ainda pouco conhecidos, evidenciando os desafios postos ao sistema mundial de arte nas primeiras décadas do século 21.
“Vivemos momento da descoberta de que o mundo é grande, não acaba em Nova York, Londres ou na Avenida do Contorno”, brinca Rodrigo Moura, o diretor artístico da instituição, referindo-se à diversidade de origens, residência e vivência dos artistas. “É nosso papel apresentar ao público artistas ainda pouco conhecidos, com a consciência de que precisamos ampliar o circuito de arte brasileiro”, acrescenta. Internacionalização, no entanto, não pode ser entendida como a apropriação da arte brasileira ou de outro país pelos centros hegemônicos. “Para não se tornar perversidade, tem de ser diálogo, inclusive com instituições que atuam localmente, a partir de pesquisa e valorização dos artistas jovens”, defende Rodrigo.
São questões que estão postas hoje a todas as instituições, mesmo que algumas delas não possam enfrentar tal tarefa por falta de recursos ou por responder a outros compromissos. O redesenho da sistema artístico mundial tem motivo: revela busca de descentralização das narrativas sobre a vida e a sociedade feitas pela arte. E curadores e pesquisadores, dos mais importantes museus do mundo, antes envolvidos basicamente com produção europeia e norte-americana, se voltam para o que é feito na Ásia, Leste Europeu e América Latina. Movimento que Rodrigo Moura acha positivo e até credita em parte à ação de curadores brasileiros que estão trabalhando no exterior.
Ateliê
Quem ganha exposição individual na Galeria Lado, em Inhotim, com direito à reunião de obras dos anos 1963 a 2013, é a romena Geta Bratescu, de 88 anos. Ela vive e trabalha em Bucareste, é formada em letras, estudou no Instituto de Artes Nicolae Grigorirescu entre 1969 e 1971, depois de duas décadas de formação interrompida na Academia de Artes de Bucareste, em razão da censura do governo comunista. A artista faz de tudo: desenho, gravura, colagem, tapeçaria, objeto, filmes e performances. Esteve na Bienal de Veneza (1960) e duas vezes na de São Paulo (1983 e 1987). É referência de arte experimental em seu país. Desde 1990, tem visto sua obra ser objeto de interesse dos grandes museus de arte.
“Geta Bratescu é um tesouro escondido no Leste Europeu”, garante Rodrigo Moura, contando que a artista continua trabalhando em ateliê, simples, em Bucareste. Por trabalhar em condições muito específicas, vindas do isolamento político e econômico da Romênia, sua criação mantém alto grau de independência e experimentalismo. “É fascinante como Geta conseguiu desenvolver independência dentro de meios oficiais”, observa o curador. “Ela usa o ateliê para fazer o trabalho acontecer, transformando o local num espaço de fruição semipúblico”, acrescenta.
“Num sistema de arte acelerado como o que vivemos, não deixa de ser subversivo. É uma prática que ocorre à margem da economia de mercado e que foi diretamente para o museu”, explica Moura. “É como se tomássemos a história da arte brasileira, que é periférica, como lente para ver o mundo da arte”, compara. “A Romênia é aqui”, brinca.
Rodrigo observa que apesar de a situação ter mudado, trabalhar à margem dos sistemas foi, durante décadas, quase condição dos artistas brasileiros. São obras que tematizando a autorrepresentação entrelaçam história pessoal e coletiva, permitindo leituras diversas, da escassez até o papel do ateliê, passando por questões de gênero. Inhotim tem hoje cerca de 60 obras da artista romena em seu acervo.
Intervenção
Leva o nome de Sleeping city (2011) a instalação de Dominik Lang, um jovem artista tcheco, de 34 anos, que tem história. Trata-se de intervenções em conjunto de 20 esculturas do pai, Jiri Lang (1927-1966), escultor modernista ativo na década de 1950, considerado promissor, mas que foi preso por razões políticas. O nome da obra, que foi apresentada na 54ª Bienal de Veneza, alude à visão de estúdio repleto de “esculturas dormindo”. É obra que propõe diálogo intergeracional e ecoa desde os tempos da Guerra Fria até os dias atuais. O artista é formado em belas-artes, vive e trabalha em Praga, atuando na fronteira entre arte e arquitetura, para interpelar contextos históricos, sociais e espaciais.
Jardim
Um imóvel rural, remanescente das construções que existiam em Inhotim antes de o local se tornar museu, foi reformado e ganha ciclo de pinturas do norte-americano Carroll Dunham. “É pintura sofisticada, feita a partir de gesto urgente”, observa Rodrigo Moura. Ele conta que se trata de artista associado à chamada volta da pintura dos anos 1980. O pintor têm 65 anos, vive e trabalha em Nova York, já ganhou retrospectiva no New Museum de Nova York e tem obras em diversas coleções públicas. Sobre o artista, já se disse que trabalha livremente diversas visualidades (abstração, figuração, pop) sem se limitar a nenhuma delas. Os trabalhos mais recentes são imagens de forte conteúdo sexual, detalhados de forma grotesca e irônica.
Bolhas
Cloud gates bubble machine (1965-2013) é o nome de escultura em grande escala construída com tubos de acrílico preenchidos com bolhas de sabão. Obra que, pelo inusitado, fez fama e foi refeita diversas vezes. O autor é David Medalla, de 72 anos, nascido em Manila (Filipinas), que vive e trabalha em Londres. Ele é nome histórico da arte experimental dos anos 1960. Participou de mostra que hoje é considerada um tratado sobre arte experimental: Quando as atitudes tomam forma (1969). É homem ligado à arte brasileira. Nos anos 1960, articulou exposições de Hélio Oiticica, Lygia Clark, Mira Schendel e Sérgio Camargo na galeria londrina Signals. Tem performance inspirada em textos de Clarice Lispector. Além das atividades artísticas, Medalla tem atuado como professor, feito curadorias e direção artística de eventos.
Inhotim apresenta a partir de setembro obras de quatro criadores contemporâneos pouco conhecidos no Brasil. Mostra sinaliza tendência de ampliar o circuito de arte
Walter Sebastião
Estado de Minas: 03/08/2014
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| Geta Bratescu, artista romena em em exposição no Inhotim 2014 |
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| O isolamento político da Romênia deu à obra de Geta Bratescu, de 88 anos, uma saudável independência e experimentalismo |
Inhotim nunca se distraiu da singularidade das obras que apresenta. Mas pela extensão do acervo, o conjunto de peças acabava chamando a atenção. Sem perder essa dimensão, a partir de 4 setembro, com obras da romena Geta Bratescu, do tcheco Dominik Lang, do norte-americano Caroll Dunham e do filipino David Medalla, o museu convida o público à consideração concentrada na obra e na história que os criadores instauram. O que se torna ainda mais interessante por destacar artistas ainda pouco conhecidos, evidenciando os desafios postos ao sistema mundial de arte nas primeiras décadas do século 21.
“Vivemos momento da descoberta de que o mundo é grande, não acaba em Nova York, Londres ou na Avenida do Contorno”, brinca Rodrigo Moura, o diretor artístico da instituição, referindo-se à diversidade de origens, residência e vivência dos artistas. “É nosso papel apresentar ao público artistas ainda pouco conhecidos, com a consciência de que precisamos ampliar o circuito de arte brasileiro”, acrescenta. Internacionalização, no entanto, não pode ser entendida como a apropriação da arte brasileira ou de outro país pelos centros hegemônicos. “Para não se tornar perversidade, tem de ser diálogo, inclusive com instituições que atuam localmente, a partir de pesquisa e valorização dos artistas jovens”, defende Rodrigo.
São questões que estão postas hoje a todas as instituições, mesmo que algumas delas não possam enfrentar tal tarefa por falta de recursos ou por responder a outros compromissos. O redesenho da sistema artístico mundial tem motivo: revela busca de descentralização das narrativas sobre a vida e a sociedade feitas pela arte. E curadores e pesquisadores, dos mais importantes museus do mundo, antes envolvidos basicamente com produção europeia e norte-americana, se voltam para o que é feito na Ásia, Leste Europeu e América Latina. Movimento que Rodrigo Moura acha positivo e até credita em parte à ação de curadores brasileiros que estão trabalhando no exterior.
Ateliê
Quem ganha exposição individual na Galeria Lado, em Inhotim, com direito à reunião de obras dos anos 1963 a 2013, é a romena Geta Bratescu, de 88 anos. Ela vive e trabalha em Bucareste, é formada em letras, estudou no Instituto de Artes Nicolae Grigorirescu entre 1969 e 1971, depois de duas décadas de formação interrompida na Academia de Artes de Bucareste, em razão da censura do governo comunista. A artista faz de tudo: desenho, gravura, colagem, tapeçaria, objeto, filmes e performances. Esteve na Bienal de Veneza (1960) e duas vezes na de São Paulo (1983 e 1987). É referência de arte experimental em seu país. Desde 1990, tem visto sua obra ser objeto de interesse dos grandes museus de arte.
“Geta Bratescu é um tesouro escondido no Leste Europeu”, garante Rodrigo Moura, contando que a artista continua trabalhando em ateliê, simples, em Bucareste. Por trabalhar em condições muito específicas, vindas do isolamento político e econômico da Romênia, sua criação mantém alto grau de independência e experimentalismo. “É fascinante como Geta conseguiu desenvolver independência dentro de meios oficiais”, observa o curador. “Ela usa o ateliê para fazer o trabalho acontecer, transformando o local num espaço de fruição semipúblico”, acrescenta.
“Num sistema de arte acelerado como o que vivemos, não deixa de ser subversivo. É uma prática que ocorre à margem da economia de mercado e que foi diretamente para o museu”, explica Moura. “É como se tomássemos a história da arte brasileira, que é periférica, como lente para ver o mundo da arte”, compara. “A Romênia é aqui”, brinca.
Rodrigo observa que apesar de a situação ter mudado, trabalhar à margem dos sistemas foi, durante décadas, quase condição dos artistas brasileiros. São obras que tematizando a autorrepresentação entrelaçam história pessoal e coletiva, permitindo leituras diversas, da escassez até o papel do ateliê, passando por questões de gênero. Inhotim tem hoje cerca de 60 obras da artista romena em seu acervo.
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| O tcheco Dominik Lang cria instalações a partir de esculturas feitas pelo pai |
Intervenção
Leva o nome de Sleeping city (2011) a instalação de Dominik Lang, um jovem artista tcheco, de 34 anos, que tem história. Trata-se de intervenções em conjunto de 20 esculturas do pai, Jiri Lang (1927-1966), escultor modernista ativo na década de 1950, considerado promissor, mas que foi preso por razões políticas. O nome da obra, que foi apresentada na 54ª Bienal de Veneza, alude à visão de estúdio repleto de “esculturas dormindo”. É obra que propõe diálogo intergeracional e ecoa desde os tempos da Guerra Fria até os dias atuais. O artista é formado em belas-artes, vive e trabalha em Praga, atuando na fronteira entre arte e arquitetura, para interpelar contextos históricos, sociais e espaciais.
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| Carroll Dunham: artista ligado ao retorno da pintura nos anos 1980 |
Jardim
Um imóvel rural, remanescente das construções que existiam em Inhotim antes de o local se tornar museu, foi reformado e ganha ciclo de pinturas do norte-americano Carroll Dunham. “É pintura sofisticada, feita a partir de gesto urgente”, observa Rodrigo Moura. Ele conta que se trata de artista associado à chamada volta da pintura dos anos 1980. O pintor têm 65 anos, vive e trabalha em Nova York, já ganhou retrospectiva no New Museum de Nova York e tem obras em diversas coleções públicas. Sobre o artista, já se disse que trabalha livremente diversas visualidades (abstração, figuração, pop) sem se limitar a nenhuma delas. Os trabalhos mais recentes são imagens de forte conteúdo sexual, detalhados de forma grotesca e irônica.
Bolhas
Cloud gates bubble machine (1965-2013) é o nome de escultura em grande escala construída com tubos de acrílico preenchidos com bolhas de sabão. Obra que, pelo inusitado, fez fama e foi refeita diversas vezes. O autor é David Medalla, de 72 anos, nascido em Manila (Filipinas), que vive e trabalha em Londres. Ele é nome histórico da arte experimental dos anos 1960. Participou de mostra que hoje é considerada um tratado sobre arte experimental: Quando as atitudes tomam forma (1969). É homem ligado à arte brasileira. Nos anos 1960, articulou exposições de Hélio Oiticica, Lygia Clark, Mira Schendel e Sérgio Camargo na galeria londrina Signals. Tem performance inspirada em textos de Clarice Lispector. Além das atividades artísticas, Medalla tem atuado como professor, feito curadorias e direção artística de eventos.
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