Zero Hora 06/08/2014
Tenho acompanhado o debate em torno do novo plano diretor de Torres,
cidade onde passei os melhores momentos da infância e adolescência, e
que se mantém viva na minha memória afetiva. Até 2006, tinha apartamento
na cidade, e ainda sonho em ter outro refúgio onde possa estar perto do
mar, porém não mais lá.
Ao ler sobre a possível autorização para construir prédios de até 10
andares na orla, minha primeira reação foi ser contra. Concordei com
quem é desfavorável à mudança da lei: haverá menos tempo de sol batendo
na praia, descaracterização do cenário, menos ventilação natural etc.
Mas, depois, com desânimo, refleti: a esta altura, que diferença faz?
Já viajei bastante e posso dizer que, em termos de belezas naturais,
Torres é páreo para vários outros cartões-postais do planeta. As
formações rochosas que se estendem da praia da Cal até a praia da
Guarita, e as dunas logo atrás, produzem um efeito dramático
espetacular. O mar pode não ser cristalino, mas compõe a cena
dignamente. Seria um dos pontos turísticos mais valorizados do Brasil,
não fosse todo o resto.
E o resto são ruas esburacas e desniveladas, cômoros que se amontoam
calçadão adentro, pouca arborização, nenhum cinema, vida noturna
precária, comércio idem (estou falando como turista, não como moradora,
pois imagino que os moradores tenham reivindicações mais urgentes).
Ainda na visão de turista: surpreende que sejam os donos de bares e
restaurantes os maiores apoiadores da urbanização vertical a fim de
alavancarem seus negócios. Logo eles, que, salvo exceções, não investem
em seus próprios estabelecimentos, ignorando questões como boa
iluminação, boa música, aconchego, fachada decente. Torres parece ter
esquecido noções básicas de bom gosto. Quer ser grande sem atentar para o
quanto se tornou feia, desprezando sua vocação para ser um hot spot.
Cidades feias não atraem visitantes, não geram comentários positivos,
não viram destino de lua de mel.
Sei que não adianta ser nostálgica e querer que Torres volte a ser
aquela charmosa praia familiar onde aconteciam os campeonatos de surf,
as festas na sede da SAPT, os piqueniques em Itapeva, os jogos de vôlei
nos amplos quintais das casas dos veranistas. Foi outro tempo, e não se
pode deter o desenvolvimento, mas pode-se tentar preservar o espírito do
lugar, crescendo ordenadamente e com foco: Torres não é um subúrbio
qualquer, e sim um local diferenciado pelo seu recorte geográfico. Isso
não deveria ter sido desconsiderado.
Mas foi. Torres perdeu o timing, cresceu demais sem elaborar um
projeto para honrar a cidade privilegiada que era. Agora é difícil
recuperar o potencial desperdiçado. Já que não vingou como merecia,
talvez seja mesmo hora de um plano B – vá que funcione imitar Camboriú.
quarta-feira, 6 de agosto de 2014
JK e a revolução sobre rodas - Mario Garnero
JK e a revolução sobre rodas
Mario Garnero
Estado de Minas: 06/08/2014
Tive o privilégio de
ouvir do presidente Juscelino Kubitschek e do ministro Lúcio Meira, que
criaram a indústria automobilística, uma fascinante história daquilo que
representou o grande salto para a frente no desenvolvimento nacional.
Histórias que demonstram como JK, ao criar os grupos de trabalho
encarregados de cumprir as metas do seu plano, driblou a burocracia
nacional, já desde o império consolidada, e encontrou homens do caráter e
competência do almirante Lúcio Meira para chefiar o Grupo Executivo da
Indústria Automobilística (Geia).
No planejamento de sua implantação, o caminhão seria o primeiro e primordial instrumento da penetração para as estradas que seriam abertas, ligando a futura capital Brasília a todos os mais remotos pontos do país. Depois viriam os automóveis e, por último, os tratores, tudo isso em quatro anos que, por fim, viram a caravana da integração nacional unir o país de ponta a ponta com carros e caminhões made in Brazil.
Dessa saga, da qual participaram todas as empresas que, na época, eram as maiores fabricantes mundiais de veículos, uma faltou. A Fiat, que, depois, se redimiria lançando o primeiro carro 100% movido a álcool, em julho de 1979. Houve antes um curioso episódio, na campanha presidencial JK 65, que eu coordenava em São Paulo. Organizei uma visita do presidente`a Fiat, em Turim.
Recebidos pelo presidente Vittorio Valetta, que havia reconstruído a empresa no pós-guerra, e por Gianni Agnelli, só então membro da diretoria, durante o almoço JK perguntou: “Presidente Valetta, por que apenas a Fiat, entre as mais importantes produtoras de veículos do mundo, não atendeu ao meu chamado para instalar-se no Brasil?”. E Valleta respondeu: “Presidente, a colônia italiana na Argentina era muito mais influente e forte que a brasileira e nos empurrou para lá”.
E se arrependimento matasse, anos depois Gianni Agnelli, já na condição de presidente da empresa, corrigiu o tiro investindo mais de um US$ 1 bilhão na construção de uma fábrica de veículos que se instalou, pela força política dos mineiros e com participação societária do governo estadual, na cidade de Betim. A fábrica da Fiat foi inaugurada em julho de 1976 e seu primeiro produto foi o compacto Fiat 147.
Coube a mim, em 1983, negociar com o então governador Tancredo Neves o acordo final que, permitindo a recompra das ações do governo pela Fiat contra o pagamento de créditos fiscais acumulados, poôde dar asas livres para a sua expansão vitoriosa no país, líder que é, atualmente, do concorrido mercado automobilístico brasileiro.
Lúcio Meira foi, por 10 anos, meu companheiro de diretoria no Grupo Monteiro Aranha, no Rio de Janeiro. Amável, discreto, decisivo e grande trabalhador, foi o primeiro chefe do Geia e o absoluto responsável pelo êxito da meta estabelecida por JK de dotar o país continente de meios de transportes modernos e eficientes.
Vencer a batalha de trazer as multinacionais para um país ainda carente de estradas, de energia, de aço, de mão de obra qualificada, de processos de produção e gestão foi um grande desafio. Desde a sua criação, por decreto, em junho de 1956, até o final do governo JK, em 1960, mais de 300 mil carros, camimhões e tratores foram produzidos a partir de um sonho tornado realidade.
Desse mesmo sonho desfrutei quando, indicado por Olavo de Souza Aranha e Joaquim Monteiro de Carvalho, que se associaram ao sonho desde o início, detendo participação societária de 20% do capital inicial da Volkwagen do Brasil, fui indicado, em 1970, para assumir a diretoria de relações industriais da VWB e, depois, por indicação de Rudolf Leiding, então presidente no Brasil e mais tarde presidente mundial da VW, assumi a presidência da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). E daí nasceu o carro a álcool.
No planejamento de sua implantação, o caminhão seria o primeiro e primordial instrumento da penetração para as estradas que seriam abertas, ligando a futura capital Brasília a todos os mais remotos pontos do país. Depois viriam os automóveis e, por último, os tratores, tudo isso em quatro anos que, por fim, viram a caravana da integração nacional unir o país de ponta a ponta com carros e caminhões made in Brazil.
Dessa saga, da qual participaram todas as empresas que, na época, eram as maiores fabricantes mundiais de veículos, uma faltou. A Fiat, que, depois, se redimiria lançando o primeiro carro 100% movido a álcool, em julho de 1979. Houve antes um curioso episódio, na campanha presidencial JK 65, que eu coordenava em São Paulo. Organizei uma visita do presidente`a Fiat, em Turim.
Recebidos pelo presidente Vittorio Valetta, que havia reconstruído a empresa no pós-guerra, e por Gianni Agnelli, só então membro da diretoria, durante o almoço JK perguntou: “Presidente Valetta, por que apenas a Fiat, entre as mais importantes produtoras de veículos do mundo, não atendeu ao meu chamado para instalar-se no Brasil?”. E Valleta respondeu: “Presidente, a colônia italiana na Argentina era muito mais influente e forte que a brasileira e nos empurrou para lá”.
E se arrependimento matasse, anos depois Gianni Agnelli, já na condição de presidente da empresa, corrigiu o tiro investindo mais de um US$ 1 bilhão na construção de uma fábrica de veículos que se instalou, pela força política dos mineiros e com participação societária do governo estadual, na cidade de Betim. A fábrica da Fiat foi inaugurada em julho de 1976 e seu primeiro produto foi o compacto Fiat 147.
Coube a mim, em 1983, negociar com o então governador Tancredo Neves o acordo final que, permitindo a recompra das ações do governo pela Fiat contra o pagamento de créditos fiscais acumulados, poôde dar asas livres para a sua expansão vitoriosa no país, líder que é, atualmente, do concorrido mercado automobilístico brasileiro.
Lúcio Meira foi, por 10 anos, meu companheiro de diretoria no Grupo Monteiro Aranha, no Rio de Janeiro. Amável, discreto, decisivo e grande trabalhador, foi o primeiro chefe do Geia e o absoluto responsável pelo êxito da meta estabelecida por JK de dotar o país continente de meios de transportes modernos e eficientes.
Vencer a batalha de trazer as multinacionais para um país ainda carente de estradas, de energia, de aço, de mão de obra qualificada, de processos de produção e gestão foi um grande desafio. Desde a sua criação, por decreto, em junho de 1956, até o final do governo JK, em 1960, mais de 300 mil carros, camimhões e tratores foram produzidos a partir de um sonho tornado realidade.
Desse mesmo sonho desfrutei quando, indicado por Olavo de Souza Aranha e Joaquim Monteiro de Carvalho, que se associaram ao sonho desde o início, detendo participação societária de 20% do capital inicial da Volkwagen do Brasil, fui indicado, em 1970, para assumir a diretoria de relações industriais da VWB e, depois, por indicação de Rudolf Leiding, então presidente no Brasil e mais tarde presidente mundial da VW, assumi a presidência da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). E daí nasceu o carro a álcool.
TeVê
TV paga
Estado de Minas: 06/08/2014
Mistério
Estreia hoje, às 23h, no canal GNT, a série de ficção Animal, protagonizada por Edson Celulari e Cristiana Oliveira (foto). Celulari faz o papel de um biólogo que volta à sua cidade natal em busca da cura para sua rara doença, a teriantropia. Em momentos de crise, ele acredita ser um puma e se comporta como o animal. Cristiana Oliveira é a prefeita da cidadezinha, uma ex-delegada de polícia que ajuda o biólogo nessa procura que envolve seu passado. Em tempo: também hoje, às 20h, estreia a nova temporada de Chuva de arroz.
Confira as novas séries do Animal Planet e TLC
Novidade também no Animal Planet, que estreia, às 21h, a série Vida nos rios, acompanhando a rotina de quatro aventureiros que aliam práticas ancestrais e ferramentas modernas para, assim como seus antepassados, tirar seu sustento de rios em várias regiões do território americano, do Alasca ao Delta do Mississipi. No canal TLC, às 21h30, estreia Tatoo rescue, em que o especialista Joey Tattoo tenta salvar estúdios de tatuagem condenados à falência.
A Inusitada Superbanda dá show na TV e na web
Para quem está a fim de música, o canal Bis transmite ao vivo, na TV e na internet (canalbis.com.br), a partir das 21h, o show A inusitada superbanda, com astros do rock em uma apresentação inédita, com Bi Ribeiro e João Barone, dos Paralamas, dividindo a cena com Dado Villa-Lobos, Baby do Brasil, Pedro Baby, Frejat, Paulo Miklos, Evandro Mesquita, Andréa Coutinho e Liminha. No Arte 1, às 22h30, vai ao ar o documentário Nelson Freire: vida e obra, de João Moreira Salles.
Pedro Juan Gutiérrez dá entrevista na TV Cultura
O escritor cubano Pedro Juan Gutiérrez, autor da Trilogia suja de Havana, é o entrevistado de hoje do programa Entrelinhas, às 23h30, na Cultura. Ele fala sobre seu último romance, Nosso GG em Havana, que narra as aventuras do escritor britânico Graham Greene na capital cubana, em 1955, ao mergulhar no submundo de artistas pornô, travestis, mafiosos, agentes do FBI e da KGB. No canal Curta!, a dica são três filmes ambientados no circo e exibidos em sequência, a partir das 20h: O canto da lona, de Thiago Mendonça; O maior espetáculo da Terra, de Marcos Pimentel; e A mulher do atirador de facas, de Nilson Villas Boas.
Telecine exibe seleção dos mestres do cinema
O Telecine Cult exibe este mês o especial Ao mestre com carinho, uma dobradinha de grandes nomes da sétima arte, começando hoje com Alfred Hitchcock (Janela indiscreta, às 19h55) e François Truffaut (O homem que amava as mulheres, às 22h). No Film&Arts, o destaque é A história de Stephen Hawking, às 22h. No mesmo horário, o assinante tem mais oito opções: Meu passado me condena, no Telecine Premium; Procura-se um amigo para o fim do mundo, no Telecine Touch; Terapia de risco, na HBO; Celeste e Jesse para sempre, na HBO 2; Quem quer ser um milionário?, no MGM; Simplesmente complicado, no Studio Universal; A outra história americana, no TCM; e Entre os muros da escola, no Arte 1. Outras atrações da programação, todas às 22h30: O gângster, no Universal Channel; O dono da festa: a vez dos calouros, no FX; e London Boulevard – Crime e redenção, na TNT.
CARAS & BOCAS » Trilha rouba a cena
Simone Castro
Estado de Minas: 06/08/2014
![]() |
Mistério
Estreia hoje, às 23h, no canal GNT, a série de ficção Animal, protagonizada por Edson Celulari e Cristiana Oliveira (foto). Celulari faz o papel de um biólogo que volta à sua cidade natal em busca da cura para sua rara doença, a teriantropia. Em momentos de crise, ele acredita ser um puma e se comporta como o animal. Cristiana Oliveira é a prefeita da cidadezinha, uma ex-delegada de polícia que ajuda o biólogo nessa procura que envolve seu passado. Em tempo: também hoje, às 20h, estreia a nova temporada de Chuva de arroz.
Confira as novas séries do Animal Planet e TLC
Novidade também no Animal Planet, que estreia, às 21h, a série Vida nos rios, acompanhando a rotina de quatro aventureiros que aliam práticas ancestrais e ferramentas modernas para, assim como seus antepassados, tirar seu sustento de rios em várias regiões do território americano, do Alasca ao Delta do Mississipi. No canal TLC, às 21h30, estreia Tatoo rescue, em que o especialista Joey Tattoo tenta salvar estúdios de tatuagem condenados à falência.
A Inusitada Superbanda dá show na TV e na web
Para quem está a fim de música, o canal Bis transmite ao vivo, na TV e na internet (canalbis.com.br), a partir das 21h, o show A inusitada superbanda, com astros do rock em uma apresentação inédita, com Bi Ribeiro e João Barone, dos Paralamas, dividindo a cena com Dado Villa-Lobos, Baby do Brasil, Pedro Baby, Frejat, Paulo Miklos, Evandro Mesquita, Andréa Coutinho e Liminha. No Arte 1, às 22h30, vai ao ar o documentário Nelson Freire: vida e obra, de João Moreira Salles.
Pedro Juan Gutiérrez dá entrevista na TV Cultura
O escritor cubano Pedro Juan Gutiérrez, autor da Trilogia suja de Havana, é o entrevistado de hoje do programa Entrelinhas, às 23h30, na Cultura. Ele fala sobre seu último romance, Nosso GG em Havana, que narra as aventuras do escritor britânico Graham Greene na capital cubana, em 1955, ao mergulhar no submundo de artistas pornô, travestis, mafiosos, agentes do FBI e da KGB. No canal Curta!, a dica são três filmes ambientados no circo e exibidos em sequência, a partir das 20h: O canto da lona, de Thiago Mendonça; O maior espetáculo da Terra, de Marcos Pimentel; e A mulher do atirador de facas, de Nilson Villas Boas.
Telecine exibe seleção dos mestres do cinema
O Telecine Cult exibe este mês o especial Ao mestre com carinho, uma dobradinha de grandes nomes da sétima arte, começando hoje com Alfred Hitchcock (Janela indiscreta, às 19h55) e François Truffaut (O homem que amava as mulheres, às 22h). No Film&Arts, o destaque é A história de Stephen Hawking, às 22h. No mesmo horário, o assinante tem mais oito opções: Meu passado me condena, no Telecine Premium; Procura-se um amigo para o fim do mundo, no Telecine Touch; Terapia de risco, na HBO; Celeste e Jesse para sempre, na HBO 2; Quem quer ser um milionário?, no MGM; Simplesmente complicado, no Studio Universal; A outra história americana, no TCM; e Entre os muros da escola, no Arte 1. Outras atrações da programação, todas às 22h30: O gângster, no Universal Channel; O dono da festa: a vez dos calouros, no FX; e London Boulevard – Crime e redenção, na TNT.
CARAS & BOCAS » Trilha rouba a cena
Simone Castro
| Heloísa Périssé marca presença como a dona de casa submissa Beatriz em Boogie oogie |
Os
anos 70 voltaram! E Boogie oogie (Globo), que estreou anteontem, logo
situou o telespectador. A substituta de Meu pedacinho de chão soltou de
imediato a trilha que marcou a década – até no exagero de dois a três
hits para duas cenas –, que cumpriu a missão de transportar o público
para os anos 1978, devidamente anunciados com o registro feito em uma
máquina de escrever. Era um dia de jogo do Brasil na Copa do Mundo,
realizada na Argentina. A Seleção venceu e a cidade do Rio de Janeiro
estava em festa, sob chuva de papel picado.
O charme máximo do capítulo ficou por conta da trilha sonora, do figurino e da cenografia. Tudo muito bem cuidado e encaixadinho. A discoteca, que era o point da época, não faltou, tanto na abertura, que, ao contrário de outras novelas, apareceu logo no começo da narrativa – talvez por ser embalada pelo clássico That’s the way (I like it), do grupo KC & The Sunshine Band, e assim conseguiu aguçar a memória musical –, quanto em cena com uma festa que reuniu parte do elenco. A música foi a grande personagem. A protagonista Sandra (Ísis Valverde) foi logo colocando um LP para tocar, e Inês (Deborah Secco) comprou um de Pepeu Gomes para ofertar a um amigo.
O produtor musical Eduardo Queiroz explicou, no site da trama, que a trilha sonora teve o mesmo cuidado que outras áreas, como figurino e cenografia, para chegar o mais próximo possível do universo da década de 1970. “Foi uma preocupação do Ricardo (Waddington, diretor). Não tem nenhuma música que não seja dos anos 70 na trilha”, afirma. Além dos sucessos internacionais, que incluem Elton John, Marvin Gaye e Donna Summer, o telespectador também vai se deliciar com Tim Maia, Gal Costa, Rita Lee e Lady Zu. “Queríamos músicas que as pessoas reconhecessem imediatamente”, disse Queiroz. Não deu outra. Um revival e tanto!
A febre dançante começou em 1977, com o lançamento de Os embalos de sábado à noite, estrelado por John Travolta. Em 1978, foi ao ar a novela Dancin’days, de Gilberto Braga. A trama habita o imaginário popular e ganhou novos adeptos com a reprise atual no canal Viva (TV paga). Agora, na primeira trama solo do moçambicano Rui Vilhena, em termos de cenário, é claramente uma referência. Como a Frenetic Dancing Days, pilotada por Hélio (Reginaldo Faria), temos a Boogie Oogie, discoteca dirigida por Amaury, interpretado por Junno Andrade, namorado de Xuxa. Com os figurinos não foi diferente. Calça de cintura alta, jaquetas de couro, brilho intenso, óculos degradê, tudo moldado nos anos dançantes.
Também no site oficial da trama, a figurinista Marie Salles, de Boogie oogie, revela uma homenagem à amiga Marília Carneiro, figurinista de Dancin’days: “A Vitória (Bianca Bin) é uma homenagem a ela!”. Segundo Marie, “quando comecei a fazer a pesquisa, a Marília me explicou sobre a época e como foi na época da novela”. Ela pediu autorização à veterana para tomar emprestado algumas referências da novela de 78. Pedido aceito, está tudo lá. Daí que a primeira roupa usada por Vitória na boate é uma grata homenagem a Júlia Mattos, personagem de Sônia Braga, na cena emblemática de Dancin’days, mas limitada à calça, ao bustiê e ao casaco. Ainda quanto à caracterização, vale ressaltar a realidade crua, já que, segundo Marie e como foi visto, pouco se usa de maquiagem nos atores. “Queremos mostrar como era no dia a dia mesmo de 1978”, conta.
Como a trilha, o cenário também está perfeito. Pode ser que num olhar mais detalhado e exigente nos deparemos, ao longo da novela, com algo fora do lugar. Mas o primeiro capítulo registrou a época, com seu carros particulares, como os fuscas, táxis amarelos, máquina de escrever, crianças se divertindo com patins, orelhão, etc. O que se mostrou para lá de batida foi a trama. Vingança já é um prato que se come gelado de tanto que é utilizada nos folhetins. Toda novela tem a sua porção. Agora, a vingativa é Susana, vivida por Alessandra Negrini. Já o triângulo amoroso será formado por Sandra, Vitória e Rafael, de Marco Pigossi, o galã dos últimos tempos. Em comum: as moças foram trocadas na maternidade, por obra da vingativa ex-amante de Fernando (Marco Ricca), pai biológico de Sandra. Espera-se uma reviravolta significativa. Em se tratando de destaque, o voto vai para Beatriz, de Heloísa Périssé, que promete uma dona de casa daquelas bem típicas da época, inclusive sufocada por um marido mandão, o militar linha-dura Elísio (Daniel Dantas). No mais, entre no ritmo da música e divirta-se.
FIQUE POR DENTRO DAS
NOTÍCIAS NA ALTEROSA
Jornal da Alterosa – 2ª edição repassa as principais notícias do dia, atualizando o que se destacou em Minas Gerais e na capital. A apresentação é de Ana Cristina Pimenta.
VIVA
Algumas reprises de entrevistas no Programa do Jô (Globo), que se recupera de uma pneumonia, como o bate-papo com Ariano Suassuna e Ana Paula Arósio.
VAIA
Turma do Pânico na Band precisa se mancar que assediar pessoas, como fizeram com Luana Piovani, para forçar uma entrevista, é inadmissível. E não tem graça.
O charme máximo do capítulo ficou por conta da trilha sonora, do figurino e da cenografia. Tudo muito bem cuidado e encaixadinho. A discoteca, que era o point da época, não faltou, tanto na abertura, que, ao contrário de outras novelas, apareceu logo no começo da narrativa – talvez por ser embalada pelo clássico That’s the way (I like it), do grupo KC & The Sunshine Band, e assim conseguiu aguçar a memória musical –, quanto em cena com uma festa que reuniu parte do elenco. A música foi a grande personagem. A protagonista Sandra (Ísis Valverde) foi logo colocando um LP para tocar, e Inês (Deborah Secco) comprou um de Pepeu Gomes para ofertar a um amigo.
O produtor musical Eduardo Queiroz explicou, no site da trama, que a trilha sonora teve o mesmo cuidado que outras áreas, como figurino e cenografia, para chegar o mais próximo possível do universo da década de 1970. “Foi uma preocupação do Ricardo (Waddington, diretor). Não tem nenhuma música que não seja dos anos 70 na trilha”, afirma. Além dos sucessos internacionais, que incluem Elton John, Marvin Gaye e Donna Summer, o telespectador também vai se deliciar com Tim Maia, Gal Costa, Rita Lee e Lady Zu. “Queríamos músicas que as pessoas reconhecessem imediatamente”, disse Queiroz. Não deu outra. Um revival e tanto!
A febre dançante começou em 1977, com o lançamento de Os embalos de sábado à noite, estrelado por John Travolta. Em 1978, foi ao ar a novela Dancin’days, de Gilberto Braga. A trama habita o imaginário popular e ganhou novos adeptos com a reprise atual no canal Viva (TV paga). Agora, na primeira trama solo do moçambicano Rui Vilhena, em termos de cenário, é claramente uma referência. Como a Frenetic Dancing Days, pilotada por Hélio (Reginaldo Faria), temos a Boogie Oogie, discoteca dirigida por Amaury, interpretado por Junno Andrade, namorado de Xuxa. Com os figurinos não foi diferente. Calça de cintura alta, jaquetas de couro, brilho intenso, óculos degradê, tudo moldado nos anos dançantes.
Também no site oficial da trama, a figurinista Marie Salles, de Boogie oogie, revela uma homenagem à amiga Marília Carneiro, figurinista de Dancin’days: “A Vitória (Bianca Bin) é uma homenagem a ela!”. Segundo Marie, “quando comecei a fazer a pesquisa, a Marília me explicou sobre a época e como foi na época da novela”. Ela pediu autorização à veterana para tomar emprestado algumas referências da novela de 78. Pedido aceito, está tudo lá. Daí que a primeira roupa usada por Vitória na boate é uma grata homenagem a Júlia Mattos, personagem de Sônia Braga, na cena emblemática de Dancin’days, mas limitada à calça, ao bustiê e ao casaco. Ainda quanto à caracterização, vale ressaltar a realidade crua, já que, segundo Marie e como foi visto, pouco se usa de maquiagem nos atores. “Queremos mostrar como era no dia a dia mesmo de 1978”, conta.
Como a trilha, o cenário também está perfeito. Pode ser que num olhar mais detalhado e exigente nos deparemos, ao longo da novela, com algo fora do lugar. Mas o primeiro capítulo registrou a época, com seu carros particulares, como os fuscas, táxis amarelos, máquina de escrever, crianças se divertindo com patins, orelhão, etc. O que se mostrou para lá de batida foi a trama. Vingança já é um prato que se come gelado de tanto que é utilizada nos folhetins. Toda novela tem a sua porção. Agora, a vingativa é Susana, vivida por Alessandra Negrini. Já o triângulo amoroso será formado por Sandra, Vitória e Rafael, de Marco Pigossi, o galã dos últimos tempos. Em comum: as moças foram trocadas na maternidade, por obra da vingativa ex-amante de Fernando (Marco Ricca), pai biológico de Sandra. Espera-se uma reviravolta significativa. Em se tratando de destaque, o voto vai para Beatriz, de Heloísa Périssé, que promete uma dona de casa daquelas bem típicas da época, inclusive sufocada por um marido mandão, o militar linha-dura Elísio (Daniel Dantas). No mais, entre no ritmo da música e divirta-se.
FIQUE POR DENTRO DAS
NOTÍCIAS NA ALTEROSA
Jornal da Alterosa – 2ª edição repassa as principais notícias do dia, atualizando o que se destacou em Minas Gerais e na capital. A apresentação é de Ana Cristina Pimenta.
VIVA
Algumas reprises de entrevistas no Programa do Jô (Globo), que se recupera de uma pneumonia, como o bate-papo com Ariano Suassuna e Ana Paula Arósio.
VAIA
Turma do Pânico na Band precisa se mancar que assediar pessoas, como fizeram com Luana Piovani, para forçar uma entrevista, é inadmissível. E não tem graça.
Contato essencial
Contato essencial
Não só o leite materno, alimento completo e fundamental para o desenvolvimento cognitivo e visual, faz bem. Movimentos do bebê para mamar no peito também trazem benefícios para a saúde bucal
Carolina Cotta
Estado de Minas: 06/08/2014
A Organização Mundial
de Saúde (OMS) alerta: o leite materno é um alimento completo e deve
ser exclusivo durante os primeiros seis meses de vida. O reforço do
vínculo entre mãe e filho, a proteção contra infecções e a prevenção da
mortalidade infantil são benefícios conhecidos do aleitamento materno.
Mas nem todos sabem que a amamentação traz ganhos importantes também
para a saúde bucal. Quando mama, o bebê desenvolve a capacidade de
mastigar, deglutir, falar e respirar. Além disso, mamar no peito ajuda a
posicionar os dentes, prevenindo uma desarmonia entre as arcadas
dentárias e os distúrbios da fala.
Segundo Sylvia Lavinia Martini Ferreira, doutora em odontopediatria e vice-presidente da Associação Paulista de Odontopediatria, o ato de mamar exige da criança um enorme esforço muscular. Para sugar o leite, ela ajusta os lábios ao seio da mãe e mantém a respiração pelo nariz, contribuindo para o adequado crescimento dos maxilares, com espaço suficiente para a erupção dos dentes de leite. Ao avançar e retrair a mandíbula, o bebê exercita todo o sistema muscular, preparando a boca para a função mastigatória e respiratória. “Muitos odontopediatras consideram o aleitamento materno o primeiro aparelho ortodôntico”, explica.
Isso porque o ato de mamar estimula, direta ou indiretamente, o desenvolvimento da boca, evitando maloclusões e contribuindo para o equilíbrio da postura do bebê. Na ordenha do leite, o bebê trabalha a musculatura, fazendo com que os dentes cresçam. “O desenvolvimento crânio-facil é estimulado exatamente por esse esforço. Fora isso, o aleitamento materno consegue estimular uma respiração correta, que por sua vez ajuda no crescimento ósseo, diferente do que ocorre com os que respiram pela boca e pelo nariz. Quando mama, o bebê aprende a alternar mamada e respiração”, explica.
O aleitamento materno satisfaz, ainda, o reflexo de sucção no recém-nascido. Assim, o bebê fica menos propenso a adquirir hábitos nocivos como chupar o dedo ou a chupeta, considerados hábitos de sucção não nutritiva. “De acordo com estudos científicos, crianças que mamaram menos de seis meses têm sete vezes mais chances de chupar o dedo e a chupeta, além de morder objetos”, afirma Sylvia. Esse risco sobe para quase 10 vezes em crianças que tomaram mamadeira por mais de um ano, quando comparadas àquelas que nunca utilizaram essa forma de aleitamento.
Também odontopediatra, Luciana Quintão, de 37 anos, está amamentando Beatriz, de dois meses. Quando teve o primeiro filho, uma enfermeira, ainda no hospital, alertou que ela teria problemas por não ter o bico do seio muito definido. Mas nada disso aconteceu. Enquanto Beatriz mama, Luciana tenta observar se ocorre a vedação entre a boca e o seio, pois esse selamento é essencial. É esse movimento fisiológico, que não pode ser reproduzido nas mamadeiras, um dos diferenciais da amamentação materna. “Fora a troca de carinho, de cheiro, de olhar. A criança reconhece a mãe, mas também não acho que quem não mama no peito não tem esse vínculo”, defende.
Luciana, feliz por poder amamentar os filhos, defende que o limite de cada mãe seja respeitado. “Tenho uma amiga com depressão que não está dando conta. As pessoas têm um limite físico e emocional. É preciso acordar, colocar a criança no peito, esperar. Não é todo mundo que consegue. Eu vou tentar que minha filha se alimente exclusivamente de leite materno até os seis meses, mas se perceber que ela está com fome ou sem ganhar peso, farei a complementação. Existe muito tabu na amamentação, uma pressão muito grande, e muitas mulheres têm medo de um julgamento. Mas a mãe é uma pessoa com limites, antes de tudo”, defende.
Higienização Os minerais presentes no leite materno ajudam na formação do esmalte dos dentes, o que tem início ainda na vida intrauterina. Os defeitos nos esmaltes dos dentes, em geral, são mais prevalentes nas crianças que mamaram pouco tempo no seio materno. E a contribuição do leite materno chega até aos dentes permanentes que virão na sequência. “Ao nascer, eles aproveitam muitos dos nutrientes do leite materno, indiscutível do ponto de vista de benefícios. Ele tem a composição de cálcio e fosfato adequadas. Estudos mostraram que crianças que de uma população desnutrida da América Latina que foram aleitadas por mais de quatro meses tiveram menos defeitos nos esmaltes que aquelas que não tiveram amamentação materna”, alerta.
O surgimento de cáries também é mais comum em crianças que tomam mamadeira, do que as que se alimentam do leite materno. “Normalmente, as outras opções de leite são oferecidas ao bebê com adição de açúcar, tornando-o uma substância que favorece o surgimento da doença cárie”, explica. Mas para garantir a saúde bucal da criança não basta o aleitamento materno. As mães precisam ser orientadas a higienizar os dentes de seus filhos e fornecer a eles uma alimentação saudável. Para Sylvia Ferreira, dentes de leite saudáveis são fundamentais para o desenvolvimento satisfatório da mastigação e da fala. “Boa saúde na infância evita sofrimentos desnecessários causados pela dor, desconforto e longos tratamentos”, argumenta.
Segundo Sylvia Lavinia Martini Ferreira, doutora em odontopediatria e vice-presidente da Associação Paulista de Odontopediatria, o ato de mamar exige da criança um enorme esforço muscular. Para sugar o leite, ela ajusta os lábios ao seio da mãe e mantém a respiração pelo nariz, contribuindo para o adequado crescimento dos maxilares, com espaço suficiente para a erupção dos dentes de leite. Ao avançar e retrair a mandíbula, o bebê exercita todo o sistema muscular, preparando a boca para a função mastigatória e respiratória. “Muitos odontopediatras consideram o aleitamento materno o primeiro aparelho ortodôntico”, explica.
Isso porque o ato de mamar estimula, direta ou indiretamente, o desenvolvimento da boca, evitando maloclusões e contribuindo para o equilíbrio da postura do bebê. Na ordenha do leite, o bebê trabalha a musculatura, fazendo com que os dentes cresçam. “O desenvolvimento crânio-facil é estimulado exatamente por esse esforço. Fora isso, o aleitamento materno consegue estimular uma respiração correta, que por sua vez ajuda no crescimento ósseo, diferente do que ocorre com os que respiram pela boca e pelo nariz. Quando mama, o bebê aprende a alternar mamada e respiração”, explica.
O aleitamento materno satisfaz, ainda, o reflexo de sucção no recém-nascido. Assim, o bebê fica menos propenso a adquirir hábitos nocivos como chupar o dedo ou a chupeta, considerados hábitos de sucção não nutritiva. “De acordo com estudos científicos, crianças que mamaram menos de seis meses têm sete vezes mais chances de chupar o dedo e a chupeta, além de morder objetos”, afirma Sylvia. Esse risco sobe para quase 10 vezes em crianças que tomaram mamadeira por mais de um ano, quando comparadas àquelas que nunca utilizaram essa forma de aleitamento.
Também odontopediatra, Luciana Quintão, de 37 anos, está amamentando Beatriz, de dois meses. Quando teve o primeiro filho, uma enfermeira, ainda no hospital, alertou que ela teria problemas por não ter o bico do seio muito definido. Mas nada disso aconteceu. Enquanto Beatriz mama, Luciana tenta observar se ocorre a vedação entre a boca e o seio, pois esse selamento é essencial. É esse movimento fisiológico, que não pode ser reproduzido nas mamadeiras, um dos diferenciais da amamentação materna. “Fora a troca de carinho, de cheiro, de olhar. A criança reconhece a mãe, mas também não acho que quem não mama no peito não tem esse vínculo”, defende.
Luciana, feliz por poder amamentar os filhos, defende que o limite de cada mãe seja respeitado. “Tenho uma amiga com depressão que não está dando conta. As pessoas têm um limite físico e emocional. É preciso acordar, colocar a criança no peito, esperar. Não é todo mundo que consegue. Eu vou tentar que minha filha se alimente exclusivamente de leite materno até os seis meses, mas se perceber que ela está com fome ou sem ganhar peso, farei a complementação. Existe muito tabu na amamentação, uma pressão muito grande, e muitas mulheres têm medo de um julgamento. Mas a mãe é uma pessoa com limites, antes de tudo”, defende.
Higienização Os minerais presentes no leite materno ajudam na formação do esmalte dos dentes, o que tem início ainda na vida intrauterina. Os defeitos nos esmaltes dos dentes, em geral, são mais prevalentes nas crianças que mamaram pouco tempo no seio materno. E a contribuição do leite materno chega até aos dentes permanentes que virão na sequência. “Ao nascer, eles aproveitam muitos dos nutrientes do leite materno, indiscutível do ponto de vista de benefícios. Ele tem a composição de cálcio e fosfato adequadas. Estudos mostraram que crianças que de uma população desnutrida da América Latina que foram aleitadas por mais de quatro meses tiveram menos defeitos nos esmaltes que aquelas que não tiveram amamentação materna”, alerta.
O surgimento de cáries também é mais comum em crianças que tomam mamadeira, do que as que se alimentam do leite materno. “Normalmente, as outras opções de leite são oferecidas ao bebê com adição de açúcar, tornando-o uma substância que favorece o surgimento da doença cárie”, explica. Mas para garantir a saúde bucal da criança não basta o aleitamento materno. As mães precisam ser orientadas a higienizar os dentes de seus filhos e fornecer a eles uma alimentação saudável. Para Sylvia Ferreira, dentes de leite saudáveis são fundamentais para o desenvolvimento satisfatório da mastigação e da fala. “Boa saúde na infância evita sofrimentos desnecessários causados pela dor, desconforto e longos tratamentos”, argumenta.
Assinar:
Postagens (Atom)
