AVIAçãO »
De olho nos voos futuros
Associação Brasileira de Empresas Aéreas encaminha carta
à candidatos á Presidência que visa minimizar problemas
Pedro Rocha Franco* e Rodolfo Costa
Estado de Minas: 07/08/2014
Rio de Janeiro –
Depois de uma década de crescimento vertiginoso do número de
passageiros, o que acarretou em uma expansão desordenada em uma
infraestrutura muito aquém da ideal, o setor aéreo pede ajudar para
planejar a expansão prevista para os próximos anos. Um documento
elaborado pela Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear), que
reúne as quatro principais companhias nacionais (TAM, GOL, Avianca e
Azul), endereçado aos candidatos à Presidência da República aponta os
principais pleitos conjuntos para que o setor suporte a demanda
prevista.
A carta intitulada Agenda 2020 será entregue aos
presidênciais com seis tópicos principais que representam a principal
demanda do setor. Ontem, o ministro da Secretaria de Aviação Civil da
Presidência da República, Moreira Franco, recebeu o documento do
presidente da Abear, Eduardo Sanovicz, acompanhado dos dirigentes das
companhias aéreas – José Efromovich, da Avianca; Antonoaldo Neves, da
Azul; Paulo Sérgio Kakinoff, da GOL; e Claudia Sender, da Tam –, em um
evento realizado no Rio de Janeiro em parceria com a Coppe-UFRJ. A lista
inclui a revisão da precificação do combustível aeronáutico; melhoria
da infraestrutura de aeroportos e do espaço aéreo e a necessidade de
fomentar a formação e especialização da mão de obra.
O principal
pleito, no entanto, refere-se ao custo do querosene de aviação, que,
segundo as empresas, é o principal responsável pelo custo elevado das
operações em todo o país. Nas operações, em alguns estados, o
combustível representa até 44% do custo operacional, segundo a Abear.
Fato é que a questão extrapola o panorama federal, sendo necessário
repensar a política de ICMS, tendo em vista que o imposto estadual é um
dos problemas relacionados ao querosene.
Hoje, a alíquota varia
de 4% a 25%, sendo considerado ideal 6% para todos os estados. E a
associação citou o exemplo do Distrito Federal, que, ao reduzir a
alíquota do ICMS, conseguiu manter a arrecadação com o tributo tendo
atraído 126 novos voos. A desoneração de PIS-Cofins é outro pedido. “Na
medida que a aviação atendia mais passageiros na última década foi
cortando todos os custos. Hoje não há mais itens para serem cortados”,
argumenta Sanovicz, ressaltando que na última década o preço do bilhete
caiu pela metade.
Em concordância com a carta apresentada pelas
companhias, o ministro Moreira Franco admitiu que a questão do
combustível é um problema a ser enfrentado pelo governo federal, mas
disse que deverá ser tratado pelo próximo presidente. “É preciso
discutir a composição de preços do combustível de aviação adotada pela
Petrobras para que tenha como referência os valores adotados no mercado
internacional”, afirma.
NO LIMITE A questão da infraestrutura
aeroportuária (pista de pouso, pátio de aeronaves e terminal de
passageiros) é outro fator a ser considerado, segundo a Abear. Números
do setor indicam que 35% dos aeroportos da América Latina funcionam
acima do limite operacional. É o caso de Confins, que, sem a conclusão
da reforma, já atingiu o patamar máximo, impedindo acréscimo de novas
operações.
A Abear defende a radicalização das concessões dos
aeroportos, extrapolando a concessão de Confins, Galeão, Guarulhos,
Brasília e Viracopos. Na avaliação de Sanovicz, a saída para a entrada
da iniciativa privada em terminais urbanos, onde é restrito o
investimento para ampliação dos aeroportos (Pampulha, Congonhas, Santos
Dumont, Recife etc), seria a adoção da menor tarifa como quesito para a
concessão, em vez de maior outorga, como se deu com os demais.
Os
estudos da associação projetam que, até 2020, 211 milhões de
passageiros serão transportados anualmente por 167 cidades. Com isso,
mais 100 milhões de passageiros serão incorporadas ao fluxo nacional,
quase dobrando o número de usuários. O avanço força as empresas a dobrar
a frota de aeronaves, de 500 para 1 mil aviões, além de criar 660 mil
empregos diretos e indiretos.
* O jornalista viajou à convite da Abear
Terceirizados deixam passageiros no chão
Brasília
–O atual momento dos maiores aeroportos do país, com grande movimento e
alvo de pesados investimentos públicos e privados, não tem impedido
graves falhas administrativas. Ontem, por exemplo, os terminais de
Brasília e Curitiba foram palco de transtornos gerados por
terceirizados. Na capital do país, um grupo de caminhoneiros,
responsável por retirar entulhos das obras, ameaçou obstruir o
abastecimento de aeronaves. No Paraná, por sua vez, faltaram
funcionários terceirizados nas esteiras e no raio-X, o que atrasou em 40
minutos a saída dos passageiros.
Após o protesto por falta de
pagamento, a RM Transporte, prestadora de serviços do Aeroporto
Juscelino Kubitschek, frustrou os empregados e as empresas parceiras,
sumindo com os R$ 100 mil que recebeu da concessionária Inframérica.
Situações como essa, envolvendo terceirizadas e serviços públicos, têm
sido comuns, sobretudo na Esplanada dos Ministérios. O protesto
organizado por cerca de 20 pessoas, donos de caminhões e motoristas,
fechou com 12 veículos as duas vias de acesso à Base Aérea por volta das
8h. A obstrução total durou 15 minutos, mas o ato se estendeu até as
10h.
Para limpar o canteiro de obras no JK, a Helvix, empresa
contratada pela Inframérica para cuidar da reforma e ampliação do
terminal, recorreu à RM Transporte, que, por sua vez, mobilizou 35
caminhões de terceiros. Um dos responsáveis pelas operações, o
empresário Elioni Menezes da Silva, não escondeu a insatisfação com o
descaso. Dono de três veículos, atendeu a terceirizada de 20 de março a
13 de maio, mas só recebeu até abril. O valor devido de maio, R$ 30 mil,
está pendente. A Helvix esclareceu que está em contato direto com a
contratada para sanar todas pendências nos próximos dias. A Inframérica
comunicou que acompanha a negociação entre o consórcio construtor e a
transportadora de materiais, ressaltando não ter havido problemas nas
operações no terminal em virtude do protesto.
quinta-feira, 7 de agosto de 2014
EMPREGADA DOMÉSTICA » Porta fechada para o fiscal
EMPREGADA DOMÉSTICA »
Porta fechada para o fiscal
Lei que determina punição para quem não assinar a carteira do funcionário entra em vigor e encontra obstáculos: Ministério do Trabalho não pode entrar nos lares e depende de denúncia
Marta Vieira e Francelle Marzano
Estado de Minas: 07/08/2014
Lei que determina punição para quem não assinar a carteira do funcionário entra em vigor e encontra obstáculos: Ministério do Trabalho não pode entrar nos lares e depende de denúncia
Marta Vieira e Francelle Marzano
Estado de Minas: 07/08/2014
A imposição de
multa aos patrões que não assinarem a carteira de trabalho do empregado
doméstico entra em vigor sem expectativa sobre seu efetivo cumprimento,
já que o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) não tem data definida
para baixar as normas relativas à fiscalização do cumprimento da Lei
12.964, sancionada em abril. A medida não faz parte da Proposta de
Emenda Constitucional (PEC) das domésticas, aprovada há um ano e já
parcialmente em vigor.
Os técnicos do ministério estão trabalhando na instrução normativa que vai definir a atuação dos fiscais e como será aplicada a penalidade, informou, ontem, a pasta, por meio de sua assessoria de imprensa. Com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) relativos a 2012, há 6,355 milhões de empregados domésticos no Brasil, dos quais 4,455 milhões não têm registro formal. Especialistas estimam que desse último contingente, 2,5 milhões são domésticos sem carteira e o restante, diaristas.
O direito constitucional de inviolabilidade do lar cria obstáculo à ação fiscal, que já enfrenta dificuldades para atender toda a demanda para coibir a ausência de registro em outras categorias profissionais nas próprias empresas, avalia a Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad). “Se a fiscalização já é deficiente em outras categorias nas empresas, imagine como será na casa das pessoas, onde os fiscais nem podem entrar”, disse o presidente interino da Fenatrad, Francisco Xavier de Santana.
Para a instituição, o direito só será garantido se os trabalhadores domésticos denunciarem a infração nas superintendências do trabalho e procurarem a justiça. Ainda assim, a Fenatrad admite que será preciso vencer o medo da demissão e adquirir a consciência de que o trabalho doméstico é uma profissão como qualquer outra, para que mais uma lei brasileira não fique só no papel .
À Justiça do Trabalho cabe agir se acionada pelo empregado, determinando que o patrão assine a carteira, como também cumpra os demais direitos previstos na legislação, sob pena de multa diária determinada na sentença em prol do trabalhador. O primeiro vice-presidente do Tribunal do Trabalho da 3ª Região, em Minas Gerais, José Murilo de Morais, observa que baixada a sentença o juiz, então, terá de comunicar o caso ao Ministério do Trabalho para que a pasta aplique a multa determinada na nova lei. O ministério é que tem as competências de fiscalizar o cumprimento do direito trabalhista e de aplicar uma multa administrativa, cuja destinação fica a cargo do governo federal.
“Não acredito que a nova lei terá algum impacto, a menos que o empregado venha à Justiça e denuncie”, afirma Murilo de Morais. As denúncias mais recorrentes envolvem, hoje, o gozo de férias e a licença maternidade. Ele entende que a aplicação de multa pela ausência de registro só terá efeito significativo nos tribunais quando outros direitos que aguardam regulamentação, como o recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), entrarem em vigência.
POUCO MUDA O registro dos domésticos não é novo. Consta em redação original na Lei 5.859, de 1972. Agora, o novo texto define a elevação em 100% da multa prevista em caso de falta de registro, mas não especifica como será aplicada. A penalidade poderá ser reduzida se o patrão reconhecer voluntariamente o tempo de serviço, fizer a devida anotação e recolher as contribuições previdenciárias. Há estimativas de que a multa poderá variar de R$ 805,06 a R$ 2 mil.
A professora Solange Medeiros duvida que a fiscalização funcione. “Se o próprio empregado aceita trabalhar na informalidade, ele já está desrespeitando a lei. Se um deles agir de má fé, não terá como comprovar”, afirma. Ela adotou o caderno de ponto, onde são registrados os horários de entrada e saída da funcionária. A empresária Filomena Generoso também não acredita que haverá fiscalização. “A lei é falha e vai continuar dependendo de denúncias dos próprios empregados, que não falam nada com medo de perder a colocação.”
Punição pode gerar formalização
Diante do risco de o patrão arcar com uma dívida de grande proporção na Justiça do Trabalho, a instituição da multa pelo descumprimento do registro do trabalhador doméstico deverá levar à formalização de 10% a 15% dos empregados domésticos no país, nas estimativas de Mário Avelino, especialista e consultor da empresa prestadora de serviços Doméstica Legal. “Não vale a pena querer driblar a lei. É fundamental assinar a carteira do trabalhador”, afirma. Ele recomenda que os patrões aguardem regulamentação da Lei 12.964 para acertar débitos retroativos.
Segundo Mário Avelino, existe perspectiva de que a presidente Dilma Rousseff assine projeto de lei que reduz o INSS e de que seja aprovado um programa de refinanciamento das contribuições previdenciárias. Ao mesmo tempo, a Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad) trabalha para reforçar campanhas de orientação e conscientização dos empregados domésticos sobre os seus direitos. (MV)
Os técnicos do ministério estão trabalhando na instrução normativa que vai definir a atuação dos fiscais e como será aplicada a penalidade, informou, ontem, a pasta, por meio de sua assessoria de imprensa. Com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) relativos a 2012, há 6,355 milhões de empregados domésticos no Brasil, dos quais 4,455 milhões não têm registro formal. Especialistas estimam que desse último contingente, 2,5 milhões são domésticos sem carteira e o restante, diaristas.
O direito constitucional de inviolabilidade do lar cria obstáculo à ação fiscal, que já enfrenta dificuldades para atender toda a demanda para coibir a ausência de registro em outras categorias profissionais nas próprias empresas, avalia a Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad). “Se a fiscalização já é deficiente em outras categorias nas empresas, imagine como será na casa das pessoas, onde os fiscais nem podem entrar”, disse o presidente interino da Fenatrad, Francisco Xavier de Santana.
Para a instituição, o direito só será garantido se os trabalhadores domésticos denunciarem a infração nas superintendências do trabalho e procurarem a justiça. Ainda assim, a Fenatrad admite que será preciso vencer o medo da demissão e adquirir a consciência de que o trabalho doméstico é uma profissão como qualquer outra, para que mais uma lei brasileira não fique só no papel .
À Justiça do Trabalho cabe agir se acionada pelo empregado, determinando que o patrão assine a carteira, como também cumpra os demais direitos previstos na legislação, sob pena de multa diária determinada na sentença em prol do trabalhador. O primeiro vice-presidente do Tribunal do Trabalho da 3ª Região, em Minas Gerais, José Murilo de Morais, observa que baixada a sentença o juiz, então, terá de comunicar o caso ao Ministério do Trabalho para que a pasta aplique a multa determinada na nova lei. O ministério é que tem as competências de fiscalizar o cumprimento do direito trabalhista e de aplicar uma multa administrativa, cuja destinação fica a cargo do governo federal.
“Não acredito que a nova lei terá algum impacto, a menos que o empregado venha à Justiça e denuncie”, afirma Murilo de Morais. As denúncias mais recorrentes envolvem, hoje, o gozo de férias e a licença maternidade. Ele entende que a aplicação de multa pela ausência de registro só terá efeito significativo nos tribunais quando outros direitos que aguardam regulamentação, como o recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), entrarem em vigência.
POUCO MUDA O registro dos domésticos não é novo. Consta em redação original na Lei 5.859, de 1972. Agora, o novo texto define a elevação em 100% da multa prevista em caso de falta de registro, mas não especifica como será aplicada. A penalidade poderá ser reduzida se o patrão reconhecer voluntariamente o tempo de serviço, fizer a devida anotação e recolher as contribuições previdenciárias. Há estimativas de que a multa poderá variar de R$ 805,06 a R$ 2 mil.
A professora Solange Medeiros duvida que a fiscalização funcione. “Se o próprio empregado aceita trabalhar na informalidade, ele já está desrespeitando a lei. Se um deles agir de má fé, não terá como comprovar”, afirma. Ela adotou o caderno de ponto, onde são registrados os horários de entrada e saída da funcionária. A empresária Filomena Generoso também não acredita que haverá fiscalização. “A lei é falha e vai continuar dependendo de denúncias dos próprios empregados, que não falam nada com medo de perder a colocação.”
Punição pode gerar formalização
Diante do risco de o patrão arcar com uma dívida de grande proporção na Justiça do Trabalho, a instituição da multa pelo descumprimento do registro do trabalhador doméstico deverá levar à formalização de 10% a 15% dos empregados domésticos no país, nas estimativas de Mário Avelino, especialista e consultor da empresa prestadora de serviços Doméstica Legal. “Não vale a pena querer driblar a lei. É fundamental assinar a carteira do trabalhador”, afirma. Ele recomenda que os patrões aguardem regulamentação da Lei 12.964 para acertar débitos retroativos.
Segundo Mário Avelino, existe perspectiva de que a presidente Dilma Rousseff assine projeto de lei que reduz o INSS e de que seja aprovado um programa de refinanciamento das contribuições previdenciárias. Ao mesmo tempo, a Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad) trabalha para reforçar campanhas de orientação e conscientização dos empregados domésticos sobre os seus direitos. (MV)
Um novo eleitor
O brasileiro que emerge neste começo de século sabe a força que o seu voto tem para assegurar transformações inadiáveis
Olavo Machado
Presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Sistema Fiemg)
Estado de Minas: 07/08/2014
Olavo Machado
Presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Sistema Fiemg)
Estado de Minas: 07/08/2014
Quanto mais se
aproximam as eleições de outubro, mais cresce a expectativa dos
eleitores em relação ao discurso dos candidatos. Pela primeira vez em
muito tempo, a sensação é a de que a atuação da classe política nos
últimos anos acabou por criar um eleitor com um novo perfil – certamente
mais exigente e menos paciente com os continuados equívocos cometidos
no Executivo e no Legislativo sob o guarda-chuva do corporativismo, do
fisiologismo e da demagogia.
Esse eleitor que emerge neste começo de século 21 sabe muito bem a força que o seu voto tem para assegurar transformações inadiáveis para a construção de um país forte em sua economia e justo na distribuição dos frutos do crescimento. É, portanto, um eleitor mais alinhado com as manifestações populares iniciadas em junho do ano passado – as manifestações legítimas e pacíficas, não a baderna e a violência. É fundamental, assim, que os candidatos estejam atentos.
O que esse novo eleitor exige dos candidatos é que olhem para o futuro e apresentem propostas que permitam vislumbrar um futuro de estabilidade e de tranquilidade para trabalhar, produzir e gerar empregos de qualidade. O passado passou – os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva não são candidatos em outubro próximo. No exercício de seus mandatos, realizaram obras importantes nos campos econômico e social. Merecem o respeito dos brasileiros, mas agora a conversa é com os candidatos que, no voto, disputam a Presidência da República em outubro. É com eles que o eleitor quer conversar nos dois meses que nos separam das urnas.
No noticiário jornalístico do dia a dia e especialmente no horário eleitoral que começa dia 19, o eleitor buscará identificar as melhores propostas para recolocar o país no rumo do crescimento econômico em taxas compatíveis com a posição do Brasil no contexto mundial. Esse crescimento, que hoje não existe, é fundamental na geração de recursos necessários para financiar políticas sociais destinadas a atender os segmentos mais carentes da população.
No objetivo de participar e oferecer sua contribuição, a Confederação Nacional da Indústria, presidida pelo conterrâneo Robson Braga de Andrade, acaba de realizar o “Diálogo da Indústria com candidatos à Presidência da República”, durante o qual entregou a cada um deles um conjunto de 42 sugestões em setores estratégicos para resgatar e ampliar a competitividade do setor no mercado interno, vítima da crescente invasão de produtos importados, e também nos grandes mercados mundiais.
As 42 sugestões eleitas como prioritárias pela indústria nacional foram definidas a partir do Mapa Estratégico da Indústria 2013-2022 e estão divididas em 10 fatores-chave: educação; ambiente macroeconômico; eficiência do Estado; segurança jurídica e burocracia; desenvolvimento de mercados; relações de trabalho; financiamento; infraestrutura; tributação; e inovação e produtividade.
Alguns números que listo a seguir, como exemplo, explicam a crescente corrosão da competitividade da economia nacional, especialmente no setor industrial: os impostos cobrados no Brasil, os maiores do mundo, oneram em 10,6% o valor dos investimentos realizados no país; o custo com mão de obra elevou-se em 58% desde 1996, sem a necessária correspondência do aumento da produtividade; o Brasil gasta, com a Previdência Social, o mesmo percentual do Produto Interno Bruto (PIB) que os Estados Unidos, país onde a população idosa é 2,5 vezes superior à brasileira. São, todos, fatores que reduzem a competitividade da economia brasileira frente aos concorrentes internacionais.
A baixa competitividade da economia brasileira é consequência, igualmente, de reformas estruturais postergadas ao longo de décadas e que – espera-se – o presidente eleito em outubro próximo venha a realizar: a reforma política; a reforma tributária, com a redução dos impostos e simplificação do sistema tributário nacional; e a reforma das relações trabalhistas. Do presidente eleito, também se esperam ações efetivas no campo da infraestrutura – estradas, ferrovias, portos e aeroportos –, bem como ações destinadas a corrigir desigualdades regionais; medidas de redução da burocracia e ações efetivas no campo da educação de forma a sustentar o processo de inovação e desenvolvimento de tecnologia.
Temos no Brasil de hoje, felizmente, esse novo eleitor que tem consciência da importância do seu voto para acelerar as transformações que a sociedade brasileira exige de suas lideranças políticas e de seus governantes. Isso, em essência, é o que os candidatos às eleições de outubro próximo precisam entender, em todas as instâncias: assembleias legislativas, Câmara dos Deputados, Senado Federal, governos estaduais e Presidência da República.
Esse eleitor que emerge neste começo de século 21 sabe muito bem a força que o seu voto tem para assegurar transformações inadiáveis para a construção de um país forte em sua economia e justo na distribuição dos frutos do crescimento. É, portanto, um eleitor mais alinhado com as manifestações populares iniciadas em junho do ano passado – as manifestações legítimas e pacíficas, não a baderna e a violência. É fundamental, assim, que os candidatos estejam atentos.
O que esse novo eleitor exige dos candidatos é que olhem para o futuro e apresentem propostas que permitam vislumbrar um futuro de estabilidade e de tranquilidade para trabalhar, produzir e gerar empregos de qualidade. O passado passou – os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva não são candidatos em outubro próximo. No exercício de seus mandatos, realizaram obras importantes nos campos econômico e social. Merecem o respeito dos brasileiros, mas agora a conversa é com os candidatos que, no voto, disputam a Presidência da República em outubro. É com eles que o eleitor quer conversar nos dois meses que nos separam das urnas.
No noticiário jornalístico do dia a dia e especialmente no horário eleitoral que começa dia 19, o eleitor buscará identificar as melhores propostas para recolocar o país no rumo do crescimento econômico em taxas compatíveis com a posição do Brasil no contexto mundial. Esse crescimento, que hoje não existe, é fundamental na geração de recursos necessários para financiar políticas sociais destinadas a atender os segmentos mais carentes da população.
No objetivo de participar e oferecer sua contribuição, a Confederação Nacional da Indústria, presidida pelo conterrâneo Robson Braga de Andrade, acaba de realizar o “Diálogo da Indústria com candidatos à Presidência da República”, durante o qual entregou a cada um deles um conjunto de 42 sugestões em setores estratégicos para resgatar e ampliar a competitividade do setor no mercado interno, vítima da crescente invasão de produtos importados, e também nos grandes mercados mundiais.
As 42 sugestões eleitas como prioritárias pela indústria nacional foram definidas a partir do Mapa Estratégico da Indústria 2013-2022 e estão divididas em 10 fatores-chave: educação; ambiente macroeconômico; eficiência do Estado; segurança jurídica e burocracia; desenvolvimento de mercados; relações de trabalho; financiamento; infraestrutura; tributação; e inovação e produtividade.
Alguns números que listo a seguir, como exemplo, explicam a crescente corrosão da competitividade da economia nacional, especialmente no setor industrial: os impostos cobrados no Brasil, os maiores do mundo, oneram em 10,6% o valor dos investimentos realizados no país; o custo com mão de obra elevou-se em 58% desde 1996, sem a necessária correspondência do aumento da produtividade; o Brasil gasta, com a Previdência Social, o mesmo percentual do Produto Interno Bruto (PIB) que os Estados Unidos, país onde a população idosa é 2,5 vezes superior à brasileira. São, todos, fatores que reduzem a competitividade da economia brasileira frente aos concorrentes internacionais.
A baixa competitividade da economia brasileira é consequência, igualmente, de reformas estruturais postergadas ao longo de décadas e que – espera-se – o presidente eleito em outubro próximo venha a realizar: a reforma política; a reforma tributária, com a redução dos impostos e simplificação do sistema tributário nacional; e a reforma das relações trabalhistas. Do presidente eleito, também se esperam ações efetivas no campo da infraestrutura – estradas, ferrovias, portos e aeroportos –, bem como ações destinadas a corrigir desigualdades regionais; medidas de redução da burocracia e ações efetivas no campo da educação de forma a sustentar o processo de inovação e desenvolvimento de tecnologia.
Temos no Brasil de hoje, felizmente, esse novo eleitor que tem consciência da importância do seu voto para acelerar as transformações que a sociedade brasileira exige de suas lideranças políticas e de seus governantes. Isso, em essência, é o que os candidatos às eleições de outubro próximo precisam entender, em todas as instâncias: assembleias legislativas, Câmara dos Deputados, Senado Federal, governos estaduais e Presidência da República.
A vantagem da honestidade emocional - Klênia Carvalho
A vantagem da honestidade emocional
Klênia Carvalho
Pedagoga e diretora de curso de educação emocional
Estado de Minas: 07/08/2014
Há uma frase que diz
que “a pior mentira é a que contamos para nós mesmos”. Contudo, poucos
de nós temos a dimensão do prejuízo que nos causamos sendo desonestos.
Somos demandados por eventos imprevisíveis nas situações cotidianas a
todo o momento. Como quando somos fechados por outro motorista no
trânsito, quando uma pessoa passa na nossa frente na fila do
supermercado, quando o carteiro troca nossas correspondências ou quando o
chefe nos cobra uma tarefa que não havia pedido. Enfim, todos esses
acontecimentos nos provocam emoções. Como reagimos? Geralmente, culpando
o outro por nossos descompassos e descontroles.
Alguns alegam não ter “sangue de barata” e afirmam, portanto, que o sangue “ferve nas veias”. O fato é que uma pessoa pacífica não reage da mesma maneira que uma raivosa. A grande maioria das pessoas atribui o “bom gênio” à natureza, acreditando que as pessoas já nascem assim. O fato é que ignoramos que podemos mudar esses comportamentos. O primeiro passo para isso acontecer é admitir que temos um lado obscuro, ou seja, uma parte que não é má, mas, sim, desconhecida. Assim, urge que nos coloquemos em uma posição de observação e escuta. Observação para registrar as nossas reações diante das situações e escuta para verificar o nosso diálogo mental após o fato.
A grande questão é que não estamos acostumados a registrar nossas reações e muito menos a escutar os nossos diálogos mentais. Rubem Alves dizia no texto Escutatório que, para ver a beleza, deveríamos “não ter filosofia alguma. Filosofia é um monte de ideias dentro da cabeça sobre como são as coisas”, afirmou. Já em relação à escuta, avaliava que a “incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil da nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos”.
Enquanto conjecturamos como as coisas acontecem segundo a nossa perspectiva, perdemos as oportunidades de nos conhecer. Uma demonstração de como distorcemos a realidade acontece quando repetimos frases como: “Eu sou assim porque meu pai...” ou “Eu sou assim porque não tive...”. Enfim, criamos um álibi para justificar nossos jeitos de ser e não entrarmos em contato com as nossas emoções.
Se a percepção de nós mesmos já é ruim, a nossa habilidade de escuta não fica atrás. Artur da Távola afirma no texto O difícil facilitário do verbo ouvir que as pessoas não ouvem o que o outro fala, ouvem o que querem ouvir, o que imaginam que o outro ia falar, o que confirme ou rejeite o seu próprio pensamento, etc. Declarando que “há pessoas que se defendem de ouvir o que as outras estão dizendo, por verdadeiro pavor inconsciente de se perderem a si mesmas. Elas precisam não ouvir, porque não ouvindo livram-se da retificação dos próprios pontos de vista, da aceitação de realidades diferentes das próprias”.
Portanto, escutar não é um processo simples, requer abertura interior do receptor e um esforço para não mascarar as reações emocionais com argumentos mentais falsos. A princípio, ser honestos conosco pode gerar desconforto, pois a sensação de vergonha ou de orgulho ferido poderá se manifestar, principalmente, ao visualizamos cenas em que agimos de forma arrogante, vaidosa, invejosa ou preconceituosa, para não dizer ridícula. Porém, honestidade e aceitação andam juntas. Ao sermos honestos conosco, teremos a oportunidade de entrar em comunhão. Isso acontece quando reunimos o que há de melhor em nós e nos outros em um contraponto equilibrado.
Alguns alegam não ter “sangue de barata” e afirmam, portanto, que o sangue “ferve nas veias”. O fato é que uma pessoa pacífica não reage da mesma maneira que uma raivosa. A grande maioria das pessoas atribui o “bom gênio” à natureza, acreditando que as pessoas já nascem assim. O fato é que ignoramos que podemos mudar esses comportamentos. O primeiro passo para isso acontecer é admitir que temos um lado obscuro, ou seja, uma parte que não é má, mas, sim, desconhecida. Assim, urge que nos coloquemos em uma posição de observação e escuta. Observação para registrar as nossas reações diante das situações e escuta para verificar o nosso diálogo mental após o fato.
A grande questão é que não estamos acostumados a registrar nossas reações e muito menos a escutar os nossos diálogos mentais. Rubem Alves dizia no texto Escutatório que, para ver a beleza, deveríamos “não ter filosofia alguma. Filosofia é um monte de ideias dentro da cabeça sobre como são as coisas”, afirmou. Já em relação à escuta, avaliava que a “incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil da nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos”.
Enquanto conjecturamos como as coisas acontecem segundo a nossa perspectiva, perdemos as oportunidades de nos conhecer. Uma demonstração de como distorcemos a realidade acontece quando repetimos frases como: “Eu sou assim porque meu pai...” ou “Eu sou assim porque não tive...”. Enfim, criamos um álibi para justificar nossos jeitos de ser e não entrarmos em contato com as nossas emoções.
Se a percepção de nós mesmos já é ruim, a nossa habilidade de escuta não fica atrás. Artur da Távola afirma no texto O difícil facilitário do verbo ouvir que as pessoas não ouvem o que o outro fala, ouvem o que querem ouvir, o que imaginam que o outro ia falar, o que confirme ou rejeite o seu próprio pensamento, etc. Declarando que “há pessoas que se defendem de ouvir o que as outras estão dizendo, por verdadeiro pavor inconsciente de se perderem a si mesmas. Elas precisam não ouvir, porque não ouvindo livram-se da retificação dos próprios pontos de vista, da aceitação de realidades diferentes das próprias”.
Portanto, escutar não é um processo simples, requer abertura interior do receptor e um esforço para não mascarar as reações emocionais com argumentos mentais falsos. A princípio, ser honestos conosco pode gerar desconforto, pois a sensação de vergonha ou de orgulho ferido poderá se manifestar, principalmente, ao visualizamos cenas em que agimos de forma arrogante, vaidosa, invejosa ou preconceituosa, para não dizer ridícula. Porém, honestidade e aceitação andam juntas. Ao sermos honestos conosco, teremos a oportunidade de entrar em comunhão. Isso acontece quando reunimos o que há de melhor em nós e nos outros em um contraponto equilibrado.
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