quinta-feira, 7 de agosto de 2014

TeVê

TV paga

Estado de Minas: 07/08/2014



 (Discovery/Divulgação)

Tudo em casa


“Bonitões com conteúdo reforçam as Quintas em casa do Discovery Home & Health.” Assim a emissora anuncia suas duas novas atrações que estreiam hoje: Sua casa em boas mãos (foto), às 21h30, e Irmãos à obra – Compra e venda, às 22h20. Além dos tais bonitões, as produções têm em comum o objetivo de dar dicas práticas sobre reforma e decoração e mercado imobiliário.

Garoto entra de penetra
em show e grava o vídeo


Novidade também na MTV, com a estreia de No cameras allowed – É proibido filmar, às 22h. O personagem central é James Marcus Haney, um garoto apaixonado por música que vive mil aventuras ao tentar entrar de penetra nos maiores festivais de música do mundo. No canal Bis, hoje tem Soundcheck, com uma apresentação de Mark Knopfler na série Live at the Atrium. Em tempo: outro músico, o vocalista do AC/DC Brian Johnson, apresenta o programa Carros alucinantes, que estreia às 21h, no Discovery Turbo.

Que tal pegar onda com
o campeão Kai Lenny?


No canal Off, a novidade é Kai Lenny, série de sete episódios sobre a vida do hexacampeão mundial de stand up paddle, mostrando aspectos da cultura havaiana e a interação dele com os principais atletas do mundo que residem e praticam esportes de ação na região de Mauí e Oahu, no Havaí. No ar às 21h30.

Ler ou não ler o manual?
Eis aí uma boa questão


Manuais de instruções despertam diferentes sentimentos nos consumidores. Há os que devoram todos a cada compra e, por outro lado, muitas pessoas nem sequer os abre quando desembrulham seus equipamentos. Esse é o assunto de Desafiando o manual, série que o canal History estreia hoje, às 22h. A cada episódio, os apresentadores Ed Sanders e Marcus Hunt vão operar aparelhos avançados e perigosos, um seguindo e o outro ignorando seu guia de funcionamento.

Telecine faz festa para
a bela Charlize Theron


O Telecine Action preparou um especial para comemorar hoje os 39 anos de Charlize Theron, exibindo em sequência os filmes Aeon Flux, às 20h15, e Prometheus , às 22h. O Megpiax também montou uma sessão dupla com Tudo mundo em pânico 2 e 3, a partir das 22h35. Na faixa das 22h, o assinante tem seis boas opções: Vai que dá certo, no Telecine Fun; A teoria do amor, no Telecine Touch; Bom-dia, Vietnã, no Telecine Cult; O incrível mágico Burt Wonderstone, na HBO 2; Chicago, no Studio Universal; e Entre a loura e a morena, na Cultura. Outras atrações da programação: O banheiro do papa, às 21h30, no Arte 1, e Separados pelo casamento, às 22h30, na TNT.



CARAS & BOCAS » Vilã incansável
Simone Castro

Drica Moraes interpreta a esperta Cora na novela Império (Juliana Torres/Divulgação )
Drica Moraes interpreta a esperta Cora na novela Império
No primeiro encontro, ela prometeu dar trabalho ao Comendador. Em Império (Globo), Cora, que foi decisiva para que José Alfredo saísse da vida de sua irmã, Eliane, prepara uma ofensiva implacável para que sua sobrinha, Cristina, ponha a mão na fortuna de seu desafeto. No capítulo de ontem, Cora, interpretada por Drica Moraes, mais uma vez deu mostras de que é capaz de tudo. Ao perceber que José Alfredo está em frente à sua casa e que vai se afastando ao vê-la, a vilã simplesmente se joga na frente do carro dele, a fim de forçá-lo a ouvi-la. E não apenas José Alfredo ficará preocupado com as atitudes de Cora. Maria Marta já foi a campo com seus próprios métodos para tentar barrar Cristina e os herdeiros do milionário estão na maior expectativa sobre o futuro. Aflitos, os filhos José Pedro e Maria Clara querem saber a opinião do advogado da família sobre a questão da paternidade de Cristina, depois que Cora invadiu a empresa do pai. “Acho que essa história já está durando demais para não ser verdadeira”, opina. Mas ele adianta: “Seu pai deve tomar providências imediatas a respeito, mas é ele quem decide quais e quando”. Será que José Alfredo terá como se livrar do cerco de Cora?

ALTEROSA NO ATAQUE E
O MELHOR DO ESPORTE


Fique por dentro do que é notícia no esporte em Minas Gerais, no Brasil e no mundo com o Alterosa no ataque. De segunda a sexta-feira, às 19h10, com apresentação de Jaeci Carvalho.

ENCONTRO COM PAIS DE
ATORES MIRINS NO SBT


Foi realizada quinta-feira, no auditório da sede do SBT, em Osasco (SP), a primeira de uma série de quatro palestras com os pais dos atores mirins da novela Chiquititas e da série Patrulha salvadora. Sempre preocupada com o desenvolvimento do elenco de suas tramas, a autora Iris Abravanel convidou a palestrante Mônica Splendore para participar do projeto, que visa ajudar os pais a lidar melhor com o desenvolvimento das relações familiares, de trabalho e emocionais para a construção de um futuro saudável de seus filhos. Na pauta, temas como autoridade, disciplina, valores sociais e até questões ligadas à sexualidade.

VIVA REPRISA ESPECIAL
COM PAULO COELHO


“Sibéria, a missão de um mago”, série de reportagens feitas por Glória Maria, que acompanhou o escritor Paulo Coelho numa viagem pela Ferrovia Transiberiana e que foi exibida em 2006, no Fantástico (Globo), será reprisada no canal Viva (TV paga), a partir do dia 18.

PAOLLA OLIVEIRA VAI
ESTRELAR MINISSÉRIE


Depois da Paloma em Amor à vida (Globo), Paolla Oliveira já foi escalada para novo trabalho. Ela vai protagonizar a minissérie Felizes para sempre, que deve ir ao ar em janeiro do ano que vem na emissora. Trata-se de uma adaptação de Quem ama não mata, que foi ao ar no mesmo canal em 1982. Na trama, um assassinato desfaz um casamento até então tido como um dos mais felizes. As gravações começam ainda neste mês.

ESTREIA AO VIVO

Marcada para estrear em setembro nos Estados Unidos, parte da terceira temporada da série Nashville será transmitida ao vivo, de acordo com o Entertainment tonight. Assim, os telespectadores poderão acompanhar shows dos personagens Will Lexington (Chris Carmack) e Deacon Claybourne (Charles Esten), diretamente do Bluebird Café. À exceção das duas apresentações musicais, o restante do episódio será gravado. Na atração, que no Brasil é exibida pelo canal Sony (TV paga), a trama tem como personagem central a  decadente Rainha do Country Rayna James (Connie Britton), que se vê ameaçada pela jovem cantora Juliette Barnes (Hayden Panettiere).

VIVA
José Alfredo, protagonista de Alexandre Nero em Império. O personagem mistura drama e humor na dose certa. Nero e Lília Cabral (Maria Marta) batem um bolão.

VAIA
Jonas Marra (Murilo Benício) não transmite um pingo de verdade quando diz a Verônica (Taís Araújo) que a ama, em cena de Geração Brasil (Globo). Casal sem química.

Clássico para todos

Clássico para todos 

Turíbio Santos abre hoje à noite o projeto Viva os mestres, que vai até sábado com recitais em torno das obras de Heitor Villa-Lobos, Frédéric Chopin e Richard Strauss

Mariana Peixoto
Estado de Minas: 07/08/2014


Turíbio Santos, violonista     (Paulo Araújo/CB/D.A Press)
Turíbio Santos, violonista


Com tempo livre como qualquer garoto de 15 anos, Turíbio Santos foi o escolhido para, numa tarde quente do Rio de Janeiro de 1958, assistir a uma conferência de Heitor Villa-Lobos, na Urca. Já colaborador de Hermínio Bello de Carvalho no programa Violão de ontem e de hoje, da Rádio MEC, o então adolescente ouviu dele: “Leve seu caderninho e anote tudo o que ele falar”. Só três pessoas foram ao encontro. Sem pestanejar, Villa-Lobos convidou o trio para sentar-se com ele à mesa. Falou por três horas. Turíbio anotou absolutamente tudo. O tal caderninho resultou, muitos anos mais tarde, no livro Villa-Lobos e o violão, que Turíbio publicou pelo Museu Villa-Lobos, instituição que dirigiu por 24 anos. Depois daquela tarde, o violonista nunca mais viu Villa-Lobos, que morreu em novembro de 1959, aos 72 anos.

“Ele é tocado no mundo inteiro. Eu diria que a coluna vertebral dos royalties que recebo vem do violão. Villa-Lobos é uma espécie de Chopin do violão”, afirma Turíbio, o mais conhecido dos intérpretes da obra para violão de Villa-Lobos – e também um dos mais antigos em atividade, já que desde os 12 anos o hoje senhor de 71 se dedica a executar seus choros, prelúdios e estudos. É com Turíbio ao violão, homenageando Villa-Lobos pelos seus 55 anos de morte, que tem início hoje, no Teatro Bradesco, o projeto Viva os mestres. A programação se estende até sábado. Amanhã, Frédéric Chopin ganha homenagem pelos s

Turíbio não vai se apresentar sozinho nesta noite. Terá como companhia os também violonistas Fernando Araújo, Celso Faria e Gilvan de Oliveira, além do flautista Mauro Rodrigues. Celso Faria, por sinal, realizou há dois anos dissertação pela UFMG em torno da obra de Turíbio. A pesquisa foi sobre a chamada Coleção Turíbio Santos, projeto realizado ao longo de 1970 e 1980, em que o violonista busca criar um novo repertório para o instrumento, por meio de temas encomendados a sete compositores brasileiros. No concerto de hoje, além das obras de Villa-Lobos, serão apresentadas ainda peças de Francisco Mignone e Radamés Gnattalli.

Depois da morte de Villa-Lobos, tudo ocorreu muito rápido na trajetória de Turíbio. A viúva do compositor das Bachianas brasileiras, Arminda Neves d’Almeida, criou em 1960, no Palácio Gustavo Capanema, o Museu Villa-Lobos – desde 1982, a instituição funciona num casarão em Botafogo. Turíbio fez em 1961 um recital com peças de Villa-Lobos. Assistido por Arminda na ocasião, foi convidado por ela, já em 1962, para tocar a primeira versão integral dos 12 estudos do maestro. E isso foi apenas o começo de uma relação que se estreitou ao longo das décadas. “Ela foi como uma mãe para mim”, recorda.

Ainda na década de 1960, começando sua carreira internacional, Turíbio venceu o Concurso Internacional de Violão promovido pela Rádio e Televisão Francesa, o que fez com que estreitasse laços com o país onde viveu por 20 anos. Com uma versão popular para o Concerto de Aranjuez, Aranjuez, mon amour, virou um best-seller, vendendo muito mais do que o esperado. Maior gravadora francesa de música clássica, a Erato Records fez a ele um convite: registrar em novo álbum um autor latino. A ideia era continuar com a música espanhola. Turíbio bateu o pé e disse que tinha uma coisa muito melhor: os 12 estudos de Villa-Lobos. “Argumentaram que eu era muito jovem para fazer exigência, que ele estava fora de catálogo. Mas acabaram aceitando. E vendeu feito batatinha”, relembra. Agora com poder de fogo, gravou também Villa-Lobos com orquestra. “Fizeram um contrato de exclusividade comigo. Fora 18 discos em 18 anos”, diz.

Para Turíbio, a obra em violão de Villa-Lobos tem um grau de dificuldade mediana. “Não posso dizer que é fácil, mas também não é dificílima. É uma expressão muito contundente.” Turíbio não vê precedentes no Brasil para a extensão do que Villa-Lobos fez. “Entre 1930 e 1945, ele assumiu um programa de educação musical que nunca havia sido feito no país. Enchia estádios do Fluminense, do Vasco, formou uma quantidade enorme de professores de música, além de uma geração de músicos. Tom Jobim, Egberto Gismont, Edu Lobo e por aí vai.” Já na lembrança daquele garoto de 15 anos, o que Turíbio guarda do maestro foi uma personalidade fantástica. “Ele era bonito, parecia com o Artur da Távola, com o entusiasmo do Darcy Ribeiro.”


Vida de concertista

Nascido em 1943 em São Luís, Maranhão, e radicado desde a primeira infância no Rio de Janeiro, Turíbio Santos tem pelo menos um disco para cada ano de vida. Professor – criou o curso de violão da UFRJ e da Uni-Rio –  e gestor – dirigiu a Sala Cecília Meirelles e o Museu Villa-Lobos –, em meio à sua franca produção ainda encontrou tempo para escrever alguns livros. O mais novo, que ele traz a Belo Horizonte, é sua autobiografia, Caminhos, encruzilhadas, mistérios (editora ArtViva).

“Já tinha uma biografia feita pela revista Chronos, da Uni-Rio, e outra pela Zahar, Mentiras ou não, mas faltavam algumas informações, já que produzi muita coisa.” O texto de próprio punho, escrito em ordem cronológica – “escrevo razoavelmente bem, sem falsa modéstia” – e bastante ilustrado, busca ligar todos os fatos que marcaram a trajetória de Turíbio.

“Viver fora do país (foram 10 anos em Paris e outros 10 divididos entre o Rio e a capital francesa) provocou um movimento de solidão em mim. E o violão clássico é um instrumento muito solitário. O que a gente faz é muito difícil, pois tudo é microscópico, tem muitas minúcias. Além do mais, é um instrumento com um repertório relativamente pequeno.”


Programação

» Hoje
Recital de violão em homenagem a Heitor Villa-Lobos com Turíbio Santos e convidados (Fernando Araújo, Celso Faria e Gilvan de Oliveira nos violões e Mauro Rodrigues na flauta)

» Amanhã
Recital de piano em homenagem a Frédéric Chopin, com Giulio Draghi e Luiz Gustavo Carvalho

» Sábado
Recital de cordas e canto em homenagem a Richard Strauss com Baptiste Rodrigues (violino), Eliseu Barros (viola), Svetlana Tovstukha (cello), Luiz Gustavo Carvalho (piano) e Eliane Coelho (soprano)


VIVA OS MESTRES
De hoje a sábado, às 20h30, no Teatro Bradesco, Rua da Bahia, 2.244, Lourdes. Ingressos: R$ 40 e R$ 20 (meia).

Desespero por ajuda

Profissionais imploram solução urgente para conter epidemia de ebola que já matou quase 4 mil africanos. OMS se reúne para definir se doença atingiu emergência mundial
Estado de Minas: 07/08/2014


Liberianos rezam pelo fim do martírio em seu país, onde o vírus avança mais rapidamente    (Zoom Dosso/AFP  )
Liberianos rezam pelo fim do martírio em seu país, onde o vírus avança mais rapidamente


Funcionários da saúde no Oeste da África fizeram um apelo ontem por ajuda urgente para controlar o pior surto de ebola em quase quatro décadas de história da doença. O saldo de mortos chegou a 932, segundo último balanço da Organização Mundial de Saúde (OMS). A Libéria fechou um hospital onde vários agentes foram infectados. A epidemia de febre hemorrágica sobrecarregou os rudimentares sistemas de saúde pública e levou ao destacamento de tropas para impor quarentenas nas áreas mais atingidas, na região remota das fronteiras entre Guiné, Libéria e Serra Leoa.

Enquanto isso, o Comitê de Emergências da Organização Mundial da Saúde (OMS), que se reúne desde ontem em Genebra, dirá na sexta de manhã se a epidemia de febre hemorrágica representa uma emergência de saúde pública de alcance mundial. Tal status é definido como um evento extraordinário suscetível de representar um risco de saúde pública para outros Estados, com a expansão da doença a nível internacional e que requer, potencialmente, uma resposta coordenada neste âmbito. O alarme global com a propagação da doença aumentou quando o norte-americano Patrick Sawyer morreu na Nigéria no mês passado depois de passar pela Libéria.

No país, onde o saldo de mortos cresce mais rápido (são 282 mortes), moradores em pânico abandonam corpos de familiares nas ruas de Monróvia para evitar quarentenas. O hospital católico St. Joseph foi fechado depois que o diretor morreu de ebola, disseram autoridades, e seis funcionários testaram positivo, incluindo duas freiras e o padre espanhol Miguel Pajares, de 75 anos.

Muitos hospitais e clínicas convencionais foram forçados a fechar no país, muitas vezes porque os próprios funcionários temem contrair o vírus ou por causa de episódios de violência de locais que acreditam que a doença é uma conspiração governamental. O país mobilizou o Exército para implementar controles e isolar as comunidades atingidas com maior gravidade, a chamada operação “Escudo Branco”. A vizinha Serra Leoa afirmou ter implementado novas restrições no aeroporto e estar pedindo aos passageiros que preencham formulários e meçam a temperatura. No Leste, militares criaram bloqueios nas estradas para limitar o acesso às áreas infectadas.

 Na Nigéria, quarto país a ser afetado, o número de casos suspeitos subiu de quatro para nove. "Todos os nigerianos diagnosticados foram contatos primários de Patrick Sawyer, que trabalhava para o ministério das Finanças da Libéria e foi contagiado por sua irmã", explicou o ministro de Saúde, Onyebuch Chukwu. Sawyer viajou à Nigéria, país mais populoso do continente africano e morreu em quarentena no dia 25 de julho. Os números da OMS não fazem menção à Arábia Saudita, onde um homem morreu quarta-feira depois de voltar de uma viagem de negócios em Serra Leoa.

Droga experimental é expectativa 

Criticada por pesquisadores e especialistas da área de saúde por dar uma resposta tímida à epidemia, a OMS considera as implicações éticas da liberação de drogas que ainda não foram testadas em humanos. A OMS disse que deverá promover um encontro de especialistas em ética médica na próxima semana. “Estamos numa situação incomum neste surto. Temos uma doença com alta taxa de mortalidade, sem nenhum tratamento ou vacina comprovados”, disse a diretora-geral-assistente da OMS, Marie-Paule Kieny, em comunicado. “Precisamos pedir aos especialistas em ética orientação sobre qual é a coisa responsável a se fazer agora.”

O comunicado da OMS diz que o padrão “ouro” para avaliação de novos medicamentos envolve uma série de testes em humanos, começando em pequena escala para garantir que o medicamento é seguro, e que o princípio orientador é o de não fazer mal. Não há vacina ou remédio registrado contra o vírus, mas há várias opções experimentais em desenvolvimento. O tratamento dado a dois trabalhadores norte-americanos da área médica consiste em proteínas chamadas anticorpos monoclonais, que se amarram ao vírus e o desativam. Esse tratamento só havia sido testado em animais de laboratório. A OMS é criticada por pesquisadores e especialistas da área de saúde por dar uma resposta tímida à epidemia.

Eduardo Almeida Reis-Cambistas‏

No Brasil, cambista é aquele que adquire ingressos para espetáculos públicos com a finalidade de revendê-los, fora das bilheterias, por preço maior do que o oficial


Eduardo Almeida Reis
Estado de Minas: 07/08/2014




Comparado com o mensaleiro, o homicida, o estuprador, o latrocida e mesmo com o batedor de carteiras, o cambista só comete ato infracional. No Brasil, cambista é aquele que adquire ingressos para espetáculos públicos com a finalidade de revendê-los, fora das bilheterias, por preço maior do que o oficial. Se adquire os ingressos, portanto,I paga por eles e corre o risco de não encontrar compradores por preço maior do que pagou, bem como de ficar com os ingressos encalhados. Não consigo ver crime em sua atividade.

Vejo no Google em cambista crime uma análise que combina com o meu philosophar: “Na esteira da criminalização da pobreza brasileira, o legislador federal presenteou os brasileiros recentemente com mais uma figura criminal: o cambista”.

Mais adiante: “Claro, cambista é coisa de gente pobre. Atividade de quem necessita fazer dinheiro até no momento do lazer alheio, produzindo lucro com algum esforço, tempo e risco. Típico de quem não consegue possuir renda satisfatória pelos meios socialmente mais desejados. Sim, gera renda informal. Trabalho informal para pessoas informais. Pobreza que se alimenta da impaciência dos mais abastados do capitalismo”.

Todavia, desde 27 de julho de 2010, o legislador do Brasil trata o cambista da seguinte forma: “Art. 41-F. Vender ingressos de evento esportivo, por preço superior ao estampado no bilhete: Pena – Reclusão de 1 (um) a 2 (dois) anos e multa”.

E o besteirol legal vai por aí, para terminar com a observação do jurista Juarez Cirino dos Santos, in Direito Penal, da Conceito Editorial, 2010, pág. 450: “Como diria Wacquant, é o Direito Penal que visa recolher e armazenar os (sub) proletários tidos como inúteis, indesejáveis ou perigosos”.

Agora, ouçamos o philosopho: é claro, como também é lógico e evidente, que a quadrilha dos cambistas da Copa das Copas, mancomunada com a organização criminosa chamada Fifa, é diferente e merece reclusão espichada. Como também deve ser preso e condenado a remar nas galés o imbecil que paga R$ 50 mil (cinquenta mil reais!) por um ingresso para a final da Copa. Com esse dinheiro, que só pode ter sido roubado, assiste ao jogo pela tevê em tela imensa, muito melhor do que no estádio, comendo caviar iraniano, bebendo hectolitros de champanhe Dom Pérignon, cercado de senhoritas desnudas.

Nota de um philosopho que acaba de ler o Estatuto do Torcedor: o Art. 41-G comina pena de reclusão de 2 (dois) a 4 (quatro) anos e multa.

Eleições

Terminada a Copa das Copas teremos eleições em outubro. Funkeiros, pagodeiros e celebridades de variado coturno são candidatos em todos os estados da federação. Cavalheiro ou dama com um mínimo de competência funkeira ou pagodeira ganha, por show, muito mais que por mês os deputados federais ou os senadores. Celebridade do quinto escalão recebe para aparecer numa festa, só aparecer ou, como há quem diga, prestigiar, três ou quatro vezes mais do que um ministro ganha por mês.

Donde se conclui que funkeiros, pagodeiros e celebridades se dividem em dois grupos: os que pensam fazer algo pelo Brasil e os que pretendem, roubando, ganhar muito mais do que nas atividades em que se destacam. Qual seria a saída? Confesso que não sei e faço minhas as palavras do Tiririca, palhaço profissional, quando se candidatou a deputado federal como puxador de votos: “Pior do que está não pode ficar”. Parece que ajudou a eleger com os seus votos o inacreditável Valdemar da Costa Neto, que revoluciona a gastronomia mundial gerenciando durante o dia um restaurante no Planalto Central e dorme na cadeia.

Mesmo sem funkeiros, pagodeiros e celebridades, nossos políticos são isto que se vê. Se a generalização é injusta e descabida, retifico: 90% dos políticos são de lascar. Há quem defenda a anarquia, teoria política e social segundo a qual o indivíduo deveria desenvolver-se livremente, emancipado de toda tutela governamental.

Com as andorinhas e as sardinhas deve funcionar, ou será que as aves passeriformes da família dos hirundinídeos e os vários peixes teleósteos clupeiformes da família dos clupeídeos têm tutela governamental? Na espécie humana, qualquer iniciativa na esperança de melhorar as coisas passa pela educação ampla, geral, irrestrita, obrigatória, eficiente. Do jeito que está, sei não.

O mundo é uma bola

7 de agosto de 1767: alvará que concede privilégios aos diretores da Real Fábrica de Chapéus de Pombal para aquisição de matérias-primas. Pombal é uma cidade portuguesa pertencente ao distrito de Leiria, região Centro e sub-região do Pinhal Litoral. Só em agosto de 1991 foi oficialmente elevada a cidade e tem hoje cerca de 11 mil habitantes.

Em 1794 tem lugar em Lisboa o último auto de fé, que, como sabe o leitor, era a cerimônia em que eram proclamadas e executadas as sentenças do Tribunal de Inquisição. Em 1879 é registrada a maior precipitação de neve no Brasil, quando a cidade gaúcha de Vacaria ficou coberta por dois metros de cristais de gelo agrupados em flocos e formados pelo congelamento do vapor de água que se encontra suspenso na atmosfera.

Ruminanças

“O natural é aborrecido”. (Paul Valéry, 1871-1945)