domingo, 10 de agosto de 2014

MARTHA MEDEIROS - Filhos do pai

Zero Hora 10/08/2014

Dia desses, eu ouvi que sou um homem moderno porque cuido dos meus filhos. E minha ex disse que é uma mulher moderna e, por isso, não pode gastar seu tempo cuidando das crianças, ela tem sonhos a alcançar. É tão estranho. Uns são modernos porque fazem e outros porque deixam de fazer a mesma coisa. Como explicar isso para os meninos?”

É um dos depoimentos que compõem o livro Filhos do Pai, de Valeria Santoro e Ana Paula Junqueira. Eu poderia ter selecionado qualquer outro, mas esse me pareceu bem representativo do que anda acontecendo: um contrafluxo. Mulheres saindo para caçar seu sustento e homens retornando para o interior das cavernas. Uma troca salutar de papéis, desde que a inversão não se polarize, agora de forma oposta. Perfeito seria que homens e mulheres negociassem a distribuição do seu tempo a fim de não prejudicar a criação dos filhos, ainda mais durante a primeira infância. Como tudo na vida, o parâmetro é o bom senso.

O livro da Valéria e da Ana Paula mostra uma revolução visível, ainda que silenciosa: os homens estão cobrindo nossas ausências. Cozinham mais, se envolvem mais com os afazeres domésticos, começam a expor mais seus sentimentos e, para o bom equilíbrio emocional da família, abandonaram a posição de pais distantes e agora tomam conta da gurizada com o afeto e o cuidado que antes era exclusividade feminina da casa.

Ganham todos, de todos os lados.

Os depoimentos mostrados em Filhos do Pai privilegiam histórias de abandono de lar por parte da mãe, viuvez e outras situações em que não resta alternativa a não ser o homem assumir integralmente o cuidado com o filho. No entanto, essa súbita mudança que parece aterrorizante no início se transforma numa experiência de entrega e amor que ele próprio não se julgava capaz. É nessa condição que o livro se torna emocionante: homens amplificam o significado de suas vidas quando deixam de amar à distância para mergulhar num convívio de absoluto envolvimento e responsabilidade (que, não custa lembrar, também aterroriza mães de primeira viagem, porém a elas nunca coube escolha).

A boa notícia é que as mulheres não estão precisando sumir do mapa ou morrer para que os homens assumam o compromisso de criar seus filhos: a sociedade atual vem introduzindo naturalmente a divisão proporcional de papéis. E a notícia melhor ainda: os homens estão gostando.

Sempre se valorizou mais o Dia das Mães do que o Dia dos Pais, não pela intensidade do amor de um e de outro, mas pela intensidade do comprometimento. Pois que a data de hoje passe a ser tão celebrada quanto a de maio, e que os filhos dos novos pais mantenham essa mesma dedicação quando chegar a vez deles.

Que essa modernidade dure séculos - ou ao menos até a próxima revolução de costumes.

Fios da história - Ana Clara Brant

Fios da história A dança dos bonecos, de Helvécio Ratton, é um marco no cinema infantojuvenil brasileiro. Produção, que em breve completa 30 anos, foi feita com participação do Grupo Giramundo


Ana Clara Brant
Estado de MInas: 10/08/2014

Estudos de Álvaro Apocalypse para os bonecos exigiram bom gosto, humor e criatividade na busca de soluções técnicas.  (reproduções: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)
Estudos de Álvaro Apocalypse para os bonecos exigiram bom gosto, humor e criatividade na busca de soluções técnicas.


Bastidores da criação


O Estado de Minas inicia série que conta como foram realizadas algumas das mais importantes obras da cultura mineira e brasileira. As reportagens vão mostrar a gênese da ideia, as curiosidades da produção, as dificuldades enfrentadas pelos realizadores e o legado para a arte nacional. O passo a passo de obras-primas do cinema, da música, da dança, da literatura e do teatro.

Storyboard de Álvaro Apocalypse e Helvécio Ratton para uma cena do longa-metragem
 (Quimera/Reprodução
)
Storyboard de Álvaro Apocalypse e Helvécio Ratton para uma cena do longa-metragem


Diamantina, fevereiro de 1984. O diretor mineiro Helvécio Ratton estava passando o carnaval na terra de Juscelino Kubitschek e Chica da Silva e ficou encantado não só com a folia, mas com a região. E sobretudo com um lugarejo: Biribiri. “Aquela cidadezinha abandonada parecia um cenário. Fiquei com aquilo na cabeça e me veio a ideia de escrever um roteiro para um filme. Imaginava uma trupe chegando e uma coisa foi puxando a outra”, lembra o cineasta.

Nascia ali um dos mais originais e premiados filmes infantis do cinema brasileiro: A dança dos bonecos, que conta a história de três bonecos que ganham vida e começam a dançar depois de banhados com as águas de uma cachoeira encantada por Iara (Divana Brandão), a entidade protetora dos rios e dos lagos. Mas o perverso Mr. Kapa (Wilson Grey) quer roubar os bonecos de sua dona, a menina Ritinha (Cíntia Vieira), para ganhar dinheiro com eles.

Faltando dois anos para A dança dos bonecos completar três décadas de lançamento, Ratton faz uma viagem no tempo e adianta que tem o desejo de lançar o filme em DVD para celebrar a data. “A cópia original está em São Paulo e precisa de restauração. O longa chegou a ser lançado em vídeo pela Globo Filmes, mas esgotou. O produtor está correndo atrás disso, para transformá-lo em DVD. Muita gente me cobra. A dança dos bonecos marcou uma geração que está na faixa dos 30, 35 anos. Fiquei sabendo outro dia que é um dos campeões de pirataria no Rio de Janeiro e é vendido em vários lugares no mercado negro da cidade”, conta o diretor.

Voltando à gênese do filme, assim que Helvécio Ratton deixou o velho Tijuco e retornou a Belo Horizonte, a produção foi tomando corpo. O cineasta queria um carro que se transformasse em palco ambulante. Entrou em contato com o músico e colecionador de veículos antigos Pacífico Mascarenhas e conseguiu um caminhão Ford 1936, que praticamente se tornou um dos personagens. O caminhãozinho, que, inclusive, chegou a participar de outra produção cinematográfica de Ratton – Pequenas histórias –, hoje pertence à Cia. Fiorini, grupo de teatro mambembe que roda Minas Gerais apresentando seus espetáculos.

Quando finalizou o roteiro de 142 páginas, que teve a colaboração de Tairone Feitosa e Ângela Santoro, Ratton procurou Álvaro Apocalypse, fundador do Grupo Giramundo, pessoa que ele sempre admirou. O trabalho foi um desafio em vários sentidos, já que o artista plástico e diretor de teatro de bonecos nunca havia tido uma experiência com o cinema. “Se fosse hoje, a gente teria uma infinidade de recursos à nossa disposição. Naquela época, tivemos que nos virar. No teatro, que era o espaço onde o Giramundo estava acostumado, você poder ver os fios. Mas no cinema não dá. Se isso acontecer, perde muito a graça, a magia. Então, utilizávamos uma série de recursos para a manipulação. O Álvaro ia ensinando e mostrando onde o manipulador poderia estar sem ser visto. Ele fez todo o storyboard (croquis das cenas), e eu segui algumas coisas”, conta.

Um dos atuais diretores do Giramundo, Marcos Malafaia comenta que o processo de criação dos três bonecos – Bubu, Totoca e Tiziu, este inspirado no cantor e compositor Milton Nascimento – foi um dos mais longos e meticulosos da história do grupo e que exigiu muito de seus profissionais. Ele afirma que, para se adequar às exigências da câmera de cinema, novidade para a companhia na época, foram utilizadas técnicas inovadoras na confecção e na manipulação dos bonecos. “Foram criadas várias versões de Bubu, Totoca e Tiziu: com o corpo inteiro, só a cabeça, só o tronco e a cabeça, justamente para que os manipuladores os utilizassem de várias maneiras e para que eles se ajustassem às demandas das câmeras. Foi um trabalho que exigiu muito de toda a equipe do Giramundo. O cinema requer um tipo de dedicação muito grande, intenso e contínuo”, explica Malafaia.

Fernando Duarte, Ratton e Walter Carvalho: cuidado na captação das imagens do longa (Estevam Avellar/Divulgação)
Fernando Duarte, Ratton e Walter Carvalho: cuidado na captação das imagens do longa
Em cena, Wilson Grey, o vilão que assusta e diverte (Estevam Avellar/Divulgação)
Em cena, Wilson Grey, o vilão que assusta e diverte


Baú dos ossos


Feitos de madeira e resina e com os mecanismos mais avançados disponíveis, os bonecos podiam virar a cabeça e mexer olhos e pálpebras, por exemplo. Como eles só foram utilizados para o filme, nunca foram restaurados e estão deteriorados pela ação do tempo. Atualmente, encontram-se numa pequena sala do Museu Giramundo, chamada “baú dos ossos”. “Essa intenção do Ratton de querer lançar o filme em DVD nos motiva a restaurar os bonecos, que têm uma história muito importante não só para o Giramundo, mas para a cultura de uma maneira geral. Se tudo correr bem, quando A dança dos bonecos completar 30 anos, em 2016, eles vão estar ‘novos’ e disponíveis para visitação”, garante Marcos Malafaia.

Outra decisão fundamental para o sucesso da produção foi a escolha de Wilson Grey para interpretar Mr. Kapa. Helvécio Ratton o queria muito no seu filme e, naquele período, o ator era considerado um dos profissionais com o maior número de atuações no cinema mundial. “Era uma figura emblemática. Uma das minhas lembranças mais carinhosas foi a solidariedade do Grey. Mesmo com todas as dificuldades, inclusive financeiras, porque foi um filme feito com poucos recursos e muita imaginação, ele nunca reclamou de nada. Era uma pessoa fantástica”, destaca o cineasta.

O convívio com o elenco e toda a equipe de produção, seja em Diamantina e Biribiri – onde passaram três meses –, seja em Sabará e Belo Horizonte, foi inesquecível. O elenco era formado por Kimura Schettino (Geleia, assistente de Mr. Kapa), Cláudia Gimenez (Almerinda), Rogério Falabella (Vitorino) e a menina Cíntia Vieira, de 9 anos (Ritinha), selecionada depois de passar em testes com centenas de crianças. “Foi o primeiro e único papel dela. A Cíntia hoje é professora de literatura e não seguiu a carreira artística. Tivemos outros profissionais muito talentosos participando, como o fotógrafo Fernando Duarte, Walter Carvalho, que fez a câmera, e Nivaldo Ornelas, na trilha sonora”, cita Ratton.

BASTIDORES DA CRIAÇÃO » Uma noite mágica Estreia de A dança dos bonecos mudou o clima do Festival de Cinema de Brasília de 1986. Filme ganhou prêmios no Brasil e no exterior e é até hoje referência na obra do cineasta

Ana Clara Brant
Publicação: 10/08/2014 04:00
O cineasta Helvécio Ratton quer relançar o filme em DVD nas comemorações dos 30 anos da produção (Beto Novaes/EM/D.A Press
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O cineasta Helvécio Ratton quer relançar o filme em DVD nas comemorações dos 30 anos da produção
O clima do Festival de Cinema de Brasília parecia de velório. Era assim que o diretor Helvécio Ratton descreve o evento de 1986. “O cinema nacional andava meio decaído e os filmes que estavam sendo exibidos ali, também”, lembra. Mas foi então que veio A dança dos bonecos e tudo mudou. A produção infantil alterou completamente o astral do festival brasiliense daquele ano. “Ele foi exibido pela primeira vez lá (só estreou no circuito nacional um ano depois) e foi aplaudido de pé. Jamais vou me esquecer daquele dia. Ganhamos oito prêmios em Brasília e conquistamos prêmios nacionais em outros festivais, como Gramado, além de destaque internacional na Itália, Portugal, Bulgária e Alemanha. Ele foi exibido e elogiado até no Egito e nos Estados Unidos. Foi uma coisa arrebatadora”, celebra Ratton.

Para o cineasta, o segredo do sucesso foi o fato de o longa ter chegado ao coração das pessoas e ter lidado com emoções básicas. “Ele marcou muitas gerações e essa coisa do boneco é muito bacana também. A ligação da menina com os bonecos, essa coisa de eles ganharem vida e ela ir atrás deles. Mexeu muito com o imaginário das crianças. É um filme de muita fantasia. E, ao mesmo tempo, é muito mineiro e universal”, resume o diretor.

Apesar de passados quase 30 anos, A dança dos bonecos está muito presente na vida de Ratton e isso se reflete no seu local de trabalho, a produtora Quimera Filmes. Por todo o canto é possível se deparar com pôsteres, fotos e até objetos do filme, como uma janela de madeira do caminhão com uma imagem pintada de Mr. Kapa (Wilson Grey).

O cineasta guarda peculiaridades, como o storyboard original desenhado por Álvaro Apocalypse, o roteiro do longa-metragem e um caderninho de anotações da época das filmagens. “Em todos os meus filmes tenho um caderno em que escrevo ideias que vão surgindo, sugestões de figurino, de locações. Guardo todos”, completa Ratton.

Cíntia Vieira tinha 9 anos quando deu vida à Ritinha. Essa foi sua única experiência no cinema (Estevam Avellar/Divulgação)
Cíntia Vieira tinha 9 anos quando deu vida à Ritinha. Essa foi sua única experiência no cinema


Fantasia em cena

Dois artistas mambembes, Mr. Kapa (Wilson Grey), o homem das mil capas, e Geleia (Kimura Schettino), seu ajudante, chegam a uma cachoeira onde surge Iara (Divana Brandão), que tinge de violeta as águas do rio. Geleia, enfeitiçado, enche seu garrafão com a água mágica. Quando chegam à cidadezinha de Beleléu, perdida entre as montanhas, conhecem a menina Ritinha (Cíntia Vieira) e seus três bonecos. Depois de um show, Geleia dá um vidro com a água encantada para Ritinha, que passa o bálsamo em seus bonecos. Milagrosamente, no meio da noite, acontece a magia e os três bonecos – Totoca, Tiziu e Bubu – ganham vida, dançando um fantástico balé. Só que Mr. Kapa assiste à dança e decide roubá-los para fazer fortuna.

• A dança dos bonecos

Passo a passo

1 – Helvécio Ratton passa o carnaval em Diamantina, em 1984, e visita Biribiri. Lá, tem a ideia de fazer um filme tendo a vila como cenário.

2 – Em Belo Horizonte, entra em contato com Pacífico Mascarenhas, colecionador e músico, para pedir a ele um carro que servisse de palco ambulante.

3 – O cineasta procura o artista plástico e diretor de teatro Álvaro Apocalypse, criador do Giramundo, e encomenda os bonecos Bubu, Totoca e Tiziu.

4 – No galpão do Giramundo, então instalado no câmpus da UFMG, o cineasta acompanha todo o processo de produção dos bonecos.

5 – Em 1985, começam as filmagens em Biribiri, Diamantina, Sabará e Belo Horizonte.

6 – O filme é exibido pela primeira vez em 1986, no Festival de Cinema de Brasília, onde é aclamado e conquista oito prêmios.

7 – O longa estreia em circuito nacional em julho de 1987 e é sucesso de crítica e de público.

8 – O filme ganharia em seguida prêmios em Gramado (RS) e em vários festivais internacionais.

9 – A dança dos bonecos ganha versão em vídeo pela Globo Filmes.

10 – O diretor tem planos de restaurar a cópia original e lançar o filme em DVD na comemoração dos 30 anos da produção.


Segredo de Ratton

Assim como em A dança dos bonecos, o diretor Helvécio Ratton volta a se dedicar a uma produção infantojuvenil e a filmar na região de Diamantina, desta vez no Serro. O segredo dos diamantes, que será exibido hoje, às 19h, na Mostra Competitiva de longas brasileiros no Festival de Gramado, conta a história de um garoto de 14 anos, que com a ajuda de dois amigos busca um tesouro para salvar a vida do pai. O elenco conta com o jovem Matheus Abreu, Dira Paes e a atriz mineira Manoelita Lustosa, que morreu em julho, em seu último trabalho no cinema. O filme tem lançamento nacional programado para 18 de dezembro.

TeVê

Estado de Minas: 10/08/2014 0

TV paga



 (Globo/Divulgação )
Paternidade O Dia dos Pais mexe com a programação de vários canais. No Discovery Home & Health, são duas atrações esta noite: os documentários 10 é demais, às 21h30; e Pais, às 22h20. No Viva, o destaque é uma edição do humorístico Sai de baixo com a participação de Francisco Cuoco (foto) como o pai de Caco Antibes (Miguel Falabella), às 23h30.

Cinema No pacotão de filmes, o Telecine fez uma ampla prograação, mas o melhor está na faixa das 22h, com as produções O fim da escuridão (no canal Action), A estrada (Touch) e O que esperar quando você está esperando (Fun). No Megapix, a dica é O resgate, às 20h05. Sem ter nada a ver com a data, o clássico O pagador de promessas, primeiro filme brasileiro vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes, é a atração do Arte 1, às 20h. No Futura, a seleção dos filmes do alemão R. W. Fassbinder continua hoje com O desespero de Veronika Voss, às 22h.


Enlatados
Mariana Peixoto - mariana.peixoto@uai.com.br

A origem de Homeland
A quarta temporada de Homeland estreia nos Estados Unidos somente em 5 de outubro. Agora sem Damien Lewis – a imagem de divulgação traz Claire Danes (Carrie Mathison) sozinha em um mar de mulheres de burca –, a série vai trazer um novo começo. Enquanto isso, por aqui estreia a produção que deu origem a Homeland. O nome da produção israelense é Hatufim – no Brasil, Prisioneiros de guerra –, e entra no ar terça-feira, às 21h, no +Globosat. Será exibida em sequência, de segunda a sexta-feira.

Igual, mas diferente – Mesmo cinco anos depois, já que foi lançada em 2009, a história israelense continua na ordem do dia. Em Prisioneiros, depois de 17 anos longe de casa, os soldados Nimrod e Uri, capturados durante uma missão secreta para matar um líder da Jihad, retornam ao país em troca de terroristas islâmicos presos por Israel. Neste retorno são acompanhados por um psicólogo militar, que começa a desconfiar que os soldados guardam algum tipo de segredo. São 10 episódios na primeira temporada.

De volta à TV – Rodrigo Santoro foi escalado para o piloto de Westworld, drama produzido por J. J. Abrams para a HBO. A história é ambientada em um parque futurista, onde robôs saem do controle e passam a atacar os humanos. Anthony Hopkins e Evan Rachel Wood são os protagonistas da série. Só para colocar um veneno, não custa lembrar que a participação de Santoro em Lost, a produção de TV que se tornou um divisor de águas na carreira de Abrams foi pífia, quase sem palavras.

Reprise – Série-sensação do ano, True detective volta à HBO amanhã, às 22h, com exibições sempre às segundas-feiras. Recebeu 12 indicações ao Emmy, o Oscar da TV, que será entregue dia 25.

Maratona – Bates Motel mal estreou e já ganhou maratona. Amanhã, a partir das 22h, o Universal Channel exibe em sequência os três primeiros episódios da segunda temporada. Já o quarto, inédito, vai ao ar quinta-feira, também às 22h.


Caras & Bocas
Simone Castro
simone.castro@uai.com.br



 (Carol Soares/SBT)
Em novo papel

A apresentadora Patrícia Abravanel é a convidada de Marília Gabriela (foto) no De frente com Gabi deste domingo, à meia-noite, no SBT/Alterosa. Grávida de oito meses do primeiro filho, Pedro, do relacionamento com Fábio Faria, de quem está noiva, ela conta que o casal hoje vive um momento de plenitude à espera do bebê. Em relação ao casamento, afirmou: "Quero uma coisa mais reservada. O civil, mas com uma bênção religiosa”. A apresentadora do Máquina da fama – cuja última edição antes da licença maternidade vai ao ar dia 18 – revela que a gravidez foi muito desejada, mas não vai abrir mão da carreira. “Pretendo continuar conseguindo conciliar tudo”, diz. Patrícia comenta também os boatos de que seria a sucessora do pai, Sílvio Santos. “Ele está gostando de me ver na TV, mas não acho que vou ficar no lugar dele. Não vai existir nunca mais um Sílvio Santos, assim como uma Hebe Camargo e até mesmo uma Marília Gabriela”, disse.

ANA MARIA BRAGA JÁ TEM SUBSTITUTOS PARA FÉRIAS

André Marques e Fernanda Paes Leme foram escalados para cobrir as férias de Ana Maria Braga, à frente do Mais você (Globo), em janeiro. Recentemente, os dois participaram do SuperStar, também na emissora, ao lado de Fernanda Lima.

JORGE ARAGÃO CONTA SUA HISTÓRIA NO CANAL VIVA

No Viva o sucesso de quarta-feira, o cantor Jorge Aragão conta, entre outras coisas, como o samba entrou em sua vida e fala ainda sobre os três anos em que foi vocalista do Fundo de Quintal. A formação da qual participou era a de 1978, época em que Neoci, também integrante do grupo, levou Aragão para conhecer o bloco Cacique de Ramos, no Rio de Janeiro, onde tudo começou. O programa vai ao ar às 22h45, no canal Viva (TV paga).

EMISSORA PODE VOLTAR A PRODUZIR GLOBO DE OURO

Sucesso nas décadas de 1970 e 1980, o musical Globo de ouro faz parte do pacote de programas inéditos que o Viva planeja exibir nos próximos meses. A apresentação ficaria a cargo dos atores Juliana Paes e Márcio Garcia. A série Meu amigo encosto, com estreia prevista para setembro, deve abrir a programação especial.

SÉRIE DO MGM INVADE OS BASTIDORES DE COMÉDIA

O Hollywood on set exibe quinta-feira, às 21h30, no MGM (TV paga), curiosidades de gravações da comédia Sex tape: perdido na nuvem. O assinante confere entrevistas exclusivas com o diretor Jake Kasdan e os protagonistas Cameron Diaz e Jason Segel. O trio fala, entre outros assuntos, dos efeitos especiais e de segredos na edição das cenas.

MTV TRANSMITE AO VIVO O VIDEO MUSIC AWARDS

Beyoncé fará um show especial na edição deste ano do VMA – Video Music Awards, dia 24. O evento será transmitido no Brasil ao vivo pela MTV, diretamente da Califórnia, a partir das 21h. A MTV norte-americana anunciou que a cantora será homenageada com o Prêmio Vanguarda Michael Jackson. Especula-se que Jay Z e Blue Ivy, marido e filha do casal, farão as honras para a cantora. Pode ser que ela se reúna com as ex-companheiras do grupo Destiny’s Child. O prêmio é dado aos artistas que contribuem significativamente para a música.

MARCOS PALMEIRA JÁ TEM NOVO TRABALHO EM VISTA

 (Estevam Avellar/Globo-10/7/14)

No momento, Marcos Palmeira (foto) é o delegado Pedroso no remake de O rebu (Globo). Às voltas com o mistério do assassinato de Bruno (Daniel de Oliveira), as próximas cenas apontam para o encontro quente entre o homem da lei e a empresária Ângela, vivida por Patrícia Pillar. Depois do remake, o ator já tem encomendado novos personagens. Além da série A segunda vez, que estreia amanhã no Multishow (TV paga), seu nome é cotadíssimo para um papel de destaque em Babilônia, trama de Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga, que substituirá Império a partir de fevereiro.

Pais e filhos
Simone Castro

É preciso colocar a mão na massa. Em Malhação sonhos (Globo), a educação dos filhos apenas ministrada pelas mães está com os dias contados. O tema não é novo, mas sempre oportuno. Afinal, a tarefa de cuidar da família compete a pais e mães, mas se sabe que é sempre com elas que ficam as partes mais pesadas.

No capítulo de quinta-feira, a mãe Dandara (Emanuelle Araújo) cansou de tentar fazer com que o filho, João (Guilherme Hamacek), trocasse a boa vida em casa pela escola. O garoto, que passa o dia em frente ao computador e ao videogame, não chegou a frequentar a sala de aula mais do que uma semana no semestre. Resultado: reprovação por faltas.

Em um embate de palavras duras, nas quais João chamou a mãe de desinteressada e ela rebateu com um “egoísta”, o caminho mais imediato, depois das lágrimas dela, foi um castigo no quarto, com videogame e outros brinquedinhos confiscados. Mas Dandara foi além: convocou o pai, Renê, personagem de Mário Frias, a colaborar com a educação do filho adolescente em fase rebelde.

Ao abrir a porta e se deparar com o pai, João se rebela e a recepção não é nada cordial. Espera-se que René, com diálogo e carinho, mas posições firmes, consiga orientar o filho e transformá-lo em um amigo. Antes, resgatar uma relação desgastada. A novelinha parece querer, nesta edição, passar o protagonismo da relação com os filhos para o pai. Outros destaques ficam por conta de Marcelo (Felipe Camargo), que divide bem a tarefa com a mulher, Delma (Patrícia França). Até que Roberta (Daniele Suzuki) entra em sua vida...

Já o aparente brucutu Gael, personagem de Eriberto Leão, dono da academia de lutas que leva o seu nome, até tenta manter o jeito durão com as filhas, mas o coração mole acaba nocauteado. Bianca (Bruna Hamu) e Karina (Isabella Santoni), orfãs de mãe, são criadas pelo pai vigilante e marrento. O carinho, porém, dá o tom da relação, ainda que possa, em breve, ser abalada por um grande segredo do passado.

No lançamento da novela, em junho, o autor Paulo Halm, que divide a parceria com Rosane Svartman, comentou: “Em Malhação falamos diretamente com os jovens e muitas histórias já foram contadas, mas o bacana é poder brincar com a forma com que se aborda esses assuntos. Diferente e divertida”, afirma. Agora, é a vez dos pais na linha de frente.

PLATEIA

VIVA
- A atriz mirim Giovanna Rispoli, que foi Shirley criança na trama de Em família, e agora é Cláudia, em Boogie oogie (Globo).

VAIA - A colcha de retalhos grosseiramente mal alinhavada em que se transformou o Video show (Globo). Programa cansativo.

EM DIA COM A PSICANÁLISE » Consumo de informação‏

EM DIA COM A PSICANáLISE » Consumo de informação
Estado de Minas: 10/08/2014


Jamais poderíamos imaginar, nos anos 1970, que o mundo daria uma virada tão radical. Nestes últimos 40 anos, com a disseminação do mundo virtual, nunca consumimos tanta informação. Hoje, em tempo real, entre consultas, aciono meu celular e recebo notícias dos acontecimentos imediatos.

Outro dia, me mandaram via WhatsApp o desabamento do Viaduto Guararapes, quase na hora, com a cena da motorista esmagada. Na última chuva pesada, recebi imagens de vários carros boiando na Rua Joaquim Murtinho com Av. Prudente de Morais.

Grupos de amigas enviam fotos ao vivo do restaurante A Favorita queimando! Graças aos céus, rapidamente restaurado e funcionando, para alegria de seus comensais. E não são poucos!

O avião derrubado pelo míssil na Ucrânia. Outro, meses atrás, caiu no mar e até hoje está desaparecido. Meninas sequestradas porque estudavam. O tigre arrancou o braço do menino. Israel bombardeia a Palestina.

A internet noticia as buscas dos restos mortais de Eliza Samúdio. Helicópteros da polícia já rondam o local apontado pelo primo do goleiro Bruno, que finalmente falou. Cem anos passados da Primeira Guerra Mundial e se comemora a união.

Notícias boas e más nos alcançam sem pedir licença, e devemos lidar com elas, sofrer junto com o pai, com as famílias dizimadas pela guerra e, no momento seguinte, nos alegrar com alguma grandeza do homem. Sentimentos que se alternam a cada minuto. Fomos feitos para isso?

Interessante é que hoje cada pessoa é o repórter e o próprio editor da notícia, colocando em rede tudo o que vê e julga ser de utilidade pública. Ou filma cenas da vida alheia que se tornam alvos principais da mídia por curiosidade mórbida. Por onde passa, a pessoa grava a cena. A vida guiada pela câmera segue direto para as redes sociais. De modo que a notícia que fica para o outro dia é velha. E isso não é sem consequências.

Saber tanto sobre tudo em tempo real nos retira do sossego do não saber e provoca uma aceleração ansiogênica. A ordem do momento é a informação. É proibido ignorar. A pressão da informação transforma a pessoa que não dá notícia do que se passa numa alienada, desinformada.

Quando iríamos imaginar que acompanharíamos ao vivo bombas caindo na Faixa de Gaza? Ver um crime ao vivo é aterrorizante. É quase participar dele. Ficar impotente enquanto matam civis é viver um sentimento desolador. O que pensam resolver com o genocídio? Com a opressão?

Além do quê, assistir à ganância, discórdia e agressividade criminosa do homem contra o homem para impor um poder pela via da coerção e força nos dá a sensação de que nem toda experiência anterior de barbárie vivida irá ensinar ao homem que o genocídio é apenas mais uma perda desnecessária, que marca com uma mancha irreparável no caminho da civilização.

Além das bombas reais somos bombardeados com a informação! E nos pegamos aos domingos com três jornais para ler, dezenas de e-mails para colocar em dia, o trabalho da semana para preparar, filmes que devemos ver (todos já viram!!!) e, na incapacidade de levar a cabo tudo isso, muito e mais ainda, ficamos ansiosos. Faltosos e endividados.

Na era da informação, tentamos dominar nossa relação com o saber e não pensar que esse saber é sempre incompleto. O mundo hoje é pequeno, as distâncias são menores. Para qualquer lugar que viajemos, chegando lá já vimos tudo na internet. Felizmente, ainda sobram algumas surpresas, talvez mais discretas.

Nada melhor do que ser surpreendido pelo inusitado, o inesperado. Espero nunca perder a capacidade de admirar pequenas surpresas no encontro com o desconhecido. E com o novo, uma alegria.

>>  reginacosta@uai.com.br