Bichos
Dá para imaginar a cena doméstica. Dois
mamíferos pouco inteligentes, o bípede triste fumando charutos, o
quadrúpede deitado no chão da casa
Eduardo Almeida Reis
Estado de Minas: 13/08/2014
Nunca morri de amores
pelos bichos domésticos; isso não obstante, todos parecem gostar de
mim. Talvez seja o cheiro dos charutos ou do leite de rosas, que
frequentou meus sovacos durante séculos. À noite, a explicação é o
ribombar do meu ronco. Nos acampamentos pantaneiros de caça, a matilha
inteira dormia em volta da minha rede.
Anos atrás, forçado a
ornejar diariamente sobre futebol, andei numa tristeza que o leitor nem
pode imaginar. Preocupada, minha bela companheira, que precisava sair de
casa para trabalhar, recomendou a compra de um cachorro que me fizesse
companhia. Pensei num bulldog, mas fui procurar no ranking de
inteligência canina e a raça está em 77º lugar entre as 79 avaliadas por
Stanley Coren no livro The Intelligence of Dogs. A lista abrange cento e
muitas raças, mas há diversas empatadas num mesmo patamar, como no 46º
lugar: tibetan spaniel, foxhoud inglês, otterhound, american foxhound,
greyhound e a griffon de aponte de pelo duro. A american foxhound era a
preferida nas
caçadas pantaneiras.
Dá para imaginar a cena
doméstica. Dois mamíferos pouco inteligentes, o bípede triste sentado
numa poltrona fumando charutos, o quadrúpede deitado no chão da casa
belo-horizontina babando no piso de ipê-tabaco. De acordo com o
psicólogo veterinário Stanley Coren, as raças de cachorros mais
inteligentes são, pela ordem: border collie, poodle, pastor alemão,
golden retriever, dobermann, pastor de shetland, labrador, papillon,
rottweiler e australian cattle dog.
Outro animal está entrando em
moda nesta República Federativa. Não é barato: custa de 25 mil a 60 mil
reais. Emerson Sheik, jogador de futebol, Ricardo Almeida, alfaiate do
Lula, e Renata Scarpa, irmã do Chiquinho, já compraram os seus.
Inspirados nessas celebridades, presumo que muitos brasileiros estejam
na fila das encomendas dos macacos-prego vendidos pelo criador Vilson
Zarembski. Como é possível viver sem um macaco-prego? Ricardo dorme com o
dele na cama, Emerson tem uma babá só por conta do mico-de-topete e
Renata, irmã do notório Chiquinho, tem um quarto para o seu amado
macaquinho. Pensando bem, o bulldog babão seria maluquice menos grave.
Pátria amada
Mastigar
um dos últimos biscoitos do atual estoque belgo-mineiro, recheado com
jabuticaba, é bela ocasião para philosophar sobre a Copa das Copas,
assunto que já conseguiu encher o saco da brasilidade. Não sei se o
leitor atentou nos cabelos e nas tatuagens dos jogadores da Alemanha.
Não havia um que não tivesse os cabelos cortados feito gente, sem as
jubas indecorosas, inestéticas, presumivelmente pouco limpas de muitos
atletas de outras seleções.
Dois atletas alemães exibiam
tatuagens pequenas; ainda assim, condenáveis como toda e qualquer
tatuagem. Só um tem tatuagem grande, mas é alemão de primeira geração,
filho de turcos e se recusa a cantar o hino do país onde nasceu, foi
criado e ficou rico: chama-se Mesut Özil. Mesut nunca foi nome alemão.
Outrossim, não me lembro de ter visto um só atleta germânico usando
brincos.
Mas o saldo, o legado turístico da Copa foi
extraordinário. Depois de trabalhar com um número da ordem de 600 mil
turistas com suas barracas e raros tostões nos bolsos, o governo
concluiu que o número exato foi de 1.015.035, retificando logo depois
para 846.699 vindos de 202 países. A ONU tem 193 países membros e os
outros nove correm por conta da Fifa e da imaginação do nosso ministério
do Turismo.
Admitamos que uns 15 mil fossem caixas-altas, como o
ex-namorado de Luciana Gimenez, ou aquele sheik árabe, que aportou seu
iate no Rio, além dos donos das centenas de jatinhos que andaram avoando
por aqui. Os restantes são do padrão da dupla vista neste caderno
Gerais, pág. 16, edição de 14 de julho: o engenheiro mecânico Ernesto
Veintimilla, de 31 anos, e o biólogo Andrés Verdezoto, de 30, ambos
equatorianos, que passaram por BH depois de pedalar 7.300 quilômetros
vindos do seu país. Pedalaram em média 100 km/dia. Pois é: vieram de
bicicleta. Dá para imaginar a fortuna que um turista transporta nos
bolsos quando faz turismo pedalando 100 km/dia, o que gasta nos hotéis
em que se hospeda e nos restaurantes em que se alimenta, as compras que
faz para entupir aquelas sacolas penduradas nas bicicletas. Está salva a
pátria!
O mundo é uma bola
13 de agosto de 1382:
Tokhtamish invade e incendeia Moscou. O problema é que não faço a menor
ideia de quem foi Tokhmish, o que me obriga a recorrer ao Google para
descobrir que foi guerreiro mongol da linhagem de Gengis Khan por via de
Jochi. Na condição de Khan, promoveu a unificação da Horda de Ouro com a
Horda Branca em 1380 e fez as guerras contra os principados russos e
Tamerlão, cavalheiro sobre o qual nunca ouvi falar. Em BH, conheci o
Igor Tameirão, bom sujeito hoje radicado em Paris.
A partir da
unificação das Hordas, a confusão foi tremenda e tomaria toda esta
página do Estado de Minas, sem proveito para o leitor e para mim, que
nos lixamos para as guerras dos mongóis contra os príncipes russos.
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
Aluno expulso por trote - Junia Oliveira
Aluno expulso por trote
UFMG desliga um estudante e suspende três por um semestre por causa de brincadeiras com conotações nazistas e racistas promovidas por veteranos da Faculdade de Direito em 2013
Junia Oliveira
Publicação: 13/08/2014 04:00
A
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) anunciou ontem punição
histórica para trotes na instituição. Brincadeiras de mau gosto feitas
por veteranos com calouros no ano passado terminaram em expulsão. O
conselho universitário concluiu processo administrativo aberto para
investigar recepção com referências ao nazismo e de cunho racista a
novos alunos da Faculdade de Direito, no início de 2013, e decidiu
desligar o estudante Gabriel de Vasconcelos Spínola Batista. Os alunos
Gabriel Augusto Moreira Martins, Gabriel Mendes Fajardo e Giordano
Caetano da Silva foram suspensos por um semestre. Eles podem recorrer.
O trote ocorreu em 15 de março de 2013. Na época, duas fotos postadas em perfis do Facebook provocaram grande repercussão na internet. Uma delas mostrava um calouro amarrado com uma fita da cabeça aos pés numa pilastra e, ao lado dele, três alunos fazendo uma saudação nazista – um deles pintou um bigode semelhante ao do ditador alemão Adolf Hitler. Na outra, uma estudante com o corpo pintado de preto tinha uma corrente amarrada às mãos, puxada por um veterano, e uma placa escrito “Caloura Chica da Silva”, em referência à escrava mais famosa de Minas Gerais.
O estudante Gabriel Spínola foi expulso pela UFMG porque, na avaliação da comissão, teve papel mais ativo no trote. Já as suspensões foram decretadas por considerar que os outros três alunos foram incitados a participar. A UFMG informou que a decisão segue recomendação feita por comissão encarregada de conduzir o processo administrativo disciplinar instaurado contra os estudantes. Integrada pelos professores Adriana Goulart de Sena Orsini (presidente), Roberto Luiz Silva e Mariah Brochado Ferreira, todos da Faculdade de Direito, a comissão agiu de acordo com o regimento geral e com o estatuto da universidade, segundo a UFMG. Em seu parecer, a comissão considerou que as imagens “são repulsivas e remontam a situações simbólicas de discriminação histórica, além de atentar contra conquistas da liberdade, igualdade e diversidade garantidas juridicamente, o que não pode ser olvidado, especialmente em uma faculdade de direito”.
Por meio de nota, o reitor Jaime Ramírez
considerou a punição adequada. “A universidade tem uma responsabilidade
perante a sociedade e a comunidade e atos como esses não podem ser
tolerados”, afirmou. Ele destacou ainda que o trabalho da comissão e a
decisão do conselho universitário seguem as medidas adotadas
recentemente, como a resolução que proíbe trotes estudantis e a
instalação de comissões para analisar questões como os direitos humanos e
o combate à discriminação, a adoção de regras para uso do nome social e
a acessibilidade. “Todas elas são coerentes com os esforços
empreendidos pela UFMG para criar cada vez mais um ambiente inclusivo e
de respeito à diversidade e à diferença”, concluiu Ramírez.
Linha dura A reitoria adotou linha dura contra o trote. Estão formalmente proibidas as brincadeira de mau gosto, segundo a Resolução 06/2014, aprovada pelo conselho universitário. Quem desrespeitar as regras está sujeito a advertência, suspensão e expulsão. São consideradas trote atividades que envolvam ou incitem agressões físicas, psicológicas ou morais, resultem em coação física ou psicológica, humilhação e danos ao patrimônio público ou privado. E ainda que evidenciem opressão, preconceito ou discriminação, obriguem alunos ingerir bebida alcóolica ou demonstrem intolerância política, ideológica ou religiosa. O EM não localizou os alunos punidos.
LINHA DO TEMPO
15 de março de 2013
Caloura é pintada de preto e recebe placa que a denominava escrava, na Faculdade de Direito da UFMG. Outro calouro foi amarrado num pilar e ao lado dele três veteranos fazem saudações nazistas, um deles com bigode ao estilo do ditador alemão Adolf Hitler.
18 de março de 2013
Imagens do trote na UFMG vão para as redes sociais e causam indignação. Reitoria divulga nota de repúdio e garante que os responsáveis serão punidos.
19 de março de 2013
Comissão de sindicância é criada para investigar o trote. Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/MG) alerta para crimes de racismo e apologia ao nazismo.
17 de maio de 2013
Relatório da comissão de sindicância é concluído, mantido em segredo e enviado quatro dias depois para a Advocacia Geral da União (AGU). Estudantes que participaram do trote negam conotação machista, racista ou nazista, em depoimento à comissão.
10 de julho de 2013
UFMG confirma que 198 alunos da Faculdade de Direito foram indiciados pela instituição por participação no trote. Diretoria da faculdade abriu processo administrativo disciplinar contra eles.
3 de outubro de 2013
UFMG informa que quatro dos 198 estudantes responderão a processo administrativo.
12 de agosto de 2014
Conselho universitário desliga o aluno Gabriel de Vasconcelos Spínola Batista e afasta por um semestre Gabriel Augusto Moreira Martins, Gabriel Mendes Fajardo e Giordano Caetano da Silva.
UFMG desliga um estudante e suspende três por um semestre por causa de brincadeiras com conotações nazistas e racistas promovidas por veteranos da Faculdade de Direito em 2013
Junia Oliveira
Publicação: 13/08/2014 04:00
| Imagens do trote circularam pela internet e provocaram indignação: numa delas, alunos fazem saudação nazista ao lado de calouro amarrado; na outra, aluna acorrentada exibe cartaz com referência a Chica da Silva |
O trote ocorreu em 15 de março de 2013. Na época, duas fotos postadas em perfis do Facebook provocaram grande repercussão na internet. Uma delas mostrava um calouro amarrado com uma fita da cabeça aos pés numa pilastra e, ao lado dele, três alunos fazendo uma saudação nazista – um deles pintou um bigode semelhante ao do ditador alemão Adolf Hitler. Na outra, uma estudante com o corpo pintado de preto tinha uma corrente amarrada às mãos, puxada por um veterano, e uma placa escrito “Caloura Chica da Silva”, em referência à escrava mais famosa de Minas Gerais.
O estudante Gabriel Spínola foi expulso pela UFMG porque, na avaliação da comissão, teve papel mais ativo no trote. Já as suspensões foram decretadas por considerar que os outros três alunos foram incitados a participar. A UFMG informou que a decisão segue recomendação feita por comissão encarregada de conduzir o processo administrativo disciplinar instaurado contra os estudantes. Integrada pelos professores Adriana Goulart de Sena Orsini (presidente), Roberto Luiz Silva e Mariah Brochado Ferreira, todos da Faculdade de Direito, a comissão agiu de acordo com o regimento geral e com o estatuto da universidade, segundo a UFMG. Em seu parecer, a comissão considerou que as imagens “são repulsivas e remontam a situações simbólicas de discriminação histórica, além de atentar contra conquistas da liberdade, igualdade e diversidade garantidas juridicamente, o que não pode ser olvidado, especialmente em uma faculdade de direito”.
Linha dura A reitoria adotou linha dura contra o trote. Estão formalmente proibidas as brincadeira de mau gosto, segundo a Resolução 06/2014, aprovada pelo conselho universitário. Quem desrespeitar as regras está sujeito a advertência, suspensão e expulsão. São consideradas trote atividades que envolvam ou incitem agressões físicas, psicológicas ou morais, resultem em coação física ou psicológica, humilhação e danos ao patrimônio público ou privado. E ainda que evidenciem opressão, preconceito ou discriminação, obriguem alunos ingerir bebida alcóolica ou demonstrem intolerância política, ideológica ou religiosa. O EM não localizou os alunos punidos.
LINHA DO TEMPO
15 de março de 2013
Caloura é pintada de preto e recebe placa que a denominava escrava, na Faculdade de Direito da UFMG. Outro calouro foi amarrado num pilar e ao lado dele três veteranos fazem saudações nazistas, um deles com bigode ao estilo do ditador alemão Adolf Hitler.
18 de março de 2013
Imagens do trote na UFMG vão para as redes sociais e causam indignação. Reitoria divulga nota de repúdio e garante que os responsáveis serão punidos.
19 de março de 2013
Comissão de sindicância é criada para investigar o trote. Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/MG) alerta para crimes de racismo e apologia ao nazismo.
17 de maio de 2013
Relatório da comissão de sindicância é concluído, mantido em segredo e enviado quatro dias depois para a Advocacia Geral da União (AGU). Estudantes que participaram do trote negam conotação machista, racista ou nazista, em depoimento à comissão.
10 de julho de 2013
UFMG confirma que 198 alunos da Faculdade de Direito foram indiciados pela instituição por participação no trote. Diretoria da faculdade abriu processo administrativo disciplinar contra eles.
3 de outubro de 2013
UFMG informa que quatro dos 198 estudantes responderão a processo administrativo.
12 de agosto de 2014
Conselho universitário desliga o aluno Gabriel de Vasconcelos Spínola Batista e afasta por um semestre Gabriel Augusto Moreira Martins, Gabriel Mendes Fajardo e Giordano Caetano da Silva.
A gravidez e o milagre da vida
A gravidez e o milagre da vida
Marco Melo
Estado de MInas: 13/08/2014
Ainda que se perca parte do líquido seminal durante o processo, o homem produz milhões de espermatozoides e, então, há o suficiente para a fecundação do óvulo. Porém, os gametas masculinos medem cerca de 5 micrômetros – 200 vezes menos do que 1 milímetro – e têm que passar pela cavidade endometrial e trompas uterinas, que medem cada uma entre 10 e 15 centímetros. Isso representa uma megamaratona a ser percorrida pelos espermatozoides.
Após a ovulação, o óvulo será captado pela trompa, conduzindo-o à cavidade uterina. O líquido da trompa agora se tornará rico para o embrião, sendo responsável pela sua nutrição e fonte de energia para garantir seu desenvolvimento. Esse percurso, que dura cinco dias, é tempo suficiente para o seu desenvolvimento.
Depois de formado, o embrião precisará fixar-se ao endométrio, processo chamado de implantação embrionária, que é quando acontece uma verdadeira guerra no organismo da mulher. O sistema imunológico identifica o embrião como célula estranha ao corpo, ou seja, como um agressor em potencial, e começa um processo de ataque às células embrionárias. Por sua vez, o embrião passa a se defender produzindo uma série de substâncias químicas que tentarão frear essa agressão. Se isso acontecer do modo correto, o processo de implantação embrionária se dará de maneira eficaz e a gestação se iniciará.
Analisando essa sequência de fatos, acredito que fica mais fácil entender por que esse tema mistura fé e ciência; religião, no sentido de crer que algo maior esteja acontecendo, e conhecimento. Na origem da vida, fé, religião, ciência, conhecimento, lógica são fatos que não devem se confrontar ou competir, mas caminhar juntos. Por isso, creio no milagre da vida, momento enigmático que tentamos decifrar e conhecer melhor, na tentativa de poder ajudar casais que anseiam em experimentá-lo mas que, por algum motivo, não conseguem. Neste mês de agosto, em que comemoramos o Dia da Gestante (sexta-feira), é preciso reconhecer a beleza desse processo e, principalmente, a força da mulher que convive com esse turbilhão de experiências e muitos outros desafios durante os nove meses de gestação.
Marco Melo
Estado de MInas: 13/08/2014
Quando vemos uma
criança nascendo, sendo amamentada ou apenas dormindo no colo dos pais,
não imaginamos o quanto é difícil se chegar a esses momentos. Isso
porque, quando mantëm relações sexuais no período fértil, apenas 18%
dos casais vão conseguir uma gravidez. A literatura médica comprova
que, infelizmente, cerca de 20% dessas gestações terminarão em
abortamento espontâneo, um processo considerado natural quando o embrião
não é geneticamente capaz de evoluir. Isso faz com que as crianças que
nasçam sejam consideradas verdadeiras campeãs. Esse processo seletivo
pelo qual passam nossos bebês se inicia antes mesmo da concepção, isso
é, da fertilização do óvulo pelo espermatozoide. No ato sexual,
independentemente da posição adotada pelo casal, somente um terço do
líquido seminal alcançará a cavidade endometrial, parte interna do
útero, contendo os espermatozoides móveis candidatos a fertilizar o
óvulo liberado pelo ovário no momento da ovulação.
Ainda que se perca parte do líquido seminal durante o processo, o homem produz milhões de espermatozoides e, então, há o suficiente para a fecundação do óvulo. Porém, os gametas masculinos medem cerca de 5 micrômetros – 200 vezes menos do que 1 milímetro – e têm que passar pela cavidade endometrial e trompas uterinas, que medem cada uma entre 10 e 15 centímetros. Isso representa uma megamaratona a ser percorrida pelos espermatozoides.
Afortunadamente, a natureza dá uma ajuda por meio de
substâncias existentes no líquido seminal e no organismo feminino que
impulsionam os espermatozoides em direção ao ovário e ajudam a
nutri-los.
Após a ovulação, o óvulo será captado pela trompa, conduzindo-o à cavidade uterina. O líquido da trompa agora se tornará rico para o embrião, sendo responsável pela sua nutrição e fonte de energia para garantir seu desenvolvimento. Esse percurso, que dura cinco dias, é tempo suficiente para o seu desenvolvimento.
Depois de formado, o embrião precisará fixar-se ao endométrio, processo chamado de implantação embrionária, que é quando acontece uma verdadeira guerra no organismo da mulher. O sistema imunológico identifica o embrião como célula estranha ao corpo, ou seja, como um agressor em potencial, e começa um processo de ataque às células embrionárias. Por sua vez, o embrião passa a se defender produzindo uma série de substâncias químicas que tentarão frear essa agressão. Se isso acontecer do modo correto, o processo de implantação embrionária se dará de maneira eficaz e a gestação se iniciará.
Analisando essa sequência de fatos, acredito que fica mais fácil entender por que esse tema mistura fé e ciência; religião, no sentido de crer que algo maior esteja acontecendo, e conhecimento. Na origem da vida, fé, religião, ciência, conhecimento, lógica são fatos que não devem se confrontar ou competir, mas caminhar juntos. Por isso, creio no milagre da vida, momento enigmático que tentamos decifrar e conhecer melhor, na tentativa de poder ajudar casais que anseiam em experimentá-lo mas que, por algum motivo, não conseguem. Neste mês de agosto, em que comemoramos o Dia da Gestante (sexta-feira), é preciso reconhecer a beleza desse processo e, principalmente, a força da mulher que convive com esse turbilhão de experiências e muitos outros desafios durante os nove meses de gestação.
Há normas em excesso - Renato Tostes
Há normas em excesso
No Brasil, são feitas quase duas alterações tributárias por hora
Renato Tostes
Estado de Minas: 13/08/2014
Esse recurso auxilia o contador na hora de realizar seus lançamentos aproximando as informações por enquadramento de empresas, por região, por regime tributário etc. Com o emprego de determinados softwares, é possível gerir e operacionalizar os negócios de forma prática e segura. As soluções mais novas atuam na integração das informações, garantindo segurança na atualização dos dados, otimizando os serviços e evitando erros, que, em muitos casos, podem acarretar multas e levar a empresa a sérios prejuízos.
No Brasil, são feitas quase duas alterações tributárias por hora
Renato Tostes
Estado de Minas: 13/08/2014
Segundo estudo
realizado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT),
são editadas no Brasil, em média, 37 normas tributárias por dia, ou
seja, incríveis 1,57 norma tributária por hora. Essa alta rotatividade
traz grandes problemas para um profissional específico: o contador.
Para acompanhar esse ciclo e se manter atualizado, o contabilista teria
que tirar pelo menos duas horas do seu dia para ler as novas
propostas. Além dos atos tributários, o profissional precisa acompanhar
outros atos legais, como normas contábeis (CVM, CPC, Banco Central,
SUSEP, ANS), previdenciárias e trabalhistas, que interferem no dia a
dia das empresas e contribuintes.
Em outro levantamento feito pelo
IBPT, foi demonstrado que desde 1988 (promulgação da Constituição
Federal) foram editadas 275.095 normas relacionadas à área tributária,
das quais 155.954 na esfera federal. Nossa legislação é uma das mais
alteradas em todo o mundo e isso demonstra atualização por conta do
mercado, mas faz com que os responsáveis se percam nos processos devido
a tantas alterações. Para o profissional contábil, é praticamente
impossível se manter antenado com o que acontece diariamente, uma vez
que ele já cumpre rotinas que demandam tempo e concentração ao logo do
dia e é muito difícil para ele parar tudo e conseguir lidar com tantas
mudanças. A falta de conhecimento dessas normas afeta profundamente o
bom andamento da gestão de uma empresa. O despreparo ou desconhecimento
do profissional pode causar graves prejuízos financeiros, por meio de
multas elevadas e autuações tributárias mediante comprovação de erro ou
omissão de algum cumprimento legal. As penas aplicadas para quem não
cumprir corretamente, independente do motivo, são muito altas, com
multas chegando a 75% do valor do imposto não recolhido acrescido do
valor de juros. Outro fato importante e para o qual o contribuinte deve
ficar atento é a fiscalização do governo federal em relação ao
andamento das contas das companhias. Hoje, a fiscalização do governo
funciona em tempo real e é cada vez mais rigorosa. Por isso, ter um
acompanhamento on-line evita atrasos, melhora a competividade e reduz
prejuízos para as empresas. Para que os contribuintes não percam seu
mercado devido a essa inconstância da legislação, uma solução que já
está sendo adotada por diversas companhias é o uso de softwares de
gestão contábil já integrados com as informações e alterações legais,
que se atualizam diariamente a partir das novas normas estabelecidas.
Esse recurso auxilia o contador na hora de realizar seus lançamentos aproximando as informações por enquadramento de empresas, por região, por regime tributário etc. Com o emprego de determinados softwares, é possível gerir e operacionalizar os negócios de forma prática e segura. As soluções mais novas atuam na integração das informações, garantindo segurança na atualização dos dados, otimizando os serviços e evitando erros, que, em muitos casos, podem acarretar multas e levar a empresa a sérios prejuízos.
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