sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Consumo excessivo de sódio mata 1,6 milhão de pessoas em todo o mundo

O problema é mais grave nos países em desenvolvimento, segundo um levantamento feito na Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard


Roberta Machado
Estado de Minas: 14/08/2014



De acordo com o relatório, cada pessoa consome, em média, 3,95g de sódio todos os dias (Raimundo Sampaio/CB/D.A Press)
De acordo com o relatório, cada pessoa consome, em média, 3,95g de sódio todos os dias


Mais de 1,6 milhão de pessoas morrem todos os anos em decorrência de problemas cardiovasculares causados pelo consumo excessivo de sódio. A informação é resultado de um levantamento feito na Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard, que analisou dados de saúde de 187 países. De acordo com o relatório, cada pessoa consome, em média, 3,95g de sódio todos os dias. A porção é quase o dobro do limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), de 2g diários. No Brasil, esse índice é de 3,2g. O problema atinge com mais gravidade os países em desenvolvimento e a parcela pobre da população, que concentra quatro entre cada cinco vítimas de problemas cardiovasculares provocados pela substância.

Para calcular o efeito do sódio sobre a saúde global, os pesquisadores compararam informações de mais de 200 estudos sobre consumo com dados de causas de morte registradas entre 1980 e 2010 no mundo de acordo com idade, etnia e gênero. O levantamento mostrou que a cada 10 mortes associadas a causas cardiovasculares, uma ocorreu devido ao exagero de sal na alimentação.



Somente em 2010, estima-se que a ingestão exagerada provocou 687 mil óbitos por doenças coronárias, 685 mil devido a derrames e 276 mil por outros tipos de problemas cardiovasculares. O levantamento mostra que os homens representam 61,9% das fatalidades e que 40,4% das vítimas tinham menos de 70 anos. Os números podem, no entanto, ser ainda maiores. “Focamos a mortalidade cardiovascular, mas o sódio na dieta também é associado a doenças cardiovasculares não fatais, a doenças renais e ao câncer gástrico, o segundo maior em fatalidades no mundo”, ressalta o estudo publicado na revista The New England Journal of Medicine.

Maus hábitos Mais de 99% da população mundial exagera no sal, de acordo com o trabalho. Os níveis variam de 2,18g diários de sódio, registrados na África Subsaariana, a 5,51g, na Ásia Central. Dos 187 países estudados, 119 excedem o limite sugerido pela OMS em mais de 1g por dia. O estudo também encontra evidências de que o consumo mais moderado ajuda a combater a hipertensão. As populações com pressão mais baixa são aquelas em que o consumo diário fica entre 614mg e 2.391mg de sal.

Se todas as nações igualassem o consumo de sódio com a média mundial, os pesquisadores calculam que mais de meio milhão de mortes seriam evitadas todos os anos. “Nós vivemos banhados em sal”, lamenta Claudio Kater, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). “O sal é eliminado pelo rim. Mas, com a idade e com a própria hipertensão que o excesso provoca no organismo, o rim começa a perder a sua função, e acaba retendo mais sal. E isso causa um círculo vicioso.”

O sódio é encontrado naturalmente em diversos tipos de alimentos, mas está presente, principalmente, em comidas industrializadas e processadas. De acordo com dados da OMS, uma porção de carne enlatada tem 20 vezes a quantidade de sal contida no alimento em estado natural. Grãos in natura têm 35 vezes menos sódio do que flocos produzidos a partir deles, e amendoins ganham 400 vezes mais sal quando tostados e conservados para consumo.

“Estamos comendo mais alimentos processados do que naturais ao longo do dia. Até o leite passa por um processamento, o que leva à adição de sódio”, alerta Virginia Nascimento, vice-presidente da Associação Brasileira de Nutrição (Asbran). Os efeitos nocivos também podem ser compensados com o consumo de potássio, elemento presente em leguminosas, frutas e vegetais, como feijão, ervilhas e bananas. No entanto, o valor nutricional dessas comidas só é completo quando elas são consumidas ainda frescas, sem sal ou molhos. “Tem quem não consiga comer uma salada sem sal, e daqui a pouco a salada vai ser uma vilã”, ressalta a especialista.


Consumo nacional No Brasil, o Ministério da Saúde anunciou na terça-feira uma redução de 1,2 mil toneladas de sódio em pães industrializados e macarrões instantâneos. A previsão é de que, até 2020, mais de 28 mil toneladas da substância estejam fora das prateleiras como resultado de quatro termos de compromisso firmados entre Ministério da Saúde e a Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (Abia). O limite estabelecido para massas instantâneas, já em 2012, foi de 1,9g a cada porção de 100g. Agora, em 2014, pães de forma devem ter até 522mg, e as bisnaguinhas, 430m, para a mesma quantidade.

Carlos Alberto Machado, diretor da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), acredita que os limites impostos à indústria alimentícia deveriam ser mais severos. “Esse acordo é pífio. Em vez de pactuar pela média dos produtos, ele pactua pelo teto”, critica o médico, que participou ativamente das negociações entre a Abia, o Ministério da Saúde e o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). Uma em cada 10 marcas de comidas industrializadas testadas pelo Idec não cumpriu as metas determinadas em 2011, e muitas continham mais sódio do que o informado na embalagem – a legislação sanitária permite uma variação de 20% com relação aos valores declarados.

 “Isso é muito sério. Não dá para apenas melhorar o rótulo, porque a população não tem hábito de lê-lo. Tinha de vir um alerta de que o alimento é rico em sal e que aumenta o risco de hipertensão e de doença cardiovascular”, defende Machado. Uma resolução publicada pela Anvisa em 2010 restringia a publicidade de alimentos com quantidades elevadas de açúcar, gordura e sódio, e determinava que esses produtos deveriam exibir um alerta aos consumidores sobre os riscos que representam para a saúde. De acordo com a norma, todo alimento que contivesse mais de 400mg de sódio a cada porção de 100g deveria ter o aviso em sua embalagem. A resolução, no entanto, foi contestada e derrubada na Justiça pela Abia.

Eduardo Almeida Reis - Ciência‏

E tem mais uma coisa: um copo de vinho tinto por dia reduz o risco de desenvolver demências, especialmente o mal de Alzheimer



Eduardo Almeida Reis
Estado de Minas: 15/08/2014







Se o leitor seguir à risca todas as recomendações da ciência, mesmo publicadas em revistas da maior respeitabilidade como Science e Nature, vai ficar maluco em pouquíssimo tempo. Durante séculos circulou a notícia de que uma taça de vinho às refeições fazia bem à saúde. Meus avós maternos passaram dos 90 bebendo álcool às refeições. Pouco, mas bebiam. Na falta do vinho, um cálice de cachaça.

O netinho exagerou nas doses e só agora foi informado de que cinco taças de vinho para os homens, e quatro para as mulheres, fazem um mal danado: transferem as bactérias do sistema digestório para o sistema circulatório. Ótimas no sistema digestório, as tais bactérias bagunçam o sistema circulatório. É o que diz a ciência e não explica o que acontece com as bactérias dos cavalheiros que tomam duas ou três garrafas de vinho às refeições, como tomei durante décadas.

Temos agora uma tentativa da ciência para reabilitar o vinho: é ótimo para combater os piolhos, perdão, os percevejos. É sabido que os percevejos gostam do sangue humano, mas os pesquisadores da Universidade de Nebraska-Lincoln, nos EUA, descobriram que os insetos da ordem dos hemípteros não gostam do sangue dos cavalheiros e damas alcoolizados. Portanto, beber vinho nos livra das picadas irritantes.

Ainda na área dos benefícios vínicos, a Sociedade Química Americana descobriu que o resveratrol, um composto encontrado na bebida, melhora o equilíbrio e reduz deficiências motoras, desde que o vinho seja tomado com moderação. E tem mais uma coisa: um copo de vinho tinto por dia reduz o risco de desenvolver demências, especialmente o mal de Alzheimer, como descobriram os pesquisadores do Instituto Central de Saúde Mental de Mannheim, na Alemanha.

Para inteirar a lista dos benefícios, os espanhóis descobriram que os vinhos, bebidos sem exageros, são ótimos para combater as bactérias responsáveis pelas cáries dentárias.

Lenga-lenga

Com a honrosa exceção do autor destas bem traçadas, está para nascer o brasileiro que, encarregado de escrever texto diário, hebdomadário, quinzenal ou mensal, não se queixe do papel em branco, da falta de assunto e, agora, da falta de “desejo”. Ora, bolas: se o negócio é tão difícil, nada mais fácil do que mudar de profissão ou não aceitar a incumbência. Que tal um cineminha levando a pipoca de casa? É divertido e você não enche o saco de ninguém; só enche o saco de grãos de milho que se abrem em flocos brancos, ao calor do fogo.

Em russo e em alfabeto cirílico, criado no século 9 pelos missionários macedônios Constantino (são Cirilo) e Metódio, Tolstói teria escrito: “Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia”. Liev Nicolaevitch, conde de Tolstói, nasceu em Yasnaya Polyana, a 12 quilômetros de Tula e a 200 de Moscou. Era filho de Nicolas Ilyitch, conde de Tolstói, e de Maria Nicolaevna, princesa de Volkonsky.

O Google tem foto da belíssima Yasnaya Polyana, hoje transformada em museu, literalmente “Clareira limpa”, mansão em que nasceu o autor de Guerra e Paz. Melhor que isso: o milagroso buscador nos informa que no estado da Paraíba, que produziu o imenso jornalista Moacir Japiassu, a cidade de Pombal tem como prefeita a senhora Yasnaia Pollyana Werton Feitosa.

Só aí o escriba tem assunto para mil crônicas, por maior que seja a sua falta de “desejo”. Releva notar que Tolstói (1828-1910) nasceu a 12 quilômetros de Tula, aldeia que tem hoje, transcorridos quase 200 anos, cerca de 500 mil habitantes. Nascesse em Belo Horizonte, capital das Minas Gerais, neste ano de 2014, pintaria até os universos paralelos, tantas são as notícias belo-horizontinas que nos chegam todos os dias.

O mundo é uma bola

15 de agosto de 636: primeiro dia da Batalha de Jamuque entre o Império Bizantino e o Califado Rashidun, cujo resultado seria uma vitória retumbante e decisiva dos muçulmanos, e a perda definitiva da Síria pelos bizantinos. O pacientíssimo leitor desta coluna deve ter notado que a história é uma sucessão de batalhas, como se a espécie humana não tivesse outra preocupação além de exterminar os seus semelhantes. Com o advento das armas de fogo, dos mísseis, da informática, o morticínio modernizou-se e ainda agora, na mesma região, temos um facínora barbudo querendo fundar um califado com seu relógio de pulso de R$ 470, o dobro do preço do meu Festina, que funciona muito bem.

Em 718, fim do segundo cerco árabe de Constantinopla, que durou 13 meses, com a retirada do Califado Omíada. Em 778, Batalha de Roncesvales, em que Rolando é morto, coitado. Em 927, os sarracenos invadem e destroem Tarento, na Itália. Em 982, Otão II é derrotado pelos sarracenos na Batalha de Capo Colonna, na Calábria. Em 1018, Eustácio Dafnomeles, general bizantino, captura Ivatz da Bulgária e encerra a resistência búlgara contra a conquista bizantina da Bulgária pelo imperador Basílio II Bulgaróctone. Em 1040, o rei Duncan I é morto numa batalha por seu primo Macbeth, que lhe sucedeu como rei da Escócia. Meu espaço felizmente zé fini quando ainda havia batalhas a montões neste 15 de agosto. Hoje é feriado numa infinidade de cidades brasileiras.

Ruminanças

“O brasileiro é um feriado” (Nelson Rodrigues, 1912-1980).

Gestão de alto desempenho em saúde‏

Gestão de alto desempenho em saúde

Tânia Furtado
Coordenadora do MBA executivo em saúde da Faculdade IBS/FGV
Estado de Minas: 15/08/2014


É senso comum afirmar que os sistemas de saúde no Brasil apresentam desafios de grande porte. E não faltam juízes com teorias para diagnosticar a origem do problema. Poucos, no entanto, estão aptos a argumentar, em linha consistente, a realidade de que a gestão por qualidade na área de saúde abrange um conjunto de instrumentos, métodos e práticas em um modelo integrado. Esse sistema exige competências para garantir o cultivo de novas habilidades e melhores práticas de disseminação da dinâmica empresarial. Nos últimos anos, as organizações têm despertado mais atenção para aspectos e oportunidades econômicas resultantes de melhores processos na gestão do trabalho. O gasto anual do segmento de saúde corresponde a 10,2% do PIB brasileiro, portanto, é um gerador de desenvolvimento técnico e de empregos. Isso representa um desafio para diminuir o custo e aumentar a qualidade dos serviços, exigindo a contratação de profissionais capacitados e abrindo novas oportunidades de carreira.

Diariamente, os gestores de saúde enfrentam desafios que exigem respostas rápidas, garantam a sobrevivência das organizações e a satisfação das expectativas da sociedade. O setor demanda pesados investimentos em recursos humanos e tecnologia de ponta, que requer a destinação de investimentos elevados. É importante que o profissional dessa área tire o foco das questões puramente econômicas e administrativas e estabeleça um olhar mais atento às questões de ordem social, tecnológica, política e cultural, que também influenciam o ambiente organizacional.

A avaliação da qualidade dos serviços de saúde vem se intensificando e gerando questionamentos e transformações importantes nas organizações, basicamente por fatos relacionados aos seus custos e considerando a necessidade de definir parâmetros de qualificação do atendimento humanizado para a população brasileira. Não há mais como ignorar o confronto que existe entre os aspectos éticos, técnicos, econômicos e sociais da prestação de um serviço, no qual existe um conjunto formado pela união de tarefas de forma planejada para o alcance de metas estabelecidas.

Além desse conflito, a falta de mão de obra qualificada na área é uma realidade. Dados do IBGE de 2010 indicam que o número de matrículas em cursos de graduação e pós-graduação equivale a 2,6% da população, número muito baixo considerando o enorme potencial de crescimento do país. A troca de informações em sala de aula contribuiu para que se revelem novas oportunidades de trabalho e modelos diferenciados de gestão. A maioria dos alunos dos cursos de gestão em saúde ocupa posição de destaque, exerce papéis de liderança e assume responsabilidades, sabendo identificar a direção e o locus da decisão. 

O sentido da gestão por qualidade, portanto, é desenvolver competências interpessoais que facilitem o gerenciamento de pessoas e equipes de alto desempenho, e harmonizar o funcionamento dos diversos setores da organização, além de fortalecer as relações internas e externas. Outro aspecto importante é identificar oportunidades e calcular eventuais interferências e ameaças futuras à tomada de decisão institucional.

Considerando todas essas competências a serem desenvolvidas, observamos que isso só é possível com uma formação adequada, metodologia eficaz e que leve em consideração aspectos cognitivos e psicológicos. Não se trata, portanto, de problema a se resolver em debates mal fundamentados.

Benefícios do café gourmet‏

Benefícios do café gourmet
Qualidade é buscada desde a colheita e separação dos grãos
Rúbia Duarte
Barista e avaliadora de qualidade
(Q-grader)
Estado de Minas: 15/08/2014


O café é uma das bebidas mais consumidas no mundo. A bebida, que tem um lugar especial na alimentação dos brasileiros, se destaca também em forma de café gourmet. De acordo com a Associação Brasileira de Indústria de Café (Abic), o consumo interno de café no Brasil é de aproximadamente 20 milhões de sacas. Entre elas, um milhão de sacas são de cafés gourmet. A ABIC revela ainda que a expectativa é de que nos próximos 10 anos o café gourmet represente de 10% a 12% da produção no país. O consumo moderado do café beneficia a saúde humana e contribui para prevenção de várias doenças. O café gourmet gera benefícios comprovados para a saúde e é considerado como planta funcional. Previne doenças como depressão,   Parkinson e Alzheimer, estimula o aprendizado e faz bem ao coração. Além de ser antioxidante, atua na prevenção do envelhecimento e ajuda na redução de peso. Todos esses benefícios são resultado da variedade de nutrientes encontrados no grão do café.  

Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, a cafeína não é o único nutriente encontrado no café. Nos grãos de café também estão presentes potássio, zinco, ferro, diversos outros minerais em pequenas quantidades, aminoácidos, proteínas, lipídeos, açúcares, polissacarídeos e um enorme número de polifenóis antioxidantes, que retardam o envelhecimento. Cada um desses nutrientes tem qualidades e benefícios que ajudam a prevenir as doenças citadas. Em quantidade dosada, a cafeína é estimulante e age diretamente contra a depressão, dando mais energia e vitalidade. A torrefação é um dos processos mais importantes na preparação do café, é onde se assegura o gosto, o cheiro e os benefícios para a saúde, garantindo uma maior quantidade de nutrientes no grão. O ponto de torra do café gourmet é de médio para claro, o que acarreta diminuição da quantidade de cafeína e conservação dos nutrientes. Já no café comum, o grão torra até ficar mais escuro, fazendo com que a quantidade de cafeína seja alta, e causando perda de grande parte desses nutrientes por se queimar muito. A primeira colheita deve ser seletiva para garantir a qualidade do café. Após essa etapa, separa-se o grão verde, preto e ardido, eliminando os ruins. Em todas as plantações existem esses grãos, porém, o importante é saber separar os bons e os que não são propícios para o preparo do café especial. Durante o processo, os grãos escolhidos seguem para uma mesa para serem avaliados e aprovados pelo degustador. Isso assegura a qualidade da bebida e garante os benefícios para a saúde.

O grão deve ser 100% arábica para ser considerado um café gourmet. Esse tipo é mais adocicado, leve, delicado e com sabor intenso. É importante que se tenha cuidado também na hora do preparo para garantir que os benefícios e as qualidades desse café cheguem à mesa. A temperatura da água deve estar no ponto ideal, não pode estar fervendo, caso contrário pode acabar queimando o café e estragando a bebida. O café gourmet é mais trabalhado e tem uma qualidade extremamente superior, garantindo uma bebida com múltiplos nutrientes para uma vida mais saudável.