No Rio, sem chapéu, sapatos de couro de sola grossa, emborrachada, comprados na Clark, me dispensavam das galochas
Eduardo Almeida Reis
Estado de Minas: 17/08/2014
Pedido de
socorro, do inglês S.O.S., sigla de save our soul s (salvem nossas
almas), passou a ter cabimento em diversas profissões depois de tirar os
empregos dos funcionários das fábricas de galochas. Antes da moda do
tênis – sapato de material leve (lona, tecido, couro, plástico) e sola
flexível de borracha, para uso esportivo e geral – muitos cavalheiros
não saíam de casa sem levar nas pastas um par de galochas. Pois é:
homens sérios e trabalhadores não dispensavam as pastas.
Durante
séculos circulei com pastas de couro, que ainda tenho guardadas nos
armários. Óculos, charutos, documentos, escova e pasta de dentes, tudo
transportado numa pasta. E chapéu de feltro para proteger do sol o então
belo rostinho. No Rio, sem chapéu, sapatos de couro de sola grossa,
emborrachada, comprados na Clarks, me dispensavam das galochas. Vejo no
Google que Portugal tem a Clarks e aproveito para encomendar ao leitor,
que visite Portugal, um par de chinelos de couro, sola de borracha, duas
tiras em X, tamanho 45. Acho que o 45 português corresponde ao nosso,
ouviu, dr. Artur Bettencourt?
Volto às profissões em risco de
extinção. Um estudo da CareerCast apontou as mais ameaçadas em 2014,
baseado nos dados do U.S. Bureau of Labor Statiscs (BLS). A de carteiro é
a mais ameaçada. Até 2022, o número de profissionais contratados deve
cair 28% nos Estados Unidos, mas o portal ressalta que a redução do
mercado para os profissionais que estão chegando não significa
diminuição da qualidade de trabalho para quem já está no mercado. A
média salarial nos EUA é de US$ 53.100 ao ano, sinal de que um
postalista americano ganha US$ 4.425 por mês. Motivo: a comunicação
on-line afetou profundamente o serviço dos correios. Na medida em que a
sociedade tem mais acesso à internet, as vagas no serviço de postagem
caem severamente.
O leitor do Estado de Minas, que me conhece
bem, sabe que não estou aqui para fazer terrorismo midiático, motivo
pelo qual peço licença para não citar todas as profissões em risco. Nos
Estados Unidos, entre outros profissionais, estão ameaçados os
lenhadores (média salarial: US$ 24.340 ao ano), os agricultores (US$
69.300 ao ano), os leituristas de medidores, os agentes de viagens, os
operadores de perfuradoras (US$ 32.950) e, felizmente para o povo
norte-americano, os fiscais e coletores de impostos (US$ 50.440).
Assinante
Tevê
aberta, apesar de muito recente na história, já é do conhecimento quase
geral. Você compra o televisor, liga na tomada, ajeita a antena e fica
sabendo, através da excelentíssima senhora que preside este país grande e
bobo, que as nossas Forças Armadas já possuem barcos de fibra óptica.
Bem-aventurado o único país que tem barcos de fibra óptica e logo terá
aviões de fibra óptica, PIB e mensaleiros de fibra óptica.
Na
tevê a cabo você compra o televisor, liga na tomada e contrata com a
operadora uma série de canais, pagando por mês. Filmes, esportes,
notícias, você pode contratar canais do seu agrado, paga por mês e os
profissionais deles todos começam a tratar você como “assinante”,
dirigem-se ao assinante, agradecem a audiência do assinante, sinal de
que você é, de certa forma, um dos financiadores daquela geringonça.
Vai
daí que você começa a analisar os canais que assina (e financia), sem
entender como podem certos cavalheiros ser convidados para diversos
canais. Convidados e pagos pelos canais em que passam dias inteiros:
SporTV, GloboNews, GNT – manhãs, tardes e noites ao vivo e em cores,
sinal de que são pagos pelos canais.
Um dos cavalheiros tem o
dom da ubiquidade – qualidade de um ser que dá a impressão de estar
física e concomitantemente presente em diversos lugares – deve ser
pertinente ou engraçado, virtudes só vistas pelos diretores que o
contratam, porque para o assinante não passa de um imbecil risonho,
muito feio, mal-ajambrado em camisas floridas. É a minha opinião e não
aceito melhor juízo.
O mundo é uma bola
17
de agosto de 1833: início da primeira travessia do Oceano Atlântico em
navio a vapor. Em 1903, Joseph Pulitzer estabelece o Prêmio Pulitzer.
Jornalista e editor estadunidense nascido em Makó, Hungria, Joseph
(1847-1911) era de família judaica bem de vida, estudou em escolas
particulares de Budapeste, tentou alistar-se nos exércitos austríaco ou
britânico sem êxito, porque tinha pouca saúde e enxergava mal. Falava
fluentemente alemão, francês e húngaro, mas capengava no inglês. Nos
Estados Unidos, trabalhou em St. Louis como carregador e bagageiro,
enquanto estudava inglês e direito fazendo política. Fez carreira no
jornalismo americano, foi editor e dono de jornais. Em 1903 doou US$ 1
milhão à Universidade de Colúmbia para instalação de um curso de
jornalismo. Perdeu completamente a visão alguns anos antes de morrer.
Em
1942, um submarino supostamente alemão torpedeia os navios brasileiros
Araxá e Itagiba. Em 1945, George Orwell publica o livro Animal farm, no
Brasil A revolução dos bichos, em Portugal O triunfo dos porcos.
domingo, 17 de agosto de 2014
Dificuldade no aprendizado
II Fórum Mundial de
Dislexia ocorre de hoje a quarta-feira, na UFMG. Especialistas
nacionais e internacionais discutem pesquisas, prevenção, diagnóstico e
tratamento da enfermidade
Lilian Monteiro
Estado de Minas: 17/08/2014![]() |
A dislexia não é uma doença, mas sim um transtorno do desenvolvimento da linguagem que afeta a aprendizagem da leitura, da escrita e da soletração. É muitas vezes confundida com falta de interesse, desatenção ou preguiça. A falta de conhecimento ou precisão do diagnóstico penaliza muitas pessoas que, na verdade, precisam de ajuda e tratamento. “A dislexia é uma condição neurobiológica, pois é uma falha no processamento da informação no cérebro. De modo geral, ela está associada a dificuldades em outras áreas do desenvolvimento, como a concentração, a memória de trabalho e a capacidade de organização. Suas causas não estão relacionadas ao baixo desempenho intelectual, escolarização deficiente ou problemas motivacionais e familiares, apesar de poder surgir concomitantemente a esses fatores”, explica a doutora em psicologia cognitiva pela Universidade de Dundee, na Escócia, Ângela Maria Vieira Pinheiro, professora titular do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e presidente do II Fórum Mundial de Dislexia (IIWDF), que começa hoje em Belo Horizonte.
Ela informa que pesquisas em diferentes países apontam que a prevalência da dislexia pode chegar a 10% da população, ou mais. Desse modo, cerca de 700 milhões de pessoas no mundo sofrem desta condição. “Vale destacar que o quadro irreversível é apenas para a parte neurológica da condição, uma vez que as suas manifestações comportamentais, tanto na linguagem falada quanto na escrita, podem ser prevenidas ou minimizadas”.
Promovido pela Dyslexia International, o Fórum Mundial é o segundo de uma série de cinco realizados em cada uma das cinco regiões designadas pela Unesco. O primeiro representou a Europa e América do Norte (França, 2010), o segundo a América Latina e o Caribe (BH, 2014) , sendo que os demais vão ocorrer na África (Maurício, 2016), Estados Árabes (2018) e na Ásia e Pacífico (2020). Na UFMG, o evento terá conferências, mesas redondas, grupos de discussão e workshops oferecidos por mais de 26 renomados pesquisadores internacionais, 15 pesquisadores nacionais e por autoridades educacionais. Um dos destaques será a sessão World Profile, na qual representantes de quatro das seis línguas oficiais da Unesco – árabe, chinês, inglês, francês, russo e espanhol – apresentarão um relato dos trabalhos sobre “A melhor prática no ensino da leitura e da escrita”. “Outro ponto alto do evento será a apresentação dos resultados do curso Aprendizagem on-line, conhecimento básicos para professores. Dislexia, como identificar e o que fazer (confira a versão brasileira desse curso em dislexiabrasil.com.br).”
ORIENTAÇÃO Ângela Pinheiro explica que a prevenção da dislexia ocorre por meio de programas de orientação de pais sobre como estimular o desenvolvimento da linguagem falada de suas crianças desde o nascimento (bom exemplo é o projeto de extensão desenvolvido no ambulatório de crianças de risco – ACRIAR – no Hospital das Clínicas da UFMG na capital mineira e nos postos de saúde) e por meio da identificação precoce no ensino infantil com o auxílio de professores bem treinados para reconhecer os primeiros indícios de risco do transtorno. “Ambos, pais e professores, devem ser conscientizados sobre os seus papéis como os primeiros agentes na identificação dos fatores precursores das dificuldades de aprendizagem, especialmente da dislexia”, indica a professora.
A pesquisadora lembra que “a dislexia é o distúrbio (ou transtorno) do aprendizado mais frequentemente identificado na sala de aula. Está relacionado, diretamente, à reprovação escolar, sendo causa de 15% delas. Em nosso meio, entre alunos das séries iniciais (escolas regulares) têm sido identificados problemas em cerca de 8%”. Ela diz que concorda com os que dizem “que a condição pode atingir igualmente pessoas das raças branca, negra ou amarela, ricas e pobres, famosas ou anônimas, pessoas inteligentes ou mais limitadas”.
Serviço:
Evento: 2º Fórum Mundial de Dislexia (World Dyslexia Forum)
Local: UFMG, Avenida Presidente Antônio Carlos, 6627, Pampulha, Belo Horizonte
Data: 17 a 20 de agosto
Informações: www.wdf2014.com.br
Mitos e verdades
1) A dislexia é contagiosa? Não. Ela é usualmente hereditária.
2) Uma pessoa pode ser medianamente disléxica? Sim. Ninguém apresenta um quadro com todos os sinais de dislexia.
3) A dislexia é uma doença? Não, mas um transtorno de aprendizagem.
4) A dislexia pode passar sem que se tome alguma providência? Não. Quanto antes ela é identificada e são tomadas as medidas de tratamento, maiores podem ser os benefícios do tratamento.
Alguns sinais indicadores:
1) Pré-escola e pré-alfabetização: aquisição tardia da fala, pronunciação constantemente errada de algumas sílabas, crescimento lento do vocabulário, dificuldade em aprender cores, números e copiar seu próprio nome, etc.
2) Início do ensino fundamental, alfabetização: aprender o alfabeto, discriminar fonemas de sons semelhantes (t/d; g/j; p/b), diferenciação de letras com orientação espacial (d/b; d/p; n/u; m/u), orientação temporal (ontem – hoje – amanhã, dias da semana, meses do ano), etc.
3) Ensino fundamental: atraso na aquisição das competências da leitura e escrita, nível de leitura abaixo do esperado para sua série e idade, dificuldade de soletração de palavras, ler em voz alta diante da turma, supressão de letras (cavalo/caalo; biblioteca/bioteca; bolacha/ boacha), etc.
4) Ensino médio: podem ter dificuldade em aprender outros idiomas, leitura vagarosa e com muitos erros, permanência da dificuldade em soletrar palavras mais complexas, atenção demasiada a pequenos detalhes, vocabulário empobrecido e criação de subterfúgios para esconder sua dificuldade, etc.
5) Ensino superior, universitário: letra cursiva, planejamento e organização, dificuldade com horários (adiantam-se, chegam tarde ou esquecem), falta do hábito de leitura e normalmente têm talentos espaciais (engenheiros, arquitetos, artistas), etc.
Personagem da notícia
Giuliano Gomes, empresário, 35 anos
Incentivo à leitura
O empresário Giuliano Gomes conta que descobriu a dislexia no ensino fundamental. “Tomei bomba em português e minha mãe, preocupada, foi pesquisar o por quê”. Ele revela que “entendia e falava bem, mas trocava as letras na hora de escrever. Principalmente, o p com o b e o t com o d”. Na época, a mãe o levou para um psicólogo. “Lembro que passei a treinar muito ditado e leitura. Minha mãe me incentivava a ler. Ela me acompanhou de perto e me fez criar o hábito da leitura, o que me ajuda muito e vai me acompanhar por toda a vida.” Giuliano afirma que até hoje tem dificuldade, mas lida muito bem com o distúrbio. “Ao escrever e-mails e mensagens, me habituei a ler, reler, dar uma pausa e ler de novo. Às vezes, passa algum erro. Tenho de prestar muita atenção.” Ele conta que nunca sofreu preconceito por causa da dislexia e encara numa boa e com naturalidade “algumas brincadeiras dos amigos, que ligam e me perguntam o que quis dizer num e-mail”. Além de ler e se forçar a escrever, Giuliano explica que encontrou outro caminho para conviver, numa boa, com o transtorno. “Ao longo dos anos, criei meios para facilitar minha vida. Passei a prestar mais atenção em tudo e procuro associar uma palavra a outra.”
Um distúrbio de múltiplas facetas
A psicóloga Ângela
Maria Vieira Pinheiro ressalta que existem algumas explicações, não
mutuamente excludentes, para as causas da dislexia, já que é um
transtorno com múltiplas facetas. Entre elas, “fatores nutricionais
durante a gravidez da mãe e na primeira infância da criança, bem como a
resistência imunológica do feto. Pesquisas demonstram uma carga
genética. Na mesma família, se um dos membros tem dislexia, há uma
probabilidade de 50% que um dos seus parentes próximos também seja
disléxicos”, diz. No entanto, isso não significa que as duas pessoas
exibirão os mesmos traços, nem que terão o mesmo grau, já que o
transtorno pode variar de leve a severo. “Outra hipótese, que não é
incompatível com as anteriores e que é defendida pelo professor
Stanislas Dehaene (um dos ilustres palestrantes do IIWDF), é que os
neurônios que formam os caminhos entre as regiões cerebrais envolvidas
na leitura não se desenvolveram e não se moveram para suas posições
normais por causa de uma codificação genética defeituosa”, acrescenta.
A professora ensina ainda que as alterações ocorreriam em um gene do cromossomo 6. “A dislexia, em nível cognitivo-linguístico, reflete um déficit no componente específico da linguagem, o módulo fonológico, implicado no processamento dos sons da fala.” Ângela conta também que um gene recentemente relacionado com a dislexia foi chamado de DCDC2. “Segundo Jeffrey R. Gruen, geneticista da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, ele é ativo nos centros da leitura do cérebro humano. Outro gene, chamado Robo1, descoberto por Juha Kere, professor de genética molecular do Instituto Karolinska de Estocolmo, é um gene de desenvolvimento que guia conexões, chamadas axônios, entre os dois hemisférios do cérebro.”
A presidente do fórum avisa que a avaliação final deve ser feita por uma equipe multidisciplinar que inclui psicólogo, fonoaudiólogo, psicopedagogo e clínico, que pode solicitar encaminhamento a neurologista, oftalmologista e outros especialistas, conforme o caso. Ângela enfatiza que “não existe teste único de dislexia, mas um conjunto de provas que cognitivas, de inteligência, memória auditiva e visual, fluência verbal, sequenciamento, testes com novas tecnologias, entre outros”. O tratamento é individualizado, de acordo com cada caso, para ter abordagem eficaz. “O profissional usa a linha terapêutica que achar mais conveniente e os resultados surgem de forma progressiva.”
O PAPEL DO PROFESSOR Ângela destaca que o professor tem papel crucial na identificação de crianças com dislexia. “Quando bem treinado, ele pode fazer uma avaliação informal da leitura da criança por meio de tarefas de consciência fonológica, de leitura e soletração de palavras e pseudopalavras e de compreensão de textos. E com a avaliação informal, ele deve passar a suspeita para um profissional qualificado.” Ela adverte que “a intervenção deve envolver o desenvolvimento da consciência fonológica (especificamente, a consciência dos fonemas) e ensino explícito e intensivo da leitura e da escrita por um método fônico em que as letras e os dígrafos são associados aos seus sons correspondentes (fonemas) e vice-versa, por meio de estratégias multissensoriais.
“A boa notícia é que é possível ensinar a quase todos os tipos de crianças a aplicar o princípio alfabético – o conhecimento de que as letras que formam as palavras escritas representam os sons da fala – para decodificar novas palavras.” Quanto à prevenção, Ângela diz que a prática de cursos de treinamento para pais pode evitar que condição seja identificada só na pré-escola. “É importante cultivar pequenos leitores desde o nascimento. Cerca de 50% da habilidade verbal de uma criança é proveniente da genética, os outros 50% são atribuídos ao conhecimento adquirido no ambiente, sendo grande parte desse conhecimento aprendido em casa.”
A professora ensina ainda que as alterações ocorreriam em um gene do cromossomo 6. “A dislexia, em nível cognitivo-linguístico, reflete um déficit no componente específico da linguagem, o módulo fonológico, implicado no processamento dos sons da fala.” Ângela conta também que um gene recentemente relacionado com a dislexia foi chamado de DCDC2. “Segundo Jeffrey R. Gruen, geneticista da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, ele é ativo nos centros da leitura do cérebro humano. Outro gene, chamado Robo1, descoberto por Juha Kere, professor de genética molecular do Instituto Karolinska de Estocolmo, é um gene de desenvolvimento que guia conexões, chamadas axônios, entre os dois hemisférios do cérebro.”
A presidente do fórum avisa que a avaliação final deve ser feita por uma equipe multidisciplinar que inclui psicólogo, fonoaudiólogo, psicopedagogo e clínico, que pode solicitar encaminhamento a neurologista, oftalmologista e outros especialistas, conforme o caso. Ângela enfatiza que “não existe teste único de dislexia, mas um conjunto de provas que cognitivas, de inteligência, memória auditiva e visual, fluência verbal, sequenciamento, testes com novas tecnologias, entre outros”. O tratamento é individualizado, de acordo com cada caso, para ter abordagem eficaz. “O profissional usa a linha terapêutica que achar mais conveniente e os resultados surgem de forma progressiva.”
O PAPEL DO PROFESSOR Ângela destaca que o professor tem papel crucial na identificação de crianças com dislexia. “Quando bem treinado, ele pode fazer uma avaliação informal da leitura da criança por meio de tarefas de consciência fonológica, de leitura e soletração de palavras e pseudopalavras e de compreensão de textos. E com a avaliação informal, ele deve passar a suspeita para um profissional qualificado.” Ela adverte que “a intervenção deve envolver o desenvolvimento da consciência fonológica (especificamente, a consciência dos fonemas) e ensino explícito e intensivo da leitura e da escrita por um método fônico em que as letras e os dígrafos são associados aos seus sons correspondentes (fonemas) e vice-versa, por meio de estratégias multissensoriais.
“A boa notícia é que é possível ensinar a quase todos os tipos de crianças a aplicar o princípio alfabético – o conhecimento de que as letras que formam as palavras escritas representam os sons da fala – para decodificar novas palavras.” Quanto à prevenção, Ângela diz que a prática de cursos de treinamento para pais pode evitar que condição seja identificada só na pré-escola. “É importante cultivar pequenos leitores desde o nascimento. Cerca de 50% da habilidade verbal de uma criança é proveniente da genética, os outros 50% são atribuídos ao conhecimento adquirido no ambiente, sendo grande parte desse conhecimento aprendido em casa.”
Encarando a depressão
Morte do ator Robin
Williams reacende debate sobre a enfermidade, que atinge 30% da
população e ainda é confundida com tristeza. Diagnóstico preciso,
tratamento e suporte familiar ajudam a superar doença
Junia Oliveira
Estado de Minas: 17/08/2014![]() | |
| Depois de tentar resolver problema sozinha, C. buscou ajuda e melhorou após tratamento: "Me tiraram do fundo do poço" |
Esvaziamento, angústia, tristeza, aperto no coração, sofrimento sem fim. Há quem perca o chão, a fé e até a vontade de viver. Comer, dormir, sair de casa, levantar da cama, nada faz sentido. Um quarto escuro pode ser o maior conforto. Quem sente ou sentiu na pele os sintomas de uma depressão entende bem os relatos. Aqueles que não passaram pelo problema apenas imaginam e alguns pensam se tratar de fraqueza ou frescura. A morte do ator Robin Williams, que tirou a própria vida possivelmente acometido por quadro depressivo, reacendeu as discussões sobre a enfermidade. Estima-se que a doença, cercada de estigmas e preconceitos, atinja cerca de 30% da população. De cada três pessoas, pelo menos uma teve, tem ou terá algum episódio depressivo durante a vida, segundo a Associação Mineira de Psiquiatria. Tratamentos incluem remédios e terapia.
“O preconceito faz com que se interprete como se fosse frescura. Não é”, enfatiza o psiquiatra Maurício Leão, presidente da Associação Mineira de Psiquiatria. A enfermidade pode ocorrer em qualquer fase da vida, mas é mais diagnosticada entre adultos, mais comum em mulheres e tem base orgânica e biológica, sendo, às vezes, genética e hereditária. “Quando não tratada, emburrece, pois as pessoas tendem a ter o comprometimento das funções cognitivas e começam a se sentir, literalmente, burras, efeito que diminui o funcionamento das funções psíquicas superiores. Além disso, engorda, por causa do aumento de cortisol, hormônio ligado ao metabolismo, e mata”, afirma Leão.
O médico destaca que a doença enfrenta três dificuldades: identificá-la, aceitá-la e lutar contra o preconceito. Comumente confundida com tristeza, o psiquiatra esclarece: “É diferente de tristeza. Depressão é doença, enquanto a outra é um estado psíquico, emocional, ligado à história de vida e a eventos desagradáveis na vida de uma pessoa”. Para identificá-la, é preciso estar atento aos sinais que se manifestam nas esferas psicológica, biológica, comportamental e afetiva.
Tratamento Mas médicos avisam que é possível – e desejável – cuidar do paciente sem que ele deixe de realizar tarefas e de levar sua vida normalmente. Medicamentos, psicoterapia e hábitos saudáveis de vida ajudam na cura e na prevenção de novos episódios. “Um dos mitos é que remédio psiquiátrico faz mal e causa dependência. Antidepressivos não produzem dependência, os tratamentos é que são longos”, afirma Maurício Leão. Os tratamentos são de no mínimo um ano e a maior parte dos medicamentos leva até dois meses para fazer efeito.
Efeitos colaterais são bem tolerados pelo organismo e os remédios não deixam o paciente paralisado, como alerta o psiquiatra Rodrigo Mendes D’Angelis, professor de psicoterapia humanista da Universidade Fumec. Ele explica que a psicoterapia também é indicada. “Os sintomas afetam a dinâmica e a rotina do paciente e, por isso, a psicoterapia é necessária com uma frequência considerável. Ela ajuda no controle de outros componentes, como a desilusão que os sintomas trazem.” A terapia ajuda a expor as angústias e evitar a pior das consequências. “Essa escuta ajuda a pessoa a não se restringir àquele mundo de sombras”, diz D’Angelis.
O caminho da recuperação
Pacientes de depressão relatam melhora
com remédios e ajuda profissional. Médicos alertam que preconceito por
parte de parentes e amigos dificulta o tratamento
Junia Oliveira
| "Há um fator dificultador quando mesmo pessoas próximas começam a dizer ao paciente que é bobagem %u2013 Maurício Leão, presidente da Associação Mineira de Psiquiatria |
A perda repentina do irmão, amigo de todas as horas e referência familiar, deixou a professora C., de 57 anos, sem chão. Há dois anos, ela se viu em estado de desorientação total, sem o controle da própria vida, de horários, dos estudos. De uma hora para outra, ela entrara num túnel escuro e ele não tinha saída. Tentava ajuda das pessoas, mas não via solução. Estava sempre mergulhada numa tristeza profunda, sem esperança nem perspectivas. Pouco tempo depois, começou a sentir, fisicamente, a sensação de que “o coração estava enorme, havia triplicado de tamanho e não cabia mais no tórax”. “Essa é a sensação real da angústia, no mais alto grau. Quanto mais eu respirava, mais meu coração crescia e forçava meu corpo. Entrei em pânico. Lutava diariamente contra essa sensação horrível e no fim do dia eu estava exausta por tentar combatê-la”, conta.
Hoje, C. se cobra por ter tentado durante muito tempo resolver o problema sozinha. Procurou ajuda médica influenciada pelo filho, um psicólogo de 32 anos, que notou as alterações na mulher antes sensata, organizada e de pés no chão. As aulas de inglês, marcadas pelas gargalhadas, brincadeiras e piadas, deram lugar à tristeza, à amargura e à seriedade. A professora começou terapia com uma psicóloga, que a indicou ao psiquiatra, dada a gravidade do caso e a necessidade de medicamentos. Foi preciso parar de trabalhar por alguns dias, até a retomada gradual das atividades. Há quase dois anos, ela toma os mesmos remédios, sem alteração de quantidade e dosagem. “Me tiraram do fundo do poço”, relata. “As pessoas têm respostas diferentes. Umas só ficam deitadas, outras só choram, e eu tive essa reação forte de não ter direção, não ter um referencial de vida”, relata.
“Às vezes, ouço alcóolatras e drogados falarem que estão na lama e sei o que é isso. Estive atolada até o nariz. Consegui colocá-lo para fora, mas ainda dói muito. Paro, lembro, choro, mas não passa disso”, afirma. Por experiência própria, C. alerta que medicamento, sozinho, não faz milagre. “Ajuda 60%. O contato com o médico, que passa a ser seu amigo, é imprescindível. Ele vai te orientar no momento de confusão, de loucura, te dar a mão, te conduzir e mostrar as opções disponíveis.”
Incompreensão O preconceito ela também sentiu na pele, daqueles que pensam ser a depressão própria dos ociosos – ela trabalha de manhã até o fim da noite, na escola de idiomas da qual é dona. Não foram raras as vezes em que ouviu “conselhos” de que para melhorar bastava fazer uma faxina ou lavar roupa. “O depressivo que passa por crise forte é como um alcoólatra: tenta viver um dia de cada vez. Hoje, vou tentar ter um dia legal, ser mais generosa comigo, gostar mais de mim. O que quero é, no fim do dia, ver que consegui segurar a barra sozinha, pois antes eu não conseguia.”
O psiquiatra Maurício Leão, presidente da Associação Mineira de Psiquiatria, explica que, assim como ocorreu com a professora, um sintoma de depressão é quando o doente sente que não corresponde a exigências da sociedade, como autossuficiência, valorização do sucesso, determinação, pragmatismo e alegria. “Num primeiro momento, o doente tenta lutar contra isso até por acreditar que força de vontade seja suficiente. Mas, aos poucos, constata que não. E percebe que é raro ter a liberdade de comentar sobre o problema com pessoas mais íntimas”, diz Leão.
“Há um fator dificultador quando mesmo pessoas próximas começam a dizer ao paciente que é bobagem, que é preciso sair de casa, trabalhar menos, praticar mais esporte. Como o depressivo está com a vontade comprometida, não tem ânimo de fazer essas atividades.” Sem estímulo dos mais próximos para buscar ajuda, o rompimento com o preconceito acaba ocorrendo, muitas vezes, pelo próprio doente, que chega no limite do insuportável.
Parede A mineira D., de 37 anos, também está em tratamento. Recentemente, ela conta ter começado a enxergar “problemas muito maiores do que realmente eram”, até perceber que nada estava normal. Depois de começar tratamento, mudou a visão em relação ao presente e ao futuro. “A depressão põe uma parede e a impressão é de não haver saída. E a verdade não é essa”, diz.
Antes de buscar tratamento, ela teve estresse, dissabores no trabalho e sensações ruins que vinham repentinamente. “É uma colisão de vários problemas ao mesmo tempo que desencadeia o processo. E se você está sozinha, não enxerga a depressão. Começa a cair num buraco e, se não tiver a família ou alguém que se importe com você para ajudar, é difícil sair desse quadro”, conta. “O melhor da depressão é perceber que você está nela. Estresse é normal e as coisas são difíceis. Se pôr a culpa na vida e uma carga pesada nisso, fica difícil. Conseguir enxergar além do muro à sua volta é fundamental.”
Ajuda da família é fundamental
Especialistas alertam que o suporte familiar é componente fundamental de cura da depressão, assim como o apoio de amigos e colegas de trabalho. “Essas pessoas têm papel essencial, mas não para responsabilizar, e sim como suporte. Às vezes, os parentes se sentem angustiados, culpados, e algumas questões familiares vêm à tona a partir daquele quadro clínico”, diz o psiquiatra Rodrigo Mendes D’Angelis, professor de psicoterapia humanista da Universidade Fumec. “É importante se concentrar no problema para o restabelecimento do paciente”, acrescenta. Segundo ele, medo e insegurança são normais, mas os parentes devem ser orientados a lidar com esses sentimentos para ajudar no tratamento e não permitir espaço para culpa e preocupação, evitando assim que a doença tome conta de todo o núcleo familiar.
A abordagem com o paciente e a indicação de que ele precisa de tratamento também deve ser cautelosa. “O depressivo está tão esvaziado que não se opõe tanto, embora apresente um negativismo em relação à ideia”, relata o médico. Ele sugere, antes de optar pela terapia forçada, autorizada em caso de risco iminente para a pessoa (físico ou de vida), opções como visita domiciliar de profissionais na tentativa de uma abordagem gradativa ou o contato dos familiares com o médico para serem orientados. “Quando o paciente começa a tomar o medicamento, a melhora do humor facilita o contato.”
O extremo é perder a vontade de viver. “As ideias de morte vêm para sair de situação angustiante e conflitante, mais do que o desejo propriamente de morrer. Mas há quadros depressivos em que a falta de perspectiva e a angústia são tamanhas que a pessoa deseja a morte, porque a vida está insuportável”, afirma D’Angelis. O psiquiatra diz que uma em cada 20 pessoas é acometida por episódio depressivo moderado ou grave.
A literatura psiquiátrica afirma que até 15% de deprimidos graves se suicidam. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), 1 milhão de pessoas por ano tiram a própria vida acometidas pela doença, que é hoje a principal causa de afastamento do trabalho e de suicídio – em deprimidos, a incidência é sete vezes maior do que na população em geral. “Não pode ficar só no quadro familiar, a depressão deve ter atenção de toda a sociedade”, destaca Rodrigo D’Angelis.
Ele lembra que na vida moderna há componentes como estresse, falta de tempo e cobranças que são gatilhos para a ansiedade e sintomas para a depressão. Por isso, hábitos saudáveis são imprescindíveis na prevenção e no controle da enfermidade. Durante a prática de exercícios físicos, o organismo produz antidepressivo natural – a serotonina. “A depressão é séria e não podemos banalizá-la.”
Internações no SUS sobem 14,7%
Os diagnósticos de depressão têm aumentado nos últimos anos, segundo profissionais, impulsionado, possivelmente, por dois fatores: o ritmo de vida moderno tem gerando mais doentes e, por outro lado, número maior de afetados procura ajuda. As secretarias de Estado e Municipal de Saúde não sabem informar quantos são os pacientes diagnosticados com depressão atendidos nas respectivas redes. Médicos são unânimes: quanto mais cedo se procura ajuda médica, maiores são as chances de cura.
De acordo com o Ministério da Saúde, de 2003 a 2013, houve aumento de 14,7% no número de internações no Sistema Público de Saúde (SUS) por depressão no país. A quantidade de pessoas que ocuparam os leitos hospitalares saltou de 53.700 para 61.604 em uma década. A internação é indicada para pacientes em estágio tão avançado da doença que não conseguem se alimentar, sair da cama, aceitar medicamento ou têm a vida em risco.
O clínico-geral Geraldo Carvalhaes, especializado em dores crônicas e em atendimento a pacientes com depressão, concorda que a incidência da doença é alta, mas alerta que, muitas vezes, é má diagnosticada pelos médicos e interpretada de forma errada pela família do doente. Segundo ele, grande parte dos clínicos não faz diagnóstico da depressão e não há número suficiente de psiquiatras no país para atender a demanda. “Além de não haver formação adequada, a medicina hoje é corrida, com atendimentos de 10 a 15 minutos. Para se fazer um diagnóstico de depressão, são necessárias até três consultas de pelo menos uma hora”, diz.
Atenção Ouvir o paciente e verificar as alterações hormonais permite concluir pela depressão propriamente dita ou pela doença mascarada, de difícil detecção. Carvalhaes explica que queixas somáticas, como dores lombares e crônicas, podem estar relacionadas a quadros depressivos. E se o médico não estiver atento, pode indicar até cirurgias desnecessárias. Além de antidepressivos, antipsicóticos e ansiolíticos, entre os tratamentos oferecidos por ele estão terapia, estimulação magnética transcraniana (sem efeito colateral e com poucas contraindicações, consiste em estimular o cérebro com uma onda eletromagnética que vai liberar os neurotransmissores, a exemplo do efeito dos antidepressivos) e um soro à base de quetamina.
FIQUE ATENTO
Veja como identificar a depressão e tratá-la
» SINTOMAS
Psíquicos: Comprometimento do raciocínio, da memória, vontade e iniciativa. Desânimo
Comportamentais: nervosismo, cansaço, tendência à introspecção, baixo desempenho no trabalho e incapacidade de sentir prazer
Biológicos: dores musculares e de cabeça. Pode haver ganho de peso, lesões dermatológicas, tonteira, náusea, dores no peito e insônia
Afetivos: Diminuição do humor, tristeza, negativismo.
» COMO TRATAR
Tratamento medicamentoso: antidepressivos, antipsicóticos e ansiolíticos
Psicoterapia
Apoio de familiares e amigos
FONTE: Maurício Leão – Presidente da Associação Mineira de Psiquiatria
Vencendo o preconceito
» MITOS SOBRE DEPRESSÃO
Só ocorre em quem é frágil ou não tem temperamento forte
Com o avançar da idade, depressão é algo natural
A recuperação só depende de força de vontade
Toda tristeza é depressão
» VERDADES SOBRE A DOENÇA
Pessoa deprimida está acometida por quadro psiquiátrico. Não significa que ela não tenha força
A depressão não deve ser vista como algo natural, é uma doença. Não se pode afirmar que a prevalência é maior em idosos
Depressão é doença e requer tratamento
A doença é uma condição psíquica, apesar de ter a tristeza como base
FONTE: RODRIGO MENDES D’ANGELIS, PSIQUIATRA E PROFESSOR DA FUMEC
Mais perigo no cigarro contrabandeado
André Márcio Murad - Coordenador do
Serviço de Oncologia do Hospital das Clínicas da UFMG e do Centro
Avançado de Tratamento Oncológico (Cenatron)
Estado de Minas: 17/08/2014
Estado de Minas: 17/08/2014
Fumar não faz bem a
ninguém, muito pelo contrário. Os males causados pelos cigarros são
inúmeros e conhecidos por toda população. O tabagismo é considerado pela
Organização Mundial da Saúde (OMS) como a principal causa de morte
evitável em todo o mundo, chegando a um total de 4,9 milhões de
falecimentos por ano, correspondendo a mais de 10 mil mortes por dia
devido ao mau hábito. O tabaco pode causar em torno de 50 doenças
distintas. As principais estão ligadas à circulação, à respiração e aos
cânceres.
As informações com relação aos males causados pelo cigarro estão por toda a parte e, mesmo assim, o vício faz com que as pessoas se exponham a esse risco e continuem na lista de fumantes. O que muitos talvez não saibam é que existem tipos de cigarros que fazem ainda mais mal para a saúde do que os legalizados no Brasil, que, por sua vez, já causam muitos danos.
Nos últimos anos, os preços dos cigarros no Brasil tiveram um aumento significativo, sendo que o valor da marca mais barata subiu, em média, 60%. Como os gastos para manter o vício têm se tornado cada dia mais altos, muitos fumantes optaram por usar cigarros contrabandeados, vindos, principalmente, do Paraguai, devido ao baixo custo comparando com os demais. Essa opção é considerada a pior para a saúde. Uma pesquisa brasileira desenvolvida pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) mostrou o que está por trás desses cigarros contrabandeados. A existência de pelo de animais, terra, areia, vestígios de plásticos, restos de insetos, colônias de fungos, ácaros e metais cancerígenos como chumbo, cádmio, níquel, cromo e manganês foi constatada pelo estudo.
Esses dados são aterrorizantes. Pela primeira vez, a população brasileira tem acesso às quantidades dos valores das substâncias encontradas nos cigarros. O chumbo é um material altamente tóxico e foi detectado nos cigarros analisados em uma quantidade 116 vezes superior às marcas legais analisadas. A nicotina, responsável por diminuir a espessura dos vasos sanguíneos e sempre tão alardeada entre a sociedade, tem sua quantidade elevada de 10 a 20 vezes nos cigarros contrabandeados.
O tabaco sempre foi prejudicial à saúde, mas, nos tempos atuais, e com a entrada dessas marcas paraguaias no mercado, o problema tem se tornado ainda mais prejudicial. O fumo não lesa apenas o fumante, vai muito além e consegue interferir na saúde das pessoas que estão ao redor, conhecidas como fumantes passivas.
Atualmente, são realizadas diversas ações para o combate ao tabagismo no mundo. Uma das estratégias desenvolvidas com essa intenção é a implementação de espaços exclusivos para fumantes, tornando expressamente proibido fumar em locais fechados e que não são destinados a esse público. Todos os dados desse setor mostram a importância de se pensar sempre em medidas para tentar diminuir o número de fumantes no Brasil. De acordo o Ministério da Saúde, o tabagismo é responsável por 200 mil mortes por ano no país.
É importante ressaltar que todos os cigarros são prejudiciais à saúde, mas é mais válido destacar que os malefícios dos cigarros contrabandeados são ainda maiores. A atenção com a saúde do seu corpo é primordial para a vida.
As informações com relação aos males causados pelo cigarro estão por toda a parte e, mesmo assim, o vício faz com que as pessoas se exponham a esse risco e continuem na lista de fumantes. O que muitos talvez não saibam é que existem tipos de cigarros que fazem ainda mais mal para a saúde do que os legalizados no Brasil, que, por sua vez, já causam muitos danos.
Nos últimos anos, os preços dos cigarros no Brasil tiveram um aumento significativo, sendo que o valor da marca mais barata subiu, em média, 60%. Como os gastos para manter o vício têm se tornado cada dia mais altos, muitos fumantes optaram por usar cigarros contrabandeados, vindos, principalmente, do Paraguai, devido ao baixo custo comparando com os demais. Essa opção é considerada a pior para a saúde. Uma pesquisa brasileira desenvolvida pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) mostrou o que está por trás desses cigarros contrabandeados. A existência de pelo de animais, terra, areia, vestígios de plásticos, restos de insetos, colônias de fungos, ácaros e metais cancerígenos como chumbo, cádmio, níquel, cromo e manganês foi constatada pelo estudo.
Esses dados são aterrorizantes. Pela primeira vez, a população brasileira tem acesso às quantidades dos valores das substâncias encontradas nos cigarros. O chumbo é um material altamente tóxico e foi detectado nos cigarros analisados em uma quantidade 116 vezes superior às marcas legais analisadas. A nicotina, responsável por diminuir a espessura dos vasos sanguíneos e sempre tão alardeada entre a sociedade, tem sua quantidade elevada de 10 a 20 vezes nos cigarros contrabandeados.
O tabaco sempre foi prejudicial à saúde, mas, nos tempos atuais, e com a entrada dessas marcas paraguaias no mercado, o problema tem se tornado ainda mais prejudicial. O fumo não lesa apenas o fumante, vai muito além e consegue interferir na saúde das pessoas que estão ao redor, conhecidas como fumantes passivas.
Atualmente, são realizadas diversas ações para o combate ao tabagismo no mundo. Uma das estratégias desenvolvidas com essa intenção é a implementação de espaços exclusivos para fumantes, tornando expressamente proibido fumar em locais fechados e que não são destinados a esse público. Todos os dados desse setor mostram a importância de se pensar sempre em medidas para tentar diminuir o número de fumantes no Brasil. De acordo o Ministério da Saúde, o tabagismo é responsável por 200 mil mortes por ano no país.
É importante ressaltar que todos os cigarros são prejudiciais à saúde, mas é mais válido destacar que os malefícios dos cigarros contrabandeados são ainda maiores. A atenção com a saúde do seu corpo é primordial para a vida.
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