segunda-feira, 18 de agosto de 2014

PSDB questionará preparo e capacidade de gestão de Marina


Por Fernando Taquari, Marcos de Moura e Souza e Raquel Ulhôa | De São Paulo, Belo Horizonte e Brasília

Pedro Ladeira/FolhapressDepois de participar com Dilma do velório, Aécio evitou a presidente na saída do Palácio Campo das Princesas
Na campanha do candidato à Presidência, Aécio Neves (PSDB), um argumento já está pronto para ser usado contra a ex-senadora Marina Silva (PSB). O alvo é capacidade e a experiência da futura candidata como gestora e seu preparo para discutir temas econômicos com profundidade. O que os tucanos dirão é que Marina não está suficientemente habilitada em nenhuma dessas áreas.
Na campanha tucana, uma avaliação feita com base nas sondagens internas que o PSDB vem fazendo é que Marina aparecerá na próxima pesquisa de intenção de voto beirando os 15% de intenção de voto. Campos estava com 8% e Aécio, pouco acima dos 20%. Governador por duas vezes de Minas Gerais (de 2003 a 2010), o tucano tem se apresentado nas andanças pelo país como um gestor experiente e bem sucedido em seu Estado.
No núcleo da campanha presidencial do PSDB, a avaliação é que a capacidade de gestão será um dos temas importantes da campanha deste ano e que esse também era o discurso do candidato pelo PSB, Eduardo Campos, morto na semana passada. Uma das críticas que Aécio e Campos vinham fazendo contra a presidente Dilma Rousseff (PT) é que ela falha no quesito gestão e que isso se reflete, por exemplo, na lentidão de algumas obras.
"Não vemos a Marina entrando nesse assunto porque não é um assunto que ela domina", disse um integrante da campanha de Aécio. "Ela não tem ideias inovadoras nem experiência para mostrar nessa área", acrescentou. Os tucanos também se preparam para minar a imagem de Marina colocando em xeque seu preparo para lidar com a economia.
O mesmo integrante da campanha desdenhou da capacidade da candidata de entrar num debate mais aprofundado sobre como recuperar o ritmo da indústria, sobre como lidar com inflação, sobre crescimento da economia e questões relacionadas à Organização Mundial do Comércio. Não há, por ora, ajustes previstos nos primeiros programas do horário eleitoral do tucano com a confirmação da candidatura de Marina. Mas as críticas a ela estão prontas para entrarem em campo na campanha tucana.
Ontem, Aécio procurou mostrar identidade entre as propostas defendidas por sua campanha e as do ex-governador pernambucano, morto em um acidente aéreo na quarta-feira. Pouco depois de ir ao velório de Campos e participar da missa de corpo presente, no Recife, o tucano previu que "ficará clara" a convergência entre suas ideias e as do então candidato do PSB.
"Não tenho dúvida de que muitas de suas preocupações e de seus sonhos são as nossas preocupações, não só as minhas, mas de milhões de brasileiros. São também os nossos sonhos", afirmou Aécio, referindo-se a Campos. "Nunca tive dúvida de que nós nos encontraríamos em algum momento na construção de um projeto de país", declarou.
Aécio chegou atrasado à missa campal no Palácio do Campo das Princesas. Durante a homenagem, o tucano cumprimentou Dilma, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Marina. No fim da missa, saiu do pátio interno da sede do governo de Pernambuco ao mesmo tempo que Lula e Dilma, mas evitou os petistas.

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Uma substituição sem transparência - Renato Janine Ribeiro

Valor Econômico 18/08/2014

A nova candidatura socialista deveria ter sido discutida com transparência, não apenas entre os políticos.


A morte de Eduardo Campos foi um choque tremendo. Ele se une, em nossa história, àqueles poucos políticos que morreram no poder ou perto dele. Temos também Getúlio Vargas, em 1954, e Tancredo Neves, em 1985. Nos três casos, o estupor foi generalizado. A morte de Getúlio mudou a conjuntura política, transformando-o de canalha em mártir e retardando o golpe militar por dez anos. A morte de Tancredo iniciou a Nova República com uma decepção e um deságio em relação ao que se esperava.

Eduardo Campos não era presidente e dificilmente ganharia esta eleição, mas parecia quase inevitável que vencesse uma das próximas. Talvez pudesse desatar um nó grave de nossa política, associando a preocupação política à eficiência na gestão. Ninguém ocupará seu lugar, sua liderança. Esse papel, que seria decisivo para o que chamo a "quarta agenda democrática" - a da qualidade na educação, saúde, segurança e transporte públicos - ficou vago, talvez por longos anos.

Desta vez, porém, o Brasil não ficou órfão. O estupor talvez tenha sido maior que o próprio pranto. Sua morte chocou pelo absurdo, tão jovem, tão promissor que era. O Brasil se uniu em ampla solidariedade à viúva e à família, mas não houve as cenas de desespero que, sessenta anos atrás, marcaram o funeral de Getúlio Vargas. Um filme como "O mundo em que Getúlio viveu" (1963, estreou em 1976), de Jorge Ileli, mostra a tristeza, o desamparo, de milhares de pobres que nele investiam suas esperanças. Já a morte de Tancredo Neves, trinta anos depois de Getúlio, trinta anos antes de Eduardo, causou uma comoção nacional, simbolizou a dificuldade de passar da ditadura à democracia, mas nem por isso nos converteu em órfãos. Fomos, sim, interpelados pela necessidade de construir a democracia - a melhor que já tivemos - sem um pai, sem uma figura de autoridade que nos dispensasse de efetuar nossas escolhas. A trágica morte de Campos, num mês despovoado pela partida de grandes e admirados nomes, teve efeito mais político que simbólico. É possível que não nos sintamos mais órfãos, porque não nos portamos mais como filhos dos políticos. O que não reduz, em nada, o sofrimento dos entes queridos, nem nossa perda de um político de perfil único e que, como afirmei acima, na tarefa que poderia cumprir não tem sucessor.


***
Mas Eduardo terá uma sucessora na disputa pela presidência. Muito ainda terá de ser dito a respeito. O óbvio é: o PSB não tem ninguém como Marina para substituir Eduardo e, se escolher outro nome, em vez de disputar com Aécio e talvez com Dilma, medirá forças só com o pastor do PSC; mas Marina pouco ou nada tem a ver com o PSB, o que torna esquisito esse partido ungi-la. Enquanto escrevo, ainda não há anúncio oficial. Contudo, por isso mesmo, quero comentar a falta de transparência no processo de escolha.

Políticos tendem a tratar os eleitores como crianças

O momento inicial foi de choque. No primeiro dia, só pensei no caráter vão das ambições humanas. Não me saía da cabeça que, não fosse ele candidato, sua família ainda o teria. (Mas é claro que sua vocação era o poder, de modo que esta questão não se punha). Pensei também na necessidade de baixar o clima de ódio que toma conta do país: quem somos nós, diante da parca cruel, que ceifa vidas como quem corta barbante? A morte, destino inevitável, deve conter um pouco a paixão da disputa. Não é à toa que se celebram funerais. Não é à toa que no Brasil é feio falar mal de mortos. São sinais de respeito, que prezo.

Porém, enquanto os políticos próximos a Eduardo falavam em só discutir sua sucessão após o enterro ou o luto, o que eles mais faziam era debatê-la e acertá-la, a portas fechadas. Um dia depois, os cinco partidos aliados ao PSB já propunham Marina - que, só ela, parece ter respeitado o luto. Um pouco mais, e a própria família endossava seu nome. Já o PSB discutia, entre sua ala mais à esquerda e a mais à direita, e certamente negociava com a Rede, esse hóspede promovido a possível dono de uma casa que deveria depois abandonar. Foi a imprensa que nos permitiu saber disso. Se déssemos crédito ao que os políticos ligados ao PSB e à Rede nos diziam, estaríamos mal servidos de informação.

Não é esse um mau início? Os analistas políticos debateram o assunto, na mídia assim como nas redes sociais. Quase sempre ouviam uma advertência: que coisa feia, discutir a herança com a morte ainda no ar. Mas está aqui um dos maiores vícios brasileiros no que tange à política: o interdito da fala pública. No caso, o debate franco foi suspenso em nome de argumentos supostamente morais. Em nome de um luto que os principais interessados não respeitaram, os atores da decisão não deram satisfação aos eleitores. Não expuseram à sociedade os dilemas, as possíveis opções, que seriam uma candidatura Marina, a substituição de seu nome por outro do PSB ou mesmo de um partido coligado, a desistência de concorrer, a coligação com Aécio ou Dilma... Tenho certeza de que exigiria muita coragem fazer essas considerações, esses cálculos em público. Quem o fez, em nome do conhecimento, foi criticado; quem o fizesse, podendo decidir, seria crucificado. Mas não é hora de acabar com essa detestável hipocrisia que nos atrasa? A Bolsa reage, o mercado se socorre discretamente de analistas especializados, os políticos negociam - por que somente a sociedade deveria se calar, por que só ela deveria respeitar o luto, quando justamente é o seu destino que os atores resolvem?

Então, crescemos porque não precisamos mais de pai, mas somos tratados como crianças pelos atores políticos. Não dá.

Renato Janine Ribeiro é professor titular de ética e filosofia política na Universidade de São Paulo. 
E-mail: rjanine@usp.br





Eduardo Almeida Reis - Paraíso‏

Para sair das casas aquecidas as pessoas usam meias, ceroulas e camisas térmicas, botas e casacos de peles de animais abatidos por lá

Eduardo Almeida Reis
Estado de MInas: 18/08/2014



Três vezes recebi, três vezes repassei para a lista genteamiga a reportagem de Shaun Walker sobre Yakutsk, provando que existe cidade mais fria do que Juiz de Fora, MG. Fica na Sibéria Oriental, a seis fusos horários de Moscou e seis horas de voo num jato Tupolev. No mês de janeiro, a temperatura média é de 40ºC negativos. Para sair das casas aquecidas as pessoas usam meias, ceroulas e camisas térmicas, botas e casacos de peles de animais abatidos por lá, para horror dos ambientalistas residentes em Fortaleza, CE.

O jornalista do The Independent, com todos os agasalhos recomendados, saiu do hotel aquecido e em 13 minutos suas orelhas começaram a pingar e as pernas “sucumbiram”. Voltou ao hotel e levou um tempão para se recuperar, informando que o corpo inteiro começa a coçar. O vidro do seu relógio não quebrou porque estava protegido pelas roupas. A 50ºC negativos suspendem as obras da construção civil porque os metais se tornam quebradiços. Fecham também os jardins de infância, mas as outras escolas só suspendem as aulas quando a temperatura baixa dos 55ºC negativos.

Ouro e diamantes abundam na região. A cidade tem hotéis, cinemas, ópera, universidade, jardim zoológico e a inevitável entrega domiciliar de pizzas. A cidade de Xanxerê, SC, entrou para o RankBrasil pelo recorde de menor temperatura registrada por órgão oficial. No dia 20 de julho de 1953, o Instituto Nacional de Meteorologia, Inmet, vinculado ao Ministério da Agricultura, registrou no município 11,1ºC negativos. Urubici, SC, já registrou 17ºC negativos, mas em termômetros não oficiais. Em Yakutsk, 11 abaixo de zero deve ser a temperatura no verão. Há 200 mil malucos residentes naquele paraíso da imbecilidade humana.


Pedofilia
Manchete do provedor Terra no dia 16 de julho: “Megaoperação britânica prende 600 por pedofilia”. Nas tevês, o número aumentou para 660. Tradução: a polícia britânica prendeu um tiquinho, uma dx dos pedófilos que circulam por lá, e dx (derivada de x) significa uma porção infinitesimal de x e também indica que a sua integral será com base nessa variável (x). Todo e qualquer país que prenda pedófilos engaiolará uma dx dos existentes. Como explicar a perversão que leva um indivíduo adulto a ser sexualmente atraído por crianças?

É perversão inexplicável, mas existe e é universal. Vou às obras completas de Freud, edição eletrônica, escrevo pedofilia e o programa informa: palavra não encontrada. Mas a Wikipédia tem e nos diz que a pedofilia, também chamada de paedophilia erotica ou pedosexualidade, é a perversão na qual a atração sexual de um indivíduo adulto ou adolescente está dirigida primariamente para crianças pré-púberes, ou seja, antes da idade em que a criança entra na puberdade ou no início da puberdade.

A pedofilia faz parte de um grupo de preferências sexuais chamado cronofilia, junto a nepiofilia, hebefilia, efebofilia, teleiofilia e gerontofilia. Animadora, nessa lista, somente a gerontofilia, atração sexual por pessoas de idade avançada, que embala os sonhos dos idosos no outono de suas vidas. Segundo a OMS, adolescentes de 16 ou 17 anos também podem ser classificados como pedófilos se tiverem preferência sexual persistente ou predominante por crianças pré-púberes pelo menos cinco anos mais novas que eles.

A lista das parafilias é imensa, mais que 50, e o artigo da Wikipédia tem milhares de palavras impossíveis de resumir numa coluna de jornal. Parafilia é cada um dos distúrbios psíquicos que se caracteriza pela preferência ou obsessão por práticas sexuais socialmente não aceitas como a pedofilia, o sadomasoquismo, o exibicionismo etc. O etc. diz tudo e não explica os distúrbios psíquicos, motivo pelo qual tiro meu time de campo, não sem antes informar que fico perplexo cada vez que vejo na tevê um pedófilo preso aqui e alhures, eventualmente acolá. Pela atenção, muitíssimo obrigado.


O mundo é uma bola

18 de agosto de 797: Irene de Atenas destrona o filho Constantino VI e passa a governar sozinha como imperatriz bizantina. Irene Sarantapecaina reinou de 797 a 802. Antes de se tornar imperatriz bizantina foi imperatriz consorte entre 775 e 780, e regente (viúva do imperador) entre 780 e 797. Más línguas dizem que ela se autointitulava basileu “imperador” e o certo é que morreu aos 51 aninhos em Lesbos, ilha que originaria em português o adjetivo lésbico (de Lesbos + -ico), que sente atração por pessoa do mesmo sexo ou com ela mantém relação afetiva e/ou sexual, lesbiano, lésbio (diz-se de mulher); que diz respeito à relação afetiva e/ou sexual entre mulheres; lesbíaco, lesbiano, lésbio, sáfico. Vale notar que Irene era feia com força.

Em 1858, primeira comunicação por cabo submarino entre a Europa e os Estados Unidos. Em 1942, manifestações num país grande e bobo exigiam que o ditador Getúlio Vargas entrasse em guerra contra os países do Eixo. No início da Segunda Guerra Mundial, Getúlio parecia favorável à política de Hitler, di-lo a Wikipédia.

Em 1958, lançamento nos Estados Unidos do romance Lolita, de Vladimir Nabokov, contando a história de um professor que se apaixona por sua enteada de 12 anos. De lá para cá, o mundo acabou de enlouquecer e Lolita virou História da Carochinha.


Ruminanças
“A ortodoxia, meu senhor, é a minha doxia; heterodoxia é a doxia de outra pessoa” (William Warburton, 1698-1779).

Hora de sair do sol - Celina Aquino

Tecnologia criada em Ouro Preto para tratar icterícia em recém-nascidos pode ser usada no monitoramento da exposição aos raios ultravioleta

Celina Aquino
Estado de Minas: 18/08/2014



O que era problema virou solução. Enquanto a indústria tenta impedir a mudança de cor das telas flexíveis, que se degradam muito rapidamente em contato com a luz, pesquisadores da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) aproveitam a propriedade dos polímeros, um tipo de material plástico, para criar sensores de radiação, que podem até salvar vidas. Desenvolvida inicialmente para auxiliar o tratamento de icterícia em recém-nascidos, a tecnologia patenteada, inédita e genuinamente brasileira, agora também pode ser usada para monitorar a exposição aos raios ultravioleta. O selo passa do vermelho ao verde, indicando que está na hora de renovar o protetor solar ou sair do sol.

Os sensores mudam de cor quando estão expostos a um determinado tipo de radiação. O que mede os raios ultravioleta é chamado de Sunsticker. “Ele vai conscientizar as pessoas sobre a exposição prolongada ao sol. A radiação solar é uma das principais responsáveis pelo câncer de pele e a nossa preocupação é reduzir os índices da doença”, comenta a química Mariane Satomi Weber Murase, integrante do Laboratório de Polímeros e Propriedades Eletrônicas de Materiais (Lappem) da Ufop. De fácil leitura, o Sunsticker funciona como um semáforo inteligente: quando fica verde, mostra que chegou-se à quantidade máxima saudável de raios ultravioleta. O selo solar pode ser aplicado na pele ou na roupa.

Segundo a pesquisadora, o Sunsticker é pensado para trabalhadores e atletas que passam muito tempo sob o sol. “Nossa expectativa é que o selo se torne um equipamento de proteção individual (EPI), obrigatório para garantir a segurança de quem precisa permanecer longos períodos debaixo do sol. Mas queremos também que a população em geral possa usá-lo para fazer uma caminhada no domingo, por exemplo”, pontua Mariane. Por enquanto, o Sunsticker está calibrado para peles sensíveis, o que garante proteção para todos os brasileiros. A pesquisadora adianta que a intenção é criar selos para cada tom de pele. O tamanho e a forma dos sensores também podem variar de acordo com a demanda.

Cincos alunos ligados ao Lappem planejam colocar o produto no mercado. Para isso, eles criaram, há um ano, a startup Lifee, uma das 40 selecionadas no mundo inteiro pelo Startups and Entrepreneurship Ecosystem Development (SEED), programa do governo de Minas Gerais. Falta registrar o Sunsticker no Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). Mariane explica que o grupo ainda não definiu o custo do selo, mas ela garante que será baixo e acessível a qualquer parcela da população.

LUZ AZUL A empresa estuda também oferecer, a hospitais e maternidades, um sensor de radiação para luz azul, conhecido como Neosticker, que pode ser útil para recém-nascidos com icterícia. “Acreditamos que haverá um salto de qualidade no tratamento e queremos contribuir para que nenhuma criança no mundo tenha sequelas. Se a fototerapia não for adequada, a molécula tóxica bilirrubina, que deve ser eliminada pelo organismo, impregna no sistema nervoso central e causa cegueira, surdez e até paralisia cerebral. Isso é irreversível”, alerta a química industrial Giovana Ribeiro Ferreira, pós-doutoranda em física de materiais. De acordo com a pesquisadora, o tratamento não é controlado adequadamente porque os profissionais de saúde não conseguem medir a quantidade de luz azul a ser recebida.

O selo passa do vermelho ao verde, para mostrar que o tratamento da icterícia foi realizado corretamente. Quando não muda de cor em duas horas, indica que o recém-nascido não recebeu a quantidade de radiação adequada. “Preferimos calibrar a alteração em pouco tempo, para que seja possível ajustar o tratamento mais rapidamente”, justifica Giovana. Recomenda-se que o adesivo seja colado na fralda, mas não há problema em ter contato com a pele do bebê. A aluna da Ufop esclarece que a concentração maior no Neosticker é do polímero convencional, encontrado em copos descartáveis e garrafas de água, por exemplo, objetos que já estamos acostumados a manusear. Já foram realizados testes em laboratório e com recém-nascidos de um hospital no Sul de Minas. A próxima etapa é registrar o produto na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

De acordo com o coordenador do Lappem, Rodrigo Bianchi, a proposta é trabalhar com materiais orgânicos que mudam de cor, para diversas aplicações. “Os grandes laboratórios tentam inibir os processos de degradação. O que queremos é controlá-los”, resume o físico, que há 12 anos começou a estudar os polímeros luminescentes. 

Está em desenvolvimento um sensor para medir a radiação em alimentos. Muito usada em países da Ásia e África, onde não há sistema de refrigeração, a técnica inibe brotação e mata bactérias, aumentando o tempo de prateleira do produto. O selo pode servir tanto para o controle da indústria alimentícia quanto para o consumidor saber que a quantidade de radiação está adequada.