domingo, 28 de outubro de 2012

JOSÉ SIMÃO



Ueba! Quero Limusine Única!

Acorda! Acorda pra cuspir! Na urna! É hoje! UFA! Como grita o Galvão: "CABÔÔÔ! EEERGUE OS BRAÇOS!"

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!
Acorda! Acorda pra cuspir! Na urna! É hoje! UFA! Como grita o Galvão: "CABÔÔÔ! EEERGUE OS BRAÇOS!". Essa campanha foi mais comprida que o Carnaval na Bahia!
E o clima tá meio aquele filme "Crepúsculo": o Serra Vampiro e o Haddad, aquele galã que vira lobisomem! Apuração no Hopi Hari.
Noite do Terror! Se o Serra ganhar, não vai ter mais sol em São Paulo. Só noite! E se o Haddad ganhar, a gente ganha mais três prefeitos: Lula, Dilma, Marta. Voto combo: pipoca, Coca-Cola e dor de barriga! E o Serra virou um caixão sem alça!
E mais uma semana de campanha no Brasil ia ter ônibus grátis. Bilhete Eterno! E não tem Limusine Única? Eu quero votar de Limusine! A Limusine te pega na porta de casa e te deixa na porta da zona!
E eu já ensinei como votar no micro-ondas cívico. Se quiser Serra, aperta desencapetar. Porque ele virou evangélico. Se quiser Haddad, aperta descongelar. Porque ele é comida congelada! E faltam três teclas: "Filho duma quenga". "Elvis não morreu" e "F@D*-#&!".
E atenção! Piadas Prontas da semana: "Primeiro time do Garrincha, Pau Grande atrai gringos". Imagina na Copa! Rarará! "Japonês vence leilão de virgindade da brasileira". Vai continuar virgem. E leiloar de novo. Mas ela é fofa: vai doar a grana pra casas populares. Minha Xana, Minha Vida! Rarará!
E o mensonão? O mensalame! O Joaquim Barbosa comeu o salame inteiro! E a pena do Marcos Velório? Dois séculos e meio! Ele vai começar a cumprir a pena no Brasil e vai terminar de cumprir a pena em Umbral, aquela cidade espírita do filme "Nosso Lar". E Zé Dirceu foi indiciado por formação de quadrilha. E o Sarney por formação de família! E os tiozinhos já tão até corcundas. Os morcegos corcundas! E a Globo vai fazer uma minissérie do mensalão!
E eu insisto que o Marcos Velório é inocente. Mineiro não distribui dinheiro. Nem dos outros. E o Kassab devia ganha o Nobel de Química: transformou a cidade num cocô! Rarará! É mole? É mole, mas sobe!
E o Haddad com aquela cara de galã indiano devia ser prefeito de Bollywood! E o Serra Vampiro com Cólica devia ser prefeito da Transilvânia! E num guento mais o Lula gritando com aquela voz de Pato Donald: "Tucanos! Tucanos!".
E o Serra já concorreu a mais eleições que o Michel Teló cantou "Ai, se Eu te Pego!". UFA! Tamo livre! Agora só quero saber do Obama! Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
simao@uol.com.br
@jose_simao

FERREIRA GULLAR


"Avenida Brasil"
Pretenderia o autor nos convencer de que quem não se torna bandido é babaca? Seria uma péssima lição

Faz muitos anos que uma novela de televisão não desperta tanto interesse do público noveleiro quanto esta "Avenida Brasil", cujo derradeiro capítulo foi ao ar na noite de sexta-feira, 19 deste mês.
De fato, a novela conquistou não apenas os aficionados do gênero, como muito mais gente, até mesmo quem nunca assiste a novelas. A coisa chegou a tal ponto que, segundo foi noticiado, a presidente Dilma determinou o adiamento do comício pela eleição de Haddad, em São Paulo, que deveria realizar-se na noite daquela sexta-feira, temendo que não fosse quase ninguém.
Outro indício, jamais registrado antes, desse interesse pela novela de João Emanuel Carneiro foi o pique de consumo de energia elétrica, logo após a exibição dos capítulos finais. É que o pessoal deixava de fazer qualquer coisa -desde cozinhar até tomar banho ou ligar o computador- para só fazê-lo após o fim do capítulo. A novela interrompia o curso da vida. Isso foi o que ouvi de um repórter
de televisão.
Qual a razão de tanto sucesso, admito não saber ao certo. Imagino muitas explicações mas, se arrisco uma delas, diria que é o tipo de dramaturgia adotado pelo autor. Uma das características do gênero é a morosidade da ação dramática, que resulta numa série de outras consequências.
A razão disso é que a novela tem que durar meses, o que obriga a um número fantástico de capítulos -esta, de que falamos aqui, teve nada menos que 179, transmitidos durante sete meses.
Defendo a tese de que toda dramaturgia não dura mais que uma hora e meia a duas horas. Essa é a duração de quase todos os filmes e peças teatrais. Não existe dramaturgia para durar sete meses.
Em função disso, os nossos telenovelistas são obrigados a criar histórias paralelas, que se mesclam à história principal, tudo com o propósito de fazer com que a novela dure tanto. Isso, como já disse, faz com que a ação dramática se torne prolixa e lenta.
Essa lentidão não houve na "Avenida Brasil". Pelo contrário, nela, a ação dramática era sempre intensa, e isso se deveu ao fato de que, a cada capítulo, inesperados conflitos surgiam envolvendo os diferentes núcleos e os muitos personagens.
O preço pago pelo autor, por lançar mão de tais recursos, foi a implausibilidade de certas situações e a incoerência de atitude dos personagens, mas que João Emanuel, com sua competência, conseguiu muitas vezes superar, ganhando pelo menos a tolerância do telespectador.
É certo que, apesar dessa originalidade, em comparação com a forma dramatúrgica comumente adotada nas telenovelas, João Emanuel também se valeu de um recurso usado por todos os teledramaturgos desde o sucesso obtido pela vilã Odete Roitman (1988). Não por acaso, a execrável Carminha se tornou a principal agente da ação dramática de "Avenida Brasil".
Neste ponto, esta novela só difere das demais pelo grau de vilania e crueldade que atribuiu à personagem. Aliás, nisto, ela é quase imbatível, já que quase todos os personagens são de uma sordidez sem limites. Com a agravante de que os que escapam disso -que não matam, não traem, não subornam nem se deixam subornar- são idiotas ou tolos, como Tufão, marido de Carminha, o corno manso por excelência.
Para minha surpresa, ouvi num debate de televisão que o êxito de "Avenida Brasil" se deve ao fato de ser ela o retrato verdadeiro da nossa sociedade. Se isso é correto, moro em outro país sem o saber, já que as pessoas com quem convivo e as famílias que conheci ao longo de minha vida -e bota vida nisso- nem de longe se parecem com os personagens criados por nosso brilhante teledramaturgo.
Certamente li nos jornais e ouvi contarem histórias escabrosas, implicando traições, homicídios e falcatruas, mas nunca na escala em que nos mostrou a novela, onde todo mundo é bandido ou babaca. Pretenderia o autor nos convencer de que quem não se torna bandido é babaca? Seria uma péssima lição.
Mas não se trata disso. Novela é ficção, não é a realidade, nem poderia ser. Como se sabe, a arte existe porque a vida não basta. E os bons sentimentos não dão boa dramaturgia. Haja vista o último capítulo da novela.

MÔNICA BERGAMO




monica.bergamo@grupofolha.com.br
Simon Plestenjak/Folhapress
Fernando Calvache prova com o estilista João Pimenta o saiote usado no casamento
Fernando Calvache prova com o estilista João Pimenta o saiote usado no casamento

Vestido de noivo

Terno branco, paletó com saia ou tradicional com forro cor de rosa; alfaiates dizem que os homens estão subindo mais modernos ao altar

A designer Rita Teixeira de Carvalho, 29, se casou com um homem vestindo saia. Na hora de dizer sim a Fernando Calvache, 29, em 1º de setembro, ele usava um terno com saiote plissado acoplado. "Parecia um kilt [saia escocesa masculina]", define ele.
O terno e saia foi projetado pelo estilista João Pimenta, que desfila na SPFW nesta terça e decidiu calcar seu trabalho no filão de noivos que querem fugir do trivial.
Os novos noivos ousados não são poucos, dizem alfaiates ouvidos pelo repórter Chico Felitti. O guarda-roupa do homem no altar se resumia antes a terno (paletó mais colete e calça), costume (paletó e calça, sem colete), smoking e um ou outro fraque (jaqueta com uma cauda mais longa na parte de trás). Hoje está bem mais variado.
Por conta da procura, Pimenta fechou a loja que tinha na Vila Madalena há três meses e abriu um ateliê em Pinheiros, focado em casamento. Lá, smoking ou terno de corte reto são proibidos. As combinações, a partir de
R$ 1.500, são todas mais rentes ao corpo. Algumas delas têm variações, como a saia do publicitário Calvache.
O medo do casal era causar choque entre o vestido tradicional, usado pela mãe da noiva 30 anos atrás, e a tendência contemporânea do companheiro. O que aconteceu um pouco durante a celebração, em Minas Gerais. "Vários tios meus falaram: 'Que negócio é esse?'. Eu respondia: 'Eu sou jovem, eu sou moderno'", diz Calvache.
Ricardo Almeida, alfaiate do ex-presidente Lula e de abonados brasileiros, também percebeu modernização nos dois últimos anos. "Aumentou o número de ternos claros que me encomendam."
Alguns clientes, como o ator Paulo Vilhena, que se casou em Fernando de Noronha no fim do ano passado, mimetizam a cor da noiva e se casam de branco. "Era tabu. Agora, está ficando mais normal. Mas só recomendo para casamento de dia."
O administrador Márcio Lotonni pagou mais de
R$ 4.000 para sair do ateliê de Almeida com um conjunto de paletó e calça brancos. "Me senti acompanhando a minha mulher nesse momento, os dois vestindo a mesma cor. Valeu, mas acho que não vou conseguir usar de novo, em outras ocasiões."
O alfaiate Alexandre Won fez recentemente terno para um noivo que pediu para se vestir de caipira: calça curta e paletó quadriculado, justinho, e multicolorido. Won cobra a partir de R$ 2.800 pelo serviço, com direito a três provas de roupa e a conversas sem fim com o cliente.
Há quem queira mudar, mas em dose homeopática. André Wakimoto, 34, é advogado e usa terno todos os dias. Até por isso, decidiu usar um modelito diferente, "mas não muito", para se unir à consultora de moda Natasha Kunert, 33, em setembro. "O tecido, italiano, era cinza com um pouco de brilho. Mas não muito."
A cerimônia dele foi à tarde, em uma fazenda em Itatiba (interior de SP). "Achei que poderia ousar mais."
Ousou, mas os toques de mais modernidade ficaram ocultos. Ou quase: o forro do paletó era rosa. E a camisa tinha seu monograma (as letras AW) bordadas no punho -estilo aposentado que agora está sendo revivido.
"Se dependesse do Alexandre, acho que teríamos feito mais detalhes diferentes. Mas eu queria preservar um pouco", diz o noivo. Ficaram num caminho do meio entre tradição e inovação.
Wakimoto diz que o dinheiro que gastou com a roupa compraria três "bons ternos". "Mas é uma peça para usar em ocasiões especiais, ao contrário do vestido da noiva, que não dá para repetir." Um mês depois, ele usou a camisa para ir trabalhar.
É fugir da roupa cotidiana que alguns desejam. Só que poucos arriscam usar uma saia. "Ninguém quer nada 'extravagantésimo'", explica o alfaiate Pimenta. A maioria procura blazers e calças que "contornem os braços e delimitem a cintura".
A escolha é um momento complicado também para eles. "Os noivos precisam de aconselhamento", diz o alfaiate João Camargo. "A cerimônia é uma cena de virilidade. E, com a noiva ali, no altar, eles podem ir além."
E mesmo os profissionais modernosos têm limite. "O terno não pode ser vaporoso nem transparente", diz Pimenta. "Não faço fraque. Acho brega. O noivo fica com cara de roupa alugada, de mofo!", diz Alexandre Won.
O alfaiate João Camargo aposta no público que retorna aos velhos tempos, até do fraque -o que seria também uma novidade. "É cíclico. Hoje, casar como antigamente é moderno."
Camargo, à frente do ateliê que leva seu sobrenome, abrirá em 15 dias dois espaços em que venderá opções "fashion" a partir de R$ 1.500. Seus ternos normais custam mais de R$ 4.000.
"Eles ficam mais vaidosos quando estão com a data marcada", diz Camargo. Para isso, ele já aconselhou futuros maridos a praticar jiu-jítsu, como forma de "evitar a barriga de matrimônio".
A parte mais delicada é mesmo o trato com as noivas. "São elas que trazem eles para cá", diz Camargo. "A noiva sempre dá o OK antes", confirma Won. "Porque, afinal, a mulher tem que gostar", pondera Ricardo Almeida. "São elas que trazem os clientes, elas fazem o controle de qualidade. Morrem de medo que eles não fiquem masculinos" diz Pimenta.
A consultora de moda Costanza Pascolato não vê motivo para tanta mudança. "É bobagem! O noivo precisa ser a âncora do casamento." É do cavalheiro a obrigação de manter sobriedade na festa, defende ela. A noiva é que pode ousar. "E elas ousam." Às vezes, até demais. "Usam tomara que caia e outras roupas com as quais nem deveriam entrar numa igreja."
Fernando Calvache, o noivo da saia, diz que o arrojo valeu a pena. Durante o piquenique que se seguiu à cerimônia, vários convidados pediram o saiote para experimentar. A peça acabou perdida antes que a festa terminasse. "Eu ainda acho ele."
"Não faço fraque. Acho brega. O noivo fica com cara de roupa alugada, de mofo! A noiva sempre dá OK antes na roupa do marido"
ALEXANDRE WON, ALFAIATE
"O fraque vai voltar com tudo, porque é muito elegante. É cíclico. Hoje, casar como antigamente é moderno"
"São as noivas que trazem eles pra cá"
JOÃO CAMARGO, ALFAIATE
"O noivo precisa ser a âncora do casamento"
"As noivas já ousam demais, usam tomara que caia e outras roupas com as quais nem deveriam entrar numa igreja"
COSTANZA PASCOLATO, consultora de moda

Zizek analisa discurso do cinema em documentário


36ª MOSTRA DE SP Filósofo disseca filmes em 'O Guia Pervertido da Ideologia'

Longa traz percepções do esloveno ao aplicar suas teorias sociais para interpretar signos por trás de clássicos
Fotos Divulgação
O filósofo, escritor e crítico político esloveno Slavoj Zizek
O filósofo, escritor e crítico político esloveno Slavoj Zizek


VIVIAN WHITEMAN
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Se você tiver de escolher apenas um filme para ver na Mostra de Cinema de São Paulo, veja "O Guia Pervertido da Ideologia". Se tiver de ler apenas um livro até 2013, que seja "O Ano em que Sonhamos Perigosamente" (Boitempo, R$ 32, 144 págs.)
Os dois têm algo em comum: reúnem pensamentos e teorias do esloveno Slavoj Zizek, um dos filósofos mais importantes da atualidade.
No livro, ele analisa e esclarece o que muitos acadêmicos não conseguiram destrinchar sobre a Primavera Árabe, o movimento Occupy, os "riots" em Londres e os protestos na Grécia.
"O Nobel da Paz ter ido para a União Europeia é uma piada, mas também pode ser visto como um voto para uma ressurreição política da região", diz Zizek.
O livro caracteriza os distúrbios ingleses de 2011 não como ação de vândalos, mas como um "carnaval de destruição consumista", no qual os excluídos da sociedade tomaram objetos de desejo como tênis e relógios de grife.
Em meio a teses que misturam política e psicanálise, há citações a filmes como "Coriolano" e uma análise da série de TV "The Wire".
Esse tipo de análise é o foco de"O Guia Pervertido da Ideologia", no qual Zizek aplica suas teorias para analisar sucessos do cinema.
A diretora, Sophie Fiennes (irmã do ator Ralph Fiennes), recria cenários de "Taxi Driver", "Laranja Mecânica" e "Titanic", de modo que Zizek apareça "dentro" dos filmes.
E não é preciso concordar com as conclusões do filósofo, mas o fato é que ele dá as coordenadas para que a visão do espectador vá além do roteiro e alcance o que ele chama de discurso da ideologia, mudando totalmente a experiência de ver um filme.
"Se quisermos entender como a ideologia funciona hoje, devemos aprender a 'ler' os blockbusters de Hollywood ou fenômenos de massa como o Gangnam Style", diz Zizek, antes de destrinchar seus argumentos.
"Você pode ver uma imagem centenas de vezes, compartilhá-la, mas não precisa se envolver a ponto de levá-la a sério. É assim que muitos de nós tratam a política e a religião, como algo de que nos aproximamos, mas em que não acreditamos de fato."
É com a mesma seriedade que Zizek vai dizer que a desgraça de "Titanic" seria o desembarque feliz do casal, já que a mocinha esclarecida é na verdade um exemplo de como a classe burguesa procura na classe trabalhadora uma fonte de vitalidade.
A primeira incursão de Zizek nas telas, "O Guia Pervertido do Cinema" (2006), que segue os mesmos moldes e tem uma análise brilhante de "Os Pássaros", com o filósofo na famosa cena do barquinho, também está na mostra. Mas é mais fácil de ser encontrado, inclusive no YouTube, o que faz valer a pena ir atrás do título novo.
Zizek, que é fã de novelas e assistiu à "Escrava Isaura", sucesso na Eslovênia nos anos 1980, admite que nunca viu nenhum de seus filmes.
"A ideia de confrontar minha imagem na tela é totalmente traumática. Fico horrorizado só de pensar".
O GUIA PERVERTIDO DA IDEOLOGIA
QUANDO hoje, às 14h, no MIS; mais sessões em mostra.org
CLASSIFICAÇÃO livre