quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Sequência de erros - Rogério Gentile


ROGÉRIO GENTILE
Sequência de erros
SÃO PAULO - A crise na segurança pública de São Paulo já é comparável à de 2006 (quando a facção criminosa PCC promoveu três ondas de ataques no Estado), mas, mesmo assim, o governo Geraldo Alckmin continua a cometer um erro atrás de outro na condução do problema.
O primeiro foi subestimar a quadrilha, inebriado pelo sucesso obtido na redução dos casos de homicídios dos últimos anos. "O que eles têm são 30, 40 pessoas que controlam o tráfico em larga escala", disse mais de uma vez o secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto. Pois esse "grupelho" promoveu uma verdadeira matança de policiais militares neste ano. Desde janeiro, 94 PMs foram assassinados, quase o dobro de 2011 (51) e um pouco menos do que em 2006 (104).
Alckmin também demorou muito para agir, temendo prejudicar a campanha eleitoral de José Serra a prefeito. Esperou o fechamento das urnas para realizar uma operação em Paraisópolis, local onde foi tramada a morte de vários policiais. O detalhe é que o governo de São Paulo já sabia do envolvimento de criminosos dessa favela nos assassinatos desde pelo menos o mês de agosto, quando a Polícia Federal prendeu um deles em Santa Catarina.
Só depois da eleição, também, o governador resolveu montar ações em conjunto com o governo federal. E, ainda assim, cometeu a imprudência de mandar um dos chefes da quadrilha para uma penitenciária em Rondônia.
No passado, medidas como essa ajudaram a organização criminosa a se estabelecer em outras regiões do país, como várias autoridades já reconheceram. Hoje, estima-se que o PCC atue em pelo menos 15 Estados, além de São Paulo.
Minimizando o problema e demorando a tomar providências, o governo paulista perdeu controle sobre uma parte da Polícia Militar, que partiu para um contra-ataque fora da lei, matando quem vê pela frente, criminoso ou não.

    'PIB sonolento' [Editorial Folha SP]


    PIB sonolento
    Passada a letargia do primeiro semestre, parece confirmar-se o prognóstico de lenta recuperação do PIB neste final de ano, até o ritmo de 3,5% anualizados, que, espera-se, poderá se manter em 2013.
    Os dados da indústria e das vendas no varejo apontam melhora desde o terceiro trimestre, sobretudo no setor de automóveis.
    Seria um erro, porém, considerar o dinamismo setorial um indicativo forte do restante da economia. Um fator importante para o crescimento anda fraco: o crédito ao consumidor está estagnado, e a capacidade de endividamento das famílias parece chegar ao fim.
    Os estímulos ao consumo, úteis como medida pontual para sustar a desaceleração, não têm, contudo, restaurado o funcionamento da máquina produtiva. As evidências indicam que, agora, o gargalo está na capacidade de produção.
    Custos crescentes dificultam o investimento privado. A inflação salarial de 10% ao ano, fruto de um mercado de trabalho apertado, está bastante acima dos ganhos de produtividade e explica em parte o decepcionante desempenho da indústria. A produção de bens de capital teve queda de 12,4% de janeiro a setembro deste ano, na comparação com 2011.
    Os indicadores de confiança empresarial até têm melhorado, mas nada muito animador. Sem a retomada forte do investimento, dificilmente o PIB superará, de forma sustentável, os 3,5% esperados.
    A combinação de escassez de mão de obra e consumo pressionado resulta em mais inflação. Não há perda de controle, mas um crescimento do PIB de 2% ao ano (média de 2011 e 2012) e uma inflação de 6% começam a compor o cenário mais temido: a economia patina, mas os preços sobem.
    No curto prazo, a queda recente dos preços agrícolas e a expectativa de redução nas tarifas de eletricidade permitem projetar inflação na marca de 5,5% ao ano.
    Não se pode descartar, porém, uma escalada para cerca de 6,5%, teto da meta de inflação. Se isso ocorrer, com o PIB em 3,5%, o governo terá mais dificuldade para manter a economia em ordem.
    A melhor forma de minimizar tal risco é insistir em medidas que reduzam os custos e aumentem a produtividade. O governo dá sinais de que atenta para esses imperativos, ao reduzir preços de energia e desonerar a folha de pagamento em alguns setores, mas os resultados ainda tardarão. O clima não melhorará tão cedo a ponto de despertar o espírito animal dos empresários da hibernação.

      Prisões desumanas


      Prisões desumanas
      Ministro da Justiça está certo ao denunciar as péssimas condições das penitenciárias, mas só palavras não serão capazes de transformá-las
      O estadista se diferencia do político comum, entre outras virtudes, por saber discernir a verdade da mentira e, mais ainda, o momento certo de pronunciar a primeira -ou, então, de se calar.
      Mesmo quando não mente, erra de forma grave ao falar verdades na hora errada e de modo irrefletido, com fez o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo (PT).
      O deslize foi cometido perante três centenas de empresários, em São Paulo, em resposta do ministro sobre a pena de morte. "Se fosse para cumprir muitos anos em uma prisão, em algumas prisões nossas, eu preferiria morrer."
      O ministro qualificou penitenciárias como medievais. Elas não possibilitariam "aquilo que é mais importante numa ação penal, que é a reinserção social daquele que foi colocado na situação de privação da sua liberdade".
      Cardozo tem razão, ao menos em parte. Em dezembro do ano passado, o país contava uma população carcerária de quase 515 mil pessoas (aí incluídos 43,3 mil em delegacias e 18,7 mil em regime aberto). Como a capacidade total não chegava a 307 mil, pode-se dizer que a superpopulação era da ordem de 70%, ou 1,7 custodiado por vaga.
      Pior, desse total, somente 109,4 mil (23%) têm algum tipo de trabalho, interno ou externo, referido eufemisticamente como "laborterapia". Em linguagem clara, a maioria é de presos empilhados e desocupados em prisões caóticas e desumanas, disponíveis para recrutamento pelo crime organizado.
      Cardozo teve ao menos o cuidado de não falar em recuperação, a platitude preferida de uma visão romântica das prisões, que na realidade não passam de instalações de segurança para manter indivíduos perigosos afastados do meio social. No mais, conseguiu soar incrivelmente inoportuno.
      A primeira associação óbvia é com a pena de prisão em regime fechado imposta pelo Supremo Tribunal Federal, um dia antes, ao correligionário José Dirceu, por chefiar o esquema do mensalão.
      Um desavisado poderia concluir que o ministro se sentiu compelido a denunciar a desumanidade dos cárceres apenas porque alguns próceres do PT estão mais próximos deles -hipótese que reduziria o ministro a um militante tacanho.
      Bem pior foi ouvir verdade tão incômoda de um ministro de Estado, e logo da Justiça, como se não tivesse nada a ver com isso. Ora, seu partido se encontra há quase uma década no governo federal.
      A própria gestão de Cardozo, já no governo Dilma Rousseff, também claudica na matéria. Sua pasta tinha R$ 312,4 milhões para melhorar penitenciárias em 2012, mas usou só um quinto dessa verba.
      Seria melhor se o ministro falasse menos e fizesse mais a respeito das masmorras brasileiras.

        "Simplicidade É a Sofisticação Máxima". - Mônica Bergamo


        MÔNICA BERGAMO
        Adriano Vizoni/Folhapress
        TRIO
        Antônio Brunet (à esq.), Cida Moreira e Cacá Rosset apresentam o show 'Ornitorrinco Canta Brech e Weill', amanhã, na Casa de Francisca
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        VELA APAGADA
        Réus do mensalão já se preparam para passar o Natal na cadeia. Acreditam que o STF (Supremo Tribunal Federal) pode acatar pedido do Ministério Público e determinar a prisão dos condenados.
        VELA 2
        Advogados dos acusados já disseram a alguns deles que o STF pode fatiar a publicação dos acórdãos, com os textos finais das decisões, a exemplo do que fez com o próprio julgamento.
        DIVISÃO
        Nem todos os ministros do Supremo concordam com a ideia de prisão imediata dos réus. Preferem esperar a finalização do julgamento, com a determinação da pena de todos os envolvidos no escândalo.
        LENÇO
        José Dirceu "repreende" amigos e familiares que ligam para ele chorando por causa da perspectiva próxima de sua prisão. Diz que estabelecerá uma rotina na cela, fazendo exercícios e estudando, e que está preparado para o pior.
        ALUGUEL
        As obras da reforma do Morumbi podem começar em janeiro. O estádio continuaria funcionando. Eventual fechamento é previsto para abril ou maio de 2013.
        ALUGUEL 2
        Com o fechamento temporário da arena tricolor, o São Paulo passaria a jogar no Morumbi ou em Barueri. O impedimento causado pelas obras deve durar seis meses.
        REALITY SHOW
        Chitãozinho e Xororó vão fazer show para os 14 mil operários da Usina Santo Antônio, em Porto Velho (RO), na próxima segunda. A apresentação faz parte do programa Trabalho Seguro do Tribunal Superior do Trabalho, que já percorreu dez estádios em obras para a Copa do Mundo de 2014. A cada dia, sete brasileiros morrem enquanto exercem sua atividade profissional.
        FUMAÇA LIVRE
        Convidado pela Associação Chinesa para o Controle do Tabaco, Luiz Antonio Marrey, ex-secretário na gestão Serra-Goldman, foi à China falar sobre a Lei Antifumo. Deu palestra no domingo em Nanquim para 70 membros do governo chinês.
        MEGAPRODUÇÃO
        Vice-presidente da RedeTV!, Marcelo de Carvalho participa ativamente da produção do "Luciana by Night". Para garantir a presença de Val Marchiori, ex-"Mulheres Ricas", no programa apresentado por sua mulher, Luciana Gimenez, ele ligou para a convidada e para a direção da Record.
        VOU DE HELICÓPTERO
        Depois de gravar, Val ganhou um mimo: carona no helicóptero de Marcelo para passar o feriado em Angra.
        'PLESENTE' DE NATAL
        A Turma da Mônica fará o show "A Fábrica de Brinquedos do Papai Noel" no auditório Ibirapuera. Nos dias 6, 7 e 8 de dezembro.
        AVE CAFEINADA
        A empresa finlandesa Paulig lançou na Europa o café dos Angry Birds. Os grãos são originários do Brasil.
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        FESTA NO TRÍPLEX
        O estilista Amir Slama, fundador da grife Rosa Chá, comemorou seu aniversário na casa da marchande Jacqueline Shor, anteontem. Foram aos Jardins dar os parabéns a arquiteta Raquel Silveira, a atriz Gabriela Duarte e Mario Bolzan.
        ENTRE VISTAS
        A atriz Zezé Polessa foi conferir a estreia da peça "A Entrevista" na segunda. Herson Capri e Priscila Fantin protagonizam a montagem, em cartaz no teatro Vivo.
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        CURTO-CIRCUITO
        O SPA Lapinha completa 40 anos neste fim de semana e promove a mesa de debate "Simplicidade É a Sofisticação Máxima".
        O Iate Clube de Santos realiza hoje seu primeiro passeio náutico.
        A loja Artecristallo firmou parceria com a italiana Firme di Vetro.
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