sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Melhor do dia

FOLHA DE SÃO PAULO

Atrações variadas falam hoje do fim do mundo
Programas humorísticos, seriados e "talk shows" abordam o tema do apocalipse
DE SÃO PAULONaquele que -segundo o calendário maia- pode ser o último dia mundo, a programação da televisão está cheia de atrações com a temática do apocalipse.
Fernanda Young entrevista a atriz Deborah Secco no último episódio desta temporada de "Confissões do Apocalipse" -criado com o mote de arrancar confissões que famosos só fariam se o mundo estivesse acabando.
O "Casseta & Planeta Vai Fundo" também se dedica à brincadeira. Os humoristas interpretam sugestões do que fazer no último dia de vida e mostram como o Godzilla ajuda a destruir o Japão.
O canal THC, por sua vez, aposta nas séries e exibe três episódios de "A Chegada do Apocalipse". Em um dos capítulos, o programa apresenta cinco profetas que previram o fim do mundo.
Na Mix TV, os apresentadores Rafa Brites e Gustavo Braun tratam do assunto com humor.

    "Globo News Literatura" se dedica a obras voltadas a público infantil
    Globo News, 21h30, classificação não informada. O "Globo News Literatura"desta semana se dedica à literatura infantojuvenil. Essa edição do programa presta homenagem aos 150 anos do livro "Alice no País das Maravilhas", escrito pelo britânico Lewis Carroll (1832-98), e aos 200 anos da primeira publicação de contos dos irmãos Grimm.
    Para tratar do tema, o apresentador Edney Silvestre conversa com a professora Eliana Yunes, da PUC do Rio, especialista em literatura infantil.
    Yunes fala do poder que os livros têm de envolver as crianças de diferentes gerações. São abordadas também algumas curiosidades sobre histórias famosas escritas para o público infantil.
    TNT exibe desfile da grife Victoria's Secret
    TNT, 22h, classificação não informada. O canal apresenta o "Victoria's Secret Fashion Show", desfile de moda realizado em Nova York que reúne algumas das modelos mais famosas do mundo.
    Vencedor de três Oscar, "Crash" vai ao ar hoje
    TC Touch, 14h05, 14 anos. O longa "Crash - No Limite", de Paul Haggis -que tem Sandra Bullock e Matt Dillon no elenco-, venceu três prêmios no Oscar de 2006, incluindo os de roteiro original e filme.

      CRÍTICA
      Longa israelense "Barreiras"faz uma crítica à política do país
      DO CRÍTICO DA FOLHA
      Yoav Shamir, o diretor de "Barreiras" (Cultura, 0h, 14 anos), recebeu uma boa pilha de prêmios, de Amsterdã a San Francisco, por esse trabalho em que documenta não só a existência como os efeitos das barreiras controladas por militares israelenses nos territórios palestinos ocupados.
      A vida cotidiana é afetada a tal ponto que crianças têm dificuldade para sair de sua aldeia e ir a uma outra, onde fica a escola. Sem falar nos doentes etc. Embora crítico da política de Israel, convém esclarecer que se trata de um filme israelense.
      Já que estamos em clima de ocupação, talvez seja o caso de deter-se em "O Último Metrô" (TC Cult, 15h35, 12 anos), em que a Paris ocupada pelos alemães ressurge num dos últimos filmes do diretor François Truffaut.

      Mônica Bergamo


      DE VOLTA ÀS AULAS
      O deputado João Paulo Cunha (PT-SP), condenado no julgamento do mensalão, está fazendo teste para ser admitido em uma faculdade de direito. Ele pretende fazer o curso à distância, já que cumprirá pelo menos um ano e seis meses de prisão em regime fechado.
      LEITURA
      Cunha já estudou três anos de direito numa faculdade em Osasco, mas trancou matrícula há alguns anos. Teria ainda que cursar mais dois anos para se formar. Agora, faz testes em instituições de São Paulo e de Brasília. Ele pretende também prestar vestibular para outra área: filosofia ou literatura.
      LEITURA 2
      Já prevendo que passará longo período preso, ele também está escrevendo um romance autobiográfico. E revisa o livro que um amigo está escrevendo sobre sua vida.
      MANHÃ
      Ainda na expectativa de ser preso, José Dirceu passou a manhã de ontem na casa da ex-mulher, Ângela Saragoça. A mãe dela morreu, e ele estava ajudando a organizar o velório. Pretendia ir ao enterro da ex-sogra hoje.
      ARIGATÔ
      O ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Sousa, o Paulo Preto, tido como o "homem bomba do PSDB", viajou ao Japão para ver o Corinthians conquistar o bicampeonato mundial, no domingo.
      O MUNDO NÃO MORREU
      Se o fim não chegar hoje, o clube A Hebraica fará festa de Ano-Novo com o tema "E o Mundo não Acabou!". Helvis, cover de Elvis Presley, se apresenta no evento.
      APOCALIPSE NOW?
      E fiéis do Movimento Salvai Almas não apostam mais no fim do mundo hoje. Tanto é que o grupo de leigos católicos até agendou para 19 de janeiro um encontro em Porto Belo (SC) com a presença de Cláudio Heckert, 65. O "profeta", como se autodenomina, dizia ter recebido mensagens de Nossa Senhora sobre a "grande tribulação" até o Natal deste ano.
      PERU DE VÉSPERA
      O maquiador Marcos Costa recebeu convidados como o estilista Lino Villaventura para peru de Natal em sua casa, nos Jardins. Norma Haddad, mãe do prefeito eleito, Fernando Haddad, foi convidada. As modelos Larissa Portolani, Patrícia Werle e Mariana Mendonça também foram ao jantar.
      FORÇA COLETIVA
      A exposição "Filtro + Cartel", com trabalhos de 17 artistas, foi inaugurada na Cartel 011. Os sócios da galeria Filtro, Rodrigo Rivellino e Alessandra Marder, receberam convidados como a DJ Mariana Mats.
      SEXY NA REDE
      Eduardo Knapp/Folhapress
      Sócia da produtora Mocho, Luciana Vendramini vai produzir um programa de sexo na TV previsto para ir ao ar em 2013. Em parceria com o jornalista João Luiz Vieira, a atriz acaba de lançar o site Pau Pra Qualquer Obra (paupraqualquerobra.com.br), embrião de projeto multimídia.
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      "Já gravamos um piloto do programa e estamos em negociação com um canal a cabo", diz Luciana, 42.
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      "É um fórum para discutir relacionamento e intimidade, com entrevistas e vídeos. Tudo bem picante."
      CLUBINHO
      A aprovação do orçamento estimado da USP para 2013, de R$ 4,7 bilhões, foi contestada por membros do Conselho Universitário. O grupo dissidente diz que as diretrizes para uso da verba teriam sido decididas pelo reitor, João Grandino Rodas, e por uma comissão "ad referendum" -sem discussão prévia,
      portanto, com os cerca de 120 conselheiros.
      UM ESTILO
      O orçamento foi apresentado ao conselho na terça, na última reunião antes do recesso, quando não haveria
      tempo para discussões detalhadas. A atitude "reafirma um estilo de gestão", escreveu a colegas Adrián Pablo Fanjul, um dos representantes do colegiado.
      CONSULTA
      A Reitoria afirma que unidades e colegiados da USP (com representantes de alunos, docentes e servidores)
      são consultados para enviarem suas sugestões para o orçamento do ano seguinte. Em 2012, o prazo se estendeu de abril a junho.
      TIPO EXPORTAÇÃO
      O filme "O Som ao Redor", do pernambucano Kleber Mendonça Filho, que estreia no dia 4, já foi comprado por uma distribuidora inglesa. Deve estrear lá em abril.
      VOU SEM NORAH
      Norah Jones pode ter cancelado os shows que faria no Brasil neste mês, mas Jesse Harris, que cantaria com ela, veio ao país só. O músico americano fez apresentação não agendada no Comuna (RJ), no fim de semana.
      CURTO-CIRCUITO
      A antologia "Quem Conta um Conto", com oito textos, será lançada às 19h, no Espaço dos Parlapatões.
      Nelson Freire faz noite de autógrafo do álbum "Brasileiro - Villa-Lobos & Friends", na Livraria Cultura do Conjunto Nacional.
      A International Society for The Performing Arts premiará a Petrobras por apoiar as artes cênicas.
      A Trash 80's faz festa beneficente hoje, no clube Caravaggio. 18 anos.
      Três escolas técnicas, do Centro Paula Souza, usarão 200 horas por ano para desenvolver projetos em temas como moradia. Proposta da Unesco.

        José Simão

        Folha de São Paulo

        Ueba! Dilma veta Fim do Mundo!
        Outro lado positivo: se o mundo acabar, o Palmeiras não precisa disputar a segunda divisão!
        Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Fim do Mundo! E eu no engarrafamento! Socorro! Corram! Todos Para o Abrigo! Hoje é o Fim do Mundo. Menos pro Sarney! Só sobrarão as baratas, o Keith Richards e o Sarney! E os motoboys! Rarará! Fim do Mundo! Veta Dilma! Fim do Mundo!
        E o Itaquerão nem ficou pronto! E eu não tenho medo dos maias porque os maias já morreram. Tenho medo dos maias vivos: Marco Maia e Cesar Maia! Rarará!
        E como disse uma amiga minha: "Falta uma hora pro fim do mundo e eu ainda não sei com que roupa eu vou!". Fim do Mundo! Pense pelo lado positivo: se o mundo acabar, a Argentina acaba junto. Fim do Mundo! Outro lado positivo: se o mundo acabar, o Palmeiras não precisa disputar a segunda divisão!
        E as manchetes do Fim do Mundo! Capa da "Caras": "Xuxa espera o fim do mundo na Ilha de Caras". Capa da "Veja": "Chávez e PT envolvidos no fim do mundo". Capa da "Trip": "Fim do Mundo, uma experiência radical". E se o mundo acabar hoje, o Sarney continua vivo? Continua! Existem duas espécies que sobrevivem à hecatombe nuclear: baratas e Sarney!
        E diz que os maias marcaram o fim do mundo pra 2012 com medo da Argentina ganhar a Copa no Brasil! E pior que o fim do mundo é o fim do mês. Fim do mês é muito pior que o fim do mundo. Fim do mês é o fim do mundo em parcelas!
        Rarará!
        E a Nair Bello do Twitter: "Antes de o mundo acabar não posso me esquecer de fechar as janelas porque pode chover e molhar tudo". E uma outra gritou: "Não posso me esquecer de deixar comida pros gatos!". E outra: "Antes de o mundo acabar tenho que jogar uma calcinha no túmulo do Wando". Rarará! É mole? É mole, mas sobe!
        E Fim do Mundo é a coisa mais antiga do mundo. Tem até música da Carmen Miranda: "Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar/ Beijei na boca de quem não devia/ E o tal do mundo não se acabou".
        Esse é o perigo: anunciam o fim do mundo, bate o desespero, dá pro prédio inteiro, tem orgasmos com eco, o mundo não acaba e no dia seguinte tem que encarar o povo no elevador! Rarará! O mundo não acabou, mas TINHA que acabar! Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza!
        Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

          Michel Laub




          ilustração de hermes prado jr
          Motivos para viajar (ou não)
          Existe autenticidade possível em 30 dias de aventuras pré-programadas?
          Millôr Fernandes dizia que um homem pode admitir qualquer fraqueza, inclusive as de cunho sexual, mas jamais se declara um mau motorista. Algo semelhante acontece nesta época do ano, em meio à praga confessional de esperança e tristeza relativa à passagem do tempo: quantas pessoas falam publicamente que não gostam de viajar?
          É uma espécie de interdição, que ganhou força de algumas décadas para cá. Algo das premências bélicas e econômicas que motivaram a expansão dos impérios desde sempre, e se intensificaram a partir das navegações do século 15, desaguou na ideia da viagem como descoberta não apenas científica e social, mas também como o que modernamente se chama de autoconhecimento.
          Junte-se a isso a noção romântica -e consumista- de que se deve viver com intensidade, de que a experiência prática e sensorial é mais emocionante que a cultura livresca, e tem-se um modelo de conduta. A exemplo da felicidade, da saúde e da energia para o trabalho, sair de casa nas férias e fins de semana -e fazer o devido relato- passou a ser quase obrigatório.
          Só que há vários tipos de viagem, e nem todas gozam do mesmo prestígio. A vida nômade de um Ryan Bingham, executivo vivido por George Clooney em "Amor sem Escalas", não chega a ser um modelo simpático. Seus prazeres mesquinhos com cartões de milhagem, bagagem compacta e sushi de aeroporto, o que jamais veríamos num livro de Conrad, T.E. Lawrence ou Bruce Chatwin, não são coisas a compartilhar por aí. Menos ainda sua incapacidade, outro tabu de nossa era, de ter as também modernamente chamadas relações afetivas verdadeiras.
          Bingham está várias posições abaixo dos exilados, aventureiros e "flaneurs", mas várias acima do turista. Todo mundo parece estar acima do turista. O que é um paradoxo: enquanto o consenso público destaca seu valor no desenvolvimento (nem tão) sustentável, que distribui riqueza sem prejudicar (tanto) o meio ambiente como o agrobusiness e a indústria, ninguém esclarecido quer ser associado a essa figura -cujo modo de vida, definiu David Foster Wallace, é "se impor sobre lugares que, em todas as formas não econômicas, seriam melhores sem a sua presença".
          Num mundo uniformizado, em que quase todas as experiências são acessíveis por cartão de crédito, resta saber se estamos tão distantes desse clichê. Existe autenticidade possível em 30 dias de aventuras pré-programadas? Para viver a fantasia de pairar acima da manada, basta apenas não usar boné e meias até o joelho, trocando as fotos da Disneylândia pela praia sem eletricidade, o show de ingressos esgotados, o "restaurantezinho"?
          Clichês podem ser cristalizações de sabedoria, e nada tenho a priori contra eles. Como quase todas as pessoas, gosto de conhecer outras cidades e culturas, e sou tão turista quanto se pode ser. Apenas noto uma segunda contradição: quando tudo o que se busca é a sensação de raridade, de que nesses 30 dias viveremos longe dos padrões do resto do ano, o que talvez seja o grande prazer de viajar, reproduzimos o comportamento mais competitivo e previsível das esferas social e profissional.
          Ou seja: a cada vez que postamos fotos de paisagens, pratos, drinks e sorrisos, sugerindo que nossos dias de pausa espiritual vêm sendo tão surpreendentes e radiantes, trocamos a fruição direta da experiência, com seu risco de tédio e fracasso, por uma demonstração burocrática de status. Não há autoconhecimento sem uma dose de introspecção, angústia, decepção e acaso, e a tarefa de fazer e exibir o oposto é mais familiar ao trabalho e à autoajuda.
          Nesse sentido, e se o critério for mesmo o de originalidade, há alternativas melhores para as férias. Em seu clássico "Viagem à Roda do Meu Quarto", Xavier de Maistre mostra que "dilatar a existência" é possível tanto em terras distantes quanto sobre a própria cama -o "móvel prazeroso" onde "esquecemos durante metade da vida as tristezas da outra metade". A questão, saindo ou não de casa, com ou sem companhia, é o quanto se está disposto a isso.FOLHA DE SÃO PAULO