domingo, 20 de janeiro de 2013

José Simão


Ueba! BBBurros é pleonasmo!
Novidades: tem biblioteca na casa do "BBB"! Quando vi, quase desmaiei. Deve ser o quarto do castigo!
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Pra evitar lesões o Pato vai jogar de uniforme de plástico bolha. E em São Paulo chove tanto que não tem mais malabarista de farol, tem aqualouco. Aqualouco de farol!
E em São Paulo chove tanto que já temos um novo transporte: correnteza! "Você vai pro trabalho de que hoje?" "De correnteza." "Mas não vai se molhar?" "Não, eu vou em cima dum saco de lixo."
E o deputado Jean Wyllys afirma que 60% dos deputados contratam prostitutas. E quanto por cento são filhos delas? Rarará!
E sabe qual a diferença entre bunda, glúteos e nádegas? Quem tem bunda é funkeira, na academia é glúteos e na farmácia é nádegas. E no golfe é buraco 19! Rarará!
E janeiro é o mês dos surrealitys shows: "BBB" e "Mulheres Ricas"! Ops, Mulheres Bizarras! O que elas tomam pra ficar tão loucas? Champanhe tarja preta! Champanhe com gardenal! Aliás, essas ricas estão mais pra sidra que pra champanhe.
E porque as mulheres ricas gritam tanto? Se pobre grita, os vizinhos chamam a polícia. "Tá tendo barraco." "Corintiano." E como diz um amigo meu: "Depois de ver essas mulheres ricas, não acho mais a Suzana Vieira estranha". Eu continuo achando! Rarará!
E o Big Bagaça Brasil? Novidades: tem biblioteca na casa do "BBB"! Quando vi, quase desmaiei. Deve ser o quarto do castigo! Por isso que o Bambam saiu! E entrou outro intelectual. Prova da comida, pediram pra ele escrever "cóccix", "exceção" e "varíola". E ele: "COQUIZ, ESCEÇÃO E VARIÚLA"! Rarará!
E o humor negro de direita: a Venezuela é governada por um morto. Cuba, pelo irmão do morto. A Argentina, pela mulher do morto. A Coreia do Norte, pelo filho do morto. O Brasil, pela sucessora de um que se finge de morto. E o Maranhão por um que não morre. Rarará! The Walking Deads!
E corre na internet uma foto com a legenda: primeiro treino do Pato no Timão. Aí você abre e é a foto dum pato enfiando o bico na bolsa duma mulher. Rarará! Sacanagem! Aprendeu rápido. É mole? É mole, mas sobe!
O Brasil é Lúdico! Placa num buteco na praia de Jatobá, Sergipe: "Aviso! Não aceitamos cheques, som de mala e bebidas de fora. NÃO EXISTA". Rarará! Adorei. Trocaram o "não insista" por "não exista". Agora quando alguém vier me encher o saco, eu grito: "NÃO EXISTA"! Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

Melhor do dia na TV

FOLHA DE SÃO PAULO

CRÍTICA SÉRIE
'Girls' tem mais de 'Seinfeld' do que de 'Sex and the City'
TETÉ RIBEIROEDITORA DA “SERAFINA"Em 1994, quando Quentin Tarantino lançou "Pulp Fiction", seu segundo filme, considerou o título "O Primeiro Era Melhor", para simplificar a vida dos críticos. Ele vinha do sucesso de "Cães de Aluguel" e sabia que o mundo todo estava de olho.
Lena Dunham e "Girls" estão no mesmo momento.
A primeira temporada surpreendeu com uma protagonista toda errada.
Hannah Horvath, a aspirante a escritora desinibida e de caráter maleável, conduziu a série como parecia conduzir a vida: com saídas "over-racionalizadas" para problemas simples, e soluções simplórias para problemas complexos (depois de ver o namorado ser atropelado por sua culpa, come um pedaço de bolo diante do mar).
A segunda temporada estreia em ritmo mais lento. A história dá um salto de umas três semanas, os conflitos estão todos lá, só um pouco mais marinados. Mas, antes de estampar o título que Tarantino queria para "Pulp Fiction", espere uma semana. O segundo episódio mostra de novo o gênio de Dunham.
A novidade agora é o novo "peguete" de Hannah, um estudante negro e republicano, com quem ela fica sem contar ao ex, Adam (que ainda não sabe que é ex). Hannah mente com a mesma naturalidade com que aparece pelada.
É um erro, no entanto, comparar "Girls" com "Sex and the City". Os dois têm coisas em comum, é verdade. São quatro amigas que discutem abertamente as suas vidas, em Nova York, num seriado ultrarrealista em relação a referências da cidade (no caso atual, do Brooklyn).
Mas, ao contrário de "Girls", "Sex and the City" foi sempre um negócio. Começou com uma coluna de jornal que virou livro. Então teve os direitos comprados por um produtor de TV, que contratou uma atriz principal que também já tinha sucesso.
Nada disso vale para "Girls". Dunham está mais para Jerry Seinfeld do que para o "Sex and the City" Inc.
Seinfeld também chegou à TV como criador, roteirista, diretor e protagonista de uma série que girava em torno de um personagem baseado nele mesmo. E pegou a sitcom, que parecia fadada ao enfado nos anos 1990, e a renovou, simplesmente porque tinha um talento único.
No fundo, "Girls" gera uma boa quantidade de análises furadas por um motivo simples: o título no plural. Se o nome fosse só "Girl", diria mais a que veio.

    3 FILMES DO CINEMA INDEPENDENTE
    Homem fica paranoico com tempestade no longa 'O Abrigo'
    hoje, 21h, Max, 12 anos
    Família disfuncional parte em viagem em 'Pequena Miss Sunshine'
    hoje, 10h20, FX, 14 anos
    Jogador é retratado no filme 'Maradona by Kusturica'
    amanhã, 11h40, MGM, 14 anos


    SÉRIE
    Programa "Louca Compulsão" faz sua estreia hoje no Discovery
    DE SÃO PAULO - A série "Louca Compulsão", que estreia hoje no canal Discovery, às 20h, retrata a vida de pessoas que levam suas manias a níveis extremos. No primeiro episódio, por exemplo, é contado o caso de um casal que vive com 5.000 bonecos, que são tratados como filhos.
    A série mostra também o caso de um homem de 31 anos que se veste e se comporta como um bebê: come apenas papinhas em um cadeirão, veste macacões feitos sob medida e dorme em um berço após observar seus móbiles.


    CRÍTICA
    TC Cult espanta pasmaceira com o filme "Tio Boonmee..."
    INÁCIO ARAUJOCRÍTICO DA FOLHAO que será de "Tio Boonmee que Pode Recordar Suas Vidas Passadas" (TC Cult, 22h, livre) na TV? A audácia de exibi-lo é certa, e espanta a pasmaceira quase permanente desse canal nos últimos tempos.
    Em "Tio Boonmee" há um mundo novo que se revela. Nele, os fantasmas irrompem entre os vivos para uma boa conversa, porque não existe contradição entre esses estados.
    Assim também rompe-se a hierarquia tradicional entre homem e natureza, homem e animais.
    Convém não se fiar na ideia de que isso é um exotismo oriental. O mundo que se desenha para nós é do pós-humanismo, e é atrás dele que vai Apichatpong Weerasethakul.
    É justo estranhar os mistérios a que nos leva este filme incomum. Tolo é ignorá-los.

      Maurício Stycer

      FOLHA DE SÃO PAULO

      Nossos comerciais, por favor
      Como aproximar-se desse público consumidor on-line? A Globo se movimenta nesse terreno
      Espécie de usina criadora de músicas de sucesso, Lulu Santos mostrou que seus talentos vão além e alcançam também a televisão. Além de dominar a cena como jurado do show de talentos "The Voice Brasil", tornou pública uma interessante reflexão que os executivos do meio só costumam fazer em privado ou na mídia especializada.
      "O programa acaba revitalizando o uso da televisão porque, com a história do HD, pelo menos uma parte da população pode não assistir à programação no horário em que passa e gravar para ver depois. Aí não vê o anunciante. Por isso, para o anunciante, a televisão acabou ficando questionável", disse a Thales de Menezes, aqui na Folha.
      Lulu conclui explicando por que atrações como "The Voice", que promovem interação com o espectador, agradam tanto ao mercado publicitário: "Programa ao vivo que tem votação e solicita retorno do público tem que ser assistido na hora, para que se possa participar dele".
      A ideia de que o reality show é o último bastião da televisão tal qual a conhecemos deve ter sido ouvida por Lulu de algum diretor do programa. Mas, ainda que simplifique exageradamente a questão, expõe de fato um dilema cada vez mais atual: como manter o espectador preso diante do aparelho de TV, assistindo à programação na ordem e no horário propostos pelas emissoras?
      Já não basta, como fazia Flávio Cavalcanti no tempo da TV a lenha, estalar os dedos e pedir: "Nossos comerciais, por favor".
      Pode ser apenas coincidência, mas nesta semana, pela primeira vez, que eu me lembre, o "Big Brother Brasil" interrompeu no meio uma votação dos participantes para exibição de um bloco de publicidade. O reality show, em sua 13ª edição, está sob os cuidados da mesma equipe que produziu o "The Voice".
      O momento em que os candidatos do "BBB" votam só rivaliza, em matéria de clímax, com o anúncio da eliminação semanal. Promover uma pausa para exibição de comerciais é um recurso péssimo, do ponto de vista da dinâmica do programa, mas faz sentido sob a óptica dos anunciantes e patrocinadores.
      Menos preocupada com essas "sutilezas", a Record sempre interrompe as votações que ocorrem no seu reality, "A Fazenda", para a exibição de longos blocos comerciais.
      Além do HD, várias outras ferramentas colocam em questão, de fato, o modelo de "grade" de programação. É cada vez mais fácil ver os programas diante do computador ou no smartphone, seja comprando ou baixando arquivos piratas na internet.
      Como aproximar-se desse público consumidor on-line? A Globo está se movimentando bastante nesse terreno. Em "Cheias de Charme", exibida em 2012, um clipe musical produzido pelas protagonistas da trama "vazou" na internet antes da hora. No exato instante em que esse "vazamento" ocorria na novela, o site da emissora colocou o clipe à disposição dos espectadores. Bombou, como se diz.
      Há uma semana, o site da emissora informou que a protagonista da novela "Salve Jorge" iria dar uma surra numa das vilãs da trama e convidou o público a votar em qual golpe ela deveria usar na cena, ainda a ser gravada.
      O ridículo desta proposta mostra que ainda estamos engatinhando em matéria de interação, mas este é um caminho sem volta no esforço de reinvenção da TV.

      Mônica Bergamo

      FOLHA DE SÃO PAULO

      O 'RIÔ' DE VINCENT CASSEL
      Os atores Vincent Cassel e Monica Bellucci estão de mudança para o Rio, onde já tocam samba e querem fazer filme ambientado no Carnaval
      "Ah, você tá procurando o seu 'Casselte'?", pergunta o pipoqueiro Joaquim Santo, que passeia com seu carrinho pelas ruas da Lapa carioca. "Ele anda bastante por aqui ultimamente. É meu cliente!"
      O homem de quem Santo fala é Vincent Cassel, 46, ator francês de "Cisne Negro" que está de mudança para o Brasil com a mulher, Monica Bellucci, 48, diva italiana de filmes como "Matrix", mais as filhas, Deva, 9, e Leonie, 3.
      As estrelas são das maiores na Europa. Ele ganhou um César, o Oscar francês. Já Bellucci juntou cerca de R$ 90 milhões, segundo o jornal inglês "The Guardian", atuando e modelando para marcas como a Dolce&Gabbana, da qual é contratada.
      A dupla está na rota Brasil-Europa há meses. Foram já descobertos por paparazzi cariocas, mas evitam contato com a mídia local. Até porque se isolaram para férias em Itacaré (BA), onde já têm uma casa de praia. Voltariam ontem. Depois de quase um mês de descanso, nas próximas semanas têm de achar escola para as crianças. A rotina carioca envolve surfe, samba e projetos de filmar em solo nacional, reportam Chico Felitti e Lígia Mesquita.
      Vincent (lê-se "vançã") sonhava há tempos com a mudança, diz Heitor Dhalia, que o dirigiu no longa "À Deriva" (2009), filmado em Búzios (RJ). "Acho que levou o tempo de ele convencer a Monica a sair da Europa. O que ele queria mesmo era morar na Bahia. Mas lá não tem a estrutura de que eles precisam."
      Nem o agito do Rio, ao qual o ator pegou afeto. Nos últimos meses, Cassel anda circulando à noite pela Lapa: saiu sozinho para ver Seu Jorge na Fundição Progresso e o samba de Trio Preto + 1 no Circo Voador. Juntos, têm ido a festas nas casas de amigos.
      A atriz Maria Ribeiro, por exemplo, já os encontrou duas vezes, nas rodas de samba na casa da produtora Paula Lavigne. A simpatia deles chamou a atenção dos convidados, diz ela. "Eles participam total da bagunça e são simpáticos. E ele manda muuuito bem no pandeiro."
      Um dos sambistas que participou dos encontros toma a liberdade de discordar. "A Monica é melhor do que ele no pandeiro", diz o professor. "Ele prefere o tantã, tá aprendendo a fazer som", afirma, referindo-se a tambor fino que é tocado no colo.
      Mas a estrela nesses encontros é outra, defende Maria Ribeiro. "Acho que eles se perdem ali no meio dos músicos. Eu, como fã, passo muito mais mal com a presença do Caetano [Veloso] do que com os gringos [risos]."
      A vida no Brasil não é feita só de lazer. Cassel disse no ano passado que faria um filme passado no Carnaval carioca. "Ele não desistiu [de filmar], mas não está programado", explica Tuinho Schwartz, da Focus Films, parceiro do francês na empreitada.
      Sem trabalhar no país, os últimos meses foram de batuque, mas também de busca imobiliária na cidade. Visitaram a casa do arquiteto Helio Pellegrino, no Alto da Gávea. Cassel disse ter gostado do imóvel, que não estava à venda. Mas Bellucci preferia Ipanema ou Copacabana, para fazer a pé as tarefas do dia a dia.
      A patroa venceu, ainda que não tenham se estabelecido em Ipanema nem em Copa. Decidiram-se pela metade do caminho: compraram um apartamento que ocupa um andar inteiro no Arpoador. Corretores dizem que um imóvel no mesmo prédio saiu por R$ 4 milhões em 2012.
      "O Vincent já chegou a se hospedar por um mês no meu apartamento e gosta muito desse canto", diz Oskar Metsavaht, fundador da grife Osklen e agora vizinho dos gringos. O Arpoador tem apenas um punhado de prédios em frente ao mar.
      Enquanto Monica exercita a língua timidamente, em expressões como "obrigada" e "como vai?", Cassel é quase fluente em português.
      Ele consegue falar "maneiro" sem dobrar o erre, como fazem Olivier Anquier e Claude Troisgros, patrícios também radicados no Brasil. Mas às vezes escorrega e chama a nova cidade de "Riô", em vez de Rio.
      Mesmo com sotaque, ele pode já ser considerado um "Menino do Rio". Surfa, joga capoeira e dispensa protetor solar -só apela para um, fator 50, quando raspa a cabeça, como fez no fim do ano.
      Donata Meirelles, diretora de estilo da "Vogue" e mulher do publicitário Nizan Guanaes, fazia parte da vizinhança até um ano atrás. Mas vendeu o apartamento no prédio ao lado do dos novos cariocas. "Agora, só andando na praia para ver os dois."
      Ou frequentando a Garcia D'Ávila, rua chique em Ipanema. Por lá, o casal Bellucci-Cassel não é conhecido de pronto por nome ou sobrenome. Em alguns de seus restaurantes mais badalados, como Alessandro e Frederico, ou botecos, como o Paz e Amor, garçons abordados pela coluna não sabiam quem eram os famosos. A ficha só caiu ao ver fotos.
      No restaurante Via Sete, a refeição deles teve picanha nobre e hambúrguer de salmão, servidos com salada, arroz e palmito grelhado. Também pediram dois coquetéis à base de vodca, com frozen de morango e amora. Não deram gorjeta. Mas toparam doar R$ 1 ao WWF, ONG de defesa à natureza.
      Em outro almoço, no Braseiro da Gávea, ela comeu um galeto. Estava com a babá, que não usa uniforme, é brasileira e se esforça para falar francês e italiano, idiomas dos patrões. De novo, não foram interpelados.
      O produtor musical Nelson Motta interpelaria. "Eu moro no meio de Ipanema. Toda manhã ando no calçadão, no sentido contrário ao Arpoador. Vou dar meia-volta. Quem sabe eu não encontro a Bellucci na praia? Uma sereia. É preciso aproveitar!"