sexta-feira, 21 de junho de 2013

Remake de 'Saramandaia' põe em evidência hit musical de Ednardo

folha de são paulo
MELHOR DO DIA
Globonews, 23h30, livre. A estreia prevista para a próxima segunda-feira de um remake de "Saramandaia" (1976) na Globo --agora em versão mais compacta, na faixa das 23h--promete tirar da gaveta também o hit musical "Pavão Mysteriozo", de Ednardo.
O programa "Sarau" recebe hoje Ednardo para uma conversa sobre seus 40 anos de carreira. Ao jornalista e apresentador Chico Pinheiro, o músico cearense fala sobre sua vinda para São Paulo nos anos 1970, coincidindo com a época em que também se destacavam na música nordestinos como Fagner, Belchior e Zé Ramalho.
Ednardo também toca algumas músicas suas, como "Terral" e "Manga Rosa", além de "Pavão Mysteriozo".
-
'Diverso' relata casos de virais na internet
TV Brasil, 17h30, classificação não informada. O "Diverso" trata sobre virais --informações que se disseminam rapidamente na web. Entre os casos, está o de Clarice Falcão, que tornou suas músicas famosas na rede.
-
Steven Seagal combate crime em reality show
A&E, 20h, classificação não informada. Praticante de artes marciais, o ator Steven Seagal encara tiroteios, traficantes e perseguições de carros no reality show "Steven Seagal: O Homem da Lei".
    TELEVISÃO/OUTRO CANAL
    Clientes rejeitam pesquisa de TV maior e mais cara
    Os clientes do Ibope não aceitaram a recente proposta do instituto de aumentar a amostragem de medição de audiência em TV. O motivo: o alto custo do serviço.
    Conforme a Folha antecipou, o Ibope apresentou em maio às emissoras e agências de publicidade um projeto que visa reduzir a margem de erro dos dados das pesquisas de TV, com o aumento das amostragens.
    O Ibope afere audiência de TV, atualmente, em 4.500 domicílios no país, e fatura cerca de R$ 90 milhões por ano com pesquisas de televisão.
    Uma das propostas do instituto previa a amostragem para cerca de 7.900 domicílios, com um custo adicional de R$ 26 milhões, a ser dividido pelos clientes.
    Segundo representantes de emissoras, a proposta de aumentar a amostragem da audiência é uma reivindicação antiga dos clientes do Ibope, que ganhou força com a notícia da chegada do instituto alemão GfK ao Brasil. O futuro concorrente pretende entrar no mercado com uma amostragem de 8.000 domicílios e um orçamento preliminar de R$ 50 milhões por ano.
    Os mesmos representantes dizem que o Ibope está pedindo muito dinheiro para implementar e melhorar a medição de audiência em TV. O Ibope informa que o aumento da amostragem foi postergado a pedido dos clientes.
    -
    VISITA Gisele Kato entrevista a atriz e cantora portuguesa Maria de Medeiros para o "Arte 1 Em Movimento" de domingo, no canal Arte 1
    -
    Passado No ar na "Dança dos Famosos", do "Domingão do Faustão" (Globo), Carol Castro vai entrar em "Amor à Vida", novela das 21h. Ela viverá a ex-mulher do médico Michel (Caio Castro).
    Local O "Domingão do Faustão", que é gravado uma vez por mês em São Paulo, vai passar junho inteiro no Rio. Alguns falam em medo dos protestos, mas a Globo diz que é para melhor acomodar a agenda da "Dança dos Famosos".
    Comercial Duas das quatro cotas de patrocínio de "A Fazenda", que estreia no dia 23, já foram vendidas. O valor de tabela (sem descontos) de cada cota é R$ 62,4 milhões.
    Poltrona A partir de julho, o Telecine Action mudará a sua sessão de estreias para as sextas-feiras, às 22h.
    Cadeiras A Globo segue modificando seu quadro de diretores e afastando os mais antigos. Nesse time está Ary Nogueira, diretor de desenvolvimento artístico do canal, que está se desligando do cargo e entrando em período sabático. A vaga será assumida em julho por Monica Albuquerque.
    Cadeiras 2 Já o diretor-executivo de jornalismo, Luiz Claudio Latgé, vai reforçar a equipe de comunicação da emissora, como diretor-adjunto. A vaga de Latgé no jornalismo ainda não tem dono.
    Cadeiras 3 Há mais dois nomes na lista dos diretores com mais de 25 anos de Globo que podem deixar a emissora em breve.
    Humor A série "Os Normais" estreia no dia 6 de julho na Globo de Portugal.

      Michel Laub

      folha de são paulo
      Ironia e protestos
      Dizer que todo militante é fanático equivale a dizer que toda ironia é cínica, que toda ponderação é covardia
      Muita gente vê na ironia uma das culturas dominantes hoje. Nas últimas décadas, com diferenças de conceituação e abordagem, autores como Susan Sontag e David Foster Wallace escreveram sobre essa sensibilidade --ou visão de mundo-- que, num artigo de 2012 (http://goo.gl/Hgt5N), Christy Wampole lamentou ser a essência de uma época vazia.
      Nascida em 1977, Wampole usou como exemplo a tribo dos hipsters, símbolo de certa juventude urbana educada, para descrever um mundo em que sentimentos diretos, aqueles que tornam as relações pessoais mais ricas, são sufocados por distanciamento e esteticismo.
      Os ataques têm alguma graça. O hipster de caricatura, com seu bigode e camisa xadrez, sua autodepreciação calculista, seu gosto afetado que finge ser simplório ou ingênuo, parece blasé demais para falar a sério sobre qualquer coisa.
      Num contexto assim, comenta Wample, até um presente vira uma piada esperta --o que comprovei há pouco, ao fazer aniversário e ganhar coisas como uma paçoca velha e um gibi rasgado do Cebolinha.
      Mas, se tudo no exemplo parece motivado pelo receio (de que o presente diga algo sincero sobre aquela amizade, sobre nosso gosto, sobre quem somos), o fato é que ninguém vive apenas de ironia.
      Esconder-se atrás de humor e estilo não livra ninguém de pagar contas, de se defrontar com sofrimentos pessoais e profissionais.
      Como é comum nesse tipo de crítica, peca-se ao ver indivíduos e costumes de forma unidimensional. Numa resposta a Wampole (http://goo.gl/Doroh), Judy Berman podia ter explorado melhor um fenômeno visível nas redes sociais: os presentes irônicos de aniversário fazem parte da mesma cultura que trouxe de volta o engajamento político.
      É um paradoxo? Só se aceitarmos a visão unidimensional. Como lembra Berman, parte da juventude acusada de nostalgia paralisante --expressa em citações pop de contestadores e revolucionários, acrescento, e talvez até por isso-- estava nos protestos do Ocupe Wall Street.
      Algo parecido ocorre nas classes brasileiras educadas, que pautam e/ou são pautadas pela insatisfação da periferia: basta um fato politicamente significativo, como as marchas dos últimos dias, para que sumam do mural do Facebook as pílulas de sabedoria do Mussum e os vídeos com cabras cantando Bon Jovi.
      O oposto da ironia é o pensamento literal, cheio de certezas, que em sua pior face deságua na patrulha ideológica, quando não em intolerância religiosa e moral. São culturas também dominantes hoje, por certo. Mas dizer que todo militante é fanático equivale a dizer que toda ironia é cínica, que toda ponderação é diversionismo e covardia.
      Ao contrário do que parece, o caminho do meio é tortuoso. A internet não é apenas um veículo que divulga passeatas de forma rápida e inédita.
      Há algo em sua essência que favorece a mobilização polarizada: porque em geral falamos para grupos que pensam como nós, a tendência é que as ideias circulem sem contraditório, e a competição de quem fala mais alto o que os outros já sabem e querem ouvir torna as palavras gradualmente mais enfáticas, mais raivosas.
      Ocorre que, numa ironia sobre o discurso irônico --típico do moderado cético, com sua mania enfadonha de ver a questão por diversos lados--, não deixa de ser otimista (o contrário da desistência blasé) acreditar que interlocutores estão dispostos a perceber nuances numa hora destas, por mais óbvias que sejam.
      De qualquer forma, vamos lá: 1) condenar excessos policiais não significa defender a baderna; 2) identificar tentativas de infiltração partidária não é criminalizar partidos; 3) distorções graves da democracia representativa não tornam aceitáveis as alternativas (como o fascismo disfarçado de democracia direta).
      No Facebook, igualmente, lamentar o radicalismo tolo não pressupõe tomá-lo sempre ao pé da letra.
      Alguns dos que escreveram posts incendiários contra a ordem foram pacificamente aos protestos. Outros quebraram vidraças. Estive no de segunda-feira e vi ativistas e diletantes, defesa de propostas legítimas --e vitoriosas, no caso das passagens-- e delírios.
      Também havia gente tirando sarro da própria marcha, ao mesmo tempo que apoiava suas causas. Outro falso paradoxo: política nem sempre é algo uniforme, coerente.
      A ironia faz parte de suas manifestações imprevisíveis tanto quanto a utopia, a ação direta e os conflitos.

      Claudia Costin no Tendências/Debates

      folha de são paulo
      Educação e inovação
      O Rio adotou tarefas próprias de uma escola tradicional, que significam um passo atrás, com o objetivo de dar um salto de qualidade
      Relatório da pesquisadora Mona Morshed demonstra que os sistemas educacionais têm tarefas distintas, dependendo do estágio de evolução em que se encontram. O que é necessário para a Coreia ou a Finlândia, nações com excelentes resultados no Pisa (teste internacional de qualidade da educação), é diferente do que deve ser feito pelo Brasil, que ocupa o 53º lugar entre 67 países que dele participam.
      Segundo Morshed, depois de ter avançado ao priorizar a educação, caberia à Coreia descentralizar para fomentar maior criatividade e inovação. No caso brasileiro, ainda faltaria um grande projeto nacional, com um currículo preciso, critérios claros de formação e certificação de professores e melhora na alfabetização, na interpretação de textos e no raciocínio matemático.
      No Rio de Janeiro, não é diferente. Assim, decidimos implantar um projeto de transformação que passasse por dois movimentos aparentemente contraditórios: voltar ao básico e, ao mesmo tempo, abrir caminho para a inovação.
      Inicialmente, estabelecemos um currículo básico e claro. Docentes do município criaram um material estruturado para uso de seus pares. Definimos que nossa rede alfabetiza aos seis anos e preparamos nosso próprio livro de alfabetização.
      Ao final de cada bimestre, há provas unificadas, para que cada escola perceba sua evolução em relação à média da rede. Para alunos que aprendem em ritmos diferentes, criamos um sistema de reforço escolar. E aperfeiçoamos a seleção de professores, com prova didática e uma escola de formação.
      Essas tarefas, próprias de uma escola tradicional, significam um passo para trás para que se possa dar um salto na qualidade. Ao mesmo tempo, é preciso inovação, para não termos uma escola que forma adequadamente para o século 19!
      Nesse sentido, criamos um portal de aulas digitais, a Educopédia, feita pelos professores para seus colegas. Essas aulas, que seguem o currículo e podem ser projetadas em sala, contêm material para a preparação do professor, uma apresentação em slides, vídeos e jogos. O professor é livre para decidir se e como quer usar o portal.
      Outra inovação envolve a criação de novos modelos de escola, como os ginásios experimentais. São escolas de tempo integral de sétimo a nono ano, com ênfase em excelência acadêmica, onde o aluno é convidado a elaborar seu projeto de vida futura. Protagonismo juvenil, como clubes de ciências, grupo de teatro ou grêmios, completa a proposta.
      O Ginásio Experimental de Novas Tecnologias, o Gente, foi lançado neste ano para personalizarmos o processo de aprendizado, sem perder a ideia de cooperação. Nele, o uso do portal se dá pelos alunos, que podem avançar ou ir mais devagar de acordo com seu próprio ritmo. O professor atua como mediador e coordenador da aprendizagem individual e coletiva.
      O que faz com que esses experimentos não virem ilhas de excelência numa rede estagnada é justamente a agenda anterior: todas as escolas têm o mesmo currículo básico como referência, o mesmo portal de aulas digitais e uma ênfase grande em formação de professores. Afinal, são eles que, em cada escola, transformam a educação!

        Eliane Cantanhêde

        folha de são paulo

        No colo de Dilma


        BRASÍLIA - Os governos recuaram, mas a guerra continua, mais forte do que nunca. Os manifestantes se descobrem com imenso poder, multiplicam-se pelo país, desdenham os partidos e, ontem, ameaçaram cercar o Palácio do Planalto.
        As tropas fiéis à presidente Dilma Rousseff tiveram de montar duas trincheiras: uma de defesa do Planalto, fisicamente; outra da própria presidente, politicamente.
        Enquanto os policiais fazem um cordão de isolamento para evitar que os manifestantes batam às portas ou nas vidraças do Planalto, os (poucos) políticos realmente dilmistas tentam neutralizar a base aliada e buscar um rumo para a presidente. Mas quem está no comando é Lula.
        O núcleo do poder já discute a conveniência, ou a emergência, de jogar o ministro Guido Mantega às feras, antes que as manifestações e as notícias desastrosas da economia se embolem numa só bomba e caiam dentro do Planalto, no colo de Dilma.
        As ruas do país estão em chamas, enquanto a Bolsa derrete, o dólar dispara e o índice de emprego --que se mantém muito bom-- já não dá para o gasto político. Foi engolido pelas más notícias na economia e pela frustração popular.
        O curioso é que, saia Mantega ou não, a protagonista é outra e o filme está ficando repetitivo. Em janeiro, como escrito neste espaço, a ordem de Lula era "destravar" a economia e o governo ou, quem sabe, destravar a própria Dilma. Cinco meses depois, lê-se na própria Folha que agora Lula quer dar uma "chacoalhada" no governo (ou, quem sabe, chacoalhar a própria Dilma?).
        De lá para cá, a coisa desandou rápida e surpreendentemente. A acusação a Dilma é que, em dois anos, ela torrou o patrimônio político, econômico e social que herdou de Lula. A família lulista está tão em pé de guerra quanto os manifestantes que, por pouco, não subiram a rampa do Planalto na quinta-feira de fúria. Até o fechamento desta edição.
        eliane cantanhêde
        Eliane Cantanhêde, jornalista, é colunista da Página 2 da versão impressa da Folha, onde escreve às terças, quintas, sextas e domingos. É também comentarista do telejornal "Globonews em Pauta" e da Rádio Metrópole da Bahia.