quarta-feira, 3 de julho de 2013

Mônica Bergamo

folha de são paulo

Micro e pequenas empresas contrataram mais de 80 mil no país em maio

As micro e pequenas empresas, que há meses lideravam a criação de empregos no Brasil, foram as únicas que conseguiram criar novas vagas no mês de maio. Enquanto a situação nas companhias médias e grandes se deteriorava, com a extinção de 11 mil postos de trabalho, as miúdas contrataram 80.277 pessoas.
NO CAMPO
O levantamento, feito pelo Sebrae, mostra que 43% das vagas foram abertas no setor de serviços. E também nas regiões Sudeste e Nordeste. Para o presidente da entidade, Luiz Barretto, a Copa das Confederações pode ter ajudado a impulsionar as contratações em cidades que receberam os jogos, como Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Fortaleza, Salvador e Recife.
PERGUNTA
O relato da roteirista Carolina Kotscho, denunciando a omissão da PM no socorro a ela e à sua filha, que nasceu em casa em abril, num parto prematuro, levou a Secretaria da Segurança de SP a abrir uma investigação sobre o comportamento dos policiais. O governo diz que nenhuma resolução oficial os impede de prestar atendimento de emergência quando necessário.
RESPOSTA
Os policiais ouvidos disseram que chegaram ao apartamento dela e encontraram um médico que dizia que a criança não corria risco imediato. Por isso, optaram por esperar uma ambulância do Samu, que acabou demorando para chegar à residência.
ELA NÃO ANDA, ELA DESFILA
Divulgação
A atriz Maria Casadevall posa para edição da revista 'Estilo
A atriz Maria Casadevall posa para edição da revista 'Estilo'
Diferentemente de Patricia, sua personagem em "Amor à Vida", da TV Globo, a atriz Maria Casadevall, 25, diz não ser fashionista.
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"Fico encantada com o figurino da novela, mas sou muito desligada no quesito moda. Sou muito básica", afirma ela, que posou para a nova edição da revista "Estilo".
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Paulistana que já morou na Austrália e na França, ela integra desde 2009 o grupo teatral Os Satyros. E está em seu segundo papel na TV. Em 2011, fez a série "Lara com Z".
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Com o ritmo de gravações, a atriz não tem tido tempo para sentir a repercussão do trabalho. "Passo muito tempo no estúdio, mas estou feliz."
SISTEMA SKAF
A pré-candidatura de Paulo Skaf (PMDB-SP) ao governo de SP, com 16% das intenções de voto, segundo o Datafolha, já sofre bombardeio em seu próprio partido. "Ele pode fazer propaganda política com dinheiro do Sistema S, até com ataques ao Congresso Nacional? Temos que discutir isso", diz Eduardo Cunha, líder do partido na Câmara dos Deputados.
COMPETIR É PRECISO
Skaf é presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de SP) e do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de SP) e responsável pelo Sesi e pelo Senai, que integram o Sistema S. E já estrelou campanhas de TV pedindo, por exemplo, a aprovação da MP dos Portos. "Todas as minhas ações como presidente da Fiesp, do Ciesp, do Sesi e do Senai visam defender a competitividade do Brasil", diz ele.
FISCAL
Segundo Cunha, a discussão ganhará fôlego na aprovação da LDO, a lei orçamentária do governo, de 2014. Danilo Forte, do PMDB do Ceará e relator da proposta, confirma: "As entidades do Sistema S receberam, só em 2011, mais de R$ 21 bilhões, recursos públicos que são gastos sem fiscalização do Congresso Nacional. Isso precisa mudar", afirma ele.
STAND UP NÃO
O teatro Eva Herz escapou às mudanças na nova fase da Livraria Cultura, com a entrada do fundo Mezanino, que detém 25% do negócio. "Pressões sempre há, mas temos conseguido manter um teatro de qualidade, com peças a que eu gostaria de assistir", diz o ator Dan Stulbach, diretor artístico do espaço há cinco anos. Segundo ele, o público tem respondido: "Ás vezes mais, às vezes menos".
STAND UP NÃO 2
O livreiro Pedro Herz confirma que a programação do teatro seguirá na mesma linha. Em relação às demissões de 40 vendedores da unidade da av. Paulista, o empresário diz que "foram substituições naturais. Todo mundo está olhando custos. Estamos em expansão, contratando 200 funcionários".
NOVA FORMAÇÃO
O MPB 4 lança o CD "Contigo Aprendi" no auditório do Ibirapuera, no dia 13, com Paulinho Pauleira se apresentando pela primeira vez em SP no lugar de Magro Waghabi, morto no ano passado.
EMERGÊNCIA FASHION
A "Elle" chinesa dedicará 30 páginas ao Brasil em novembro. A estrela do ensaio será a top Renata Kuerten. Além de marcas como Lenny e Osklen, a revista traz editorial sobre o Rio.
TERRA DE GIGANTES
Frederico Curado, presidente da Embraer, foi o principal homenageado da premiação Melhores e Maiores 2013, da revista "Exame" (Abril). Fábio Barbosa, presidente da editora, recebeu anteontem na Sala São Paulo os empresários Daniel Feffer (Suzano), Flávio Rocha (Riachuelo) e Patrícia Birman (Arezzo).

Empresários são homenageados por revista

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Zanone Fraissat/Folhapress
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Frederico Curado, presidente da Embraer, foi o principal homenageado da premiação Melhores e Maiores 2013, promovida pela revista "Exame", na segunda (1º)
SALVE TOM
Roberta Sá e João Bosco cantaram composições de Tom Jobim no show da turnê do Prêmio da Música Brasileira, no teatro Geo. Adriana Calcanhotto, Zélia Duncan e Zé Renato também subiram ao palco. O ator Murilo Rosa foi o apresentador da cerimônia.

Roberta Sá e João Bosco cantam em premiação

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Zanone Fraissat/Folhapress
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A cantora Roberta Sá se apresentou em homenagem a Tom Jobim no Prêmio da Música Brasileira, no teatro Geo
CURTO-CIRCUITO
O espetáculo de dança "OroborO" estreia hoje, às 20h, no teatro Sérgio Cardoso, na Bela Vista. Livre.
A livraria Martins Fontes agora ocupa o espaço da livraria da Vila na Casa do Saber da rua Mário Ferraz.
O cantor Naldo Benny grava DVD hoje à noite no Credicard Hall. 14 anos.
O VivoEncena faz amanhã sessão da peça "Rain Man" para ONGs de autismo, no teatro dos Quatro, no Rio.
Mônica Bergamo
Mônica Bergamo, jornalista, assina coluna diária publicada na página 2 da versão impressa de "Ilustrada". Traz informações sobre diversas áreas, entre elas, política, moda e coluna social. Está na Folha desde abril de 1999.

Marcelo Coelho

folha de são paulo

Gatsby, o retorno

Não se pode reconstruir o passado, diz Nick Carraway, o narrador de “O Grande Gatsby”, ao misterioso personagem cujo nome dá título ao romance de Scott Fitzgerald.
“Como assim? Claro que se pode!”, responde Gatsby. Do alto de uma imensa fortuna, adquirida não se sabe direito como, ele quer reconquistar o amor de sua juventude. Conhecera Daisy, uma moça aristocrática, quando ainda não tinha um tostão.
Daisy acabou se casando com um ricaço de família tradicional, que logo se revela adúltero, preconceituoso e violento. O casamento vai mal quando Gatsby reaparece, montado numa mansão espetacular, palco de uma sequência nauseante de festas —às quais Daisy não comparece.
Exposto assim, o tema principal de “O Grande Gatsby” poderia ser adaptado para uma telenovela de terceira. A arte de Scott Fitzgerald está em deixar todos os personagens, e suas motivações, envoltos numa atmosfera úmida, desentendida e reticente.
A publicidade antecipada em torno de “O Grande Gatsby”, filme de Baz Luhrmann com Leonardo Di Caprio, sem dúvida intensificou a má vontade de muita gente. Ainda mais porque estava na memória a versão anterior do livro, dirigida por Jack Clayton em 1974, com Robert Redford e Mia Farrow.
As cores esmaecidas e o charme lânguido do filme mais antigo terminaram produzindo a impressão de que se tratava de uma obra mais artística do que era realmente.
Como Jack Clayton nos empapava de estilo e figurino, e como tendemos a ser maus intérpretes dos códigos sociais do passado, aquele “Grande Gatsby” diminuía o contraste entre a aristocracia de Daisy e a ambição emergente de Gatsby.
No livro, este é desprezado, por exemplo, quando usa um terno cor-de-rosa: sinal de breguice irremediável para os outros personagens.
Só que Robert Redford, com o terno da cor que quisermos, será sempre um bacanão na mais alta película da nata social americana. A história real de seu fracasso amoroso ficava um bocado incompreensível, atrás de muitos véus de tule, no filme de Clayton.
“Não se pode reconstruir o passado.” “Claro que se pode!” A resposta de Gatsby poderia ser adotada pelo próprio Baz Luhrmann, que fez tudo para reconstruir, de um ponto de vista completamente subversivo —quase terrorista de tão subversivo— o filme de 40 anos atrás.
Quando uma pessoa tem dificuldade em entender alguma explicação mais trabalhosa, há quem goste de humilhá-la, perguntando: “Quer que eu desenhe?”. O novo “Gatsby” faz isso com o romance de Fitzgerald, explicitando a trama com recursos de professor de cursinho.
O estilo de Luhrmann flerta, aliás, com o desenho animado. Tudo começa quando reconhecemos, no papel de Nick Carraway, ninguém menos do que Tobey Maguire. “Onde é que eu vi mesmo esse carinha?”
Resposta: nos filmes do Homem-Aranha. Os recursos de 3D, fazendo mergulhos ridículos na selva de edifícios de Manhattan, confirmam a pretensão de transformar aquele evasivo clássico literário num “blockbuster” demencial.
A intenção caricatural, extremada, de Baz Luhrmann, surge assim como reação à finura da versão mais antiga.
As duas, talvez, se complementem. Com suas festas quase fellinianas, com a vulgaridade explícita da filmagem, com a inexcepcionalidade feminina de Carey Mulligan (no papel de Daisy), o filme de Baz Luhrmann adota, na verdade, o ponto de vista novo-rico, meio bandidão, do próprio Gatsby.
Com a vítrea Mia Farrow e um Robert Redford impecável, o filme de 1974 aristocratizava tudo. Diminuía os conflitos, eufemizava as diferenças sociais, musicalizava suavemente a tragédia.
Nenhuma das duas versões dá conta, a meu ver, do que mal e mal se sugere no livro. Para impressionar Nick Carraway, e convencê-lo de suas credenciais para a classe A, Gatsby o leva para almoçar num restaurante, apresentando-o a uma figura estranhíssima.
Meyer Wolfsheim logo se revela, no livro, uma espécie de gângster. É difícil entender por que razão Gatsby levaria Carraway para conhecer um tipo tão suspeito. Seria ingênuo, pensando que Carraway não perceberia a estirpe do interlocutor? Ou, ao contrário, estava tentando comprar a consciência de Carraway, abrindo-lhe as portas para adquirir uma fortuna ilícita também?
Seria difícil filmar de um modo que fizesse justiça às duas hipóteses ao mesmo tempo. Mas, se o livro exige mais de uma leitura, não é nada mau que o espectador possa agora contar com um filme tão diferente daquele, discreto e perfumado, que guardava nas suas memórias de 1974.

José Simão

folha de são paulo

Plebiscito! Débito ou Crédito?

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Ordem e protesto! Plebiscito é uma consulta popular. Então proponho aos meus leitores participar da minha enquete: "Qual pergunta que você acha que não pode faltar no plebiscito da reforma política?".
Eu tenho a primeira pergunta: "Débito ou crédito?".
Outra pergunta: "CPF na nota?". Sim, queremos!
E mais outra: "Com ou sem borda recheada?".
E esta bombástica: "No carro ou no motel?". Essa seria a pergunta perfeita pro plebiscito: "No carro ou no motel?". Já que vão fudex com a gente! Rarará!
Mas eu apoio o plebiscito, sério. Eu quero falar. Eu quero participar. Eu quero falar qualquer coisa. Nem que seja: "Vocês querem bacalhau?". Rarará!
E a Dilma reunida com seus 800 ministros? Parecia uma rave! Plataforma da estação Sé do metrô às 18 horas!
Duvido ela lembrar o nome de todos! Tem cadeira pra todo mundo ou fizeram um puxadinho?
A próxima reunião ministerial vai ser no Mané Garrincha! Tá vendo pra que serve estádio multiuso?
E a Dilma tava parecendo o Grande Chefe Touro Sentado!
E vai ter que criar o Ministério dos Ministérios. Pra tomar conta desse povo todo! Rarará!
E o Alckmin? Ontem, em São Paulo, houve duas manifestações: no Roubágio e no Rouboanel! Rarará!
E um leitor mandou perguntar se o Mercadante virou clínico geral: dá pitaco em tudo!
E o Hulk tirou uma foto para o Instagram e apareceu ao fundo o Cavalieri com o pingolim de fora!
E uma amiga perguntou: "esse que é o Gigante?". " Não, é a taça da seleção."
A verdadeira taça da seleção é o pinto do Cavalieri. Rarará!
Tem papagaio de pirata, e agora: pinto de pirata! Rarará! O Cavalieri é o pinto de pirata!
É mole? É mole, mas sobe!
E o site Futirinhas revela que o Sérgio Ramos vai fundar o Clube de Batedores de Pênaltis. Com o Bonucci e o Forlán. Técnico: Baggio! Rarará!
E sobre a vitória do Brasil sobre a Espanha, um leitor me disse que o Tic Tac tomou no Cuco! Rarará!
Nóis sofre, mas nóis goza!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
Viva o humor! Abaixo o rancor!
José Simão
José Simão começou a cursar direito na USP em 1969, mas logo desistiu. Foi para Londres, onde fez alguns bicos para a BBC. Entrou na Folha em 1987 e mantém uma coluna que considera um telejornal humorístico.

Bernardo Mello Franco

folha de são paulo

O que está acontecendo no Brasil?

LONDRES - Mas vocês não estavam crescendo? Não estavam felizes?
Desde que a onda de protestos começou, nenhum brasileiro no exterior passou ileso desse tipo de pergunta. As imagens da multidão nas ruas produziram um curto-circuito na cabeça dos estrangeiros, mesmo os mais atentos ao país. Todos querem entender o que está acontecendo no Brasil, e nenhum esforço de resposta parece suficiente.
A surpresa é compreensível. Nos últimos anos, o mundo foi bombardeado por boas notícias do país. Jornais e emissoras de TV martelaram os mesmos relatos sobre a redução da pobreza, a "pacificação" de favelas, o crescimento imune à crise internacional. A frase "O gigante acordou", que agora virou mote das manifestações na internet, parecia feita sob medida para embrulhar o nosso pacote de otimismo tropical.
De repente, gente de todas as idades e classes sociais se une nas maiores manifestações populares em 20 anos. Não há líderes, mas todos reclamam das mesmas coisas: corrupção, caos no transporte público, descaso com educação e saúde. A presidente, que batia recordes de popularidade, agora vê os planos de reeleição em risco. Os gringos, incrédulos, se esforçam para entender por que até a realização da Copa do Mundo virou alvo.
Mas vocês não estavam empolgados em receber o torneio? Não gostavam tanto de futebol?
Ainda vamos levar tempo para entender tudo o que aconteceu a partir de junho de 2013. Na falta de uma resposta que satisfaça plenamente estrangeiros, vale citar uma velha regra do jornalismo: quando as notícias forem boas demais, desconfie.
Arquivo pessoal
Bernardo Mello Franco é correspondente em Londres. Jornalista formado pela UFRJ, já trabalhou no Rio, em Brasília e em São Paulo. Está na Folhadesde março de 2010. Antes, passou pelo "Jornal do Brasil" e pelo "Globo". Escreve às quartas-feiras.