sexta-feira, 5 de julho de 2013

Exclusivo: Ney Franco está fora do São Paulo - Mônica Bergamo

folha de são paulo
Atualizado às 15h58.
O técnico Ney Franco está demitido do São Paulo Futebol Clube.
Sua atuação já vinha sendo questionada depois de seguidas eliminações em campeonatos nacionais e internacionais. A derrota para o Corinthians, nesta semana, foi a gota d'água para a decisão.
Ele já não será mais técnico do time no jogo de domingo, contra o Santos.

Oposição de MG quer investigar parceria que tucanos fizeram para reforma do Mineirão

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) é duro quando se trata das obras da Copa 2014 e propõe até CPI em Brasília para investigá-las. Em Minas Gerais, no entanto, a história é outra. Lá, são os deputados da oposição que querem examinar a parceria que o governo tucano fez para a reforma do estádio do Mineirão. Até agora, em vão. O grupo de apoio ao senador e a seu sucessor, o governador Antonio Anastasia, não deixa a ideia vingar.
QUINTAL
O deputado Paulo Guedes (PT-MG), líder da oposição a Anastasia, afirma que "o grupo do Aécio não deixa ter CPI em Minas". Até ontem, ele já tinha coletado 22 das 26 assinaturas necessárias para investigar supostas "irregularidades nas licitações e custos" do Mineirão. A obra custou R$ 695 milhões. Guedes diz: "Quem não assinar vai ter que se explicar".
QUINTAL 2
Já o líder do maioria, Gustavo Valadares (PSD), nega que o governo mineiro faça pressão contra a criação de comissões. "O que nós não deixamos é que, de forma irresponsável, se criem CPIs apenas para desestabilizar um governo que vem dando certo", afirma. Já contra o governo Dilma Rousseff, Valadares acha que a investigação é válida. "As obras de mobilidade e infraestrutura estão todas atrasadas."
APERTADINHO
Alex Atala e Facundo Guerra vão reabrir o bar Riviera, na esquina da rua da Consolação com a avenida Paulista, no dia 16 de setembro, ao som da Riviera Jazz Band, formada para tocar na casa. Não haverá festa, já que eles têm 2.000 nomes para convidar e só 250 lugares.
O CANTOR E O POETA
Antes de subir ao palco para o show de abertura da Flip, na quarta-feira (3), Gilberto Gil recebeu o poeta Thiago de Mello, 87, na pousada onde está hospedado em Paraty. O cantor foi saudado pelo amigo ao som de sua canção "Beira-Mar". "Nós nos amamos há bastante tempo", foi logo explicando o amazonense para curiosos que se juntaram na janela para ver o encontro.
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Em seguida, presenteou o compositor baiano com um exemplar de "Estatutos do Homem", seu poema mais conhecido. Fez uma dedicatória ao casal Flora e Gil: "Pelo exemplo luminoso de que o amor perdura, quando transforma o seu milagre no poder real sagrado de saber amar".
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Gil retribuiu. "Thiago é um daqueles poetas naturais, como os pés de planta. Já pertence à flora." O amazonense se emocionou ao lembrar que os versos do baiano foram um alento durante o exílio na Alemanha nos tempos da ditadura. "Ouvir 'Procissão' me dava forças."
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O poeta, palestrante do Centro Cultural Sesc Paraty, afirma: "O Brasil hoje se inclina perigosamente para a perda da ética, uma doença contagiosa". Tem esperança, no entanto, na recente onda de manifestações. "É nas ruas que começam as mudanças." O roteirista Paulo Lins, a atriz Ana Petta, o editor Luiz Schwarcz e o prefeito de Paraty, Carlos José Gama Miranda, o Casé, também estiveram na feira (ver fotos abaixo).

Thiago de Mello diz que tem "amor antigo" com Gilberto Gil

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Zanone Fraissat/Folhapress
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O poeta Thiago de Mello se encontrou com Gilberto Gil antes de o baiano se apresentar na abertura da Flip, em Paraty, na quarta (3)
CORTINA
José Wilker e Zezé Polessa voltam ao teatro depois de mais de quatro anos em "Quem Tem Medo de Virginia Woolf?", com estreia marcada para setembro, no Rio. Gringo Cardia assina a direção de arte.
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A montagem, do projeto Vivo EnCena, chega a São Paulo em março.
OMBRO AMIGO
Tony Bellotto almoçava sozinho no restaurante Skye, do hotel Unique, na terça, quando foi surpreendido pelo choro da garçonete que o servira. A jovem foi avisada de que a mãe acabara de morrer. O músico e escritor deixou de lado o livro que estava lendo e foi até ela.
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Ao saber o que aconteceu, o marido de Malu Mader consolou a funcionária.
TAPETE VERMELHO
O encontro de Danny Glover com o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, na terça, em Brasília, foi avaliado como o ponto alto da mobilização pelo direito de sindicalização dos funcionários de uma fábrica da Nissan, no Mississipi, nos EUA. Carvalho disse a ele que vai dar o recado à montadora. "As empresas recebem muitos subsídios no Brasil e precisam cumprir esses direitos", declarou Carvalho.
CURTO-CIRCUITO
A peça "Os 39 Degraus" reestreia nesta sexta-feira (5), com Rosanne Mulholland no lugar de Carol Castro. Às 21h30, no teatro Sérgio Cardoso, na Bela Vista. 12 anos.
Edoardo Tonolli, Luigi Tonolli e Nick Johnston inauguram nesta sexta uma nova loja da Bacio di Latte, no shopping Morumbi.
O empresário Sergio K comemora seu aniversário nesta sexta-feira, no Jardim Europa.
A mostra "Videoarte 2013", do Oi Futuro, será apresentada em Lisboa a partir de segunda.
Mônica Bergamo
Mônica Bergamo, jornalista, assina coluna diária publicada na página 2 da versão impressa de "Ilustrada". Traz informações sobre diversas áreas, entre elas, política, moda e coluna social. Está na Folha desde abril de 1999.

"Hannah Arendt"

folha de são paulo
Filme discute a 'banalidade' no nazismo
'Hannah Arendt' lembra caso da filósofa que apontou carrasco alemão não como monstro, mas como mero burocrata
Arendt foi repudiada por crer na inocência de Eichmann e apontar conselhos judaicos como cúmplices do holocausto
FRED KAPLANDO "NEW YORK TIMES"Cinquenta anos atrás, o livro "Eichmann em Jerusalém - Um Relato sobre a Banalidade do Mal", de uma professora de filosofia chamada Hannah Arendt, desencadeou uma tempestade. Entre a intelectualidade do Upper West Side, em Nova York, o livro provocou, nas palavras do crítico Irving Howe, "uma guerra civil", suscitando discussões e azedando amizades de muitos anos.
Além disso, vendeu mais de 100 mil exemplares e transformou o modo como as pessoas enxergam o Holocausto.
"A controvérsia" --como era descrita a disputa crescente-- hoje já está em grande medida esquecida. Mas um novo filme sobre o episódio, "Hannah Arendt", que estreia na quarta-feira no Film Forum, retoma essas discussões.
Quando um amigo sugeriu que fizesse o filme, dez anos atrás, a diretora Margarethe von Trotta, veterana do Novo Cinema alemão, reagiu com ceticismo. "Pensei: Como eu poderia fazer um filme sobre uma filósofa, uma pessoa que fica sentada, pensando?'", recordou em entrevista telefônica dada em sua casa, em Paris.
Em vez de cobrir toda a vida de Arendt, decidiu concentrar-se no caso Eichmann. "Para um cineasta, é melhor ter um confronto, não apenas abstração", disse Von Trotta.
Em maio de 1960, Adolf Eichmann --um dos últimos líderes nazistas do alto escalão ainda vivo, que tinha fugido para a Argentina após a guerra-- foi sequestrado por agentes do Mossad, levado de avião a Jerusalém e julgado por crimes contra a humanidade.
Refugiada judia alemã e autora de um livro famoso, "Origens do Totalitarismo", Hannah Arendt cobriu o julgamento para a revista "New Yorker" (seu livro foi publicado como artigo em cinco partes).
Ela apresentou dois argumentos provocantes. O primeiro foi que Eichmann não teria sido o maligno organizador dos campos de extermínio, mas sim um burocrata medíocre, "não um monstro", mas "um palhaço". Veio disso o subtítulo "a banalidade do mal".
O segundo foi que os chamados "conselhos judaicos" na Alemanha e Polônia foram cúmplices no assassinato em massa. Eles ajudaram os nazistas a arrebanhar as vítimas, confiscar bens e os enviar para os campos onde morreriam.
Arendt foi repudiada. Alguns dos ataques contra ela foram exagerados. Mas algumas de suas visões também, entre elas o retrato que traçou de Eichmann. Para Arendt, Eichmann teria cometido seus atos sem ter consciência e sem mesmo ser antissemita virulento.
No entanto, em 1957, na Argentina, Eichmann concedeu uma longa entrevista ao ex-oficial da SS Willem Sassen, na qual gaba-se de ter ajudado a redigir a carta que ordenou a Solução Final. "Não fui apenas alguém que recebeu ordens. Se assim fosse, eu teria sido um imbecil. Eu era um idealista."
Amos Elon, jornalista israelense que defendia Arendt, disse, na introdução à edição em capa mole do livro, que ela "tinha a tendência a tirar conclusões absolutas com base em evidências casuais".
A evidência casual da banalidade de Eichmann foi o depoimento carregado de clichês. Ele declarou que tinha apenas feito seu trabalho e Arendt acreditou nele.
Margarethe von Trotta dirigiu filmes sobre mulheres fortes, mas diz que não se considera missionária. "Não faço filmes para transmitir mensagem. Faço filmes sobre pessoas de quem gosto ou que me interessam. Mas, se existe uma mensagem neste filme, é que você deve pensar por si mesmo, não seguir uma ideologia ou moda. Hannah chamava a isso pensar sem corrimões'."

    Michel Laub - A era dos extremos

    folha de são paulo
    A era dos extremos
    No Brasil, usar plebiscitos como base para todas as decisões resultaria em criacionismo nas escolas
    Numa ótima entrevista ao "Roda Viva" de 10/6, dias antes da onda de protestos começar, o arquiteto Paulo Mendes da Rocha falou das esferas centrais na análise da vida nas cidades: a sabedoria --técnica, científica-- e a política. Na primeira, quase tudo é possível. A engenharia moderna é capaz de cavar túneis, construir pontes, proteger arranha-céus contra terremotos, fazer o gás sair da bica do fogão.
    Já a segunda é um problema. Se São Paulo tivesse feito a escolha política por transporte público nos anos 1930, época em que Prestes Maia começou a modelar uma cidade voltada para avenidas e carros, hoje seria mais fácil enfrentar dificuldades que parecem, mas não são técnicas --do espaço para trens e corredores de ônibus à vazão das águas nas enchentes.
    Muito se discute os desdobramentos da crise atual. O caminho escolhido até agora por governos e Congresso é o da generalidade. Nada a opor: sem ela, dificilmente ocorrem mudanças necessárias. Se a política estiver certa, a técnica --campo do específico e possível, sem o qual nada pode ser concretizado-- se adapta.
    Torço para que seja o caso do Estado de São Paulo, que suspendeu aumentos nos pedágios, ou dos royalties do petróleo para a educação, que não seriam aprovados sem o barulho das ruas.
    Ocorre que em algum ponto a especificidade precisa ser ouvida. Subsidiar pedágio é tanto um bem-vindo barateamento de fretes quanto (mais) um incentivo ao transporte individual. E o problema da educação não se resume a verbas: capacitar professores e reformar o currículo são pautas intrincadas, que dispensam slogans de passeata.
    Indo além nos exemplos, não é difícil a generalidade virar delírio. Quando custos, prazos e viabilidade jurídica e administrativa deixam de ser minimamente considerados, surgem as isenções ruinosas que pipocam pelo país ou a Constituinte sepultada em 24 horas.
    Uma das dificuldades de frear a demagogia nasce justamente de um dos motores dos protestos. Os impasses da democracia contemporânea, apontados por pensadores como Ivan Krastev e Manuel Castells, não são recentes.
    Também não se resumem ao debate sobre partidos e eleições: a tão citada ideia de mediação, base do atual modelo representativo, vem sendo posta em cheque nas artes (vozes críticas perderam importância), na história (cuja narrativa foi tomada por grupos antes alijados pelo discurso oficial), na relação com a imprensa (vista por muitos como poder em si, mais do que como intermediário entre o público e o grande poder).
    A cultura antiautoridade, que se torna hegemônica nos anos 60 e ganha na internet sua plataforma perfeita --por ser acessível, interativa e horizontal--, é responsável por alguns dos maiores avanços do Ocidente, dos quais os direitos civis são o caso mais visível.
    Por outro lado, ela facilmente se transforma numa cultura antiespecialista. Que vem a ser uma cultura antisaber. É outra característica ambígua da democracia: por ser um regime de maiorias, suas manifestações e demandas são as do pensamento médio, ou seja, leigo. Quando não obscurantista: no Brasil, ao contrário do que pensam radicais de bistrô e assemelhados, basear todas as decisões em plebiscitos resultaria --para começar-- em criacionismo nas escolas.
    É para proteger minorias, planejamento estratégico e demandas complexas que existem as instâncias intermediárias, idealmente baseadas no acúmulo de conhecimento científico, histórico e social. O representante típico delas tem tido pouca voz: com seu tom de bom aluno, suas planilhas áridas, sua racionalidade sem carisma, ele está perdendo a batalha --por cansaço ou intimidação-- para a militância numerosa, barulhenta e apaixonada.
    Nenhum sistema resiste privilegiando apenas a técnica ou a política. A ditadura brasileira foi o paraíso de engenheiros e economistas, que puderam implantar seus projetos sem oposição. Já Pol Pot matava quem usasse óculos no Camboja, pois números e lógica nunca são engajados o bastante.
    Há um momento em que é preciso sair dos extremos, mesmo os proporcionalmente menos graves de uma democracia que, como a brasileira, bem ou mal funciona. Até porque um lado não vive sem o outro. Técnica sem política é o caminho para o elitismo autoritário. Política sem técnica é um convite à bagunça paralisante.

    Barbara Gancia

    folha de são paulo
    Aberta a temporada de caça aos marajás?
    Quando nosso Yoda do Maranhão, José Sarney, jedi desde os idos de 1964, fala, eu abaixo a orelhinha
    Tiro algumas conclusões sobre os protestos que tomaram o país neste inverno do nosso descontentamento, como diria o Will Shakes:
    1) Consigo resistir à enorme tentação de subestimar o marqueteiro do PT, João Santana, mesmo depois de ver Dilma diante das câmeras balançando feito coqueiro ao vento; das medidas espetaculosas e de saber que a presidente é aconselhada por luminares como Ideli Salvatti. Tenho por mim que deva haver um ardil muito bem urdido por trás de tanto foguetório mal disparado. Isso tudo só pode ser manobra para distrair o adversário.
    2) Greve de médico na av. Paulista vem a ser o melhor local para arrumar uma consulta grátis para tratar de dores na lombar e/ou arranjar um marido muito do bom partido. Ao menos é o que garante minha tresloucada amiga Bucicleide.
    3) Velhos hábitos custam a morrer. Renan Calheiros e Henrique Alves parecem dois tabagistas obrigados a largar o cigarro diante da novidade de ter de abrir mão de avião da alegria pago com o nosso tutu. É difícil abandonar o vício, mas é isso ou a danação, né não?
    4) Quando nosso Yoda do Maranhão, José Sarney, jedi desde 1964, afirma que Joaquim Barbosa será candidato, é porque está na hora de pegar carona num avião da FAB de partida para a Namíbia, Mali ou qualquer outro país de grande importância estratégica com o qual o Brasil se relacione.
    5) Falar das qualidades ou deméritos da democracia representativa antes mesmo de refletir sobre valores e o papel que o mercado e o indivíduo têm na degradação da vida política nacional só pode ser coisa de imediatistas e oportunistas que não se dão conta do empenho que a construção de vida democrática tem exigido nos últimos 25 anos.
    Nas páginas amarelas de "Veja" desta semana, por algum motivo misterioso, surge um entrevistado descrito como "A voz que emergiu das ruas". A mim, mais parece um "parvenu", um paraquedista com tanta legitimidade quanto meu defunto cão Pacheco Pafúncio (que se orgulhava de ostentar 450 seguidores no Twitter).
    O rapaz, aparentemente carioca, de 31 anos (peço perdão pela minha paranoia pós-manifestação, impregnada de teorias conspiratórias, mas, afinal, sou brasileira, com muito orgulho etc.) com aparência de modelo de comercial de carro 1.0 afirma ter criado há três meses uma página na internet que já tem 800 seguidores. Diz que gastou até agora R$ 400 com cartolina e um megafone. Segundo a "Veja", seu movimento, União contra a Corrupção, mobilizou 4.000 na Candelária. Mas ele admite que nunca gostou de política. "Não entendia porque era tão importante. O que deu o clique foi minha primeira viagem aos EUA no fim do ano passado."
    Pois é, e, de repente, ele agora tem opinião sobre tudo, está politizado até o último fio de cabelo, conhece toda a trajetória de Marina Silva, discursa sobre reforma tributária, fala com desenvoltura sobre voto distrital e o peso do Estado no nosso bolso. Camarada é um azougue tão tremendo que em seis meses foi da mais completa ignorância política para as páginas amarelas de "Veja".
    Daqui a pouco, camarada é capaz de pedir que a "ordem" presente na bandeira seja restabelecida nas ruas --será? Pois é! Esqueci de men­cionar. Em resposta à pergunta "Há algum líder brasileiro que o senhor admire?", o cidadão, que se diz contra a participação de partidos nas manifestações, como se democracia plena prescindisse de grupos organizados em marchas populares, responde transbordando de cidadania: "Respeito a postura do ministro Joaquim Barbosa".