quarta-feira, 10 de julho de 2013

José Simão

folha de são paulo

Ueba! Dilma deu um SUSto!

Ueba! Obama espiona corno! Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Piada Pronta: "Neymar deve estrear contra o Levante! Rarará. Sacanagem! E essa: "Brasil é alvo de espionagem dos EUA". Descobriram a pólvora! Grandes novidades!
Se você não sabe onde deixou a chave do carro, liga pra CIA que eles sabem! E como disse o outro: "Tá vendo, pessoal, ficam escrevendo merda na internet. Os americanos estão lendo tudo". Socorro! O Obama vai descobrir que eu sou fã do Gusttavo Lima! Ai que vergonha, com que cara eu vou olhar pro Obama agora? Rarará.
E os novos slogans do Obama: "Yes, I escuto". "Yes, eu sou abelhudo". 'Yes, I Scan". O Obama tem a lista de todos os cornos do Brasil!
E um amigo: "Querido presidente Obama, a minha mulher vai mesmo ao cabeleireiro duas vezes por semana ou é migué dela?". O orelhão do Obama. E o engraçado é que ele tem dois orelhões mesmo! Parece um fusca com as duas portas abertas!
E esse no Facebook: "Obama, se você achar aquele vídeo em que broxei com a minha ex, por favor apaga?".
E o Beto Comentando: "como é que eles conseguem interceptar ligação telefônica se a gente não consegue completar nada pelo celular". Rarará!
E a saúde? Os médicos tomaram um SUSto! A Dilma deu um SUSto nos médicos! "Maaaantega, manda esses médicos pro Amapá!'. Eu não sou contra a vinda de médicos cubanos. O único problema é: quem vai ficar cuidando do Fidel?! Já imaginou o Fidel: "Chamem os médicos". "Não tem. Foram todos pro Brasil". Rarará!
E eu não sou contra a vinda de médicos portugueses. O único problema é: a língua. Menino é "puto" e fila é "bicha". A bicha do SUS! Rarará! Bota o puto na bicha!
E eu só digo uma coisa: se eu estivesse doente e morrendo no interior do interior do Ceará, eu queria um médico humano. Tanto faz paulistano, cubano ou marciano! É isso aí! Se resolvam!
E eu gostaria muito de saber: o Mercadante é clínico-geral? Dá pitaco em tudo! Serve pra qualquer situação. Rarará.
E uma vez eu fui ao médico e disse: "Doutor, toda vez que eu aperto aqui, dói". E sabe o que ele me respondeu? "Então não aperta!". Rarará.
Nóis sofre, mas nóis goza! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
José Simão
José Simão começou a cursar direito na USP em 1969, mas logo desistiu. Foi para Londres, onde fez alguns bicos para a BBC. Entrou na Folha em 1987 e mantém uma coluna que considera um telejornal humorístico.

Mônica Bergamo

folha de são paulo

Câmara dos Deputados poderia economizar até R$ 3,8 mi em auxílio-moradia

A Câmara dos Deputados economizaria R$ 3,8 milhões por ano se acomodasse em apartamentos funcionais os 198 parlamentares que hoje recebem o auxílio-moradia. A conta é do quarto-secretário da Casa, Antonio Carlos Biffi (PT-MS), que administra os benefícios. Dos 432 imóveis, 298 estão ocupados, 110 passam por reforma e 24 encontram-se fechados.
A CASA É SUA
Enquanto a manutenção mensal custa R$ 2.200 por unidade, o auxílio é de
R$ 3.800 por parlamentar. Biffi quer entregar 96 dos apartamentos em obras até dezembro de 2014. A medida, diz, reforçaria "a agenda positiva" da Casa.
A CASA É SUA 2
Outra ideia em estudo, essa mais difícil de ser implantada: propor aos deputados que dividam apartamentos.
DE BERÇO
O governo do Estado lança hoje, um mês antes da Prefeitura de SP, um amplo projeto para a infância. A ação da secretaria estadual de Saúde, com foco nas crianças de zero a três anos, inclui a adoção de orientações para médicos e famílias e uma cartilha.
DE BERÇO 2
Na prefeitura, onde as ações para a faixa a etária são planejadas pela primeira-dama Ana Estela Haddad desde o início do ano, o programa a ser anunciado em agosto envolverá secretarias como Saúde, Educação e Assistência Social. Sobre a antecipação do tema pelo Estado, ela diz: "A administração municipal começou neste ano, e a estadual está no terceiro ano. São momentos diferentes". Parcerias entre o Estado e o município não estão descartadas.
MIÚDAS E FORTES
De cada 100 micro e pequenas empresas que nascem na cidade de São Paulo, 78 sobrevivem aos dois primeiros anos, os mais difíceis para novos negócios. O dado faz parte de estudo nacional que o Sebrae divulga hoje.
DO CONTRA
Lobão promete mobilizar artistas contra a proposta de lei que visa dar maior transparência ao Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição), aprovada na Senado, sob os aplausos de nomes de peso da MPB, como Roberto Carlos e Caetano Veloso. "É um grupelho, com artistas representativos, mas longe de ser a maioria. Sou da classe e não fui consultado", criticou. "É golpe."
DO CONTRA 2
O cantor sugere que os artistas se unam também contra o jabá (dinheiro pago por gravadoras para que rádios toquem músicas de seus artistas). "Se tem arrecadação fraudulenta, tem execução fraudulenta também."
ILUSÃO DE ÓTICA
Cassio Scapin estreia na sexta "Eu Não Dava Praquilo", peça em que interpreta a atriz Myriam Muniz (1931-2004); em cartaz até 23 de setembro, no CCBB-SP.
Marcelo Justo/Folhapress
O ator Cassio Scapin
O ator Cassio Scapin
SANTO NEGÓCIO
Peter Turkson, que foi cotado para ser papa, lançará no Brasil versão em português de documento do Vaticano com orientações para empresários. O cardeal de Gana estará em Belo Horizonte para o Congresso Mundial de Universidades Católicas, a partir do dia 18. Ele também falará na Associação de Dirigentes Cristãos de Empresas.
ESTICA E PUXA
A clínica Santé, de cirurgia plástica, está comprando um terreno de 3.000 m² para receber pacientes no pós-operatório. A proprietária Ana Helena Patrus explica que muitos clientes moram sozinhos e não têm quem os ajude na fase de recuperação.
TOCA-DISCOS
Milton Nascimento gravou música em homenagem a Elis Regina para o próximo disco de Tom Zé. "Pour Elis" é inédita e foi composta por Tom Zé em parceria com Fernando Faro na semana em que a cantora morreu, em 1982. Estava perdida num gravador de rolo. "Milton ouviu e topou", conta o baiano.
POSANDO DE NOIVA
A modelo Ana Beatriz Barros, 31, vestiu-se de noiva no ensaio de capa da "IstoÉ Gente", nas bancas amanhã. Foi clicada na cozinha, no metrô e em várias situações. A top diz estar disposta a se converter ao islamismo para se casar com o empresário egípcio Karim El Chiaty, 28.
"Para me casar, tenho que me converter. Faria isso com certeza", disse. "Sou católica, mas não importa a religião. O importante é receber a bênção de Deus."
Juntos há um ano e meio, estão reformando um apartamento em Londres. Para a top, casamento é para a vida toda. "Na minha família, não tem nenhum divórcio e quando me casar vai ser para sempre."
A cerimônia de três dias, conforme o rito muçulmano, ainda não tem data marcada, mas deverá ser na Itália: em Ravello, na costa amalfitana.
Divulgação
A modelo Ana Beatriz Barros na capa da "IstoÉ Gente"
A modelo Ana Beatriz Barros na capa da "IstoÉ Gente"
CARA DE SUSPENSE
Nicette Bruno e Paulo Goulart foram, anteontem, à reestreia da peça "Os 39 Degraus", no teatro Sérgio Cardoso, em que o rebento Paulo Goulart Filho contracena com Danton Mello, Henrique Stroeter e Rosanne Mulholland.

Danton Mello e Rosanne Mulholland reestreiam peça

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Zé Carlos Barretta/Folhapress
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O ator Danton Mello, que faz parte do elenco de "Os 39 Degraus", no camarim, na reestreia do espetáculo, na terça (8), no teatro Sérgio Cardoso
CURTO-CIRCUITO
Moacyr Franco estreia show com sucessos da carreira, hoje, às 20h30, no teatro Juca Chaves, no Itaim Bibi. Até dia 31. 14 anos.
A bateria da Vai-Vai toca hoje com a Orquestra Filarmônica Bachiana Sesi-SP, sob a regência de João Carlos Martins. Às 21h, na Sala São Paulo. Livre.
A empresária Bárbara Zein faz coquetel de abertura da Schutz no shopping Villa Lobos, às 18h30.
O cardeal dom Odilo Scherer e o rabino Michel Schlesinger debatem a relação entre Vaticano e judeus, às 19h, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional.
Mônica Bergamo
Mônica Bergamo, jornalista, assina coluna diária publicada na página 2 da versão impressa de "Ilustrada". Traz informações sobre diversas áreas, entre elas, política, moda e coluna social. Está na Folha desde abril de 1999.

Estrangeiros da Flip participam da Flupp, festival das UPPs, no RJ

folha de são paulo
"Leitura requer entusiasmo e trabalho", defende o autor irlandês John Banville, na Penha
Americana Lydia Davis e franco-iraniana Lila Azam Zanganeh debateram sobre como se tornar um escritor
DO RIO"Fiquei fascinado quando me convidaram para vir à Festa Literária das Unidades de Polícia Pacificadora. É o melhor nome que já vi para um festival."
Ainda que com certa ironia, a frase do escritor irlandês John Banville tinha também um claro tom de contentamento por sua participação na referida Flupp, no Rio.
Banville, que falou anteontem para um público de cerca de 500 pessoas --a maior parte estudantes da rede municipal--, foi um dos sete convidados internacionais da Flip que participaram da festa literária das UPPs.
O encontro aconteceu na Penha, zona norte do Rio, e trouxe, entre outros, a franco-iraniana Lila Azam Zanganeh, que, assim como na Flip, conversou em português com a plateia, e a americana Lydia Davis. Ambas falaram sobre como se tornar escritor.
"É maravilhoso vir a uma área pobre e levar algo para quem quer que se interesse, gratuitamente", disse Davis.
Ciente da diferença entre o público da Flip e o da Flupp, Banville disse que as dificuldades dos jovens mais pobres para obter livros não pode servir de desculpa para não cultivar o hábito da leitura.
"Eu cresci numa cidade pequena, que não era exatamente incentivadora da leitura. Na minha casa não havia muitos livros, tive de descobrir o mundo da literatura por conta própria. Não é impossível, requer entusiasmo e um pouco de trabalho. E que mal há nisso?"
A Flupp é um evento de longa duração, com três etapas; a mais curta delas é a que aconteceu no início desta semana, aproveitando a presença dos estrangeiros.
Entre maio e novembro acontece a Flupp Pensa, série de oficinas literárias em 20 comunidades do Rio. Nelas são selecionados 41 autores iniciantes que terão seus textos publicados. Os escolhidos serão anunciados no evento de encerramento, em novembro, na favela de Vigário Geral, com a presença de autores consagrados.

    Marcelo Coelho

    folha de são paulo
    O vício da notícia
    Irresistível, seriado americano 'Newsroom' mostra o sonho e os pesadelos de todo jornalista
    Talvez seja culpa de seu ótimo desempenho num antigo filme de Woody Allen, "A Rosa Púrpura do Cairo". O fato é que, por mim, Jeff Daniels terá sempre o papel do perfeito panaca americano --passivo, grandalhão, branquelo e balofo.
    Ele surge desse jeito nas cenas iniciais do seriado "Newsroom" --meu mais recente vício televisivo. Jeff Daniels é o âncora Will McAvoy, astro de um noticiário das dez que não fede nem cheira.
    McAvoy está participando de um debate numa universidade americana. Enquanto ele fica quieto, olhando de um lado para o outro, a discussão pega fogo.
    Contrapõem-se os lados clássicos da luta ideológica norte-americana: uma direita fundamentalista, triunfante e raivosa, contra um centro-esquerda democrata acuado e sem originalidade.
    O encontro já está chegando ao fim quando o nosso picolé de chuchu, por razões que só serão explicadas mais tarde, tem uma iluminação e se engaja num discurso memorável.
    Fatos e mais fatos, números e mais números são expostos com uma lógica impiedosa, provando por A mais B que os Estados Unidos não são nada dessa maravilha que os americanos dizem ser.
    Como acontecerá em muitos outros momentos do seriado, o acúmulo de evidências empíricas se acompanha de um crescendo emocional, e a música, de um modo que não poderia ser mais americano, conquista a adesão até mesmo do espectador mais cético.
    Confiaremos plenamente em Will McAvoy a partir de agora, e ele próprio renasce como jornalista. Seu noticiário conhecerá uma reviravolta fabulosa, graças à aparição de uma nova produtora, vivida pela britânica Emily Mortimer.
    Nada mais de engolir explicações oficiais furadas. Nada mais de fofocas idiotas. Nada mais de ouvir as mentiras conservadoras em silêncio. McAvoy ganha o poder de jogar sobre a mesa, como um cadáver na sala do júri, os fatos decisivos, que deixam os assessores e os políticos sem resposta.
    Para qualquer pessoa interessada em notícias, o seriado é irresistível. Sua segunda temporada estreia no Brasil dia 15 de julho, pela HBO; o pacote com os DVDs da primeira temporada já está nas lojas.
    Como em toda minissérie que se preza, as personagens ficam mais complexas a cada capítulo. A aparência de bonachão escondia, no caso de Jeff Daniels, um tipo dos mais antipáticos, incapaz até de saber o nome próprio dos subordinados.
    Logo veremos que o mau humor do âncora tem origem numa grave decepção sentimental. Mas não! Havia outras causas... E espere, sua violência contra os entrevistados está saindo fora do controle. Mas o que é isso? O sujeito tem um coração de ouro.
    Viciei-me na novela, como se vê. Multiplique esses quiproquós psicológicos pelos vários personagens da equipe que produz o noticiário. São, aliás, tipos deliciosos para quem conhece um pouco da vida interna do jornalismo.
    Há a loirinha absolutamente atrapalhada, pronta a cometer prodígios de ignorância --só que, apesar da aparente burrice, ela tem o jornalismo no sangue. Há a acadêmica de óculos, gostosíssima, fluente em dez línguas --mas totalmente surda para as regras mais elementares da profissão. Naturalmente, muita tensão sexual se concentra naquele convívio em ambiente fechado.
    Cada encontro entre os personagens ganha as faíscas rapidíssimas dos diálogos de Aaron Sorkin (autor de "West Wing").
    Apesar da suposta neutralidade de McAvoy no debate do primeiro capítulo, sua atuação é dura no combate ao conservadorismo americano. "Ah, como seria possível isso numa grande emissora privada de TV hoje em dia?"
    Pois é. O tapete do âncora e de sua equipe está sendo puxado o tempo inteiro. Mas o jogo da emissora exige inteligência de detetive para ser descoberto.
    O melhor, entretanto, está naquilo que toda produção americana não se cansa de fazer. Jornalistas ou pistoleiros, astronautas ou detetives, os personagens são sempre excelentes em sua atividade, e podem gabar-se dos êxitos mais implausíveis.
    A ideia de que se vive pela vocação, de que ou se é um profissional "outstanding" ou não se é nada, sobrevive a despeito de todas as falhas humanas de cada personagem. Que incluem, por exemplo, estar chapado de maconha no dia de uma revelação histórica.
    Cada capítulo, aliás, aborda capítulos recentíssimos da política americana. Espero ardentemente pelos próximos.
    Enquanto isso, fico de férias até dia 14 de agosto. Boas semanas.