domingo, 14 de julho de 2013

'Amor à Vida' recicla cenas e tramas da TV e do cinema

folha de são paulo
A série 'Grey's Anatomy' e a novela 'O Clone' estão entre as referências
Mesmo com inúmeras menções a outras histórias, especialistas não tiram mérito da obra de Walcyr Carrasco
ALBERTO PEREIRA JR.EDITOR DO "F5"CAMILA CARONDE SÃO PAULONo ar há quase dois meses, a novela "Amor à Vida" (Globo) se envolveu recentemente em um impasse em torno da personagem Nicole, vivida por Marina Ruy Barbosa.
Na história, a jovem, vítima de um câncer e submetida a sessões de quimioterapia, teria de raspar seus cabelos.
A sequência, como lembrou o novelista Aguinaldo Silva em seu perfil no Twitter, não é original.
"Protestem! Não deixem que raspem os cabelos ruivos de Marina Ruy Barbosa na novela! Nem novidade é. Fizeram com Carol Dieckmann", escreveu ele, referindo-se à novela "Laços de Família (2000), da mesma emissora.
Essa é apenas uma das diversas referências a outras produções encontradas em "Amor à Vida". As inspirações da trama passam por séries americanas, outros folhetins da própria Globo e até filmes.
Carrasco, inclusive, raspou as madeixas de outra personagem doente, a assessora Tatiana (Rachel Ripani), em "Caras & Bocas" (2009).
"Ele tem esse histórico de puxar em suas novelas outras produções", diz Nilson Xavier, autor do "Almanaque da Telenovela Brasileira". "Mas, dessa vez, exagerou."
Xavier lembra o caso da novela "O Cravo e a Rosa" (2000), em que o autor fez referências explícitas aos folhetins "O Machão" (1974), da TV Tupi, e "A Indomável" (1965), da TV Excelsior.
Em "Amor à Vida", o especialista também associa a história de Aline (Vanessa Giácomo), que está armando uma vingança contra César (Antonio Fagundes), à da personagem de Gloria Pires em "Suave Veneno" (1999). Ambas seduziram homens ricos e mais velhos para lhes dar um golpe.
Para Laurindo Leal Filho, professor de comunicação da USP, o uso de referências na dramaturgia é comum.
Ele compara a TV a uma indústria e aponta que a grande demanda por novelas, exibidas simultânea e ininterruptamente, faz com que os autores se valham de memórias sobre outras tramas.
"A necessidade de preencher esses espaços acaba inibindo a originalidade."
Apesar de tantas inspirações, Nilson Xavier não tira o mérito de Walcyr Carrasco na criação de "Amor à Vida". "A trama central é original", diz, sobre o envolvimento de Paloma (Paolla Oliveira) com Bruno (Malvino Salvador), que assumiu a filha abandonada da protagonista.
Procurados, tanto o autor quanto Mauro Mendonça Filho, diretor de núcleo da novela, não responderam.

    Mônica Bergamo

    folha de são paulo

    Em busca de novo hit, Michel Teló quer mudar o visual e diz que é cedo para se casar


    O superstar internacional Michel Teló anda devagar, com os braços cruzados atrás das costas. Pareceria um matuto, não estivesse na sala do seu dúplex na Chácara Santo Antônio (zona sul de São Paulo) em vez de numa chácara de verdade.
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    Teló se mudou do interior do Paraná para o mundo graças a um sucesso: "Ai, se Eu Te Pego", de 2011. A canção entrou na lista das 40 mais tocadas em 2012 em todo o planeta, elaborada pela United World Chart. Ganhou versões em inglês, espanhol, croata, turco e até mandarim. Chegou ao segundo lugar nas paradas da França.
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    O sucesso fez o cantor viajar o mundo --às vezes em ritmo galopante, como quando pegou um avião para Moscou, se apresentou lá e voltou ao Brasil no dia seguinte.
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    Mas a poeira dessa música está começando a baixar, diz ele. E, depois de ganhar o prêmio Billboard na categoria "top canção latina" em maio, o maior desafio do paranaense de 32 anos é se equiparar... a si mesmo. A competição, nesse caso, é dura.
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    "Foi uma coisa que nunca tinha acontecido com ninguém no Brasil. Aconteceu comigo", diz ao repórter Chico Felitti. "Friamente falando, uma música tem vida útil de três meses", analisa. "Essa durou quase três anos."
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    Seu maior hit já cumpriu o ciclo natural? "Não vai ficar tocando em rádio. Não tem jeito." A canção entrou para outro rol. "É tipo uma 'Macarena'. Se toca numa festa, todo mundo anima e levanta."

    Michel Teló

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    Adriano Vizoni/Folhapress
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    O cantor Michel Teló, que está em busca de um novo hit, pretende mudar o visual e diz que é cedo para se casar
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    É hora de novos projetos. Há um mês, Teló lançou o CD e o DVD do álbum de inéditas "Sunset". Mas não deixou de cantar o grande sucesso. "É uma música que vou ter que cantar pelo resto da vida", diz, dando de ombros como quem diz "fazer o quê?".
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    O primeiro contato com a canção aconteceu no interior da Bahia, em 2011. "Depois do meu show, fui ver uma banda num palco secundário do evento. Aí ouvi um grupo local tocar."
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    "Gostei, mas achei um pouco simples demais." O irmão e empresário Teófilo Teló insistiu para que desse uma chance à melodia sanfonada. Ele hesitou, mas acabou cedendo. Antes de cantar, fez pequenos retoques na letra. O "sábado, no forró" virou "sábado, na balada".
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    Num Carnaval fora de época em Palmas (TO), cantou pela primeira vez, com ajuda da letra, que ele não tinha decorado, no "teleprompter". "Tive meio vergonha de puxar a música, porque era muito simples."
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    Duas semanas depois, já gravava o videoclipe na Wood's, casa noturna sertaneja de luxo em SP. "O show era na quarta. Na terça, onze da noite, decidimos gravar. O pessoal tava gostando demais, o sucesso era grande."
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    Captaram as imagens que rodaram o mundo com cinco câmeras 5D, ao custo de R$ 5.000 cada uma. "Tive de cantar sete vezes. Mas deu certo, era o que o pessoal queria ouvir." Com o sucesso, a música virou caso de Justiça.
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    Sua autoria está em julgamento. Duas frequentadoras da barraca de praia Axé Moi, em Porto Seguro (BA), processam a MC Sharon, que registrou a letra. Alegam que a composição foi conjunta. Sharon diz ser a única letrista.
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    A pendenga judicial, diz ele, fica restrita às supostas autoras e não respinga no intérprete. "Fui o primeiro a pagar os direitos autorais dessa música, que muita gente já tinha gravado. Eu tô em dia." Sharon ainda faz cobranças.
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    A crítica é outro problema mal resolvido para Teló. "Qualquer pessoa te xingando é chato. É a opinião dessa pessoa, o gosto musical dela. Disseram que a música era simples, pobre", diz, fechando o sorriso. "Conheço música elaborada, com muita nota, que não tocou nem na esquina. A minha tocou no mundo todo."
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    O "New York Times" comparou o loiro com Carmen Miranda e especulou que o brasileiro tentaria carreira internacional.
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    Ele diz: "Pelo menos América Latina, sim". A proximidade com o espanhol é mais de estilo do que geográfica. "Cantar em inglês não combina comigo, com o sotaque. Tirando que é difícil!"
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    Mesmo em português não foi fácil. "Trabalhei demais. Toda semana eu ficava com dor de garganta. Era antibiótico que nem bala."
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    Isso porque ele canta "desde sempre". "Meu pai tem 12 irmãos e minha mãe mais 12. Antigamente, o músico era tido no Sul como vagabundo. Mas meu pai me incentivou de maneira absurda." Aos nove anos, ganhou uma sanfoninha verde.
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    Três anos depois, aos 12, já tocava em bailes com o Grupo Guri, do qual foi vocalista. "Começava às onze da noite e ia até quatro da manhã." Cantava clássicos como "Nuvem de Lágrimas".
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    Ele cantará a canção de novo em 2013. Mas desta vez com Chitãozinho e Xororó, que convidaram outras estrelas sertanejas para entoar grandes sucessos do estilo. "Para as pessoas saberem que o Michel Teló veio disso."
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    Outro plano para os próximos meses é lançar uma balada romântica cantada com um violão --mas não com um banquinho, porque ele gosta de se movimentar.
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    A renovação passa por dar um tapa na imagem. Teló está pensando em mudar o cabelo, cortado com navalha e arrepiado para cima. É a favor da praticidade. "Eu não demoro três minutos para arrumar. Tem colega sertanejo que demora muito mais tempo." O dele, pelo contrário, só exige secador, pomada e spray.
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    Vaidade tem limite. "Eu sou meio mão de vaca", diz ele, de dentro de uma camisa da grife inglesa Burberry. "Comprei um terno da Gucci para participar do prêmio Billboard. Me dói até hoje pensar na dinheirama."
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    Ao contrário de pares sertanejos como Luan Santana, Teló ainda não realizou o sonho do jatinho próprio. "Ando pensando em comprar um avião. Mas não precisa ser jato, não. Tem mais é que pousar em qualquer pista, de cidadezinha, de fazenda."
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    Ou de uma ilha deserta, como a que recebeu Teló e a atriz Thais Fersoza, 26, sua namorada desde abril do ano passado, nas férias de janeiro. "Penso em casar, ter família, é claro."
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    Mas acredita que não é a hora. Sua maior companheira ainda é "Ai, se Eu Te Pego", admite. "Preciso aproveitar o momento. Foi Deus."
    Mônica Bergamo
    Mônica Bergamo, jornalista, assina coluna diária publicada na página 2 da versão impressa de "Ilustrada". Traz informações sobre diversas áreas, entre elas, política, moda e coluna social. Está na Folha desde abril de 1999.

    Vitor Ramil lança disco e songbook bancados por fãs

    folha de são paulo
    Contribuições de 865 admiradores permitem a gaúcho tirar projetos do papel
    Milton Nascimento, Ney Matogrosso, o uruguaio Jorge Drexler e o argentino Fito Páez participam do álbum
    (RODRIGO LEVINO)EDITOR-ASSISTENTE DA "ILUSTRADA"Baseado em Pelotas, a 271 km de Porto Alegre, longe demais das capitais e onde seria praticamente inviável manter uma carreira de projeção nacional, o cantor, compositor e escritor Vitor Ramil, 52, mais parece um ponto de resistência.
    Desde o começo dos anos 1990, quando voltou de longa temporada no Rio para a cidade onde nasceu, o artista mantém uma carreira prolífica, independente e alimentada por uma base fiel de fãs.
    Fidelidade essa que foi posta à prova no ano passado, quando Ramil se lançou numa experiência até então inédita em sua trajetória: a de crowdfunding, financiamento coletivo pela internet.
    A proposta era produzir um songbook com 60 de suas canções e um disco duplo com 32 delas ("Foi no Mês que Vem"), o décimo de sua carreira. Em três meses, 865 fãs de oito países toparam. O montante arrecadado chegou a R$ 85 mil, R$ 15 mil a mais do que pedira.
    "Tinha medo de que parecesse caro. Vi que muitos projetos do tipo não deram em nada pelo que, acho, era excesso do artista", disse ele à Folha por telefone, sobre as cotas que iam de R$ 10 a R$ 30 mil. "Foi algo sobre o qual pensei bastante até encontrar um termo que achei que seria justo."
    A resposta não chegou a impressioná-lo, embora o tenha enchido de gratidão.
    A carreira de Ramil é repleta de histórias curiosas relacionadas a fãs. Como a de uma senhora que comprava caixas de discos seus para mandar a lojas em cidades onde não era possível adquiri-los, só para que a obra dele fosse mais conhecida.
    Seu processo de criação musical mais lembra o de escritores, de recolhimento e depuração do próprio repertório, rearranjando-o, encontrando outros modos de cantá-lo e tocá-lo. "Minha ideia era gravar um disco inteiramente acústico, mas, aos poucos, percebi que poderia soar só como acessório do songbook. E não era isso, podia ser algo maior", conta. E foi.
    Entre convidados como Milton Nascimento, Ney Matogrosso, o uruguaio Jorge Drexler, os argentinos Fito Páez e Pedro Aznar, canções marcantes da carreira de Ramil como "Estrela, Estrela", "Loucos de Cara", "Astronauta Lírico" e "Neve de Papel" foram reinterpretadas com arranjos voltados sobretudo para o violão, seu instrumento de predileção.
    "A própria escolha das músicas se deu muito pela afinidade que cada uma delas tinha com o instrumento", conta, sobre o trabalho de garimpagem que o permitiu "cortar excessos", como chama a miríade de baixos, baterias e teclados, substituídos por violões de afinações variadas, timbres cristalinos, além de percussão e cordas.
    É, de certo modo, a radicalização do que se anunciava em "Délibáb", disco de 2010, em que dividia com o violonista argentino Carlos Moscardini os arranjos dos poemas que musicou do argentino Jorge Luis Borges e do gaúcho João da Cunha Vargas.
    Como o disco anterior, "Foi no Mês que Vem" foi gravado em Buenos Aires e mixado nos EUA. "É um trabalho de fronteiras abertas", diz. Fito Páez gravou sua participação em casa, na companhia do cantor, em Buenos Aires; Jorge Drexler, num quarto de hotel durante uma breve passagem pelo Uruguai (ele vive na Espanha). Do Rio, vieram as vozes de Ney Matogrosso e Milton Nascimento.
    Ramil tem ainda a companhia de Ian e Isabel, seus filhos, ela lendo um trecho em francês do escritor Paul Valéry, na canção "Noa Noa".
    "Já me disseram que formei meu pequeno Clube da Esquina. Tem um pouco a ver", compara ele.

      Mauricio Stycer

      folha de são paulo
      Excesso de bravatas
      Há muitas explicações para a crise da Record, mas impressiona ver a emissora não reconhecer erro algum
      Bispo licenciado da Igreja Universal, Honorilton Gonçalves assumiu a superintendência executiva e de produção da Record em agosto de 2003. No ano seguinte, a emissora lançou o slogan "a caminho da liderança", embora ainda fosse a terceira principal rede de televisão do país.
      Fruto dos próprios investimentos, mas também da acomodação do SBT (cujo slogan era "liderança absoluta do segundo lugar"), a Record superou o rival em 2007 e, pela primeira vez, viu a Globo um pouco mais de perto.
      Ao longo destes dez anos, o slogan se tornou uma espécie de palavra de ordem, gritada por executivos da emissora e repetida por fiéis espectadores em qualquer situação, seja no lançamento de novos produtos, seja em resposta a críticas à qualidade da programação.
      Em vez de se aproximar da líder, porém, em 2012 a Record sentiu a volta do SBT aos seus calcanhares. A luta entre as redes de Edir Macedo e Silvio Santos nunca foi tão acirrada quanto nestes últimos meses.
      Coincidência ou não, a emissora deu início a um doloroso processo de enxugamento de custos, demissão de pessoal e cancelamento de programas. O que aconteceu? O que deu errado? Há muitas explicações para a crise da Record, mas impressiona ver a emissora não reconhecer erro algum e, ainda, culpar os outros pelos seus maus resultados.
      Não tenho simpatia alguma por Gugu Liberato nem pelo programa que ele fazia no canal, mas foi triste ver o apresentador transformado na face mais visível da crise ao ser vazada a informação de que, eliminando-se o seu salário, estimado em R$ 3 milhões mensais, seria possível poupar a cabeça de 600 funcionários.
      Duas semanas depois desta notícia, no dia 7 de junho, o apresentador chegou a um acordo com a Record para a rescisão de contrato. Na véspera, o então vice-presidente da emissora, Honorilton Gonçalves, havia dito à Folha:
      "Esta é a fase mais importante da Record, pois estamos preparando a empresa para ser ainda mais competitiva, para o caminho da liderança. Temos a preocupação de adequar a rede à realidade atual do país e do mundo."
      Menos de 30 dias depois desta entrevista, na segunda-feira, 1º de julho, foi a vez de o próprio Honorilton perder o cargo, encerrando um ciclo de uma década na casa. Foi substituído por Marcelo Silva, igualmente oriundo da hierarquia religiosa que comanda a Record.
      Contrariando a lógica neste tipo de mudança, dois dias depois da demissão do vice-presidente, na quarta (3), a empresa anunciou a troca do seu presidente: saiu Alexandre Raposo, entrou Luiz Claudio Costa.
      A concorrência à Globo é necessária, mas a Record ainda não encontrou a fórmula nem os meios para levar adiante a sua proposta. A emissora tem sustentado um jornalismo de qualidade no horário nobre, mas ainda não conseguiu achar o tom da sua teledramaturgia.
      Pior, segue apelando a programas popularescos, a assistencialismo e ao proselitismo religioso em diversas atrações.
      O excesso de bravatas ("A Record nunca esteve tão pronta para enfrentar a Globo", dizia Honorilton) pode ajudar a mobilizar seguidores para uma batalha, mas não parece ser o caminho indicado para conquistar público na televisão.