quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Dias frios prejudicam o coração‏

Quanto menor é a temperatura maiores são os riscos de as pessoas sofrerem um infarto, dizem cientistas belgas. O estudo foi apresentado em congresso na Holanda 


Luciane Evans


Estado de Minas: 11/09/2013 
 
Amsterdã – Parecem não fazer mal a ninguém. São bons para namorar, dormir até mais tarde e comer coisas gostosas. No entanto, os dias frios, declamados como bucólicos por muitos poetas, nada têm de românticos e passaram a ser vistos, agora, como inimigos do coração. O alerta vem de um estudo belga, apresentado pela primeira vez na Europa, durante congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia, na semana passada, em Amsterdã. Pesquisadores descobriram, depois de três anos de estudo, que quanto mais baixas são as temperaturas, maiores são os riscos de infarto agudo do miocárdio. Apesar de os médicos brasileiros já conhecerem essa face do inverno, eles apontam que a pesquisa serve para confirmar cientificamente o que já se suspeitava na medicina.

Entre 2006 e 2009, os cardiologistas belgas reuniram dados de 32 centros de saúde da Bélgica sobre pacientes que sofreram infarto. As informações foram correlacionadas com a média semanal de relatórios meteorológicos obtidos em 73 sites de monitoramento do ar de todo aquele país. A coleta, de acordo com o pesquisador Marc Claeys, incluiu a poluição do ar, temperatura e umidade relativa. Depois de uma análise multivariada, os resultados mostraram que para cada redução de 10% na temperatura mínima, houve um significativo aumento, de 7 %, na incidência de infartos. “A poluição do ar não teve efeito significativo”, ressaltou Marc. 

Para o pesquisador, o aumento do risco associado à diminuição da temperatura inclui a estimulação de receptores de frio na pele e do sistema nervoso simpático, um dos componentes do sistema nervoso autônomo, responsável pelo controle involuntário de vários órgãos internos. “Issto, juntamente com o volume de plasma reduzido e aumento da viscosidade do sangue durante a exposição ao frio, provoca trombose, consequentemente, o infarto”, defendeu Marc, alertando as pessoas com risco para o mal a evitar se expor a mudanças bruscas de temperatura e a usar roupas adequadamente quentes ao ar livre quando há quedas nos termômetros.

O coordenador de relações institucionais da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas, Márcio Jansen de Oliveira Figueiredo, presente no congresso em Amsterdã, comenta que a relação do frio com os problemas de coração sempre foi algo conhecido da medicina, mas “ninguém tinha mostrado isso cientificamente”. Ele destaca que a imagem clássica de um infarto é um homem adulto, grisalho, segurando uma maleta, numa noite fria, e com dores. “Essa figura é clássica para o tema”, diz. Figueiredo comenta que nos dias frios o organismo descarta alguns mecanismos de defesa, fazendo com que o sistema nervoso simpático seja ativado, o que favorece a ocorrência de infarto e de arritmias cardíacas. “O estudo não nos sugere estratégias para evitar isso. O melhor é que as pessoas estejam agasalhadas”, indica. 

Mas o cardiologista Marcus Vinícius Bolívar Malachias, professor da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, é cauteloso diante da comprovação dos pesquisadores. “A baixa temperatura, em muitos casos, pode até proteger o paciente que fez uma cirurgia cardíaca. Mas, de fato, o organismo, durante os dias frios, contrai as artérias, e para quem já tem alguma doença cardíaca, a estação passa a ser um risco. É um risco também para quem viaja para o exterior, já que no Brasil não temos o frio europeu. Mas, quando é verão aqui, em época de férias, nós, brasileiros, gostamos de ir à Europa, e lá é inverno com temperaturas abaixo de zero. Por isso, é preciso cuidado”, analisa.
MEDICAÇÕES Com o foco nas doenças cardiovasculares, o congresso na Holanda reuniu cerca de 20 mil médicos de todo o mundo. Do Brasil, cardiologistas que participaram do evento apontaram que, entre os assuntos em discussão, o que mais chamou atenção, além dos novos estudos, foram as pesquisas de novas medicações para os problemas de coração. De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), os males cardiovasculares são a primeira causa de morte no mundo, com 17 milhões de óbitos somente em 2011.

Marcus Bolívar destacou os novos anticoagulantes orais como parte importante nas discussões do congresso, assim como Márcio Jansen. “Esses novos fármacos têm melhorado a qualidade de vida dos pacientes”, afirmou Bolívar, lembrando que a indústria farmacêutica apresentou também suas falhas, como os resultados da fase II Re-Align, na qual o estudo mostrou que o tratamento com o anticoagulante etexilato de dabigatrana resultou em um maior número de complicações tromboembólicas e hemorragias em doentes com válvulas cardíacas mecânicas do que com o tratamento padrão usando o medicamento warfarina. O estudo, apresentado por Frans van de Werf, do Hospital Universitário de Leuven, na Bélgica, e publicado simultaneamente no New England Journal of Medicine, foi interrompido precocemente por causa dos resultados decepcionantes.

Por outro lado, foram apresentados resultados do medicamento que tem como princípio ativo a  rivaroxabana. No mercado  desde 2009, a medicação era indicada para prevenção e tratamento contra o trombolismo venoso e prevenção da fibrilação atrial. Novas pesquisas, no entanto, mostraram que o remédio é eficaz e seguro também para o tratamento de embolia pulmonar.

Eduardo Almeida Reis - Crime continuado‏

Não há filho único de 13 anos, de pais que tenham dois automóveis, que não tenha sido ensinado a dirigir


Eduardo Almeida Reis

Estado de Minas: 11/09/2013 


Sou do tempo em que ocorria crime continuado quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, praticava dois ou mais crimes da mesma espécie e, pelas condições de tempo, lugar, maneira de execução e outras semelhanças, os subsequentes eram havidos como continuação de primeiro.

Enquanto philosopho, não acho que tenha existido crime continuado na Vila Brasilândia, em São Paulo, onde foram encontrados os corpos de cinco pessoas: um menino de 13 anos, seus pais, sua avó materna e uma tia-avó, cada um morto com uma bala de pistola P.40 na cabeça.

Encontrados os corpos, todos pensaram em crime continuado, mas as primeiras evidências, à luz do meu alto philosophar, transformaram as cinco mortes numa tragédia, acontecimento funesto que despertou piedade e horror. Toda a imprensa, ela sim, cometeu crime continuado ao veicular notícias e comentários que se chocavam com a evidência dos fatos: o menino de 13 anos saiu dirigindo o carro da mãe por volta de uma hora da manhã, o carro foi filmado estacionando junto à calçada, próxima da escola em que ele estudava, pouco depois da hora em que foi visto saindo de casa. Às seis da manhã o menino foi filmado saindo do carro e andando pela calçada até a sua escola, onde assistiu às aulas e voltou para Vila Brasilândia de carona no carro do pai de um coleguinha. Seu corpo foi encontrado junto com os dos pais ao cair da noite daquele dia. Tinha a pistola P.40 próxima da mão esquerda e uma perfuração na têmpora esquerda.

A partir daí, quase toda a imprensa falada, escrita e televisionada praticou o crime continuado de veicular hipóteses ventiladas por qualquer imbecil, dos muitos que andam por aí. Primeira: o menino não sabia dirigir. Ora, não há filho único de 13 anos, de pais que tenham dois automóveis, que não tenha sido ensinado a dirigir.

Desde as primeiras horas da descoberta dos corpos, velho e experiente delegado da Polícia Civil de São Paulo afirmava que o menino era o principal suspeito. Tinha um tiro na têmpora esquerda e era canhoto, como atestou sua professora. Ninguém melhor do que uma professora para saber se o aluno é destro ou canhoto, mas a imprensa deu crédito a um sujeito, vagamente identificado como parente, que afirmou ser o menino destro.

Quando foi visto (e filmado com dia, hora, minutos e segundos registrados na filmagem) saindo do carro perto da escola, depois das seis da manhã, seus pais e suas avós já estavam mortos nas duas casas construídas em um só terreno. Tanto assim que os pais foram procurados pelos colegas de trabalho no final da tarde, porque não compareceram pela manhã ao serviço na PM paulista, onde a mulher era cabo e seu marido sargento de tropa de elite. Amanhã tem mais.

Perfil

Dia desses reencontrei amigo que não via desde o século e o milênio passados. Magro, 1,80m, cabelos fartos grisalhando, risonho, continua o carioca que conheci há 40 anos, casado, pai de filhos, sempre alegre, formava com a mulher o par ideal. A chegada do casal era uma festa dentro de outra festa: educados, bebiam bem, contavam histórias divertidas e me davam a impressão de par perfeito, os dois nas respectivas profissões, ele titular de boa clínica.

Acontece que o amigo padecia de uma síndrome não muito comum, que agora batizo como Síndrome de L.E., isto é, de libido exacerbada. Entre outras proezas, ainda casado, namorou ao mesmo tempo duas atrizes muito conhecidas de todos vocês, mãe e filha. Dá para imaginar a confusão de esconder da mulher, da atriz mãe e da atriz filha a simultaneidade amorosa, mas o esquema funcionou durante anos.

Em viagem de compra de terras para terceiros, lá estive com o excelente patrício num cabaré cuiabano. Ao terceiro uísque, notei que ele estava loucamente apaixonado pela profissional que se assentou à nossa mesa, levou-a para o hotel e na manhã seguinte continuava apaixonadíssimo, quando se despediu da cuiabana honestamente amada e remunerada. Se continua operacional, deve estar fazendo a felicidade de inúmeras senhoras e senhoritas.


O mundo é uma bola
11 de setembro de 1609: Henry Hudson descobre o Rio Hudson, que, suponho, seja aquele de Nova York. Em 1714, tomada de Barcelona pelas forças borbónicas (?) durante a Guerra da Sucessão Espanhola. Barcelona é aquela do time de futebol presidido pelo Sandro Rossell, gente finíssima, amigo de amigos nossos, catalão que embolsa
US$ 450 mil em toda partida disputada pela Seleção Brasileira. Borbónicas deve ter relação com os membros de família francesa, originada em 1272, à qual pertenceram soberanos da França, Espanha, Nápoles e Duas Sicílias.

Em 1968, lançamento da primeira edição da revista Veja, que tem prestado bons serviços ao país. Em 1969, a Junta Militar edita o AI-5. Em 1985, desastre ferroviário de Moimenta-Alcafache, na Linha da Beira Alta, o maior ocorrido em Portugal. Estima-se que tenham morrido 150 pessoas.

Em 2001, ataque de radicais muçulmanos às Torres Gêmeas de Nova York matando cerca de 3 mil pessoas. Em 1965 nasceu o médico Bashar al-Assad, presidente da Síria, casado com a linda Asma.
Hoje é o Dia do Cerrado.

Ruminanças


“Die Religion ist das Opium des Volks” (Karl Heinrich Marx, 1818–1883).

terça-feira, 10 de setembro de 2013

A liberdade encantoada - Eugênio Bucci

Época - 09/09/2013


A Até outro dia, os vilões da espionagem e da invasão de privacidade eram os governos autoritários, em países como China ou Coreia do Norte. Não sem motivo. Nesses lugares, o Estado não prima pelo respeito à intimidade de seus cidadãos. Sem a menor cerimônia, revira gavetas, atropela memórias familiares e pisoteia segredos pessoais de gente indefesa, tudo em nome de proteger os interesses da pátria, do socialismo, do que quer que seja.

Em 2006, um filme alemão dirigido por Florian Henckel von Donnersmarck, A vida dos outros, escancarou o pesadelo de como a Stasi, a polícia secreta da Alemanha Oriental durante a Guerra Fria, instalava escutas dentro de apartamentos a qualquer hora, sob qualquer pretexto, e espionava pessoas comuns enquanto tomavam banho, liam jornal ou faziam amor. A vida dos outros (Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2007) chocou suas audiências com o perfil minucioso e aterrador de um Estado que podia tudo contra cidadãos silenciados. A partir dessa pequena obra de arte, e também a partir de relatos factuais, hoje fartamente comprovados pela História, fomos aprendendo uma lição que não temos o direito de esquecer nunca mais: o que separa uma democracia de um regime totalitário é o lugar da transparência.

Na democracia, a lei impõe que a vida privada seja indevassável, assim como impõe que o Estado seja transparente.  Nos regimes totalitários, o Estado é opaco, faz o que bem entende e está acima da lei. Pode até dispor da intimidade das pessoas mais ou menos como um cavalo dispõe do capim que mastiga no pasto. Na democracia, nós, cidadãos, temos o direito a nossos segredos íntimos, do mesmo modo que temos o direito de conhecer cada detalhe da administração pública. No totalitarismo, dá-se o oposto: o funcionário do Estado pode ocultar do público o que bem quiser, além de ter à mão as ferramentas para devassar a privacidade de quem bem entender. Conclusão óbvia: há mais democracia onde o Estado é mais transparente e onde a privacidade é mais respeitada - e há mais autoritarismo onde o Estado é mais opaco e onde os cidadãos não têm como proteger seus assuntos pessoais das investidas das autoridades.

Até outro dia, situações de selvageria estatal como a do filme A vida dos outros eram comuns em países submetidos a ditaduras escarradas. As democracias, ou as pretensas democracias, estavam a salvo desse tipo de deformação, pois asseguravam liberdade de expressão e direito à privacidade. Quando a internet surgiu, foi saudada por muita gente como uma invenção genuinamente democrática, uma tecnologia que as ditaduras jamais conseguiriam controlar. A internet era, então, o casamento perfeito entre a tecnologia de ponta e a democracia mais avançada. Uma era a realização da outra.
Ainda outro dia, em abril deste ano, a revista The Economist, em reportagem sobre a internet na China, lembrou uma frase que Bill Clinton pronunciou quando ainda era presidente dos Estados Unidos. Questionado sobre a possibilidade de o governo chinês monitorar de perto a comunicação na internet, ele afirmou: "Será como enxugar gelo" (em inglês, "nail jelPo to the wall", o que literalmente quer dizer "pregar gelatina na parede"). Com seu estilo espirituoso, leve, fácil, Clinton americano profetizou que a internet não poderia ser administrada pelas garras estatais e sintetizou o olhar do pretenso "mundo livre" sobre as "sociedades fechadas", um olhar superior, confiante e ligeiramente irônico.

Isso tudo foi outro dia. Hoje, o panorama virou de ponta-cabeça. Há uma semana, o Fantástico, da TV Globo, revelou que os e-mails de ninguém menos que a presidente Dilma Rousseff podem ter sido lidos por serviços secretos de inteligência americana, numa operação gigantesca, que transforma as interferências do Estado chinês sobre a rede de computadores numa brincadeira inofensiva (a propósito, contrariando a previsão de Clinton, a China consegue monitorar razoavelmente o fluxo de informações na web). Pelas notícias que correm o mundo, o controle exercido pelo governo americano - não apenas nos Estados Unidos, mas em todos os continentes - parece ser maior, mais poderoso e mais invasivo. E, atenção: não é só a presidente do Brasil que sofre esse tipo de invasão violenta. Cada um nós está sujeito a bisbilhotices análogas. O pior é que não sabemos como isso pode ser feito, pois o Estado americano, opaco, não diz. Um mundo em que não temos direito à privacidade não é um mundo livre. Um Estado dito democrático que se vale da internet para invadir privacidades,bem... não contávamos com isso até outro dia.

Maria Esther Maciel - Milagres‏


Estadod e Minas: 10/09/2013 


Estamos sempre à espera de milagres, mesmo sabendo que eles são muito raros ou podem nunca ocorrer. Afinal, quem somos nós para ter certeza de que existem de fato? Mas só de desejarmos que eles existam (o que pode levá-los a realmente existir), já encontramos um enorme consolo para os nossos desalentos.

Foi Zenóbia quem, um dia, me garantiu que os milagres acontecem quando os desejamos bem lá no fundo. “Nem precisamos ter consciência desse desejo, pois ele fica lá dentro, à nossa revelia, e independe do que possamos pensar dele”, disse ela, ajeitando com a mão direita os fios soltos do cabelo branco, que insistiam em cair-lhe sobre a testa. E como costumo confiar na sabedoria das pessoas muito mais velhas, fiquei com essa frase para poder evocá-la nas horas de desânimo.

Se escrevo agora sobre isso (matéria pouco conveniente para uma crônica de jornal, reconheço), é por culpa do dicionário. Às vezes pego o Aurélio ou o Houaiss e os abro aleatoriamente numa página qualquer. Vejo nisso um exercício interessante não apenas para aprender novas palavras, como também para pensar sobre elas e descobrir seus sentidos fora das definições que lá estão. Ontem mesmo, sem saber sobre o que escrever para a coluna desta terça, peguei o Aurélio, fechei os olhos e o abri ao acaso. A primeira palavra que li na página aberta foi exatamente esta: milagre. Seguida de outras afins: milagreiro, milagrento, milagrosa, milagroso. E imediatamente lembrei-me de Zenóbia, que, no dia da nossa conversa sobre o assunto, mencionou um acontecimento de sua vida, que de tão inexplicável pelas leis da ciência ou da natureza só podia ser considerado um milagre. Ao que ela ainda acrescentou: “Foi algo que só se tornou possível por causa de uma força misteriosa (um desejo fundo?) que eu não sabia que tinha dentro de mim”.

Lembro-me também de ter ouvido Zenóbia falar dos pequenos milagres do dia a dia, esses que dão sentido às coisas mais ordinárias da vida. É sobre esses milagres que os poetas geralmente escrevem. O americano Walt Whitman, por exemplo, fez um belo poema sobre os milagres cotidianos, dizendo que o próprio ato de andar pelas ruas de Manhattan ou ver o leve contorno da lua nova numa noite de primavera já é um milagre. Assim como cada hora de luz ou de treva também é, segundo ele, um milagre. Aliás, creio que Manuel Bandeira soube tratar disso muito bem num poema curto e, de certa forma, irônico, que diz nos últimos versos : “O espaço é um milagre./ A memória é um milagre./ A consciência é um milagre./ Tudo é milagre./ Tudo, menos a morte./ Bendita a morte, que é o fim de todos os milagres.”

Como se vê, milagre pode ser tanto o acontecimento mais raro – por exemplo, quando alguém sobrevive, surpreendentemente, a uma morte quase inevitável – quanto o mais comum, como passear com o cachorro no parque, num dia ameno de sol e poucas nuvens. Tudo depende de quem percebe ou vê o milagre do acontecimento. Agora mesmo, tento vê-lo no próprio ato de escrever quando não se sabe exatamente o que escrever. E é nesse sentido que a crônica de hoje não deixa de ser, também, um milagre. Pelo menos, é o que percebo ou vejo ao chegar a esta última frase.