quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
Eduardo Almeida Reis - Comer
Estado de Minas: 22/01/2014
Há pessoas que só pensam em comer, sempre que possível nos melhores restaurantes. Comer é muito gostoso e uma comidinha caprichada tem hora e vez, mas a obsessão de certos gourmets me parece um grande exagero. Lucien Farnoux-Reynaud, citado num dos livros sobre vinhos do excelente Sérgio de Paula Santos, disse: “Dado que o homem é o único animal que bebe sem ter sede, convém que o faça com discernimento”. Frase que não se aplica aos gourmets, porque não acredito que alguém coma sem ter fome. A esquisitice dos foodies, gourmets em inglês, se manifesta quando falam ou escrevem sobre as delícias que comeram, geralmente iguarias que ninguém conhece nem de ouvir falar. Você, caro, preclaro e ousado leitor, já comeu vitela com molejas, aquelas glândulas que ficam juntas à traqueia? Elas mesmas, molejas ou timos, pequenas glândulas situadas no tórax, em frente à traqueia, cuja função é produzir linfócitos T, de importância na resposta imunitária do organismo, e que involuem a partir da puberdade, quando suas funções passam a ser desenvolvidas por outras estruturas. Como pode alguém passar dos 18 anos sem ter comido molejas no “Daniel” de Nova York? No mesmo restaurante você deve comer caranguejos peekytoe com abacate e azeitonas, além de abalone, um molusco, com escarola e croquetinho de arroz. Lá mesmo, em Nova York, você não pode deixar de ir ao “Jean Georges”, comandado pelo chef Jean-Georges Vongerichten, que serve uma sopa fria de pimentões com framboesas, além de granola de pecan e outras castanhas caramelizadas com foie gras, antes do consomê de frango com alcachofras e especiarias, mas tem um detalhe: é frango criado como ave de caça, o que lhe dá um sabor de respeito.
Limites
Pelo visto e ouvido, liberou geral. O palavrão tomou conta dos programas televisivos das senhoras – palavrões cabeludos – e no Jô, às nove da noite, o sexo oral detalhado tornou-se verbal durante entrevista de 15 minutos com um espiroqueta, cronista de um grande jornal, filho de espiroqueta que também é muito citado e dito amigo de sujeitos conhecidos. Sexo oral descrito com todos os efes e erres de chulice durante 15 minutos. Entrevista selecionada para retransmissão às nove da noite. Pelo andar da carruagem, só falta aentrevistar uma jovem noiva que se relacione sexualmente com o seu cão pastor – alemão ou belga, tanto faz. Entrevista durante o relacionamento amoroso no estúdio da tevê. Não invento. Já lhes contei o caso da moça que chegou de táxi engatada ao seu cão pastor, para ser desengatada pelos médicos da Santa Casa. Foi há mais de 20 anos, mas continua acontecendo por aí. Famoso homem de televisão vivia dizendo que o veículo não foi feito para ensinar, mas para divertir. Não consigo entender a restrição ao ensino via tevê, não digo dos cursos a distância, mas o ensinamento na programação normal. Quanto ao divertimento, nada contra, mas cabe a pergunta: sexo oral pormenorizado é divertimento televisivo? Se for, que virá depois dele?
O leitor que me conhece há muito tempo, não só por meio da imprensa escrita, como também dos programas radiofônicos e televisionados, sabe que nunca fui santo. Santo Eduardo, o Confessor (c. 1004-1066) foi o penúltimo rei saxão da Inglaterra (1032-1066) e era filho de Ethelred II e da senhora Ema da Normandia, duas vezes rainha consorte da Inglaterra por meio de seus casamentos com Ethelred II, de 1002 a 1016, e Canuto, o Grande, de 1017 a 1035. Parece que teve dois filhos com Ethelred II e um com Canuto, chamado Canuto II, que foi preterido pelo irmão bastardo Haroldo I. Mesmo não sendo santo como o xará, horrorizam-me os rumos tomados pela televisão brasileira. Não é pudicícia, é lógica, é bom senso. Já vi o que pode acontecer quando um cavalo toma o freio nos dentes. Nossa tevê tomou.
O mundo é uma bola
22 de janeiro: em 1462, descoberta a Ilha de São Vicente em Cabo Verde; em 1502, descoberta a Ilha de São Vicente no Brasil; em 1532, fundação da Vila de São Vicente, a primeira do Brasil. Algo me diz que hoje é o Dia de São Vicente. Em 1506 o papa Júlio II criou da Guarda Suíça do Vaticano. Em 1808, chegada ao Brasil da família real portuguesa, transmigrada com a ocupação de Portugal pelas tropas napoleônicas. A Wikipédia fala em “fuga”, palavra forte; prefiro transmigração. Em 1957, Israel se retira da Península de Sinai. Em 2006, Evo Morales assume a Presidência da Bolívia e Cavaco Silva é eleito presidente da República de Portugal. Aníbal Antônio Cavaco Silva, um dos raros portugueses que não é Manuel. Nasceu em Boliqueime, Loulé, dia 15 de julho de 1939. Boliqueime é uma freguesia do concelho de Loulé e fica lá em baixo no mapa de Portugal, sinal de que deve ser algarvia. Em 1788 nasceu George Gordon Byron, sexto barão Byron, conhecido como Lord Byron, poeta inglês que disse: “O galo é o clarim das madrugadas”, frase absolutamente idiota. Confirmada minha suspeita: hoje é o Dia de São Vicente de Saragoça.
Álcool é mais fatal na meia-idade
Álcool é mais fatal na meia-idade
Levantamento indica que, no Brasil, o vício mata principalmente homens com 50 a 59 anos. No país, não há prevenção e o tratamento é pífio
Isabela de Oliveira
Estado de Minas: 22/01/2014
Noites
intermináveis de festas regadas a álcool podem dar a impressão de que os
jovens são as maiores vítimas da ingestão desenfreada de bebidas
alcoólicas. Não no Brasil. Uma pesquisa da Organização Pan-Americana da
Saúde (Opas), publicada no periódico Addiction, contraria a tese. O
índice de mortes relacionadas ao vício é maior entre os adultos de 50 a
59 anos. Para os especialistas, a cultura machista e a ineficiência das
políticas públicas fazem com que o país ocupe o 5º lugar no ranking das
nações americanas com mais óbitos causados pelo álcool.
Segundo o levantamento com dados de 16 países das Américas do Norte, Central e do Sul, as autoras brasileiras Vilma Gawryszewski e Maristela Monteiro verificaram que, entre 2007 e 2009, o Brasil registrou mais de 22 mil mortes diretamente relacionadas ao consumo de bebidas alcoólicas. Os homens correspondem a 88,5% do total. Nas nações analisadas, o número total de vítimas por ano chegou a 79.456.
Jorge Jaber, presidente da Associação Brasileira de Alcoolismo e Drogas (Abrad), acredita que taxas tão elevadas entre os consumidores do sexo masculino são um fato cultural. “Quando a mulher bebe, vira alvo de críticas, preconceito e desvalorização sexual. A sociedade, principalmente os homens, parte do princípio de que elas serão mais fáceis de serem conquistadas, no sentido sexual. O homem, ao contrário, é estimulado a beber, e leva-se isso na brincadeira”, diz o especialista em dependência química pela Universidade de Harvard (EUA) e membro da Associação Brasileira de Psiquiatria.
Um dos bêbados mais conhecidos do Brasil é o personagem João Canabrava, do humorista Tom Cavalcante. Outra versão tragicômica do problema de saúde pública mundial é Barney Gumble, personagem criado por Matt Groening para a série de animação Os Simpsons. “Todos riem quando um homem está alcoolizado e faz alguma gracinha. Mas, quando uma mulher comete algum descontrole, isso gera uma certa consternação. O pai alcoolizado é um problema. A mãe, uma catástrofe”, afirma Jaber.
Ainda que os homens estejam na dianteira das estatísticas, o número de mulheres consumidoras de bebidas cresce. Segundo o Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), feito pelo Instituto Nacional de Políticas Públicas do Álcool e Outras Drogas, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em 2012, elas representavam 39% do total de pessoas que bebiam álcool pelo menos uma vez na semana, contra 29% em 2006. “A gente pode dizer que elas são grandes alvos das campanhas de bebida, e a indústria do álcool enxerga hoje no público feminino um grande nicho”, observa Ana Cecília Marques, psiquiatra e presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead).
fígado dilacerado Outro motivo para os homens morrerem mais é a resistência em fazer consultas de rotina. A cirrose, por exemplo, evolui em um período máximo de cinco anos, tempo em que muitos nem sequer passam perto do consultório médico. “O álcool literalmente mata as células do fígado, que, apesar do alto poder de regeneração, não consegue suportar as lesões sucessivas provocadas pelo vício”, explica o clínico médico Sérgio Fernandes.
Segundo Jorge Jaber, um dos motivos para tanta demora no diagnóstico das doenças do fígado entre os homens – esses males representam 54% de todas as mortes relacionadas ao álcool no Brasil, de acordo com o estudo – está no fato de o sistema digestivo deles ser maior e mais eficiente, de forma que conseguem consumir maiores quantidades de bebidas alcoólicas durante mais tempo sem sentirem os efeitos adversos na saúde.
“Não há prevenção. Não existem políticas que forneçam tratamento ou assistência. Não há quem diga para a pessoa que ela precisa de ajuda. A prevenção no Brasil é zero, e o tratamento, pífio. O controle da oferta não existe, pois os adolescentes têm acesso a bebidas”, alerta Ana Cecília.
O problema se repete em outros países analisados. As autoras do trabalho afirmam que toda a América sofre com o descaso em maior ou menor intensidade. “Mortes relacionadas ao álcool são evitáveis por meio de intervenções e políticas que minimizem o consumo. Pesquisas em todo o mundo indicaram que as restrições à disponibilidade de bebidas alcoólicas, o aumento de preços e o controle de marketing interferem efetivamente para reduzir o uso nocivo”, concluem, no estudo.
Abalos psiquiátricos A bebida alcoólica pode causar diretamente 60 tipos de doenças e lesões, como cirrose, pancreatite e transtornos psiquiátricos. Vilma Gawryszewski e Maristela Monteiro ressaltam o risco de o dependente ser acometido por “uma série de doenças mentais ou do sistema nervoso”. Entre elas, a depressão, a ansiedade, as psicoses e a neuropatia periférica.
Na Argentina, no Brasil, em Cuba, na Guatemala e na Nicarágua, os distúrbios neuropsiquiátricos foram responsáveis por cerca de metade das mortes relacionadas ao álcool. Segundo Ana Cecília Marques, um dos problemas mais recorrentes são os acidentes vasculares hemorrágicos. Eles aparecem primeiro com a hipertensão arterial, também causadora dos derrames.
Jorge Jaber explica que o consumo frequente leva à morte dos neurônios, o que resulta em alterações cognitivas e de aprendizado. A memória fica alterada e as dificuldades acometem também os membros periféricos. “Os neurônios responsáveis pelos movimentos, aqueles que saem do cérebro e vão para os músculos, também são destruídos. Por isso, a marcha é comprometida. São as chamadas doenças dos nervos periféricos, crônicas, progressivas e fatais”, diz.
Duas perguntas para...
Maurício Fiore, Antropólogo e pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap)
O consumo das bebidas alcoólicas é maior entre os homens. Que aspectos sociais estão por trás disso?
Trata-se claramente de uma questão histórica. O ato de beber é mais associado aos homens, inclusive porque normalmente se bebia fora de casa, na cena pública. Há diferenças entre períodos e regiões, mas a capacidade de consumir álcool é, no Ocidente, associada à masculinidade. Isso vem se alterando, principalmente depois do século 20. Os dados indicam que a proporção de mulheres que bebem cresceu, inclusive no Brasil, embora ainda estejam longe dos homens. Há que se considerar também que, em média, a capacidade feminina de absorver o álcool é menor que a masculina.
No Brasil, a legislação para bebidas é tímida. Isso reflete uma tendência do país em não considerar o produto uma droga?
As políticas públicas sobre álcool no Brasil ainda engatinham. O consumo de álcool é naturalizado e ainda raramente visto como o de uma droga psicoativa. Mas há fatores políticos e econômicos que também impedem que a discussão sobre política de álcool avance. Uma das maiores empresas do mundo é a Ambev, que tem um poder de pressão política grande. Enquanto o Congresso Nacional só consegue fazer mais do mesmo com relação às drogas ilícitas – endurecer penas, sendo que o caminho mundial é o contrário –, no caso do álcool, quase nada avança.
Segundo o levantamento com dados de 16 países das Américas do Norte, Central e do Sul, as autoras brasileiras Vilma Gawryszewski e Maristela Monteiro verificaram que, entre 2007 e 2009, o Brasil registrou mais de 22 mil mortes diretamente relacionadas ao consumo de bebidas alcoólicas. Os homens correspondem a 88,5% do total. Nas nações analisadas, o número total de vítimas por ano chegou a 79.456.
Jorge Jaber, presidente da Associação Brasileira de Alcoolismo e Drogas (Abrad), acredita que taxas tão elevadas entre os consumidores do sexo masculino são um fato cultural. “Quando a mulher bebe, vira alvo de críticas, preconceito e desvalorização sexual. A sociedade, principalmente os homens, parte do princípio de que elas serão mais fáceis de serem conquistadas, no sentido sexual. O homem, ao contrário, é estimulado a beber, e leva-se isso na brincadeira”, diz o especialista em dependência química pela Universidade de Harvard (EUA) e membro da Associação Brasileira de Psiquiatria.
Um dos bêbados mais conhecidos do Brasil é o personagem João Canabrava, do humorista Tom Cavalcante. Outra versão tragicômica do problema de saúde pública mundial é Barney Gumble, personagem criado por Matt Groening para a série de animação Os Simpsons. “Todos riem quando um homem está alcoolizado e faz alguma gracinha. Mas, quando uma mulher comete algum descontrole, isso gera uma certa consternação. O pai alcoolizado é um problema. A mãe, uma catástrofe”, afirma Jaber.
Ainda que os homens estejam na dianteira das estatísticas, o número de mulheres consumidoras de bebidas cresce. Segundo o Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), feito pelo Instituto Nacional de Políticas Públicas do Álcool e Outras Drogas, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em 2012, elas representavam 39% do total de pessoas que bebiam álcool pelo menos uma vez na semana, contra 29% em 2006. “A gente pode dizer que elas são grandes alvos das campanhas de bebida, e a indústria do álcool enxerga hoje no público feminino um grande nicho”, observa Ana Cecília Marques, psiquiatra e presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead).
fígado dilacerado Outro motivo para os homens morrerem mais é a resistência em fazer consultas de rotina. A cirrose, por exemplo, evolui em um período máximo de cinco anos, tempo em que muitos nem sequer passam perto do consultório médico. “O álcool literalmente mata as células do fígado, que, apesar do alto poder de regeneração, não consegue suportar as lesões sucessivas provocadas pelo vício”, explica o clínico médico Sérgio Fernandes.
Segundo Jorge Jaber, um dos motivos para tanta demora no diagnóstico das doenças do fígado entre os homens – esses males representam 54% de todas as mortes relacionadas ao álcool no Brasil, de acordo com o estudo – está no fato de o sistema digestivo deles ser maior e mais eficiente, de forma que conseguem consumir maiores quantidades de bebidas alcoólicas durante mais tempo sem sentirem os efeitos adversos na saúde.
“Não há prevenção. Não existem políticas que forneçam tratamento ou assistência. Não há quem diga para a pessoa que ela precisa de ajuda. A prevenção no Brasil é zero, e o tratamento, pífio. O controle da oferta não existe, pois os adolescentes têm acesso a bebidas”, alerta Ana Cecília.
O problema se repete em outros países analisados. As autoras do trabalho afirmam que toda a América sofre com o descaso em maior ou menor intensidade. “Mortes relacionadas ao álcool são evitáveis por meio de intervenções e políticas que minimizem o consumo. Pesquisas em todo o mundo indicaram que as restrições à disponibilidade de bebidas alcoólicas, o aumento de preços e o controle de marketing interferem efetivamente para reduzir o uso nocivo”, concluem, no estudo.
Abalos psiquiátricos A bebida alcoólica pode causar diretamente 60 tipos de doenças e lesões, como cirrose, pancreatite e transtornos psiquiátricos. Vilma Gawryszewski e Maristela Monteiro ressaltam o risco de o dependente ser acometido por “uma série de doenças mentais ou do sistema nervoso”. Entre elas, a depressão, a ansiedade, as psicoses e a neuropatia periférica.
Na Argentina, no Brasil, em Cuba, na Guatemala e na Nicarágua, os distúrbios neuropsiquiátricos foram responsáveis por cerca de metade das mortes relacionadas ao álcool. Segundo Ana Cecília Marques, um dos problemas mais recorrentes são os acidentes vasculares hemorrágicos. Eles aparecem primeiro com a hipertensão arterial, também causadora dos derrames.
Jorge Jaber explica que o consumo frequente leva à morte dos neurônios, o que resulta em alterações cognitivas e de aprendizado. A memória fica alterada e as dificuldades acometem também os membros periféricos. “Os neurônios responsáveis pelos movimentos, aqueles que saem do cérebro e vão para os músculos, também são destruídos. Por isso, a marcha é comprometida. São as chamadas doenças dos nervos periféricos, crônicas, progressivas e fatais”, diz.
Duas perguntas para...
Maurício Fiore, Antropólogo e pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap)
O consumo das bebidas alcoólicas é maior entre os homens. Que aspectos sociais estão por trás disso?
Trata-se claramente de uma questão histórica. O ato de beber é mais associado aos homens, inclusive porque normalmente se bebia fora de casa, na cena pública. Há diferenças entre períodos e regiões, mas a capacidade de consumir álcool é, no Ocidente, associada à masculinidade. Isso vem se alterando, principalmente depois do século 20. Os dados indicam que a proporção de mulheres que bebem cresceu, inclusive no Brasil, embora ainda estejam longe dos homens. Há que se considerar também que, em média, a capacidade feminina de absorver o álcool é menor que a masculina.
No Brasil, a legislação para bebidas é tímida. Isso reflete uma tendência do país em não considerar o produto uma droga?
As políticas públicas sobre álcool no Brasil ainda engatinham. O consumo de álcool é naturalizado e ainda raramente visto como o de uma droga psicoativa. Mas há fatores políticos e econômicos que também impedem que a discussão sobre política de álcool avance. Uma das maiores empresas do mundo é a Ambev, que tem um poder de pressão política grande. Enquanto o Congresso Nacional só consegue fazer mais do mesmo com relação às drogas ilícitas – endurecer penas, sendo que o caminho mundial é o contrário –, no caso do álcool, quase nada avança.
Giro científico
Giro científico
Estado de Minas: 22/01/2014
DENGUE
Inseticida contra mosquito Aedes
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) descobriram, recentemente, um inseticida que pode inibir a picada do mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti. A novidade está na pimetrozina, antes usada somente no controle de pragas agrícolas. A substância age no aparelho bucal de insetos sugadores como pulgões, cigarrinhas e Aedes, impedindo a sucção de sangue. Testes realizados com fêmeas do pernilongo contaminadas pelo tóxico comprovaram que, por cerca de 50 minutos, elas tentaram introduzir seus estiletes na pele sem obter êxito, morrendo após esse período, seja por exaustão ou pelo efeito do produto. Segundo Octávio Nakano, professor do Departamento de Entomologia e Acarologia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (EsalqUSP), a grande diferença entre esse e os inseticidas comuns está no princípio de combate. “São características diferentes. Quando contaminado com a pimetrozina, o mosquito fica incapaz de picar (a pessoa) e transmitir a doença. O princípio levará no máximo 30 minutos para fazer efeito e, por mais que o mosquito demore a morrer, a picada será inofensiva”, explica. O inseticida atua também sobre as larvas que vivem na água, o que possibilita o uso do produto em áreas de foco, como caixas-d'água, garrafas vazias, vasos de planta e latas de lixo. “Elas morrem alguns dias depois de expostas”, afirma o professor. Para que o uso da substância seja liberado, é preciso que a técnica passe por testes de campo e fique comprovado que não trará riscos à saúde humana. Feito isso, a descoberta poderá abrir novos caminhos na erradicação de outras moléstias transmitidas por insetos. (Alessandra Alves, Portal em.com)
CHINA
Poluição do país asiástico cria ciclones
A crescente poluição do ar na China e em outros países asiáticos de rápido crescimento intensificou os ciclones de inverno no Noroeste do Pacífico. Segundo os cientistas, os ciclones de inverno em latitudes que incluem o Noroeste da China, Coreia e Japão geraram ventos mais potentes e mais chuvas, como resultado dos níveis crescentes de poluição por particulados. As partículas de poeira afetam a forma como a unidade se desenvolve nas nuvens e como o calor se distribui em sistemas de tempestades, disse Yuan Wang, do prestigioso Laboratório de Propulsão a Jato do Instituto de Tecnologia da Califórnia. “A mudança significativa na intensidade das tempestades no Pacífico deve ter começado em meados dos anos 1990”, disse Wang à Agência France-Presse ontem. “(Foi) quando indústrias, usinas de energia e carros lançaram grandes quantidades de poluentes do ar”, acrescentou. A queima de combustíveis fósseis na China pode ser responsável ainda por até um quarto da poluição de sulfato no Oeste dos Estados Unidos. Cidades como Los Angeles recebem pelo menos um dia extra de fumaça por ano do óxido de nitrogênio e monóxido de carbono das fábricas chinesas dependentes das exportações.
INOVAÇÃO
Cientistas se inspiraram nos perus e na facilidade de sua pele em mudar de cor para criar um detector que sinaliza a presença de substâncias químicas perigosas no ar, com a ajuda de um celular. “Estudamos como a luz é criada e alterada e, depois, usamos o que aprendemos para fabricar novos aparelhos”, resumiu Seung-Wuk Lee, que leciona bioengenharia na Universidade da Califórnia. Lee garante que a pele do peru é capaz de passar do vermelho ao azul e do azul ao branco, devido a pacotes de colágeno (proteína fibrosa, a mais conhecida do reino animal) salpicados de vasos sanguíneos muito densos. Os cientistas descobriram que o espaçamento entre as fibras de colágeno se modifica porque os vasos sanguíneos se dilatam ou contraem influenciados pelo humor da ave, quando ela se excita ou fica brava, por exemplo. A partir daí, eles criaram um aplicativo móvel, o "iColour Analyser", que permite identificar facilmente substâncias tóxicas ou explosivas com a ajuda de uma simples foto de faixas de cor do detector, tirada de um celular. O estudo foi divulgado ontem, na revista Nature Communications.
Inseticida contra mosquito Aedes
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) descobriram, recentemente, um inseticida que pode inibir a picada do mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti. A novidade está na pimetrozina, antes usada somente no controle de pragas agrícolas. A substância age no aparelho bucal de insetos sugadores como pulgões, cigarrinhas e Aedes, impedindo a sucção de sangue. Testes realizados com fêmeas do pernilongo contaminadas pelo tóxico comprovaram que, por cerca de 50 minutos, elas tentaram introduzir seus estiletes na pele sem obter êxito, morrendo após esse período, seja por exaustão ou pelo efeito do produto. Segundo Octávio Nakano, professor do Departamento de Entomologia e Acarologia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (EsalqUSP), a grande diferença entre esse e os inseticidas comuns está no princípio de combate. “São características diferentes. Quando contaminado com a pimetrozina, o mosquito fica incapaz de picar (a pessoa) e transmitir a doença. O princípio levará no máximo 30 minutos para fazer efeito e, por mais que o mosquito demore a morrer, a picada será inofensiva”, explica. O inseticida atua também sobre as larvas que vivem na água, o que possibilita o uso do produto em áreas de foco, como caixas-d'água, garrafas vazias, vasos de planta e latas de lixo. “Elas morrem alguns dias depois de expostas”, afirma o professor. Para que o uso da substância seja liberado, é preciso que a técnica passe por testes de campo e fique comprovado que não trará riscos à saúde humana. Feito isso, a descoberta poderá abrir novos caminhos na erradicação de outras moléstias transmitidas por insetos. (Alessandra Alves, Portal em.com)
CHINA
Poluição do país asiástico cria ciclones
A crescente poluição do ar na China e em outros países asiáticos de rápido crescimento intensificou os ciclones de inverno no Noroeste do Pacífico. Segundo os cientistas, os ciclones de inverno em latitudes que incluem o Noroeste da China, Coreia e Japão geraram ventos mais potentes e mais chuvas, como resultado dos níveis crescentes de poluição por particulados. As partículas de poeira afetam a forma como a unidade se desenvolve nas nuvens e como o calor se distribui em sistemas de tempestades, disse Yuan Wang, do prestigioso Laboratório de Propulsão a Jato do Instituto de Tecnologia da Califórnia. “A mudança significativa na intensidade das tempestades no Pacífico deve ter começado em meados dos anos 1990”, disse Wang à Agência France-Presse ontem. “(Foi) quando indústrias, usinas de energia e carros lançaram grandes quantidades de poluentes do ar”, acrescentou. A queima de combustíveis fósseis na China pode ser responsável ainda por até um quarto da poluição de sulfato no Oeste dos Estados Unidos. Cidades como Los Angeles recebem pelo menos um dia extra de fumaça por ano do óxido de nitrogênio e monóxido de carbono das fábricas chinesas dependentes das exportações.
INOVAÇÃO
Cientistas se inspiraram nos perus e na facilidade de sua pele em mudar de cor para criar um detector que sinaliza a presença de substâncias químicas perigosas no ar, com a ajuda de um celular. “Estudamos como a luz é criada e alterada e, depois, usamos o que aprendemos para fabricar novos aparelhos”, resumiu Seung-Wuk Lee, que leciona bioengenharia na Universidade da Califórnia. Lee garante que a pele do peru é capaz de passar do vermelho ao azul e do azul ao branco, devido a pacotes de colágeno (proteína fibrosa, a mais conhecida do reino animal) salpicados de vasos sanguíneos muito densos. Os cientistas descobriram que o espaçamento entre as fibras de colágeno se modifica porque os vasos sanguíneos se dilatam ou contraem influenciados pelo humor da ave, quando ela se excita ou fica brava, por exemplo. A partir daí, eles criaram um aplicativo móvel, o "iColour Analyser", que permite identificar facilmente substâncias tóxicas ou explosivas com a ajuda de uma simples foto de faixas de cor do detector, tirada de um celular. O estudo foi divulgado ontem, na revista Nature Communications.
Hora de regulamentar a terceirização - Fernando Júnior
Hora de regulamentar a terceirização
Fernando Júnior
Presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Minas Gerais (Abrasel-MG)
Estado de Minas: 22/01/2014
Fernando Júnior
Presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Minas Gerais (Abrasel-MG)
Estado de Minas: 22/01/2014
No Brasil,
atualmente, a terceirização é um dos focos centrais de debates quando o
assunto é reforma da legislação trabalhista, sendo a prestação de
serviço o principal modelo econômico da atualidade. O setor, em sua
maioria, concorda que deve haver urgentemente uma regulamentação
trabalhista, porém as opiniões são divergentes em relação a qual o
melhor modelo a adotar.
Para suprir a demanda de trabalho da Copa do Mundo e, posteriormente, dos Jogos Olímpicos de 2016, os ministros do Turismo e do Trabalho e Emprego encaminharam à Casa Civil uma proposta de medida provisória para alterar a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), e criar uma nova modalidade de contratação temporária no país.
De acordo com essa nova proposta, as empresas não precisarão assinar a carteira de trabalho de funcionários para contratos de até três meses. Esta modalidade de contrato prevê que os empreendimentos poderão contratar trabalhadores para períodos curtos, sem a obrigação de registro em carteira. As admissões poderão ser feitas pelo período máximo de 14 dias seguidos ou 60 dias avulsos por ano. Porém, é importante ressaltar que a regulamentação deve ser efetuada oferecendo e assegurando aos funcionários todos os direitos trabalhistas.
De forma paliativa, ao criar condições para que os jovens trabalhem em contratos de curta duração na Copa, o governo já demonstra um avanço neste aspecto. Mas ainda é preciso avaliar essa questão profundamente para que, assim, seja elaborada uma lei que permita que o setor de serviços se expanda de forma sustentável e, principalmente, segura.
De acordo com números divulgados em agosto de 2013, a Confederação Nacional de Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) tinha a expectativa de 123 mil empregos temporários para o final do ano passado. Este índice demonstra que a terceirização é um campo abrangente no Brasil e é necessário rapidamente pensar em uma estrutura mais flexível da Consolidação das Leis Trabalhistas, pois o modelo atual estagna as relações capital-trabalho e impede os avanços dos empreendimentos.
Ao longo de 15 anos, já se contabilizaram 40 milhões de reclamações trabalhistas, sendo que todos os anos aproximadamente 2,5 milhões de processos são realizados nas varas do trabalho de todo o país. Esses números alarmantes mostram que algo está errado no sistema e que essa aura paternalista do governo gerou um círclo vicioso de reclamações.
Uma solução definitiva para o trabalho intermitente traria para o nosso país benefícios imensuráveis, como ampliação da renda familiar sem pressionar os salários; formalização de grande contingente de mão de obra; redução das horas extras não pagas; aumento do recolhimento de impostos e contribuição para a previdência e evolução da legislação com garantia dos direitos trabalhistas.
Além dessas vantagens, a regulamentação facilitaria a obtenção do primeiro emprego (nos EUA o setor de bares e restaurantes é responsável por 27% do primeiro emprego e o maior empregador com 9% dos empregos do país) e geraria 2 milhões de serviços somente nos bares e restaurantes.
Em suma, é necessário reconhecer que os serviços terceirizados são uma realidade de todo o país e é fundamental adequar esse fato à questão trabalhista. Assim, as medidas adotadas para a Copa deveriam ser permanentes, pois caso a regulamentação do trabalho terceirizado seja realmente concretizada, o setor de alimentação fora do lar contará com benefícios como redução do volume de disputas judiciais e favorecerá ainda o desenvolvimento da economia. Além disso, a informalidade do setor, que hoje atinge 65% devido às taxas abusivas de carga tributária somadas à folha de pagamento onerosa, diminuirá consideravelmente.
Para suprir a demanda de trabalho da Copa do Mundo e, posteriormente, dos Jogos Olímpicos de 2016, os ministros do Turismo e do Trabalho e Emprego encaminharam à Casa Civil uma proposta de medida provisória para alterar a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), e criar uma nova modalidade de contratação temporária no país.
De acordo com essa nova proposta, as empresas não precisarão assinar a carteira de trabalho de funcionários para contratos de até três meses. Esta modalidade de contrato prevê que os empreendimentos poderão contratar trabalhadores para períodos curtos, sem a obrigação de registro em carteira. As admissões poderão ser feitas pelo período máximo de 14 dias seguidos ou 60 dias avulsos por ano. Porém, é importante ressaltar que a regulamentação deve ser efetuada oferecendo e assegurando aos funcionários todos os direitos trabalhistas.
De forma paliativa, ao criar condições para que os jovens trabalhem em contratos de curta duração na Copa, o governo já demonstra um avanço neste aspecto. Mas ainda é preciso avaliar essa questão profundamente para que, assim, seja elaborada uma lei que permita que o setor de serviços se expanda de forma sustentável e, principalmente, segura.
De acordo com números divulgados em agosto de 2013, a Confederação Nacional de Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) tinha a expectativa de 123 mil empregos temporários para o final do ano passado. Este índice demonstra que a terceirização é um campo abrangente no Brasil e é necessário rapidamente pensar em uma estrutura mais flexível da Consolidação das Leis Trabalhistas, pois o modelo atual estagna as relações capital-trabalho e impede os avanços dos empreendimentos.
Ao longo de 15 anos, já se contabilizaram 40 milhões de reclamações trabalhistas, sendo que todos os anos aproximadamente 2,5 milhões de processos são realizados nas varas do trabalho de todo o país. Esses números alarmantes mostram que algo está errado no sistema e que essa aura paternalista do governo gerou um círclo vicioso de reclamações.
Uma solução definitiva para o trabalho intermitente traria para o nosso país benefícios imensuráveis, como ampliação da renda familiar sem pressionar os salários; formalização de grande contingente de mão de obra; redução das horas extras não pagas; aumento do recolhimento de impostos e contribuição para a previdência e evolução da legislação com garantia dos direitos trabalhistas.
Além dessas vantagens, a regulamentação facilitaria a obtenção do primeiro emprego (nos EUA o setor de bares e restaurantes é responsável por 27% do primeiro emprego e o maior empregador com 9% dos empregos do país) e geraria 2 milhões de serviços somente nos bares e restaurantes.
Em suma, é necessário reconhecer que os serviços terceirizados são uma realidade de todo o país e é fundamental adequar esse fato à questão trabalhista. Assim, as medidas adotadas para a Copa deveriam ser permanentes, pois caso a regulamentação do trabalho terceirizado seja realmente concretizada, o setor de alimentação fora do lar contará com benefícios como redução do volume de disputas judiciais e favorecerá ainda o desenvolvimento da economia. Além disso, a informalidade do setor, que hoje atinge 65% devido às taxas abusivas de carga tributária somadas à folha de pagamento onerosa, diminuirá consideravelmente.
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