sábado, 15 de março de 2014

"As palavras são mágicas" - Carlos Herculano Lopes

"As palavras são mágicas" 
 
Professora de literatura fala de seu trabalho sobre a lusofonia e defende o romanceiro como forma de expressão de grandes momentos históricos 


Carlos Herculano Lopes
Estado de Minas: 15/03/2014


 (Studio Mauro/Divulgação)

Nascida em Campo Grande e vivendo atualmente em São Paulo, onde é professora de estudos linguísticos e literários, a escritora Raquel Naveira lançou recentemente o livro Sangue português: raízes, formação, lusofonia, com o qual venceu o Prêmio Guavira de Literatura, da Fundação de Cultura do Mato Grosso do Sul. No trabalho, a partir da sua herança portuguesa, a escritora rememora em forma de poemas o caminho percorrido por seus antepassados até o Brasil. Doutora em língua e literatura francesas pela Universidade de Nancy, na França, e autora de vários livros, entre eles Guerra entre irmãos, inspirado na Guerra do Paraguai, Raquel Naveira, em entrevista ao Pensar, fala de sua ligação com os romanceiros e de seu estudo sobre a língua e literatura portuguesas.


Entrevista
Raquel Naveira
escritora

Como tem sido para você conciliar o magistério com a poesia? Como começou sua história com a literatura?

Poesia e magistério sempre andaram juntos em minha vida. É como o processo de ler e escrever. A professora alimenta a poeta com seus estudos e dedicação aos livros e a poeta dá ânimo, força e paixão às lições da professora. A minha história com a literatura começou na infância. Sempre fui fascinada pela palavra. Ela é minha forma de ser e estar no mundo. Meu avô, um autodidata, possuía uma rica biblioteca e eu gostava de manusear os livros, de observar figuras à luz de velas. Logo que comecei a ler, encontrei Monteiro Lobato e foi o abrir das asas da imaginação. Devia ter uns 8 anos quando resolvi ser escritora. Escrevia histórias de fadas e bruxas em pequenos cadernos. Nasci com vocação para escritora e professora. O amor pelos livros transformou-se em amor pelo magistério. A poesia veio na adolescência. Creio que mágoas curam grandes mágoas, como escreveu Camões. Sempre sonhei em escrever livros. Dediquei-me ao jornalismo e ao magistério. Quando lancei meu primeiro livro, o Via sacra, aos 31 anos, já tinha um público leitor formado. Publiquei de forma independente, não sabia como fazer. Aí apareceu o correio. Tornei-me uma missivista. Espalhei cartas pelo Brasil. Enviei meu livro a centenas de pessoas: amigos, jornalistas, escritores, editores, professores, instituições. Uma vida como a de Pablo Neruda, na Isla Negra, aguardando o carteiro.

Tudo isso vivendo no Mato Grosso do Sul, em Campo Grande? Em que dimensão esse estado e a cidade influenciaram na sua literatura?

Mato Grosso do Sul é minha terra natal, minha origem. Amo minha terra, sem permanecer mais nela, mas reconhecendo seu direito de persistir para sempre dentro de mim. Sinto-me naquelas ruas de Campo Grande, mesmo pisando outras ruas. Minha arte sempre será uma mescla de tudo que vi com olhos de campo-grandense. É como se minha alma tivesse três dimensões: a ancestral, portuguesa, cheia de veleiros e barcos negros saindo pelo mar desconhecido; a de fronteira entre o Brasil e o Paraguai, entre o bem e o mal, entre o sonho e a realidade; e esta agora jogada como um morcego pelos túneis e viadutos dessa grande cidade que é São Paulo. Sem ter nascido no MS, por exemplo, não escreveria Guerra entre irmãos, que é um livro de poemas inspirados na Guerra do Paraguai e que surgiu a partir do meu desejo de escrever romanceiros, de pesquisar história, de imaginar os sentimentos atrás dos fatos notáveis. Amo o épico: a Ilíada, a Odisseia, os Lusíadas. E depois de ler o Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles, pensei num tema que me impressionasse e veio à lembrança a Guerra do Paraguai, o maior conflito armado da América do Sul. Mato Grosso foi o palco da guerra, nada mais natural que escolhesse estudar essa tragédia que dizimou mais de 150 mil brasileiros e 300 mil paraguaios, entre escaramuças, batalhas, fomes e epidemias. Escolhi o monólogo dramático como forma de apresentar os personagens da guerra, uma maneira de me colocar na pele e na voz do outro. E um tom de profunda compaixão, numa guerra onde todos saíram perdendo, onde todos foram vencidos. Esse livro teve inúmeros desdobramentos, inclusive alguns de seus poemas publicados em livros de história do Brasil.

Como é o seu método de trabalho?

Escrevo muito. Escrever é o que me faz bem. Sinto-me um peixe no mar diante da folha em branco. O meu universo é o das palavras. Creio no poder da palavra. Que a palavra é bênção e maldição. Que ela cria o real. Que Deus é o verbo encarnado. Que o reino das palavras é mágico. Que a palavra atrai, profetiza, cura, exorciza, marca com ferro e fogo. Para o escritor, é difícil abrir clareiras no cotidiano que nos obriga a inúmeras tarefas estafantes como ir a bancos e supermercados. É preciso, sim, disciplina, estabelecer horários ou até escrever nas madrugadas, hora mística para a criação.

A sua ancestralidade portuguesa está retratada em dois dos seus livros: Álbuns da Lusitânia e Sangue português, com o qual você ganhou o Prêmio Guavira. Como nasceu este livro?

Sangue português: raízes, formação e lusofonia recebeu o Prêmio Guavira de Literatura da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul em 2013. Reafirmando minha vibração épica, tracei o inventário das ressonâncias atávicas de minha genealogia familiar e literária. A partir da herança portuguesa, rememoro o percurso dos meus antepassados; revisito monumentos célebres do patrimônio histórico-cultural de Portugal; rendo tributo a grandes poetas como Bocage, Pessoa e Camões; canto as terras lusófonas de África e de Ásia. Compus um variado painel didático-poético sobre o legado de nossa identidade cultural. Creio que a lusofonia pode ser uma plataforma de solidariedade a partir da qual os povos que falam português poderão se aproximar e ampliar o âmbito de suas ações econômicas, políticas e culturais. A língua portuguesa é meu instrumento de trabalho, de expressão. Meu maior desejo tem sido sempre o de dominá-la, conhecê-la, respeitá-la até mesmo para subvertê-la, para conceber poesia.

Sangue português: raízes, formação, lusofonia

. De Raquel Naveira
. Editora Arte e Ciência. Informações: www.raquelnaveira.com.br

TeVê

TV paga
Estado de Minas: 15/03/2014



 (UPI Media/Divulgação)

TERRA EM PERIGO

Oblivion, ficção científica estrelada por Tom Cruise (foto), será exibido às 22h no Telecine Premium. Veterano encarregado de extrair os últimos recursos da Terra começa a questionar as razões de sua missão. Dirigido por Joseph Kosinski, o filme também traz no elenco Morgan Freeman.

A HISTÓRIA DE 70 PRESOS
POLÍTICOS NO ALMANAQUE


O Almanaque, que vai ao ar às 21h05, pela GloboNews, explora o documentário 70, de Emília Silveira, com roteiro da jornalista Sandra Moreyra. Durante a ditadura militar, um grupo de 70 presos políticos de diferentes organizações é enviado ao Chile em troca da libertação do embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher. O documentário reencontra esses personagens 40 anos depois.

VELOZ E FURIOSO
PERCORRE OS EUA


No programa O caçador de motocicletas, que começa hoje, às 21h, no Discovery Turbo, o colecionador de carros e motos Dale Walksler percorre os Estados Unidos, de leste a oeste, em busca de tesouros ocultos para restaurar e vender. Uma corrida de motocicletas centenárias e até crimes hediondos cometidos por dinheiro e modelos raríssimos compõem o repertório.

REUNIÃO DE BAMBAS
NO CANAL BRASIL


No ar às 21h30, no Canal Brasil, o programa Compositores unidos reúne Cidade Negra e Sílvio César. Os anfitriões Jorge Vercillo e Dudu Falcão recebem os convidados, que interpretam Você sabe e Sombra da maldade.

AFROJAZZ DE
MANU DIBANGO


Emmanuel N'Djoké Dibango, conhecido como Manu Dibango, saxofonista e cantor camaronês, é atração do programa Acoustic, às 12h, no TV5Monte. Atualmente considerado o papa do afrojazz ele festeja seus 80 anos e continua percorrendo o mundo com seu novo CD, Balade en saxo, no qual interpreta grandes canções da música francesa e americana.

EMOÇÕES DE UMA
FAMÍLIA NO VIVA


No capítulo da novela História de amor deste sábado, às 15h30, no Viva, Joyce (Carla Marins) apresenta Helena (Regina Duarte) a Carlos (José Mayer). Os três conversam animadamente em um bar. Helena fica insegura com a atenção de Carlos a Joyce. Ela pergunta a Carlos se Paula (Carolina Ferraz) não sai com ele. Joyce fica no bar. Carlos deixa Helena em casa e ela o convida para um café. A sós, ela diz ao médico o quanto se sente sozinha.


CARAS & BOCAS » Risco de morte
Simone Castro

Ernest (José de Abreu) entra em coma e médicos alertam a família de que o estado do empresário é grave (Cynthia Salles/TV Globo)
Ernest (José de Abreu) entra em coma e médicos alertam a família de que o estado do empresário é grave

Em Joia rara (Globo), depois do acidente de carro o estado de saúde de Ernest (José  de Abreu) se complica e ele entra em coma. A família se desespera, mas a mais afetada é Pérola (Mel Maia), que não se conforma com a possibilidade de perder o avô tão amado. Totalmente confiante em sua recuperação, a menina entra em profundo estado de meditação e acaba desacordada. Ernest, mais uma vez, sonha com a neta e sua vida passada, em que a criança foi o líder budista Ananda Rinpoche (Nelson Xavier). Enquanto isso, a polícia caça Manfred (Carmo Dalla Vecchia). Ernest perseguia o então fiel escudeiro quando sofreu o acidente. Todos se preocupam com o bandido, que, solto, ainda aterroriza o lugar. Tinhoso, o vilão escapa ao cerco da polícia. E entra no quarto de Ernest no hospital.

MARCELO SERRADO MANTÉM
QUADRO NO FANTÁSTICO


“A mulher da sua vida”, quadro que o ator Marcelo Serrado apresenta no Fantástico (Globo), garantiu nova temporada e estará de volta dia 31. Com Serrado estarão, desta vez, Carolina Dieckmann, Ingrid Guimarães e Sophie Charlotte. Tatá Werneck e Deborah Secco também podem se juntar ao grupo.

ATRIZ ESTÁ PRONTA PARA
VOLTAR À CENA EM SÉRIE


Lindsay Lohan fará participação especial na série 2 broke girls, exibida no Brasil pelo canal Warner (TV paga). Ela será Clarie, noiva que terá ajuda de Max (Kat Dennings) e Caroline (Beth Behrs). Recentemente, a atriz, que dá o que falar, lançou o polêmico documentário Lindsay (Canal Own), que retrata os bastidores de sua última saída de uma clínica de reabilitação.

HUGH LAURIE VIRÁ AO
BRASIL PARA SHOWS


O ator Hugh Laurie, protagonista da badalada série House, desembarca no Rio de Janeiro na quarta-feira. Ele vem ao país fazer shows. Como todos sabem, o ator também é cantor e costuma dizer que é a sua atividade preferida. O primeiro show será na quinta-feira, no Rio. Depois, na sexta, ele se apresenta em Belo Horizonte. Em seguida, vai a Curitiba e Porto Alegre. O encerramento será em São Paulo.

E VIVA LUCÉLIA!


A atriz Lucélia Santos deu uma lição de cidadania e consciência depois de ter sido flagrada em um ônibus, no Rio de Janeiro, e o fato ter sido criticado por alguns veículos de imprensa. Em seu Instagram, anteontem, Lucélia publicou uma foto em que aparece sorridente dentro do ônibus. “E viva o transporte público de boa qualidade”, escreveu a atriz na legenda da imagem. Os tais veículos de imprensa haviam associado o fato de a atriz estar em um transporte público a ela estar “sumida da TV”. “O Brasil é o único país que conheço onde andar de ônibus é politicamente incorreto! Vai entender... Isso porque os ônibus aqui e transportes coletivos, de modo geral, são precários e ordinários, o que mostra total desrespeito à população!”, afirmou em seu perfil no Twitter. E continuou: “Em qualquer país civilizado, educado e organizado é ao contrário, as pessoas dão prioridade a transportes coletivos para proteger o meio ambiente. Os governos deveriam investir em transportes decentes para a população com conforto e dignidade, e depois fazer discursos de um mundo melhor”. A atriz completou: “A imprensa deveria usar sua inteligência para divulgar campanhas para transportes públicos coletivos de primeira grandeza. Terminando: o Brasil deveria ler mais, se instruir mais, desejar mais e sair da burrice de consumo idiota e descartável que lhe dá carros!”.

VIVA
Para o grande ator Paulo Goulart: pela carreira e vida pessoal.

VAIA
Para o horário de Doce de mãe (Globo): é para ninguém ver. 

Analfabetos poliglotas - Rafaela Lôbo

Analfabetos poliglotas 
 
Saber uma língua apenas não serve mais
Rafaela Lôbo

Mestre em linguística, professora e consultora da Scriptus Consultoria Empresarial em Linguagem
Estado de Minas: 15/03/2014



O Brasil tem recebido e ainda receberá milhares de estrangeiros nos próximos anos. Há pouco tempo éramos um país de emigração, ou seja, exportávamos mão de obra; hoje somos um país de imigrantes, há a cada ano um aumento no número de estrangeiros que vêm trabalhar no país. Não podemos esquecer que em algumas regiões há, também, um número imenso de turistas de fora – o que sempre ocorreu em cidades como o Rio de Janeiros –, no entanto, devido à Copa do Mundo e à Olimpíada, o número de visitantes aumentará muito em certas regiões em que ainda não havia esse fluxo.

Todos esses fatores, aliados à globalização tecnológica e ao crescimento econômico, permitiram uma integração maior entre os povos, mesmo aqui no Brasil. Porém, para que essa integração ocorra, não se pode ficar preso ao português, por isso, as pessoas, cada vez mais, tentam aprender outras línguas. Há alguns anos, saber francês era essencial. Posteriormente, o inglês tornou-se a nova língua obrigatória e, atualmente, devido ao crescimento da China, muitos brasileiros já querem aprender o mandarim. Saber apenas uma língua não serve mais. Pasmem, devido ao nosso crescimento econômico, o Brasil tornou-se um país de oportunidades e a língua portuguesa também passou a ser buscada em cursos no exterior.

Tudo isso é maravilhoso, estamos nos tornando grupos sociais cada vez mais complexos, mas a questão que se apresenta aqui é a de que toda língua é como um “guarda-roupa” e temos de usar a roupa adequada de acordo com a situação, ou seja, mesmo quando se fala em língua pátria, há uma diversidade enorme nas formas como se pode dizer alguma coisa. Podemos dizer que estamos cansados, exaustos ou mortos, depende da pessoa com quem estamos falando e da ênfase que desejamos dar. Assim é uma língua, temos de dominar diversas formas de falar ou escrever e variá-las de acordo com o leitor e o momento.

Diante disso, há uma preocupação imensa em relação às línguas estrangeiras, afinal, que curso mostra a diversidade de uma outra língua – fora as questões figuradas? No Brasil, se digo que vou matar alguém, há uma possibilidade enorme de eu não ser um “serial killer” e querer apenas dizer que estou muito nervoso com alguém. Em Portugal, berço da língua portuguesa, se eu disser que vou matar uma pessoa, provavelmente chamarão a polícia. Nenhum estrangeiro aprende essas nuanças em um curso de língua portuguesa, assim como não aprendemos isso em um curso de inglês.

O fato é que, muitas vezes, as pessoas não conseguem mudar a forma como dizem as coisas nem mesmo na própria língua, quanto mais em uma língua estrangeira. É como se fóssemos executivos de Wall Street, em Nova York,  falando da forma que falam as pessoas que moram fora da Ilha de Manhattan. Desse jeito, de nada resolverá aprender outra língua, não haverá uso prático. Meu receio? A criação de analfabetos funcionais poliglotas!

A saúde dos médicos - Alexandrina Meleiro

Alexandrina Meleiro
Doutora em medicina pela USP, palestrante da 1ª Jornada Brasileira de Saúde Mental dos Médicos
Estado de Minas: 15/03/2014 



Os médicos têm a vida de milhares de pessoas em suas mãos, sendo responsáveis, diariamente, por um diagnóstico preciso e correto. O compromisso com a vida de terceiros torna o trabalho ainda mais sério e delicado. Tais obrigações impactam o emocional dos médicos, sendo considerada uma das profissões de alto impulso de estresse, por lidar com a dor, o sofrimento e a morte. A prática médica no Brasil se tornou mais difícil devido à precariedade das condições de trabalho, exaustivas jornadas e constante necessidade de atualização, colaborando, ainda mais, para o aumento do estresse profissional. Atualmente, os médicos enfrentam duas crises: a de identidade e a de ideologia. Ambas favorecem comportamentos depreciativos ao próprio profissional, surgimento de ansiedade, depressão, dependência química e suicídios. Salienta-se o fácil acesso aos medicamentos de abuso e com risco letal.

Um levantamento do Conselho Federal de Medicina (CFM) e do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) revelou que a população médica brasileira tem taxas de suicídios e tentativas superiores à população geral. Conforme o estudo, com base nos atestados de óbito no estado de São Paulo, houve um predomínio de mortes entre médicos homens na faixa de 70-90 anos, no período de 2000 a 2009. Já entre as mulheres médicas os óbitos preponderaram na faixa de 40 a 60 anos no mesmo período.

Os elevados índices de suicídio entre médicos estão relacionados à perda da onipotência e onisciência, idealizadas por muitos aspirantes à carreira médica, durante o curso e a vida profissional, aos sentimentos de culpa por fracasso e à crescente ansiedade pelo temor em falhar. Algumas outras hipóteses também explicam o comportamento de médicos que cometem suicídios: perda profissional ou pessoal; problemas financeiros ou de licença; mais horas de trabalho que outros colegas; abuso de álcool e outras substâncias; insatisfação com a carreira médica; transtorno mental e emocional com mais frequência; e automedicação.

Apesar de o autoextermínio envolver questões socioculturais, genéticas, psicodinâmicas, filosóficas, existenciais e ambientais, o transtorno mental é um fator de vulnerabilidade na quase totalidade dos casos, que necessita estar presente para que culmine no suicídio do indivíduo, quando somado a outros fatores. O diagnóstico precoce e o tratamento correto da depressão (patologia mais encontrada nos suicídios) são, comprovadamente, uma das maneiras mais eficazes de prevenir o autoextermínio. A mesma correlação deve estar presente em diversos outros transtornos mentais, incluindo a dependência de álcool e outras drogas.

Existe grande resistência da população em aceitar que as mesmas pessoas às quais confia sua saúde podem ter doenças mentais. Talvez, o que mais os estigmatize é a capacidade das enfermidades prejudicarem a crítica do indivíduo em alguns momentos. Os próprios médicos relutam em procurar ajuda psiquiátrica temendo serem estigmatizados. Geralmente, tentam primeiro automedicar-se ou fazer uma consulta informal com algum colega. Só procuram ajuda profissional adequada quando a situação se torna insustentável. A temática é séria e merece ser discutida pela classe médica e pela sociedade. O assunto faz parte da programação da 1ª Jornada Brasileira de Saúde Mental dos Médicos, entre 28 e 30 de março, em Nova Lima. Quem tem por ofício curar, tem por obrigação se cuidar. Desafortunadamente, não é o que acontece com muitos profissionais.