quarta-feira, 18 de junho de 2014

Começa a invasão argentina‏

Começa a invasão argentina
Torcedores chegam a BH para assistir ao jogo com o Irã e prometem 'dominar' a cidade 

 
Sandra Kiefer e Pedro Ferreira
Estado de Minas: 18/06/2014


Irmãos Jorge e Cristian Bermudez elogiaram a hospitalidade mineira (Juarez Rodrigues/EM/D.A.Press  )
Irmãos Jorge e Cristian Bermudez elogiaram a hospitalidade mineira

Leonardo Gori está encantado com a cidade e deu nota 10 para a Fan Fest  (túlio santos/EM/D.A Press)
Leonardo Gori está encantado com a cidade e deu nota 10 para a Fan Fest


A invasão colombiana cede espaço para los hermanos argentinos, que prometem chegar em número três vezes maior à capital mineira para o jogo entre Argentina e Irã no sábado, no Mineirão. Os jogadores da Seleção Argentina estão concentrados na Cidade do Galo, em Vespasiano, na Grande BH.

No Pizza Sur, ponto de encontro de argentinos em Belo Horizonte, nas imediações da Praça da Liberdade, ontem, já começaram a aparecer os primeiros representantes da torcida movida a tango e chorizo. Os irmãos Cristian e Jorge Mendonza, de 36 e 26 anos, vivem na Austrália há 20 anos, mas nasceram com sangue azul e branco. Estão de férias para curtir o Mundial e já estiveram no Rio de Janeiro e em São Paulo. Há quatro dias, chegaram a BH. Após o jogo contra o Irã, seguem para Porto Alegre (RS).

Antes do tour pelo Brasil, os endinheirados irmãos argentinos estiveram por uma semana em Miami, sozinhos, sem as mulheres. “O Brasil tem um time de qualidade. O problema é a onda de negatividade que os jogadores estão enfrentando no seu próprio país”, diz Cristian, que prefere o Rio de Janeiro, onde as pessoas andam com pouca roupa e são mais receptivas. Já Jorge conta que é uma pessoa mais tranquila, que prefere uma cidade menor, onde se pode conversar com as pessoas que vivem nela.

O argentino Leonardo Gori, de 36, está encantado com BH. Desde o dia 7 na capital mineira com dois amigos, hospedados na casa de um compatriota, em Contagem, ele escolheu como lugar mais bonito a Praça do Papa, e o mais divertido a Região da Savassi. Deu nota 10 para a Fan Fest, onde disse ter se divertido muito no jogo de domingo, em que sua seleção ganhou da Bósnia por 2 a 1. “Brasileiro trata muito bem a gente. A rivalidade é só no futebol”, disse. O atendente de telemarketing elogiou o BRT/MOVE e disse não ter nada a reclamar de BH. “Tudo muito bárbaro. Só tenho elogios à mulher mineira. São impressionantes. As argentinas não têm bumbum”, disse. A comida mineira também é muito gostosa segundo ele . “Feijão tropeiro, feijoada e chuchu. Muito bom”, comentou.

E em campo? Na avaliação de Gori Brasil e Argentina ainda têm muito a melhorar no futebol. Para ele o melhor desempenho até agora foi da Seleção da Holanda. No entanto, ele disse que não está nem um pouco preocupado com o Irã e a Nigéria, que vão disputar uma vaga na próxima fase com a Argentina. A caipirinha também caiu no gosto do argentino, assim como catuaba selvagem. Outro lugar que o turista quer conhecer é a Lagoa da Pampulha, cartão-postal de BH, que só viu em fotos e na tevê.

Esculpidos pelo calor

Esculpidos pelo calor
Pesquisadores norte-americanos desenvolvem polímeros capazes de assumir formas predeterminadas quando aquecidos

Estado de Minas: 18/06/2014




A ideia de que uma chapa lisa de plástico pode assumir uma forma tridimensional complexa a partir de, somente, uma mudança de temperatura parece cena de filme. Se essa peça bruta tiver saído de uma impressora 3D, então, é com certeza ficção científica. Certo? Não – pelo menos no que depender de um grupo de professores de engenharia elétrica e ciência da computação do Massachusetts Institute of Technology (MIT) coordenado pela professora Daniela Rus. Em um estudo apresentado este mês na Conferência Internacional de Automação e Robótica do Instituto de Engenheiros Elétricos e Eletrônicos americano, a pesquisadora e colegas conseguiram sintetizar um polímero que, quando aquecido até determinada temperatura, assume uma forma predefinida.

O que difere a pesquisa das outras que já foram feitas sobre os materiais com memória de forma é justamente a precisão que a equipe conseguiu. A peça produzida no MIT se dobra nos ângulos certos para se tornar a figura planejada à medida que a temperatura sobe (veja infografia). “Temos que produzir as peças em camadas com densidades e características específicas. O objetivo é que cada parte reaja de determinada forma a partir do estímulo de calor e, com isso, assuma o aspecto predeterminado”, explica Daniela. A pesquisadora compara o processo de impressão do material à montagem de um bolo, cujas camadas também precisam ser cuidadosamente sobrepostas para que se atinja o objetivo. “A diferença está no fato de que, com esse polímero, conseguimos encontrar a temperatura ideal para que se ele deforme como o esperado”, lembra.

O grupo conseguiu distribuir as propriedades do material usado como matéria-prima de forma que, na região das dobras, o polímero se comporte mais como um líquido do que como sólido. “Quando a peça é aquecida até a temperatura certa, aqueles locais que deveriam ser arestas ficam menos rígidos e deformam-se”, esclarece a cientista. Esse estímulo é dado por somente frações de segundo e, quando a temperatura do objeto volta ao normal, as arestas formadas se resfriam e endurecem novamente. “Temos o grande sonho de construir pequenas fábricas de utilidades usando somente impressoras 3D e projetos que poderão ser comercializados pela internet. Você compra o material, coloca como se fosse a tinta da impressora, pega o projeto na internet e poderá construir o que quiser”, planeja Daniela Rus.

O uso da impressora 3D, inclusive, foi fator determinante para o sucesso do projeto. Essas máquinas constroem objetos a partir de camadas muito finas e detalhadas, o que é ideal para a diferença específica entre as densidades e as propriedades de cada uma das camadas. O processo, no entanto, só ocorreria uma vez.

Utilidade e limitações “Quando desestimulado, diferentemente dos conhecidos metais de memória, esse polímero não retorna ao estado inicial”, lembra o coordenador do Laboratório de Robótica e professor do Departamento de Engenharia Mecânica da PUC Rio, Marco Antônio Meggiolaro. Ele explica que esses materiais com memória de forma são usados há várias décadas, mas, na grande maioria das pesquisas, eram estudadas as características das ligas metálicas. Isso porque esses objetos são projetados para ser transportados de forma mais fácil e assuma a forma final apenas na hora e no local certos, geralmente de difícil acesso. Usos possíveis vão de próteses médicas – como stents que podem ser inseridos na artéria na forma plana e, depois de posicionados no lugar certo, ser expandidos – até estruturas maiores, como abrigos.

Para Meggiolaro, o fato de o material utilizado ser um polímero impõe algumas limitações ao projeto. “É claro que apresenta vantagens, como o peso menor, que poderia ajudar a diminuir custos com transporte, por exemplo, mas a baixa resistência do plástico restringe o uso”, alerta o professor, que não participou do estudo. Ele lembra que essas técnicas de estimular deformações em materiais a partir do conhecimento de suas características físicas já são utilizadas há anos, sendo a corrente elétrica uma alternativa ao estímulo de temperatura.

O material estudado e utilizado pela professora Daniela Rus e seus colegas do MIT acaba, de fato, restringindo o uso. Os metais de memória podem ser utilizados para se construir satélites, que são lançados fechados e, só depois de entrar em órbita, ganham o formato final. Se fosse de polímero, no entanto, o satélite não conseguiria nem chegar ao espaço.


Compostos químicos

Polímeros são compostos químicos de elevada massa molecular, resultantes de reações químicas de polimerização. A grosso modo, são todos os tipos de plásticos, que podem ser divididos entre termoplásticos (PVC), termorrígidos (poliéster) e elastômeros (borrachas).


Nitinol

Materiais com memória de forma são conhecidos desde 1962, quando foi descoberta uma liga metálica composta de níquel e titânio em porcentagens atômicas praticamente iguais, denominada nitinol. O material apresentava um efeito térmico de memória que conferia a capacidade de sofrer deformação em certa temperatura e, então, recuperar a forma original.

Como estamos na economia digital? - Rodrigo Oliveira Cantelli

Diretor de TI do Banco Bonsucesso
Estado de Minas: 18/06/2014 



A economia digital vem crescendo 8% ao ano nos países do G20 e vai atingir 5,3% do PIB desses países em 2016, de acordo com o Boston Consulting Group (BCG). Mas o Brasil está crescendo mais lentamente que os seus pares e a perspectiva é chegar a 2016 com apenas 2,4% do PIB. Teremos, no final de 2015, quase 3 bilhões de pessoas conectadas, o que mostra que estamos vivendo em um mundo cada vez mais digitalizado. Já ultrapassamos, em muito, o momento em que bastava que as empresas tivessem um site. Hoje os negócios têm os seus processos centrais cada vez mais alicerçados em tecnologia, transacionam pela Web, redes socais e/ou por dispositivos móveis.

Para medir quanto o ambiente é propicio para a economia digital, o BCG criou um índice chamado de “e-Intensity”, composto de três categorias: 1– disponibilidade da infraestrutura de internet, 2 – gastos on-line (incluindo compras, publicidade) e 3 – engajamento (o grau que os governos, empresas e consumidores estão envolvidos com a internet).

Mas, o que podemos fazer para potencializar esse crescimento e o Brasil não ficar para trás na economia digital? Essa discussão envolve boa parte do mesmo debate feito na economia física, mas com algumas particularidades. Claro que o Brasil precisa dispor de um infraestrutura de acesso à internet mais robusta, confiável e acessível a toda a população economicamente ativa. É impressionante a diferença da velocidade de acesso no Brasil e em países do Primeiro Mundo. Não podemos deixar que a nossa infra-estrutura digital fique sucateada ou defasada como a física (estradas, ferrovias, etc).

O mundo digital é ágil por natureza; por consequência, devem existir regulações e procedimentos para as empresas puramente digitais. Por exemplo, o que dois estudantes universitários com uma boa ideia na cabeça (sobre um Mobile App) têm que fazer para formalizar uma empresa? Quanto tempo eles levariam para viabilizar esse negócio? Ou seja, é necessário pensarmos um arcabouço legal, fiscal e burocrático que suporte adequadamente a economia digital. O último ponto mostra que não basta à população ter acesso à internet, ela precisa ter acesso aos meios de pagamento eletrônicos. Ela precisa ter meios para comprar on-line. Isso faz toda a diferença na economia digital.

Por exemplo, em 2000, eu era diretor da empresa de transportes rodoviário de passageiros que lançou o primeiro site de venda de passagens pela Web do mercado brasileiro. Na época, aceitávamos apenas cartão de crédito e era visível a relação direta entre as bandeiras aceitas e o faturamento do site. O site vendia, hipoteticamente, 500 passagens por dia e aceitava somente uma bandeira de cartão de crédito. Quando passamos a aceitar mais uma bandeira, o volume de passagens literalmente dobrou. Já nessa época, percebíamos claramente que a disponibilidade de meios eletrônicos para pagamento era fundamental para incrementar a receita de e-commerce.

É crível extrapolar esse exemplo para a economia digital e dizer que o seu crescimento robusto depende da disponibilidade de “dinheiro eletrônico”. Temos milhões de pessoas excluídas da economia digital, pois de acordo com o IBGE, 47% dos brasileiros com renda familiar entre um e dois salários mínimos não têm acesso aos serviços bancários no país. O mesmo ocorre com os autônomos, microempresários individuais e com mais da metade da população, que ainda recebe salário em dinheiro. Provavelmente, essa é uma das razões para o baixo desempenho brasileiro de acordo com o quadro do BCG.

O cartão de crédito tradicional vem prioritariamente desempenhando o papel de meio eletrônico de pagamento, mas a sua democratização esbarra em alguns pontos envolvendo o seu custo e o fato de haver uma concessão de crédito implícita. A questão então é: como incluir essa parcela da população na economia digital? São necessários novos métodos de pagamento eletrônicos, complementares e substitutos aos cartões de crédito. Esse é um movimento que já ocorre no Brasil com o lançamento de cartões pré-pagos e alguns modelos inovadores de cartões de crédito para suportar as pequenas empresas.

Temos também o fator Mobile Payments, onde o Gartner Group prevê que o mercado mundial deve crescer 35% ao ano entre 2012 e 2017, indo de US$ 163 bilhões a US$ 721 bilhões nesses cinco anos. No Brasil, o governo publicou em 30/10/2013 a Lei 12.875, que regula o setor de pagamentos. Porém, mesmo antes dessa lei, empresas da cadeia de valor de pagamentos, que inclui bancos, operadoras de cartões, operadoras de telefonia e outras instituições financeiras, já se mobilizavam, criando parcerias para lançar soluções a fim de explorar oportunidades no mercado.

Mas é suficiente? O que mais pode ser feito? Ficam as perguntas para reflexão, mas podemos concluir que algumas sementes foram plantadas e estão germinando. São necessárias novas ações com “mindset” digital voltadas para impulsionar ainda mais a nossa economia digital e, por consequência, o nosso PIB. 

ZONA MISTA‏

ZONA MISTA

Kelen Cristina
Estado de Minas: 18/06/2014


El paredón
O goleiro Guilhermo Ochoa viveu ontem seu dia de herói mexicano. Considerado responsável pelo empate sem gols entre Brasil e México, no Castelão, o arqueiro foi enaltecido mundo afora. Na terra natal, especialmente, dominou as manchetes da imprensa com um trocadilho merecido: Memorable (Memorável). A explicação? Em seu país, Ochoa é chamado carinhosamente de “Memo”. Daí a inspiração para a descrição da grande atuação em Fortaleza.

 (Lucas Landau/Reuters)
 Estrelas da NBA nas arquibancadas
Steve Nash não é o único astro do badalado Los Angeles Lakers, da NBA, em solo brasileiro durante a Copa do Mundo. O ala-armador Kobe Bryant (foto), outro admirador de futebol, aproveita as férias para ver as partidas do torneio de perto. Ontem, ele estava no Castelão acompanhando o confronto entre a Seleção Brasileira e o México. Kobe também assistiu às goleadas de Holanda e Alemanha sobre Espanha e Portugal, respectivamente, na Arena Fonte Nova, em Salvador. Em sua passagem pelo Brasil, ele até já mostrou certa intimidade com a bola durante evento promocional no Rio.


Em defesa do ídolo
O atacante da Seleção Inglesa Sturridge não gostou nada de ver entre os trending topics (assuntos mais comentados) do Twitter, ontem, a hashtag “fatronaldo” (Ronaldo gordo). Fã confesso do jogador brasileiro, ele saiu em defesa do craque, conclamando os internautas a esquecer os pesos a mais do ex-atacante e reconhecer os serviços prestados por ele em campo. “Não há o menor motivo para #fatronaldo ser trending. Melhor comentar #omelhornúmero9, #fenômeno e #lenda. #fãprotetor, #meuídolo”, postou Stu.


Minuto de silêncio
A comunidade judaica latino-americana enviou carta à Fifa pedindo um minuto de silêncio antes do jogo entre Argentina e Irã, sábado, no Mineirão. O ato simbólico tem o objetivo de homenagear as vítimas do atentado terrorista ocorrido em julho de 1994 contra a sede da Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), em Buenos Aires, que deixou 85 mortos e mais de 300 feridos – investigações apontaram que a explosão foi causada por um carro-bomba iraniano. Caso a Fifa não atenda ao pedido, a organização do movimento pretende fazer eventos paralelos à partida para relembrar a tragédia.


FALOU E DISSE
"Alguns jogadores fizeram a diferença pela frescura”
Assim a intérprete da Fifa traduziu a afirmação do técnico argelino Vahid Halilhodzic (foto) de que o “frescor” dos belgas Fellaini e Mertens (que entraram durante a partida e marcaram os gols da virada da equipe europeia sobre a africana por 2 a 1) foi fundamental para a mudança do panorama do jogo.


Sem o apito
Árbitro do quadro da CBF, o enfermeiro Igor Benevenuto Júnio, de 33 anos, aproveita a paralisação no Campeonato Brasileiro para estar na Copa do Mundo, ainda que fora das quatro linhas. Lotado no Mineirão, ele atua como voluntário, na orientação aos torcedores. “É uma oportunidade única, já que é um privilégio enorme estar assistindo aos jogos e participando da festa. Não sei quando poderei presenciar outro evento tão importante como este”, comemora.

 (Kelen Cristina/EM/D.A Press )

Mochileiras
As argentinas Florência Trujillo, de 30 anos, e Jennifer di Camilo (foto), de 27, decidiram colocar a mochila nas costas e vir ao Brasil para a Copa – não para assistir aos jogos do torneio. Em busca de diversão, mas com pouco dinheiro, elas arrumaram uma maneira de estar perto da festa e ainda tornar a viagem autossustentável. Nos dias de partidas, a dupla segue para o estádio com lápis de maquiagem de variadas cores, para pintar os rostos dos torcedores, em troca de alguns reais. “Uns pagam R$ 3, outros R$ 5”, conta Florência. Segundo ela, já foi possível arrecadar dinheiro suficiente para se manter até o fim do Mundial. Ontem, elas estavam no jogo Bélgica x Argélia, em BH, e planejavam ir para o Rio.