quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

MÔNICA BERGAMO


fOLHA DE SÃO PAULO
CHEIAS DE ARTE
Mais uma megaexposição chega ao Brasil: "ELLES@ - Mulheres Artistas na Coleção do Centro Georges Pompidou", de Paris, reunirá 125 obras produzidas só por mulheres entre 1909 e 2007. Entrará em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro, em abril.
CHEIAS DE ARTE 2
A mostra terá trabalhos de Louise Bourgeois, Frida Kahlo, Valérie Belin e Suzanne Valadon, além das brasileiras Lygia Clark e Lygia Pape. O orçamento aprovado pelo Ministério da Cultura, dentro da Lei Rouanet, é um dos mais altos para uma mostra de arte dessa proporção: R$ 11,2 milhões. O projeto também prevê uma passagem pelo CCBB de Brasília.
FÉRIAS
Dilma Rousseff é convidada de honra -mas não virá à posse de Fernando Haddad na prefeitura, no dia 1º. Já Lula confirmou presença.
ELE MANDA
Dilma estará na Bahia celebrando o novo ano com a filha, Paula, e o neto, Gabriel, 2. "Aí ninguém concorre", afirma interlocutor da presidente.
RSVP
A equipe de Haddad já fez uma lista de 1.200 convidados para a posse. Como ele ainda não tem equipe de cerimonial, quem está acompanhando tudo, até aprovando o texto dos convites, é a primeira-dama, Ana Estela.
TUDO EM REDE
O Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) inicia em 2013 um acordo de cooperação técnica com a Associação Brasileira de Franchising. A entidade pretende ampliar o espaço das franquias entre os pequenos negócios, hoje comuns em empresas de porte médio. Segundo Luiz Barretto, presidente do Sebrae, o setor é um dos menos arriscados para novos empreendedores. "A taxa de 'mortalidade' na área de franquias é de apenas 5%", diz.
IMPORTADA
A trilha do longa brasileiro "Tainá - A Origem", que estreia em fevereiro, foi gravada por 52 músicos da Orquestra de Praga.
DE UMA VEZ
Réus do núcleo financeiro do mensalão estudavam ontem se oferecer para já começar a cumprir suas penas de prisão. Seria um fim na aflição da espera de uma deliberação do STF (Supremo Tribunal Federal). Como a corte entrou em recesso, a decisão será do presidente Joaquim Barbosa. Ele pode tanto determinar a prisão nos próximos dias quanto aguardar o fim do julgamento dos recursos que serão apresentados pelos advogados para tentar amenizar algumas punições, em meados de 2013.
CONTORNO
A maioria dos ministros do STF é contrária à prisão imediata. E pelo menos quatro revelaram a interlocutores estranhamento com o fato de Roberto Gurgel, procurador-geral da República, ter preferido esperar que saíssem de férias para apresentar o pedido de prisão.
MÃOS DADAS
Caso Barbosa determine a prisão imediata, os advogados poderiam apresentar habeas corpus que seria julgado pelo relator, Ricardo Lewandowski, vice-presidente do STF. Se isso ocorrer, no entanto, ele deve aguardar a volta das férias do Supremo para levar a questão ao plenário da corte.
NA AMÉRICA
O cineasta Walter Salles está nos Estados Unidos participando de uma série de debates sobre seu longa "Na Estrada", que estreia naquele país amanhã. Ele passará por Los Angeles, Seattle e Nova York.
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ARTEIROS
O livro "AtraQue", sobre a obra de Rodolpho Parigi, foi lançado anteontem na galeria Nara Roesler. A cantora Luisa Lovefoxxx, a empresária Chris Bicalho, o guitarrista Gustavo Riviera, o florista Vic Meirelles, a joalheira Francisca Botelho, o galerista Daniel Roesler e a estilista Natália Marques estavam lá.
OBRA ABERTA
O livro "Planos de Fuga - Uma Exposição em Obras", com fotos do artista Mauro Restiffe, foi lançado anteontem no Centro Cultural Banco do Brasil. O curador Rodrigo Moura circulou pelo centro cultural.
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CURTO-CIRCUITO
A Orquestra Jovem do Estado encerra o ano com concerto na Sala São Paulo, às 21h. O pianista Arnaldo Cohen participa.
O Trio Ternura, com Thiago Martins, faz show hoje no Royal Club. 18 anos.
A Casa 92 promove sua festa do fim do mundo. 18.
A Secretaria das Subprefeituras de SP inaugura hoje, às 14h30, galeria de fotos de titulares da pasta.
O hospital Dr. Moysés Deutsch - M'Boi Mirim ganhou selo de "acreditado pleno" da Organização Nacional de Acreditação.
Flávio Rocha, da Riachuelo, é o novo presidente do IDV (Instituto para Desenvolvimento do Varejo).
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José Simão


Ueba! Quero um Propinetone!
E eu só gosto da Cármen Lúcia. Porque é o clone do Mister Bean. E o Barbosa parece a minha sogra
BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta: "Cachoeira não é indiciado na CPI do Cachoeira". Rarará! Síndrome de abstinência: faz quatro dias que o Corinthians não é campeão de nada!
E amanhã é o Fim do Mundo. E o Itaquerão não ficou pronto! Capa da "Caras": "Xuxa aguarda o fim do mundo na Ilha de Caras". Manchete do Sensacionalista: "Teto de seita que prega o fim do mundo desaba e mata 22 pessoas em São Paulo!". Rarará! E o kit de Natal: um CD da Simone + um litro de álcool + uma caixa de fósforos! BUM!
E esta aqui: "Berlusconi vai casar com namorada de 27 anos e de valores morais sólidos". E ela vai casar com um de 76 e sem moral. Rarará! Tudo culpa do Viagra. Bunga-bunga na base do Viagra!
E sabe o que você podia dar de Natal pra sua mãe? Um Viagra pro seu pai! Faça sua mãe feliz! Dê um Viagra pro seu pai!
E Datapanetone informa: ninguém aguenta mais panetone. Nem porteiro de prédio aguenta mais ganhar panetone! Panetone dá azia! E em Brasília lançaram o panetone dos políticos, o PROPINETONE! Fabricado com farinha de propina!
UFA! UFA! Tamo livre! Acabou o mensalão! A Turma da Naftalina entrou em recesso! Agora os tiozinhos vão botar aquelas capas de morcego pra lavar? Já imaginou um varal de capas de morcego? E o ministro Marco Aurélio: "Afastamento da vida social projetado no tempo". Tucanou a cana, o xadrez, o xilindró! E o Barbosa disse que o julgamento está na reta final. Eu acho que está no reto final. Dos mensaleiros. Rarará!
E o Marco Aurélio não gostou do Barbosa, no final do julgamento, ter agradecido aos colaboradores. O Barbosa tá certo! O julgamento do mensalão não foi um espetáculo midiático? Então tem que passar a ficha técnica no final. Rarará!
E eu só gosto da Cármen Lúcia. Porque é o clone do Mister Bean. E o Barbosa parece a minha sogra: ranzinza e não deixa ninguém falar! É mole? É mole, mas sobe!
O Brasil é Lúdico! Placa na garagem em Diadema: "Estacionamento Proibido! Sujeito a Guindamento e/ou Esvaziamento de Pneus". Adorei o "guindamento". E gosto muito de placas que têm "e/ou". Como esta: "Quem pichar esse muro é corno e/ou viado". Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza! Hoje só amanhã! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

Marina Colasanti - Amanhã, cor de fumaça‏


Estado de Minas: 20/12/2012 
Amanhã o mundo termina, dizem alguns. Pergunto-me que mundo. Não há de ser o fim súbito de todas as estrelas, planetas, galáxias, o iluminar-se dos buracos negros, não há de ser o momento em que as paralelas se desencontram para sempre no infinito. Não há de ser o fim do “sempre” ou do infinito. 

Se for apenas o fim deste mundinho nosso, deste planeta pequeno e ameaçado que habitamos, e que com nossa mania antropocêntrica chamamos mundo, não creio que o resto do universo se abale grandemente.

Sempre foi assim, mundos terminam, enquanto o resto segue à frente. Minha geração viu o fim de vários mundos e, mais de uma vez, pequenas ou grandes partes do mundo de cada um também terminaram. 

Terminou a era colonial, e eram vários mundos que a formavam. Os ingleses perderam gorda fatia do império de que tanto se orgulhavam, foi-se a Índia, foi-se aquele clima tão Kipling de chá das cinco em pleno calor, ter um mangusto no jardim para espantar as najas, caçar tigres com um marajá do alto de um elefante. Foram-se as lembranças exóticas, às quais era tão elegante referir-se depois no clube londrino mergulhado em fog. O mundo de Marguerite Duras na Indochina acabou com a batalha de Dien Bien Phu, enquanto nós continuamos dançando rock and roll. E o mundo dos europeus que haviam ido plantar seu futuro em terra alheia, e o dos seus filhos que em terra alheia haviam crescido e já não a consideravam alheia, foi puxado debaixo dos seus pés. Retornaram os portugueses a Lisboa.

Tudo tão recente, mas já tão longe. 

E terminaram tantas ditaduras. E o mundo comunista acabou. Eu estava em Moscou na noite de agosto de 1991, quando a estátua de Dzerjiski, fundador da KGB, foi derrubada por dois guindastes, sob os aplausos do povo – eram Krupp, os guindastes, lembrança alemã de um mundo nazista que também acabou. Ao fundo, o enorme prédio da KGB estava apagado, silencioso, e lembro-me de ter pensado que ali estava um mundo feito de segredos e de ratos, que agora se evadiam. 

E nem bem vimos terminar o mundo de Mao, já nos perguntamos que mundo é esse novo da China, que ainda não é o que será, e que assustadoramente cresce. 

Todos os dias, oculto ou visível, começa o processo que levará à morte de um mundo. Pode ser o dos corais, ou o de uma cultura, pode ser uma água que seca e levará inteiras populações à morte, ou um vírus que se fortalece e semeará a peste. Pode ser, apenas e rotineiramente, o desgaste de um corpo.

Amanhã, muitas coisas vão morrer sem alarido, como sempre morrem. Mas há os que acreditam na precisão matemática das profecias, e se preparam para o ruído grandíssimo ou para o grandíssimo silêncio.

Meu amigo Ignácio de Loyola Brandão me escreve, enfrentando com humor as previsões: “Por via das dúvidas organizei minha vidinha, paguei minhas continhas, lavei e encerei a casa, fiz a barba, tomei banho, passei gel no que resta dos cabelos (...) e fiz um docinho de laranja e comprei queijo branco....”. É um homem digno o Ignácio, que me leva a perceber minha futilidade. Pois se o fim do mundo tivesse se adiantado uns dias, teria me flagrado debruçada sobre a mesa de jantar, cortando em seda cor de fumaça a pantalona que pretendo usar amanhã, para estar em harmonia com a cor que pode se tornar geral.

Tereza Cruvinel - O nome é crise‏

Antes, havia uma crescente e continuada judicialização da política. Mas agora o Congresso constata, e, dizem seus líderes nas coxias, ocorre também a politização do Supremo 

Estado de Minas: 20/12/2012 
Por mais que os atores e os narradores evitem pronunciá-lo, não há outro nome para a situação que se instalou entre o Congresso e o Supremo Tribunal Federal: trata-se de uma crise institucional. O poder que detém a representação popular, composto por 513 deputados e 81 senadores, foi paralisado pela decisão monocrática de um ministro do Supremo. Não foi em protesto que o Congresso, sob a condução do mais experiente e sereno de seus integrantes, o ex-presidente José Sarney, optou, no fim de um dia marcado por tensão, revolta e perplexidade, por nada mais votar este ano. Nem mesmo o Orçamento Federal para 2013, com todos os transtornos que isso trará ao país. A liminar do ministro Luiz Fux, proibindo a apreciação dos vetos à Lei dos Royalties antes dos outros mais de 3 mil acumulados, também declarou “sobrestadas” todas as demais deliberações. Ou seja, trancou a pauta. 

O artifício que foi tentado para contornar o problema, sem desobedecer à determinação do ministro da Suprema Corte, foi votar em bloco a fila de vetos, em sua maioria irrelevantes, incluindo em último lugar os vetos recentes da presidente Dilma à lei que divide a Federação. Há alguns anos é assim que um Congresso atolado em MPs e outras demandas vem apreciando os vetos. Depois, entrariam em pauta o Orçamento e dezenas de créditos suplementares, liberando nestes dias finais do ano recursos aguardados por órgãos e instituições para concluir projetos e a execução de políticas públicas. Como era de se esperar, a metodologia dividiu a Casa. As bancadas do Rio e do Espírito Santo, estados produtores que desejam manter os vetos, ameaçaram com uma guerrilha regimental que exigiria alguns dias de votação. E, para completar, mais um deputado, o petista carioca Alessandro Molon, atravessou a rua e foi pedir nova liminar ao ministro conterrâneo Luiz Fux, agora contra a votação em bloco. Não chegou a ser concedida nem foi preciso mais essa paulada para a crise se instalar. Que outro nome tem a situação em que um poder, supostamente independente, é imobilizado pela ação de outro? 

A decisão anterior do plenário do Supremo, de declarar cassados os mandatos dos deputados condenados no julgamento do mensalão, já havia criado fervura e revolta na Casa, mas não tão generalizada. Como os réus são da base governista e o julgamento tomou ares de guilhotina do PT, a oposição preferiu ignorar o grave significado da decisão. Já a liminar de Fux, embora fundada no rito que a Constituição prevê para a apreciação de vetos, praticamente uniu as duas Casas. Mas elas têm suas culpas neste imbróglio. 

O costume dos partidos e dos congressistas de pedir a intervenção do Judiciário em assuntos que deveriam ser resolvidos pelo Legislativo estimulou o avanço do Supremo e do TSE sobre as prerrogativas do Congresso. Há alguns anos o TSE legisla sobre eleições com suas resoluções, algumas polêmicas e refugadas pela realidade política, como ocorreu com a verticalização das coligações, imposta pelo TSE em 2002. Foi essa regra que levou o antigo PL, ao coligar-se nacionalmente com o PT, a pedir-lhe ajuda financeira para eleger seus deputados, proibido que estava de fazer outras coligações. O dinheiro chegou através do valerioduto. O presidente do partido, Valdemar Costa Neto (PR-SP), terminou condenado pelo STF, na ação do mensalão, por corrupção passiva e venda de voto.

Além do costume de pedir socorro ao Judiciário, o Congresso pecou por omissões, deixando muitas vezes de fazer o que lhe competia. O Judiciário vinha e resolvia. Nos anos recentes, verificou-se a falta de líderes e grandes nomes. O Congresso descuidou-se muitas vezes da liturgia e foi negligente com a escolha de líderes e dirigentes, nem todos de ilibada reputação. Tudo isso vem acontecendo há algum tempo, mas o Supremo era outro. Agora, a Corte mudou de figurino, ganhou novo protagonismo com o julgamento do mensalão, a presidência de Joaquim Barbosa e o ingresso de outros integrantes. Antes, estava havendo uma crescente e continuada judicialização da política. Mas agora o Congresso constata, e, dizem seus líderes nas coxias, ocorre também a politização do Supremo.

O ano político termina muito mal. O novo ano também começará mal nessa seara. A promessa de que as votações serão retomadas em 5 de fevereiro não se cumprirá. Nesses dias, o Congresso terá eleito novos presidentes e estará recompondo as comissões técnicas.

Base unida

Um jantar na residência do deputado peemedebista Luiz Pitiman (DF), em torno do candidato de seu partido à Presidência da Câmara, Henrique Eduardo Alves, demonstrou a unidade da coalizão em torno da candidatura. A bancada do PMDB compareceu em peso, o vice-presidente Michel Temer circulou com a velha desenvoltura de parlamentar. Os ministros chegaram mais tarde. O PT reiterou que o acordo vai bem. Lá estiveram, entre outros, os deputados petistas Cândido Vaccarezza (SP), Nelson Pellegrino (BA) e Vicente Cândido (SP).

Temer apresentava sua receita para contornar a crise entre STF e Câmara em torno dos mandatos dos deputados condenados. Que o STF mande o acórdão à Câmara, quando concluído, notificando-a das condenações. A Casa, em seguida, daria curso às cassações, com base na perda dos direitos políticos. Assim, as cassações ocorreriam por decisão da Mesa, dispensada a votação em plenário, por voto secreto.