segunda-feira, 1 de abril de 2013

Foco em terapias personalizadas contra o câncer-Bruna Sensêve‏

Depois de identificar boa parte das mutações ligadas aos tumores malignos, cientistas aplicam as interpretações em estudos que possam viabilizar tratamentos individualizados 


Bruna Sensêve

Estado de Minas: 01/04/2013 

A conclusão do Projeto Genoma Humano, em 2001, voltou o olhar de muito pesquisadores para a compreensão dos fatores genéticos e, mais recentemente, dos efeitos epigenéticos — mudanças na expressão do gene que não envolvem alterações na sequência do DNA —  observados no início, no desenvolvimento e no progresso do câncer. Reconhecidamente, o mal tem no seu misterioso e complexo processo de propagação fatores genéticos marcantes. Os primeiros esforços focaram-se na identificação de mutações raras hereditárias com propensão à doença. Hoje, os avanços na tecnologia de sequenciação permitem uma abordagem de genoma completo para examinar as diferenças entre as informações genéticas e a regulação epigenética do DNA do tumor e o do paciente. Com a análise sequencial dos principais tipos de tumores humanos quase completa, os pesquisadores têm, agora, uma tarefa menos “braçal” e mais construtiva de interpretar essa grande quantidade de dados produzidos.

Em edição especial da revista científica Science, os principais especialistas da área examinam como os últimos avanços tecnológicos de sequenciamento genômico foram capazes de moldar o entendimento atual de ação da doença. Os pesquisadores sugerem que, em um futuro não muito distante, o tratamento rotineiro do câncer não deverá incidir sobre o órgão de origem, mas sobre o perfil genômico do tumor responsável pelo mal. A capacidade de “ler” o complexo código incorporado ao organismo do paciente ajudará a identificar as melhores terapias.

Em destaque nessa incessante busca está uma mulher: Elaine Mardis. A pioneira da pesquisa genômica do câncer e codiretora do Instituto Genoma da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, explora como a variedade genética dos tumores individuais, revelada por estudos de sequenciamento, pode trazer problemas ou soluções aos tratamentos. Atualmente, Mardis está envolvida com os estudos do genoma de sete tipos de câncer: de fígado, de cérebro, de mama, de próstata, de pâncreas, de pulmão e no sangue. A cientista explica que os pacientes têm conjuntos diferentes de mutações, mas a esperança é que, pelo sequenciamento de tipos específicos, surjam padrões que revelem um conjunto comum de mutações ou pelo menos os caminhos afetados pela diversidade de mutações. Eles, então, poderiam ser alvos específicos para a terapia.

Segundo artigo publicado na revista Nature em 11 de janeiro do ano passado, os pesquisadores liderados por Mardis produziram o sequenciamento do grupo de células cancerosas de oito pessoas no momento em que cada uma delas recebeu o diagnóstico da doença. O mesmo procedimento foi realizado quando o paciente teve reincidência após a primeira série de quimioterapia. O câncer da recaída surgiu no mesmo rol de células da medula óssea que levou ao problema inicial, mas as últimas células tinham sofrido mutações adicionais. “Fomos os primeiros a mostrar que, de todo o genoma, a quimioterapia teve uma ‘assinatura’ de danos no DNA. O que confirma uma antiga suspeita: ao usar a quimioterapia, podemos estar configurando o paciente para uma recaída por causa da aquisição de novas mutações.”

Diversidade perigosa O peso negativo da diversidade genética do câncer é fruto de pesquisa liderada por Charles Swanton, do Instituto de Pesquisa em Câncer do Reino Unido, e que também foi publicada na Science . Ele acredita que um número crescente de evidências genéticas de que os tumores têm uma mistura heterogênea de células poderá explicar por que os tratamentos contra o câncer falham constantemente. A equipe liderada por Swanton sequenciou o DNA recolhido de diferentes partes do tumor de um paciente renal e os resultados não coincidiram. Alterações genéticas foram compartilhadas por toda a massa original do tumor e até pela metástase que surgiu a partir dele, mas a maioria das mutações estava presente em apenas algumas partes. Das 128 mutações identificadas no paciente, cerca de 33% eram partilhadas por todas as amostras.

Para Swanton, a descoberta sugere que os tumores abrigam diversas populações de células. “Algumas delas poderiam ser resistentes ao tratamento e até começarem a se desenvolver após a quimioterapia. Para mim, isso começa a explicar por que as drogas e terapias param de funcionar em algum momento”, conclui. O nível de heterogeneidade foi semelhante para tumores de outros três pacientes. Algumas partes de um tumor tinham mutações diferentes nos mesmos genes do câncer, mostrando que os subgrupos de células haviam evoluído de um defeito no mesmo gene, mas de forma independente. O pesquisador acredita que a boa notícia do estudo é que algumas mudanças genéticas que levaram ao crescimento do tumor surgiram no início da evolução do problema e persistiram à medida que ele cresceu e se espalhou. “Isso significa que uma droga-alvo nesses genes anormais deve funcionar na maior parte das células cancerígenas”, acredita.

Descobertas mais de 70 alterações

Pesquisadores de mais de 160 grupos de estudo norte-americanos, europeus e asiáticos divulgaram os resultados de um dos maiores estudos internacionais sobre alterações genéticas ligadas ao câncer. Eles conseguiram identificar mais de 70 alterações em regiões do genoma que determinam um aumento considerável das chances de desenvolvimento de tumores malignos na próstata, na mama e no ovário. O trabalho, baseado na comparação do DNA de 200 mil pessoas — metade delas com câncer — , foi detalhado em 14 artigos científicos publicados na Nature Genetics, no The American Journal of Human Genetics, na Human Molecular Genetics e na Plos Genetics.
A descoberta, segundo o grupo de cientistas, permitirá que, em cinco anos, seja possível desenvolver testes de rastreamento de DNA para a prevenção do câncer. Diante de informações mais claras sobre a quantidade de alterações genéticas ligadas aos tumores, eles acreditam que será possível definir o risco individual de câncer, o que facilitará ações de prevenção e de tratamento. “Estamos à beira de conseguir usar o nosso conhecimento dessas variações genéticas para desenvolver testes que poderiam complementar o rastreamento do câncer de mama e levar a um passo mais perto de um efetivo exame de rastreamento do câncer de próstata”, disse Doug Easton, um dos principais autores da pesquisa.

Foram descobertos 49 erros genéticos relacionados ao câncer de mama, mais que o dobro do que se sabia até então — o número total agora é de 76. No caso do câncer de próstata, os investigadores descobriram 26 desvios, subindo para 78 o número de falhas identificadas. Para o câncer de ovário, oito novos erros foram encontrados e somados aos quatro até então conhecidos. 

A rede e a liberdade de criação - @samadeu - Tendências/Debates

folha de são paulo

SERGIO AMADEU DA SILVEIRA
A rede e a liberdade de criação
A internet coloca em risco os velhos modelos de negócios. Sua natureza aberta torna-se alvo de grandes corporações de telecomunicação
Os dois filósofos suecos Alexander Bard e Jan Söderqvist já haviam detectado que em uma rede distribuída como a internet, "todo ator individual decide sobre si mesmo, mas carece da capacidade e da oportunidade para decidir sobre qualquer dos demais atores".
Essa tese foi testada pelo poderoso governo norte-americano quando, em dezembro de 2010, agiu de modo contundente sobre os provedores para retirar o site do Wikileaks da rede. Em menos de dois dias, foram criados mais de 800 "sites espelhos" nos cinco continentes, que replicavam exatamente o conteúdo do site bloqueado.
Se a liberdade de expressão e de opinião distribuídas pelas plataformas da rede incomodam sobremaneira os setores que definem as razões de Estado como princípio superior, a liberdade de criação de novas tecnologias, aplicações ou formatos têm preocupado e colocado em risco os velhos modelos de negócios de grandes corporações erguidas no mundo industrial.
Assim, a natureza aberta da internet torna-se alvo de parte da indústria de intermediação cultural e de grandes corporações de telecomunicações.
Em 1989, Tim Berners-Lee desenvolveu o modo gráfico da internet. Até 1999, Shawn Fanning e Sean Parker não haviam criado o Napster, considerado um dos precursores das redes P2P, que mudaram o modo dos jovens acessarem arquivos digitais em todo o mundo. Foi em abril de 2001 que Bram Cohen lançou o protocolo BitTorrent; Janus Friis e Niklas Zennström desenvolveram o Skype, em 2003. Hurley, Chen e Karim criaram o YouTube em fevereiro de 2005. Jack Dorsey deu vida ao microblogging Twitter em 2006.
Nenhum desses criadores teve que pedir autorização para governos ou corporações para desenvolver e distribuir na rede suas invenções e plataformas tecnológicas.
A internet, até o momento, é uma rede aberta, não proprietária e desenvolvida colaborativamente, a partir dos esforços de empresas, universidades, técnicas e técnicos de órgãos públicos e da comunidade hacker. Para acessá-la, não precisamos recorrer a centros obrigatórios, tal como ocorria na rede de computadores francesa chamada Minitel. São os protocolos da internet que asseguram esse fantástico arranjo comunicacional.
Entretanto, quem controla a infraestrutura de conexão pode controlar o fluxo de informações. Dito de outro modo: os donos dos cabos e fibras ópticas por onde passam os fluxos de informação podem filtrar e bloquear os pacotes de dados.
Se o dono da infraestrutura de cabos e fibras ópticas não for neutro em relação aos conteúdos e aplicativos que nela trafegam, estaremos subordinando a liberdade de criação aos seus interesses, sejam econômicos ou políticos.
Na internet, não pedimos autorização para nenhuma corporação ou Estado para criarmos e lançarmos um novo aplicativo ou plataforma. A liberdade tem sido a maior força e fonte de inventividade e criatividade. Emprestando os termos do jurista Lawrence Lessig, perderemos diversidade e intensidade criativa se substituirmos a lógica da liberdade pela lógica da permissão.
A possibilidade de criar livremente um novo aplicativo, uma nova tecnologia ou um novo protocolo será gravemente afetada e comprometida com a quebra da neutralidade da rede.
Hoje, em todo o mundo, há um grande embate entre as operadoras de telecomunicação e os defensores da liberdade e diversidade culturais. O oligopólio da telecom pressiona os Estados nacionais e suas agências reguladoras para aprovarem legislações que assegurem a possibilidade deles filtrarem, bloquearem e pedagiarem o fluxo de informações no ciberespaço. Isso implicará na permissão para que se tornem "gatekeepers" da criatividade. Precisamos defender a liberdade de criação tecnológica.
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JÂNIO QUADROS NETO
Os problemas do sistema eleitoral
Muitos aplaudiram a Lei da Ficha Limpa. Pode parecer insanidade, mas eu não o fiz. A lei é uma tentativa de perfumar adubo
Temos acompanhado pela imprensa quase incontáveis operações policiais e escândalos envolvendo a classe política e governamental. Temos visto espetáculos do Poder Judiciário e do Ministério Público atacando a praga da corrupção. A política se tornou insuportável.
Surpreende que dificilmente as autoridades discutam as causas e tentem prevenir a corrupção. Por que não buscar eliminá-las ou no mínimo enfraquecê-las? Corrupção é uma doença e devemos procurar uma vacina. A solução não se encontra em ações policiais, julgamentos e espetáculos na televisão.
Muitos aplaudiram a aprovação da Lei da Ficha Limpa. Pode parecer insanidade, mas eu não o fiz. A lei é uma tentativa de perfumar adubo. O cheiro pode melhorar, mas a essência permanece a mesma.
Se é necessário ter uma lei que impeça pessoas condenadas por crimes de se candidatarem, podemos presumir que o eleitorado goste de eleger bandidos. Seguindo essa presunção, podemos então desconfiar de que falte razão ao eleitor.
Mas qualquer pesquisa eleitoral indica que a maioria da sociedade não confia nos políticos e despreza o processo eleitoral. Por que, então, alguns candidatos com muita rejeição conseguem se eleger? É o sistema que é furado!
Um sistema eleitoral e partidário como o nosso é uma receita para a desgraça. O voto desproporcional e não distrital e o excesso de partidos políticos fazem com que a corrupção seja uma questão de sobrevivência política e eleitoral.
Os 30 partidos hoje existentes no país não representam nenhuma ideologia ou proposta concreta.
Em 2010, São Paulo teve 1.275 candidatos a deputado federal. Isso é patético. Como um eleitor inteligente e consciente terá tempo ou paciência para analisar 1.275 currículos? Aquele que for correto e bem-intencionado dificilmente se elegerá e mais dificilmente ainda sobreviverá.
O Brasil está entre os países que têm as eleições mais caras do mundo. Para se eleger, um candidato precisa de uma máquina política, gastar milhões ou ser artista. Isso não atende ao melhor interesse do eleitorado nem da sociedade.
Por que não ter o voto proporcional e distrital com poucos partidos políticos? Talvez cinco, no máximo. Por que todos os candidato não têm o mesmo tempo e espaço na televisão? Por que donos de veículos de comunicação podem se candidatar? Não é coincidência que quase todo coronel político é dono de veículos de comunicação.
Alguns defendem o financiamento público de campanhas políticas. Isso só seria viável se o voto fosse proporcional, distrital e com poucos partidos. Com essas regras, seria muito difícil comprar uma eleição. Quem tivesse um índice alto de rejeição não se elegeria. Não precisaríamos de uma Lei da Ficha Limpa. O eleitor e as urnas naturalmente eliminariam fichas sujas.
Partidos devem ter uma identidade ideológica forte e um manifesto político. No Brasil, muitas legendas só existem para desfrutar do fundo partidário e negociar cargos e tempo de televisão. Raramente servem aos interesses da sociedade, mas com frequência atendem aos objetivos de caciques partidários.
Apesar de tanta gente ruim conseguir se eleger, não é ao eleitor que falta razão -é o sistema que é falho. Montesquieu teorizou que "Todo povo tem o governo que merece." O Brasil merece bem mais. Temos que mudar o sistema eleitoral.
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Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br

    Calor bem distribuído - Clarisse Souza‏

    Professor mineiro desenvolve semicondutor térmico que controla fluxo de temperatura entre dois ou mais corpos. No futuro, será possível ter paredes que regulem os termômetros de uma casa 


    Clarisse Souza

    Estado de Minas: 01/04/2013 

    A persistência de um pesquisador belo-horizontino em descobrir uma tecnologia capaz de equilibrar a transferência de calor entre corpos com temperaturas diferentes culminou na criação de um semicondutor térmico. Desenvolvido pelo doutor em engenharia mecânica Marco Aurélio Bernardes, o sistema atua no controle do fluxo de calor entre dois ou mais corpos e pode agir tanto como condutor quanto como isolante. A tecnologia, que ainda está em fase de pesquisa, pode ser aplicada em vários tipos de materiais, como metais, resinas plásticas, vidro, madeira ou mesmo tecido. Na prática, o semicondutor é capaz de funcionar de forma unilateral, de modo a promover o gerenciamento do calor e evitar a contaminação térmica, o que pode melhorar o desempenho de microprocessadores e aparelhos eletroeletrônicos e contribuir para uma redução significativa do consumo de energia.
    Especialista em ciências térmicas e com vários trabalhos na área de meio ambiente e energias renováveis, o pesquisador deu os primeiros passos no desenvolvimento do projeto em 2007, durante a realização de um estágio pós-doutoral no Instituto de Stellenbosch, na África do Sul. O objetivo de Bernardes era elaborar um dispositivo que pudesse transferir calor em uma única direção, a fim de solucionar uma falha dos isolantes convencionais. “Em edificações, por exemplo, os sistemas de isolamento térmico impedem a entrada do calor durante o dia, mas à noite, quando o ambiente externo tende a ser mais frio, as paredes impedem a saída de calor interno, o que faz com que haja um gasto excessivo de energia com o uso de ar-condicionado”, afirma. Segundo o pesquisador, o semicondutor térmico pode solucionar o problema, já que permite a liberação do calor. “Com a aplicação do sistema, podemos ter paredes inteligentes, capazes de proporcionar um equilíbrio nas temperaturas”, explica. Como a pesquisa ainda está sendo desenvolvida, o especialista não sabe precisar o percentual de redução do consumo de energia em edificações com o uso do semicondutor.

    A tecnologia desenvolvida pelo engenheiro também pode aumentar a performance de microprocessadores, essenciais para o funcionamento de computadores e celulares. O superaquecimento desse dispositivo interfere no desempenho, a ponto de interromper seu funcionamento. Mas, segundo Bernardes, o desenvolvimento de microprocessadores criados com a tecnologia do semicondutor térmico pode proporcionar maior durabilidade do produto por meio da transferência unidirecional de calor. “No microprocessador tradicional, o aquecimento de um dos quadros do equipamento migra para as outras partes, comprometendo o seu funcionamento. Com o semicondutor térmico é possível evitar a contaminação por calor, o que pode revolucionar a qualidade destes produtos”, avalia o pesquisador.

    VASTA APLICABILIDADE
    Mas a aplicabilidade do sistema semicondutor térmico é bem mais vasta e ele pode ser utilizado, por exemplo, em roupas. Bernardes explica que o tecido normal é capaz de reter a temperatura corporal, o que é bom em dias de inverno, pois impede que um indivíduo sinta frio. Mas em dias quentes o mesmo material permite a entrada de calor do ambiente externo, o que impossibilita o uso dessa roupa no verão. Com o sistema semicondutor, é possível elaborar um tecido que em dias frios aqueça quem o veste, mas em ambientes com altas temperaturas não permita a transferência de calor para dentro da roupa. O uso da tecnologia em equipamentos eletrônicos e tecidos chamou a atenção da Defesa Americana durante a apresentação da pesquisa feita por Bernardes no fim do ano passado. Além de melhorar a performance de equipamentos como computadores e satélites, o mecanismo de controle do fluxo de calor pode possibilitar a confecção de uniformes que isolam ou liberam o calor de acordo com as condições térmicas do ambiente. Em situações de guerra, a tecnologia poderia contribuir para a criação de barracas mais funcionais, que se adequariam, por exemplo, às condições desérticas.

    DILATAÇÃO TÉRMICA
    O engenheiro mecânico explica que o desenvolvimento do sistema é baseado nos princípios de dilatação térmica (aumento ou contração do volume de um corpo ocasionado pela variação de temperatura) e transferência de calor. O sistema semicondutor térmico foi patenteado por Bernardes nos Estados Unidos com o nome de Methods and Mechanisms for Thermal Semi Conduction. Desde que iniciou o processo de pesquisas, em 2007, o engenheiro trabalha sozinho e não tem qualquer tipo de financiamento. Professor no Centro Universitário Una, em Belo Horizonte, Bernardes aproveita o tempo em que não está nas salas de aula para dar continuidade ao projeto. “Já gastei cerca de R$ 20 mil do meu bolso desde que dei início à pesquisa. Mas para conclu[i-la, com todos os testes e confecção dos materiais feitos com o uso do semicondutor, seria necessário cerca de R$ 1 milhão”, calcula.

    Embora o semicondutor térmico seja bem mais avançado que isolantes convencionais, o engenheiro garante que a confecção de produtos com o uso do sistema não torna o material mais caro. Ele explica que todo o custo adicional está no investimento em pesquisa e que o uso do sistema só deve trazer benefícios. “Esse sistema pode ser utilizado até mesmo no asfalto dos grandes centros urbanos, o que impediria a absorção do calor pelo solo durante o dia e ainda permitiria que o calor natural da terra fosse liberado durante a noite. Isso poderia mitigar o aquecimento global”, afirma o especialista. A expectativa do pesquisador é que a tecnologia esteja pronta para comercialização até o fim de 2013.

    Crimes cibernéticos já dão cadeia no país-Adriana Caitano‏

    A partir de hoje, quem invadir computadores alheios, tablets ou celulares pode ser condenado a até dois anos de prisão


    Adriana Caitano

    Estado de Minas: 01/04/2013 


    Brasília – Entra em vigor hoje a Lei Carolina Dieckmann, aprovada no Congresso no fim do ano passado e que tipifica crimes cometidos no meio virtual. A partir de agora, quem invadir dispositivos como computador, tablet ou celular para distribuir vírus ou acessar dados sigilosos sem autorização poderá ser condenado a até dois anos de prisão. A regra, no entanto, poderá ter efeito nulo se o usuário da internet não souber como se proteger dos ataques ou como denunciá-los. Levantamento feito em 2011 pela empresa de antivírus Norton indica que são registrados por dia 77 mil ataques cibernéticos no Brasil e, mesmo assim, apenas 30% dos usuários contam com algum mecanismo de segurança para evitar que isso ocorra. O prejuízo estimado para o país com esse tipo de crime é de R$ 104 bilhões por ano.

     A nova norma foi apelidada de Carolina Dieckmann porque, na mesma época em que o tema era discutido, a atriz foi vítima de hackers que invadiram seu computador e divulgaram na internet fotos em que ela aparecia nua. Apesar de identificados, os envolvidos só puderam ser indiciados por furto, extorsão e difamação. O caso estimulou os parlamentares a aprovarem um projeto direcionado aos atos cibernéticos cometidos. “Antes havia uma lacuna, pois punia-se o dano provocado, mas não o acesso aos dados”, diz o advogado especialista em direito digital Leandro Bissoli. O texto foi sancionado sem vetos pela presidente Dilma Rousseff em novembro, entrando em vigência 120 dias após a publicação.


    De acordo com a lei, serão enquadrados no Código Penal os usuários da internet que violarem indevidamente mecanismos de segurança de dispositivos para obter, adulterar ou destruir informações alheias ou distribuir vulnerabilidades (geralmente inseridas por vírus). A pena aumenta com agravantes como a divulgação, comercialização ou transmissão dos dados obtidos e se a vítima for uma autoridade ou um órgão público.


    Observada a violação, a ocorrência pode ser registrada em qualquer delegacia do país, que encaminhará o caso aos setores especializados em crimes cibernéticos. Mas, para ter validade de fato, a norma exige uma contrapartida do acusador: o computador, tablet ou celular precisa estar protegido por, no mínimo, uma senha para ser ligado. “Se você deixar sem proteção, o invasor não vai ter violado mecanismo de segurança algum e não poderá ser punido”, esclarece o especialista.
    Bissoli destaca que, além da lei, o Brasil precisa educar os usuários sobre proteção na internet. “O Dia Nacional da Inclusão Digital foi comemorado semana passada, mas ela ainda é muito falha. Não adianta distribuir computadores nas escolas ou ensinar pessoas mais velhas a usarem a rede se elas não sabem do risco que estão correndo, com internautas mal-intencionados e fraudes cada vez mais sofisticadas”, lamenta.


    O advogado ressalta ainda que a Lei Carolina Dieckmann sozinha não resolverá o problema dos crimes cibernéticos. O marco civil da internet, por exemplo, que tramita no Congresso, pode ser mais um passo para apertar o cerco contra os criminosos virtuais. O projeto estabelece os direitos e deveres dos internautas e das empresas que atuam no meio digital e está previsto para entrar na pauta do plenário da Câmara na segunda quinzena deste mês.


    Entre os itens abordados pela proposta está a proteção de dados dos usuários. “Há a garantia à privacidade, evitando que informações a seu respeito sejam vendidas como mercadoria sem sua autorização”, explica o relator do texto, Alessandro Molon (PT-RJ). Leandro Bissoli, no entanto, acrescenta: “Quaisquer dessas regras precisa ser bem divulgada e orientada inclusive a quem atua no meio jurídico e policial, para garantir-lhes a efetividade”.