quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

CINEMA » O Brasil na briga‏

CINEMA » O Brasil na briga


Estado de Minas: 06/02/2014


Clemens Schick, Wagner Moura e Jesuíta Barbosa em Praia do Futuro: carreira internacional   (Alexandre Ermel/Divulgação)
Clemens Schick, Wagner Moura e Jesuíta Barbosa em Praia do Futuro: carreira internacional

Depois de cinco anos de ausência, país tem representante na mostra competitiva da Berlinale. Filme Praia do Futuro, do cearense Karim Aïnouz, concorre ao Urso de Ouro

Não é exagero dizer que o Brasil vive este ano um de seus grandes momentos no tapete vermelho da Berlinale, um dos mais importante festivais de cinema, ao lado de Cannes e Veneza. Pela primeira vez em cinco anos (desde Tropa de elite, em 2008), o país terá representante na competição. Papel assumido pelo cearense Karim Aïnouz, que faz a estreia internacional de Praia do Futuro na mostra competitiva da 64ª edição do evento, que começa hoje e segue até dia 16. Coprodução Brasil-Alemanha, o filme conta a história de Donato (Wagner Moura), salva-vidas que fracassa em um resgate e vai viver em Berlim. O longa que compete pelo Urso de Ouro só estreia no Brasil em 1º de maio.

Na seção Panorama, destinada aos filmes de linguagem experimental, o país tem dois representantes este ano: Hoje eu quero voltar sozinho, longa de estreia do paulista Daniel Ribeiro sobre um adolescente cego e homossexual, baseado no curta premiado no Festival de Paulínia; e O homem das multidões, ficção que encerra a trilogia sobre a solidão de Cao Guimarães (depois de A alma do osso e O andarilho), obra realizada em parceria com o diretor pernambucano Marcelo Gomes.

Rodado em Belo Horizonte, O homem das multidões conta a história de dois ferroviários, Margô (Sílvia Lourenço) e Juvenal (Paulo André, do Galpão) e é baseado em conto de Edgar Allan Poe. O diretor Marcelo Gomes afirma: “A solidão é tema muito presente na cultura europeia e o conto é inglês, então, achamos que na Alemanha o filme terá compreensão muito boa. Tratamos de questão muito presente na sociedade urbana e essa será a primeira exibição fora do Brasil.” Marcelo antecipa que foram convidados para importantes festivais estrangeiros, “mas ainda é segredo”.

CURTA Outra coprodução brasileira estará presente em Berlim este ano. Realizado em dobradinha com Portugal, Fernando que ganhou um pássaro do mar, do diretor mineiro Helvécio Marins Jr. e do carioca Felipe Bragança, ganha exibição amanhã, no Instituto de Cinema e Vídeo Art – Arsenal. O curta é o único representante brasileiro no Forum Expanded, dedicado ao cinema independente, obras que dialogam com os limites do cinema e sua relação com as outras artes. Selecionado também para a mostra competitiva do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, ano passado, o filme conta a história de Fernando, que divide seu tempo entre copos de cerveja e a pequena casa em que vive, em uma vila operária na cidade do Porto.

Festa e atrações
Vem causando burburinho nos bastidores da Berlinale a estreia de documentário, ainda sem título, do diretor Martin Scorsese sobre a revista New York Review of Books. Dirigido em parceria com David Tedeschi, editor com quem ele trabalhou em George Harrison: living in the material world, ganha exibição como trabalho em progresso. Em cena, a rotina da redação da publicação e a vida do lendário diretor desde o nascimento da revista, durante greve do New York Times, em 1963, aos dias de hoje.

Entre as novidades desta edição, festa especial para a exibição dos dois primeiros episódios da segunda temporada da série House of cards, no último dia do festival. Também na agenda do evento exibições do novo longa de Wes Anderson, The Grand Budapest Hotel, que abrirá a Berlinale; do longa que tem direção de George Clooney, Caçadores de obras-primas, e claro, da versão sem cortes (com nada menos que cinco horas) do polêmico Ninfomaníaca, de Lars von Trier.

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