terça-feira, 19 de agosto de 2014

ESCLEROSE LATERAL AMIOTRóFICA » Todos contra ela

ESCLEROSE LATERAL AMIOTRóFICA » Todos contra ela Com adesão de celebridades mundiais, campanha do balde de gelo se torna viral na web e arrecada mais de US$ 15 milhões para ajudar em pesquisas de cura e tratamentos


Carolina Cotta
Estado de Minas: 19/08/2014


O jogador Neymar foi um dos famosos brasileiros que enfrentou o desafio da água gelada  (Reprodução/Instagram)
O jogador Neymar foi um dos famosos brasileiros que enfrentou o desafio da água gelada
Sabe aqueles desafios que pipocam no Facebook? A moda da vez, jogar um balde de água com gelo sobre a cabeça, vai um pouco mais longe e mobiliza personalidades mundiais por uma boa causa: ajudar portadores da esclerose lateral amiotrófica (ELA) e suas famílias. Entre as estrelas, o criador do Faceboook, Mark Zuckerberg, desafiou o criador da Microsoft, Bill Gates, que não se fez de rogado. Imitaram o gesto Justin Bieber, Steven Spielberg, Jennifer Lopez e o atacante português Cristiano Ronaldo, entre dezenas de celebridades. O primeiro brasileiro a aderir foi o jogador Marcelo, da Seleção Brasileira, que desafiou Luciano Huck, que indicou Preta Gil, Ivete Sangalo e Tiaguinho. Entraram na onda Neymar, Ronaldo Fenômeno, Ana Maria Braga, Fátima Bernardes e a über model Giselle Bundchen, só para dar alguns exemplos.

A campanha foi criada pela ALS Association, entidade que arrecada fundos para tratar e pesquisar a cura da ELA. Quem joga o balde de gelo ou água na cabeça faz também uma doação de até US$ 120 (ou qualquer quantia a mais) e desafia outras três pessoas a fazer o mesmo, num prazo de 24 horas. No ano passado, a mesma campanha arrecadou “apenas” US$ 1,7 milhão. Em 2014, já foram US$15,6 milhões, em pouco mais de 15 dias, segundo publicação ontem no site oficial da associação.

O principal motivo para viralizar a causa foi o fato de personalidades com grande número de seguidores terem entrado na brincadeira. O primeiro a fazer explodir a campanha foi o americano Peter Frates, ex-jogador de beisebol, diagnosticado com a doença em 2012. Ele postou o vídeo em 31 de julho, mas sem jogar o balde na cabeça, pois, como disse na postagem, “água gelada e ALS não combinam”.

O corpo atrofiado  A esclerose lateral amiotrófica (ELA) é uma doença degenerativa, irreversível e rara. Segundo Antônio Pereira Gomes Neto, chefe do serviço de neurologia da Santa Casa, e coordenador da residência médica na área, em algum momento – e por uma causa ainda não muito clara, apesar de existirem várias hipóteses – determinadas células do sistema nervoso começam a desaparecer, a envelhecer e morrer antes da hora. No caso da ELA são as células do corno anterior da medula espinhal. A médula é um prolongamento do cérebro.

Os estímulos nervosos nascem no córtex cerebral, em um neurônio, e atravessam o cérebro até chegar à medula, onde precisa se conectar a outra célula nervosa e, a partir daí, distribuir os estímulos para as várias regiões do corpo. O que ocorre na ELA é que esse segundo neurônio, o localizado na medula, começa a desaparecer de maneira assimétrica, interrompendo a distribuição dos estímulos. Se a área onde isso ocorre está mais perto do cérebro os efeitos são mais graves.

A principal consequência é a perda de força e atrofia muscular. “Quem alimenta os músculos são as fibras nervosas que nascem nesse segundo neurônio. Com o tempo, essa atrofia muscular é dramática”, alerta o médico, segundo o qual os pacientes começam a parar de se movimentar, deglutir e têm dificuldade até para respirar.

O único medicamento disponível consegue aumentar em cerca de três meses a estabilidade da doença e a expectativa de vida, que, em geral, é de três anos, embora existam casos de pessoas convivendo com a doença há mais de duas décadas, caso do físico inglês Stephen Hawking. O aparecimento da doença, que atinge um a cada 100 mil pessoas por ano, é mais comum a partir dos 50 e 60 anos. Os sintomas mais comuns são fraqueza, dificuldade de deglutição, alteração da voz e atrofia muscular. (Colaborou Júlia Boynard)

Chuva de dólares

O polêmico ator Charlie Sheen não só aceitou o desafio do balde, com também jogou sobre si mesmo, em vez de gelo, a bagatela de US$ 10 mil. Como parte da brincadeira, desafiou a equipe da série Two and a half men, Chuck Lorre, Jon Cryer e o seu substituto Ashton Kutcher, com quem brigou várias ocasiões, a fazer doações da mesma quantia. E você, se não for provocado por algum amigo e, mesmo assim, quiser doar para a campanha, entre no site alsa.org e siga os passos. 

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