sábado, 31 de janeiro de 2015

Pesquisas - Eduardo Almeida Reis

O aumento da pornografia gratuita é responsável pela diminuição do número de casamentos


Eduardo Almeida Reis
Estado de Minas: 31/01/2015




Suponho que o Instituto Alemão para o Estudo do Trabalho seja sério. Por isso, perco o meu tempo e tomo o do leitor com as pesquisas daquele instituto, segundo as quais o aumento da pornografia gratuita é responsável pela diminuição do número de casamentos. Os cientistas estudaram as tendências do número de casamentos e a proliferação dos filmes pornô, concluindo que o aumento da disponibilidade e o custo reduzido da pornografia pela internet tiveram “efeito casual”, fazendo que as pessoas optem por não subir ao altar.

“Tradicionalmente, uma das razões para o casamento é a satisfação sexual. Mas, com o crescimento das opções de satisfação sexual fora do casamento, a necessidade está diminuindo”, concluíram os pesquisadores, que perceberam uma rápida ascensão da pornografia internética no mesmo período em que o casamento perdeu popularidade (sic). A internet não somente barateou a pornografia como o custo social de consumi-la, dizem ainda os pesquisadores. Isso porque as pessoas teriam menos riscos de ser estigmatizadas por acessar um website do que comprando revistas pornôs numa loja.

A pesquisa também descobriu que os consumidores de pornografia frequentam menos as igrejas e têm mais oportunidades de trair os parceiros e de pagar pelo sexo. Um estudo anterior também havia identificado no aumento da pornografia o declínio na ocorrência de estupros.

Homessa! Fiquei maluco ou entendi a pesquisa? Quer dizer que os e-mails pornográficos, que os amigos me mandam, evitam meu próximo casamento e me poupam do desejo de sair por aí estuprando pinguins e deputadas petistas? Quem foi que disse que desejo estuprar alguém? O fenômeno filme pornô exige estudo mais sério do pessoal da área psi. Existe uma indústria de cinema pornô e a maioria dos filmes é exibida sem anúncios na tevê a cabo.

Um amigo tem três canais em seu televisor exibindo filmes espantosos, que me mostrou quando o visitei para tomar um uísque e fumar um charuto. Anotei os nomes. Um canal Playboy TV, que faz propaganda da revista, mais um canal Sexy Hot exibindo filmes dia e noite, sem propaganda, muitos deles falados em português e um canal For Man, que suponho significar “para homem” e não tem uma só mulher trabalhando: só homem com homem, homem com travesti e travesti com travesti.

Se isso contribui para o declínio do casamento à moda antiga, de homem com mulher, confesso que não entendo mais nada. E tiro meu time de campo, respeitando embora os pesquisadores do Instituto Alemão para o Estudo do Trabalho.

Álcool

Na véspera do Natal, a lindíssima e inteligentíssima Leila Sterenberg (Leila Braga Sterenberg, Rio de Janeiro, 17 de setembro de 1971) entrevistou um neurocientista sobre os alcoóis e o álcool natalino. Um dos aspectos citados pelo cientista pareceu-me interessante. Começou dizendo que o álcool é droga legal e faz parte de nossa cultura: bidu. Mas chamou a atenção do telespectador para a percentagem de álcool por volume, lembrando que a cerveja tem 5% e o uísque, 40%. Todos sabemos que há cervejas com 8%, 12% e mais álcool por volume, enquanto a maioria das nossas populares tem menos que 5%.

Tomemos o número do cientista admitindo que o bom chope brasileiro tenha 5% de álcool por volume. Uma tulipa de 300ml comporta 240ml em média. Em números redondos, quatro tulipas somam um litro de chope. Qualquer bebedor razoável toma 20 tulipas de uma assentada, portanto cinco litros de chope. A 5% de álcool por volume, são 250ml de álcool puro. Se um litro de uísque tem 400ml de álcool, com os tais chopinhos você bebe mais que meio litro de uísque de uma assentada.

Minhas cervejas prediletas, fabricadas na Bélgica, têm 11% ou 12% de álcool por volume. Sempre que as entornei com entusiasmo cervejeiro conheci pileques divertidíssimos. Não raras vezes, nas noites das sextas-feiras, honrado pelos telefonemas do imenso Mário Palmério dizendo que na manhã seguinte viria a Juiz de Fora, em seu avião, para conversarmos sobre gados e fazendas.

O mundo é uma bola

31 de janeiro de 1542: don Álvar Nuñez Cabeza de Vaca descobre as Cataratas de Iguaçu. Em 1876, o governo dos Estados Unidos obriga os Native Americans a se mudarem para as reservas demarcadas. Em 1917, os cientistas alemães Otto Hahn e Lise Meitner descobrem o protactínio, elemento radioativo, símbolo atômico Pa, da família dos actinídeos.

Em 1918, repito, 1918, a Alemanha realiza um ataque aéreo a Paris despejando 14 mil bombas.

Em 1929, depois que Lenin morreu, Leon Trótski foi expulso da Rússia na luta pelo poder soviético.

Em 1943, cercadas em Stalingrado, as tropas alemãs se rendem ao exército soviético.

Em 1946, constituição da Iugoslávia integrada por seis repúblicas: Bósnia e Herzegovina, Croácia, Eslovênia, Macedônia, Montenegro e Sérvia: deu no que deu.

Em 1951, posse de Getúlio Vargas presidente eleito do Brasil: deu no que deu.

Em 1956, posse do presidente Juscelino Kubitschek.

Em 1961, posse do presidente Jânio Quadros: deu no que deu.

Em 1990, inaugurado em Moscou o primeiro McDonald’s: deu no que deu.

Hoje é o Dia do Engenheiro Ambiental e o Dia Internacional do Mágico.


Ruminanças

“Mágica é a arte de converter superstições em moedas” (Ambroise Bierce, 1842-1914). 

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