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segunda-feira, 1 de abril de 2013

Gasto por impulso mostra que não somos racionais como nos livros de economia

folha de são paulo

ANÁLISE
SAMY DANAESPECIAL PARA A FOLHANo último dia 20, o Sistema de Proteção ao Crédito (SPC) anunciou uma elevação de 6,65% no nível de inadimplência em fevereiro de 2013, em comparação com o mesmo período de 2012.
Podem explicar isso o incessante incentivo do governo ao consumo (ainda que a poupança clame por socorro), o crédito fácil oferecido a taxas de juros exorbitantes e a famigerada inflação.
Por falar nela, no dia 28, o Banco Central anunciou a projeção do IPCA para 2013: 5,7%, valor bem acima dos 4,5% esperados em 2012.
A conjuntura em que o consumidor se encontra é bastante desfavorável. Por que, então, o brasileiro, ciente de sua impossibilidade de sanar dívidas, não para de comprar?
Há muitos fatores envolvidos no consumo que os livros clássicos de economia não explicam. O homem que vive neles é perfeitamente racional. Mas a realidade mostra que fatores psicológicos são, muitas vezes, os mais relevantes nas decisões financeiras.
Estudiosos buscam entender essas motivações subjetivas. As explicações mais comuns estão relacionadas às emoções e influência exercida pela sociedade.
Em pesquisa recente do SPC e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas, foram levantadas as causas que levam homens e mulheres a comprar por impulso: principalmente estresse, ansiedade e vida profissional.
Entre as mulheres, o estímulo ao consumo se vincula à baixa autoestima, em 49% dos casos, e à tensão pré-menstrual, em 32%. Já para os homens, as principais causas são ansiedade (45%) e problemas no trabalho (38%).
Não é fácil controlar impulsos. Gastar mais do que se pode não há de sanar nenhuma dor. Mas é o que a pesquisa mostra que estamos fazendo.
Conhecer e controlar o seu comportamento de consumo, especialmente em momentos emocionais vulneráveis, parece ser a chave da questão.

    segunda-feira, 25 de março de 2013

    Milagre da Copa do Mundo no Brasil parece se transformar em pesadelo

    folha de são paulo

    ANÁLISE
    SAMY DANAESPECIAL PARA A FOLHAEm 2014, graças a esforços de antigos companheiros governantes, o Brasil será palco de um dos principais e mais badalados eventos do planeta: a Copa do Mundo.
    O Mundial envolve uma infraestrutura fantástica. É evidente que um país prestes a receber tamanho acontecimento precisa de um plano de investimentos à altura.
    Qualquer nação que sedia a Copa deveria estar preocupada em oferecer a melhor estrutura possível a seus visitantes internacionais -especialmente o país do futebol.
    No entanto, por aqui a falta de preocupação é tanta que chega a parecer que as estruturas viária e aeroportuária atuais são suficientes para suportar a chegada de milhares de estrangeiros. O problema é que estamos longe disso, e o jeitinho brasileiro não vai ser o bastante desta vez.
    O governo conta com sorte e reza brava para, em São Paulo, por exemplo, não chover nos dias de jogos, pois, se isso acontecer, a situação ficará mais caótica, já que mais da metade dos semáforos da cidade não é a prova d'água.
    O governo direciona bilhões à construção de monumentais estádios em regiões distantes da rota comercial e que terão pouca ou nenhuma utilidade após a Copa.
    O país carece de soluções nos sistema de saúde, educação e segurança, além de ter altos custos de produção, lucros exorbitantes e impostos -infindáveis impostos.
    O dinheiro público, de todos nós, seria muito mais bem empregado para sanar esses problemas do que na construção de estádios. Tanto mais porque cada estádio tem um custo para a sociedade que pode ultrapassar R$ 1,5 bilhão.
    O milagre da Copa parece se transformar em pesadelo à medida que o tempo passa. Sendo assim, acreditar que a população terá uma melhora de vida propiciada pelos investimentos do governo é mais difícil que acreditar em conquista invicta do hexa.

      segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

      "Ameaça de traição" à TV a cabo e à internet pode render preços menores


      FOLHA DE SÃO PAULO
      ANÁLISE
      SAMY DANAESPECIAL PARA A FOLHACom os avanços tecnológicos, internet e canais fechados são serviços acessados por grande parte da população. Basta ligar a televisão para se deparar com uma avalanche de comerciais de promoções fantásticas na utilização desses dois serviços.
      É uma metalinguagem comercial: os servidores se valem do serviço que vendem para buscar clientes por meio de promoções atraentes veiculadas em intervalos televisivos ou pop ups na internet.
      Mas essas maravilhosas promoções não valem para o contrato após o período de teste, e o plano passa a assumir um valor muito mais alto que o inicial, pegando muitos usuários de surpresa.
      Mesmo aturdidos, os contratantes decidem permanecer com o produto, já que não gostariam de ficar sem ver aquela nova série favorita ou sem assistir vídeos online em alta definição.
      O problema começa aí: durante o período promocional, que dura, na maior parte dos casos, seis meses, o serviço prestado é novo e, como todas as descobertas da vida, parece excelente e extremamente útil.
      Mas o produto, que na época da contratação era o melhor a preços especiais, passa a ser oferecido em novos comerciais a um custo menor, apenas para novos clientes.
      Resignada, a grande maioria dos usuários simplesmente acata a determinação contratual e nem busca alterar o plano. No entanto, aqueles que tentam conseguem uma boa redução nos preços.
      Uma boa estratégia é apelar para a desistência do plano. Nessa hora, o atendente que por tanto tempo soou indiferente quanto a suas reclamações oferece uma infinidade de vantagens e descontos.
      Ou seja, enquanto a lealdade à companhia é recompensada por preços extorsivos, a traição é premiada com vantagens competitivas.
      No Brasil o segredo para não cair em prejuízo é não se deixar acomodar.