quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Globo perde audiência com as novas novelas - Keila Jimenez


TELEVISÃO/OUTRO CANAL
Globo perde audiência com as novas novelas
A nova fornada de folhetins da Globo ainda não correspondeu em audiência. Tanto "Lado a Lado", trama das 18h, como "Guerra dos Sexos", das 19h, estão aquém, em ibope, de suas antecessoras na mesma faixa.
A média de audiência dos primeiros 30 capítulos de "Lado a Lado" é de 18,2 pontos. Sua antecessora no horário, "Amor Eterno Amor" registrou, após o mesmo número de capítulos, média de 21,4 pontos de audiência.
Cada ponto de audiência equivale a 60 mil domicílios na Grande São Paulo.
A novela "Guerra dos Sexos" também ainda não emplacou em audiência. O remake da trama de Silvio de Abreu marcou em seus primeiros 30 capítulos exibidos média de 22,5 pontos.
No mesmo período, a ex-ocupante do horário, "Cheias de Charme" estava na casa dos 29,1 pontos de audiência.
A nova versão de "Guerra dos Sexos" ainda não apresenta sinais de melhora nos índices de audiência nos últimos capítulos. As médias da novela vêm caindo semana a semana. Já "Lado a Lado" registrou bons índices nesta semana e demonstrou ter fôlego para se recuperar.
Ambos os folhetins devem passar ainda neste ano por avaliação de grupos de discussão com telespectadores, para só depois ganharem as reformas necessárias.
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AQUECIMENTO
Raphael Dias/Globo
O diretor de núcleo Jayme Monjardim e a atriz Sthephany Brito no workshop da próxima novela das 18h da Globo, 'Flor do Caribe'
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Elenco A MTV abriu as inscrições para o "Projeto Secreto", uma série de ficção produzida pela emissora musical em parceira com os Estúdios Quanta, com direção de Felipe Hirsch.
Elenco 2 Atores e atrizes interessados poderão se inscrever no site da MTV até o dia 25 de novembro. As audições com os selecionados serão feitas pelo diretor e sua equipe entre os dias 1º e 9 de dezembro. "Projeto Secreto" estreia no início de 2013.
Natal Danilo Gentili ganhará um especial de fim de ano na Band, que vai ao ar no dia 18 de dezembro.
Natal 2 A Band exibirá no dia 24 um show da dupla Fernando e Sorocaba. No dia 26 é a vez do especial do "CQC" e no dia 31, a "Retrospectiva".
Acerto A Net aproveitou a realocação de canais em seus pacotes -atendendo à nova lei de TV paga- para negociar com os novatos nacionais conteúdo para o Now, serviço de vídeos "on demand" (sob demanda). Canais novos como o Curta TV já terão produtos no serviço.
Acerto 2 O Now também terá conteúdo do canal Woohoo e da BBC em 3D, com a estreia da superprodução "Monstros Voadores, sobre dinossauros que voavam.
Caos Estreia no dia 23/11 no GNT a segunda temporada do "talk show" de Fernanda Young, "Confissões do Apocalipse". O primeiro entrevistado é o publicitário Washington Olivetto.
Alta "Louco Por Elas" bateu recorde de audiência na Globo anteontem: 18 pontos.

    Feriado! Vou catar piolho na praia! - José Simão


    Feriado! Vou catar piolho na praia!
    No Brasil tudo se resolve levantando a espada! Levantou a espada, proclama qualquer coisa!
    BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! E levanta a espada! Hoje é Proclamação da República! Deodoro da Fonseca levanta a espada! Dom Pedro 1º levanta a espada! No Brasil tudo se resolve levantando a espada! Levantou a espada, proclama qualquer coisa!
    E a temperatura caiu tanto em São Paulo que, se der toque de recolher, o povo agradece! E São Paulo e Santa Catarina deviam juntar os ônibus incendiados e fazer uma viação: Viação São João! Ao ponto!
    E eu tenho uma amiga tão carente que se apaixona até por telemarketing! E eu tenho uma tia tão chata que quem inventa desculpa pra desligar são eles!
    E quem devia ter anunciado a sentença do Dirceu era aquele do Carnaval do Rio. "José Dirceu: DEEEEEZZZZ!" E adorei a charge do Vasqs: "Cansado de ouvir tanta barbosidowski, o ministro Levantowski e saiu sem pedir datavenowski".
    E ontem em São Paulo foi o dia das quatro marchas: parado, paralisado, ponto morto e puto da vida. E mais duas: ré e revoltado! E em BH é: paradim, guarradim, fica quietim e num mexe nem um tiquim!
    Brasileiro reclama tanto que hoje devia ser Reclamação da República! Proclamaram a República, mas no Brasil tudo é rei: Rei Pelé, Rei Roberto Carlos, Rei do Gado, Rei do Bacalhau, Rainha do Bumbum, Rainha dos Baixinhos. Em São Paulo tem uma padaria chamada Rainha da Traição! Esse levou um corno de rei!
    E sabe por que proclamaram a República? Pra gente votar no Collor, no Romário, no Maluf e na Mulher Pera! Proclamaram a República. Mas esqueceram de avisar o FHC. Que tá sempre com aquela cara de rei no exílio!
    E monarquia mesmo é a monarquia britânica. Que depois que caiu na gandaia virou putarquia. Putarquia britânica! Monarquia é na Espanha, em que o rei ainda caça elefante. Aliás, o rei Juan Carlos Caçador de Elefante esteve em Brasília e sabe o que a Dilma disse? "Eu sou gorda, mas não sou elefante". Rarará! É mole? É mole, mas sobe!
    O Brasileiro é Cordial! Olha essa placa: "Seu ladranzinho puga de bunda, se eu te pego vou te escrachar, seu cuzão". O Brasileiro é Fofo! Olha essa placa em Salvador: "Servimos almoço popular e higiênico para pessoas simples". Fofos!
    E sabe o que eu vou fazer nesse feriadão? Catar piolho na praia! Rarará. Nóis sofre, mas nóis goza!
    Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

    Minha vida em neon [Tacey Emin] - Silas Martí


    Minha vida em neon
    Artista Tracey Emin abre seu ateliê em Londres à Folha e fala sobre sua 1ª mostra no Brasil, na nova White Cube, em SP
    Ben Stansall - 16.mai.11/AFP
    Tracey Emin posa para retrato diante de suas obras na Hayward Gallery, em Londres
    Tracey Emin posa para retrato diante de suas obras na Hayward Gallery, em Londres
    SILAS MARTÍEM LONDRES
    De cara para a porta do ateliê, um retrato de Tracey Emin recebe quem entra com a careta que virou marca registrada da artista britânica. "Esse quadro nós chamamos de 'a chefe'", diz ela. "No Natal, a gente acende umas luzinhas coloridas em volta dele."
    Não há dúvida sobre quem manda no pedaço, e não existe parede de seu ateliê no East End londrino, a quadras do mercado de Spitalfields, sem o seu rosto ou seu corpo nu estampado em fotografias.
    Emin, como ela mesma se classifica, é "imensa". Nome que despontou junto de Damien Hirst e os chamados jovens artistas britânicos na década de 1990, a artista é hoje uma das mais poderosas no circuito global -pelo preço das obras e prestígio entre críticos- e fará em dezembro a primeira individual no Brasil, abrindo o endereço paulistano da galeria White Cube.
    "Tem artistas com personalidades gigantes, que engolem o trabalho, e tem aqueles medianos, irreconhecíveis", define Emin. "Eu faço parte do primeiro time, sou reconhecível, com uma personalidade enorme. As pessoas me veem na rua e sabem que eu sou 'aquela artista'".
    Essa artista, aliás, fez fama e fortuna expondo a própria miséria. Sua obra se funde à história pessoal -Emin, 49, retrata em desenhos, instalações em neon, esculturas, bordados, fotografias e vídeos as desventuras de ter sido estuprada aos 13 e os abortos que fez até agora.
    Sua infância e adolescência em Margate, "uma cidadezinha litorânea abandonada na costa da Inglaterra, onde não havia nada para fazer a não ser se misturar à decadência generalizada, trepar, brigar e gastar a vida", contrasta agora com sua posição de celebridade milionária.
    Numa rara entrevista, Emin topou receber a Folha em seu ateliê em Londres. Ela e seus oito assistentes -entre arquivistas, assessores de imprensa, costureiros e montadores- ocupam um prédio inteiro. Por trás da fachada vitoriana, são três andares e o subsolo, onde Emin mandou construir uma piscina.
    Mesmo imersa no luxo, ela mantém a casca grossa de quando vivia num quartinho em cima de um KFC com todos os pertences amontoados -uma cafeteira elétrica e saquinhos de sopa instantânea.
    Emin, que já disse ter "mais testosterona no pé direito do que muitos homens têm no corpo todo", corta o entrevistador, rebate perguntas e reage a alguns comentários esgarçando a pele queimada de sol em caretas assustadoras.
    MALDIÇÃO
    "Não sei por que, mas as pessoas têm medo de mim", diz Emin. "Fui a uma cartomante em Nova York, e ela disse que eu tinha sido amaldiçoada, mas que a maldição já está quase passando."
    Ela diz que não precisa sofrer para traduzir em obras de arte a sensação de fracasso no amor. "Sou inteligente o suficiente para saber que não preciso sentir dor para fazer o trabalho", diz. "Na verdade, gostaria de estar apaixonada e ser feliz, mas as pessoas não entendem isso."
    Lembrando Van Gogh, que retratava o próprio quarto, Emin diz que não faz uma obra sobre si mesma e nega que seja uma artista introspectiva. "É o oposto disso", diz. "Você precisa estar fora de si para ver o que faz, senão a obra fica míope, pequena."
    De fato, ela constrói sua obra misturando sua vida real a uma ficção calculada. Suas frases pinçadas de escritos pessoais febris viram aforismos universais quando bordadas em colchas de retalhos ou impressas em neon.
    "Não podem ser frases rasas, precisam ser abertas, ter duplos sentidos", diz Emin. "Não pode ser algo como 'você me faz feliz'. É bem melhor algo como 'pensei que você pudesse me deixar feliz'."
    Em São Paulo, Emin vai mostrar uma série de novos neons, entre eles um que diz "não acredito no amor, mas acredito em você". Também estarão na mostra desenhos de pegada expressionista, que costumam retratar a própria artista se masturbando.
    Seu trabalho, não por acaso, sublinha essa vontade ensimesmada. Ela, que já disse preferir se masturbar a "partir o coração de alguém", parece anunciar orgulhosa que controla o próprio prazer.
    "Tenho visões de uma figura isolada, sozinha", conta Emin. "Já tentei desenhar outras pessoas, mas isso só me fez enxergar mais o meu isolamento. Quando me desenho, eu não me olho no espelho. Fico muito perto do papel e quase não fica espaço entre mim e o desenho."
    Essa clareza de visão, porém, demorou a surgir. Emin conta que depois do primeiro aborto, um "sacrifício" do qual diz não se arrepender, passou anos sem trabalhar.
    "Parei de acreditar em arte, pensava que isso tudo era só um pedaço de plástico", lembra. "Mas depois a arte acabou voltando, voltou de um jeito forte e bom. E tem sido cada vez mais forte."

    Contardo Calligaris


    A fé no progresso
    A ideia de progresso 'natural' é falsa. Na história, nada é garantido: tudo é, sempre, conquistado
    ASSISTI A "Lincoln", o novo filme de Spielberg, no dia da estreia, na sexta-feira passada, numa lotadíssima sessão da tarde, em Manhattan. No Brasil, "Lincoln" chegará só no fim de janeiro.
    O filme, que é uma obra-prima imperdível, se concentra sobre o esforço político de Lincoln para que a Câmara dos Representantes ratificasse, em 1865, a 13ª emenda da constituição dos EUA -a que aboliu a escravatura no país.
    A escravatura era a aposta central da guerra, que durava havia quatro anos, entre o Norte e o Sul escravocrata. Mas, mesmo no Norte, nem todos eram abolicionistas, e muitos temiam que os negros liberados se tornassem um dia cidadãos e, pasme, pudessem votar.
    Ninguém, naquela sala de cinema, na sexta passada, podia evitar de pensar que, três dias antes, o país reelegera seu primeiro presidente negro. Em menos de 150 anos, foi um progresso e tanto.
    Falo de progresso só porque essa mudança promove valores nos quais aposto: quando eles avançam, acho que a gente progride. Não acredito na ideia de uma evolução "natural" da civilização (nota para os amigos filósofos: concordo com Voltaire, não com Condorcet, ainda menos com Saint-Simon).
    Lembro-me de discussões intermináveis, no fim dos anos 1960, com Nicola, um jovem salernitano que fazia uma pós-graduação em geologia do petróleo em Genebra e que era decididamente anticomunista. A cada almoço, eu e meu amigo Enzo tentávamos convencer Nicola de que o futuro do socialismo seria radioso. Não funcionava.
    Um dia, achei um escrito (filosoficamente duvidoso, mas de uma procedência que pareceu confiável a Nicola) segundo o qual, radioso o não, o futuro socialista era inelutável, previsto pelo marxismo "científico". Nicola acreditava na ciência, era ingênuo, e o texto o abalou. Não sei se ele se converteu, mas sumiu do restaurante universitário durante um tempo, e a gente se perdeu de vista.
    Bom, Nicola, é um pouco tarde, mas talvez você esteja trabalhando numa plataforma do pré-sal e leia este jornal (o mundo é pequeno, mesmo). Nesse caso, aceite minhas desculpas: o marxismo "científico" é uma ideia calhorda, e o comunismo nunca foi inelutável. Já naquela época, aliás, eu sabia que nada acontece na história sem o engajamento subjetivo dos atores (por isso preferia, por exemplo, Henri Lefebvre a Louis Althusser -e por isso continuo gostando de Alain Badiou, porque ele nunca deixou de pensar que, sem engajamento dos sujeitos, não acontece nada, não há progresso algum).
    Tudo isso parece óbvio? Vamos devagar: o sonho comunista pode estar morto, mas nossa (cômoda) crença num progresso "natural" e garantido continua bem viva.
    Por exemplo, na semana passada, na eleição americana, junto com a vitória de Obama, aconteceu a derrota de dois candidatos a senador cuja oposição à legalização do aborto (mesmo em caso de estupro) era de um machismo e de uma estupidez ultrajantes. Na mesma eleição, houve também Estados que aprovaram o casamento de pessoas do mesmo sexo.
    Nasci e cresci numa Itália em que a desigualdade de fato e de direito era sinistra, e o amparo era pouco. Nesse mundo, as mulheres estavam longe de ter direitos comparáveis aos dos homens, não existia divórcio, qualquer aborto era criminoso, o consumidor de droga era igualado ao traficante, e a homossexualidade era uma vergonha que era melhor esconder.
    Para que essas realidades mudassem, lutei -ou seja, junto com muitos outros, votei, escrevi, desfilei, militei. Mesmo assim, tenho a estranha impressão de que fomos carregados por uma espécie de movimento "natural", ao qual era possível resistir, mas que sempre ganharia no fim -um progresso na direção do grande ideal cristão: a maior liberdade possível dos indivíduos sem renunciar à solidariedade.
    Essa impressão de progresso "natural" é falsa e perigosa. Na história, nada é garantido: tudo é, sempre, conquistado.
    O que nos separa de outros mundos possíveis (e horríveis) não é a inelutabilidade do progresso, mas a obstinação de pequenos grandes gestos. Entre nós e as trevas, há o corpo ferido de Malala Yousafzai, 14, baleada na cabeça pelo Talibã paquistanês porque promovia o "secularismo' (ou seja, queria ir para a escola e pensar com a sua cabeça).
    Ou, a coragem da catarinense Isadora Faber, 13, que continua seu "Diário de Classe" on-line, embora hostilizada por professores, por administradores e talvez por um pintor negligente (Folha, 11 de novembro).