terça-feira, 7 de maio de 2013

Mônica Bergamo

folha de são paulo

Teori Zavascki já defendeu que última palavra sobre cassações é do Congresso


FIO DA NAVALHA
O ministro Teori Zavascki, do STF (Supremo Tribunal Federal), pode reverter também a decisão da corte que determinou a cassação automática dos mandatos dos réus do mensalão que são parlamentares, como os petistas João Paulo Cunha e José Genoino. Em estudo publicado em 1997 numa revista jurídica, ele defendeu que cabe ao Congresso a última palavra sobre a cassação.
ESPELHO
Trechos do estudo de Zavascki, "Direitos Políticos - Perda, Suspensão e Controle Jurisdicional", foram reproduzidos nos votos de três magistrados contrários à cassação: Rosa Weber, Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli.
COISA ESTRANHA
No texto, Zavascki diz que a condenação acarreta a perda dos direitos políticos, "mas não extingue, necessariamente, o mandato eletivo", o que só ocorreria "por voto secreto e maioria absoluta" do parlamento. "Ou seja: não havendo cassação do mandato pela Casa a que pertencer o parlamentar, haverá aí hipótese de exercício do mandato eletivo por quem não está no gozo dos direitos de cidadania", conclui. Ele define a possibilidade como "estranha exceção".
HERANÇA
A Prefeitura de São Paulo já cortou R$ 350 milhões de contratos herdados da gestão de Gilberto Kassab (PSD-SP). A meta do atual prefeito, Fernando Haddad (PT-SP), é chegar a R$ 500 milhões.
TESOURA
No total, a prefeitura tem cerca de R$ 14 bilhões em contratos com terceiros. Só um terço do total poderia ser alterado sem contestações jurídicas. Ou cerca de
R$ 5 bilhões. Haddad quer passar a tesoura em 10% disso, em busca de caixa para investimento.
MUSCULAÇÃO
E o prefeito tinha marcada para ontem consulta com um ortopedista. Ele tem sentido fortes dores na região do joelho.
ACELERA, ANHEMBI
Geraldo Alckmin, governador do Estado de SP, e o prefeito da capital paulista, Fernando Haddad, foram assistir à Fórmula Indy no domingo (5), no Anhembi. As apresentadoras Sabrina Sato, Adriane Galisteu e Marina Mantega, o ex-piloto Emerson Fittipaldi e sua mulher, Rossana, a cantora Paula Lima e Aldemir Bendine, presidente do Banco do Brasil, também compareceram ao camarote da Band, onde foram recebidos por Johnny Saad, presidente do grupo Bandeirantes, Ricardo Saad e sua filha Carolina.

Sabrina Sato, Carioca e Galisteu em camarote da Fórmula Indy

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Greg Salibian/Folhapress
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A apresentadora do "Pânico" na TV, Sabrina Sato, foi à Formula Indy, no domingo (5), no Anhembi
LENÇO
Roberto Carlos quebrou a tradição de receber seus convidados no camarim depois dos shows. Ele está com medo de pegar gripe.
GOL CONTRA
O STJ (Superior Tribunal de Justiça) julga hoje um processo que pode causar reviravolta na relação dos torcedores com a CBF: um homem foi assistir, no Rio, a uma partida do Atlético Mineiro contra o Botafogo. Por uma falha depois comprovada, o árbitro deixou de marcar um pênalti contra o Galo. O torcedor pede indenização por danos morais, já que teria pago por um serviço que veio "com defeito".
ÚLTIMA PALAVRA
Processos parecidos com esse se multiplicam nos tribunais. Mas será a primeira vez que o STJ aprofundará a questão, criando jurisprudência.
CACHORRO-QUENTE
Sarah Jessica Parker revelou a amigos brasileiros que quer voltar ao país com a família. Na semana passada, nas horas livres em SP, ela visitou o Mercado Municipal e foi a lojas na rua Oscar Freire e na Vila Leopoldina, ciceroneada por Jânio Quadros Neto. Comprou acessórios para cachorros da Zee Dog e calçados e bijuterias em brechós. Adorou pão de queijo.
SALVEM MORENAS
Ivete Sangalo será a embaixadora da campanha contra o tráfico de pessoas que o Ministério da Justiça e a ONU lançam na quinta. Estima-se que as vítimas do crime no mundo cheguem a 2 milhões. A mobilização já foi feita em outros dez países.
CURTO-CIRCUITO
A renda do Bazar da Costura Dia das Mães, no auditório da Fundação Dorina Nowill, na Vila Clementino, irá para a instituição. É nesta terça (7), das 9h às 14h.
A galeria Vermelho abre nesta terça-FEIRA (7) exposições individuais de Claudia Andujar, Dora Longo Bahia e Keila Alaver. A partir das 20h, na Consolação.
O cineasta Cláudio Assis lança o DVD de "Febre do Rato", às 19h, na Saraiva do shopping Paulista.
A Daslu apresenta coleção de inverno e nova edição de sua revista com desfile nesta terça (7), às 18h, na loja do shopping JK Iguatemi.
A revista "Casa Vogue" traz reportagem sobre a casa da arquiteta Fernanda Marques em Paraty (RJ).
Mônica Bergamo
Mônica Bergamo, jornalista, assina coluna diária publicada na página 2 da versão impressa de "Ilustrada". Traz informações sobre diversas áreas, entre elas, política, moda e coluna social. Está na Folha desde abril de 1999.

Consumidor paulistano distingue pirataria física de on-line, aponta Datafolha

folha de são paulo

JULIANA GRAGNANI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Enquanto 69% dos paulistanos consideram moralmente errado comprar produtos piratas, como DVDs, CDs ou programas de computador, menos da metade, 43%, acha errado baixar músicas na internet sem pagar por elas.
A constatação é de pesquisa realizada pelo Datafolha com 600 entrevistados na última sexta em São Paulo. A margem de erro é de quatro pontos percentuais, para mais ou para menos.
Apenas 15% consideram moralmente aceitável adquirir produtos por meio do comércio ilegal. A aprovação cresce para 36% quando se fala do download ilegal de músicas na internet. Para 12% dos entrevistados, baixar faixas da rede sem pagar por elas não é uma questão de moral.
Editoria de Arte/Folhapress
"As pessoas dizem que são contra a pirataria, mas elas mesmas baixam da rede. Há uma profunda diferença entre a economia material e a imaterial", diz Sergio Amadeu, conselheiro do Comitê Gestor de Internet no Brasil.
Segundo dados da Associação Antipirataria de Cinema e Música (APCM), em 2010, foi solicitada a retirada de 1,3 milhão de links da rede que disponibilizavam download de músicas e filmes.
"Hoje, nosso foco é mais a pirataria on-line que a física. Na internet, ninguém se preocupa se os downloads que faz são legais", afirma Antonio Borges Filho, diretor executivo da APCM.
Segundo o IBGE, em 2000, apenas 10,5% (4,7 milhões) de domicílios brasileiros tinham computador; em 2010, o número aumentou para 38,3% (21,9 milhões). O instituto também apontou que, de 2005 a 2008, o acesso à internet no país aumentou 75,3%.
CAMBISTAS
A pesquisa Datafolha também apontou que 82% dos entrevistados consideram moralmente errado comprar ingressos de cambistas. Apenas 6% aprovam a prática.

Criança sabe escolher livro, dizem Heloisa Prieto e Pedro Bandeira; veja vídeo

folha de são paulo

DE SÃO PAULO

Folhinha 50 AnosA criança sabe escolher seus livros, e classificá-los por faixa etária não funciona.
Esta é a opinião de dois dos principais escritores da literatura infantojuvenil do Brasil. Pedro Bandeira ("A Droga da Obediência"), autor que mais vendeu livros para este público no país, e Heloisa Prieto ("1001 Fantasmas"), que escreve suspense para crianças, participaram da "Roda da Folhinha", no último sábado, no MAM (parque Ibirapuera), em São Paulo.
Eles conversaram com as crianças da plateia e com Laura Mattos, editora da "Folhinha", Gabriela Romeu, editora-assistente do caderno até 2011, e Raquel Cozer, colunista de literatura da Folha. O evento faz parte das celebrações do aniversário de 50 anos da "Folhinha".
Apu Gomes/Folhapress
Heloisa Prieto e Pedro Bandeira, autores de livros infantojuvenis, participam da "Roda da Folhinha", no sábado, no MAM
Heloisa Prieto e Pedro Bandeira, autores de livros infantojuvenis, participam da "Roda da Folhinha", no sábado, no MAM
"Não acredito em faixa etária. Dizer que um livro é para crianças mais velhas só porque tem palavras difíceis impede o leitor de desenvolver um português melhor", afirmou Heloisa Prieto.
Para Pedro Bandeira, a sugestão de idade não tem relação com a linguagem. "Livros como 'Harry Potter' estão cheios de palavras difíceis, mas são um sucesso entre as crianças. A classificação tem a ver com o emocional. Se a história não tiver relação com a emoção da criança, ela perderá o interesse", disse.
O bom senso dos pais e professores é importante, defenderam os escritores, mas a capacidade da criança para escolher o que ler não deve ser subestimada. "Se ela achar que ainda não é hora, vai largar o livro. Não precisa proibir", acredita Heloisa.
Quando pequeno, Pedro Bandeira não podia ler Monteiro Lobato ou gibis. "Lia escondido, era uma maneira de fazer a coisa errada."
Fotomontagem
Laura (esq.) e Ana Michelina, ambas de 9 anos, compareceram ao encontro com os autores infantis
Laura (esq.) e Ana Michelina, ambas de 9 anos, compareceram ao encontro com os autores infantis
De tanto ler, começou a também escrever. "A Droga da Obediência", seu maior best-seller, despertou a curiosidade de Fernanda, 9, que estava na plateia e quis saber como surgiu a história.
"Eu estava com muita dor de cabeça e descobri que o laboratório que fabricava meu remédio tinha parado de produzi-lo. Percebi que os laboratórios tinham muito poder sobre nós, só faltava fazer uma droga que nos obrigasse a obedecê-los", respondeu.
Os Karas, protagonistas do livro, devem voltar."O novo livro já está pronto. Não posso dizer mais nada."
O autor voltou a criticar "Xuxa em o Mistério de Feiurinha", baseado em sua obra. "É o pior filme da história. Dá medo. Xuxa tem dinheiro para fazer o filme, mas talento não." Luisa, 11, também não gosta das adaptações. "Com o livro, você imagina. O filme tira o poder da imaginação."
+ CANAIS

João Pereira Coutinho

folha de são paulo

Quem quer viver para sempre?
Se me dissessem que o meu futuro duraria uma eternidade, seria o primeiro a pular da janela sem hesitar
Eu já deveria estar morto. Ou a caminho de. Para alguns leitores, nunca uma frase soou tão verdadeira.
Mas eu falo de história, não de afetos. Se tivesse nascido em Portugal cem anos atrás, já haveria lápide e caixão. Dá para acreditar que, em inícios do século 20, a esperança média de vida para os homens portugueses rondasse os 35-40 anos?
Hoje, andará pelos 80. O que significa que, com sorte e algum bom humor do Altíssimo, eu estou apenas no meio da viagem.
Se juntarmos os progressos da medicina no futuro próximo, é possível que a viagem seja alargada mais um pouco. Cem anos, cento e tal. Nada mau.
Um artigo recente da "Nature", aliás, promete revoluções para a minha pobre carcaça. O segredo está no hipotálamo cerebral e numa proteína do dito cujo que regula o envelhecimento humano.
Não entro em pormenores, até porque eu próprio não os entendo. Mas eis o negócio: se a proteína é estimulada, os ratinhos morrem mais depressa. Se a proteína é inibida, acontece o inverso.
Falamos de ratos, por enquanto, o que significa que a descoberta só terá aplicação imediata entre a classe política.
Mas o leitor entende onde eu quero chegar. E eu quero chegar à maior promessa de todas: o dia em que seremos finalmente imortais.
Na história da cultura ocidental, esse dia pode estar no passado distante (ler o poeta grego Hesíodo, ler a Bíblia).
Ou pode estar no futuro, como garantem os "transumanistas". Falo de uma corrente bioética perfeitamente respeitável que se dedica a essa causa: o destino da humanidade não está em morrer aos cem. Está em viver indefinidamente depois dos cem. Como?
Através dos avanços da tecnologia, claro. Porque só a tecnologia permitirá aos homens suplantar a sua infantil condição mortal.
O nosso corpo é apenas a primeira casca de todas as cascas que estarão para vir. E quem, em juízo perfeito, não gostaria de viver para sempre?
Curiosamente, há quem não queira. O filósofo inglês Roger Scruton, em ensaio recente, dedica um capítulo específico aos transumanistas. O livro intitula-se "The Uses of Pessimism and the Dangers of False Hope" (os usos do pessimismo e os perigos da falsa esperança). Segundo sei, será publicado no Brasil em breve. Recomendo.
Primeiro, porque é uma súmula perfeita do pensamento de Scruton, escrito com a elegância habitual do autor.
Mas sobretudo porque é a mais brilhante refutação do pensamento utópico --e em particular do pensamento utópico transumanista de autores como o norte-americano Ray Kurzweil ou o britânico Max More--, que me lembro de ter lido.
Isso deve-se, em grande parte, ao fato corajoso de Scruton ter sido capaz de virar o debate do avesso e perguntar: por que motivo a doença e a morte devem ser vistos como males intoleráveis que devemos erradicar? Não será possível olhar para eles como bens necessários?
Certo, certo: ninguém ama a doença e, tirando casos extremos, ninguém deseja morrer. Só que esse não é o ponto.
O ponto é que, sem a doença e a morte, a vida não teria qualquer valor em si mesma.
Os projetos que fazemos; as viagens com que sonhamos; os amores que temos, perdemos, procuramos; e até a descendência que deixamos --tudo isso parte da mesma premissa: o fato singelo de não termos todo o tempo do mundo.
Vivemos, escolhemos, amamos --porque temos urgência em viver, escolher e amar. Se retirarmos a urgência da equação, podemos ainda viver eternamente.
Mas viveremos uma eternidade de tédio em que nada tem sentido porque nada precisa ter sentido. Sem a importância do efêmero, nada se torna importante.
Os transumanistas sonham com um mundo pós-humano. É provável que esse mundo seja possível no futuro, quando a técnica suplantar a nossa casca primitiva.
Mas esse mundo, até pela sua própria definição, será um filme diferente. Não será um filme para seres humanos tal como os conhecemos e reconhecemos.
Viver até os cem? Agradeço. Cento e vinte também servem. Mas se me dissessem hoje mesmo que o meu futuro duraria uma eternidade, eu seria o primeiro a pular da janela sem hesitar.