sexta-feira, 5 de julho de 2013

Vera Magalhães

folha de são paulo
Passe (aéreo) livre
SÃO PAULO - Quem disse que implementar o passe livre é inviável? Ao menos para autoridades, voar para destinos como Rio de Janeiro e Trancoso pode sair de graça.
Os presidentes das duas Casas do Legislativo, deputado Henrique Alves (RN) e senador Renan Calheiros (AL), ambos do PMDB, recorreram ao velho expediente de usar jatos da FAB como táxi-aéreo. E o fizeram no auge das manifestações que tomaram as ruas de todo o país.
Flagrados por esta Folha, tiveram reações opostas. Em comum, apenas o fato de tentarem dizer que usaram as aeronaves para compromissos oficiais. Alves levou parentes de Natal para um jogo de futebol. Renan foi ao casamento da filha de um colega.
O deputado requisitou um avião com 50 lugares para levar sete pessoas, no trecho Natal-Rio de Janeiro-Natal. Achou que liquidaria a fatura devolvendo R$ 9.700 ao erário.
Não apenas o valor é irrisório diante do custo quanto a saída não repara o mal uso da coisa pública, justamente quando se discute a reformulação dos costumes na política.
Renan Calheiros vinha se dedicando à retórica da transparência nos gastos do Senado desde que reassumiu a presidência da Casa, sob forte contestação popular, depois de ter sido forçado a renunciar ao cargo por conta de denúncias em 2007.
Pego em plena contradição com o discurso da austeridade, adotou a arrogância ao ser questionado se também devolveria o dinheiro do voo a Porto Seguro para participar do casório, que teve até show do cantor Latino. "É claro que não", respondeu.
Em nota, fez livre interpretação do decreto que disciplina voos em aeronaves da FAB para dizer que tem direito a usá-las por ser chefe de Poder.
Diz que estava em compromisso oficial, mas sua agenda não previa nada no sábado, dia 15 de junho. Também não explica a carona à mulher, Verônica, no voo oficial''.
O Movimento Passe Livre deveria fazer um workshop com o PMDB sobre como viabilizar a tarifa zero.

    Editoriais FolhaSP

    folha de são paulo
    Desmoralização a jato
    Uso de aviões da FAB por presidentes da Câmara e do Senado expõe alheamento aos clamores por ética e austeridade na esfera pública
    Quando chegavam ao auge as manifestações que se difundiram pelo país, no mês passado, circulou pela internet uma lista de reivindicações com vistas a limitar os privilégios dos congressistas.
    Pleiteava-se, entre outras medidas, que deputados e senadores se submetessem às mesmas leis válidas para os cidadãos comuns, que fossem remunerados apenas durante a vigência dos mandatos e que seus planos de aposentadoria seguissem as regras aplicáveis aos trabalhadores do setor privado.
    Sem debater o mérito das propostas, não há dúvida de que refletem o desgaste da imagem do Congresso perante a população.
    Não obstante, as mais altas lideranças parlamentares do país parecem alheias à percepção generalizada de que os políticos se beneficiam de um regime de sinecuras cujas regras eles próprios se encarregam de formular.
    Prova disso é que, em plena temporada de protestos, o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL), e seu colega da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), solicitaram serviços de jatos da Força Aérea Brasileira (FAB) para deslocamentos com finalidades recreativas.
    Calheiros requisitou um avião para viajar com sua mulher, de Maceió (AL) a Porto Seguro (BA), com o objetivo de prestigiar a festa matrimonial da filha do líder do governo no Senado.
    Já Henrique Alves requereu a aeronave para levá-lo de Natal (RN) ao Rio --em companhia de sua noiva, de um filho, de amigos e de enteados-- para assistir à partida final da Copa das Confederações.
    Registre-se que casos análogos vieram à tona nos últimos anos, envolvendo também autoridades ligadas aos Poderes Executivo e Judiciário.
    O decreto 4.244/2002, que disciplina o assunto, permite o uso de aviões da FAB por autoridades quando houver "motivo de segurança e emergência médica, em viagens a serviço e deslocamentos para o local de residência".
    Calheiros tentou justificar-se considerando que cumpria "um compromisso como presidente do Senado". Alves alegou ter um encontro marcado com o prefeito do Rio --inexistente na agenda oficial divulgada por ambos.
    O presidente da Câmara decidiu ressarcir a União com R$ 9.700, valor que seria pago pelos convidados caso usassem bilhetes regulares. Tratando-se, porém, de jato fretado, o preço de mercado seria de pelo menos R$ 158 mil.
    Parafraseando o bordão das manifestações, "não é só pelos 20 centavos". É pela urgência de reabilitar padrões éticos na esfera pública e avaliar a pertinência de seus custos --num país em que o parlamentar já é o segundo mais caro do mundo.
      EDITORIAIS
      editoriais@uol.com.br
      Desrespeito europeu
      Foi uma grave quebra das boas práticas diplomáticas a interdição do espaço aéreo imposta por alguns países europeus ao avião de Evo Morales, presidente da Bolívia.
      Morales regressava de Moscou a seu país, após ter participado de uma cúpula de gás. Ele afirma que seu avião foi impedido de sobrevoar Itália, França, Espanha e Portugal.
      Surpreendido em pleno voo, teve de retornar a Viena, na Áustria, onde permaneceu por 13 horas, até que fosse debelada a suspeita de que estivesse a bordo da aeronave o técnico de informática americano Edward Snowden, acusado de espionagem pelo governo dos EUA.
      Por se tratar de avião em missão de Estado, a legislação internacional estabelece a necessidade de autorização prévia de sobrevoo. Na prática, essa permissão se dá de forma expedita e quase automática --são raríssimos os casos semelhantes ao que ocorreu com o mandatário boliviano.
      Segundo Morales, os quatro países europeus agiram sob pressão dos Estados Unidos. Washington não comentou o episódio, mas o presidente Barack Obama tem afirmado que haverá represálias a qualquer país que aceite conceder asilo a Snowden.
      Verdade que Morales havia se manifestado de maneira favorável em relação ao delator. Ainda em Moscou, ao ser questionado por jornalistas se concederia asilo ao fugitivo americano, disse: "Sim, por que não?".
      Ainda que favorecida pelo próprio presidente boliviano, a suspeita de que Snowden se dirigia à Bolívia não justifica o tratamento humilhante dispensado ao chefe de Estado de uma nação integrada à comunidade internacional.
      Com razão, a maioria dos países sul-americanos condenou duramente o incidente. Um dos últimos a fazê-lo, o governo Dilma Rousseff afirmou que a atitude contra Morales atinge "toda a América Latina" e afeta "o diálogo entre os dois continentes".
      Bom sinal que a França tenha se desculpado com Morales. Portugal limitou-se a dizer que o veto ocorreu por considerações técnicas, e a Espanha negou a proibição. A Itália não havia se pronunciado até ontem à noite.
      Para superar o estremecimento diplomático, uma explicação transparente dos países europeus se faz necessária, sobretudo no que respeita à suposta participação de Washington. Sem isso, sairá reforçada a tese de que os serviços de inteligência americanos agem muito além dos limites aceitáveis.

      Maria Bethânia diz que os poemas de Pessoa são hits em seus shows

      folha de são paulo
      FLIP 2013
      Paixão em comum une as convidadas da mesa mais concorrida desta edição da feira literária
      Cantora fala hoje sobre os trabalhos do autor português ao lado de uma especialista, Cleonice Berardinelli
      MARCO RODRIGO ALMEIDAENVIADO ESPECIAL A PARATYNa noite de hoje, a pesquisadora Cleonice Berardinelli e a cantora Maria Bethânia falam sobre o poeta português Fernando Pessoa.
      A palestra foi a primeira a ter os ingressos esgotados --pouco mais de uma hora depois do início das vendas.
      Amigas de longa data, uma atribui o sucesso à outra. "É por causa da Bethânia e do Pessoa. Eu entrei de bagagem", explica uma modesta Berardinelli.
      "A mesa é dela. Eu estou apenas de aprendiz e apaixonada pelo poeta", retribui Bethânia.
      A Folha conversou com as duas, por telefone, em momentos diferentes, antes do início da Flip.
      Berardinelli é uma das principais pesquisadoras da literatura portuguesa no Brasil. É também considerada a maior especialista brasileira em Luís de Camões e Pessoa.
      Bethânia faz questão de dizer que seu conhecimento é de leiga, mas ela é também uma das maiores divulgadoras de Pessoa no Brasil. Desde 1967 recita o poeta em seus shows e discos.
      "Os textos dele são os hits dos meus espetáculos. São tão aplaudidos quanto a canção Olhos nos Olhos'."
      Numa de suas pesquisas sobre o poeta, a cantora descobriu que Berardinelli "sabia realmente tudo" sobre ele e resolveu convidá-la para um de seus shows, em meados dos anos 1970.
      Guiadas por este amor em comum, a identificação foi imediata.
      A pesquisadora tem 96 anos. É a palestrante mais velha de todas as edições da Flip. Mas, quando a Folha conversou com a professora emérita da Universidade Federal do Rio de Janeiro e imortal da Academia Brasileira de Letras, na semana passada, do outro lado da linha telefônica parecia haver uma garota eufórica falando de seu ídolo pop.
      Mesmo se recuperando de uma forte gripe, Berardinelli mostrou energia de sobra.
      "Ele é de uma originalidade incrível. Imagine, que outro poeta inventou para si tantos heterônimos?"
      Para a apresentação na Flip a professora selecionou diversos poemas para Bethânia ler, mas brinca que não pode antecipar a relação nem sob tortura.
      A cantora também esteve gripada na última semana, mas aparentemente curou-se com o mesmo remédio tomado pela professora.
      "Pessoa é o meu Red Bull. Me deixa alucinada. Ele me pegou na veia."
      Escritor discute memórias em mesa em Paraty
      RODRIGO LEVINOENVIADO ESPECIAL A PARATY
      Tobias Wolff trata hoje, numa mesa com o mexicano Juan Pablo Villalobos, de um tema que lhe é caro: a literatura como objeto de memória e confissão.
      Foi a partir de sua realidade que Wolff se tornou um dos escritores mais respeitados dos EUA no pós-guerra, expoente do chamado "realismo sujo".
      O escritor narrou sua infância difícil em "O Despertar de Um Homem" (1989), que virou filme em 1993, com Robert De Niro e Leonardo DiCaprio.
      "Me interesso pela solidão e pela violência que são consequências do nosso evangelho do individualismo, pelos problemas de classe em uma sociedade que finge não ter classes, pelas relações atormentadas entre homens e mulheres", disse Wolff.
      Sobre autores brasileiros, como Graciliano Ramos, o homenageado da Flip, Wolff é sincero: "Conheço clássicos como Machado de Assis e Mario de Andrade. Mas vou te contar, sou muito provinciano nas minhas leituras, e isso é muito constrangedor".

      José Simão

      folha de são paulo
      Ueba! FAB é Folgados A Bordo!
      SPFC quer dizer São Paulo Freguês do Corinthians. Rarará! Fora Fifa! Saudades de frango caipira!
      Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Jato de spray de pimenta nos folgados que usam jato da FAB. Pra passear: Henrique Alves e Renan Escandalheiros.
      FAB quer dizer Folgados A Bordo! FAB quer dizer Força Aérea da Bandidagem!
      E não adianta devolver o dinheiro. Não é pelos R$ 0,20, é pela atitude. Ops, altitude! Ou como disse o tuiteiro thiagu83: "Henrique FABalves". Rarará!
      E agora a Fifa foi embora e voltamos ao normal: jogo no horário da Globo e São Paulo X Corinthians. A Recopa dos Frangos!
      Tava com saudades de frango caipira! Frango do Ceni X Frango do Cássio!
      Comentário de um torcedor no CornetaFC: "Carne é Friboi, frango é Cássio". E o Rogério é tão adiantado que já tem o iPhone 8!
      E essa: "Mega acumulada! Quer ganhar? O Ceni adianta os números sorteados".
      E sabe o que o Cássio falou depois do jogo? "Para no Frango Assado que eu ainda tô com fome."
      E sabe o que o Cenil gritou? "Na minha idade não aguento mais frango, manda uma canja de galinha." Rarará!
      E o site Neimar revela que o Ceni é tão adiantado que já tá lá no Pacaembu esperando o jogo da volta, no dia 17! Rarará!
      SPFC quer dizer São Paulo Freguês do Corinthians! Rarará! Fora Fifa! Saudades de frango caipira!
      E sabe o que uma amiga minha disse no Facebook? "O Rogério é tão adiantado que já votou no plebiscito." Rarará!
      Plebiscito! Continuo com a minha enquete: "Qual pergunta você acha que não pode faltar no plebiscito?".
      Por enquanto já temos três ganhadoras: "Débito ou Crédito?", "CPF na nota?" e "Com ou sem borda recheada?".
      E hoje temos mais três: "Gelo e Limão?", "Luz acesa ou apagada?", "Troca todos os políticos agora ou um por vez?". E mais uma: "Ivete ou Claudia Leite?". Rarará!
      É mole? É mole, mas sobe!
      Os Predestinados! Mais dois para a minha série Os Predestinados!
      Foto de uma clínica: "Clínica Vacine-se! Dra Mariza Medeiros AGULHA".
      E um amigo me contou que em Curitiba tem um guarda municipal chamado Guardiano! Rarará!
      Nóis sofre, mas nóis goza!
      Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!