sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Estudos sobre o cérebro não conseguem esclarecer a complexidade da mente

Os limites da neurociência 
 
Apesar de serem muito importantes para a melhor compreensão de doenças, os estudos sobre o funcionamento cerebral não são capazes de esclarecer toda a complexidade da mente, da consciência e do comportamento humano 

Paloma Oliveto
Estado de Minas: 03/01/2014



Brasília – Do amor à preferência musical, da crença em Deus às escolhas políticas, do porquê alguém gostar mais de verde que de amarelo – o cérebro explica. Para tudo existe resposta neurológica: a paixão por gadgets, a obsessão por dietas, a vontade incontrolável de atacar uma barra de chocolate e até a habilidade de Bruce Lee de executar seu famoso soco de uma polegada. Nem os sete pecados capitais escaparam, sendo apoderados por pesquisadores que encontraram na ativação da região X ou Y a origem de ira, gula, avareza, luxúria, inveja, preguiça e vaidade.

Em plena era da neurociência, contudo, nem todos os especialistas concordam que o órgão mais misterioso do corpo é 100% responsável pelo comportamento. Para esses cientistas, creditar a reações químicas cerebrais todo tipo de crença e conduta é uma visão materialista e reducionista, adotada por quem não quer admitir que, na verdade, muito pouco se sabe sobre a mente e a consciência humanas, entidades que não podem ser vistas nem medidas.

Até a década de 1990, questões como espiritualidade, paixão e personalidade eram estudadas principalmente à luz de filosofia, religião e psicologia. Mas, então, começou a se popularizar uma máquina “leitora de mentes”, o escâner de ressonância magnética, idealizado pelo armênio Raymond Vahan Damadian em 1969. O exame revolucionou a medicina diagnóstica. Sem emitir radiação, ele é capaz de mostrar o interior do corpo em detalhes que, até aquela época, jamais haviam sido visualizados em uma pessoa viva. Dessa forma, a ressonância revela problemas diversos: de tumores a tendinites.

No campo da neuropsiquiatria e da neuropsicologia, o equipamento também se mostrou valioso, pois ele exibe, em uma tela, as mudanças fisiológicas ocorridas no cérebro, relacionadas a processos mentais. Há 20 anos, foi publicado o resultado do primeiro estudo científico que utilizou a ressonância para vasculhar a mente. O exame consegue, por exemplo, indicar que regiões do órgão se ativam no momento em que um indivíduo com anorexia visualiza a imagem de um sanduíche. Ou como o órgão se comporta quando uma pessoa apaixonada escuta a voz do amado.

Relações “Aplicada à investigação básica das funções cognitivas, essa técnica permite adentrar-se na relação entre o cérebro e a conduta, possibilitando explorar desde a percepção sensorial até os processos mentais mais complexos, tais como a resolução de problemas matemáticos ou os juízos morais”, explicam os neurocientistas Jorge L. Armony, David Trejo-Martínez e Dailett Hernández em um artigo publicado na revista Neuropsicologia Latinoamericana. “Também possibilita fazer distinções de funcionalidades entre regiões cerebrais específicas (…) e explorar diferenças entre populações clínicas, com a finalidade de identificar o correlato neural de um transtorno neurológico ou psiquiátrico”, escrevem.

A ressonância tem ajudado, por exemplo, a compreender o que se passa no cérebro de um psicopata. Esse transtorno antissocial desafia os estudiosos dos distúrbios da mente, que não conseguem encontrar explicações para o fato de algumas pessoas serem completamente indiferentes à dor e ao sofrimento de outros seres vivos. Na tentativa de se encontrar bases fisiológicas para essa condição marcada pela falta de empatia, muitos cérebros de criminosos já foram escaneados, com resultados bastante sugestivos.

Há cerca de três meses, um artigo publicado na revista especializada Frontiers in Human Neuroscience mostrou que, ao imaginar outras pessoas sofrendo fisicamente, o cérebro de 121 psicopatas detidos em prisões americanas não exibiu atividade em regiões previamente relacionadas à empatia para a dor, como a ínsula anterior, o córtex cingulado médio anterior e a amígdala direita. Mais do que isso, áreas cerebrais envolvidas na sensação de prazer, como o estriato ventral, se ativaram diante de imagens como o dedo de uma pessoa sendo esmagado pela porta.

Da mesma forma, outros estudos demonstraram um comportamento cerebral diferente em indivíduos que sofrem de diversos distúrbios mentais, como transtorno compulsivo-obsessivo (TOC) e depressão. “Isso é ótimo, mas explica muito pouco sobre essas condições”, opina Martha Farah, neurocientista cognitiva da Universidade da Pensilvânia, que pesquisa as implicações sociais do diagnóstico neurológico. “Nas duas últimas décadas, muitos pesquisadores têm usado a ressonância para tentar responder a diversas questões sobre mente e cérebro, mas muitos de nós não estamos convencidos da utilidade desse método. A abordagem, embora de apelo sedutor, trouxe poucos avanços para nosso conhecimento a respeito dos processos cognitivos”, acredita.

Abusos Sem se desfazer da importância da neuroimagem, a psiquiatra e escritora americana Sally Satel fez uma coletânea de estudos que abusam da ressonância para explicar o comportamento humano e critica a ideia de que tudo no cotidiano seja necessariamente relacionado a ativações de regiões cerebrais. Coautora do livro Brainwashed: The seductive appeal of mindless neuroscience (Lavagem cerebral: o apelo sedutor da neurociência insensata, em tradução livre), ela argumenta que os exageros de uma posição que chama de “neurocêntrica” podem mais atrapalhar que ajudar. “Essa visão da mente tem o potencial de minar nossas ideias mais arraigadas sobre indivualidade, livre arbítrio e responsabilidade pessoal, nos colocando sob o risco de cometer erros graves, seja nos tribunais, nas salas de interrogatório ou nas clínicas de tratamento de dependência química”, defende.

Caçadora de pesquisas populares em sites de ciência, Satel pergunta quantas vezes não se veem notícias com uma tendência sensacionalista, acompanhadas de títulos como “Seu cérebro quando você está apaixonado”, “Seu cérebro quando você tem fome”, “Seu cérebro quando você ouve música”, “Seu cérebro quando você medita”, como se os pontinhos luminosos exibidos pela ressonância fossem um retrato fiel da mente, capazes de descortinar os mais profundos mistérios humanos. Uma dessas pesquisas – que não à toa recebeu o título “Esse é seu cérebro na política”, no jornal The New York Times –, mostrou, em 2007, o cérebro de eleitores quando expostos a imagens de 20 pessoas, incluindo políticos como Hillary Clinton e Rudy Giuliani, apontados, naquele ano, como fortes candidatos às eleições de 2008 nos EUA.

Com base nas imagens de ressonância obtidas depois de uma hora de medição da atividade cerebral dos participantes do estudo, os autores da pesquisa prediziam as chances de cada candidato. “Barack Obama e John McCain têm trabalho a fazer”, afirmaram. “As imagens geradas quando os participantes viram o primeiro conjuntos de fotos e vídeos do sr. McCain e do sr. Obama indicaram uma notável falta de qualquer reação de poder, positiva ou negativa”, continuaram. No fim, foram justamente os dois que se enfrentaram no pleito – nem é preciso dizer que o candidato que não fez acender nenhuma “luzinha” no cérebro dos voluntários elegeu-se duas vezes para o mais importante cargo do mundo.

Causa ou consequência O psiquiatra brasileiro Alexander Moreira-Almeida, neurocientista e diretor do Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), explica que, no cérebro, o que a ressonância magnética funcional faz é mostrar, de forma indireta, as áreas que receberam maior fluxo sanguíneo em determinado momento. O problema, para ele, é que as pessoas acabam confundindo os correlatos neurais.

“Se uma pesquisa mostra que, durante a prática meditativa, ativa-se certa região do cérebro, alguns podem dizer: ‘Está vendo? O efeito da meditação pode ser explicado… assim”, exemplifica. “De modo geral, os autores procuram alterações no cérebro relacionadas ao comportamento, mas não olham o inverso”, defende o psiquiatra. Moreira-Almeida cita estudos recentes sobre a anorexia que tentam explicar o distúrbio como consequência de alterações conectivas em redes de neurônios. Contudo, ele lembra que a supressão radical na ingestão de alimentos desencadeia desnutrição crônica, um problema que, por sua vez, afeta o cérebro, atrofiando certas áreas. Em vez de causa, essas alterações apareceriam em função do problema.

Nos anos 1990, imagens funcionais indicaram que o transtorno obsessivo-compulsivo também mudava a configuração do cérebro. Mas, no mesmo estudo, os pesquisadores constataram que, depois de um tempo se tratando, tanto os pacientes que tomaram remédio quanto aqueles que só fizeram terapia comportamental sofreram novas modificações cerebrais – o órgão voltou a se comportar como o de pessoas saudáveis. “Da mesma forma que o cérebro altera a mente, a mente altera o cérebro”, define Moreira-Almeida. 

Laparoscopia avança no Brasil e traz benefícios ao paciente - René Berindoague

Cirurgias mais seguras 

Laparoscopia avança no Brasil e traz benefícios ao paciente 
 
René Berindoague
Mestre e doutor em cirurgia geral, especializado em aparelho digestivo e diretor técnico do Instituto Mineiro de Obesidade e Cirurgia


Estado de Minas: 03/01/2014


A realização da primeira colecistectomia por laparoscopia (retirada da vesícula biliar) pelo francês Phillipe Mouret, em 1987, foi o início da revolução das cirurgias minimamente invasivas no mundo. No Brasil, essa operação foi realizada no início da década de 1990, com registro de três grandes centros em São Paulo, Goiânia e Belo Horizonte. Trata-se do principal avanço da área cirúrgica nas últimas décadas, responsável por reinventar a forma de encarar as doenças.

No geral, a vídeocirurgia difere da cirurgia convencional, sobretudo, pela não realização de um corte de grande extensão, e pelo uso de uma microcâmera. É possível ver e operar dentro do corpo humano, através de pequenos orifícios de 3 mm a 10 mm, por onde entra a microcâmara e os instrumentos, manuseados pelo cirurgião. Todo o processo operatório é gravado, sendo possível até que o paciente leve uma cópia do procedimento em DVD para casa. As imagens da câmera são ampliadas em uma tela de computador, orientando o médico na realização do procedimento.

Os órgãos doentes, estruturas musculares, vasos sanguíneos e nervos são vistos, mais claramente, em imagem ampliada, sem a interferência dos fluídos sanguíneos, comum na cirurgia normal. Como resultado, as manobras delicadas e complexas podem ser realizadas com maior segurança. As estruturas musculares, vasos sanguíneos e nervos são preservados. A tecnologia evoluiu nesses 25 anos, permitindo o uso da técnica em praticamente todas as áreas cirúrgicas. Hoje, quase todas as operações no aparelho digestivo são realizadas por vídeo laparoscopia: obesidade (redução do estômago), cirurgia do intestino, baço, apêndice, hérnia do hiato, esôfago e etc. As cirurgias ortopédicas, coluna, joelho, articulações em geral, coração e cirurgias na cabeça, como a de aneurisma cerebral, também contam com a ajuda dessa tecnologia. Há forte presença da laparoscopia na ginecologia, especialmente por ter sido a pioneira no país. Os cistos de ovário, dilatação das trompas, torção de ovário, gravidez tubária, investigação de infertilidade, realização de laqueaduras, tratamento de endometriose, de miomas e retirada do útero podem ser realizadas com segurança por laparoscopia.

A maior parte dos benefícios ocorre devido à menor agressão e menor trauma ao manusear os órgãos e tecidos. A vídeolaparoscopia pode ser executada em menor tempo que uma cirurgia convencional, reduzindo em três vezes o período necessário de internação. Além disso, garante melhor cicatrização, pouca incidência de dor e uma eficiente recuperação pós-operatória. O uso de afastadores de tecidos e músculos na cirurgia convencional ou aberta causa dores durante dias ao paciente. Na cirurgia convencional de coração, seria necessário cerrar o osso torácico. A redução da taxa de infecção ocorre devido à menor exposição dos órgãos e tecidos aos microrganismos presentes no meio ambiente. Por fim, com a microcâmera, usada também para o diagnóstico, é possível avaliar o problema, detalhadamente, sem a abertura do tecido.

Apesar dos incontestáveis avanços e benefícios, o uso dessa tecnologia ainda não está completamente difundido no sistema público de saúde. Os custos da tecnologia e dos materiais inviabilizam essa possibilidade, mesmo o custo total, incluindo o pós-operatório, sendo menor. Contudo, não restam dúvidas de se tratar do futuro da cirurgia. Depois da invenção dos antibióticos, a vídeo laparascopia muda padrões e processos nessa área, melhorando a qualidade da saúde e a longevidade.

Promessas para o novo ano - Mário Quirino

Promessas para o novo ano
 
Mário Quirino
Diretor do Instituto Você e especialista em Programação Neurolinguística (PNL)

Estado de Minas: 03/01/2014


O fim de ano passou e já inauguramos o ano novo com muitas expectativas para 2014. Tradicionalmente, as pessoas fazem promessas de réveillon, com metas e objetivos a cumprir na virada do ano. O comprometimento vai desde emagrecer alguns quilinhos a economizar para comprar a casa própria ou o carro. Independentemente da proposta, é essencial não deixar que a promessa fique apenas no calor da emoção do ano-novo. Fazer um planejamento, até mesmo em uma folha de papel, é importante para não deixar os objetivos traçados somente na memória.

O fim de ano é um período mais tranquilo para algumas pessoas, tornando propício repensar atos e atitudes dos meses passados, ter pensamentos otimistas em relação ao futuro e criar novas resoluções para o ano seguinte. Uma das explicações para isso é a necessidade do ser humano de viver em ciclos e marcos que estabeleçam uma sensação de começo e fim. Por isso, virou tradição ambicionar objetivos para o ano novo. Entretanto, também se tornou comum a não continuidade dos planos. Talvez, a correria do cotidiano dificulte a reflexão sobre os atos e, até mesmo, sobre a carreira profissional. Uma das principais causas desse declínio e desânimo está na falta de planejamento.

A primeira etapa para não deixar de lado as promessas é fazer o projeto por escrito. Objetivos que ficam apenas na memória costumam não funcionar e serem esquecidos. É preciso programar, planejar, reprogramar e não esquecer que, para alcançar as mudanças pretendidas, o começo tem que ser pequeno. Reflita sobre as metas e como alcançá-las. Quem pretende economizar dinheiro, por exemplo, deve saber quanto ganha e quanto gasta. Dessa forma, é possível saber com o que está desperdiçando e como pode economizar. Aquelas pessoas que querem mudar de emprego, devem, antes de tudo, ter clareza sobre o que esperam dessa mudança e analisar se a insatisfação é com a empresa ou com a carreira. Pequenas medidas acabam gerando grandes transformações.

O ideal é definir onde se está e aonde se quer chegar, e criar um eixo para que a mente possa registrar e produzir os resultados. É importante fazer um balanço sobre como foi o ano e avaliar se os objetivos foram alcançados. Muitas vezes, a impressão será que estamos deixando a vida nos levar, paralisados e acomodados com o que está acontecendo. As limitações da mente, em diversos casos, nos impedem de seguir em frente e são prejudiciais para o desenvolvimento pessoal e profissional.

É saudável fazer promessas de réveillon, pois mostra que a preocupação é sempre evoluir e aperfeiçoar as habilidades, os objetivos e os pensamentos. Contudo, mais benéfico ainda é cumprir tudo o que foi proposto. A disciplina e força de vontade são combustíveis para conquistar e alcançar as metas. O objetivo principal é ter um “plano de voo”. Se você não tem destino para seguir, ainda há tempo. Planeje e lute pelo tempo. Faça uso de suas forças e concentre-se nas metas. Isso é um investimento e, o melhor, em você mesmo.

CONGRESSO » Tome que o vexame é seu‏

CONGRESSO » Tome que o vexame é seu Parlamentares admitem que a produção em 2013 foi marcada por passagens constrangedoras, como a manutenção do mandato de Donadon, mas ninguém assume a culpa dos fiascos do ano 
 
Adriana Caitano e Amanda Almeida
Estado de Minas: 03/01/2014


Brasília – “Ih! Em 2014 não dá mais tempo de melhorar a imagem do Congresso. É hora de eleição!”, sentencia o líder da minoria na Câmara dos Deputados, Nilson Leitão (PSDB-MT), ao ser questionado sobre como corrigir os erros de 2013 nos próximos 12 meses. No balanço do ano que passou, parlamentares admitiram ao Estado de Minas: vexames marcaram os 365 dias do Legislativo federal. Entretanto, nenhum deputado ou senador assumiu a responsabilidade pelos fiascos, transferindo a culpa para fatores externos. O jogo de empurra é o mesmo que marcou a gestão do PMDB à frente do Parlamento.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), assumiram os respectivos cargos em fevereiro do ano passado, depois de uma disputa pelo comando das duas Casas manchada por denúncias e protestos contra eles. Com a missão de resgatar a imagem do Legislativo perante a população, eles investiram no discurso de defesa da transparência, do corte de gastos públicos e do combate à corrupção. No decorrer do ano, porém, estiveram à frente de situações constrangedoras para o Congresso. A principal delas – consenso entre os entrevistados pela reportagem – foi a manutenção do mandato do deputado Natan Donadon (sem partido-RO).

Menos de dois meses depois dos protestos que invadiram as ruas do país em junho, os parlamentares decidiram, em votação secreta, livrar Donadon da cassação no fim de agosto, mesmo após ele ter sido preso por formação de quadrilha e peculato. Acusado de ter errado ao colocar a votação em plenário em vez de declarar automaticamente cassado o mandato do deputado, Henrique Alves correu para tentar corrigir o problema e disse que o parlamentar teria de se licenciar por não ter condições de comparecer ao Congresso.

Para o líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), a culpa não pode ser atribuída apenas ao presidente da Casa. “Não se pode transferir para ele uma decisão do plenário. Cabia a ele apenas abrir a sessão para decidir o caso. A manutenção do mandato foi responsabilidade da maioria, que decidiu por isso”, avalia. Depois do episódio, o Congresso voltou a discutir o fim do voto aberto, debate arrastado por anos nas duas Casas. O jogo de empurra entre Senado e Câmara, que tinham propostas sobre o tema e enrolavam para levá-las à votação, terminou com o fim do sigilo pela metade.

O Senado teve a chance de acabar com o voto secreto em todas as circunstâncias, mas preferiu aprovar apenas para casos de cassação de mandato e vetos presidenciais. Ficou de fora um item importante e que diz respeito diretamente a Renan: a eleição da Mesa Diretora. “O voto deveria ser aberto em todas as ocasiões. O ano do Congresso passou com nota média, mas raspando para não ser pior. Faltou a reforma política avançar nas agendas”, diz o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP).

A reforma política foi defendida pela presidente Dilma Rousseff como resposta aos apelos das manifestações de junho. O PT ensaiou uma pressão no Congresso, alguns partidos aproveitaram as circunstâncias como discurso da moralidade, mas o tema, mais uma vez, ficou no papel. Sem conseguir consenso nem sequer discutir o assunto, os parlamentares aprovaram apenas uma minirreforma eleitoral, com itens apelidados como “perfumaria”, como a limitação das despesas com alimentação e combustível nas campanhas.

Promessas vazias Outras promessas feitas à população que ocupou as ruas ficaram no caminho, apesar de Renan e Henrique Alves terem elaborado uma agenda positiva como reação aos protestos. Um dos primeiros temas aprovados foi a transformação da corrupção em crime hediondo, o que endureceu a pena para quem cometesse desvios. Os parlamentares usaram as redes sociais para festejar a aprovação e dizer que ajudaram na proposta. Só que, sem combinar as agendas, cada Casa votou um texto sobre o assunto e nenhum dos dois teve a tramitação finalizada.

O senador José Agripino Maia (DEM-RN) diz que a avaliação da produtividade e da conduta do Congresso como um todo é uma injustiça. “Não se pode nivelar parlamentares. Muitos foram na regência da boa produção, outros não. Lamentavelmente, os meios de comunicação assimilam informação negativa. Isso pega em todos. Eu me recuso a ser incluído entre os lambaios. Alguns exemplos de resistência foram dados. Processo democrático é isso. É erro cometido, correção feita.”