domingo, 1 de junho de 2014

MARTHA MEDEIROS - Mulher escrevendo enquanto toma chá

Zero Hora 01/06/2014

Sempre fico insegura na hora de intitular o que escrevo. Meus poemas nunca tiveram título. Nos livros, é a última coisa que escolho (em meio a dúvidas infinitas). E os das colunas refletem a minha preguiça: deveria me esforçar mais para atrair a atenção do leitor, mas depois de já ter me dedicado o suficiente na elaboração do texto, o título é praticamente um resumo do assunto tratado, sem nenhuma acrobacia literária ou jornalística.

Isso explica o fato de eu admirar a simplicidade do título de inúmeras telas expostas nos museus do mundo. São praticamente legendas: Vista de Paris do Apartamento de Theo é o nome do quadro em que Van Gogh mostra os telhados que seu irmão, Theo, vislumbrava todos os dias, ou Campo de Trigo com Cotovia, onde o mesmo Van Gogh, com suas pinceladas geniais, mostra o quê? Um campo de trigo sendo sobrevoado por uma cotovia. Nenhuma charada, nenhuma metáfora, nenhuma gracinha. Van Gogh pintou a si mesmo usando um chapéu de feltro: qual o nome da tela? Autorretrato com chapéu de Feltro. Para que inventar?

É como se a obra dissesse: acredite no que você está vendo. Jovem Camponesa com uma Enxada (Jules Breton), Casa ao Lado da Ferrovia (Edward Hopper), Criança Brincando com um Caminhão (Picasso). Não há dúvida, você está vendo uma camponesa, uma casa, uma criança. E a partir daí, está liberado para descobrir que aquela camponesa é especial, com seu dedo apoiado na face, pensativa em meio ao descanso da lida. E que aquela casa não é uma casa qualquer, mas um ícone da solidão rural diante do crescente progresso. E que aquela criança brincando com um caminhão não é um menino, e sim uma menina, e que os traços decorativos atrás dela não fazem parte de um papel de parede: representam um jardim.

“O título está ali apenas para nos pegar
pela mão e nos levar para dentro — de um
quadro, de um texto ou até da vida de alguém”

O nome que damos às coisas é apenas um identificador sem maior importância. O que importa é nosso olhar e nosso foco: tudo é único. Cada coisa, cada pessoa, cada gesto, cada segundo é rico de significados e irreproduzível.

Mulher Deitada Lendo. Pelo menos uns 279 artistas poderão pintar um quadro com esse título e veremos 279 representações individuais sobre o mesmo tema. Até mesmo um traço horizontal com um asterisco na ponta pode significar uma mulher deitada lendo.

O título está ali apenas para nos pegar pela mão e nos levar para dentro – de um quadro, de um texto ou até da vida de alguém. Não por acaso, é a primeira coisa que perguntamos diante de um desconhecido: qual o seu nome? E a partir dali aquela Maria Fernanda ou aquele João Paulo terão nos dado a senha para criarmos uma história da qual faremos parte também.

Você pode me ver agora? Uma mulher escrevendo enquanto toma chá de maçã. Sim, é de maçã. Como não é uma tela, e sim uma página de jornal, não pude me alongar. Mas a partir desse título simplório você pulou para o lado de cá.

TeVê

TV paga
Estado de Minas: 01/06/2014


 (Felipe Oliveira/Divulgação )
Na Bahia A cada primeiro domingo do mês, o programa Móbile passa a exibir sempre uma edição inédita. Hoje, a produção visita a cidade de Arraial d’Ajuda, entrevista o músico Armandinho (foto) e faz um histórico do carnaval na Bahia, além de recordar os tempos de Novos Baianos e A cor do som. Às 23h, na Cultura.

Na cozinha
Carla Pernambuco preparou uma edição especial de Brasil no prato com as delícias culinárias de oito países que participam da Copa do Mundo: Portugal, México, Itália, Peru, Coreia, Alemanha, França e Brasil. No ar hoje, às 17h30, na Fox Life. O ex-jogador Denílson (foto) aprovou os petiscos.

Caras & Bocas

Simone Castro - simone.castro@uai.com.br


 (Alex Carvalho/TV Globo  )

Dupla dinâmica

É juntar a fome com a vontade de comer. Em cena de Geração Brasil (Globo), eles se completam. E nem poderia ser diferente. Afinal, são mãe e filho. Personagens de Luís Miranda e Lázaro Ramos (foto), Dorothy e Brian Benson já se tornaram os responsáveis por momentos impagáveis na trama de Filipe Miguez e Izabel de Oliveira. Ela, que antes era homem, se tornou uma mãe superprotetora do filho guru de estrelas, como o miionário da tecnologia Jonas Marra (Murilo Benício). Ao lado dela, Brian quase volta a ser um garotinho tímido e inseguro. É relação das mais neuróticas e que diverte seus intérpretes. Nos bastidores, é só troca de elogios. “Está sendo maravilhoso e desafiador conseguir fazer a cena sem dar risada, porque o Luís é um atorque me faz rir muito. Cada vez que ele entra em cena já fico me segurando, porque só a figura em si do personagem já é engraçada”, diz Lázaro, no site oficial da novela. E acrescenta: “O Luís é um querido, uma ótima companhia fora de cena também”. Miranda retribui: “O Lázaro é ótimo, supergeneroso, além de ser muito divertido. Ele já tinha me dirigido em uma série, mas nunca tínhamos trabalhado juntos em novela. Está sendo incrível, fizemos um trabalho antes de começar, trocando sempre ideias, e agora, antes de entrar
no set, estamos sempre aquecendo e nos conectando para não perder esse laço de mãe e filho”, explica. A diversão, garantem, só está começando

REDE GLOBO EXIBE SÉRIES  DURANTE AS FÉRIAS DO JÔ


O Programa do Jô (Globo) entra de férias durante a Copa do Mundo. Entre 9 de junho e 11 de julho, o talk show dará lugar às séries norte-americanas Revenge e Under the dome. A primeira, com a terceira temporada, será exibida de 9 a 27 de junho. As duas primeiras foram ao ar depois do Fantástico. No Brasil, Revenge é exibida pelo canal Sony (TV paga) e a terceira temporada terminou na semana passada. Em seguida, de 30 de junho a 11 de julho, vai ao ar a primeira temporada de Under the dome, baseada na obra de Stephen King e que está com a segunda prontinha para estrear em junho, na TNT (TV paga).

GRAMADO SERÁ O DESTINO  DE HOJE DO VIAÇÃO CIPÓ

Neste domingo, o Viação Cipó volta ao Rio Grande do Sul para mostrar as belezas de Gramado. No roteiro das tradições gaúchas, uma casa centenária, as raízes coloniais do estado, um lindo parque e muito mais. O telespectador confere ainda uma saborosa receita e o “Cipó cidadania”. Às 9h, na Alterosa.

VRUM FAZ ALERTA SOBRE O USO DE PELÍCULAS ESCURAS
Quem tem películas escuras no vidro do carro não pode perder a edição do Vrum, hoje, às 8h30, no SBT/Alterosa. A atração faz um alerta, pois elas podem estar fora dos padrões permitidos. Veja o que a lei diz sobre o uso do insulfilm. Mais: as luzes do seu veículo estão em dia? Não perca também o teste com a Thruxton 900, uma moto que comprova que um visual retrô pode vir acompanhado de muita modernidade. Já Emílio Camanzi andou com o J3S Turin flex, o sedan chinês que logo será produzido no Brasil.

FESTA DE SANTA RITA VIRA DOCUMENTÁRIO PARA TV
A equipe da série Foliar Brasil doc gravou em Ouro Preto a Festa de Santa Rita, comemorada em 22 de maio. O documentário, dirigido por Carolina Paiva, mostrará 13 festas populares de todo o país e será exibido ano que vem no canal Prime Box Brazil (TV paga). Ainda este mês
a equipe estará em Diamantina para registrar a Festa do Divino. A produção vai documentar também as festas de Santo Antônio, em Santo Antônio de Pádua (RJ), e a de São João, em Campina Grande (PB).

VIVER COM OS SOGROS NÃO  COSTUMA DAR MUITO CERTO

O canal Home & Health (TV paga) resolveu comemorar o Dia dos Namorados, em 12 de junho, durante todo o mês. Entre as atrações está Sogros infernais, que vai ao ar dia 22, às 21h30. São histórias reais de famílias que dividem a casa com sogros, sogras e cunhados. Os conflitos, quando não são resolvidos, se multiplicam, tomam novas proporções e podem transformar a vida da família em um tormento. Objetos que somem, necessidade de controle sobre a vida alheia, divergências na educação das crianças e brigas por conta de dinheiro, cachorros, quartos, móveis. Em meio ao caos familiar, a especialista Ellie Tehser intervém para tentar restabelecer a harmonia do lar.


Rei do subúrbio - Simone Castro


Rodrigo Hilbert cozinha em casas acolhedoras do Rio de Janeiro e resultado   é saboroso (GNT/Divulgação)
Rodrigo Hilbert cozinha em casas acolhedoras do Rio de Janeiro e resultado é saboroso

Em julho de 2013, no final da primeira temporada do Tempero de família, Rodrigo Hilbert preparou um jantar surpresa para a mulher, a apresentadora Fernanda Lima, que cobriu o bonitão de elogios. “Tá ficando bom, hein?”, disparou ela, depois de degustar salada de couve crua, risoto e chuchu, acompanhado de suco de maracujá com cidreira, e, para finalizar, a sobremesa: maçã do amor. Simples assim! Foi com menu saudável que o Hilbert conquistou não só a mulher mas todo o eleitorado. O tempero rende...

Na temporada passada da atração do GNT (TV paga), durante o verão escaldante Rodrigo Hilbert cozinhou para amigos na praia. Agora, na atual, depois de testar o sabor de uma culinária feita sem muito fricote, do tipo que quase todo mundo é capaz de fazer, ele visita famílias do subúrbio do Rio de Janeiro e cozinha deliciosas receitas, colhidas facilmente com todo o seu charme e carisma. É bacana porque convidado e anfitriões não trocam só experiências gastronômicas, mas também bom papo e o visitante interage com a comunidade.

Em Honório Gurgel, por exemplo, Hilbert botou a mão na massa não só à mesa (fez um empadão de frango), mas também para grafitar um muro que protege o famoso “Jardim da amizade”, um lugar cheio de árvores. Com Dona Zuleika e Ana Cláudia, mãe e filha, moradoras antigas, conversou sobre o movimento que une todos em prol da preservação do espaço. A receita do bolo de cenoura com calda de chocolate foi preparada pela família de Victor Hugo, que integra o Honório Gurgel Coletivo, responsável por iniciativas semelhantes como a do muro no bairro da Zona Norte carioca.

O passeio gastronômico nesta terceira temporada começou em 24 de abril. Que ninguém espere por pratos mirabolantes. Bem ao estilo que o apresentador já imprimiu ao seu programa – da comida simples que qualquer um pode fazer e sem uso de ingredientes caros e difíceis –, o cardápio dispensa invencionices e até grandes novidades e se pauta por aquelas delícias que os brasileiros adoram, como cozidos e feijoadas ou mesmo um prosaico arroz doce. Fica difícil resistir. O diferencial? Rodrigo quer saber como é a comida com o tempero dos outros. No total, serão 13 episódios, no ar às quintas-feiras, às 20h.

O apresentador, que diz ter aprendido a cozinhar aos 11 anos com a mãe e a avó, mostra realmente familiaridade com as panelas e o fogão. Além disso, circula pela cozinha com desenvoltura, improvisa se precisar tanto acessórios quanto ingredientes. A química com o telespectador também tem a ver com a relação especial que Rodrigo tem com o universo das receitas. “Até porque a comida coloca as pessoas mais perto de você, agora que eu tenho família adoro ficar na cozinha cozinhando pra eles, eles ficam em volta de mim, é um momento de confraternização, de união”, disse em entrevista à revista Crescer.

Acrescente-se outra qualidade do Tempero de família que é a de abrir a porta e convidar o telespectador a entrar, quase a participar diretamente da realização do prato. Talvez, justamente por ser apresentado por Rodrigo Hilbert, mais que o modelo e ator que todo mundo conhece, mas com aquele jeitão do genro que a maioria das mães espera ter, a tarefa torne tudo bem mais leve. É a cereja do bolo!

PLATEIA
VIVA


Depois do César, de Amor à vida, Antônio Fagundes brinda o telespectador com o adorável Giácomo, de Meu pedacinho de chão (Globo).

VAIA

Na trama de Em família (Globo), na caçada aos estupradores, Alice (Érika Januza) está mais eficiente do que a polícia. É isso mesmo?

EM DIA COM A PSICANÁLISE » Por que educar‏

EM DIA COM A PSICANÁLISE » Por que educar
Regina Teixeira da Costa
Estado de Minas: 01/06/2014


Segundo Freud, em Três ensaios sobre a teoria da sexualidade (1905), a sexualidade infantil é viva e atuante, sendo esquecida no final da infância e ressurgida depois de um período de latência a partir das mudanças do corpo.

Diz ainda Freud que toda mãe ficaria horrorizada se disséssemos a ela que seu amor desperta a pulsão sexual do filho e os prepara para sua intensidade ulterior. Elas consideram assexual seu amor, puro e, mesmo sendo de fato zelosas e cheias de cuidados quanto ao manejo do corpo da criança, os efeitos de seus cuidados e carinhos produzirão efeitos libidinais na criança. E isso é bom porque estarão preparando-a para amar futuramente.

E, continua Freud, o excesso de afeição é nocivo, porque desperta a maturidade sexual precoce e também porque mimando a criança ela se torna incapaz, na vida ulterior, de ficar temporariamente sem amor ou contentar-se com uma pequena quantidade dele.

Uma das mais claras indicações de que uma criança se tornará neurótica pode ser vista pela exigência insaciável de afeição dos pais, já que ela recebeu excessivas demonstrações. Portanto, nem só a rejeição pode ser nociva, mas o excesso de amor também pode fazer adultos dependentes.

Crianças com a sexualidade muito precocemente desenvolvida transformam sua libido em ansiedade, já que não podem satisfazê-la. As fantasias edípicas serão ameaçadoras e por isso caem no esquecimento e só despertarão na adolescência, fazendo um barulho tremendo.

É na adolescência que se deve elaborar o embaraço com o despertar de uma sexualidade que foi esquecida. Atualizada, ressurge perturbadora e, agora, o adolescente terá que lidar com ela diante dos outros e refazer sua opção, seja qual for e com as incertezas e dúvidas que este tempo traz.

Assim, os laços agora serão entre grupos de rapazes e moças, a princípio separadamente, antes de partirem para o encontro sexual propriamente dito. Surgem as turmas que se formam e se unem em busca de reconhecimento e, como é comum na adolescência uma certa insubordinação, se reconhecem como pares e excluem os adultos.

Praticam sonhos proibidos, transgressões que os tornam fiéis ao grupo e se apresentam como seguros e poderosos. A formação de gangues vem desse embaraçoso momento da adolescência, em busca de reconhecimento e separação dos pais.

A rebeldia é quase regra na adolescência e necessária para afastar os pais. Muitos se tornam transgressores e delinquentes. Outros passam por momentos de grande coesão com o grupo e praticam temporariamente alguns atos de agressividade, acreditando assim se firmarem valentes. No caso dos rapazes, chega-se a extremos, como as brigas que vemos entre turmas nas madrugadas. Covardia de vários contra um, rivalidade vazia de sentido.

São atitudes violentas e na maioria das vezes terminam na delegacia ou em ações movidas pelos pais contra as agressões sofridas pelos filhos. Com razão devemos chamar a lei diante de excessos covardes de uns sobre os outros. É para isso que elas existem, para coibir a crueldade que entre seres humanos é bastante frequente.

Assistimos pais preocupados e, de fato, a preocupação procede, pois aqui no Brasil, diferentemente de outros lugares do planeta, adolescentes têm uma vida livre, podem sair sem hora para voltar, passar as noites em festas onde são servidas bebidas alcoólicas. E tudo isso conta com a complacência dos pais, que desejam dar aos filhos uma vida de luxo e permissividade, em que eles aprendem a ganhar tudo o que querem e não aceitam contrariedades.

Muitos pais cobrem os filhos com luxo e excessos, ensinando a eles que o mundo está a seus pés. E o resultado, não raro, são filhinhos de papai vandalizando por aí. Hoje, repito este tema porque é muito importante que os pais repensem seu papel.

apanhar, mas não pensam que um dia pode ser ele a vítima. Além disso, ainda há um reforço machista dos pais e, certamente, também das mães, para que seus filhos sejam pegadores e mostrem o quanto são machos. O respeito às mulheres nem sempre entra na lista de prioridades, nem das meninas nem dos meninos.

Eduardo Almeida Reis Até R$ 2.500...‏

No atual jornalismo, bandido é suspeito. E as notícias estão atingindo a perfeição de não citar os nomes dos suspeitos



Eduardo Almeida Reis
Estado de Minas: 01/06/2014


Manchete de um jornal da Manchester mineira informa que os matadores cobravam até R$ 2.500 por assassinato. É pouco. Trabalho feito de encomenda implica investimento em munição, arma, transportes, horas de campana e riscos. Se a manchete fala “até R$ 2.500” é porque há profissionais trabalhando por menos, matando quase de graça. Sempre há o risco de prisão; por pouco tempo, mas há. Logo, logo, o condenado terá saídas pela Páscoa, pelo Natal, para passar o aniversário com a família. No Rio, pela última Páscoa, mais de mil não voltaram para a cadeia. Se o profissional do gatilho contratar os serviços de um criminalista, aí mesmo é que os R$ 2.500 não pagam a condução.

Ação conjunta das polícias Militar e Civil desmantelou quadrilha “suspeita” de pelo menos sete homicídios cometidos a serviço de traficantes. Suspeita era inevitável: no atual jornalismo, bandido é suspeito. E as notícias estão atingindo a perfeição de não citar os nomes dos suspeitos.

Tenho visto notícias assim: “Um homem de 43 anos, morador no Buraco do Boi, Zona Leste da cidade, matou a tiros seu vizinho de 39. Preso pela polícia, o suspeito declarou que matou porque o vizinho fazia barulho durante a noite”.

Quer dizer: matou por motivo mais que justificado. Legítima defesa do sono é tão importante quanto a defesa da honra. Considerando que este país grande e bobo tem pouquíssimos cidadãos honrados, é de todo conveniente que o Código Penal passe a incluir a legítima defesa do sono e da lataria do carro.

Cidadão honorário
O brasileiro Fábio Augusto Ramalho dos Santos, deputado federal (PV-MG), nascido em Brasília, recebeu o título de cidadão honorário de Belo Horizonte no dia 28 de abril. Foi pouco. Fabinho Ramalho merece o título de cidadão honorário da ONU, isto é, do mundo, porque é um sujeito de bem com a vida e com o planeta, amigo dos seus amigos, cavalheiro que gosta dos outros e neles só vê qualidades, comportamento raríssimo entre os 7,5 bilhões de habitantes da Terra.

Em rigor, só odeiam o deputado Fabinho Ramalho os mamíferos da família dos suídeos (Sus scrofa), originários do javali selvagem do Velho Mundo e encontrados em todo o planeta como animais domésticos que fornecem basicamente carne e banha, e comem praticamente de tudo, donde seu costume de revirar lixo à cata de alimento.

O ilustre parlamentar contabiliza milhares, talvez milhões de leitoas assadas nos jantares que promove em seu apartamento brasiliense. De temperamento alegre e brincalhão, Fabinho seria político bem-sucedido em qualquer lugar do mundo, menos em Israel e nos países muçulmanos, que não comem carne de porco.

Exageração

Grosso modo, no dia em que componho estas bem-traçadas 180 mil euros correspondem a 580 mil reais. Com todo o respeito, é muito dinheiro por um vestido de casamento feito pela Chanel. Se a noiva é feia, o vestido contrasta com o seu visual; se é bonita como Ticiana Villas Boas, jornalista da Band, ao casar-se em São Paulo com um dos donos da Friboi, o Chanel de R$ 580 mil nada acrescenta à sua beleza. É coisa de nouveau riche, que não congemina nem conjumina com a situação do país.

Recebi hoje cedo e-mail com as fotos dos maiores e melhores iates do planeta. A maioria pertence aos potentados árabes, há vários de americanos e russos e um da família real da Noruega. Os iates pequenos têm 80 metros e os maiores em torno de 135 metros, mais que o comprimento de um quarteirão. Montados num mar de petróleo e metidos naquelas roupas ridículas, os árabes esnobam o mundo com os seus iates, bem como com a notícia de que a Arábia Saudita está concluindo um prédio de mil metros de altura: um quilômetro! Em matéria de semostração conseguem bater o vestido Chanel de Ticiana.

Só não dá para entender como existem tantos russos bilionários, recém-saídos de um regime de purificação social como a União Soviética. Confiável, mesmo, só a tripulação do iate do rei Harold V, composta de militares noruegueses. Tripulantes de grandes iates, com raras exceções, são bandidos tatuados fugidos das polícias dos seus países – uma fauna de assustar.

O mundo é uma bola
1º de junho de 1494, dia importantíssimo na história da humanidade: o frade John Cor descreve a primeira destilação de uísque, do inglês whisky ou whiskey, do irlandês uisce beathadh e escocês uisge beatha, literalmente “água da vida”.

Em 1533, Anne Boleyn é coroada rainha da Inglaterra, para ser executada dia 19 de maio de 1536 por ordem de seu marido e senhor, Henrique VIII, um louco que reinou antes da Lei Maria da Penha.

Em 1812, o presidente norte-americano pede ao Congresso que declare guerra ao Reino Unido.

Em 1928, Portugal declarou guerra ao Reino Unido de outra forma: alterou a circulação de veículos da esquerda para a direita, acabando com aquela besteira inglesa de andar na contramão.

Hoje é o Dia da Imprensa.

Ruminanças

“É tempo de a PM pensar num Batalhão Villas-Bôas treinado para evitar as flechadas dos nossos irmãos indígenas” (R. Manso Neto)