quarta-feira, 4 de junho de 2014

REGENERAÇÃO CEREBRAL » Descoberto neurônio que aciona células-tronco‏

REGENERAÇÃO CEREBRAL » Descoberto neurônio que aciona células-tronco
Estado de Minas: 04/06/2014




Até poucas décadas atrás, acreditava-se que o cérebro totalmente desenvolvido era incapaz de gerar novos neurônios. Hoje, sabe-se que o órgão jamais perde essa habilidade. Agora, mais uma vez, os cientistas são surpreendidos. Na Universidade de Duke, pesquisadores identificaram um tipo de célula cerebral que pode ordenar a produção de novos neurônios. O estudo, embora em fase in icial, levanta a esperança de que, um dia, o órgão possa se autorregenerar.

Os neurocientistas já suspeitavam que o cérebro tinha algum potencial de fabricar novos neurônios, mas não se sabia de onde vinham essas instruções, explica Chay Kuo, professor de biologia celular, neurobiologia e pediatria da instituição americana. Em uma pesquisa com ratos, a equipe de Kuo descobriu uma população de neurônios na zona subventricular do cérebro adulto. Essas células expressam a enzima colina-acetiltransferase (ChAT), necessária para produzir o neurotransmissor acetilcolina. Com ferramentas da optogenética – técnica não invasiva que permite visualizar e manipular circuitos neurais –, os pesquisadores conseguiram ver claramente que os neurônios dessa população estão associados com grupos de células-tronco. A pesquisa foi publicada na edição da revistsa Nature Neuroscience.

A população de neurônios ChAT+ maduros é apenas uma parte de um circuito neural pouco conhecido, que aparentemente “conversa” com células-tronco cerebrais e “encomenda” a elas o aumento da produção de novos neurônios, diz Kuo. Ele explica que ainda não foram desvendadas todas as partes da rede nem qual o código ela usa. Contudo, ao manipular os sinais dos ChAT+, a equipe de Duke teve certeza de que esse grupo de células é necessário para controlar a produção na região subventricular do cérebro.

“Temos trabalhado para determinar como a neurogênese se sustenta no cérebro adulto. É muito animador descobrir esse caminho escondido, um circuito neural que pode instruir diretamente as células-tronco a fazer mais neurônios imaturos”, diz Kuo. Ele espera que, no futuro, à base de células-tronco, seja possível estimular a neurogênese no cérebro, logo após uma lesão, fazendo com que funções afetadas sejam regeneradas. 

Estudo relaciona uma visão cínica do mundo a deficiências cognitivas

Desconfiança ligada à demência

 
Estudo relaciona uma visão cínica do mundo a deficiências cognitivas, como as típicas do mal de Alzheimer. Não se sabe, porém, se a atitude é causa ou sintoma do problema mental



Paloma Oliveto
Estado de Minas: 04/06/2014



 (Anderson Araújo/CB/D.A Press)




Brasília – Cínico, dizia o jornalista americano H. L. Mencken, é aquele que, ao sentir cheiro de flor, já procura pelo caixão. Todo mundo conhece alguém do tipo: rabugento, mal-humorado e, principalmente, muito desconfiado. Embora até inspire certa graça, esse traço da personalidade pode ser sinal de que algo não vai bem com a saúde mental, segundo pesquisadores europeus. Ao analisar a trajetória médica de um grupo de 1,5 mil pessoas, os cientistas descobriram que, ao lado da pressão alta, do colesterol elevado e do tabagismo, o cinismo é fator de risco para a demência.
De acordo com Anna-Maija Tolppanen, psiquiatra da Universidade do Leste da Finlândia e principal autora do artigo, publicado na edição on-line da revista Neurology, esse é o primeiro estudo a fazer a associação entre cinismo e demência. Existe uma síndrome batizada com o nome do filósofo cínico Diógenes, caracterizada, entre outras coisas, pela deterioração cognitiva. Mas, nesse caso, a demência é apenas um entre diversos sintomas. Já no trabalho das instituições nórdicas, os pesquisadores acharam uma ligação direta entre o excesso de desconfiança e o comprometimento das funções mentais. A médica esclarece que não é possível dizer, ainda, o que vem primeiro. Ou seja, se a atitude cínica favorece a demência, ou se o excesso de desconfiança é um sintoma das perdas cognitivas.

No estudo, indivíduos finlandeses e suecos com média de idade de 71 anos passaram por testes que identificam traços de demência e responderam a questionários para avaliar o nível de cinismo. Por exemplo, eles tinham de dizer o quanto concordavam com afirmações, como “É mais seguro não confiar em ninguém”, “Acho que a maior parte das pessoas mente para se dar bem” e “A maior parte das pessoas vai usar meios ilegais para obter lucros”. Baseado nesses resultados, os cientistas as classificaram como muito cínicas, moderadas ou pouco cínicas. Os testes foram repetidos ao longo de oito anos. No fim, 662 pessoas participaram do experimento completo.

Durante o período da análise, 46 participantes receberam o diagnóstico de demência. Aqueles que apresentavam altos níveis de comportamento cínico tinham três vezes mais risco de sofrer de deterioração cognitiva, comparando-se aos classificados com baixo teor de desconfiança. Os pesquisadores ajustaram dados, como tabagismo, que têm associação com a demência, para se assegurar de que o cinismo, de fato, influencia a saúde da mente na velhice.

Segundo Anna-Maija, os cientistas investigaram essa relação porque, embora a prática clínica evidencie que uma forte característica de pacientes com demência é o alto índice de cinismo, a literatura médica a respeito é nula. “Sabemos da influência de fatores de risco em vários tipos de doenças, incluindo o declínio cognitivo. Por outro lado, a desconfiança cínica já foi associada a doenças cardiovasculares, ao câncer e à mortalidade em geral. Contudo, não encontramos nenhuma pesquisa que tenha investigado se pessoas com altos níveis de cinismo estão mais suscetíveis à demência”, afirma ao Estado de Minas.

Mais dados “Sabemos que algumas pessoas com demência apresentam sintomas de paranoia, confusão e mudança de humor que podem levar ao cinismo e à desconfiança. Entender mais profundamente os sintomas de demência já conhecidos, incluindo mudanças de personalidade, oscilação de humor e depressão, vai nos ajudar a aprimorar o conhecimento que temos dessa condição e melhorar o tratamento, os cuidados e o suporte que podemos fornecer”, avalia Jeremy Hughes, presidente executivo da Sociedade de Alzheimer do Reino Unido.

Contudo, Hughes acredita que o resultado da pesquisa finlandesa precisa ser replicado com um número maior de pacientes. “O estudo tenta fazer um link entre altos níveis de desconfiança cínica e demência, mas uma quantidade muito baixa de indivíduos que participaram dos testes de fato desenvolveu o problema, então creio que é precoce tirar conclusões definitivas a partir dele”, pondera.

Anna-Maija Tolppanen esclarece que precisa ampliar a amostra. “Nosso estudo sugere que o comportamento cínico pode ser um alvo de intervenções precoces para o Alzheimer e outros tipos de demência, mas temos consciência da necessidade de outros cientistas replicarem o resultado com números maiores de participantes”, diz.

Para Diane Norris, psiquiatra do Instituto de Alzheimer da Universidade de Wisconsin, a pesquisa chama a atenção sobre a necessidade de intervenções psicossociais em idosos com alterações comportamentais. Ela lembra que os danos cerebrais associados à demência geralmente levam a uma falta de controle sobre as emoções. “Embora nem todas as pessoas com perdas cognitivas vão exibir mudanças no comportamento, muitas se sentirão ansiosas, deprimidas, frustradas, raivosas, sem esperança e sem confiança nos outros. Essas não são características normais do envelhecimento, mas um sinal de que algo está errado”, adverte. A especialista lembra que tratar esses sintomas, ainda que não influencie diretamente no processo da demência – não existe cura para o mal – vai trazer mais qualidade de vida para o idoso e seus cuidadores.

Eduardo Almeida Reis - Fatos‏

Por falar em Tóquio, pergunto ao caro e preclaro leitor: que fim levou o trem-bala que ligaria o Rio à cidade de Campinas?

Eduardo Almeida Reis
Estado de Minas: 04/06/2014

Em números redondos, Minas tem 20 milhões de habitantes ocupando 586 mil km2, enquanto a França tem 66 milhões em 674 mil km2. Considerando-se que as áreas são quase do mesmo tamanho, aqui tem menas gente, como diz o vinte sétimo honoris causa.

A lista de metros quadrados disponíveis em Belo Horizonte, publicada em nossa edição do dia 30 de abril, mostra que ainda cabe muita gente na capital de todos os mineiros. Salgado Filho, bairro que leva o nome de ilustre brasileiro, tem 600 mil metros quadrados disponíveis: cabe gente à beça. O Belvedere, com 59 mil metros quadrados em estoque, na dependência do tamanho dos prédios comporta uma nova Belo Horizonte. Precisamos acabar com esta bobagem de construir prédios de 20 ou 30 andares.

Não sei como anda o projeto de uma torre de 85 andares, que seria ou será construída em complexo de lazer próximo ao Boulevard Shopping, número de andares que me parece pequeno quando se sabe que a Arábia Saudita está acabando um edifício de 200 andares e um quilômetro de altura.

Belô tem espaço para diversos prédios de um quilômetro ou mais. É humilhante constatar que a população total da capital, em 341 km2, anda por volta de 2,37 milhões de pessoas, contra 11,8 milhões da cidade de São Paulo, pouco importa se distribuídos numa área de 1.522 milhão de km2. Humilhante, outrossim, a notícia de que, pelo feriadão de 1º de maio, não saiu de BH nem a metade dos quase dois milhões de veículos que saíram de São Paulo.

Belo Horizonte pode anexar os 3.941 hectares do Parque Estadual da Serra do Rola-Moça para humilhar o planeta com uma população maior que a de Tóquio, de mesmo passo em que acaba com os incêndios anuais no capim do Rola-Moça.

Por falar em Tóquio, pergunto ao caro e preclaro leitor: que fim levou o trem-bala que ligaria o Rio à cidade de Campinas? Faz tempo que não vejo na mídia uma palavra sobre o projeto do “nosso” trem-bala, enquanto o Japão anuncia o seu próximo comboio de altíssima velocidade para circular 10 centímetros acima do solo. Deve entrar em funcionamento dentro de poucos anos utilizando processo magnético que não entendi na reportagem televisiva.


Calidoscópio
Tenho tido pensamentos noturnos sob a forma de calidoscópio, sucessão vertiginosa de ações e sensações. É palavra que nos chegou em 1844 através do francês kaléidoscope, do grego kalós ‘belo’ + eîdos ‘forma’ + -skopeîn ‘olhar’ – e não deve ser boa coisa nem sei quanto tempo dura, mas me lembro de tudo que soube da vida de uma pessoa, não necessariamente amiga. Algo assim como um arquivo informático que o cérebro abre à noite, sem explicação, nos períodos em que o cavalheiro está acordado.

A ciência moderna deve ter explicação para o surto mnemônico, sobretudo agora que descobriu as virtudes da melancia no tratamento da disfunção erétil, nome bonito para impotência sexual. Não por acaso a melancia é uma trepadeira: Citrullus lanatus, da família das cucurbitáceas, de folhas trilobadas, gavinhas bífidas e pepônios muito grandes, concolores ou marmorados, polpa sucosa avermelhada e doce, com sementes de que se faz bebida diurética e vermífuga. Nativa da África e naturalizada nas Américas é muito cultivada, com inúmeras variedades, pelos frutos comestíveis, também usados em cosméticos e agora para a terrível disfunção.

Soníferos devem impedir surtos mnemônicos, mas têm o defeito de ser tranquilizantes com longo tempo de duração, deixando o paciente calmo e sonolento no dia seguinte, como descobri quando andei tomando Rivotril 0,25. Enquanto der, vou convivendo com os surtos noturnos e seja o que os deuses quiserem.


O mundo é uma bola
4 de junho: faltam 210 dias para acabar o ano e poucos dias para começar a Copa das Copas. Em 1039, Heinrich III se torna imperador do Sacro Império Romano-Germânico. Cognominado o Negro (racismo?), Heinrich III (1017-1056) pertencia à Dinastia Saliana (ou Francônia) dos sacro imperadores romanos.

Casou-se com Gunhilda da Dinamarca, também chamada Cunegunda, filha do rei Canuto II da Dinamarca. Cunegunda foi a óbito depois de parir Beatriz, que seria abadessa, isto é, prelada ou superiora de mosteiro ou abadia. Viúvo, o Negro casou-se com Inês de Aquitânia, que lhe deu mais seis filhos, entre os quais Heinrich IV, sacro imperador romano.

A Francônia permite ou exige, sei lá, que os seus vinhos sejam engarrafados naquelas garrafas bojudas chamadas Bocksbeutel (testículos de bode), parecidas com as bolsas dos machos caprinos em que se transportavam os vinhos há centenas de anos. Já pensaram?

Em 1943, o Grupo dos Oficiais Unidos, fundado pelo coronel Juan Domingo Perón, comanda um golpe de Estado na Argentina, que derruba o presidente Ramón Castillo. A partir de então o peronismo destruiu a Argentina, que tinha tudo para dar certo.


Ruminanças
“Flechado na Praça dos Três Poderes, em Brasília, DF, passa bem o cabo-PM Kléber Ferreira. Parece que a flecha não tinha curare” (R. Manso Neto).

Valorizar magistrados e o Judiciário - Nelson Missias de Morais

Valorizar magistrados e o Judiciário 
 
Nelson Missias de Morais
Vice-presidente Legislativo da AMB e desembargador do TJMG
Estado de Minas: 04/06/2014




O juiz que ingressa na magistratura hoje tem o mesmo vencimento que outro com 20 anos ou mais de exercício da carreira. Nenhum deles tem direito à valorização pelo tempo de serviço, de dedicação e aprimoramento. Em muitos casos, percebem remuneração inferior a outras carreiras que não têm a mesma responsabilidade nem as restrições do magistrado. Os magistrados não podem exercer qualquer outra atividade remunerada, salvo uma de magistério, tampouco exercer cargos eletivos ou administrativos nos demais poderes (secretários, ministros, deputados e senadores, prefeito ou governador).

São também impedidos do exercício de atividade empresarial ou da advocacia. Essas restrições não existem por acaso. Ao se estabelecer esses limites constitucionais, o que se quis foi instituir agentes de Estado dedicados exclusivamente à causa da Justiça com a missão de distribuir justiça. A dedicação exclusiva e a independência do magistrado são dois pilares fundamentais para uma prestação jurisdicional célere e isenta. Assim o exige o Estado de direito. Somente quem precisa de um juiz pode reconhecer e ter a dimensão do significado da sua independência. É nela que se estabelece o equilíbrio entre o fraco e o forte para o enfrentamento das forças na hora de julgar o direito dos cidadãos.

Esses temas e seus efeitos são preocupações cotidianas e permanentes dos representantes legítimos da magistratura nacional, especialmente os da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), que estão em constante interlocução com o Congresso Nacional em defesa do aperfeiçoamento do Judiciário.

Estratégia semelhante é adotada perante o Conselho Nacional de Justiça no acompanhamento de processos envolvendo magistrados e o próprio Judiciário e, no Supremo Tribunal Federal, em favor da elaboração da nova Lei Orgânica da Magistratura, que regula o desempenho dessa atividade e de toda a carreira. Agora, por exemplo, desenhou-se um trabalho de integração e mobilização da AMB envolvendo as principais associações de magistrados – Anamatra, Ajufe e associações estaduais – mais o Colégio Permanente de Presidentes de Tribunais de Justiça em defesa da aprovação, no Congresso Nacional, da PEC 63, que institui parcela por tempo de serviço na magistratura e no Ministério Público.

Longe de ser um privilégio, ao contrário das demais carreiras, as da Magistratura e do Ministério Público não possuem progressão horizontal, o que impede a valorização da experiência profissional, de modo que o juiz e o promotor que ingressam hoje recebem vencimentos de valor muito próximo ao dos que estão no topo da carreira, alguns com mais de 30, 40 anos de atividade.

Para magistrados e promotores não há escalonamento remuneratório em níveis, funções, gratificações, jetons e outros, como normalmente estão estruturadas as carreiras de servidores em geral, inclusive as ditas carreiras de Estado. As promoções, que corresponderiam a uma progressão vertical para magistrados, por exemplo, ocorrem somente quando há vaga, o que leva menos de 10% dos juízes a chegarem ao topo da carreira.

Segundo dados do CNJ, no ano passado, 531 magistrados e candidatos aprovados em concursos públicos deixaram os respectivos cargos por conta da baixa atratividade da carreira na atualidade, baixa remuneração e alto grau de responsabilidade. Essa é uma situação que merece profunda reflexão do legislador e de toda a sociedade. A proposta das associações de magistrados está pronta para o debate e para a votação, especialmente depois que dela foi extraída a sua natureza indenizatória, que excluía os aposentados, numa flagrante quebra da paridade com os inativos. Com sua aprovação na CCJ do Senado Federal demos o primeiro passo de uma longa caminhada. Foram dezenas de visitas aos senadores, líderes partidários e de governo no Senado Federal. Esses contatos e essa mobilização são fundamentais para se chegar ao resultado esperado pelos juízes brasileiros.

Além da integração e mobilização, é necessário manter a vigilância e o acompanhamento de cada passo da tramitação legislativa da proposta, com muita habilidade. A magistratura está madura e preparada para o debate com senadores, deputados e sociedade.