quarta-feira, 25 de junho de 2014

Rei da simpatia O príncipe Harry

Ivan Drummond e Celina Aquino
Estado de Minas: 25/06/2014 


O príncipe Harry tenta a sorte no basquete no complexo esportivo do Minas Tênis Clube, no Bairro de Lourdes (Ramon Lisboa/EM/D.A Press)
O príncipe Harry tenta a sorte no basquete no complexo esportivo do Minas Tênis Clube, no Bairro de Lourdes


Foram poucas horas, mas o príncipe Harry encantou os mineiros. Verdadeira multidão compareceu ao Minas Tênis Clube (MTC) para ver de perto o quarto homem na sucessão do trono britânico, que chegou pontualmente, às 8h58, ao complexo esportivo no Bairro de Lourdes. “Ele queria saber tudo sobre o clube. Primeiro, pensou que se tratava de uma escola. Expliquei que ali estavam apenas atletas, pais, mães e sócios. Impressionado, ele questionou o porquê de tanta gente, se era só para vê-lo. Respondi que sim”, contou Luiz Gustavo Viana Lage, presidente do MTC.

O motivo da visita real é o convênio do clube mineiro com a British Olympic Association. O Minas vai abrigar atletas olímpicos e paraolímpicos da Grã-Bretanha nos Jogos Olímpicos de 2016. No Parque Aquático, Harry se encontrou com o nadador brasileiro Cesar Cielo, campeão olímpico nos 50 metros livre em Pequim. Na Arena JK, ele foi recepcionado pelos judocas Luciano Corrêa (campeão mundial), Ketleyn Quadros (bronze nos Jogos de Pequim 2008) e Erika Miranda (campeã panamericana), além de atletas dedicados ao basquete e ao rúgbi.

Basquete Desafiado para uma luta por Luciano Corrêa, Harry recusou o convite, mas convocou o brasileiro para jogar basquete. Cada um fez três arremessos – ninguém acertou. O príncipe conversou com alunos da escolinha do Minas e convidou Lucas Goulart Cardoso, de 9 anos, para posarem juntos.

“Ele perguntou há quanto tempo luto e como é aqui no clube. Respondi que é legal, que gostei da visita dele. Tirei foto com um príncipe, foi muito divertido. Ele pediu que mostrasse a minha mãe na arquibancada e apontei pra ela”, contou Lucas. Antônio Fernando Ramos, de 8, também trocou algumas palavras com o ilustre visitante. “Apertei a mão do príncipe, vou poder contar para todo mundo”, comemorou o garoto.

Grudados na grade da arquibancada, os irmãos Enzo, de 7, Lenisa, de 10, e Menisa Maciel, de 9, não perderam um segundo da visita real. Cornélio Pimenta, de 60, e Carmem Pimenta, de 63, também se encantaram com o filho de Lady Di. Depois de visitar o MTC, Harry foi ao Mineirão assistir ao jogo entre Inglaterra e Costa Rica.

Cartaz Quando Harry chegou ao Minas Tênis, a sirene deu o alerta. Os curiosos se juntaram na entrada da Rua da Bahia. Além de segurar um cartaz dedicado ao príncipe, a estudante e modelo Mayara Gibosky, de 18, conseguiu entregar aos seguranças um desenho destinado ao ídolo. “Ele é lindo, parece ser uma pessoa boa, porque faz trabalhos sociais na África. Acho legal ele continuar o legado da mãe e ajudar as crianças”, afirmou ela, referindo-se a Lady Di.

A cientista Caroline Junqueira, de 32, quer casar o pequeno George, sobrinho de Harry, com sua filha Chiara, de 11 meses. “São muitas coincidências: eu e Kate Middleton ficamos grávidas na mesma época, nossos filhos nasceram e foram batizados na mesma semana”, contou.

A empresária Raquel Christina Boy Paiva, de 42, saiu de casa às 7h com a missão de levar a filha para ver o caçula de Lady Di. “Ela foi um ícone de beleza, simpatia e humanidade”, explicou a fã da princesa, que morreu em 1997 em um acidente de carro.

Apesar da barreira de seguranças, a estudante Laura Helena Boy Paiva, de 11, pôde ver Harry. “Gostaria de fazer parte da família real, mas lá não tem ninguém para eu me casar. George é 11 anos mais novo e Harry é muito mais velho”, lamentou.

Vestindo as cores da bandeira da Inglaterra, a estudante Emily Linghorn, de 14, destacava-se entre os curiosos na porta do Minas. “Desde pequena quero me casar com um príncipe. Deve ser muito legal ser princesa”, afirmou ela.

terça-feira, 24 de junho de 2014

TeVê

TV paga

Publicação: 24/06/2014



 (Vitor Lima/Divulgação )

Caixinha de som


Formado pelo brasileiro Fernando Lima e pela uruguaia Cecília Siqueira, o Duo Siqueira Lima (foto) abre hoje a nova temporada da série Movimento violão, que este ano vai desenvolver o tema “Jovens concertistas brasileiros”, às 20h, no SescTV. Como aperitivo, o assinante pode assistir, às 19h30, na GloboNews, à edição especial do programa Sarau dedicada a São João, com uma homenagem a Anastácia, uma das maiores compositoras do Nordeste, com participação de Chico César, Xangai, Chambinho e maestro Spok, da orquestra Spok Frevo. Para quem prefere rock pesado, o canal VH1 emenda, na série Videografia, às 23h, os episódios com a Black Label Society e Ozzy Osbourne. E ainda tem o documentário O samba paulista: do batuque à batucada, no Sala de notícias do Futura, às 14h35.

Emissoras valorizam os
curtas e documentários

Por falar em Futura, a emissora apresenta hoje, às 23h, na série + Brasileiros, a biografia de José do Patrocínio, jornalista que se notabilizou, a partir de 1853, por sua batalha pela abolição da escravatura no país. No SescTV, às 21h, a faixa CurtaDoc emenda os curtas-metragens La renoletac celeste, de Geraldo Cáceres; Anônimo, de Joana Rennó e Leonardo Barcelos; e Hombre vs meteorito, de Gabriel Balanovsky. No canal Curta!, também às 21h, vai ao ar “Comédia cearense”, na série Ensaio aberto Brasil. E no Arte 1, às 22h30, a atração é o documentário Santiago, de João Moreira Salles.

O futebol continua na
pauta de vários canais


Por causa da Copa do Mundo, o futebol invadiu a programação de vários canais. No Futura, às 20h, vai ao ar mais um programa da serie Cores do futebol: “Comercial, a equipe fantasma”. Na mesma emissora, às 22h30, a ex-jogadora Milene Domingues, que ficou conhecida como a “rainha das embaixadinhas”, é a entrevistada de Serginho Groisman no programa Tempos de escola. E na Cultura, à meia-noite, no Provocações, Antonio Abujamra conversa com o ex-jogador Neto.

MTV abre o quarto ano
da série Geordie Shore

Estreia hoje, às 21h, na MTV, a quarta temporada de Geordie Shore, com dois novos espaços na casa de Newcastle. Holly continua atrás de James, enquanto Vicky e Ricci fazem o que podem para chegar ao altar. Já Charlotte tem grandes novidades que deixarão Gary a seus pés. Em tempo: mais cedo, às 20h, no Coletivation, Kéfera e Patrick Maia recebem a atriz Angela Dip, que revela detalhes de sua peça Penélope – A repórter cor de rosa, na qual ela revive sua personagem do Castelo Rá-tim-bum.

Muitas alternativas na
programação de filmes


A programação do Megapix será marcada hoje pelo confronto entre os personagens mais queridinhos contra os mais renegados, com a seleção Populares x Nerds, que emenda os filmes Meu nome é Taylor, Drillbit Taylor (18h15), O diário da princesa (20h15), A casa das coelhinhas (22h30) e Eu te amo, Beth Cooper (0h25). No Canal Brasil, às 22h, estreia a comédia Primeiro dia de um ano qualquer, de Domingos Oliveira, com Maitê Proença, Alexandre Nero e Ney Matogrosso. Na mesma faixa das 22h, o assinante tem mais quatro boas opções: Oz – Mágico e poderoso, no Telecine Premium; O sistema, no Telecine Pipoca; Guerra ao terror, no MGM; e Fim dos dias, no TCM. Outras atrações da programação: A morte e vida de Charlie, às 20h15, no Universal Channel; O segredo dos animais, às 20h30, no Telecine Fun; Vida e arte de Georgia O’Keeffe, às 21h30, no Bio; Quase famosos, às 22h10, no Glitz; e Repo Men – O resgate de órgãos, às 22h30, no Space.



CARAS & BOCAS » Chef duvidosa
Simone Castro

Mariana Ximenes interpreta Lola, namorada de dono de restaurante que promete confusões em A grande família (Ellen Soares/TV Globo)
Mariana Ximenes interpreta Lola, namorada de dono de restaurante que promete confusões em A grande família

Longe da telinha desde o final de Joia rara (Globo), Mariana Ximenes voltará à cena em participação em A grande família (Globo). No episódio ‘‘Um hóspede do barulho’’, no ar quinta-feira, com tatuagem na pele e vocabulário francês na ponta da língua, a atriz interpreta a chef Lola Ferrara, namorada de Mano Braga (Álamo Facó) que recebe carta branca para comandar a Adega do Braga. Mas logo vêm à tona suas atitudes duvidosas de “primeira-dama”. Pior: parecem propositais só para provocar o profissionalismo de Nenê (Marieta Severo). A novata será capaz de manter ingredientes fora da validade e até proibir reuniões particulares entre funcionários e patrão sem sua presença. Para Nenê, a jornada dupla pode ser resumida em problemas no trabalho e confusões em casa. É que Mendonça (Tonico Pereira) chega na casa dos Silva com mala e cuia. Ele é acolhido por Lineu (Marco Nanini) e companhia depois que uma golpista o faz se afundar em dívidas. Mas seu jeitão de folgado convicto ocupa mais espaço do que qualquer mudança. O “novo morador” não tem desconfiômetro e altera a rotina da casa. Sem cerimônia, surpreende Bebel (Guta Stresser) no banho, invade o quarto de Lineu para dormir na companhia do amigo e até pede café na cama. Até que... Depois de perceber que não é bem-vindo pela maioria, Mendonça passa mal e acorda com amnésia, sem fazer ideia de quem é.

BANCADA DEMOCRÁTICA
ANALISA O BRASIL NA COPA


O Alterosa esporte desta terça-feira é especial. Acompanhe a bancada democrática numa aventura pelo interior. O Toledo inventou uma desculpa “esfarrapada” para não ter que trabalhar em dia de jogo da nossa seleção. E é claro que Paulo Roberto Prestes e Serginho não vão deixar barato e farão de tudo para desmascarar o “folgado”. O telespectador vai ver que, mesmo com a seleção do país deles eliminada do Mundial, a torcida inglesa invadiu Belo Horizonte. Com exclusividade, o programa vai mostrar como os súditos da rainha conferiram o jogo Brasil x Camarões. Mais: visita do príncipe Harry, que chega à capital mineira para fechar parceria do Reino Unido com o Minas Tênis Clube visando aos Jogos Olímpicos de 2016. O Alterosa esporte desta terça começa um pouco mais cedo, às 11h50.

ATRIZ DE CARROSSEL VAI
LANÇAR SEU PRIMEIRO CD


Larissa Manoela vai lançar seu primeiro CD solo. Entre as faixas, Papel de parede e Te gosto tanto, esta da trilha sonora de
Chiquititas, do SBT/Alterosa. Na emissora, a atriz viveu a patricinha Maria Joaquina, de Carrossel. Em breve, ela estará em nova produção do canal.

DESFECHOS DE EM FAMÍLIA
COMEÇAM A SER DEFINIDOS


Na reta final, Em família (Globo) começa a definir alguns desfechos. Virgílio (Humberto Martins) decide fazer uma cirurgia para retirar a cicatriz que marcou seu rosto por 20 anos. Sem que Helena (Júlia Lemmertz) saiba, ele marca a operação. Por causa do mistério que o marido faz, a leiloeira começa a pensar que ele tem outra mulher. Marina (Tainá Müller) e Clara (Giovanna Antonelli) também tomarão uma decisão: vão adotar uma menina. Em família termina em 18 de julho.

QUALQUER SEMELHANÇA...

“Agradeço ao diretor do Zorra total, Maurício Sherman, pela homenagem ao Paulinho Gogó no programa do Zorra de hoje. O Sherman é boa-praça.’’ Foi assim que o humorista Maurício Manfrini deu a entender, via Twitter, que seu personagem mais famoso, o Paulinho Gogó (foto) de A praça é nossa, do SBT/Alterosa, foi plagiado no Zorra total (Globo). A polêmica teve início no sábado, quando um seguidor de Maurício Manfrini o avisou que naquele momento um personagem muito parecido com o seu era feito no Zorra total. A cena mostrava um sambista, cujo nome não foi revelado, papel de Thalita Carauta, que contracenava com Soninha Sapatão, vivida por Rodrigo Sant’anna. Maurício não perdeu tempo e assim que recebeu a foto enviada pelo seguidor disse que sintonizou na Globo e atestou o plágio. “Eu tô no Zorra agora... coloquem lá rápido”, escreveu. Quem viu a cena confirmou que realmente o personagem de Thalita repete os trejeitos, a roupa, os sapatos e até o modo de falar do Paulinho Gogó. É a segunda vez neste ano que o Zorra total é alvo de acusação de plágio. Em abril, o ator Marcelo Médici afirmou que a atração global copiou seu personagem Sanderson, com o qual também participou de A praça é nossa. Sanderson é interpretado por Marcelo Médici há mais de 10 anos.

VIVA
O caçador (Globo). A série é de primeira e merece uma segunda temporada. As tramas são boas, as participações expressivas e Cauã Reymond consegue ser convincente como o ex-policial André.

VAIA
Alex Escobar como narrador. Além de ser extremamente parcial, ele ainda tropeça feio nos comentários. Nas chamadas obrigatórias das atrações da Globo, quase interpreta as cenas. Exagerado.

Maestro do Brasil [Pixinguinha] - Ailton Magioli

Maestro do Brasil
 
Pixinguinha, um dos maiores compositores da história da música popular, ganha duas caixas com partituras de arranjos escritos por ele para obras próprias e de outros autores


Ailton Magioli
Estado de Minas: 24/06/2014


Pixinguinha, um dos maiores compositores da história da música popular, ganha duas caixas com partituras de arranjos escritos por ele (Instituto Moreira Salles/Divulgação)
Pixinguinha, um dos maiores compositores da história da música popular, ganha duas caixas com partituras de arranjos escritos por ele

Consagrado internacionalmente como o autor de Carinhoso, da parceria com João de Barro (1907-2006), Alfredo da Rocha Vianna Filho (1897-1973), o Pixinguinha, começa a ter uma faceta menos conhecida de sua obra revelada graças ao lançamento das caixas O carnaval de Pixinguinha e Pixinguinha – Outras pautas, ambas do Instituto Moreira Salles (IMS), em parceria com as Edições Sesc e a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.

Enquanto a primeira reúne 44 arranjos do flautista, saxofonista e compositor, a segunda traz outros 25, em sequência ao trabalho iniciado com Pixinguinha na pauta, de 2010, com mais 36 arranjos de sua autoria. Organizadas por Bias Paes Leme, coordenadora musical do IMS, Marcílio Lopes, Paulo Aragão e Pedro Aragão, as novas caixas contabilizam 69 partituras, incluindo clássicos como Carinhoso e Lamento, além de arranjos feitos pelo mestre para músicas de Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga, Sinhô, Anacleto de Medeiros, Donga e João da Bahiana.

 Temas de tradição popular orquestrados também integram os estojos, ambos com livretos especiais que trazem informações sobre as composições, arranjos e pesquisas feitas a partir do material. A maior parte deste rico acervo tem origem na produção de Pixinguinha para o programa O pessoal da velha guarda, da Rádio Tupi, comandado por Henrique Foréis Domingues, o Almirante, entre 1947 e 1952, além de também utilizar o repertório de Carnaval da velha guarda e Assim é que é, discos da gravadora Sinter, lançados na década de 1950.

“Como a obra dele é muito grande, o compositor acaba ficando na frente do arranjador”, constata o neto de Pixinguinha, o cantor Marcelo Vianna, de 45 anos. “O acervo de Pixinguinha que tínhamos em casa está no Instituto Moreira Salles, mas há muita coisa espalhada ainda em acervos particulares, como o de Mozart de Araújo”, afirma Marcelo. “Até Tinhorão tinha obras de meu avô”, afirma o neto, lembrando que o acervo do crítico musical José Ramos Tinhorão foi vendido para o IMS.

Na opinião de críticos e especialistas, os cerca de 300 arranjos escritos por Pixinguinha para a Orquestra do Pessoal da Velha Guarda constituem o auge da carreira do mestre como arranjador. “O seu pleno domínio da escrita orquestral popular e a riqueza do repertório fazem desse material um verdadeiro tesouro da música brasileira, pouco conhecido entre os admiradores de Pixinguinha e mesmo entre os estudiosos de sua vida e obra”, diz Paulo Aragão, um dos organizadores das caixas.

“Sabemos que ainda há muita coisa de meu avô espalhada”, diz o neto Marcelo Vianna, que, depois de criar o Instituto Pixinguinha, há quatro anos, acredita ter chegado a hora de ele ir ao mercado. “A grande ideia da família com o IMS foi a parceria. Eles fazem isto muito bem”, elogia a edição das duas novas caixas com os arranjos do avô. A ideia de Marcelo, no entanto, é estender a parceria a outras entidades e instituições. “No momento, a nossa preocupação é com a viabilização de projetos”, anuncia ele, admitindo que a sede do instituto no Rio de Janeiro virá em um segundo momento.

Marcelo Vianna lembra que se deu conta da obra de Pixinguinha na adolescência. “Na época, quis criar um esqueleto com as composições, os arranjos e as orquestrações”, recorda, salientando que a maioria da produção do avô está, de fato, no acervo que a família doou ao Instituto Moreira Salles. “A Biblioteca Nacional também tem muita coisa”, acrescenta o neto, que perdeu o avô aos 4 anos.

Palavra de especialista Henrique Cazes - músico e pesquisador


Pixinguinha e a elite branca

Nascido na classe média carioca de fins do século 19, Pixinguinha viu desde cedo seu enorme talento reconhecido pela hoje demonizada “elite branca”. Foi para tocar no elegante Cine Palais que ele organizou, em 1919, os Oito Batutas, conjunto que o projetou
e que três anos depois, graças ao milionário Arnaldo Guinle, chegou a Paris. Na Cidade Luz, Guinle deu a Pixinguinha seu primeiro saxofone. Algum tempo depois, outro expoente da elite carioca, o cantor Mário Reis, ajudou a consagrar o estilo de arranjo de Pixinguinha. Outros ricos influentes ajudaram o mestre do choro, como Paulo Machado de Carvalho e Paulo Bitencourt, donos de órgãos de comunicação importantes nas décadas de 1940 e 1950. Ao preservar, restaurar e disponibilizar o acervo de Pixinguinha, o Instituto Moreira Salles, legado de grande valor idealizado por outro expoente da “elite branca”, completa o ciclo de valorização. Agora, só o povo e os governos devem a Pixinguinha.


Contraponto





Que o diga o cavaquinista Henrique Cazes, que, na década de 1980, encontrou uma coleção de arranjos do mestre que nunca foram gravados, na Biblioteca Nacional. Tais arranjos acabaram responsáveis pelo surgimento da Orquestra Pixinguinha, com a qual o músico gravou dois discos com parte do repertório.

Ao chamar a atenção para o trabalho de Pixinguinha, Cazes recorre a outro mestre, o maestro Guerra-Peixe. “Ele dizia que Pixinguinha deve ser encarado como um ponto a ser seguido pelos orquestradores brasileiros. Seus trabalhos nessa especialidade deixam transparecer valores típicos da nossa música popular, seja em harmonia, contraponto, ritmo e feição regional. Tanto assim que é considerado, com muita razão, o único orquestrador que dá força regional à nossa música", ressalta o cavaquinista.

Para Cazes, Pixinguinha foi de fato um arranjador genial e único. “Seu estilo combinava em proporções perfeitas uma rara imaginação melódica com um balanço insuperável”, diz. “Sem lançar mão de acordes sofisticados, Pixinguinha vestia de alegria e originalidade cada obra sua ou de outro autor”, acrescenta. Antes mesmo de Radamés Gnatalli, como faz questão de lembrar Henrique Cazes, Pixinguinha lançou as bases da linguagem orquestral da música brasileira e, com amplo domínio da instrumentação, marcou época em rádios e gravadoras, onde fornecia o aparato musical a intérpretes como Fancisco Alves, Carmem Miranda, Mário Reis e muitos outros.

Das gravadoras Odeon, Par-lophon e Brunswick, onde começou a orquestrar, regularmente, em 1928, à RCA Victor, na qual organizou a Orquestra Victor Brasileira, Pixinguinha ainda seria o responsável pela criação da Orquestra Típica Victor, os Diabos do Céu e o Grupo da Guarda Velha. Durante 30 anos ele dividiu os arranjos na RCA Victor com Radamés Gnátalli. “O que fica disso tudo para mim é a felicidade de ver esta obra vir para o mercado. A possibilidade de as orquestras tocarem os arranjos, por meio dos quais Pixinguinha se reinventa o tempo inteiro”, conclui Marcelo Vianna.

Relação entre doença e pesticidas‏

Estado de Minas: 24/06/2014 



Washington – Uma mulher grávida que vive perto de uma fazenda onde são usados pesticidas tem 66% mais chances de ter uma criança autista, revelaram pesquisadores da Universidade da Califórnia Davis, em estudo publicado ontem. A pesquisa publicada na revista Environmental Health Perspectives analisa a associação entre viver perto de um lugar onde são usados pesticidas e os nascimentos de crianças autistas, apesar de não deduzir uma relação de causa e efeito.

O autismo é um transtorno de desenvolvimento que atinge uma em cada 68 crianças nos Estados Unidos. Um número crescente em relação a 2000, quando a desordem afetava uma em cada 150 crianças americanas. Os pesquisadores compararam dados sobre a utilização de pesticidas na Califórnia na residência de 1.000 pessoas que participaram de um estudo de famílias com crianças autistas.

“Observamos onde viviam os participantes do estudo durante a gravidez e no momento do nascimento”, explicou um dos autores do estudo, Irva Hertz-Picciotto, vice-presidente do Departamento de Ciências e Saúde Pública da Universidade Davis da Califórnia. “Constatamos que foram usados vários tipos de pesticidas, em sua maioria perto das casas onde as crianças desenvolveram autismo ou distúrbios cognitivos.”

Cerca de um terço dos participantes do estudo vivia a entre 1,25 e 1,75 quilômetros de onde foram usados os agrotóxicos. Os pesquisadores também descobriram que os riscos foram maiores quando o contato com o pesticida se deu entre o segundo e o terceiro mês de gravidez. O desenvolvimento do cérebro do feto poderia ser particularmente sensível aos produtos, de acordo com os cientistas. “Esse trabalho confirma os resultados de pesquisas anteriores que constataram ligações na Califórnia entre o fato de uma criança ter autismo e sua mãe ter sido exposta a produtos químicos agrícolas durante a gravidez”, indicou Janie Shelton, co-autora do estudo. “Apesar de ainda termos de verificar se alguns subgrupos são mais sensíveis do que outros à exposição aos pesticidas, a mensagem é clara: as mulheres grávidas devem prestar atenção e evitar qualquer contato com produtos químicos agrícolas.”