quinta-feira, 28 de agosto de 2014

TeVê

TV Paga

Estado de Minas: 28/08/2014



Caça ao tesouro

O colecionador Barry Weiss (foto) emplacou mais um programa no canal A&E. Hoje, às 21h30, estreia a série Os tesouros de Barry, que acompanha o caçador de relíquias em uma jornada pelos Estados Unidos atrás dos mais raros e fascinantes itens colecionáveis. No primeiro episódio, “Quero esse mico”, Barry vai a Austin, no Texas, e tem um encontro inusitado com um macaco. E às 22h30, a série Quem dá mais?: Texas retorna em sua quinta temporada, partindo para cidades perdidas nos confins do estado norte-americano, começando por Texarkana.

Aliens, super-heróis e desastres da natureza

No canal Bio, às 21h, a série Hangar 1 explora bases subterrâneas secretas espalhadas pelos Estados Unidos que seriam abrigos de extraterrestres, escondidos sob montanhas, desertos e talvez até mesmo sob um aeroporto. No mesmo horário, no Film&Arts, vai ao ar a última parte do documentário Super-heróis: a batalha sem fim, sobre os super-heróis dos quadrinhos. E às 22h30, o NatGeo emenda os documentários Os maiores desastres naturais e Caçadores de furacão.

Palavra encantada está na tela do canal Curta!

Charleville, Charlestown – O retorno de Rimbaud é o documentário que o canal Curta! programou para as 21h30. Dirigida por Micheline Paintault, a produção reúne documentos como fotos, cartas e desenhos, para refazer a trajetória do poeta que parou de escrever aos 20 anos. Na sequência, às 22h30, a emissora exibe Palavra encantada, de Helena Solberg, que faz uma viagem pela história do cancioneiro brasileiro, com a participação de Adriana Calcanhotto, Arnaldo Antunes, Chico Buarque, Jorge Mautner, José Celso Martinez Correa, José Miguel Wisnik e muitos outros artistas.

Fox fecha o nono ano de Bones e reprisa o quinto

A nona temporada da série investigativa Bones chega ao fim hoje, às 22h30, no canal Fox. No episódio: “Recluse in the recliner”, a equipe do Jeffersonian investiga a morte de Wesley Foster, escritor em um blog de conspiração que tinha uma reunião com Booth para discutir um caso anterior logo antes de sua morte. A trama acaba colocando Booth em uma situação difícil e seu futuro no FBI pode ser questionado. Já na próxima segunda-feira começa a ser reprisada a sexta temporada da série, na faixa das 22h.

Cultura resgata o dramac clássico Ana dos mil dias

No pacotão de cinema, uma boa pedida é o Clube do filme da Cultura, às 22h, com a exibição do drama Ana dos mil dias (1969), com Richard Burton, Geneviève Bujold e Irene Papas. Na mesma faixa das 22h, o assinante tem mais oito opções: Um lobisomem na Amazônia, no Canal Brasil; Cheri, no Glitz; Elizabeth (1998), no Studio Universal; Dezesseis luas, na HBO 2; O corvo, no Max; Na companhia do medo, no MGM; Os estagiários, no Telecine Premium; e Veludo azul, no Telecine Cult. Outras atrações da programação: Capitão América – O primeiro vingador, às 20h45, no FX; Para Roma, com amor, às 21h, no Max HD; e Sim senhor, às 22h30, na TNT.

Caras e Bocas


A ninfeta que se cuide!

O ninho de amor do Comendador José Alfredo (Alexandre Nero) e de Maria Ísis (Marina Ruy Barbosa) será atacado em breve nos próximos capítulos de Império (Globo). Maria Marta (Lília Cabral), esposa do milionário, invadirá feito um vendaval o apartamento da ninfeta. A essa altura, a garota já estará envolvida com o filho caçula do amante, João Lucas (Daniel Rocha). Antes da confusão, Maria Ísis e o rapaz trocarão carinhos e beijo na boca. Já em casa, ele conta tudo o que rolou para Du (Josie Pessoa), que se rói de ciúmes. Maria Marta ouve tudo e pede o endereço de Maria Ísis. Ele, claro, nega. A mãe, então, procura por Du e promete ajudá-la com o filho, caso ela indique onde vive a rival. Com o que quer nas mãos, Maria Marta vai em seguida à casa de Ísis. “É quase uma menina”, dispara para lá de surpresa quando a porta se abre. Assim que pressente de quem se trata, a filha de Magnólia (Zezé Polessa) tenta fugir e corre para o elevador. Mas a mulher a impede e ainda avisa: “Pode espernear, pedir mamadeira, não adianta.” Apavorada, a jovem pergunta se ela vai bater nela. Já no quarto do casal, Maria Marta pergunta: “É aí onde ele te chama de... sweet child?”. A moça relaxa e responde: “E de meu amor, de minha vida, que eu sou a criatura mais doce que ele encontrou no mundo...”. Ríspida e raivosa, a mulher de José Alfredo corta e manda: “Eu já entendi! Eu vim aqui com a intenção de te quebrar toda. Eu podia fazer picadinho de você, te deixar com a cara toda arrebentada... Mas, depois de te conhecer, como posso fazer isso se você não passa de uma menina!?”. Nesse momento, o Comendador chega e fica paralisado com a presença da mulher. Constrangido, ele pede desculpas a Maria Marta, que apenas avisa que vai destruí-lo.

CONFIRA O QUE ROLOU NOS JOGOS DA COPA DO BRASIL

O Alterosa esporte desta quinta-feira traz todos os lances dos jogos de Atlético e Cruzeiro na estreia da Copa do Brasil. Com a análise da bancada democrática e apresentação de Leopoldo Siqueira.

ARACY BALABANIAN JÁ ESTÁ SE RECUPERANDO EM CASA

Aracy Balabanian, de 74 anos, já está em casa, depois de uma semana internada em um hospital do Rio de Janeiro. Ela se tratou de uma pneumonia. A atriz, por enquanto, não vai retornar ao trabalho. Atualmente, ela interpreta Iracema, em Geração Brasil (Globo). Na trama, a personagem viajou a trabalho. Ainda na TV Globo, os apresentadores Jô Soares e Zeca Camargo também tiveram pneumonia.

COMO SERÁ? VAI DISCUTIR MODELOS DE ESCOLA IDEAL

O telespectador vai conhecer no Como será? (Globo) deste sábado, às 6h, uma instituição de ensino que vem se destacando por suas práticas pedagógicas inovadoras. Localizada em Cotia (SP), a Escola Projeto Âncora não tem salas de aula, anos letivos, disciplinas ou exames: com a orientação dos educadores, os alunos aprendem por meio de projetos, escolhendo temas de pesquisa e criando roteiros de estudo dos quais devem fazer parte o conteúdo tradicional. Em seguida, no quadro “O tema é”, a convidada é a especialista em educação Maria de Salete Silva, que, para ampliar a discussão apresentada na reportagem, vai responder a perguntas dos internautas sobre o que seria uma escola ideal.

LONGE DO ALTAR

Noivos até que estão, mas Penny (Kaley Cuoco) e Leonard (Johnny Galecki) não vão oficializar a união na oitava temporada. Quem supõe é o produtor da série The Big Bang Theory – cartaz do canal Warner (TV paga) –, Steven Molaro, em entrevista ao site TV Line. “Eu não posso dizer com certeza, mas eu duvido disso. Eles estão em um ótimo lugar, são o tipo de casal que pode ficar noivo por um tempo e não se importar com isso”, adiantou. Tudo porque Penny estará bastante dedicada ao novo trabalho e planejar casamento pede tempo, o que ela não tem. A jovem agora será representante da indústria farmacêutica. A oitava temporada estreia em 22 de setembro nos Estados Unidos. Por aqui, a série também é exibida pelo SBT/Alterosa. 

Entre béchamel e curry - Mariana Peixoto

Entre béchamel e curry


Mariana Peixoto
Estado de Minas: 28/08/2014



Sempre impecável, Helen Mirren rouba a cena como madame Mallory


 (Francois Duhamel/Disney/Divulgação)
Sempre impecável, Helen Mirren rouba a cena como madame Mallory


Assim como outros filmes que têm a gastronomia como mote, A 100 passos de um sonho usa da culinária para falar das relações humanas. No caso, questões bastantes universais, como a relação entre homem e mulher, as tradições familiares, as perdas e a intolerância. Com o sueco Lasse Hallström (Gilbert Grape, aprendiz de sonhador, Regras da vida e Sempre ao seu lado, entre outros) capitaneando o barco (que tem Steven Spielberg e Oprah Winfrey na produção), a narrativa tem um quê de melodrama, mas sempre com um tom elegante, por vezes fantástico. Como a gastronomia é parte essencial da história, a principal referência para quem acompanha a filmografia do diretor é Chocolate (2000).

Naquela história, uma mulher e sua filha chegam a um vilarejo francês e, olhadas com desconfiança pela população local, acabam conquistando sua confiança ao produzir os melhores chocolates que poderiam existir. Agora, Hallström leva também para um vilarejo francês uma família indiana, os Kadam. Donos de um restaurante em Mumbai, levam uma vida confortável até serem obrigados a abandonar seu país. Depois de curto período em Londres, acabam aportando, literalmente por acidente, no Sul da França. A cidadezinha de Saint-Antonin-Noble-Val faz os olhos do patriarca, chamado simplesmente Papa, crescerem. Rapidamente, ele compra um restaurante abandonado e se muda para lá com a família.

O problema está justamente a 100 passos dali, como deixa claro o título em português. É só atravessar a rua para chegar ao Le Saule Pleureur, restaurante francês clássico com uma estrela Michelin, comandado a braço de ferro por madame Mallory. Não é difícil supor o que vai se dar a partir dali. Há o embate entre as duas tradições, entre a alta e a “baixa” gastronomias, entre béchamel e curry. Só que os Kadam têm um trunfo incontestável: o jovem culinarista Hassan, que consegue fazer mágica com qualquer ingrediente e com seu talento nato, sendo capaz de dar um toque original ao tradicionalíssimo beef bourguignon.

A partir desse mote, A 100 passos de um sonho só faz encantar. A começar por seu elenco, com a sempre impecável Helen Mirren como principal chamariz. Mas é o veterano Om Puri, como o patriarca Kadam, com seu carisma e leveza, que garante as melhores tiradas da narrativa. E o jovem Manish Dayal, com sutileza e delicadeza, faz de Hasam um protagonista discreto, porém muito marcante.

O desencadear da história é previsível, como ocorre em alguns filmes de Hallström. Mas isso pouco importa, pois é a partir de ideias simples que ele consegue encantar. De quebra, ainda garante algumas das melhores cenas dentro de uma cozinha, mostrando que pode haver magia numa simples omelete. É para sair do cinema direto para um restaurante, pois até o mais tímido dos estômagos vai soar diante de tantas delícias.

CINEMA » Mulher poderosa

CINEMA » Mulher poderosa Cercado de grande produção e elenco estelar, Luc Besson cria trama insólita sobre Lucy, garota que tem a capacidade mental ampliada e passa a usar 100% do cérebro


Walter Sebastião
Estado de Minas: 28/08/2014



Agora, além de linda, ela é 100% inteligente. Queridinha de nove entre 10 cineastas, Scarlet Johansson é Lucy, papel-título do filme de Besson

 (Universal Pictures/Divulgação)
Agora, além de linda, ela é 100% inteligente. Queridinha de nove entre 10 cineastas, Scarlet Johansson é Lucy, papel-título do filme de Besson


O francês Luc Besson vai ocupando discretamente posto difícil: o de mais interessante autor do cinema espetáculo (que adora ostentar orçamentos mirabolantes e atores celebridades). Quem não conhece o diretor tem ótima oportunidade: Lucy. Filme sobre uma garota que é levada pelo namorado a se envolver com o tráfico e acaba sendo obrigada a transportar, no estômago, nova e poderosa droga. Um acidente faz com que o invólucro se rompa e Lucy absorva o produto, o que desencadeia um processo de ampliação da capacidade mental da moça. Se uma pessoa normal usa 10% do cérebro, Lucy vai chegar aos 100%.

História insólita que, da primeira à última cena, prende a atenção pela habilidade com que é contada. Primeiro, registrando o aumento dos poderes mentais trazidos pela droga. Depois, porque tal percurso é recheado de imagens sobre inteligência e comportamento dos animais. E, por último, pelo fato de vir embalado em trama policial com temas pra lá de contemporâneos. Sem pedantismo e de maneira surpreendente, o filme entrelaça de forma provocativa extensa rede de temas: corpo, cérebro, natureza, história, lei, química, capital, poder, violência, tecnologia, crime etc. E enreda o espectador em também extensa rede de sentimentos.

Só o fato de evocar tantas questões (e relações), dissimuladas em tantos filmes, já estaria bom. Mas o saboroso em Lucy é observar o conjunto de qualidades, praticamente inconfundíveis, de Luc Besson. Como criar narrativas atravessadas pela ironia (presente em tempo integral), até o limite do humor negro, mas de modo discreto, que, a todo momento, interpela o mundo atual. Surpreende ainda a capacidade do cineasta de desenhar bons personagens (e conseguir boas interpretações dos atores) – a Lucy de Scarlet Johansson é apenas um exemplo. Acrescente-se apuro, gosto, elegância, inclusive no plano visual, de um diretor capaz de compor, coerentemente, um espetáculo audiovisual moderno, comunicativo, sem arcaísmos.

Aspectos que apontam para outra característica, mais discreta e essencial, de Luc Besson: o bom narrador que ele é. Há momentos em que as especulações soam como bobagem, mas o decisivo é a capacidade dele de criar atmosfera e personagens tão envolventes, que, a partir de certo ponto, não se sabe mais se as informações que Lucy apresenta são verdade ou não. Pouco importa, a dúvida ou crença no dito e mostrado só potencializa o filme. A perda de limites, sabe-se, também é muito do mundo contemporâneo.

O diretor

Luc Besson foi criado na Grécia, onde os pais eram instrutores de mergulho no Club Méditerranée. Aos 18 anos, vivia em Paris, sua cidade natal, trabalhando na área de cinema. Besson fez curso de cinema nos Estados Unidos e, depois, se instalou na França. Entre os filmes realizados por ele estão Subway (1985), Imensidão azul (1988), O quinto elemento (1997), Artur e os Minimeus (2006), Banlieue 13 – Ultimatum (2009), As múmias do faraó (2010) e Além da liberdade (2011).

Em 2012, Luc Besson inaugurou a Cité du Cinéma, complexo cinematográfico de 62 mil metros quadrados, construído em subúrbio popular do Norte de Paris de elevado nível de desemprego, que foi chamado de a Hollywood francesa. Sobre Lucy, ele disse em entrevista recente que o ponto de partida foi imaginar o que seria o uso de 100% das capacidades cognitivas. E que a velhice lhe trouxe a necessidade de misturar conteúdo filosófico com diversão. Até porque continua a ir ao cinema e acha filmes de ação um tédio.

Amor que supera o preconceito

Amor que supera o preconceito Casal vítima de racismo pela internet espera a identificação de culpados e garante: agressões virtuais não abalam a relação


Tiago de Holanda
Estado de minas : 28/08/2014




Insultos chocaram os namorados, mas eles se uniram ainda mais para enfrentá-los (Paulo Filgueiras/EM/D.A Press)
Insultos chocaram os namorados, mas eles se uniram ainda mais para enfrentá-los

“A atitude dela serve de exemplo para quem sofrer no futuro esse tipo de preconceito”, diz o jovem L., de 18 anos. Ele tem agora mais um motivo para se orgulhar da namorada M., de 20. Ela, negra, não se deixou abater e, na terça-feira, denunciou à polícia as ofensas racistas que sofreu via Facebook, após publicar uma foto em que aparece junto do rapaz, branco. Os dois moram em Muriaé, na Zona da Mata mineira, e falaram ontem ao Estado de Minas sobre o incidente, com a condição de não terem reveladas suas identidades. Apaixonado, o casal ressaltou que as agressões virtuais não enfraqueceram o relacionamento.

Foi o rapaz quem primeiro viu as ofensas no Facebook, na tarde do dia 17 . “Não esperava por isso. Na hora liguei para ela”, comenta. Depois de a foto ser publicada, surgiram dezenas de comentários racistas. Um deles questiona onde L. havia comprado a “escrava”. Outro pergunta se ele era “dono” da jovem. M. ficou chocada, mas se manteve firme, com apoio do namorado. “Fiquei triste, chorei. Mas ele foi me dando força, dizendo que eu não deveria ligar para isso”, lembra.

A foto foi reproduzida em outro perfil do Facebook, “Pretinho do poder”, no qual várias pessoas criticaram a discriminação. A jovem se sentiu encorajada a procurar a polícia quando um advogado publicou na rede social comentário enfatizando que aquelas manifestações racistas eram criminosas. “Conversei com o profissional pela internet e ele me orientou a ir à polícia”, relata ela, que na terça-feira procurou a Delegacia Regional de Muriaé para prestar queixa.

O inquérito foi instaurado ontem e está aos cuidados do delegado Eduardo Freitas da Silva, da 31ª Delegacia. Segundo ele, os agressores poderão responder por injúria racial, crime tipificado no artigo 140 do Código Penal, com pena de um a três anos de prisão e multa.

Agressões avançam pela rede Denúncias por crimes de injúria, incluindo as ofensas de cunho racial, como a que vitimou casal de Muriaé, vêm aumentando. Polícia adverte que 99% dos culpados são identificados


Junia Oliveira


M., de 20 anos, e L., de 18, vão depor na tentativa de ajudar na identificação dos agressores virtuais (Paulo Filgueiras/EM/D.A Press)
M., de 20 anos, e L., de 18, vão depor na tentativa de ajudar na identificação dos agressores virtuais

Os crimes de injúria – entre os quais se enquadram casos de agressão como o que vitimou o casal de Muriaé atacado pelo Facebook – avançam na internet. Os casos registrados na Delegacia de Crimes Cibernéticos de Belo Horizonte por ofensa à honra e à dignidade de alguém, incluindo ofensas raciais, saltaram nos primeiros sete meses do ano de 51 para 54, na comparação com o mesmo período de 2013. A quantidade já é maior que todas as ocorrências de 2012, quando houve 53 queixas.

Um das mais recentes investigações que desafiam a Polícia Civil é o caso da jovem negra da Zona da Mata mineira. O episódio, qualificado como injúria racial, ocorreu depois de a garota postar na semana passada uma foto na qual aparece com o namorado, branco, de 18 anos. O titular da 2ª Delegacia de Crimes Cibernéticos de BH, César Duarte Matoso, disse ontem que a equipe da capital vai dar suporte aos colegas de Muriaé, na tentativa de encontrar os autores das mensagens racistas.

A polícia vai pedir na Justiça ordem para obter o IP dos computadores de onde partiram as ofensas e, assim, identificar a origem das mensagens. De acordo com o Marco Civil da Internet, legislação que entrou em vigor no fim de junho, provedores de acesso à rede são obrigados a guardar os registros de acesso e do fim da conexão dos usuários pelo prazo de seis meses. De acordo com o delegado, 99% dos autores de crimes cometidos no ambiente virtual são identificados. “A pessoa comum não tem muita habilidade técnica ou conhecimento de informática para se esquivar de uma investigação, pois ela não pratica crimes com frequência”, diz.

César Matoso esclarece, no entanto, que para investigar crimes de injúria as vítimas têm que prestar queixa. Segundo ele, atos de discriminação são comuns na rede e, na maioria das vezes, o autor das ofensas é conhecido da vítima. Nesse caso, o procedimento é diferente: “Cabe à pessoa que foi ofendida procurar um advogado e entrar com uma ação criminal na Justiça”.

O delegado chama atenção ainda para a dimensão que uma ofensa na internet pode ganhar. Somente no Brasil, houve mais de 100 milhões de acessos no último trimestre. Apenas os domésticos responderam por 75% desse total. “Quanto mais pessoas na rede, mais crimes haverá”, diz César Matoso. Somente ano passado foram concluídos 300 inquéritos por crimes cibernéticos – a maioria deles, estelionato.

O delegado não tem dados sobre quantos se referiam especificamente a racismo ou injúria racial, mas informou que recebe inúmeros casos na Região Metropolitana de BH, além das investigações feitas pelas delegacias estado afora. “É um problema mais de relacionamento na rede e nem tanto policial. Como as pesosas se relacionam muito nesse espaço, qualquer ofensa abala muito o círculo de amigos. E elas não estão preparadas para uma exposição pública como ocorre na internet.”

Matoso destaca que estar na rede mundial e fazer parte das redes sociais exige consciência dos bônus e dos ônus. “Quanto maior a exposição, maior o problema depois, principalmente se envolver conteúdo íntimo. A linguagem na internet é fria e sem contexto e pode causar um problema enorme na vida pessoal da vítima.”



A moça diz que foi a primeira vez que foi vítima de racismo. “São pessoas que nem nos conhecem”, aponta. O rapaz ressalta que ninguém jamais criticou o relacionamento, de um ano e oito meses. Os dois moram em bairros vizinhos. De vez em quando, pelas ruas, os olhares se cruzavam. Ele descobriu o nome dela e a adicionou entre os amigos no Facebook. Na mesma noite, conversara horas pela internet. Encontraram-se no dia seguinte.

Ele, que mora com os pais, concluiu o ensino médio e, enquanto faz um curso técnico de logística, trabalha em uma empresa que produz anúncios de outdoor. Ela também completou o nível médio e, após um curso técnico de corte e costura, está à procura de emprego. A jovem, caçula de três irmãs, mora com uma delas e com a mãe em uma casa simples, em uma vizinhança de ruas calçadas com paralelepípedos.

“A gente já planeja se casar, mas, por enquanto, isso está só na ideia”, diz ela, com um sorriso desinibido, apertando os dedos entre os do namorado. “Primeiro, precisamos nos concentrar nos estudos, para depois termos tranquilidade”, ressalta o rapaz. Ela conta que amigos e conhecidos telefonaram para o casal para saber se o relacionamento continuava firme, depois das ofensas. A jovem garante: “O que aconteceu não nos abalou. Gostamos tanto um do outro quanto antes”.