segunda-feira, 19 de novembro de 2012

'Ninguém está acima dos erros e das paixões', diz Dilma sobre STF


Em entrevista ao jornal 'El País', presidente criticou medidas de austeridade para combater a crise
Declaração foi dada no mesmo dia em que José Dirceu recebeu pena de 10 anos e 10 meses de prisão pelo mensalão
J.J.Guillen - 17.nov.2012/pool/Reuters
A presidente Dilma Rousseff conversa como rei Juan Carlos da Espanha durante Cúpula Ibero-Americana, em Cádiz
A presidente Dilma Rousseff conversa como rei Juan Carlos da Espanha durante Cúpula Ibero-Americana, em Cádiz

DE SÃO PAULONo dia em que o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu aplicar a pena de dez anos e dez meses de prisão a José Dirceu, a presidente Dilma Rousseff afirmou, em entrevista, que respeita as decisões do tribunal, mas que ninguém está "acima dos erros e paixões humanas".
"Acato as sentenças do Supremo Tribunal Federal e não as discuto. O que não significa que alguém neste mundo de Deus esteja acima dos erros e paixões humanas", disse Dilma, em entrevista na segunda-feira passada ao presidente do jornal espanhol "El País", José Luis Cebrián.
O texto, que foi publicado na edição de ontem, recebeu destaque na capa do diário com o título "Dilma, a forte".
Na reportagem, Cebrián diz que só tomou conhecimento da pena de Dirceu -que não estava prevista para ser definida naquele dia- ao sair da entrevista. Mas relata que, em sua opinião, a presidente provavelmente já soubesse.
Dilma estava em Brasília no momento da entrevista. Três dias depois, viajou à Espanha para participar da 22ª Cúpula Ibero-Americana.
Na longa entrevista, Dilma relembrou os tempos de militância e fez uma autocrítica sobre a opção da esquerda pela luta armada no combate à ditadura (1964-85): "Com os anos, comprovei nosso excesso de ingenuidade e romantismo e nossa falta de compreensão da realidade".
Em entrevistas anteriores, a presidente já havia manifestado reflexão semelhante.
CRISE
Dilma também condenou as políticas de austeridade que vêm sendo impostas aos países europeus como remédio para a crise: "Vivemos isso. O FMI nos impôs um processo que chamavam de ajuste [...]. Esse modelo levou à quebra de quase toda a América Latina nos anos 80".
"Sem investimento vai ser impossível vencer a crise", acrescentou. O Euro, segundo a presidente, é "uma das maiores conquistas da humanidade", embora seja um "projeto inacabado".
Para completá-lo, ela diz ser necessário implantar controle de instituições financeiras e união bancária.
Dilma afirmou que a crise retarda a retomada do crescimento em países que "não têm problemas fiscais nem financeiros" como o Brasil.
Às vésperas de se reunir com investidores privados brasileiros e espanhóis, a presidente comentou as dificuldades que o governo atravessa na área de infraestrutura.
"Quando começamos a construir uma represa, já driblamos todo tipo de barreiras inimagináveis", disse, sobre as consultas públicas feitas em projetos das hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio.
"Organizar um diálogo não significa passar um século discutindo", disse ela. "Os cidadãos têm que exigir que as empresas privadas cumpram seus compromissos."
A presidente também disse que a imprensa brasileira "comete excessos", que se elegeu sem o apoio dos meios de comunicação e que já não existe no país a figura do "formador de opinião": "O povo não se deixa manipular".

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